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Os riscos do encolhimento de áreas verdes nas cidades

Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo defende planejamento urbano e preservação ambiental para enfrentar os impactos do crescimento desordenado das cidades

O crescimento acelerado das cidades e da ocupação agrícola nas bordas urbanas tem reduzido áreas verdes, florestas, rios e córregos. Essas áreas verdes oferecem serviços essenciais como regulação do clima, manutenção do ciclo da água, preservação da biodiversidade e apoio à agricultura por meio dos polinizadores. A falta dessas áreas compromete a regulação do clima, a manutenção do ciclo da água e o equilíbrio ambiental nas cidades.

Impacto no fornecimento de água

A professora Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica (Poli) e pesquisadora de cidades sustentáveis pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD-SP) da Fapesp, explica que, quando áreas naturais são substituídas por construções, a água da chuva deixa de infiltrar no solo e passa a escoar mais rapidamente, aumentando o risco de enchentes e alagamentos, principalmente em regiões mais baixas.

Ela também destaca que a substituição de florestas por áreas agrícolas ou pastagens interfere na evapotranspiração, processo em que as árvores liberam água para a atmosfera, afetando o regime de chuvas. Isso pode provocar tanto precipitações mais intensas nas cidades quanto a redução das chuvas em reservatórios, agravando crises de abastecimento de água.

Espraiamento no Estado de São Paulo

Espraiamento urbano é o nome dado para o crescimento horizontal e desordenado das cidades substituindo as áreas verdes. Ela destaca que algumas cidades apresentaram expansão ainda maior, como Ribeirão Preto, com crescimento urbano de 218%; São José do Rio Preto, com 231,8%; Jundiaí, com 203,6%; e São José dos Campos, com cerca de 103%.

Além das consequências ambientais, esse fenômeno causa a segregação socioespacial das populações mais vulneráveis, que acabam tendo de ir para essas áreas mais afastadas por falta de condição no acesso à moradia. Esse processo dificulta o acesso dessas populações a serviços essenciais, como transporte, saúde, educação e emprego.

Soluções

O problema do espraiamento urbano e da perda de áreas verdes exige uma abordagem multidisciplinar, conforme explica a especialista. “A gente tem usado ferramentas como modelos matemáticos, simulação, análise geoespacial para geoprocessamento, e está propondo soluções específicas para o problema da cidade e, principalmente, a gente quer induzir políticas públicas para que essa mudança seja feita desde a raiz do problema”, detalha Amaralis.

Ela destaca a importância de integrar políticas de habitação, transporte, geração de emprego e proteção ambiental para reduzir os impactos do espraiamento urbano. Também defende o uso de soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva, parques lineares e áreas de proteção ambiental, que ajudam a melhorar a infiltração da água no solo, reduzir enchentes, amenizar o calor urbano e preservar a biodiversidade . Além disso, a pesquisadora ressalta o papel das universidades e da pesquisa científica no desenvolvimento de diagnósticos, tecnologias e diretrizes para políticas públicas voltadas a cidades mais sustentáveis.

Fonte: Jornal USP |  Jornal da USP no Ar

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