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Mudanças climáticas são principal risco do agronegócio

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Pesquisa da EY revela que setor considera clima o maior desafio para 2026, mas 79% das empresas estão pouco preparadas para os impactos
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Pesquisa da EY revela que setor considera clima o maior desafio para 2026, mas 79% das empresas estão pouco preparadas para os impactos

As mudanças climáticas se tornaram a principal preocupação do agronegócio brasileiro em 2026. É o que aponta a nova edição da pesquisa “Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro”, da EY, que ouviu lideranças do setor e identificou uma combinação de fatores capazes de impactar diretamente a competitividade das empresas, desde eventos climáticos extremos até escassez de profissionais qualificados e instabilidade geopolítica.

O levantamento mostra que o setor vive um momento de transformação. Além de medir o impacto dos riscos, a edição deste ano avaliou o nível de preparação das empresas para enfrentá-los. O resultado indica que muitos dos temas considerados mais relevantes ainda encontram organizações pouco preparadas para responder aos desafios.

Mudanças climáticas ocupam o topo da agenda do agro

Secas prolongadas, enchentes, geadas e outros eventos extremos passaram a representar uma ameaça direta à produção agrícola, à logística e ao acesso ao crédito.

Segundo a pesquisa, 79% dos executivos classificam os riscos climáticos como altos ou muito altos. O estudo também aponta que as empresas ainda apresentam baixo nível de prontidão para lidar com os impactos das mudanças climáticas, evidenciando uma lacuna entre a percepção do problema e a implementação de estratégias efetivas de adaptação.

Além dos impactos produtivos, cresce a pressão de investidores, financiadores e compradores internacionais por práticas sustentáveis, rastreabilidade e redução de emissões.

Falta de mão de obra qualificada avança para a segunda posição

A atração, o desenvolvimento e a retenção de talentos aparecem como o segundo maior desafio para o agronegócio brasileiro.

A rápida digitalização das operações elevou a demanda por profissionais capazes de operar drones, sistemas de automação, inteligência artificial, sensores e ferramentas de agricultura de precisão. No entanto, a formação técnica não acompanha a velocidade da transformação tecnológica.

De acordo com a pesquisa, o país enfrenta um déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais qualificados para atender às novas demandas do setor.

Para especialistas, a escassez de talentos pode se tornar um dos principais limitadores da produtividade e da inovação no campo nos próximos anos.

Geopolítica amplia incertezas para exportações e insumos

A geopolítica e o comércio internacional ocupam a terceira posição no ranking.

O Brasil consolidou sua posição como potência agrícola global, mas essa relevância também aumentou sua exposição a conflitos internacionais, disputas comerciais, barreiras sanitárias e mudanças regulatórias em mercados compradores.

A dependência de fertilizantes importados e a concentração das exportações em poucos destinos ampliam a vulnerabilidade do setor diante de choques externos.

Em um cenário marcado por guerras, sanções econômicas e disputas entre grandes potências, empresas do agro são pressionadas a diversificar mercados, fornecedores e estratégias de mitigação de riscos.

Reforma tributária e regulações entram no radar das empresas

Questões relacionadas a políticas públicas, tributação e regulação aparecem na quarta posição do levantamento.

A reforma tributária prevista para os próximos anos gera expectativas de simplificação, mas também incertezas sobre impactos em custos, créditos tributários e competitividade.

Ao mesmo tempo, exigências ambientais e critérios de rastreabilidade impostos por países importadores ganham importância crescente para o acesso a mercados internacionais.

Tecnologia segue como diferencial competitivo

A transformação digital completa o grupo dos cinco temas mais relevantes para 2026.

O avanço de tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas, biotecnologia, blockchain e agricultura de precisão já produz ganhos de eficiência e produtividade em diversas cadeias produtivas.

No entanto, desafios relacionados à conectividade rural, infraestrutura e qualificação profissional ainda limitam uma adoção mais ampla dessas ferramentas.

Para a EY, empresas que conseguirem integrar tecnologia às decisões estratégicas terão vantagem competitiva significativa em um ambiente de margens mais pressionadas.

Agro entra em nova fase de gestão de riscos

Além dos cinco principais temas, a pesquisa destaca preocupações relacionadas à volatilidade das commodities, gestão financeira, logística, compliance, produtividade e acesso a capital.

O levantamento indica que o agronegócio brasileiro vive uma mudança estrutural. Questões que antes eram tratadas de forma isolada passam a exigir uma abordagem integrada, envolvendo sustentabilidade, inovação, governança e planejamento de longo prazo.

Mais do que aumentar a produção, o desafio para os próximos anos será construir resiliência diante de um cenário marcado por mudanças climáticas, transformação tecnológica e reconfiguração das cadeias globais de comércio.

Fonte: CNN Brasil

Senador Canedo recebe pela primeira vez evento da Plataforma CSC, referência nacional em cidades inteligentes

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São José dos Campos recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC em 3 de dezembro
Foto: Divulgação

A Prefeitura de Senador Canedo, por meio da Secretaria Municipal de Inovação Tecnológica (SITEC), será parceira estratégica da Plataforma CSC na realização de um importante encontro voltado à inovação, tecnologia e desenvolvimento urbano.

Pela primeira vez, o município recebe uma edição do evento, que acontece na próxima quinta, dia 11, às 14 horas, no Auditório do Paço Municipal.

A Plataforma CSC é um movimento nacional que conecta gestores públicos, especialistas, empresas, lideranças e instituições comprometidas com a construção de cidades mais inteligentes, eficientes e sustentáveis. Por meio de eventos, fóruns e conteúdos especializados, a iniciativa promove o compartilhamento de experiências, tendências e soluções que contribuem para a modernização da gestão pública e para a melhoria da qualidade de vida da população.

A escolha de Senador Canedo para sediar o encontro reforça o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo município na área de transformação digital. Nos últimos anos, a cidade tem se destacado pela implementação de soluções tecnológicas voltadas à modernização dos serviços públicos, ampliação do acesso digital aos cidadãos e fortalecimento de uma cultura de inovação na administração municipal.

A programação reunirá especialistas e profissionais que atuam diretamente na transformação das cidades goianas, promovendo debates sobre inovação pública, tecnologia, conectividade, gestão inteligente e tendências para o futuro dos municípios.

Para o Secretário Municipal de Inovação Tecnológica, Lucas Rodovalho, receber a Plataforma CSC representa uma oportunidade de fortalecer conexões, compartilhar experiências e ampliar o diálogo sobre soluções inovadoras que possam gerar impacto positivo para a população.

“Colocar as pessoas no centro da transformação digital é o nosso maior compromisso. Em Senador Canedo, a tecnologia é uma aliada na construção de serviços mais acessíveis, eficientes e humanos, aproximando a gestão pública da realidade dos cidadãos”, afirmou.

O prefeito Fernando Pellozo destacou que a realização do evento reforça o reconhecimento nacional que o município vem conquistando na área de inovação pública.

“Senador Canedo tem mostrado que inovação é usar as ferramentas certas para resolver problemas reais e melhorar a vida das pessoas. Receber um evento da Plataforma CSC, que é referência nacional em cidades inteligentes, reforça que estamos no caminho certo. Hoje, nossa cidade é reconhecida por investir em transformação digital, desburocratização e serviços mais acessíveis para a população. E vamos continuar avançando, porque cidade inteligente é aquela que coloca as pessoas em primeiro lugar”, afirmou o prefeito.

Mais do que um evento, o encontro será um espaço de construção coletiva, troca de conhecimento e articulação entre diferentes atores que acreditam no potencial da tecnologia como ferramenta de desenvolvimento social, econômico e urbano.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio da plataforma Sympla, através do link: https://www.sympla.com.br/evento/reuniao-estrategica-regional-csc-senador-canedo/3302146?referrer=plataformacsc.com.br&referrer=plataformacsc.com.br

SERVIÇO:
Evento : Reunião Estratégica Plataforma CSC – Senador Canedo
Data: 11 de junho (quinta-feira)
Horário : 14 horas
Local : Auditório do Paço Municipal de Senador Canedo
Inscrições: Gratuitas

Texto: Marcos Aurélio
Foto: Milenna Medrado

Fonte: Prefeitura de Senador Canedo | Secretaria de Comunicação e Eventos

IA redefine gestão pública e impõe novo padrão de governança no Brasil

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território digital

Por Luciano Torres, diretor comercial da Betha Sistemas

Estamos diante de uma redefinição silenciosa na forma como o Estado decide, prioriza e entrega políticas públicas.

A Inteligência Artificial deixou de ser um recurso adicional e passou a influenciar a própria estrutura de governança. Ignorar esse movimento não é uma posição neutra, mas uma escolha com consequências.

No Brasil, o cenário ainda é desigual. Alguns grandes municípios avançam no uso de modelos preditivos, parte das cidades médias começa a estruturar suas camadas analíticas, enquanto a maioria ainda consolida sua base digital. Não vivemos maturidade plena, mas um momento de despertar estratégico que exige posicionamento claro das lideranças. A questão já não é se a IA será adotada, mas quem estará preparado para governar com inteligência.

Ao observar os municípios que avançam, fica evidente que não são necessariamente os com mais recursos, mas os que tratam dados como patrimônio institucional. Na minha visão, esse é o ponto decisivo. Hoje, o mercado já oferece capacidade computacional e modelos avançados a custos mais acessíveis. A principal barreira não está na tecnologia, mas nas próprias organizações públicas.

Ainda predomina uma cultura orientada a processos, com secretarias isoladas, decisões baseadas em experiência individual e descontinuidade administrativa a cada mudança de governo. Esses fatores não se resolvem com a simples aquisição de sistemas.

Há também riscos que exigem atenção. A adoção de IA demanda maturidade ética compatível com seu impacto. Sem governança adequada, aumentam as chances de decisões enviesadas, fragilidade na proteção de dados, automação sem critérios claros e dependência tecnológica. A conformidade com a LGPD é apenas o ponto de partida: o desafio é construir uma governança algorítmica com rastreabilidade, explicabilidade e responsabilização.

Uma dúvida recorrente é se a adoção depende mais da tecnologia ou da vontade política. A resposta está na decisão estratégica. Quando dados são colocados no centro da gestão, a administração se reorganiza em torno deles. Caso contrário, a tecnologia tende a se tornar um investimento caro e subutilizado. Na minha visão, a transformação digital não começa na TI, mas na liderança.

Repensar o uso de dados é, possivelmente, o passo mais urgente. O Estado produz um volume expressivo de informações, mas grande parte permanece subutilizada, dispersa em sistemas que não se integram. Para transformar dados em ativo estratégico, é necessário integrar estruturas, definir responsabilidades, vincular informações ao planejamento e criar mecanismos de accountability. Sem essa base, nenhuma solução de IA alcança seu potencial.

Essa mudança também redefine o papel dos profissionais do setor público. A IA não substitui o servidor, mas transforma sua atuação, que passa a ser mais analítica e estratégica. Ganham relevância competências como interpretação de dados, pensamento crítico, tomada de decisão baseada em evidências e consciência ética no uso da tecnologia.

No curto prazo, aplicações como atendimento automatizado mais contextualizado, modelos preditivos de arrecadação, cruzamento de dados para reduzir evasão fiscal e painéis de gestão com alertas devem se tornar comuns. O que hoje parece avançado tende a ser padrão em poucos anos.

Essa transformação não deve ser atribuída apenas ao poder público. Empresas de tecnologia, startups, universidades e gestores precisam atuar de forma coordenada, contribuindo para ampliar a capacidade de governar. A evolução digital dos municípios dependerá dessa colaboração efetiva, e não de soluções isoladas.

Municípios que estruturarem governança de dados, liderança estratégica e uso responsável da IA tendem a avançar mais rapidamente. Os demais seguirão reagindo a problemas que poderiam ter sido antecipados. O desafio é claro: continuar administrando a complexidade ou assumir o compromisso de governar com mais inteligência.

Sobre a Betha Sistemas:

Com 40 anos de história e sediada em Criciúma (SC), a Betha Sistemas vem transformando, através da tecnologia, a gestão pública no Brasil. Suas soluções são aplicáveis às áreas de Planejamento e Contabilidade; Gestão de Compras e Contratos, de Pessoas; Arrecadação e Fiscalização; Atendimento; Educação e Gestão Escolar; Saúde e Assistência Social; entre outros . Seguindo tendências de tecnologia dentro do conceito de web 2.0 e computação em nuvem, focadas na agilidade e segurança das soluções, os programas da Betha dispensam a necessidade de instalação de softwares. Atualmente, conta com 70 soluções , mais de 3 mil clientes e 2,5 milhões de usuários, com presença em 23 estados brasileiros, impactando mais 44,5 milhões de pessoas.

Entenda a polêmica sobre o uso de antibióticos na produção de carnes

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Mercado de carbono avança e abre oportunidades para produtores rurais
Foto: Arquivo/Secom-AC

União Europeia formalizou exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com isso, país fica proibido de exportar a partir de 3 de setembro.

A União Europeia (UE) oficializou a sua decisão de excluir o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com isso, o Brasil fica proibido de exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro deste ano.

Os antimicrobianos são substâncias usadas para controlar microorganismos como bactérias, fungos, vírus e parasitas.

A veterinária Silvana Gorniak, da USP, explica que, na criação animal, esses produtos têm quatro usos principais:

  • o terapêutico: para tratar o bicho que apresentou algum sintoma;
  • o preventivo: para evitar que a doença apareça;
  • o metafilático: para conter um surto na criação.
  • promotor de crescimento: nesse caso, os antimicrobianos são incluídos na composição da ração para melhorar o desempenho animal.

A UE já adota uma políticia de tolerância zero para o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. Um exemplo de susbtância usada para esse fim é a monensina, um dos aditivos mais usados em confinamentos bovinos.

“Por que existe essa discussão em relação ao uso dos antimicrobiano como promotor de desempenho? Eu uso uma dose muito mais baixa por um tempo muito prolongado. Essa dose muito mais baixa pode propiciar que parte dessas bactérias possam morrer, mas uma outra grande parte pode sobreviver, carregando genes de resistência”.

“Existe uma frase que a gente sempre fala que o que não mata, fortalece. E aí cada vez mais fica mais difícil ter antimicrobianos que possam combater essa bactéria.

Em entrevista ao Globo Rural no início de maio, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, garantiu que os exportadores de carne de aves já não usam antibióticos para melhorar o desempenho em nenhuma fase da criação.

Fonte: G1 | Globo Rural

Construtora diz ter recomendado interdição de ponte no Acre um dia antes da queda

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Construtora diz ter recomendado interdição de ponte no Acre um dia antes da queda
Foto: Reprodução/RECORD

A construtora Cidades, responsável pela ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou no Acre na sexta-feira (5), disse, em nota, que havia identificado instabilidade no solo e recomendado a interdição da estrutura um dia antes do desabamento.

Segundo o texto, além da erosão do solo, equipes técnicas constataram rachaduras e desníveis em diferentes pontos do entorno.

“Os levantamentos preliminares realizados em campo identificaram movimentações significativas de solo em uma área muito mais ampla do que a própria ponte, abrangendo aproximadamente 16 mil metros quadrados e alcançando também áreas adjacentes do bairro localizado nas proximidades”, afirma a empresa.

A empresa alega ainda que encaminhou ao Deracre (Departamento de Estradas de Rodagens do Acre) na quinta-feira (4), “por volta das 13 horas (horário do Acre), recomendação formal para a interdição total da ponte, inclusive para o trânsito de pedestres, diante do risco identificado por suas equipes.”

Ainda segundo a nota, as avaliações preliminares apontaram “indícios compatíveis com processo de instabilidade geotécnica conhecido como fenômeno de terras caídas, caracterizado por movimentações de grandes massas de solo associadas a processos erosivos e às variações naturais dos níveis dos rios.”

No sábado (5), o governo considerou que a erosão nas margens de rios poderia ter impactado na estrutura – mas apontou que a empresa tem “vasta experiência em construção de pontes na região amazônica sendo, portanto, esperado que seus projetos contemplem soluções para o fenômeno das terras caídas para garantia da segurança da obra.”

Segundo a administração estadual, trata-se de um fenômeno comum a rios jovens em formação, como o Rio Iaco, que tem cheias com alta densidade e seca severa.

Período de garantia

A governadora do Acre disse que a empresa será responsabilizada. De acordo com Mailza Assis (PP), a ponte ainda estava “dentro do período de garantia”. A obra, que custou R$ 36 milhões, foi inaugurada em março de 2024, na gestão do antecessor, Gladson Cameli (PP).

A construção foi supervisionada pelo Deracre e executada em menos de dois anos pela Construtora Cidade.

Em comunicado, o governo acreano citou que o Código Civil define que empreiteiras são responsáveis pela solidez e segurança de obras por um prazo de cinco anos.

Diante disso, informou que Procuradoria-Geral do Estado vai pedir tutela antecipada para obrigar a empresa a reconstruir a ponte ou oferecer uma solução de travessia para o rio Iaco – sobre o qual a estrutura que desabou passava.

A Procuradoria afirmou ainda que estuda pedir bloqueio cautelar de bens da empresa, no valor integral do contrato de construção. Outra medida será exigir que a construtora garanta assistência aos quatro feridos – um deles está em estado gravíssimo. A governadora disse que não há prazo definido para a reconstrução.

“A empresa já disponibilizou engenheiros para avaliar a estrutura, e todas as providências estão sendo tomadas para que os prejuízos não recaiam sobre a população”, disse Mailza, de acordo com comunicado do governo estadual.

O governo acreano afirmou que a obra foi contratada em modalidade integrada. “Nessa modalidade, a empresa Construtora Cidade assumiu integralmente a responsabilidade pelo projeto básico, projeto executivo e execução da obra, sendo a única responsável pelas decisões técnicas que determinaram a concepção e a construção do equipamento”, comunicou.

O governo estadual acrescentou que “o projeto técnico, assim como todas as análises que envolvem a construção, ficou por conta da empresa, sem participação do Deracre ou do governo do Estado na concepção e execução do projeto”.

Vale contrastar que, na época em que a obra foi entregue, em dezembro de 2023, um comunicado do governo do Estado destacou a participação de servidores estaduais na celeridade da construção.

“Trabalhamos desde o começo para atuar na construção no inverno e verão. Nos antecipamos às enchentes e agora conseguimos entregar a ponte para a população”, disse no comunicado de 2023 a engenheira responsável pela obra, Thalia Kamila Gomes, do Deracre.

Fonte: UOL

ONS aciona plano emergencial para reduzir excesso de energia e evitar instabilidade

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Com concessão em risco, Enel SP reduz em 60% tempo de resposta emergencial
Foto: REUTERS/Manon Cruz

Plano foi criado em 2025 após país enfrentar dois episódios que poderiam ter levado a um colapso na distribuição de energia pelo excesso de produção em relação à baixa demanda

O Operador Nacional do Sistema Elétrico acionou, pela primeira vez, neste domingo (7), o plano emergencial para reduzir a geração de energia e evitar que o excesso de oferta provoque instabilidades no sistema elétrico nacional.

A medida foi comunicada aos agentes do Sistema Interligado Nacional (SIN) no sábado (6), determinando a redução da geração em grandes usinas, como as hidrelétricas, em até 1.000 megawatts (MW) no total. Paralelamente, o ONS solicitou às distribuidoras de energia que reduzissem a geração de usinas conectadas às redes de distribuição em suas áreas de atuação.

A operação faz parte do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025.

O plano foi criado para evitar instabilidades em períodos de baixa demanda energética, como feriados prolongados e fins de semana, quando há deslocamento de parte da população dos grandes centros urbanos para cidades menores ou regiões litorâneas.

A medida também serve para evitar impactos gerados pela produção excessiva de energia solar em telhados de residência que, somado a dias de baixo consumo energético como em fins de semana, pode gerar panes ao desequilibrar a rede pelo excesso de oferta energética em relação à demanda.

A criação do plano foi motivada por episódios registrados em 2025 que acenderam um alerta no setor elétrico sobre o risco de descompasso entre geração e consumo. Um dos casos ocorreu em 10 de agosto, durante o Dia dos Pais, quando o sistema operou com margem mínima de segurança e exigiu cortes urgentes na geração de energia em diferentes fontes para evitar um colapso no sistema.

Em nota, o ONS informou que a operação foi bem-sucedida e destacou que “manteve os agentes atualizados e coordenou as ações no SIN, realizando a gestão dos recursos disponíveis de acordo com a demanda da sociedade, em comunicação direta com os agentes do setor”.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) também informou que as distribuidoras executaram os cortes nas usinas conectadas às redes de distribuição e que realizará uma avaliação técnica da operação para mensurar os impactos e os resultados da aplicação do plano emergencial.

Fonte: InforMoney

iFood inaugura rota com drone em Barueri (SP)

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iFood inaugura rota com drone em Barueri (SP)
Foto: Divulgação

Durante evento para voo inaugural, companhia destacou que aeronaves transportarão pedidos do Shopping Iguatemi até residencial da região em apenas cinco minutos

O uso de drones para entrega de comida agora faz parte da rotina de moradores de um condomínio de Barueri, na Grande São Paulo. Isso porque o iFood, em parceria com a Speedbird Aero, iniciou uma nova rota usando a tecnologia a partir desta segunda-feira (1º). Agora, os moradores podem receber encomendas do Shopping Iguatemi em apenas cinco minutos.

O drone voa a 50 km/h a uma altitude de 60 metros e suporta condições climáticas adversas, como ventos de até 55 km/h e chuvas leves, transportando pedidos de até 5 kg todos os dias das 10h30 às 22h30. A nova rota possui as certificações necessárias da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

Segundo a companhia, essa é a primeira rota de delivery no Brasil que vai sobrevoar áreas residenciais, graças a uma autorização da ANAC que permitiu que a Speedbird operasse o drone em regiões com densidade de até cinco mil habitantes por km². A MundoLogística acompanhou a inauguração da rota.

MULTIMODALIDADE

Apesar da tecnologia, o entregador continua como peça essencial nessas entregas. De acordo com a companhia, a operação é baseada na multimodalidade. O fluxo começa no Iguatemi, com um mensageiro ou com o robô autônomo “Ada” realizando a coleta interna nos restaurantes do centro comercial.

Logo em seguida, o pedido voa por um trecho aéreo de 3,6 quilômetros em cinco minutos. Já a última ponta do trajeto é realizada por um entregador, que levará o pedido até a casa do cliente, que receberá a encomenda em uma base própria do iFood no condomínio Alphaville Residencial Zero, que possui 2,5 mil moradores. A expectativa é alcançar 500 pedidos por mês.

Na visão da diretora sênior de logística do iFood, Mariana Werneck, essa integração garante que a tecnologia atue de forma complementar, ampliando as possibilidades de rotas sem substituir o papel essencial da pessoa entregadora. “O que queremos com isso é aumentar a demanda dos restaurantes, aumentar a oferta e praticidade para os consumidores e garantir renda aos entregadores”, enfatizou.

DRONES DO IFOOD EM BARUERI

Segundo o iFood, Barueri não foi escolhida por acaso. A rota entre o shopping e o condomínio em Barueri é evitada por quase metade dos entregadores devido ao longo tempo de espera na portaria do condomínio. Dessa forma, o uso dos drones pode impulsionar o trabalho dos entregadores, eliminando o tempo de espera para cadastro no residencial — já que ele esperará o pedido na base do iFood.

Esse benefício foi destacado pelo vice-presidente de Logística e Operações do iFood, Arnaldo Bertolaccini, entrevista exclusiva para a MundoLogística.

“O que a gente leva para o entregador não é um prejuízo, é um ganho. Ele ganha mais produtividade, ele tira a fricção de ficar entrando muitas vezes”, disse. “Então, não é uma condição para a gente, uma substituição, mas é potencializar a produtividade do entregador”, ressaltou.

Com o aumento de performance dos colaboradores, há benefícios também para os restaurantes. “A gente imagina que também todos os restaurantes que estiverem aqui nesse ambiente vão conseguir vender muito mais porque vão acessar uma oferta muito mais rápida”, enfatizou Bertolaccini.

Atualmente, o iFood e a Speedbird Aero operam juntos em uma rota em Aracaju (SE) durante 10 horas diárias. De acordo com a empresa, há registro de estabelecimentos que chegaram a aumentar em 50% as entregas via delivery por conta do drone, que destravou oferta e demanda.

“Assim como em Sergipe, eu tenho certeza de que os restaurantes que estão aqui no shopping Iguatemi vão vender ainda mais. Eles vão ter tempos de entrega ainda melhores e vão conseguir acessar consumidores que antes eles não conseguiam acessar”, apontou o vice-presidente.

Para os consumidores, a maior vantagem está na diminuição do tempo de entrega. Além disso, eles podem acompanhar os pedidos da mesma forma que já acontece com as entregas pelos motoboys.

Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (1°), as empresas informaram que a operação contará com dois drones, cada um com autonomia de até 10 quilômetros em trajetos de ida e volta. A aeronave também opera em trajetos de 23 quilômetros em voos realizados em apenas um sentido.

PREOCUPAÇÃO COM A SEGURANÇA

Para o drone realizar uma entrega no espaço aéreo mais disputados, as empresas precisaram de anos de planejamento. De acordo com o Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE), cerca de 2,5 mil voos são monitorados diariamente pelos controladores do órgão — o volume representa mais da metade de todas as operações aéreas realizadas no país.

O CEO da SpeedBird Aero, Manoel Coelho, destacou a importância da regulamentação para operar no Brasil, o segundo espaço aéreo mais disputado no mundo. “Então, para voar aqui no Brasil você precisa de tecnologia, segurança e confiança no equipamento. Por isso a regulamentação é tão importante.”

Nesse contexto, alcançar a operação em Barueri exigiu uma série de testes. E eles não começaram no céu, mas em solo. “O primeiro trabalho de segurança é feito no solo. Toda mitigação ela é feita antes de qualquer voo com o sistema de segurança da aeronave”, explicou Coelho.

A SpeedBird também pensou em um plano B. As aeronaves que fazem as entregas de comida na Grande São Paulo são equipadas com paraquedas. Desse modo, a população também estará protegida em casos de acidentes.

TECNOLOGIA BRASILEIRA

Durante a entrevista para a MundoLogística, o vice-presidente de Logística e Operações do iFood, Arnaldo Bertolaccini, destacou o orgulho de ter uma tecnologia pioneira no mundo implementada por meio da parceria entre duas companhias brasileiras. “A gente sempre tem muito orgulho de trazer tecnologia de ponta, a melhor que tem no mundo para o Brasil.”

O executivo também reforçou a importância dos investimentos em tecnologia para a consolidação do iFood. “A gente sabe que esse é o tipo de tecnologia que faz o iFood ser do tamanho que é. Temos um sonho de ser ainda maior, gerando mais valor para quem vende no iFood, para quem entrega no iFood e também para quem compra com muito mais conveniência”, disse.

Fonte: Mundo Logística | Por Ana Beatriz Rodrigues

Parcerias Público-Privadas impulsionam infraestrutura, inovação e desenvolvimento no Mato Grosso do Sul

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Parcerias Público-Privadas impulsionam infraestrutura, inovação e desenvolvimento no Mato Grosso do Sul
Foto: Divulgação

Com projetos bilionários em saúde, saneamento, conectividade e energia limpa, Mato Grosso do Sul se consolida como referência nacional na estruturação de Parcerias Público-Privadas e concessões voltadas ao desenvolvimento sustentável e à modernização dos serviços públicos. 

O Mato Grosso do Sul tem se consolidado como uma das principais referências brasileiras na utilização de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões como instrumentos para acelerar investimentos, modernizar a infraestrutura e ampliar a oferta de serviços públicos. Com uma estratégia construída ao longo da última década, o estado vem demonstrando que a combinação entre planejamento de longo prazo, segurança jurídica e governança eficiente pode criar um ambiente favorável para atrair investimentos privados e gerar benefícios concretos para a população.

A trajetória sul-mato-grossense nesse campo ganhou força a partir da criação do Programa de Parceria Público-Privada do Estado (PROPPP-MS), em 2012, posteriormente modernizado pela Lei Estadual nº 5.829, de 2022, que instituiu o Programa de Parcerias de Mato Grosso do Sul (PROP-MS). A atualização alinhou a legislação estadual às diretrizes da Nova Lei de Licitações, fortalecendo a governança e ampliando a previsibilidade para investidores interessados em participar de projetos estruturantes.

A estrutura institucional criada pelo estado tem sido um dos principais diferenciais desse processo. O Conselho Gestor do PROP-MS (CGPPP) e o Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE) atuam de forma integrada na definição de prioridades, modelagem de projetos e acompanhamento dos contratos. Essa engenharia institucional permitiu que Mato Grosso do Sul alcançasse um Índice de Efetividade de 63,63% na implementação de iniciativas planejadas entre 2014 e 2022, demonstrando capacidade de transformar projetos em realizações concretas.

Leia mais: Mato Grosso do Sul é o Estado que mais gerou empregos em energia solar

Entre os principais exemplos está a PPP do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), considerada o maior investimento da história da saúde pública estadual. Com contrato de 30 anos e previsão de investimentos que somam R$ 7,3 bilhões em operação e manutenção, além de R$ 966 milhões destinados à ampliação e modernização da infraestrutura, o projeto prevê a expansão da capacidade hospitalar em 60%, alcançando 577 leitos. O modelo preserva o caráter público e gratuito do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a iniciativa privada assume serviços de apoio, como manutenção predial, logística hospitalar, higienização e gestão de equipamentos, permitindo que o Estado concentre esforços na assistência direta à população.

Outro destaque é o projeto de universalização do esgotamento sanitário, estruturado antes mesmo da aprovação do novo marco legal do saneamento. A iniciativa tem como objetivo ampliar a cobertura de esgoto em todo o estado em um prazo de dez anos, contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde pública e qualidade de vida da população. O projeto tornou-se referência nacional pela antecipação das metas e pela capacidade de mobilizar investimentos em um setor historicamente desafiador.

Leia mais: De Encontros Regionais ao Cenário Nacional: Como a Plataforma P3C Conecta Investidores e Governos

A inovação tecnológica também ocupa posição estratégica na agenda estadual. O Projeto MS Digital busca reduzir desigualdades de conectividade por meio da implantação de uma infovia digital que fortaleça a infraestrutura de telecomunicações, amplie o acesso à internet de alta velocidade e prepare o estado para a expansão de tecnologias como o 5G. A iniciativa é vista como fundamental para impulsionar a transformação digital dos serviços públicos e ampliar a competitividade econômica regional.

Na área ambiental, Mato Grosso do Sul também utiliza o modelo de parcerias para avançar em sua agenda de sustentabilidade. Projetos voltados à geração de energia fotovoltaica contribuem para a redução dos custos operacionais da administração pública e fortalecem os compromissos estaduais relacionados ao programa Carbono Neutro, demonstrando como as PPPs podem integrar eficiência econômica e responsabilidade ambiental.

Leia mais: P3C Regional Nordeste impulsiona infraestrutura e atração de investimentos em Fortaleza 

O amadurecimento institucional alcançado pelo estado tem recebido reconhecimento além das fronteiras brasileiras. Mato Grosso do Sul foi destaque em fóruns internacionais como o PPP Américas, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sendo citado como exemplo de maturidade na estruturação de projetos subnacionais e na construção de um ambiente de negócios capaz de equilibrar interesses públicos e privados.

Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda existem desafios importantes, como a necessidade de reduzir a morosidade dos processos de estruturação, fortalecer os mecanismos de fiscalização contratual e ampliar a utilização das PPPs para áreas ainda pouco exploradas, como educação e habitação. Ainda assim, a experiência sul-mato-grossense demonstra que a combinação entre planejamento estratégico, segurança jurídica e governança qualificada pode acelerar a entrega de infraestrutura e serviços essenciais para a população.

Leia mais: SONDA do Brasil reforçou na P3C a conectividade como política de transformação dos serviços públicos 

As perspectivas para os próximos anos indicam a continuidade dessa trajetória de crescimento. Com novos projetos em desenvolvimento e um ambiente institucional cada vez mais consolidado, Mato Grosso do Sul busca ampliar sua posição de protagonismo nacional no setor de parcerias, fortalecendo investimentos que promovam desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade.

Esse cenário será tema da Reunião Estratégica Regional P3C Mato Grosso do Sul, que acontece no dia 16 de junho, das 9h às 18h, no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. O encontro reunirá especialistas, gestores públicos estaduais e municipais, investidores e lideranças do setor privado para discutir desafios, oportunidades e perspectivas para as PPPs e concessões no estado. A iniciativa está alinhada à missão do P3C – PPPs e Concessões de promover um ambiente de negócios mais previsível, seguro e atrativo para investimentos estruturantes, além de dar continuidade aos debates iniciados durante o P3C Nacional 2026, realizado em São Paulo. A expectativa é que o evento fortaleça a integração entre os diversos atores do setor e contribua para acelerar projetos capazes de impulsionar uma infraestrutura mais moderna, eficiente e sustentável em Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil.

Para saber mais sobre a Reunião Estratégica Regional P3C Mato Grosso do Sul, clique aqui.

Fábricas de Bairro: um equipamento urbano para fundar a economia regenerativa.

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Da pólis grega à transformação das metrópoles: uma reflexão sobre o processo de urbanização
Foto: Edilson Dantas/Agência O GLOBO

O que é, de fato, a “4a Revolução Industrial”?

Se formos considerar que, dadas as exigências da sociedade ecológica e regenerativa, devemos considerar que a indústria do futuro tornaria obsoleta sua invenção mais relevante e de maior impacto sócio-ambiental: o lixo. Não havia lixo, como hoje o compreendemos, nas sociedades pré-industriais. A indústria inventou o lixo, a poluição, o desmatamento massivo, e outros muitos desastres ecológicos – além de, obviamente, criar o que podemos chamar de “sociedade da abundância”. No mundo industrial, abundância e devastação andam de braços dados.

Para que desapareça o lixo, e outras mazelas da indústria, as cadeias produtivas deveriam ser completamente circulares, de curtas distâncias e os produtos duráveis deveriam ser, de fato, duráveis, nunca sendo abandonados, ou seja, nunca tornarem-se “lixo”. Esses produtos deveriam ser feitos de materiais recicláveis, reduzindo drasticamente a demanda por indústria pesada e de base.

Para tanto, as cadeias produtivas de bens duráveis precisam passar por uma completa reestruturação, para que se tornem absolutamente circulares. Isso apenas começa-se a vislumbrar, em casos ainda excepcionais, como a obrigatoriedade de destinação e reciclagem de todos os automóveis produzidos por uma determinada fabricante de veículos – política pública que foi proposta inicialmente na Alemanha, e hoje é praticada em numerosos países.

Consumo, abundância e desperdício.

Para que o processo produtivo seja ao máximo ou totalmente circular, ele precisa ser ao máximo eficiente, e isso exige que ele seja aderido às reais necessidades e desejos da população.

Essa não é a prática mais comum das indústrias: hoje, entende-se que a produção industrial é baseada na fabricação de produtos que, imagina-se, serão desejados pela população – por isso, sua produção é exagerada, enorme, massiva, para dar conta do tal desejo imaginado – no caso de não serem vendidos, esses produtos são descartados. A maior parte dos modelos de lucro das grandes indústrias tem no desperdício e na recompra a imagem de seu maior sucesso: pouco importa que o consumidor use uma roupa apenas uma vez, e depois jogue fora, o que importa é que ele compre o máximo de peças diferentes de vestuário, com o máximo de velocidade.
Isso não é sustentável.

O que seria sustentável é que o consumidor comprasse o mínimo de produtos com o mínimo de velocidade possível. Talvez fosse desejável que se comprasse um determinado produto durável (uma geladeira, por exemplo) apenas uma vez em sua vida, ou até mesmo o herdasse de seus pais e antepassados.

Mas, como a tecnologia está em constante evolução, é muito provável que os produtos duráveis possam ser constantemente aprimorados. O que nos indica que o outro critério de consumo seja a atualização, ou a obsolescência “honesta” – o oposto da “obsolescência programada”, que é praticada por um grande número de indústrias, justamente para provocar a recompra de produtos que poderiam estar funcionando perfeitamente, caso essas mesmas indústrias não tivessem embutido defeitos congênitos, ou lançassem novidades cosméticas, ou mesmo estruturais, para forçar o consumidor à recompra de um produto.

Uma solução para esse impasse, é a reinvenção da indústria como um fenômeno comunitário, local e altamente customizado: o que chamo de “Fábricas de Bairro”.
Proponho a “Fábrica de Bairro” como uma solução relativamente simples para transformar as cadeias produtivas de bens duráveis, assim como para tornar acessíveis as práticas da economia circular, e também promover a economia criativa como um aspecto fundamental das cidades do futuro.

O que é uma “Fábrica de Bairro”?

É um equipamento público que estaria disponível em todos os bairros das cidades, disponibilizando equipamentos de fabricação tradicional e digital, mas nos quais também pode-se fazer-se consertos e reparos em objetos, equipamentos, peças de mobiliário, vestuário, utensílios e veículos (bicicletas, patinetes, etc.) – mas, seu aspecto mais importante é que ser uma espécie de “Centro Cultural”, dotado de calendário de encontros, cursos, capacitações, assim como oficinas de criatividade e criação, nas quais a comunidade que habita aquele bairro pode levar demandas e encontrar designers ou micro-fabricantes que serão capazes de produzir os objetos necessários ou desejados.

Ela seria um hub de encontro para consumidores, empreendedores, designers, engenheiros, inovadores, empresas e governo – um ponto de encontro, colaboração e fabricação, no qual esses atores sociais podem demandar novos produtos, conceber esses produtos, fabricá-los, consertá-los, modificá-los e atualizá-los para novas tecnologias ou demandas sócio-culturais ou econômicas.

A “Fábrica de Bairro” é um equipamento de acesso público que mistura as funções de outros equipamentos urbanos que, hoje, estão separados, distantes entre si, em geral concentrados em bairros especializados (como os famigerados “distritos industriais”, distantes da vida urbana real). Esses equipamentos, que já existem hoje, poderiam estar articulados na “Fábrica de Bairro”:

  • O “Fablab” – como aqueles da Rede de Fablabs de São Paulo –, no qual tem-se à disposição todo o equipamento da chamada “Fabricação Digital” (impressoras 3D, corte laser, fresas digitais, etc.),
  • As oficinas de consertos e reparos, como as de veículos (como automóveis, motocicletas e bicicletas), as de utensílios domésticos (como eletrodomésticos, talheres e panelas), e também as oficinas de costura (para reparos de vestuário).
  • Fábricas tradicionais, dotadas de equipamentos de fabricação “tradicional”, como injetoras de plástico, prensas hidráulicas, forjas, e outros equipamentos apropriados para a transformação de metal, madeira, polímeros e tecidos. (Com exceção da indústria pesada, que não deveria existir, ou ser rara, em uma sociedade regenerativa – mas que, de qualquer modo, não caberia em um contexto urbano adensado – como, por exemplo, a indústria siderúrgica, ou a de semicondutores).
  • Escolas e Centros Culturais, dotadas de espaço e calendário dedicado à disseminação de conhecimento relacionado ao projeto e fabricação de bens duráveis – tanto quanto às técnicas de projeto (o chamado “Design de Produto”), como quanto às técnicas de fabricação (operação de máquinas, características e usos dos materiais, dimensionamento e detalhes técnicos das peças a serem fabricadas, etc.).

A presença das Fábricas de Bairro na cidade

As Fábricas de Bairro não teriam o tamanho – em área ou espaço ocupado no tecido urbano – da soma desses equipamentos urbanos, em sua dimensão habitual: uma fábrica, capaz de produzir milhões de peças por mês, tem o tamanho de um quarteirão urbano inteiro; um centro cultural tem as dimensões de uma grande escola; se somarmos todos os tipos de oficinas de reparos e consertos que citei acima, teríamos um equipamento urbano de grandes dimensões.

Minha proposta é que tenhamos um conjunto “enxuto” de equipamentos e ferramentas, capaz de dar conta da produção da vasta maioria dos bens duráveis que a população urbana possa precisar ou desejar.

Mas, a grande diferença que a Fábrica de Bairro tem, em relação à indústria tradicional, é que nela não se produzirão grandes quantidades dos mesmos produtos. O modelo industrial tradicional requisita que se tenham grandes números dos mesmos equipamentos, e configurados para a máxima velocidade de produção, para que se possa ter os chamados “ganhos de escala”, característica fundamental da lógica industrial dos últimos 250 anos de desenvolvimento econômico global.

A ideia fundamental da indústria, e que domina o pensamento econômico do mundo ocidental, é que deve-se produzir o maior número de peças de um determinado produto, no menor espaço de tempo, com o máximo de eficiência e menor custo. É a partir dessas técnicas da “engenharia de produção” que se obtêm os ganhos de produtividade e escalabilidade. O que está por trás desse pensamento é algo sensato: se podemos reduzir ao máximo os custos de produção, podemos não apenas ganhar muito dinheiro, como também produzir abundância sem precedentes para toda a sociedade. E, de fato, uma característica inegável da Revolução Industrial foi a grande ampliação de acesso aos bens de consumo (duráveis ou não-duráveis): nunca a humanidade viveu em tamanha abundância.

Por outro lado, esse mesmo pensamento implica em dois problemas:

1 – Há uma massificação dos itens: todo mundo compra as mesmas coisas, iguais, ou quase iguais, – há pouquíssima liberdade ou criatividade, estamos condenados a comprar o que o empreendedor industrial considera ser “um bom produto”, e

2 – Os custos muitíssimo reduzidos da produção industrial exigem que modelos de “compensação” surjam para que se amplie os valores obtidos pelas empresas industriais – o modelo de “compensação” mais comum é a obsolescência programada: um produto quebra, torna-se “desatualizado”, “fora de moda”, ou “desnecessário” com o máximo de velocidade, para que o consumidor se veja obrigado, ou impelido, a re-comprar o produto.

Mas, sabe-se, do ponto de vista técnico, que uma geladeira, por exemplo, poderia ser um produto que “não quebra nunca”, assim como um carro, um abajur, ou par de óculos. Mas a indústria precisa, para que possa manter e incrementar seus ganhos, que esses produtos sejam substituídos com frequência. Então, não é incomum que os produtos sejam feitos “para quebrar”, ou que sejam lançados novos produtos com “capacidades mais avançadas” (como na computação e nos smartphones), ou também que os produtos de vestuário ou de mobiliário fiquem “fora de moda”.

Nas “Fábricas de Bairro”, o foco não é produzir enormes quantidades de produtos, mas apenas aquilo que faz sentido para a população daquele bairro, que se atenda aos seus desejos e necessidades reais.

E a conjunção de fabricação e conserto torna explícita a essência da “Fábrica de Bairro”: sua proposta não é fazer o máximo de lucro – independentemente do impacto ecológico –, mas prover bem estar, por meio de produtos duráveis de qualidade, verdadeiramente duradouros – que não quebram ou falham. Mas, caso falhem ou quebrem, são reparados no mesmo lugar que são fabricados: dentro do bairro onde o cidadão mora.

Proponho que essa poderia ser a verdadeira “Indústria 4.0”, muito comentada há uns 10 ou 15 anos atrás, mas pouco lembrada hoje em dia. A proposta inicial da indústria 4.0 era o incremento da eficácia e eficiência da indústria a níveis nunca vistos, mas sem questionar o aspecto que a torna a origem do desastre ecológico que foi a Revolução Industrial: o consumo conspícuo – a produção e compra incessante de produtos que serão convertidos em “lixo” em pouquíssimo tempo. Como vimos, já faz quase 250 anos que a lógica comercial da indústria tem sido a de “produzir ao máximo, mesmo que isso destrua o planeta”. A crise ecológica tem nome: produção industrial excessiva. E ela precisa parar.

As “Fábricas de Bairro” poderiam fazer com que a produção industrial seja exatamente do tamanho das necessidades da humanidade, já que sua produção será integralmente sob demanda: nada seria produzido para alimentar uma “demanda imaginada”, apenas a “demanda real” que se manifesta em primeira pessoa, expressa por um ser humano, que comunica suas necessidades para outro ser humano, em um ambiente criativo, marcado pela educação e a produção de conhecimento.

Separação entre indústria pesada e indústria leve criativa e comunitária

Em uma sociedade verdadeiramente regenerativa, não deveria existir indústria pesada, ou ser um ciclo produtivo muito eventual e raro. Podemos crer nisso porque, se levarmos a sério a chamada “economia circular”, todos os materiais utilizados pela indústria deveriam ser reduzidos, reutilizados ou reciclados (os famosos “três Rs” da produção ecológica). Isso significa que a demanda por materiais básicos (como minério de ferro para produzir aço, silício para produção de vidro ou bauxita para produção de alumínio) seria reduzida drasticamente, quase à inexistência.

O que é crucial aqui distinguir a “indústria pesada” e a “indústria leve e criativa”, marcada pelas relações em comunidade urbana local: de um lado, temos os processos “pesados” e que têm enorme impacto sobre o meio ambiente – tanto em poluição, como em sua pegada de carbono –, e pde outro lado temos os processos “leves” e criativos, que utilizam os insumos da indústria pesada para a produção de itens de consumo de massa. Em uma economia verdadeiramente circular, baseada na “Fábrica de Bairro”, a demanda pelos insumos da indústria “pesada” seria drasticamente reduzida, mas a indústria “leve”, continuaria operando com força, mas em uma escala e formato ajustados para atender as demandas reais e conhecidas que são apresentadas diretamente pela população consumidora – e não “imaginadas” pelo departamento de marketing das grandes empresas.

Um novo cenário sócio-econômico

Pode parecer que isso teria um enorme impacto negativo sobre a economia de um país, como o Brasil – pois iríamos reduzir drasticamente o volume de bens duráveis a serem produzidos anualmente: qual seria o impacto dessa redução sobre o PIB?

Mas, se observamos o tamanho dos setores da economia, hoje, no mundo, veremos que o setor industrial é relativamente pequeno em todos os países (com exceção óbvia da China): no Brasil, o setor industrial é menor do que 20% da economia do país, sendo que o maior setor é o de comércio e serviços, com 65% do mercado. O setor primário é o menor, com menos de 5% da economia, mesmo que a maioria das pessoas acredite erroneamente que seja o maior setor.

Muitos economistas defendem que o Brasil precisa “voltar a se industrializar”. E eu concordo com eles. Mas devemos retomar a indústria de que tipo? A indústria tradicional – e sua cadeia logística internacional – é a maior fonte de poluentes, gases de efeito estufa, desastres ambientais, e mal-estar sócio-econômico. Nós queremos retomar a industrialização do Brasil nesses termos? Ou será que podemos conceber uma outra cadeia produtiva, altamente local, enxuta, eficiente e sustentável?

As Fábricas de Bairro podem ser o núcleo dessa nova cadeia produtiva: todos os bens duráveis seriam fabricados e mantidos por um equipamento urbano hiperlocal, dentro dos bairros das “cidades compactas”. A cidade sustentável traz a indústria para a escala do bairro, e a torna um equipamento cultural e criativo, parte integral da economia criativa das cidades, enriquecendo a vida dos cidadãos e os empoderando em suas escolhas de consumo e compra.

Toda uma rede de profissionais criativos, designers, artesãos, engenheiros, e outros profissionais poderiam utilizar as Fábricas de Bairro como um sistema de trocas e auto-promoção, para viabilizar a “fabricação sob demanda” de todos os itens que um cidadão poderia desejar em sua vida pessoal, doméstica e urbana. Lojas seriam pontos de encontro para demonstração de produtos, e não estoques de itens pré-fabricados aguardando uma possível venda.

Trata-se de um outro ecossistema industrial, produtivo, criativo e de reciclagem maciça. Uma outra maneira de compreender produção e consumo. E esse ecossistema precisa estar tangibilizado na vida cotidiana, e não ser um aparato oculto em “bairros industriais”, cujo impacto sócio-ambiental é perceptível apenas no aquecimento global, poluição das águas, e nos números da economia.

A produção industrial pode ser um processo participativo e orgânico, continuamente revisado e redimensionado. Não por um planejamento centralizado (governamental ou empresarial), mas por um ecossistema vivo de produtores e consumidores que se articulam e dialogam em um espaço urbano aberto à visitação e que permite promover experiências criativas de criação viva do cotidiano.

Por fim, proponho que as Fábricas de Bairro podem ser o alicerce para uma transformação profunda das cadeias produtivas, a qual tornará possível, de fato, a Revolução Regenerativa que o mundo precisa agora.

Projeto trinacional Raízes Agroecológicas avança no Brasil com corredores agroecológicos e metodologias participativas para fortalecer a conservação de sementes crioulas

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Projeto trinacional Raízes Agroecológicas avança no Brasil com corredores agroecológicos e metodologias participativas para fortalecer a conservação de sementes crioulas
Foto: © Saulo Coelho

Cerca de 2.600 famílias agricultoras de 15 municípios rurais do Semiárido de Sergipe e Bahia serão beneficiadas pela iniciativa trinacional financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (FIDA) com recursos da União Europeia. 

O Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP) iniciou uma nova etapa de implementação no Brasil com ações voltadas à formação de corredores agroecológicos e diagnósticos participativos da agrobiodiversidade para o fortalecimento de sistemas comunitários de sementes em territórios rurais da Bahia e de Sergipe.

A iniciativa integra ações na Argentina, Bolívia e Brasil para o fomento da agroecologia, conservação dos recursos genéticos locais e Melhoramento Genético Participativo descentralizado voltado à conservação e resgate de variedades locais.

O projeto pretende alcançar 5 mil famílias agricultoras nos três países, sendo cerca de 2.600 no Brasil, distribuídas em 15 municípios dos estados de Sergipe e Bahia, com potencial de ampliação para novos ao longo da implementação.

Dessa forma, o projeto também busca valorizar o trabalho ancestral de guardiãs e guardiões de sementes, articulando organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e comunidades rurais para promover a conservação da agrobiodiversidade, a autonomia produtiva e a construção coletiva de sistemas agroecológicos para dar respostas aos desafios das mudanças climáticas.

Financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com recursos da União Europeia, em uma doação de 4 milhões de euros, o projeto é executado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com liderança técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Em Sergipe, o projeto é implementado pelo Movimento Camponês Popular (MCP-SE) através da Associação de Camponesas e Camponeses do Estado de Sergipe (ACCESE). Na Bahia, a implementação ocorre por meio do consórcio formado por Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (ARCAS), Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), e Movimento dos Pequenos Agricultores/Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa da Bahia (MPA/CPC).

Corredores agroecológicos e conservação participativa de sementes crioulas

Uma das principais estratégias do Raízes Agroecológicas (GP-SAEP) é a implantação de corredores agroecológicos como espaços de aprendizagem, experimentação e multiplicação de sementes crioulas para o Melhoramento Genético Participativo descentralizado, metodologia desenvolvida pela Embrapa, que busca fortalecer variedades adaptadas às condições locais, ampliando a diversidade, a resiliência e a autonomia das comunidades rurais.

Estão previstos, inicialmente, 26 corredores agroecológicos na Bahia e 18 em Sergipe. Os corredores organizam cultivos em faixas intercaladas, combinando espécies alimentares, como milho e feijão, com plantas de adubação verde, a exemplo de crotalária juncea, feijão-de-porco e feijão guandu, que promovem a fertilidade do solo e o manejo integral de pragas para a conservação ambiental. No marco do enfoque agroecológico, se utilizam também bioinsumos produzidos pelos agricultores.

O processo é articulado aos diagnósticos participativos da agrobiodiversidade, ferramenta que identifica aspectos culturais, espécies existentes, variedades locais, práticas de manejo e prioridades definidas pelas próprias comunidades.

Metodologias participativas e articulação territorial

Entre os dias 12 e 15 de maio, cerca de 50 participantes entre agricultores, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, equipes técnicas e instituições públicas e estaduais da Bahia e Sergipe participaram de oficinas de aprendizagem sobre agrobiodiversidade e corredores agroecológicos nos municípios de Aracaju, Itabaianinha e Riachão do Dantas, em Sergipe. As formações foram conduzidas pela Embrapa em conjunto com as organizações sócias do projeto nos dois estados, promovendo o intercâmbio entre as equipes que implementam o projeto na Bahia e em Sergipe.

De forma coletiva, dois corredores agroecológicos foram implementados nos municípios de Itabaianinha e Riachão do Dantas pelo terceiro ano consecutivo, considerando as atividades de pré-implementação do projeto. Eles funcionarão como polos irradiadores para processos contínuos de observação e seleção de materiais genéticos, permitindo que agricultoras e agricultores identifiquem variedades mais adaptadas às realidades locais e avancem na recuperação de sementes que vêm se perdendo ao longo do tempo.

A programação também incluiu a visita à agroindústria comunitária de flocão de milho crioulo do Movimento Camponês Popular (MCP-SE), em Riachão do Dantas/SE, e à proposta da futura Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) crioulas apoiada pelo projeto.

A agroindústria, em fase de finalização, integra produção, beneficiamento e agregação de valor ao milho crioulo, fortalecendo estratégias já existentes de comercialização por meio do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) e outros canais, como as feiras agroecológicas.

Já a futura UBS ampliará o aproveitamento da produção, incluindo o uso para ração animal, e deve fortalecer a articulação entre campo, alimentação e sociedade. Nessa estrutura, o projeto contribui com a aquisição de maquinário e a construção do galpão de beneficiamento.

A experiência evidencia o potencial de maquinarias adaptadas à agricultura familiar e reforça a valorização social, cultural e econômica das sementes crioulas. Do campo à mesa, demonstra como sistemas agroecológicos podem gerar renda, fortalecer territórios e ampliar o acesso a alimentos saudáveis.

As oficinas também contaram com a participação de instituições parceiras estaduais da Bahia e de Sergipe, fortalecendo a articulação do Raízes Agroecológicas com projetos apoiados pelo FIDA em parceria com governos estaduais, e ampliando o potencial de integração e impacto entre políticas e ações de desenvolvimento rural sustentável pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) do Estado da Bahia, e pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) do Estado do Sergipe.

Com mais de 40 anos de atuação no Brasil, o FIDA é um importante parceiro internacional no apoio à agricultura familiar, especialmente na região Nordeste. O Fundo já beneficiou mais de 1 milhão de pessoas no país e, até 2030, prevê alcançar cerca de 1 milhão de pessoas adicionais por meio de novas iniciativas voltadas ao fortalecimento dos territórios rurais.

Para mais informações, visite a página do FIDA para o Brasil: https://www.ifad.org/es/w/paises/brasil 

Fonte: Nações Unidas Brasil