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Aviação começa a usar inteligência artificial para pilotar aviões; entenda

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Novas regras da Anac para combater passageiros indisciplinados em voos começam a valer; veja o que muda
Foto: Gerada por IA | Magnific

Startup americana testa piloto artificial em Cessna Caravan enquanto setor aéreo enfrenta escassez de pilotos e pressão sobre controle de tráfego

O pequeno Cessna Caravan acelera pela pista e decola, enquanto o piloto ao meu lado mantém as mãos longe dos controles.

“Vamos ver aquelas mãos livres”, brinca Tim Burns, diretor de tecnologia da startup Merlin Labs, pelo intercomunicador do avião, de um assento traseiro.

Neste voo, o piloto de testes Matt Diamond, sentado à esquerda ao meu lado, não está controlando o avião de forma alguma. Grande parte das tarefas normais de pilotagem está sendo realizada por inteligência artificial.

Eu sou, juridicamente falando, um sujeito de teste — até o avião está rotulado como “experimental”. O sistema Merlin Pilot faz muito mais do que um piloto automático tradicional, utilizando um modelo de processamento de linguagem natural para ouvir instruções de um controlador de tráfego aéreo simulado e respondendo pelo rádio com uma voz feminina computadorizada. O piloto de testes Diamond diz “Authorize” e o avião começa a virar em direção a um novo curso.

Como piloto — e, admito, um tanto perfeccionista — ceder o controle a um computador não foi algo natural. Mas a demonstração é importante, uma vez que cada vez mais empresas de aviação estão recorrendo à IA para inaugurar uma nova evolução no transporte aéreo, utilizando-a para automatizar tarefas dos pilotos e, talvez um dia, possibilitar voos totalmente autônomos.

Nosso voo ocorre em um momento em que as companhias aéreas de todo o mundo enfrentam uma crescente escassez de pilotos. A Boeing estima que as transportadoras precisarão de mais de 600.000 novos pilotos nas próximas duas décadas. Ao mesmo tempo, as autoridades de segurança da aviação lidam com uma pressão crescente sobre um sistema de controle de tráfego aéreo já sobrecarregado, após uma série de quase colisões de grande repercussão e acidentes fatais nos últimos anos.

O avanço em direção à aviação assistida por IA também está ganhando apoio em Washington. O secretário de Transportes Sean Duffy tem promovido ferramentas de inteligência artificial como parte do esforço mais amplo do governo Trump para modernizar o envelhecido sistema de controle de tráfego aéreo do país.

“Nunca vamos terceirizar o espaço aéreo nacional para ferramentas de IA”, disse Duffy à CNN em entrevista recente. “Os controladores vão controlar o espaço aéreo, mas podemos tornar o trabalho deles mais fácil.”

Duffy afirmou que o governo vê a IA como uma forma de reduzir a carga de trabalho dos controladores e melhorar a eficiência em um espaço aéreo cada vez mais congestionado.

A Merlin argumenta que a inteligência artificial poderia eventualmente ajudar a resolver alguns dos mesmos problemas na cabine de comando. “Oitenta por cento dos acidentes na aviação ainda são causados por erro humano”, disse Matthew George, CEO da Merlin, à CNN. “Se pudermos reduzir isso, é uma forma bastante útil de empregar nosso tempo.”

A ideia permanece controversa. A aviação comercial tem incorporado automação de forma constante ao longo de décadas, chegando aos atuais sistemas fly-by-wire, nos quais computadores interpretam os comandos dos pilotos mesmo durante o voo manual.

“As cabines modernas já contam com bastante automação, mas essa automação está dentro de um escopo estritamente definido”, disse Mykel Kochenderfer, cujas pesquisas na Stanford University se concentram em sistemas autônomos e segurança na aviação. Kochenderfer afirmou que os sistemas mais recentes com assistência de IA são projetados para lidar com uma gama mais ampla de situações inesperadas do que a automação tradicional baseada em regras.

“Nossa experiência mostra que essa pode ser uma forma muito promissora de aumentar a segurança”, disse ele, “mas a indústria ainda tem um longo caminho a percorrer para aprimorar ainda mais a tecnologia e estabelecer a confiança necessária para sua aceitação.”

Mudar a mentalidade dos pilotos pode não ser tarefa fácil. Os sistemas de automação de voo atuais colocam o piloto no centro, permitindo que ele intervenha quando necessário. O Capitão Jason Ambrosi, presidente da Air Line Pilots Association, que representa mais de 79.000 pilotos nos Estados Unidos e no Canadá, afirma que a automação e a IA devem apoiar os pilotos, e não substituí-los.

“Os avanços tecnológicos podem melhorar a segurança na aviação, mas nunca serão um substituto para os pilotos a bordo de uma aeronave”, disse Ambrosi em nota à CNN. “O recurso de segurança mais importante em todo voo de companhia aérea sempre serão dois pilotos bem treinados e descansados na cabine de comando.”

A Merlin ressalta que voos de passageiros totalmente sem piloto ainda estão muito distantes. “Não vamos apertar um botão para ter aviões sem tripulação”, disse George. “Trata-se de colocar a IA ao lado de pilotos humanos e construir confiança.”

A empresa afirma ter concluído centenas de voos de teste enquanto trabalha para obter a certificação da Federal Aviation Administration. Esses padrões estão entre os mais rigorosos no setor de transportes, exigindo frequentemente anos de testes e análises de redundância antes que novos sistemas sejam aprovados.

Os militares podem fornecer o primeiro grande campo de provas do sistema. A Merlin recentemente garantiu um contrato no valor de mais de US$ 100 milhões com a Força Aérea dos EUA para, futuramente, levar a tecnologia aos aviões de carga C-130.

Enquanto o sistema da Merlin nos alinha na aproximação final, ele inicia uma descida gradual em direção à pista 34 e manobra os controles para se manter na trajetória de voo, apesar de um leve vento cruzado, até o toque na pista.

“É um problema desafiador para a automação”, diz-me o piloto de testes Diamond enquanto taxiamos de volta ao hangar da Merlin. “Mas, uma vez que você o resolve, as coisas ficam muito mais fáceis para o piloto.”

Fonte: CNN Brasil

Brasil e Itália assinam acordo científico em defesa da biodiversidade

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Cidade Mais Inteligente do Mundo e líder em qualidade de vida entre as capitais: a metrópole com quase 70 m² de área verde por morador
Foto: wahyu_t

Instituto Chico Mendes e CNR reforçaram cooperação ambiental

Os presidentes do Conselho Nacional de Pesquisa na Itália (CNR), Andrea Lenzi, e do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Oliveira Pires, assinaram um acordo de cooperação científica sobre a conservação da biodiversidade.

A parceria, em celebração ao 9º Dia da Pesquisa Italiana no Mundo, foi firmada na Embaixada de Roma em Brasília durante o “Seminário Internacional CNR-ICMBio: Bases Científicas para a Cooperação Técnica”, organizado pelo adido científico da embaixada, Fabio Naro.

O evento, que reuniu pesquisadores das duas instituições, evidenciou convergências em questões estratégicas como a proteção do meio ambiente marinho, a promoção da troca de conhecimentos e a consolidação das bases para uma cooperação técnica estruturada entre instituições brasileiras e italianas, à luz do novo acordo.

O Brasil, com seus cinco biomas, possui o maior patrimônio biológico do planeta e contribui de forma fundamental para a manutenção da biodiversidade na Terra.

A Itália, por sua vez, também ostenta uma grande diversidade de fauna e flora graças a sua localização geográfica e ampla variedade climática, abrigando aproximadamente um terço de todas as espécies do continente europeu. .

Fonte: Terra

O futuro das cidades será climático – ou não será

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As 4 regras de ouro do Japão para tornar suas cidades mais habitáveis
Foto: Giro 10

Após a COP-30 em Belém, o Brasil entra em uma nova era da gestão pública, em que resiliência climática, governança digital e justiça territorial deixam de ser tendência e passam a definir o desenvolvimento das cidades

O futuro das cidades será climático – ou não será. Essa afirmação pode soar dura, mas ela traduz o momento histórico que estamos vivendo. Pela primeira vez, não estamos discutindo apenas sustentabilidade como um diferencial competitivo ou uma pauta ambiental periférica. Estamos falando da própria capacidade de sobrevivência, adaptação e prosperidade das cidades brasileiras diante de uma crise que já deixou de ser futura. As enchentes, ondas de calor, secas extremas, colapsos de infraestrutura e desigualdades agravadas pelos eventos climáticos extremos já fazem parte da rotina urbana. E, diante desse cenário, a pergunta que precisamos fazer não é mais se as cidades precisam mudar, mas sim quão rápido conseguiremos transformar nossa forma de governar os territórios.

Depois da realização da COP-30 em Belém, essa afirmação deixou de ser uma provocação para se tornar uma constatação política, econômica e social. A conferência colocou o Brasil no centro do debate climático global e consolidou uma percepção que já vinha se desenhando há alguns anos: não existe mais desenvolvimento urbano possível sem resiliência climática, governança territorial e capacidade institucional de adaptação. 

Leia mais: Um em cada quatro brasileiros já saiu de casa por evento climático

Hoje, o Brasil vive um paradoxo. Somos reconhecidos globalmente como uma potência ambiental, mas ainda enfrentamos enormes fragilidades institucionais para transformar ambição climática em execução prática. Esse hiato entre planejamento e implementação, o chamado implementation gap, talvez seja o maior desafio da gestão pública contemporânea. Temos metas climáticas robustas, uma biodiversidade imensurável e enorme potencial para liderar a transição ecológica global. Porém, ainda convivemos com baixa integração federativa, ausência de dados estruturados, dificuldades de financiamento climático local e enormes desigualdades socioambientais.

A crise climática é essencialmente urbana. Mais de 85% da população brasileira vive nas cidades, e são elas que concentram tanto os riscos quanto as oportunidades da transformação. Por isso, acredito profundamente que a agenda de cidades inteligentes precisa amadurecer. Durante muito tempo, associamos o conceito de smart cities apenas à digitalização de serviços ou à adoção de novas tecnologias. Mas não existe cidade inteligente em um território vulnerável, desigual e incapaz de responder aos impactos climáticos. O conceito de inteligência urbana precisa incorporar necessariamente a resiliência climática, a justiça social e a capacidade adaptativa.

Leia mais: Governo lança Plano Nacional sobre Mudança do Clima com meta de reduzir emissões em até 67%

A governança precisa deixar de ser fragmentada e passar a funcionar de maneira policêntrica e colaborativa. Precisamos de cidades capazes de tomar decisões baseadas em evidências, e não apenas em ciclos políticos curtos. Isso significa estruturar sistemas de monitoramento climático, integrar dados urbanos, utilizar inteligência artificial para prever riscos e criar capacidade institucional para respostas rápidas e preventivas. A tecnologia deixa de ser um fim em si mesma e passa a atuar como infraestrutura estratégica para proteção da vida.

Vejo isso acontecer na prática em cidades que já começaram essa transformação. Goiânia, por exemplo, vem avançando na integração entre planejamento estratégico, indicadores de sustentabilidade e gestão orientada a resultados. O uso inteligente de dados urbanos permite antecipar tendências de ocupação, monitorar variáveis climáticas e otimizar investimentos públicos. Isso demonstra que inovação urbana não é uma promessa distante; ela já é uma realidade possível quando existe visão estratégica e continuidade institucional.

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Ao mesmo tempo, Belém nos coloca diante de outro debate essencial: a necessidade de conectar clima e justiça territorial. Não existe transição ecológica verdadeira sem inclusão social. A bioeconomia amazônica precisa ser compreendida como muito mais do que exploração sustentável de recursos naturais. Ela representa a valorização dos saberes tradicionais, da sociobiodiversidade e da economia do cuidado construída historicamente por povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades amazônidas. O futuro climático do planeta passa pela Amazônia, mas também passa pelo reconhecimento de que essas populações não podem continuar sendo apenas guardiãs simbólicas da floresta. Elas precisam ser protagonistas econômicas e políticas dessa transformação.

Quando falamos sobre cidades resilientes, estamos falando também sobre saneamento, drenagem, moradia digna, mobilidade, qualidade do ar e redução das desigualdades. Estamos falando sobre proteger principalmente quem mais sofre com os eventos extremos: as populações vulnerabilizadas que historicamente foram empurradas para áreas de risco. Justiça climática não é um conceito abstrato. Ela se materializa na capacidade do Estado de proteger vidas e garantir dignidade urbana.

Leia mais: Comitê de Governança Climática vai auxiliar Estado na prevenção de eventos extremos

Nesse processo, os dados se tornam um novo ativo público estratégico. A digitalização da governança será tão importante quanto a construção física de infraestrutura. Inteligência artificial, Big Data, Internet das Coisas e Cloud Computing passam a funcionar como um verdadeiro sistema nervoso das cidades resilientes. São essas ferramentas que permitirão modelar cenários de risco, monitorar ilhas de calor, otimizar eficiência energética, acompanhar emissões e criar mecanismos mais transparentes de accountability pública.

Mas nenhuma tecnologia será suficiente sem capacidade institucional. Precisamos fortalecer tecnicamente os municípios, ampliar o acesso ao financiamento climático internacional e consolidar uma governança multinível que alinhe União, Estados e cidades em torno de objetivos comuns. 

Eu acredito profundamente que o futuro das cidades será climático porque o clima já se tornou o eixo central da vida urbana, da economia e da gestão pública. A boa notícia é que também acredito que temos conhecimento, tecnologia, capacidade de inovação e potência territorial para liderar essa transformação. O desafio agora é construir coragem institucional para agir na velocidade que o tempo exige.

Carro voador brasileiro é aprovado em primeiros testes; saiba o que vem

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Carro voador brasileiro é aprovado em primeiros testes; saiba o que vem
Foto: Divulgação EVE

Veículo da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, fez ensaios para pairar no ar

Os carros voadores (conhecidos como eVTOL) deram mais um passo em direção ao uso no cotidiano das cidades. A Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, anunciou nesta quinta-feira (21) que finalizou com sucesso a etapa de testes envolvendo voos pairados — quando ficam parados no ar — e de baixa velocidade.

Foram realizados 59 ensaios que cumpriram as expectativas da equipe e deram informações sobre a capacidade de transportar cargas, a aerodinâmica, a propulsão e o gerenciamento de energia necessário para manter o veículo.

O objetivo é aprimorar os modelos para passarem pelos testes de transição de voo — fase mais desafiadora no desenvolvimento de novas tecnologias aeronáuticas que consiste em testar o momento em que a aeronave deixa o modo de voo vertical e passa para o modo de voo horizontal.

Nos voos pairados, o eVTOL conseguiu atingir 65,5 metros de altura e permanecer em voo por 3 minutos e 48 segundos.

A aeronave mostrou um bom desempenho em voos de baixa velocidade, a 27,78 km/h, que foram aumentados para 37,04 km/h de velocidade horizontal, com manobras para testar a aerodinâmica e o suporte a cargas.

Também foram feitos os primeiros ensaios de pousos automáticos e uma camada de segurança que é acionada quando o modo principal não está disponível.

De acordo com a Eve Air Mobility, nas próximas semanas a aeronave passará por testes que irão prepará-la para os voos de transição — que devem começar no segundo semestre de 2026.

Os riscos do encolhimento de áreas verdes nas cidades

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Pesquisa da EY revela que setor considera clima o maior desafio para 2026, mas 79% das empresas estão pouco preparadas para os impactos
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo defende planejamento urbano e preservação ambiental para enfrentar os impactos do crescimento desordenado das cidades

O crescimento acelerado das cidades e da ocupação agrícola nas bordas urbanas tem reduzido áreas verdes, florestas, rios e córregos. Essas áreas verdes oferecem serviços essenciais como regulação do clima, manutenção do ciclo da água, preservação da biodiversidade e apoio à agricultura por meio dos polinizadores. A falta dessas áreas compromete a regulação do clima, a manutenção do ciclo da água e o equilíbrio ambiental nas cidades.

Impacto no fornecimento de água

A professora Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica (Poli) e pesquisadora de cidades sustentáveis pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD-SP) da Fapesp, explica que, quando áreas naturais são substituídas por construções, a água da chuva deixa de infiltrar no solo e passa a escoar mais rapidamente, aumentando o risco de enchentes e alagamentos, principalmente em regiões mais baixas.

Ela também destaca que a substituição de florestas por áreas agrícolas ou pastagens interfere na evapotranspiração, processo em que as árvores liberam água para a atmosfera, afetando o regime de chuvas. Isso pode provocar tanto precipitações mais intensas nas cidades quanto a redução das chuvas em reservatórios, agravando crises de abastecimento de água.

Espraiamento no Estado de São Paulo

Espraiamento urbano é o nome dado para o crescimento horizontal e desordenado das cidades substituindo as áreas verdes. Ela destaca que algumas cidades apresentaram expansão ainda maior, como Ribeirão Preto, com crescimento urbano de 218%; São José do Rio Preto, com 231,8%; Jundiaí, com 203,6%; e São José dos Campos, com cerca de 103%.

Além das consequências ambientais, esse fenômeno causa a segregação socioespacial das populações mais vulneráveis, que acabam tendo de ir para essas áreas mais afastadas por falta de condição no acesso à moradia. Esse processo dificulta o acesso dessas populações a serviços essenciais, como transporte, saúde, educação e emprego.

Soluções

O problema do espraiamento urbano e da perda de áreas verdes exige uma abordagem multidisciplinar, conforme explica a especialista. “A gente tem usado ferramentas como modelos matemáticos, simulação, análise geoespacial para geoprocessamento, e está propondo soluções específicas para o problema da cidade e, principalmente, a gente quer induzir políticas públicas para que essa mudança seja feita desde a raiz do problema”, detalha Amaralis.

Ela destaca a importância de integrar políticas de habitação, transporte, geração de emprego e proteção ambiental para reduzir os impactos do espraiamento urbano. Também defende o uso de soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva, parques lineares e áreas de proteção ambiental, que ajudam a melhorar a infiltração da água no solo, reduzir enchentes, amenizar o calor urbano e preservar a biodiversidade . Além disso, a pesquisadora ressalta o papel das universidades e da pesquisa científica no desenvolvimento de diagnósticos, tecnologias e diretrizes para políticas públicas voltadas a cidades mais sustentáveis.

Fonte: Jornal USP |  Jornal da USP no Ar

Belo Monte, Belo Sun e o impasse da infraestrutura brasileira na Amazônia

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MapBiomas: Amazônia registra menor nível de desmatamento em 41 anos
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcella Torres e Erina Gomes escrevem à CNN Infra sobre o desafio de definir critérios que tornem projetos economicamente viáveis, ambientalmente responsáveis e socialmente legítimos em um contexto de emergência climática

Dez anos após a entrada em operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para responder à pergunta se é possível expandir infraestrutura estratégica na Amazônia sem reproduzir um ciclo permanente de conflitos sociais, insegurança jurídica e degradação ambiental.

A coincidência entre o aniversário de uma década da usina e o julgamento, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, de questões relacionadas ao licenciamento do projeto de exploração de ouro da canadense Belo Sun reacende um debate estratégico para o país. Os dois casos revelam a permanência de impasses estruturais no modelo brasileiro de implementação de grandes empreendimentos, principalmente na Amazônia.

Belo Monte foi concebida como símbolo de modernização energética e segurança para o crescimento econômico. Em termos de engenharia e capacidade instalada, tornou-se uma das maiores hidrelétricas do mundo. Na prática, porém, a geração de energia ficou abaixo das expectativas iniciais. Embora tenha capacidade instalada de 11.233 MW, a produção média real gira em torno de 4.500 MW, já que a usina foi projetada a fio d’água e depende diretamente do volume do rio Xingu. Ao longo dos anos, o empreendimento também consolidou um legado marcado por disputas judiciais, controvérsias socioambientais e questionamentos sobre a capacidade do Estado de conciliar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e garantia de direitos.

Na Volta Grande do Xingu, região diretamente afetada pela redução da vazão do rio, comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadores convivem há anos com mudanças profundas em suas condições de vida. A pressão sobre o território não desapareceu com a conclusão da usina e o avanço de novos projetos, como o da mineradora Belo Sun, mostra que a região segue em uma realidade de contínua exploração econômica baseada em megaprojetos de infraestrutura.

Os problemas identificados em Belo Monte continuam presentes. O debate sobre Belo Sun traz questões que permanecem sensíveis no país: a fragilidade do licenciamento ambiental, a ausência de consulta prévia efetiva às comunidades impactadas, o descumprimento de condicionantes e a baixa capacidade de reparação de danos socioambientais produzidos por grandes empreendimentos.

A discussão não está limitada a um simples ser “contra” ou “a favor” de grandes obras. O desafio está em definir quais critérios que tornem projetos economicamente viáveis, ambientalmente responsáveis e socialmente legítimos em um contexto de emergência climática.

O julgamento envolvendo Belo Sun, justamente quando Belo Monte completa dez anos de operação, revela que o país ainda não resolveu essa equação. A Amazônia continua sendo vista como fronteira estratégica de expansão econômica, apesar de ser um território de alta vulnerabilidade institucional e socioambiental.

O Brasil não pode discutir um empreendimento específico, isolado, já deveria estar decidindo qual modelo de infraestrutura pretende consolidar nas próximas décadas e que seja um modelo capaz de incorporar planejamento territorial, participação social e mitigação real de impactos. Dez anos depois, Belo Monte permanece como um alerta sobre os custos de ignorar e adiar essa decisão.

* Marcella Torres e Erina Gomes são advogadas do Programa de Direitos Humanos da AIDA (Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente)

Fonte: CNN Brasil

Pesquisadores desenvolvem fertilizantes menos prejudiciais ao ambiente

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Nova lei torna voluntária a certificação de armazéns e impulsiona expansão da infraestrutura de armazenagem no país
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Equipe da UFMG busca reduzir o lançamento de gases de efeito estufa.

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão desenvolvendo fertilizantes orgânicos mais sustentáveis e menos prejudiciais ao meio ambiente. O estudo, realizado pelo grupo de pesquisa em solo e águas subterrâneas, busca reduzir o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera. O setor agrícola está entre os principais emissores desses gases por espalhar o óxido nitroso, que é 300 vezes mais prejudicial à atmosfera se comparado com o gás carbônico.

Os fertilizantes desenvolvidos pelo grupo de pesquisa são feitos a partir de resíduos da pecuária leiteira, da agroindústria da cana de açúcar e olivicultura. O professor do Departamento de Engenharia Sanitária Ambiental da UFMG, Vitor Moreira, explicou o motivo do desenvolvimento desse adubo.

“Geralmente os setores agroindustriais têm efluentes líquidos, então resíduos que são líquidos, que são gerados, e resíduos que são sólidos. E a gente tem uma ideia de evitar descartar esses resíduos, jogar fora de uma maneira inadequada que vai ter um impacto ambiental. E nessa linha, quando a gente olhou para esses resíduos e a gente caracterizou, para alguns setores, para algumas indústrias, esses resíduos apresentavam um alto teor de nutrientes. Então nossa ideia é, que não transformar esses resíduos em fertilizantes?”

Vitor Moreira afirma que o fertilizante já apresentou resultados positivos em plantas e no solo.

“A gente pegou esses materiais que foram sintetizados e testou em diferentes culturas. Como alface, a gente testa hoje com oliveiras, a gente já testou com plantas que são utilizadas para a produção de alimentação animal, do gado”. E a gente observou o maior crescimento das plantas, uma maior umidade no solo, e a gente conseguiu monitorar até mesmo o desenvolvimento dos microorganismos ali no solo. Idealmente, a gente quer que esses microorganismos sejam diversos, mais diversificado possível”.

Agora, os pesquisadores buscam financiamento junto a empresas e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais para iniciar a fase de testes de uso do produto em lavouras e culturas.

Pelo cronograma, o fertilizante vai passar por esse período de avaliação e, depois dessa etapa, poderá ser feito em escala industrial e vendido comercialmente. Esse processo pode levar a cerca de 36 meses.

*Com produção de Salete Sobreira e supervisão de Roberta Lopes.

Fonte: Agência Brasil | Rádio Brasil

Por que a mobilidade urbana sempre encontra resistência política? Lowi explica.

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Por que a mobilidade urbana sempre encontra resistência política? Lowi explica.
Foto: Enviado por Danaê Fernandes

Por que projetos tecnicamente sólidos enfrentam tanta resistência política nas cidades brasileiras

Existe uma pergunta que acompanha qualquer técnico de mobilidade que já tentou implementar uma faixa exclusiva de ônibus, uma ciclovia ou uma requalificação de calçada: por que projetos com sólida justificativa técnica travam na câmara dos vereadores, somem depois da eleição ou viram alvo de reação desproporcional?

A resposta não está na engenharia. Está na ciência política, e tem mais de cinquenta anos.

Em 1972, o cientista político americano Theodore Lowi propôs uma tipologia que se tornaria referência obrigatória na análise de políticas públicas. Ele classificou as políticas em quatro tipos, a partir de uma lógica simples: quem recebe o benefício e quem arca com o custo. Dessa forma, as políticas podem ser:

  1. Distributivas;
  2. Regulatórias;
  3. Constitutivas;
  4. Redistributivas.

As políticas distributivas concentram benefícios em grupos específicos, enquanto diluem os custos para toda a sociedade. Um show sertanejo gratuito na festa da cidade é uma situação onde há um custo difuso no orçamento municipal, com benefício concentrado nos presentes. Ninguém vai contra, todo mundo sorri na foto. O benefício é visível e simpático, o custo é invisível. A construção de um viaduto ou uma avenida nova também fazem parte deste grupo. Aqui, não há desgaste político, pelo contrário, atraem emendas parlamentares como imã.

As políticas regulatórias estabelecem regras de comportamento com conflito moderado. Exigência de acessibilidade nas calçadas, limites de velocidade em vias urbanas, ou determinação de vagas para bicicleta em novos empreendimentos são exemplos. Estabelece regra, incomoda quem se adequa, gera custo ao construtor, mas não retira nada de ninguém de forma permanente. 

As políticas constitutivas definem as regras do jogo institucional. A criação de uma Secretaria Municipal de Mobilidade, a aprovação do Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob) ou a revisão do Plano Diretor são exemplos: definem quem decide, como se decide e quais são as prioridades do sistema. Há um conflito difuso, porque a maioria das pessoas não entende direito o que está sendo disputado, mas é exatamente aí que se define o campo de batalha das políticas redistributivas futuras.

E então chegamos às políticas redistributivas, que são as mais politicamente custosas. Aqui, o benefício para um grupo é real, visível e identificável. E o custo para outro grupo também. Existe ganhador. Existe perdedor. E ambos sabem exatamente o que está em disputa.

A mobilidade urbana sustentável se encaixa nessa categoria de forma quase perfeita.

Quando uma cidade implanta uma faixa exclusiva de ônibus, os passageiros ganham tempo de trajeto, regularidade e previsibilidade. Mas o motorista perde uma faixa que usava. O espaço viário é finito, não se cria asfalto do nada. Redistribuir a rua para ônibus, bicicleta ou pedestre significa retirar de quem estava ocupando aquele espaço antes. 

O mesmo raciocínio se aplica à remoção de vagas de estacionamento para implantação de infraestrutura de transporte coletivo. A cidade inteira tem interesse num sistema de ônibus mais eficiente: esse é o interesse difuso, numeroso, porém disperso. O comerciante que perdeu a vaga na frente da loja tem um interesse concentrado, imediato e muito bem articulado. Ele vai à câmara. Ele fala no rádio. Ele organiza abaixo-assinado.

A literatura chama isso de asymmetric salience: a assimetria entre a percepção de perda e a percepção de ganho em políticas redistributivas. Quem perde sente todos os dias. Quem ganha, muitas vezes, não sabe que ganhou, não organiza grupos, ou nem tem canal para dizer isso em voz alta. É possível que a mesma pessoa que foi salva de um atropelamento fatal por causa de um radar de 30km/h esteja liderando um movimento para desativá-lo, neste exato momento.

Esse desequilíbrio não é acidente. É estrutura. E ele explica, de forma racional e não moral, por que gestores públicos tendem a evitar o tema da mobilidade sustentável mesmo quando os dados técnicos são impecáveis.

O problema, portanto, não é de projeto. É de estratégia política.

Cidades que conseguiram avançar em mobilidade sustentável (Curitiba, Bogotá, Auckland e tantas referências europeias) tiveram em comum uma janela política específica: líderes dispostos a absorver o custo político da redistribuição, combinados com comunicação consistente sobre quem são os ganhadores, quantos são e o que concretamente muda em suas vidas.

Para gestores e técnicos que atuam nessa agenda, o enquadramento de Lowi oferece uma chave prática: antes de qualquer projeto redistributivo, é preciso construir a narrativa dos ganhadores com a mesma energia com que os perdedores já constroem a deles. Dados de tempo de percurso, sinistralidade, emissões e acesso ao mercado de trabalho não são apenas justificativa técnica: são instrumento político indispensável.

Mobilidade urbana não trava por falta de solução. Trava porque redistribuir é difícil, e a dificuldade não é de engenharia. É de disputar, com evidência e consistência, quem ocupa o centro da agenda urbana.

Adoção de IA no trabalho exige cultura, diz IBM

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Adoção de IA no trabalho exige cultura, diz IBM
Foto: Gerada por IA/ Gemini

Para Jaqueline Ariane, empresas devem estimular experimentação com tecnologia e criar parâmetros de governança

Nos últimos cinco anos, a inteligência artificial deixou de ser algo distante e excessivamente técnico para se tornar um componente onipresente da rotina diária das pessoas. No entanto, o sucesso da sua aplicação não reside apenas na sofisticação do seu uso, mas na interação humana e na mudança cultural organizacional. Essa foi a defesa feita por Jaqueline Ariane, especialista de soluções de dados e IA na IBM Brasil, no ProXXIma 2026.

O paradoxo da adoção da IA

Embora a inteligência artificial se faça presente até de forma inconsciente no dia a dia das pessoas, como em aplicativos de mobilidade ou streaming, a adoção no ambiente de trabalho não é tão ampla. A pesquisa The CEO Study, conduzida pela IBM, revela que 83% dos CEOs acreditam que o sucesso da IA depende da aceitação das pessoas, mas que apenas 25% da força de trabalho utiliza a tecnologia regularmente no trabalho.

O uso ativo e consciente está concentrado em plataformas de IA generativa, mas Jaqueline frisa que o emprego da tecnologia no ambiente de trabalho migra para o sistema agêntico. Nele, a IA executa tarefas de forma autônoma ou a pedido do usuário. “Grande quebra de paradigma para o mercado que atuamos”, disse.

Entraves à transformação

Essa mudança na adoção se dará quando os colaboradores tiverem boas experiências com as soluções existentes. No entanto, conforme o estudo da IBM, há dois entraves principais: parte das empresas não oferece soluções para seus colaboradores e há resistência à transformação ligada à cultura organizacional.

Adicionalmente, há preocupações em relação à confiança das respostas da IA. Os líderes afirmam que o ser humano será o responsável por garantir confiabilidade e ética no uso da tecnologia.

Liderança e diretrizes claras

Conforme Jaqueline, as empresas devem definir diretrizes para que os funcionários se sintam mais confortáveis em explorar as possibilidades que a IA traz e, assim, gerem melhores resultados para a companhia, como um todo.

Para a executiva, apesar da IA apresentar ameaças a cargos diversos, ela também cria novas especializações, como de engenheiro de prompt. “Nós estamos vivendo num mundo de boas oportunidades. Temos que aprender mais com as tecnologias, encontrar um playground e agendar todos os dias para aprender. Todo dia surgem novas tecnologias”, disse.

Governança e o futuro

Além disso, para acompanhar essas evoluções, as empresas devem estruturar pilares de governança, privacidade e gestão de dados. Os colaboradores devem saber explicar como funcionam os modelos que utilizam, os parâmetros que usam para tomar decisões e garantir que seu ecossistema de IA seja justo, robusto, transparente e privado.

Jaqueline prevê que as empresas devem trabalhar com vários modelos de inteligência artificial integrados em um orquestrador de agentes. Portanto, líderes devem prezar por ambientes de gestão híbridos, dados curados e mensuração sobre o retorno desses investimentos elevados. Ao fazer a gestão de custos, o investimento em IA pode escalar, antevê.

Fonte: Meio e Mensagem

Novo centro apoiado pela Fapesp busca tornar cidades mais resilientes a inundações

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Novo centro apoiado pela Fapesp busca tornar cidades mais resilientes a inundações
Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

Iniciativa foi inaugurada no instituto de Pesquisas Tecnológicas e vai unir governo, universidades e empresas na procura de soluções para inundações

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Fapesp e uma série de parceiros do setor público e privado inauguraram na terça-feira (19) o Centro de Ciência para o Desenvolvimento Cidades Resilientes a Inundações. O objetivo do projeto é gerar soluções tecnológicas e subsidiar políticas públicas para minimizar o problema.

O Brasil tem 1.942 municípios suscetíveis a desastres associados a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações, segundo estudo feito pelo governo federal em 2024.

“O município de São Paulo é um grande laboratório para mostrar como em um pequeno pedaço do território temos várias realidades distintas. Para enfrentar um desafio desse tamanho é preciso trabalhar em rede”, disse o coordenador do centro, Filipe Falcetta, pesquisador da unidade Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente do IPT.

Entre os parceiros estão a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI), a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo (SDUH), SP Águas, Metrô-SP, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Insper, Universidade Mackenzie, Uninove e instituições internacionais.

A parceria prevê o investimento de R$ 15 milhões da Fapesp e o mesmo valor em contrapartidas dos outros parceiros. Segundo Anderson Ribeiro Correia, diretor-presidente do IPT, o objetivo é trazer o que há de mais moderno em soluções para inundações, trabalhando em parceria com as comunidades.

“Entre os parceiros, temos ainda empresas que vão testar tecnologias que futuramente poderão ser incorporadas nas soluções do problema”, afirmou.

Para o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) são “um grande movimento de ciência e tecnologia no Estado de São Paulo e um exemplo para o país”.

Atualmente, a Fundação apoia 83 CCDs, num total de R$ 570 milhões investidos no programa. Cinco editais já foram lançados e mais um deve ser publicado no fim do ano.

“É um programa voltado para solucionar problemas enfrentados pelo poder público que possam ser resolvidos com ciência e tecnologia. Os centros contemplados têm apoio inicial de cinco anos. Isso só é possível porque a FAPESP tem previsibilidade de orçamento, que permite projetos com essa duração e mesmo de dez anos, como é o caso dos CEPIDs [Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão]”, afirmou Zago.

Inundações

O evento contou ainda com duas palestras magnas. Na primeira, o urbanista Valter Caldana, coordenador do Laboratório de Projetos e Políticas Públicas da Universidade Mackenzie, destacou como o centro é um reconhecimento da importância de a produção de conhecimento e a cidade “se abraçarem”.

“Temos de resgatar a pequena escala. Se para cada grande obra de infraestrutura houvesse uma contrapartida do mesmo valor em várias pequenas intervenções baseadas na natureza, teríamos grande parte dos nossos problemas de inundação resolvidos”, disse.

Nesse mesmo espírito, Tatiana Tucunduva Philippi Cortese, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e professora da Uninove, levou para o público conceitos como o de “Build Back Better” (reconstruir melhor, numa tradução livre), que neste contexto consiste em recuperar construções destruídas por desastres naturais, por exemplo, incorporando tecnologias que aumentem a resiliência para futuros eventos climáticos extremos.

Cortese lembrou ainda da necessidade de fortalecimento das redes de cooperação entre os diferentes atores, reforçando a dimensão humana do trabalho a ser executado por centros como o Cidades Resilientes a Inundações.

Fonte: Agência SP