Home Blog Página 33

Mina no Canadá guarda energia suficiente para alimentar 400 casas por ano

0
Mina no Canadá guarda energia suficiente para alimentar 400 casas por ano
Foto: Barbara Sherwood Lollar

Descoberta de hidrogênio branco em rochas lança nova luz sobre uma potencial fonte de energia limpa para projetos de transição energética

Após mais de uma década coletando dados de uma mina de metais em operação próximo a Timmins, em Ontário, no Canadá, pesquisadores descobriram que se trata de uma promissora fonte de “energia limpa”. Isso porque o local libera anualmente hidrogênio suficiente para abastecer mais de 400 residências por ano, descoberta publicada na última segunda-feira (18) na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Mais de 70% da crosta terrestre tem potencial para produzir hidrogênio. Acontece que grandes quantidades desse elemento são encontradas nas camadas das rochas mais antigas da Terra, como as encontradas no Escudo Canadense, cujos poços de perfuração liberam cerca de 8 quilos de hidrogênio por ano, que é o peso de uma bateria de carro de tamanho médio – e podem continuar a fazê-lo por 10 anos ou mais.

À nível de comparação, os pesquisadores destacaram que para quase 15 mil poços de perfuração feitos na mina em Ontário, 150 milhões de toneladas de hidrogênio seriam liberadas por ano. Essas descargas poderiam fornecer 4,7 milhões de quilowatts de energia por ano, o suficiente para suprir as necessidades energéticas anuais de mais de 400 residências.

Hoje, a maior parcela do hidrogênio utilizado é produzido por processos industriais de alto consumo energético e dependentes de combustíveis fósseis. Mesmo o gerado a partir de fontes de energia renováveis – conhecido como “hidrogênio verde” – consome muita energia e costuma ser um processo caro.

Mas, “os dados sugerem que existem oportunidades críticas ainda não exploradas para acessar uma fonte doméstica de energia economicamente viável, produzida a partir das rochas sob nossos pés”, contou Barbara Sherwood Lollar, da Universidade de Toronto, em comunicado.

Corrida pelo hidrogênio natural

A partir de reações químicas que ocorrem na sua crosta, a Terra é capaz de produzir o seu próprio hidrogênio natural, chamado de “hidrogênio branco”. Esse recurso que até então não explorado tão a fundo pela indústria energética, “é produzido ao longo do tempo por meio de reações químicas subterrâneas entre rochas e as águas subterrâneas presentes nessas rochas”, explicou Lollar.

Esse processo ocorre quando a água, composta por hidrogênio e oxigênio, reage com rochas ricas em ferro ou magnésio para liberar o elemento desejado. Outra possibilidade ocorre quando a água é dividida pelo decaimento de elementos radioativos.

Uma das grandes questões é que a potencial contribuição do hidrogênio natural na crosta terrestre para a economia global atual tem sido especulativa. As avaliações das quantidades do elemento são, segundo declarou Lollar em entrevista à Chemical and Engineering News, “inteiramente teóricas [ou] baseadas em estimativas de modelos computacionais”.

Por isso que a cientista e sua equipe mediram a presença de hidrogênio na mina Kidd Creek, uma das mais antigas e profundas da América do Norte. Os processos que criaram as rochas dessa formação geológica as tornaram ricas em metais – como cobre, zinco e prata –, e a prolongada atividade química em seu interior as preencheu com hidrogênio branco.

Foi essa estrutura geológica que fez a diferença. Oliver Warr, da Universidade de Ottawa, afirmou que “o hidrogênio natural é produzido nas mesmas rochas onde se encontram os depósitos de níquel, cobre e diamante do Canadá, e que estão atualmente em fase de exploração para minerais críticos como lítio, hélio, cromo e cobalto”.

Com tantos recursos e ganhos energéticos pesando na balança, Lollar disse que existe uma corrida global para aumentar a disponibilidade de hidrogênio. A medida serve, principalmente, para descarbonizar e reduzir os custos do uso desses elementos na produção de fertilizantes, metanol, aço e demais compostos.

Impactos

Caso esses recursos sejam igualmente explorados, os pesquisadores especulam diferentes benefícios. A localização conjunta dos recursos de mineração e da produção e utilização de hidrogênio, por exemplo, “reduzirá a necessidade de longas rotas de transporte até o mercado, para o armazenamento de hidrogênio e para o desenvolvimento de grandes infraestruturas”, observou Warr.

A exploração do recurso também poderá reduzir os custos e a pegada de carbono das minas, especificamente as canadenses, e fornecer uma fonte de energia limpa local. Antes de se tornar uma prática acessível para todas as potenciais regiões do mundo, Lollar destacou o pioneirismo que o Canadá poderá protagonizar.

Esse desenvolvimento de recursos de hidrogênio obterá fontes mais baratas e limpas desse recurso, não sendo necessária a exploração de hidrocarbonetos e outros poluentes. Tal avanço poderá compensar as emissões de carbono das indústrias de mineração e contribuir para uma redução nos custos de transporte de combustível.

Enquanto os poços de perfuração de hidrogênio branco não são mundialmente aplicados, apenas um local no Mali extraí ativamente o elemento. O gás foi acidentalmente descoberto em 1987, após o cigarro de um perfurador de poços provocar uma pequena explosão. Desde então, o elemento fornece energia para uma vila local.

Fonte: Revista Galileu

São José lidera seleção do Projeto Cidades Mais Inteligentes

0
São José lidera seleção do Projeto Cidades Mais Inteligentes
Crédito: Guia Campos

São José dos Campos foi selecionada para integrar o Projeto Cidades Mais Inteligentes, iniciativa do Ministério das Cidades voltada ao desenvolvimento de soluções urbanas inovadoras e sustentáveis.

Entre todos os municípios brasileiros inscritos, a cidade conquistou a maior pontuação do processo seletivo, alcançando o melhor desempenho nacional com nota 88.

A lista preliminar dos municípios classificados já foi divulgada e contempla cidades distribuídas pelas cinco regiões do país.

A iniciativa, realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vai oferecer assessoria técnica especializada para apoiar a construção de estratégias locais de transformação digital urbana.

O projeto busca auxiliar os municípios no planejamento e na implementação de soluções tecnológicas voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável, com foco na eficiência dos serviços públicos, inovação, inclusão digital e melhoria da qualidade de vida da população.

Na região Sudeste, além de São José dos Campos, foram classificados Campinas (SP), Olímpia (SP), Lavras (MG) e São Bernardo do Campo (SP).

Ao todo, a seleção contempla municípios das cinco regiões brasileiras.

Após a conclusão do processo seletivo, os municípios selecionados contarão com o apoio de uma rede de instituições acadêmicas participantes para a elaboração de planos de ação voltados à implementação de cidades inteligentes.

A proposta é contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas mais integradas, sustentáveis e inovadoras para os territórios urbanos brasileiros.

Conjunto de certificações

São José dos Campos também se destaca no cenário nacional e internacional pelas certificações e reconhecimentos relacionados à gestão urbana inteligente.

Atualmente, é a única cidade brasileira a possuir a certificação de Cidade Inteligente, Resiliente e Sustentável no nível platina — o mais elevado — concedida com base em normas ISO internacionais e validadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

O reconhecimento ocorreu em março de 2022, quando o município recebeu as certificações com base nas normas ABNT NBR ISO 37120, 37122 e 37123, voltadas a cidades inteligentes, sustentáveis e resilientes.

As certificações foram mantidas após auditorias realizadas em 2023, 2024 e novamente em 2025, preservando a classificação máxima em todas as avaliações.

Em novembro de 2025, São José dos Campos também conquistou a inédita certificação ISO 37125, baseada em padrões internacionais que reúnem 133 indicadores ESG (ambientais, sociais e de governança).

Fonte: Portal R3

El Niño ‘Godzilla’? O que os especialistas dizem sobre o fenômeno climático

0
Alerta na primavera: órgãos de SC classificam El Niño como ‘muito forte’ e preveem chuva acima da média
Foto: NOAA/Via MetSul

Apesar do apelido viralizar, especialistas afirmam que o termo não é uma classificação científica oficial

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico voltou ao centro das atenções e já mobiliza meteorologistas. Com sinais claros de formação do El Niño, modelos climáticos internacionais indicam que o fenômeno pode ganhar força ao longo dos próximos meses e influenciar o clima no Brasil até 2027.

Expressões como “Super El Niño” e “El Niño Godzilla” passaram a circular para descrever o avanço do aquecimento no Pacífico. Mas, segundo especialistas, o apelido está mais ligado ao impacto midiático do que à classificação científica.

De acordo com a meteorologista Desirée Brandt, termos como “Godzilla” não fazem parte da nomenclatura oficial utilizada por centros climáticos como a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), principal referência mundial no monitoramento do El Niño.

“O termo surgiu muito mais para chamar atenção”, explica, em entrevista à Globo Rural. “Na ciência, trabalhamos com categorias que vão de El Niño fraco até muito forte.”

A avaliação é compartilhada pelo meteorologista Celso Oliveira, da empresa Tempo Ok, que explica que o apelido costuma ser usado popularmente para descrever episódios excepcionalmente intensos de aquecimento no Pacífico.

“Essa denominação El Niño ‘Godzilla’ normalmente aparece para eventos muito fortes. Tivemos episódios intensos em 1982 e 1983, em 1997 e 1998, além de 2015 e 2016”, afirma. “O mais intenso da história recente aconteceu entre 1877 e 1878.”

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

Essa mudança interfere diretamente na circulação atmosférica e altera padrões de chuva, temperatura e formação de eventos extremos em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, os impactos costumam variar conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam maior risco de seca. Já o Sudeste e o Centro-Oeste tendem a alternar períodos de chuva intensa com ondas prolongadas de calor.

El Niño 2026 já começou?

Segundo Desirée Brandt, o aquecimento das águas do Pacífico já indica a formação do El Niño, que deve se consolidar oficialmente nos próximos meses.

De acordo com o último relatório da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), existe cerca de 96% de probabilidade de o evento permanecer ativo até o início de 2027.

Neste primeiro momento, o aquecimento deve se desenvolver entre intensidade fraca e moderada, mas os modelos climáticos apontam possibilidade de fortalecimento ao longo do segundo semestre.

As projeções para o período entre novembro e janeiro indicam um cenário de aquecimento mais intenso no Pacífico até o fim do ano.

Apesar disso, especialistas destacam que esse processo acontece de forma gradual.

“Oceano e atmosfera são sistemas dinâmicos e fluidos”, explica Desirée. “Não existe um botão que transforma rapidamente um El Niño comum em um superevento.”

Pode ser um dos mais fortes da história?

Segundo Celso Oliveira, alguns modelos indicam a possibilidade de um aquecimento excepcional no Pacífico.

“Existe a possibilidade de esse El Niño de 2026 e 2027 ultrapassar eventos históricos, mas ainda precisamos monitorar”, afirma. “São poucas as simulações que mostram esses extremos.”

O meteorologista explica que a maioria dos modelos trabalha atualmente com a hipótese de um El Niño forte, mas sem atingir os níveis mais extremos registrados historicamente.

“Grande parte das projeções ainda aponta um aquecimento mais moderado, abaixo do que normalmente caracteriza um super El Niño”, explica.

Mesmo sem confirmação de um evento histórico, especialistas alertam que o contexto climático atual pode ampliar os impactos.

“O El Niño está se formando em um planeta mais quente”, afirma Desirée Brandt. “Isso potencializa os efeitos climáticos.”

Com temperaturas globais mais elevadas, aumenta a chance de ondas de calor intensas, secas prolongadas e episódios de chuva extrema concentrados em poucos dias.

Segundo os especialistas, o comportamento do Oceano Atlântico também será decisivo para definir a intensidade dos impactos no Brasil.

O que pode mudar no clima do Brasil

Os primeiros efeitos já começam a aparecer principalmente na região Sul, onde a previsão aponta chuva acima da média nos próximos meses.

Segundo os meteorologistas, esse padrão deve persistir ao longo do segundo semestre, aumentando o risco de temporais, enchentes e deslizamentos.

Ao mesmo tempo, outras regiões do país devem enfrentar calor mais intenso e períodos secos mais prolongados.

No Sudeste e no Centro-Oeste, por exemplo, a tendência é de chuvas mais irregulares, com temporais concentrados em poucos dias e longos intervalos de calor.

Já no Norte e em partes do Nordeste, cresce o risco de estiagem.

A internet vulnerável: como vazamentos de dados colocam empresas e cidadãos em risco

0
A base necessária — e muitas vezes esquecida — da transformação digital na gestão pública
Foto: Freepik/pongsaksapakdee

Cibersegurança na era da IA: por que proteger dados se tornou prioridade para empresas, governos e cidades inteligentes

A transformação digital mudou a forma como pessoas, empresas e governos se relacionam com a tecnologia. Hoje, praticamente tudo depende de ambientes digitais: serviços bancários, plataformas públicas, aplicativos corporativos, redes sociais e armazenamento de informações pessoais. Porém, enquanto cresce a conectividade, aumenta também um problema cada vez mais preocupante: os vazamentos de dados e o avanço dos crimes virtuais. 

Os ataques cibernéticos deixaram de atingir apenas grandes empresas de tecnologia e passaram a comprometer contas pessoais, pequenos negócios, órgãos públicos e até infraestruturas essenciais. Em muitos casos, o ponto de entrada continua sendo algo aparentemente simples: uma senha comprometida. Um levantamento da empresa de inteligência de ameaças Kela revelou que, somente em 2025, quase 2,9 milhões de credenciais foram comprometidas. O número inclui nomes de usuário, senhas, cookies, tokens de sessão e listas de login encontrados em repositórios de e-mails hackeados e marketplaces criminosos. O dado mostra que milhões de informações utilizadas diariamente por pessoas e empresas já circulam na internet de forma ilegal.

Mesmo com tantos avanços tecnológicos, as senhas continuam sendo um dos maiores pontos de vulnerabilidade da segurança digital. Isso acontece porque muitos usuários ainda utilizam combinações fracas, previsíveis ou repetidas em diferentes plataformas. Quando uma senha vaza em um único serviço, criminosos conseguem testar automaticamente aquele mesmo acesso em bancos, redes sociais, aplicativos corporativos e sistemas públicos. Os vazamentos acontecem de diversas formas. Em alguns casos, empresas sofrem ataques hackers que comprometem bancos de dados inteiros. Em outros, o próprio usuário acaba fornecendo suas informações sem perceber, vítima de golpes digitais conhecidos como phishing. Mensagens falsas, páginas clonadas e links enviados por e-mail ou aplicativos simulam ambientes oficiais para capturar dados de acesso. Também existem softwares maliciosos capazes de registrar tudo o que é digitado em celulares e computadores.

Os impactos vão muito além do prejuízo financeiro. Informações roubadas podem ser utilizadas em fraudes, roubo de identidade, invasão de sistemas corporativos e ataques contra instituições públicas. Empresas podem sofrer paralisação operacional, perda de clientes e danos à reputação. Já no setor público, os riscos envolvem diretamente dados da população e serviços essenciais ligados à saúde, mobilidade urbana, educação e segurança. Nesse cenário, a segurança digital deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um tema estratégico, empresas e governos precisam compreender que proteger informações significa proteger operações, serviços e a confiança das pessoas.

Em contrapartida, uma nova tendência tecnológica vem ampliando os desafios relacionados à proteção digital: os aplicativos desenvolvidos por inteligência artificial por meio do chamado “vibe coding”. Essas plataformas permitem criar aplicativos completos utilizando apenas comandos escritos em linguagem natural, mesmo sem conhecimento técnico em programação. Embora essa tecnologia democratize o desenvolvimento de sistemas e acelere processos de inovação, ela também cria novos riscos. Muitos usuários publicam aplicativos na internet sem qualquer preocupação com segurança da informação. Como consequência, existem casos de aplicações criadas com IA expondo bancos de dados, arquivos privados, credenciais e informações corporativas acessíveis publicamente.

O problema não está necessariamente na inteligência artificial, mas na falsa sensação de simplicidade. Criar um aplicativo ficou muito fácil, protegê-lo continua exigindo conhecimento especializado. Além disso, muitos desses sistemas utilizam integrações externas, bibliotecas prontas e serviços terceirizados, ampliando os riscos relacionados à chamada cadeia de suprimentos digital. Esse cenário vem fortalecendo as discussões sobre a Lei Geral da Cibersegurança no Brasil. A nova legislação pretende ampliar as responsabilidades de empresas e órgãos públicos na prevenção e resposta a incidentes digitais. A tendência é que segurança da informação deixe de ser apenas recomendação técnica e passe a ser obrigação institucional.

A proposta também reforça a necessidade de proteger toda a cadeia de fornecedores tecnológicos, exigindo maior controle sobre parceiros, prestadores de serviço e ambientes conectados. Isso se torna ainda mais importante no contexto das cidades inteligentes, onde serviços públicos dependem cada vez mais de plataformas digitais, sensores, aplicativos e sistemas integrados.

Diante disso lgumas medidas se tornaram indispensáveis, como o uso de autenticação em múltiplos fatores, senhas fortes e diferentes para cada serviço, atualização constante de sistemas e treinamento contínuo de usuários são práticas fundamentais para reduzir riscos. Empresas também precisam investir em monitoramento, gestão de acessos e políticas internas de segurança digital.

A transformação digital continuará avançando de forma acelerada, impulsionada pela inteligência artificial e pela conectividade. Porém, quanto maior a dependência tecnológica, maior também será a necessidade de proteger dados, sistemas e infraestruturas críticas. A cibersegurança deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade urgente. Em um mundo marcado pelo crescimento dos vazamentos de dados, golpes virtuais e invasões de contas, investir em proteção digital significa garantir continuidade, confiança e segurança para toda a sociedade conectada.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

No Maio Amarelo, Prefeitura de Curitiba lança a campanha Eu Freio para Animais

0
No Maio Amarelo, Prefeitura de Curitiba lança a campanha Eu Freio para Animais
Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Ação educativa reuniu dezenas de pessoas no Parque Barigui em prol da redução de acidentes que envolvem pedestres, ciclistas, motocicletas e automóveis

A programação do Maio Amarelo promoveu a educação no trânsito neste sábado (23/5) no Parque Barigui. Como parte das ações, foram realizadas a Cãominhada de pets e a Caminhada do Maio Amarelo, que marcou o lançamento da campanha Eu Freio para Animais”, para chamar a atenção dos curitibanos sobre os cuidados no trânsito com os animais. Mesmo com a garoa, dezenas de pessoas acompanharam a caminhada e receberam adesivos da campanha, além de material impresso educativo.

Também estava no Barigui a exposição da Moto mais Mortal do Mundo e foi oferecida a instalação de kits de segurança para ciclistas com a campanha Ciclistas Seguros e antenas corta-pipas para os motociclistas.

Melissa Puertas Sampaio, diretora da Escola Pública de Trânsito de Curitiba, explicou que a caminhada ocorre por uma junção de forças, trazendo os agentes de trânsito, Detran, Urbs, as empresas do transporte e o grupo Pedalada Cristã, todos juntos em prol da redução de acidentes que envolvem pedestres, ciclistas, motocicletas e automóveis. “Estamos aqui trazendo o tema do Maio Amarelo, Enxergar o outro é salvar vidas, para que se conscientizem que o trânsito é formado por pessoas que devem ser protegidas e respeitadas”, afirmou a diretora.

Sueli Gulin Calabrese, diretora da Autoviação Redentor, uma das empresas parceiras da ação, afirma que a importância da caminhada é trazer a mensagem que devemos ter empatia no trânsito. “Devemos nos colocar no lugar do outro. Trazemos nossos motoristas para que eles lembrem que transportamos o bem maior, a vida das pessoas”, declarou Sueli.

A população aprova

Os participantes trouxeram suas famílias e pets para a caminhada e aprovam a iniciativa. Um exemplo é Vagner da Silva e Adriana Nenev, acompanhados do cão Maximiliano. “Eu sou motorista e entendo que a caminhada é importante para alertar da importância da segurança no trânsito, que começa em cada um de nós”, disse Vagner.

Quem também chamou a atenção na Caminhada foi o Zyon, mascote da tutora Bianca Assis, que fez questão de receber o cinto de segurança para pets e as informações sobre a campanha. “O tema Eu Freio para Animais’ é muito importante e devemos passar esta mensagem para a população”, declarou Bianca.

O que é o Giro da Coruja?

Na campanha do Maio Amarelo, realizado em parceria com o Detran-PR, a Prefeitura tem três grandes campanhas de educação para o trânsito: Ciclistas Seguros, Eu Freio para Animais e Giro da Coruja. A campanha Giro da Coruja foi criada para reforçar a segurança de todos os atores no trânsito. A manobra consiste de o motorista, ao abrir a porta do veículo, utilizar a mão direita, girando o corpo, assim podendo ver se há motocicletas, bicicletas ou pedestres vindo. Este gesto simples pode evitar acidentes e salvar vidas.

Fonte: Prefeitura de Curitiba

Caminhos da Integridade: Inmetro debate governança e ética no serviço público

0
Ibict abre seleção para bolsas de pesquisa em transformação digital inclusiva
Foto: Freepik

Seminário reuniu especialistas do Inmetro e da CGU para discutir os desafios da integridade pública e reforçar ações de governança, ética e transparência institucional

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) realizou, nesta segunda-feira (25/5), o seminário “Caminhos da Integridade”, que reuniu representantes do Instituto e da Secretaria de Integridade Pública da Controladoria-Geral da União (CGU) para discutir o fortalecimento da ética, da integridade e da transparência na administração pública.

O ciclo de palestras foi aberto pela secretária de Integridade Pública da CGU, Patrícia Alvares. Em sua apresentação, ela destacou que a confiança da sociedade nas instituições está diretamente ligada à capacidade do Estado de prestar serviços de qualidade, formular políticas públicas baseadas em evidências e garantir processos decisórios transparentes e participativos.

“A confiança é um ativo essencial para a administração pública. E ela se constrói por meio da formulação de políticas públicas equitativas, da transparência e da participação da sociedade nas decisões. Também depende da garantia de justiça e tratamento igualitário aos cidadãos, pilares de um sistema de integridade pública efetivo”, destacou.

Durante a cerimônia, o chefe do Serviço de Integridade e Gestão de Riscos (Sigri), Alexandre Dias de Carvalho, destacou a evolução das iniciativas voltadas à governança e à gestão de riscos no Instituto. Para ele, o Sigri tem papel essencial no programa de integridade da instituição.

“A criação do Sigri representou um marco para o fortalecimento da governança do Inmetro. A partir dessa estrutura, foi possível integrar mecanismos de prevenção, detecção e remediação, consolidando um programa que promove a ética, a transparência e a gestão responsável em toda a instituição”, afirmou.

Representando o presidente do Inmetro, Márcio André Brito, o diretor de Inovação, Planejamento e Articulação Institucional (Dplan), Maycon Danylo Monteiro, ressaltou a importância de consolidar a cultura de integridade na instituição e destacou o papel estratégico do Sigri nesse processo.

“A integridade é um tema fundamental para o fortalecimento das instituições públicas e para a entrega de serviços cada vez mais alinhados ao interesse da sociedade. Desde o início da atual gestão, trabalhamos para estruturar e fortalecer o Serviço de Integridade e Gestão de Riscos, consolidando uma agenda que será permanente no Inmetro. Nosso compromisso é aprimorar continuamente os processos institucionais, assegurando que sejam conduzidos com responsabilidade, transparência e foco no interesse público”, afirmou.

O seminário ainda abriu espaço para perguntas e interação com os participantes, permitindo o compartilhamento de experiências e o esclarecimento de dúvidas sobre os temas abordados.

Também fizeram parte das discussões  a gestora da Universidade Corporativa do Inmetro (UniInmetro), Tatiana Claro; e o coordenador-geral de Governança e Planejamento Orçamentário da Dplan, Márcio Anderson Félix Muniz.

A iniciativa integrou os esforços do Instituto para consolidar uma cultura organizacional baseada na transparência, na responsabilidade e na geração de confiança junto à sociedade.

Fonte: Inmetro

O entrave oculto da transição energética brasileira

0
O entrave oculto da transição energética brasileira
Foto: Divulgação Governo do Piauí

A transição energética brasileira não depende meramente de tecnologia ou de recursos naturais. Ela dependerá diretamente da capacidade de formar, atrair e reter capital humano

Há uma discussão em curso nos bastidores da transição energética que recebe pouca atenção fora do setor. Quando se pensa em energia limpa, a imagem mais comum envolve fazendas solares, parques eólicos, carros elétricos e metas de descarbonização. No imaginário público, o tema é pautado pela tecnologia, pela urgência climática e pelos bilhões em investimentos necessários para sustentar a transformação.

Esses fatores são, sim, determinantes. Porém, um gargalo menos visível que cresce na mesma velocidade é a falta de capital humano preparado para conduzir essa agenda.

O Brasil já ocupa uma posição privilegiada no cenário global, com dados da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicando que o país é o terceiro maior empregador do segmento no mundo, atrás apenas da China e da União Europeia. Ao mesmo tempo, projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam que poderemos alcançar, ainda nesta década, uma matriz elétrica composta por aproximadamente 95% de fontes renováveis.

O ponto crítico está no fato da expansão ter sobreposto a capacidade de formação de talentos. Historicamente, o setor operou em um ritmo mais previsível, concentrado em grandes companhias e ciclos longos de investimento. Contudo, nos últimos anos, a dinâmica mudou completamente, já que a ampliação dos complexos solares e eólicos, o avanço do mercado livre de energia e a chegada de novos investidores pulverizaram o setor.

Na prática, as organizações entraram em uma corrida por talentos. Hoje, empresas que precisam estruturar projetos milionários, muitas vezes em fase de greenfield, disputam os mesmos engenheiros, gestores de ativos, especialistas financeiros e lideranças operacionais. Naturalmente, essas companhias não podem aguardar por uma década até que a oferta de profissionais amadureça da forma esperada.

Um dos primeiros reflexos dessa situação aparece na dinâmica salarial. Em algumas posições, perfis com poucos anos de experiência alcançam remunerações que beiram os R$ 25 mil mensais, em um movimento semelhante ao que aconteceu no segmento de tecnologia durante o auge da disputa por desenvolvedores. Se, por um lado, esses números são indicadores de um setor aquecido, por outro, levantam uma pergunta importante: até que ponto essa inflação salarial é sustentável no longo prazo?

Existe ainda um segundo dilema que chama atenção. As corporações perceberam que a formação técnica, sozinha, não é suficiente. A engenharia se mantém no centro da renovação energética, especialmente em áreas como elétrica, mecânica e civil. No entanto, o perfil profissional mais disputado é aquele que mescla conhecimento técnico, visão estratégica, entendimento regulatório e boas práticas de relacionamento.

Isso porque, no mercado livre de energia, a conversa está longe de ser puramente operacional. Os players relevantes buscam previsibilidade e inteligência de custos. Ou seja, quem participa das negociações precisa entender o negócio do cliente, discutir riscos, fazer leitura de sala e se comunicar com diferentes áreas.

A grande virada de chave passa por compreender que, nesse ambiente, o elétron já existe e é uma commodity. O que está sendo vendido não é a competência de acender lâmpadas, mas soluções de eficiência financeira com foco em grandes consumidores. Ao mesmo tempo, a IA adicionou uma nova camada de transformação, com redes inteligentes, manutenção preditiva e otimização energética em larga escala nas operações das empresas mais maduras.

Há também um fator adicional que tende a pressionar o segmento nos próximos anos. Quando visualizamos o avanço da automação, é comum voltarmos nosso interesse aos softwares e algoritmos. Entretanto, são os data centers que constituem a gigantesca infraestrutura física capaz de sustentar essa revolução. O funcionamento e, principalmente, o resfriamento desses ambientes consomem quantidades colossais de energia.

É justamente nesse ponto que o Brasil pode assumir um protagonismo global, pois poucos países combinam disponibilidade territorial, matriz renovável, estabilidade climática e potencial de expansão energética como o nosso. Em um cenário externo pressionado por restrições ambientais e energéticas, essas características passam a representar uma vantagem competitiva real.

O que fica mais evidente é que nenhuma liderança sustentável será construída exclusivamente com infraestrutura. Em outras palavras, a transição energética brasileira não depende meramente de tecnologia ou de recursos naturais. Ela dependerá diretamente da capacidade de formar, atrair e reter capital humano.

No fim, o maior desafio da energia limpa talvez não seja energético ou tecnológico; seja humano.

Fonte: Época Negócios | Alexandre Mendonça

O fim da era dos carimbos: como a IA está salvando a gestão pública municipal

0
Lançamento da Aprova em Lagoa Santa/MG, município pioneiro no uso de inteligência artificial em processos públicos.
Foto: Enviada por Marco Zanatta

Como a Inteligência Artificial está destravando a gestão pública nas cidades brasileiras

Nos últimos 60 dias, percorri virtualmente e presencialmente dezenas de prefeituras brasileiras. Em cada conversa com secretários e prefeitos, uma dor se repete como um eco: a sensação de que a máquina pública está “engessada”. O diagnóstico é quase sempre o mesmo: excesso de papel, falta de braço técnico e sistemas que não se conversam.

Mas há uma mudança silenciosa acontecendo. O que antes era visto como “modernização”, um termo genérico para comprar computadores novos, deu lugar a uma necessidade de sobrevivência. Estamos entrando na era da Gestão Pública Inteligente, onde a Inteligência Artificial (IA) não é mais um luxo de grandes metrópoles, mas o “estagiário de luxo” que as pequenas cidades precisavam para destravar o desenvolvimento.

O custo invisível do papel e do “vai e volta”

Muitos gestores ainda calculam o custo do papel apenas pela resma ou pelo toner da impressora. O verdadeiro prejuízo, no entanto, é invisível. É o processo de licenciamento de obras que fica parado 15 dias porque o cidadão esqueceu um documento e só descobriu quando voltou ao balcão. É o procurador municipal que é cobrado pelo prefeito por um processo que, na verdade, está parado na secretaria de obras, mas ninguém sabe onde.

Essa falta de rastreabilidade drena a energia da equipe e a arrecadação do município. Cidades que ainda operam 100% no físico perdem, em média, 2% de potencial de arrecadação anual apenas pela lentidão dos processos. Em um cenário de orçamentos estreitos, ignorar a digitalização de processos é, literalmente, deixar dinheiro na mesa.

A IA como o grande equalizador técnico

Um dos maiores medos que ouço dos secretários é: “Quem vai manusear isso? Não tenho servidores qualificados para a nova Lei de Licitações”. Este é o ponto onde a tecnologia deixa de ser uma ferramenta e vira estratégia.

Em Lagoa Santa (MG), a prefeitura enfrentava o desafio de adaptar 11 secretarias diferentes à Lei 14.133/2021. O que foi feito? Eles parametrizaram todo o ciclo de compras – de Pregões a Dispensas Emergenciais – criando um “funil de conformidade”. 

O sistema agora orquestra um checklist condicional sofisticado: se o servidor escolhe “Obras”, a plataforma exige automaticamente o BDI e o cronograma físico-financeiro; se é “Inexigibilidade”, trava o avanço até que a justificativa de singularidade e a habilitação jurídica completa estejam anexadas.

O resultado prático é a eliminação do retrabalho. Antes, os processos chegavam incompletos ao Departamento de Apoio às Contratações Governamentais, gerando meses de atraso. Hoje, a instrução processual é completa na origem.

Indicador de impacto real

Com essa organização, Lagoa Santa conseguiu um resultado histórico: reduziu o ciclo médio de um processo de contratação de 1 ano para apenas 30 dias.

Com a chegada da IA Lume, esse ganho é potencializado: a geração de Termos de Referência (TR) e Editais, por exemplo, que antes consumia semanas de redação técnica, agora é feita em minutos, com a IA validando a conformidade legal no ato. Isso garante que o recurso chegue à ponta, na escola ou no posto de saúde, no tempo em que a população precisa.

Vencendo a “Síndrome de Gabriela”

A resistência cultural – o famoso “sempre foi assim” – ainda é um desafio. Mas a estratégia para vencer essa barreira mudou. Em vez de tentar digitalizar a prefeitura inteira de uma vez, o que gera pânico e paralisia, os gestores de sucesso estão apostando nos “Quick Wins” (vitórias rápidas).

Começar por uma secretaria transversal, como a de Compras e Licitações, e mostrar um resultado concreto em 30 dias é o melhor antídoto contra o ceticismo. Quando o prefeito vê um relatório em tempo real de onde cada centavo está sendo empenhado, a resistência derrete.

O caminho para uma cidade inteligente começa no protocolo

Não existe cidade inteligente com protocolo de papel. A verdadeira Smart City não é aquela que tem postes com Wi-Fi, mas aquela que respeita o tempo do cidadão e a sanidade do servidor.

O caminho para essa transformação está mais acessível do que nunca, inclusive com modelos de contratação facilitados via parcerias com instituições como o Banco do Brasil, que eliminam a burocracia dos pregões intermináveis.

O fim da era dos carimbos não é apenas uma questão de tecnologia. É uma questão de respeito ao dinheiro público e ao futuro das nossas cidades.

Dúvidas comuns sobre a digitalização municipal

  1. Minha prefeitura é pequena, a IA não é complexa demais? Pelo contrário. A IA simplifica processos complexos, permitindo que equipes enxutas entreguem resultados de grandes capitais.
  2. Como fica a integração com os sistemas que já usamos? Plataformas modernas possuem APIs abertas que se conectam aos sistemas tributários e de contabilidade existentes, preservando o investimento já feito.
  3. Quanto tempo leva para ver os primeiros resultados? Com a metodologia correta, é possível ter os primeiros processos 100% digitais rodando em menos de 30 dias.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC. 

Pela primeira vez, Brasil ingressa no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano; avanços foram desiguais

0
Pela primeira vez, Brasil ingressa no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano; avanços foram desiguais
Foto: reprodução/Setur-DF

País chegou em 2024 com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805. Dados são do ‘Radar IDHM’ divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

O Brasil chegou a 2024 com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805. Com isso, o Brasil ingressa no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano pela primeira vez. De 2012 a 2024, o índice passou de 0,744 para 0,805.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) no “Radar IDHM” pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) focada na erradicação da pobreza e na promoção do desenvolvimento humano sustentável.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é uma medida composta de indicadores de três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda. O índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.

Apesar do crescimento, os avanços foram desiguais. Entre brancos e negros, por exemplo, a distância diminuiu ao longo da série histórica, mas continua significativa.

As pessoas brancas estão no patamar de 0,851 (muito alto desenvolvimento humano), enquanto as negras estão no patamar 0,774 (alto desenvolvimento humano).

“A marcante desigualdade racial no Brasil é evidenciada pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e a população branca. A primeira está sempre uma faixa abaixo de desenvolvimento humano em relação à segunda”, explica o relatório.

O mesmo acontece entre homens e mulheres. Enquanto os homens estão no muito alto desenvolvimento humano, com 0,802 pontos, as mulheres estão no alto desenvolvimento humano, com a marca de 0,798.

Entre homens e mulheres, as disparidades também são marcantes quando se considera o IDHM ajustado pela renda do trabalho.

O resultado do IDHM em relação à desigualdade situava o Brasil, em 2012, como um país de baixo desenvolvimento humano. Em 2024, o índice posiciona o Brasil no patamar de médio desenvolvimento humano.

De acordo com o Pnud, o dado de 2024 evidencia o quanto o desenvolvimento humano brasileiro permanece distante de uma parcela da população que não se representa pela média.

Mapa do IDHM nas unidades federativas. — Foto: Reprodução/Pnud
Mapa do IDHM nas unidades federativas. — Foto: Reprodução/Pnud

Recorte territorial

O relatório aponta que todos os 27 estados não apenas se recuperaram, mas registraram progresso em relação aos níveis pré-pandêmicos.

Segundo o Pnud, a conquista reflete décadas de políticas públicas consistentes nas áreas de educação, saúde e geração de renda.

Atualmente, 10 unidades da federação já alcançaram o nível mais alto da escala, enquanto as outras 17 estão no patamar de “alto desenvolvimento”.

Entre as unidades federativas, o Distrito Federal teve o melhor resultado, chegando a 0,866. Seguido de São Paulo, com 0,838, e Santa Catarina com 0,833.

Entre os estados com menores resultados estão o Maranhão, com 0,745, seguido de Alagoas, 0,746, e Acre com 0,754.

Em cada uma das três dimensões analisadas pelo índice, há grande diferença entres os estados.

Expectativa de vida ao nascer:

  • Amapá: 74,32 anos
  • Distrito Federal: 79,75 anos

População com 18 anos ou mais com ensino fundamental completo:

  • Paraíba: 59,14%
  • Distrito Federal: 83,38%

Renda domiciliar per capita:

  • Maranhão: R$ 482,46
  • Distrito Federal: R$ 1.465,10

Para evitar alterações na PEC 6×1, Motta faz manobra regimental com apoio do governo e do Centrão

0
Governo libera R$ 5,7 bi no orçamento; Cidades, Transportes e Fazenda são os mais beneficiados
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

Presidente da Câmara impediu análise de destaques para aprovar texto acordado e evitar que deputados colocassem ‘digital’ contra redução de escala e fim da transição.

Para evitar alterações na proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se utilizou de uma manobra regimental para impedir que destaques fossem votados no plenário.

Destaques são sugestões de alteração no texto principal, apresentados pelos partidos e votados após a aprovação do chamado texto-base.

A medida de Motta teve como objetivo garantir a aprovação do parecer acordado entre a Cúpula da Câmara, líderes partidários do Centrão e o governo. Em linhas gerais:

  • redução da jornada semanal de 44h para 40h, em transição de 1 ano;
  • redução em 60 dias da escala de 6×1 para 5×2 (cinco dias trabalhados e dois de folga);
  • sem redução de salários.

Apesar de passar as últimas semanas criticando o relatório e defendendo uma transição mais longa, de até 10 anos, o PL apresentou nesta quarta-feira (27) destaques para acabar com a transição e reduzir ainda mais a escala — de 5×2 para 4×3 (quatro dias trabalhados e três de folga).

Nos bastidores, parlamentares do PL admitem que a medida tinha como função constranger o governo.

Embora inicialmente defendesse as mudanças, o governo teve que firmar um acordo com Hugo Motta pelo texto do relator para viabilizar a votação (leia mais abaixo).

Governistas vieram a público no plenário dizer que a tentativa do PL tinha função eleitoreira e lembraram que o líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ), era um dos signatários de uma emenda para estabelecer uma transição de 10 anos. Sóstenes disse que foi induzido ao erro.

Manobra regimental

O governo e a cúpula da Câmara sabiam que, caso os destaques do PL fossem colocados em votação, os deputados ficariam constrangidos de votar contra — já que as mudanças beneficiariam ainda mais os trabalhadores e 2026 é um ano eleitoral.

Ou seja, isso desmantelaria o relatório acordado, do deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

Para evitar isso, Motta fez a manobra: ao invés de votar o parecer de Prates, colocou em votação uma “emenda aglutinativa” apresentada pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS)

O texto tem mesmo conteúdo do parecer original, mas com pequenas mudanças para justificar a nova apresentação: em vez de transição de “60 dias”, o termo usado é “dois meses”, por exemplo.

Além disso, houve uma alteração na ordem dos artigos.

Como os destaques faziam referência ao substitutivo de Leo Prates, a manobra prejudicou todos os destaques apresentados.

Técnicos da Câmara divergem sobre o uso da medida. Alguns dizem que a manobra nunca foi usada antes e cria um precedente perigoso para que, a depender da vontade do presidente da Casa, nunca mais sejam votados destaques em PECs.

Outro técnico afirma que, embora rara, a manobra já foi utilizada no passado. A avaliação deste técnico é que o PL errou na apresentação do destaque e deveria ter escrito, expressamente, que o destaque seria “redirecionado para dispositivo de igual teor na hipótese de aglutinativa”.

Isso, na prática, poderia manter o destaque ativo mesmo com a apresentação de novo texto.

Comissão especial

Outra manobra regimental já tinha acontecido mais cedo, durante a votação do parecer na comissão especial.

Na votação, o PL também apresentou um destaque para reduzir a escala para quatro dias trabalhados e três de folga.

Ao contrário do plenário, que exige quórum qualificado de 3/5 do plenário (308 votos), na comissão especial a votação se dá por maioria simples — o que permite a votação simbólica, sem registro de votos e, portanto, sem a digital dos deputados.

A exceção para a votação simbólica é quando há pedido de votação nominal, mas isso só pode ser feito a cada uma hora.

Para evitar que o PL pedisse votação nominal neste destaque, o governo se antecipou e pediu o registro de votos durante o texto-base, votado antes.

Com isso, a votação do destaque do PL na comissão especial precisou ser simbólica.

Fonte: G1