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As assustadoras nuvens de fogo que estão ajudando a espalhar incêndios na França

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As assustadoras nuvens de fogo que estão ajudando a espalhar incêndios na França
EPA/Shutterstock

Os incêndios florestais que atingem o sudoeste da França e o centro da Espanha já obrigaram mais de 325 mil pessoas a deixar suas casas.

Com um recorde de hectares destruídos pelas chamas, autoridades e equipes de bombeiros seguem mobilizadas para combater os focos que ainda permanecem ativos.

Na Espanha, os incêndios que atingiram principalmente as províncias de Ávila e Madri foram controlados. No entanto, nas últimas horas, um novo foco surgiu na região de Valência.

Na França, a situação continua crítica. Bombeiros trabalham para conter um dos maiores incêndios florestais registrados nos últimos anos na região de Gironda, próxima à cidade de Bordeaux.

O país está entre os mais afetados pelos incêndios, com cerca de 42 mil hectares devastados — um dos maiores desastres do tipo registrados desde a Segunda Guerra Mundial.

Em meio ao cenário de destruição, uma imagem chamou a atenção: uma enorme nuvem formada sobre a área atingida pelas chamas.

O fenômeno conhecido como pirocumulonimbo — também chamado de “nuvem de fogo” — é uma tempestade gerada pelo próprio incêndio e pode tornar o combate às chamas ainda mais difícil.

O que é e como se forma?

Segundo a principal apresentadora de meteorologia da BBC, Helen Willetts, esse fenômeno é, em essência, uma tempestade originada por um incêndio florestal de grande intensidade.

“Os incêndios florestais se alimentam de um clima quente e seco, enquanto os ventos fortes aumentam o perigo ao espalhar as chamas com grande rapidez”, explica.

“No entanto, os incêndios florestais também podem gerar seus próprios ventos e fenômenos meteorológicos”, acrescenta.

Willetts explica que, quando um incêndio de grandes proporções ocorre, ele libera enormes quantidades de calor.

“Esse calor faz com que o ar acima do fogo suba rapidamente, carregando fumaça, cinzas e vapor de água para as camadas mais altas da atmosfera.”

À medida que o ar sobe, ele esfria, e o vapor de água se condensa, formando uma nuvem.

Se o incêndio for suficientemente intenso e a atmosfera estiver instável, essa nuvem pode crescer até se transformar em um imponente pirocumulonimbo, o mesmo tipo de nuvem associado às tempestades elétricas, afirma a especialista.

Por isso, quando as nuvens pirocumulonimbo atingem grande desenvolvimento, elas também podem produzir raios, que, por sua vez, podem provocar novos incêndios.

Os ventos dentro dessas nuvens, assim como ocorre nas tempestades, são mais imprevisíveis e podem se espalhar em todas as direções. Além disso, em algumas situações, podem trazer granizo e chuva.

Os cientistas descrevem essas nuvens como tempestades geradas por incêndios, pois é o próprio fogo que fornece a energia necessária para que a nuvem se forme e se desenvolva.

A Nasa as denomina como “o dragão das nuvens que cospe fogo”.

Segundo a agência, esse tipo de nuvem, também conhecido como cumulonimbus flammagenitus, é produzido de forma “artificial” como resultado de uma fonte natural de calor, como um incêndio florestal ou um vulcão.

“O ar quente que sai do fogo pode transportar vapor de água para a atmosfera e gerar nuvens. É possível criar qualquer tipo de nuvem convectiva”, afirma a agência americana.

De acordo com especialistas, esse tipo de formação de nuvem costuma ser uma das mais perigosas, pois, ao gerar uma nuvem de tempestade, os raios e os ventos provocados por ela podem fazer com que o fogo se espalhe ou que novos focos de incêndio sejam iniciados.

“Uma tempestade elétrica completa está se formando dentro da coluna de fumaça do incêndio”, explicou Rick McRae, professor adjunto do grupo de pesquisa sobre incêndios florestais da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), ao jornal The Guardian.

“Esses fenômenos atingem aproximadamente 10 mil quilômetros cúbicos de atmosfera, portanto têm um impacto enorme.”

São comuns?

A Austrália foi um dos primeiros países a registrar a presença de nuvens pirocumulonimbo, no início deste século.

Essas nuvens também foram observadas durante os incêndios devastadores que atingiram a Califórnia em 2020.

A formação foi classificada pela Nasa como uma das maiores já vistas nos Estados Unidos. Ela pôde ser observada do espaço pelos satélites da agência espacial americana e também foi vista por passageiros de vários aviões que sobrevoavam a região.

Pesquisadores que estudam esses fenômenos afirmaram à imprensa francesa que essas formações de nuvens parecem estar se tornando cada vez mais frequentes.

Essa, contudo, teria sido a primeira vez que esse fenômeno foi observado na França.

“É a primeira vez que a França precisou considerar explicitamente o conceito de um pirocumulonimbo”, afirmou McRae.

Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, a Europa é o continente que está aquecendo mais rapidamente, com uma taxa de aumento de temperatura mais de duas vezes superior à média global desde a década de 1980.

As condições mais quentes e secas estão reduzindo a umidade da vegetação, criando um combustível que facilita o início e a rápida propagação dos incêndios florestais.

Ainda é necessária uma faísca — que geralmente vem da atividade humana, seja acidental ou intencional, ou de um raio —, mas o calor extremo, a vegetação seca e os ventos fortes podem fazer com que os incêndios avancem mais rapidamente e se tornem muito mais difíceis de controlar.

Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, os incêndios que atingiram a Europa neste ano consumiram uma área superior à média anual registrada nas últimas duas décadas.

A Agência Europeia do Meio Ambiente afirmou que “as mudanças climáticas aumentaram o risco de incêndios florestais em toda a Europa”, e a previsão é de que o maior perigo se concentre no sul do continente.

Fonte: BBC News

Por que a inteligência artificial (IA) consome muita água e energia?

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Por que a inteligência artificial (IA) consome muita água e energia?
Fonte: denisik11/Getty Images

Data centers que treinam modelos de IA consomem eletricidade e água em escala industrial, e a conta cresce com a popularização dos chatbots.

Toda pergunta feita a um chatbot — até um simples “bom dia” — passa por servidores que consomem eletricidade. Na maioria dos casos, essa infraestrutura também usa água para resfriamento, o que torna esse consumo hídrico um dos principais pontos de tensão sobre a sustentabilidade da IA.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers consumiram cerca de 415 terawatt-hora (TWh) em 2024, perto de 1,5% de toda a eletricidade do planeta, com previsão de dobrar até 2030.

Mas o que mais preocupa é que boa parte dos data centers já opera em regiões com estresse hídrico, aumentando a pressão sobre um recurso escasso e mal distribuído.

Confira a seguir por que os modelos de IA consomem tanta energia e água, como funcionam os data centers por trás dessa tecnologia e quais soluções as empresas testam para reduzir esse impacto.

Por que a inteligência artificial consome tanta energia?

O principal motivo do consumo elevado é o processamento paralelo em escala industrial. Treinar um modelo de linguagem exige milhares de GPUs operando simultaneamente por semanas, analisando volumes massivos de dados até ajustar bilhões de parâmetros.

Mas o consumo não termina com o treinamento. Cada nova pergunta feita a um chatbot ativa esse modelo novamente — e são bilhões dessas consultas por dia, sustentando uma demanda contínua por eletricidade.

Funcionamento constante gera calor, que precisa ser dissipado por sistemas de resfriamento. É por isso que, além da energia, o consumo de água também entra na equação dos data centers.

A MIT Technology Review estima que treinar o GPT-4 consumiu cerca de 50 gigawatt-hora, energia suficiente para abastecer a cidade de São Francisco durante três dias inteiros.

Mas esse gasto de treinamento é pontual — a fase de uso diário, chamada de inferência, responde por entre 80% e 90% de toda a capacidade computacional da IA hoje, segundo pesquisadores ouvidos pela publicação.

O papel das GPUs no processamento

As GPUs (unidades de processamento gráfico) — aquelas mesmas usadas para renderizar gráficos em videogames — ganharam com a IA um novo papel. Elas conseguem realizar milhões de cálculos ao mesmo tempo, algo essencial para treinar e executar os sofisticados modelos de linguagem.

Bahia tem 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025

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Bahia tem 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025
Foto: Divulgação/SSP-SP

Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro aparecem no ranking nacional, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.

Cinco cidades baianas estão no ranking das 10 mais violentas de todo o Brasil. O estado continua sendo o que registra o maior número absoluto de mortes violentas intencionais do país. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgados nesta quinta-feira (23).

Quando consideradas as taxas por 100 mil habitantes, a Bahia está entre os dez estados com maiores índices de mortes violentas intencionais do país. O recorte aponta que sete das 10 unidades da federação com as maiores taxas estão no Nordeste.

A cidade de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, é a segunda mais violenta do Brasil, atrás apenas de Maranguape, no Ceará. Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro também integram o ranking nacional.

Os dados divulgados nesta quinta são referentes aos registros de 2025 e as taxas de violência foram calculadas para cada 100 mil habitantes.

Apesar de a Bahia ocupar cinco das 10 posições do ranking, o estado registrou redução de 9,5% no número de mortes violentas intencionais, passando de 6.047 casos em 2024 para 5.473 em 2025.

No levantamento de 2024, cinco cidades baianas também apareciam entre as 10 mais violentas do país: Jequié, Feira de Santana, Juazeiro, Simões Filho e Camaçari.

Foto: Arte/g1

Conforme a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as cidades mais violentas do país sofrem, em grande parte, com disputas entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas.

Mortes por intervenção policial

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também mostra que a Bahia registrou aumento no número de mortes decorrentes de intervenções policiais.

Em 2025, foram contabilizadas 1.570 mortes provocadas por policiais em serviço ou fora dele, contra 1.556 em 2024.

Com isso, 28,7% de todas as mortes violentas intencionais registradas no estado tiveram origem em intervenções policiais. No ano anterior, esse percentual era de 25,7%.

Em números absolutos, a Bahia continua sendo o estado com mais mortes decorrentes de intervenção policial no país, à frente de São Paulo (835), Rio de Janeiro (798) e Pará (632). Nacionalmente, essas ocorrências passaram de 6.237 para 6.602 entre 2024 e 2025.

Santo Antônio de Jesus, o município com mais de 100 mil habitantes com a maior taxa de mortes por intervenção policial em 2024, que registrou taxa de 30,2, caiu para a 170ª posição em 2025, com taxa de 1,8.

O levantamento também mostra que a Bahia concentra seis das dez cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes que registraram as maiores taxas de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) em 2025.

Criciúma/SC recebe encontro nacional e consolida protagonismo entre as cidades inteligentes do Brasil

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Cidades inteligentes são construídas com planejamento, colaboração e propósito
Foto: Divulgação

Município foi o único de Santa Catarina a sediar a Reunião Estratégica Regional 2026 da Plataforma CSC

Criciúma/SC sediou, na tarde desta quinta-feira (23), a Reunião Estratégica Regional 2026 da Plataforma Connected Smart Cities (CSC). O município foi o único de Santa Catarina e um dos poucos do Brasil a receber o encontro nacional que reuniu gestores, especialistas, lideranças e representantes do setor privado para debater soluções, compartilhar experiências e fortalecer o desenvolvimento dos municípios. O evento aconteceu no Centro de Inovação Criciúma (CRIO).

“Criciúma construiu um ambiente favorável à inovação porque compreendeu que tecnologia, planejamento e boa gestão caminham juntos. Hoje oferecemos serviços modernos, investimos em soluções que facilitam a vida das pessoas e criamos condições para que a cidade continue crescendo de forma sustentável. Receber um evento dessa dimensão confirma que Criciúma acompanha essa transformação e passou a contar com ela”, ressaltou o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola.

Promovida pela Plataforma CSC, o evento teve como objetivo reunir representantes do poder público, da iniciativa privada, da academia e de instituições ligadas à inovação para discutir soluções voltadas ao desenvolvimento de cidades mais inteligentes, humanas, conectadas e sustentáveis. O encontro também proporcionou a troca de experiências entre gestores e a apresentação de iniciativas que vêm transformando a gestão pública em diferentes regiões do país.

A programação reuniu especialistas de diferentes áreas em painéis e debates sobre temas estratégicos para o futuro das cidades, como transformação digital da gestão pública, inovação aberta, cidades resilientes, sustentabilidade, mobilidade, economia de impacto, inteligência artificial, governança, captação de investimentos e parcerias entre o setor público e a iniciativa privada.

Segundo o secretário municipal de Governança, Tiago Ferro Pavan, uma cidade inteligente é construída a partir da integração entre diferentes setores e tem as pessoas como prioridade.

“Quando falamos em cidades inteligentes, falamos de pessoas. A tecnologia é um meio para construir políticas públicas mais eficientes, melhorar a qualidade de vida e desenvolver os municípios de forma integrada. Criciúma tem um ecossistema de inovação muito forte e a evolução da cidade no ranking demonstra que estamos entregando valor para o cidadão e seguindo no caminho certo”, destacou o secretário municipal de Governança, Tiago Ferro Pavan.

Para a idealizadora da Plataforma CSC, Paula Faria, a trajetória recente de Criciúma demonstra um planejamento consistente e baseado em evidências.

“Criciúma vem se destacando nacionalmente pelo avanço alcançado nos nossos indicadores. A evolução registrada no ranking mostra o resultado de um trabalho estruturado, pautado em políticas públicas e no uso de dados para orientar decisões. É esse olhar voltado às necessidades da população que fortalece uma cidade inteligente. Ficamos muito felizes em acompanhar de perto essa jornada de transformação que Criciúma está construindo”, afirmou.

Sobre a Plataforma CSC

A Plataforma CSC é um movimento nacional de transformação urbana que valoriza a diversidade regional, a colaboração e o impacto real nas cidades brasileiras. Por meio da plataforma, Criciúma esteve no ranking de cidades mais inteligentes no Brasil, ocupando a 16ª posição.

Fonte: Circuito Turístico

Smart City Zürich: o modelo de inteligência urbana que redefine o planejamento global

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Smart City Zürich: o modelo de inteligência urbana que redefine o planejamento global
Foto: Enviado por Giovani Bernardo

Como uma cidade de meio milhão de habitantes se tornou, pela sexta vez consecutiva, a mais inteligente do mundo sem fazer da tecnologia o centro do seu modelo

Por: Débora Zeferino Leoratto e Lisangela Letti

Em 2025, o IMD Smart City Index coroou Zurique como a cidade mais inteligente do mundo pela sexta vez consecutiva, à frente de Oslo, e atribuiu-lhe pela primeira vez a nota máxima, AAA, em ambas as dimensões avaliadas pelo ranking: estrutura urbana e tecnologia. O dado mais revelador, no entanto, não é a posição no topo da lista, mas o tamanho da cidade que a ocupa. Com pouco mais de 452 mil habitantes no município e cerca de 1,6 milhão de pessoas no cantão que a circunda, Zurique não vence porque é grande, populosa ou tecnologicamente futurista. Vence porque transformou confiança institucional, dados e planejamento territorial em um sistema coerente — uma combinação que nenhuma métrica de inovação isolada consegue capturar sozinha, mas que se torna visível quando se observa o modelo como um todo.

O ponto de partida desse modelo é a própria estratégia Smart City Zürich, lançada para integrar de forma transversal as políticas de inovação, sustentabilidade e transformação digital da cidade. A escolha de palavras importa aqui: transversal, não setorial. Diferente de abordagens que tratam a tecnologia como um departamento à parte da administração pública, Zurique optou por usar dados como insumo estratégico para o planejamento territorial e para a tomada de decisão em todas as áreas de governo. Um dos instrumentos mais sofisticados dessa abordagem é o Digital Twin, ou gêmeo digital da cidade: um modelo virtual que permite simular cenários complexos de mobilidade, infraestrutura e impacto ambiental antes que qualquer intervenção física seja executada no espaço urbano. É uma forma de comprar tempo e reduzir erro — gestores testam decisões no plano virtual antes de assumir o custo, político e financeiro, de errar no mundo real.

Esse uso estratégico de dados só funciona, contudo, porque está apoiado em um pilar mais fundamental: a política de Open Government Data, ou dados abertos governamentais. A prefeitura de Zurique disponibiliza de forma massiva seus dados públicos, e essa decisão cumpre três funções que raramente aparecem juntas em outras cidades. A primeira é ampliar a transparência e a confiança do cidadão nas instituições — não como discurso, mas como prática verificável, já que qualquer pessoa pode acessar e auditar os dados que embasam decisões públicas. A segunda é fomentar o ecossistema de inovação local, permitindo que startups e empresas desenvolvam soluções a partir de dados reais da cidade, em vez de depender de aproximações ou suposições sobre como Zurique funciona. A terceira, talvez a mais subestimada, é estimular a participação cidadã por meio de interfaces digitais que permitem à comunidade colaborar diretamente com a gestão pública. Tomadas em conjunto, essas três funções explicam por que o relatório do IMD atribui à confiança institucional um peso tão decisivo quanto à tecnologia em si na definição do que torna uma cidade inteligente.

Por trás da camada de dados existe ainda uma camada econômica que sustenta tudo isso no longo prazo: o Desenvolvimento Baseado em Conhecimento, ou Knowledge-Based Development. A economia de Zurique é impulsionada pela articulação estreita entre o setor produtivo, o poder público e instituições de ensino de excelência, com destaque para a ETH Zürich, uma das universidades técnicas mais respeitadas do mundo. O modelo segue a lógica da Hélice Tríplice — universidade, governo e empresa — e garante que a pesquisa científica produzida na cidade não fique confinada a laboratórios, mas seja aplicada diretamente na melhoria dos serviços públicos. É esse fechamento de ciclo, entre quem produz conhecimento e quem o transforma em política pública, que distingue um polo universitário de um verdadeiro motor de desenvolvimento territorial.

Esses princípios se tornam concretos, e visíveis no dia a dia de qualquer morador, no setor de mobilidade, onde Zurique é referência mundial em integração multimodal. A estratégia urbana prioriza o transporte coletivo de alta eficiência, incentiva deslocamentos ativos como caminhada e ciclismo, e utiliza monitoramento em tempo real para otimizar o fluxo de veículos e reduzir impactos ambientais. Não é uma política de transporte no sentido tradicional — é uma política de uso do tempo e do espaço urbano, em que cada modal é dimensionado para reduzir o atrito entre as pessoas e a cidade, em vez de simplesmente movê-las de um ponto a outro.

Toda essa engenharia urbana está ancorada em metas de sustentabilidade e eficiência de recursos monitoradas com rigor pouco comum: a cidade utiliza indicadores alinhados a normas internacionais como a ISO 37120 e a ISO 37122 para acompanhar a gestão hídrica, a eficiência energética e a resiliência climática. E, para garantir que esse esforço não se disperse em iniciativas pontuais, Zurique formalizou em abril de 2024 o documento Strategien Zürich 2040, que substituiu o plano anterior, de 2035, e define metas claras de longo prazo para a evolução da infraestrutura e da qualidade de vida urbana. É um detalhe que diz muito sobre a maturidade institucional da cidade: o plano estratégico tem prazo de validade e é revisado, não porque tenha falhado, mas porque o mundo ao seu redor mudou.

O que o chamado Modelo Zurique ensina, em última instância, é que ser uma cidade inteligente depende menos de acumular tecnologia e mais de construir capacidade institucional e governança orientada por evidências. Os dados urbanos só produzem resultado real quando estão associados a um planejamento territorial sólido e a um engajamento social genuíno — sem essa combinação, qualquer painel de indicadores é apenas vitrine. É uma lição igualmente válida para gestores públicos e para organizações privadas que confundem, com frequência, acumular ferramentas digitais com de fato transformar a maneira como decisões são tomadas: a inteligência, urbana ou institucional, não está na tecnologia que se possui, mas na confiança e na evidência que sustentam o seu uso.

Fontes consultadas: Stadt Zürich (Statistik Stadt Zürich; Strategien Zürich 2040); Kanton Zürich (Statistisches Amt); IMD World Competitiveness Center / IMD Smart City Index 2025; Cities Today; S-GE.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC.

Com mais idosos na internet, pesquisa sugere diretrizes para tornar chatbots mais inclusivos e acessíveis

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Com mais idosos na internet, pesquisa sugere diretrizes para tornar chatbots mais inclusivos e acessíveis
Foto: Shvets/Pexels

Estudo identificou as principais dificuldades enfrentadas por pessoas com 60 anos ou mais ao interagir com assistentes virtuais e reuniu 43 recomendações para orientar profissionais e empresas que constroem esses sistemas

Os idosos brasileiros estão cada vez mais conectados. No entanto, à medida que bancos, planos de saúde, empresas e órgãos públicos ampliam o uso de chatbots — um programa de software desenvolvido para simular uma conversação humana — e outras ferramentas de inteligência artificial para atender a seus usuários, um novo desafio surge: fazer com que essas tecnologias também sejam acessíveis para quem envelhece. Segundo um levantamento divulgado neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais utilizaram a internet em 2025. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o porcentual passou de 70,1% para 74,5%, o maior crescimento entre todas as faixas etárias.

Foi justamente diante desse cenário que uma pesquisa, desenvolvida no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, criou um conjunto de 43 diretrizes para orientar o desenvolvimento de chatbots mais inclusivos para pessoas idosas. “Os idosos já estão entrando no ambiente digital. Agora precisamos garantir que consigam usar, com autonomia, as tecnologias que estão substituindo o atendimento humano”, explica Cynthya Letícia Teles de Oliveira, autora da pesquisa relatada em sua tese de doutorado.

Durante muitos anos, o principal desafio da inclusão digital foi ampliar o acesso à internet. Agora pesquisadores defendem que a discussão precisa avançar para uma nova etapa: garantir que as tecnologias sejam realmente utilizáveis por diferentes perfis de usuários. O próprio levantamento do IBGE mostra que, entre as pessoas que ainda não utilizam a internet, o principal motivo continua sendo “não saber usar”, resposta apontada por 44,9% dos entrevistados. Na prática, isso significa que não basta oferecer serviços digitais. É preciso projetá-los considerando limitações visuais, auditivas, motoras e cognitivas que podem surgir com o envelhecimento. E foi essa lacuna que motivou a pesquisa da USP.

Embora os avanços da inteligência artificial tenham transformado a forma como as pessoas acessam informações e utilizam serviços, os autores do trabalho alertam que inovação tecnológica não garante, por si só, inclusão. Ao longo da pesquisa de doutorado, que teve a orientação do professor Marcelo Manzato e coorientação da professora Kamila Rios, Cynthya identificou que muitos chatbots utilizam mensagens longas, linguagem pouco objetiva, excesso de informações, interfaces confusas e processos de navegação que dificultam a interação dos idosos. Essas barreiras podem transformar tarefas simples, como marcar uma consulta, verificar um benefício ou resolver um problema bancário, em experiências frustrantes.

O desafio mudou e os idosos têm muito a dizer

“Percebemos que os idosos enfrentam desafios que vão além das limitações físicas e cognitivas associadas ao envelhecimento. Muitos relataram insegurança diante das novas tecnologias, medo de golpes e, em alguns casos, pouca rede de apoio para aprender a utilizá-las. Isso reforça a importância de chatbots que utilizem linguagem simples e acolhedora, tenham uma identidade clara e deixem explícitas suas limitações”, comenta o professor Manzato.

Em vez de elaborar recomendações apenas com base na literatura científica, os pesquisadores construíram o trabalho envolvendo quem desenvolve e quem utiliza essas tecnologias. Durante o estudo foram realizadas entrevistas, reuniões em grupo, avaliações com desenvolvedores e testes com pessoas idosas. Essa abordagem permitiu compreender não apenas as limitações enfrentadas pelos usuários, mas também as dificuldades encontradas pelos próprios desenvolvedores ao aplicar princípios de acessibilidade durante o desenvolvimento de sistemas.

O resultado do trabalho deu origem à ferramenta batizada de Clear (Conversational Language and Elder Accessibility Requirements), que reúne um conjunto formado por 43 diretrizes organizadas em sete categorias: clareza e navegação por botões, interação por voz, conteúdo das mensagens, feedback do sistema, design de interface, identidade e acolhimento, e segurança e LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). As recomendações orientam, por exemplo, que os chatbots utilizem linguagem objetiva, apresentem informações de forma gradual, ofereçam diferentes formas de interação e transmitam segurança durante toda a conversa. Segundo a professora Kamila Rios, um dos principais objetivos foi aproximar a acessibilidade da rotina de desenvolvimento.

“Percebemos que muitos desenvolvedores reconhecem a importância da acessibilidade, mas têm dificuldade em transformar esse conhecimento em decisões práticas. A nossa ferramenta nasceu justamente para reduzir essa distância, oferecendo orientações claras e fáceis de aplicar,” explica a docente.

Teste com idosos demonstra aceitação da tecnologia

Para verificar se as recomendações realmente funcionavam, Cynthya avaliou um chatbot desenvolvido com base no Clear e comparou a experiência de uso com a do ChatGPT. Cinco pessoas com idades entre 60 e 75 anos participaram da etapa final do estudo. Elas realizaram tarefas semelhantes nas duas plataformas e, em seguida, foram entrevistadas sobre a experiência de uso. Os resultados mostraram que o chatbot desenvolvido seguindo as diretrizes foi preferido de forma unânime pelos participantes idosos. Além da maior facilidade de uso, os voluntários relataram maior sensação de acolhimento, confiança e segurança durante a interação.

Segundo a autora, isso demonstra que pequenas mudanças no projeto das interfaces podem produzir impactos significativos na experiência do usuário, deixando de ser apenas uma questão de tecnologia, mas de comunicação mais humana, clara e acessível. “Esse trabalho representa muito para mim porque pude ouvir esses idosos, compreender suas dificuldades e ver a satisfação e até a felicidade de utilizarem chatbots desenvolvidos a partir da nossa solução”, acrescenta Cynthya.

O envelhecimento da população brasileira e a rápida digitalização de serviços públicos e privados indicam que a presença de chatbots tende a aumentar nos próximos anos. Nesse contexto, os pesquisadores defendem que a acessibilidade deixe de ser tratada como uma etapa complementar e passe a integrar o desenvolvimento dessas tecnologias desde o início.

Mais do que um conjunto de recomendações técnicas, a pesquisa propõe uma mudança de perspectiva: criar sistemas capazes de atender melhor uma população que cresce a cada ano e que já faz parte do ambiente digital. “Espero que nossos resultados contribuam para conscientizar quem desenvolve tecnologia sobre a importância de incluir grupos historicamente negligenciados desde o início dos projetos e para incentivar a criação de soluções mais acessíveis, seguras e inclusivas”, finaliza Cynthya.

É possível consultar as recomendações da pesquisa na tese de doutorado de Cynthya, disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

Fonte: Jornal da USP | Cynthya Letícia Teles

Economia circular na Noruega: uma viagem de inovação e conhecimento

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Economia circular na Noruega: uma viagem de inovação e conhecimento
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Uma viagem à Noruega para conhecer empresas e projetos noruegueses que transformam embalagens, prédios, plásticos e baterias em novos negócios e matérias-primas.

De garrafas devolvidas no supermercado a prédios construídos com materiais de outros edifícios, uma viagem para conhecer a economia circular na Noruega, para entender como empresas estão transformando resíduos em tecnologia, matéria-prima e novos modelos de negócio. O roteiro foi uma sugestão da The Nordic Way, empresa especializada em criar imersões executivas sob medida para empresas e grupos brasileiros conhecerem, de perto, projetos, negócios e ecossistemas de inovação na Noruega e países nórdicos. A primeira parada poderia ser qualquer supermercado da Noruega. Vou explicar, é comum encontrar pessoas chegando com grandes sacolas cheias de latas e garrafas vazias para descartá-las nas em máquinas onde essas embalagens desaparecem dentro de um equipamento instalado próximo à entrada. Em poucos segundos, surge um comprovante que pode ser descontado nas compras, convertido em dinheiro ou até em doação para a Cruz Vermelha. Para quem vive no país, o gesto é tão habitual quanto passar os produtos no caixa. Mas por trás dessa rotina existe uma das histórias empresariais mais bem-sucedidas da Noruega.

A máquina é parte de um sistema que conecta consumidores, supermercados, fabricantes de bebidas, empresas de logística, centros de processamento e tecnologia. Aquilo que poderia terminar no lixo preserva valor suficiente para retornar à cadeia produtiva. É também uma boa introdução à economia circular norueguesa: menos como um ideal abstrato e mais como uma viagem por sistemas que tentam impedir que produtos e materiais percam seu valor depois do primeiro uso.

Uma invenção norueguesa escondida dentro do supermercado

A TOMRA nasceu em 1972, quando os irmãos Petter e Tore Planke desenvolveram uma máquina capaz de reconhecer e receber automaticamente garrafas vazias. O primeiro equipamento foi instalado em um supermercado de Oslo naquele mesmo ano. O que começou como uma solução para facilitar a devolução de embalagens tornou-se uma empresa de tecnologia presente em mais de cem países. Hoje, a TOMRA trabalha com sistemas de coleta e separação de materiais utilizados não apenas em supermercados, mas também em reciclagem, alimentos e mineração. Em 2026, a companhia recebeu o Prêmio Norueguês de Exportação de 2025 pelo impacto internacional de suas tecnologias. O sucesso não está somente na máquina. Está no sistema construído ao redor dela.

A Noruega possui aproximadamente 3.900 máquinas automáticas distribuídas em 3.500 pontos de coleta, além de milhares de locais que fazem a devolução manualmente. Os supermercados que vendem bebidas também participam do recebimento das embalagens, tornando a devolução conveniente para o consumidor. A recompensa financeira é suficiente para mudar o comportamento do consumidor. Ao mesmo tempo, as embalagens precisam seguir determinadas especificações para que possam ser identificadas, separadas e recicladas com qualidade. Para empresas de bebidas, embalagens, varejo, logística ou bens de consumo, a pergunta mais interessante não é simplesmente como reciclar uma garrafa. É como criar um sistema no qual:

  • o consumidor tenha interesse em devolver;
  • o varejista tenha estrutura para receber;
  • o fabricante ajude a financiar;
  • a logística continue eficiente;
  • e o material recuperado mantenha valor econômico.

Foi a combinação desses elementos que permitiu transformar uma máquina criada em uma garagem norueguesa em um negócio internacional.

A 45 minutos de Oslo, a economia circular na Noruega, e uma nova forma de fechar o ciclo do plástico

Saindo de Oslo em direção a Holtskogen, a paisagem urbana gradualmente dá lugar às florestas e estradas tranquilas que cercam a capital. É ali, a aproximadamente 45 minutos da cidade, que começou a operar em novembro de 2025 a Områ, uma instalação criada pela TOMRA e pela Plastretur para enfrentar um dos grandes desafios da economia circular: o que fazer com diferentes tipos de plástico depois que eles são descartados. Em vez de uma única corrente de embalagens relativamente padronizadas, como acontece com garrafas e latas, o plástico chega misturado em diferentes formatos, cores e composições. Separá-lo com qualidade suficiente para retornar à indústria é uma tarefa muito mais complexa.

A Områ utiliza sensores para dividir os resíduos em até dez categorias. A instalação tem capacidade para processar 90 mil toneladas por ano, incluindo embalagens que antes tinham como destino principal a incineração. Para um grupo de visitantes, o local revela uma questão estratégica: Como transformar aquilo que chega misturado, contaminado e sem valor aparente em matéria-prima suficientemente previsível para ser novamente utilizada pela indústria?

Essa pergunta interessa muito além das empresas de reciclagem. Ela envolve fabricantes de embalagens, alimentos, cosméticos, produtos de limpeza, redes de varejo, operadores logísticos e todas as marcas que colocam plástico no mercado. A instalação também mostra que pedir ao consumidor que separe melhor os resíduos não resolve tudo. É necessário criar infraestrutura, tecnologia, demanda pelo material reciclado e responsabilidade ao longo de toda a cadeia.

Em Oslo, um prédio construído com pedaços de outros prédios

De volta ao centro de Oslo, uma construção na Kristian Augusts gate apresenta a economia circular de uma forma menos óbvia. À primeira vista, o número 13 da rua parece apenas mais um edifício de escritórios integrado à arquitetura da capital. Mas parte de seus materiais teve uma vida anterior.

Radiadores, estruturas, componentes internos e materiais trazidos de outros projetos foram incorporados à reforma do edifício da década de 1950. Aproximadamente 80% dos materiais foram reutilizados, contribuindo para uma redução estimada de 70% nas emissões relacionadas ao projeto.

O prédio faz parte do FutureBuilt, um programa que utiliza projetos reais para testar novas soluções na construção e no desenvolvimento urbano. A iniciativa busca criar edifícios e áreas urbanas que reduzam substancialmente as emissões e avancem em temas como reutilização de materiais, mobilidade e biodiversidade. O que torna o projeto interessante não é apenas o volume de materiais recuperados. A reutilização obrigou arquitetos, construtores e fornecedores a repensarem quase todas as etapas da obra. Foi necessário descobrir antecipadamente quais componentes estariam disponíveis, verificar sua qualidade, desmontá-los sem destruí-los, transportá-los, armazená-los e adaptá-los ao novo edifício.

Nesse modelo, uma demolição deixa de ser apenas o fim de um prédio. Pode-se tornar uma fonte de portas, estruturas, janelas, tijolos, divisórias e equipamentos para outro projeto. É uma mudança simples de descrever e difícil de executar, o edifício deixa de ser visto como algo descartável e passa a funcionar como um banco temporário de materiais. Para construtoras, incorporadoras, hotéis, escritórios, shopping centers, arquitetos e fabricantes de materiais, isso altera a forma de calcular custo, prazo, valor residual e risco. A economia circular começa, portanto, muito antes da reciclagem. Ela começa no desenho: na possibilidade de reparar, desmontar, adaptar e reutilizar aquilo que está sendo construído hoje.

Fredrikstad e a segunda vida das baterias

Aproximadamente uma hora ao sul de Oslo, a charmosa cidade de Fredrikstad abriga uma das respostas norueguesas a uma pergunta cada vez mais urgente: o que acontece com as baterias dos veículos elétricos quando elas chegam ao fim da vida útil?

A adoção de carros elétricos criou um novo desafio. Substituir motores a combustão reduz determinadas emissões, mas aumenta a demanda por lítio, níquel, manganês, cobre, alumínio e outros materiais. Jogar fora uma bateria significa perder recursos valiosos e aumentar a necessidade de extrair novas matérias-primas.

A Hydrovolt iniciou operações comerciais em Fredrikstad com capacidade para processar aproximadamente 12 mil toneladas de baterias por ano. A empresa afirma conseguir recuperar mais de 90% dos materiais presentes nas baterias processadas. A instalação conecta duas das transformações mais importantes da economia contemporânea, a eletrificação dos transportes e a segurança no acesso a matérias-primas.

Para empresas automotivas, de energia, armazenamento, mineração, logística e gestão de resíduos, a reciclagem de baterias não é apenas uma questão ambiental. É uma forma de reduzir desperdício, recuperar materiais críticos e diminuir a dependência de cadeias internacionais vulneráveis. Em 2026, a Hydrovolt anunciou novas parcerias relacionadas à reciclagem de baterias de veículos elétricos no mercado norueguês, mostrando como a circularidade depende da construção de uma rede que começa no proprietário do veículo e passa por fabricantes, oficinas, transportadores e recicladores.

Economia circular na Noruega e Escandinávia

Seria tentador terminar essa viagem apresentando a Noruega como um país no qual nada é desperdiçado. Mas essa não seria uma descrição honesta. A Noruega continua tendo um consumo de materiais e não consegue reaproveitar todos os recursos que utiliza. Essa contradição torna a viagem mais interessante. Pois, a Noruega não oferece uma fórmula pronta para ser copiada. Ela oferece empresas, edifícios, instalações e experiências que permitem observar onde a economia circular está funcionando, onde ainda esbarra em custos e regulação e quais negócios podem surgir para preencher essas lacunas.

A TOMRA mostra como a conveniência e um incentivo financeiro podem mudar o comportamento do consumidor. A Områ mostra que a coleta só gera valor quando existe infraestrutura capaz de transformar resíduos em materiais utilizáveis. O edifício da Kristian Augusts gate mostra que reutilizar exige planejamento, informação e uma cadeia preparada para trabalhar de outra forma. A Hydrovolt mostra como um problema criado pela eletrificação pode dar origem a uma nova indústria de recuperação de matérias-primas. Em todos os casos, a sustentabilidade não aparece como um departamento isolado. Ela se conecta a tecnologia, logística, produto, fornecimento, custo, regulação e estratégia.

O que empresas brasileiras podem aprender sobre sustentabilidade e economia circular viajando para a Noruega e paises nordicos?

Uma viagem empresarial pela economia circular na Noruega ou em países nórdicos pode interessar a organizações muito diferentes. Para uma empresa de bebidas ou varejo, o ponto de partida pode ser a logística reversa e a participação do consumidor. Para uma indústria de alimentos, cosméticos ou bens de consumo, pode ser o redesenho das embalagens e a responsabilidade sobre o que acontece depois da venda. Para uma construtora ou incorporadora, a discussão pode estar na reutilização de materiais, na reforma de edifícios existentes e na criação de valor residual. Para empresas automotivas, de energia e mineração, o interesse pode estar na recuperação de matérias-primas críticas. Para bancos e investidores, a pergunta pode ser quais modelos circulares conseguem gerar receita, reduzir risco ou proteger empresas contra a escassez de recursos.

A viagem não precisa oferecer a mesma resposta para todos. Sua função é aproximar cada grupo das empresas, dos especialistas e das experiências mais relevantes para o desafio que está tentando resolver.

Quando a visita deixa de ser turismo corporativo

Conhecer uma instalação ou ouvir a apresentação de uma empresa não garante aprendizado. Uma imersão executiva precisa começar antes do embarque, com uma pergunta clara: Qual problema estratégico a organização pretende compreender melhor?

A partir dela, a agenda pode combinar conversas com empresas, projetos urbanos, centros de inovação e especialistas. As visitas dependem de disponibilidade e precisam ser construídas de acordo com o setor, o perfil dos participantes e o objetivo da organização. Durante a viagem, o valor não está apenas em observar uma tecnologia. Está em descobrir:

  • por que determinada solução foi criada;
  • como o modelo é financiado;
  • quais parceiros precisaram colaborar;
  • que obstáculos surgiram;
  • o que ainda não funciona;
  • e quais elementos poderiam ser adaptados a outro mercado.

É isso que transforma uma viagem pela Noruega e paises nordicos em uma experiência empresarial e uma sequência de visitas em uma jornada capaz de gerar novas perguntas, conexões e possibilidades de ação.

A rota termina, mas o material continua circulando. A garrafa volta ao supermercado. A janela reaparece em outro prédio. A bateria se transforma em matéria-prima. E aquilo que antes era tratado apenas como descarte começa a revelar seu valor como recurso, tecnologia e oportunidade de negócio.

Conheça a economia circular onde ela está acontecendo

The Nordic Way cria imersões executivas sob medida na Noruega e nos países nórdicos para empresas, universidades e grupos de liderança interessados em economia circular, inovação sustentável e novos modelos de negócio.

Fonte: Estadão

Arsesp abre consulta pública sobre monitoramento da universalização dos serviços de saneamento

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Arsesp abre consulta pública sobre monitoramento da universalização dos serviços de saneamento
Foto: Max Alencar/Ascom Cosanpa/Divulgação

Contribuições podem ser enviadas até 31 de julho; iniciativa busca fortalecer o monitoramento dos serviços de saneamento básico

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou no dia 16 de julho, no Diário Oficial do Estado, a Consulta Pública nº 11/2026 para receber contribuições e manifestações da sociedade sobre a proposta que institui procedimentos regulatórios para o monitoramento e a avaliação da universalização, dos indicadores operacionais e da qualidade das informações dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

A proposta tem como objetivo estabelecer diretrizes para o acompanhamento da evolução da universalização dos serviços de saneamento básico e da qualidade das informações reportadas pelas prestadoras reguladas, em conformidade com as Normas de Referência ANA nº 08/2024 e nº 09/2024.

A iniciativa busca fortalecer o monitoramento dos serviços de saneamento básico, promovendo maior transparência, confiabilidade das informações e acompanhamento da evolução da universalização dos serviços.

A participação é aberta a pessoas físicas e jurídicas interessadas no tema. Para participar, é necessário preencher o formulário disponibilizado pela Arsesp e encaminhá-lo, até o dia 31 de julho de 2026, para o endereço eletrônico consultapublica@arsesp.sp.gov.br, conforme as orientações previstas no regulamento.

A minuta de Deliberação, a Nota Técnica, o regulamento e o formulário para envio das manifestações estão disponíveis no site da Arsesp.

Após o encerramento do prazo, a Agência divulgará, em seu site, a íntegra das contribuições recebidas.

Fonte: Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo

Cidade do futuro ou cidade à prova de futuro?

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Cidade Mais Inteligente do Mundo e líder em qualidade de vida entre as capitais: a metrópole com quase 70 m² de área verde por morador
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Goiânia

Mais do que imaginar cidades do futuro, o desafio está em construir territórios capazes de se adaptar às incertezas sem perder sua identidade.

“Cidade do futuro” é provavelmente uma das expressões mais usadas e menos questionadas do urbanismo contemporâneo, pelo menos quando aparece em discursos e campanhas institucionais. Ela aparece em todos os lugares, de discurso de prefeito a relatório de organismo internacional, passando por nome de evento e slide de consultoria, e ninguém aparentemente acha estranho. O problema não está em falar de futuro, mas naquilo que a expressão costuma manter de fora: na maior parte dos discursos que ouvimos hoje, “cidade do futuro” funciona como promessa estética: ela diz “veja o que virá”, como se o futuro fosse um lugar já desenhado, esperando apenas a hora de chegar, mas o que ela quase nunca questiona, porque não a compreende, é se de fato estamos preparados para o que ainda não tem forma, para o que ninguém colocou no planejamento.

Trago essa questão em Lugares Futuros: a confusão entre prever e explorar. Quem trabalha com futuros seriamente, e não com aquele verniz marqueteiro chamado de futurewashing, sabe que a tarefa nunca foi adivinhar o que vem pela frente, adivinhação é coisa de oráculo, e oráculo, convenhamos, tem um histórico de acerto bastante questionável. A tarefa é outra, mais difícil e infinitamente menos vendável: construir a capacidade de atravessar o que vier sem perder a essência, porque projetar o presente para frente, esticá-lo por vinte ou trinta anos e revesti-lo de tecnologia digital não é pensar o futuro, é apenas maquiar o presente e torcer para que ele continue imutável.

O urbanismo já tentou construir “o” futuro

Houve um momento, entre 1920 e 1960, em que uma geração inteira de arquitetos  e urbanistas tiveram a convicção de estar projetando a cidade que viria, e antes mesmo da arquitetura despejar sua certeza em concreto, alguém já tinha descoberto como vendê-la. 

Mas seu impacto mais sensível provavelmente se deu através de sua manifestação no planejamento urbano. A Carta de Atenas, que Le Corbusier publicou em 1943 a partir das discussões do CIAM, repartia a cidade em funções estanques, morar, trabalhar, circular, recrear, como se um organismo vivo pudesse ser desmontado e remontado sem perda. Na prática, era um urbanismo hermético, desenhado como se fosse imune à rua, ao imprevisto, um sistema que já tinha todas as respostas antes de conhecer qualquer uma das perguntas do lugar, pressupunha-se a existência de uma verdade universal e, com ela, de um humano “tipo”.

Chandigarh, cujo plano Le Corbusier reformulou para a nova capital do Punjab, e Brasília, planejada por Lúcio Costa e marcada pela arquitetura monumental de Oscar Niemeyer, são talvez as duas materializações mais completas da ideia de cidade do futuro produzidas pelo século XX. Envelheceram como monumentos a uma visão de futuro que acreditava poder encerrar a própria história, não porque tenham permanecido modernas ou deixado de sê-lo, mas porque foram concebidas como respostas completas demais para um mundo que jamais permaneceria estável.

Brasília, a cidade que deveria ser a mais moderna do país, se esforçou para manter a informalidade fora do Plano Piloto, e a viu emergir nas cidades-satélites que brotaram na periferia quase antes do concreto secar, o trabalhador que construiu a utopia não foi convidado a morar dentro dela, talvez não fosse “tipo” o bastante.

É o mesmo achatamento de que falo, e o que essas cidades deixam evidente, é o risco de transformar a ambição de pensar longe em certeza, e a certeza em uma resposta completa demais para continuar válida quando o mundo muda. Elas não cumpriram a promessa de futuros completos justamente por isso: um lugar erguido sobre uma única certeza não tem para onde ir quando essa certeza passa ou a visão que a sustentava se esgota. Foram projetadas como se pudessem nascer prontas, e pronta é precisamente o que uma cidade não pode ser.

Coerência antes de tecnologia

Um dos principais problemas de muitas cidades hoje não é a falta de recursos, de tecnologia ou mesmo de vontade política, por mais estranha que essa afirmação possa parecer, mas a falta de coerência entre aquilo que um lugar é, aquilo que oferece como experiência no dia a dia e a direção para a qual diz estar seguindo.

Essa coerência tem um nome, e é o que atravessa tudo o que vou dizer daqui para frente: identidade. Não o slogan, mas a identidade entendida como direção estratégica, aquilo que um lugar é ao invés de decidir fingir ser. Esse é o ponto em que costumo perder parte da plateia técnica nas palestras, porque soa impreciso diante de tantos sensores e dashboards, mas vou insistir nele: a identidade é provavelmente uma das infraestruturas mais críticas que uma cidade tem, e a mais negligenciada, considero-a parte do que chamo “infraestrutura invisível”, não por ser subterrânea, mas por ser intangível.

Ela se deixa ver na coerência entre o que a cidade diz de si e o que se vive na rua, nos tipos de investimento que se repetem ao longo dos anos e na forma como crises são narradas e enfrentadas. E ela não se compra pronta, não desembarca de uma missão técnica a Cingapura ou Medellín, não está à venda em estande de feira, ela se constrói camada por camada, ao longo de anos de decisões, num trabalho lento e pouco fotogênico.

Quando a tecnologia é a resposta antes da pergunta

Quando um lugar pula a pergunta primordial: quem sou eu? alguma coisa corre para ocupar o vazio, e, atualmente, quase sempre é a tecnologia. Não são raras as cidades que investiram pesado em centros de operações integradas e sistemas de monitoramento invejáveis, e que continuam, apesar de tudo isso, tomando cada decisão importante pelo horizonte do próximo mandato. A tecnologia está lá, a inteligência estratégica, que seria a parte que realmente importa, ainda não chegou.

Não tenho nada contra as ferramentas, que fique claro, o que me incomoda é a ordem das coisas. Quando a tecnologia chega antes da identidade, ela tende a virar solução à procura de um problema que justifique sua compra. E a pergunta que de fato importa não é qual plataforma adquirir, mas para quais futuros estamos nos preparando, e quem decidiu isso, com quem, e principalmente para quem.

Aprender com o choque, mas em qual direção

Em Cidade Antifrágil tentei marcar uma distinção que ainda não chegou à grande parte das agendas de smart cities: existe uma diferença entre resistir a um choque e aprender com ele. Quem resiste, leva a pancada e se reconstrói exatamente como era, com as mesmas fragilidades intactas, esperando a próxima. Quem aprende, metaboliza o choque e volta com mais camadas, mais sensibilidade, mais capacidade de acolher o próximo imprevisto sem se desfigurar. É a diferença entre a Fênix, que renasce idêntica, e a Hidra, que volta com mais cabeças do que tinha.

Antifragilidade, conceito cunhado por Nassim Taleb, também depende de opcionalidade: da existência de alternativas, experimentos e caminhos diferentes que permitam ampliar os ganhos possíveis sem expor todo o sistema ao mesmo risco. Na escala urbana, isso significa não depender de uma única atividade econômica, de uma única infraestrutura, de uma única resposta ou de uma única ideia de futuro.

Uma cidade pode aprender rápido, mudar rápido, se adaptar a cada choque e ainda assim não ir a lugar nenhum, porque aprender pressupõe uma direção, e direção é o que a identidade sustenta. Sem identidade, o que a gente chama de antifragilidade corre o risco de ser só agilidade sem direção. 

Sem identidade não há foresight de cidades

Explorar futuros urbanos sem ancorá-los na identidade do lugar produz aquelas visões que poderiam pertencer a qualquer cidade e, por isso mesmo, não pertencem a nenhuma, não orientam decisão alguma. É o destino melancólico de muitos planos estratégicos municipais: documentos caprichados, com horizonte de vinte anos e slides coloridos, descrevendo um futuro tão intercambiável que daria para trocar o nome da cidade na capa sem que ninguém percebesse a diferença.

É justamente dessa compreensão que nasce a abordagem que desenvolvemos na consultoria, que chamamos de N/Urbanology©, e que integra Place Branding, Placemaking Estratégico e Place Strategic Foresight© como camadas interdependentes, não modulares. A identidade orienta quais futuros valem a pena explorar, os futuros explorados devolvem perguntas que tensionam e aprofundam a própria identidade, e o placemaking aterrissa tudo isso na experiência cotidiana, nos ritmos, nos usos, nas pessoas que habitam e dão vida ao lugar todos os dias.

Inteligente para quem e para quê?

Não sou contra smart cities, obviamente, até porque não conheço nenhuma dumb city, o que critico com algum ativismo é a versão da smart city que aparece como solução antes de ter entendido o problema. Sensores, inteligência artificial, por exemplo, podem ser extraordinariamente úteis, desde que respondam a uma direção estratégica e não tentem substituí-la. Uma praça bem cuidada e genuinamente viva diz mais sobre a inteligência de uma cidade do que um sistema de monitoramento que ninguém usa. 

O guia “Cidade à Prova de Futuros” que publicamos termina com algumas perguntas simples, e é justamente essa simplicidade que incomoda tanto. Depois da última crise relevante que o lugar atravessou, climática, econômica, política, o que mudou estruturalmente? Ele aprendeu ou só sobreviveu? A narrativa que o lugar conta sobre si é vivida nas ruas ou existe apenas em documentos e campanhas? O projeto que está na mesa considera o tempo de gestão ou também o tempo de quem vai herdar o que for construído?

Nenhum software responde a essas perguntas sozinho, não porque a tecnologia seja inimiga, ela não é, mas porque a inteligência que realmente orienta um lugar diante do imprevisível começa antes de qualquer plataforma, antes de qualquer painel, no instante em que a cidade para de fingir que sabe o que vai acontecer e reconhece quem ela é, com honestidade suficiente para construir a capacidade de atravessar o que vier sem se perder de si mesma.

A diferença é que algumas cidades encontrarão os futuros já em movimento, ainda se reconhecendo em meio a mudança, enquanto outras vão descobrir, tarde demais, que passaram anos se preparando para um futuro que nunca foi o delas.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Brasil melhora indicadores sobre segurança alimentar e segue fora do Mapa da Fome, aponta ONU

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A fome além da privação de alimentos: vergonha, culpa e desamparo
Foto: Adobe Stock

No ano passado, o Brasil saiu do Mapa da Fome pela segunda vez. Segundo relatório, país atingiu o menor nível já registrado de pessoas com insegurança alimentar severa, chegando a 0,6%.

Relatório divulgado nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas aponta que o Brasil melhorou indicadores sobre segurança alimentar e permanece fora do Mapa da Fome pelo segundo ano seguido.

O documento também aponta que o país atingiu o menor nível já registrado de pessoas com insegurança alimentar severa, chegando a 0,6%.

Segundo o relatório, 16,7 milhões de pessoas deixaram a condição no triênio de 2023 a 2025.

O Mapa da Fome é elaborado pela FAO, agência da ONU especializada em Alimentação e Agricultura, e mede o acesso da população à alimentação suficiente para uma vida ativa e saudável.

No ano passado, o Brasil saiu do Mapa da Fome pela segunda vez. O país já havia saído da lista de países com fome em 2014. No entanto, após a análise dos dados de 2018 a 2020, a ONU recolocou o país na categoria, apontando um aumento da insegurança alimentar no período.

Segundo o levantamento, o país manteve menos de 2,5% da população em risco de subalimentação (situação em que uma pessoa consome, de forma habitual, menos calorias do que o necessário para manter uma vida ativa e saudável).

O relatório estima ainda que 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025, uma redução em relação aos 8,1% registrados em 2024 e aos 8,6% de 2022.

De acordo com os dados divulgados pela ONU, cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome no triênio encerrado em 2025, redução de quase 14 milhões de pessoas em comparação com o triênio encerrado em 2024.

Alimentação saudável

A proporção de pessoas que não podem pagar por uma alimentação saudável também apresentou queda no Brasil, ficando em 21,1% no triênio encerrado em 2025.

A FAO utiliza indicadores macroeconômicos e demográficos que consideram variáveis como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável para chegar aos números.

Além disso, segundo a FAO, o custo da dieta saudável no Brasil foi de US$ 4,89 (dólares em Paridade do Poder de Compra) por pessoa ao dia, abaixo da média da América do Sul (US$ 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ 4,91).

Fonte: G1