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Por que Brasil é 2º país com maior incidência de tornados — e registros estão aumentando

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Foto: Getty Images

O tornado que deixou estragos na cidade de Giruá (RS), na última terça-feira (28/7), pode contribuir para o Brasil quebrar um recorde este ano.

Até julho, 81 tornados tinham sido registrados no país em 2026, e isso ainda antes do auge da temporada de tornados, que ocorre geralmente entre o fim do inverno e a primavera.

Com um El Niño forte tornando o clima mais propenso à formação de tempestades severas na região Sul do país, o Brasil pode quebrar o recorde de 92 tornados registrados em 2025, segundo dados da Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas (Prevots).

A iniciativa, que tem a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre seus parceiros, registra desde 2018 eventos de tempo severo no Brasil — como granizo, tornados, rajadas de vento e chuva intensa —, a partir do trabalho voluntário de meteorologistas.

O Brasil é o segundo país do mundo mais propenso à formação de tornados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, segundo um estudo de 2012 realizado pelo pesquisador Daniel Henrique Candido, em sua tese de doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp).

Este ano pode superar o recorde de tornados registrados em 2025

Tornados registrados no Brasil desde 2018

Fonte: BBC

O que é um tornado?

O tornado é um fenômeno meteorológico caracterizado por um funil de ar em rotação muito intensa, que desce da base de uma nuvem de tempestade.

“Quando a rotação desse funil atinge a superfície, isso caracteriza um tornado, e tem a capacidade de gerar ventos extremamente intensos e causar danos muito significativos”, explica o meteorologista Ernani de Lima Nascimento, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e voluntário da Prevots.

Então, a primeira condição necessária para a formação de um tornado é haver uma tempestade severa.

“Para produzir um tornado, tem que ser uma tempestade que tenha correntes ascendentes, ou seja, um movimento para cima dentro da nuvem extremamente intenso e, se tiver condições favoráveis, como uma intensificação do vento nos primeiros 1.000 metros de altura, e se o vento mudar rapidamente de direção, isso gera um cilindro de ar na horizontal”, diz Nascimento.

“Quando esse cilindro que está na horizontal entra embaixo de uma nuvem, que é um movimento ascendente, ele sai de horizontal para vertical, e o movimento ascendente estica esse cilindro, que gira ainda mais rápido.”

É possível prever tornados?

O pesquisador do Inpe afirma que não é possível prever com antecedência onde exatamente e o horário preciso em que um tornado vai ocorrer.

“O que é possível prever com várias horas de antecedência são condições atmosféricas favoráveis à formação de tempestades que podem produzir tornados numa determinada região”, afirma.

Para um alerta de tornado, é preciso confirmar antes a formação de uma tempestade do tipo supercélula, que é uma tempestade que gira em torno do seu próprio eixo.

“Pelo fato de ter rotação, ela gera esses movimentos ascendentes muito intensos, que é uma das condições para formar tornados”, diz Nascimento.

“Nesse caso, o máximo de antecedência que se pode dar para as cidades que estiverem no caminho daquela tempestade é de 15, 20 minutos, meia hora no máximo — temos um tempo de antecedência muito curto.”

Quais regiões do Brasil são mais propensas a tornados?

A região do Brasil mais propensa a tornados é o contorno oeste dos três Estados do Sul e também o sul do Mato Grosso, diz o pesquisador do Inpe.

“Essa é a região onde há a maior frequência desses tornados mais intensos, que podem produzir danos significativos”, diz Nascimento, alertando que isso não significa que esses fenômenos só ocorrem ali.

“Nós já tivemos tornados intensos no Estado de São Paulo, por exemplo.”

Segundo o meteorologista, o que explica a maior propensão da região à formação de tornados é o fluxo de ar que se desloca da Amazônia rumo ao Sul do país.

“A região que primeiro é visitada por esse escoamento de ar quente e úmido é justamente o oeste da região Sul. Esse fenômeno tem um nome: é chamado de jato de baixos níveis”, afirma.

Ele leva esse nome por se tratar de um movimento de ar em alta velocidade que ocorre em torno de 1.500 metros de altura, o que na meteorologia ainda é considerado um nível baixo.

Essa massa de ar quente e muito úmida, com propensão para girar em torno de si mesma, às vezes é acelerada por um ciclone tropical na costa do Uruguai, que é uma queda de pressão acentuada, acompanhada de uma frente fria.

O contraste entre o ar quente e úmido da Amazônia e o ar frio que vem da Patagônia argentina ajuda a intensificar o vento, diz o especialista.

“Quanto maior o contraste, mais o vento se intensifica com altura, e esse é um ingrediente-chave para formar essas tempestades que são rotativas.”

Por que registros de tornados estão se tornando mais frequentes?

Os especialistas concordam com um fato: os registros de tornados são hoje mais frequentes devido à proliferação dos celulares com câmera, que permitem a documentação desses fenômenos. Mas eles divergem quanto ao papel das mudanças climáticas nesse maior número de registros.

Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), é um dos que refuta a ideia de que esses fenômenos estejam de fato mais frequentes. Para o meteorologista, eles são apenas mais registrados.

“Tornado é um fenômeno que tem uma escala muito pequena — metros, dezenas de metros — e dura muito pouco tempo. É difícil detectar tornados com imagens de satélite, inclusive com radar meteorológico”, observa.

“Então, os registros que nós temos são basicamente afirmações e fotografias. É aí que aumenta a sensação de que nós estamos tendo mais, porque, por exemplo, este da região Sul foi perfeitamente filmado”, destaca.

“Não temos dúvida nenhuma de que se tratou de um tornado, mas, antigamente, você não tinha um celular no bolso pronto para filmar ou para tirar uma foto.”

Além disso, diz Seluchi, a população hoje está muito mais espalhada e é muito maior. “Ocupamos maior território, todo mundo com celular, então hoje é difícil um tornado escapar.”

Luci Hidalgo Nunes, professora aposentada do Instituto de Geociências da Unicamp, concorda com essa avaliação.

“Tornados, assim como inundações, acontecem em qualquer lugar no mundo, não sendo exclusivo de um tipo de clima. Isso diferencia esse fenômeno, por exemplo, de furacões, que acontecem apenas em alguns locais do mundo”, diz Nunes.

“Eles são bem mais comuns do que se pensa, mas como nos últimos anos tem havido facilidades para seus registros no mundo inteiro, pode dar a impressão de que estaria ocorrendo, necessariamente, aumento desses episódios, e que eles estariam associados às mudanças climáticas — algo que aqueles que são realmente especialistas nesse tipo de fenômeno refutam.”

Já o meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), avalia que os tornados estão mais frequentes e mais intensos nos últimos 20 anos, e que isso tem, sim, relação com as mudanças climáticas.

“A Terra está passando por um período quente, que faz com que haja aumento dos temporais, dos vendavais, das ondas de calor, e das chuvas fortes também”, diz Diniz. “Consequentemente, muitas vezes, dentro dos temporais, ocorrem essas micro explosões ou tornados.”

Ernani Nascimento, do Inpe, acredita que os dois fatores — mais celulares com câmera e mudanças climáticas — se combinam para explicar o maior número de registros de tornados nos últimos anos.

“Na primavera, principalmente, há um aumento da frequência das condições que são favoráveis a formar tempestades severas na região da tríplice fronteira, onde junta Paraguai, Brasil e Argentina, e isso se estende pelo sudoeste da região Sul”, diz Nascimento.

Segundo ele, há nessa região uma intensificação dos ventos com altura, aqueles que vão desde o chão até cerca de 6.000 metros, o que, combinado com umidade e calor, pode gerar tempestades rotativas.

“A melhor explicação que temos para isso é uma mudança da região onde tem o contraste de massas de ar, e isso é resultante de mudanças climáticas a nível global”, afirma.

“Como o planeta todo está aquecendo, a região de massa de ar quente está tomando um espaço geográfico maior, está indo mais para sul, e é isso que está trazendo para essa região Sul do Brasil a intensificação desses ventos.”

Brasil é de fato o segundo país mais propenso a tornados?

O pesquisador do Inpe acredita que sim, embora tenha algumas discordâncias metodológicas com o estudo da Unicamp que chegou a essa conclusão.

“Podemos afirmar, com uma boa dose de confiança, que quando pegamos os registros de tornados intensos e que são realmente muito destrutivos, fora dos Estados Unidos, não tem outro país com tanta documentação”, diz Nascimento.

“Já estou há mais de dez anos estudando esse tipo de fenômeno, e consigo afirmar que o Brasil, em termos de tornados intensos, só fica atrás dos Estados Unidos nessa frequência de registros. Lógico, que com os Estados Unidos muito à frente.”

Essa também é a avaliação de Luci Hidalgo Nunes, professora aposentada da Unicamp.

“O sul da América do Sul — incluindo o Sul e partes do Sudeste do Brasil — apresenta condições atmosféricas e fisiográficas particularmente favoráveis para a formação de tornados”, diz Nunes.

“Falta um banco de eventos mais completo na América do Sul e mesmo radares do tipo Doppler que permitem melhor aferição desse fenômeno. Mas, depois da América do Norte, esse setor é o que apresenta condições mais propícias para a formação de tempestades tornádicas no mundo”, afirma.

“Simplificando ao máximo, essas condições favorecem o encontro de sistemas atmosféricos distintos, facilitadas por condições de relevo”, conclui.

E vêm mais tornados por aí?

Infelizmente, os especialistas acreditam ser provável que teremos mais tornados pela frente.

“Tipicamente falando, anos de El Niño são anos onde as tempestades severas são mais frequentes no Sul do Brasil”, diz Nascimento, acrescentando que esse quadro se agrava com a expectativa de um El Niño forte.

O fenômeno, marcado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, provavelmente explica também por que essa temporada de tornados começou mais cedo, com muitos registros desde junho, ainda no início do inverno.

“Entre agora, o final de inverno e toda a primavera, é um período que vai ser acompanhado de perto, com uma certa prontidão, já tendo essa expectativa de que os tornados podem ocorrer com mais frequência”, afirma o pesquisador do Inpe.

Francisco de Assis Diniz, do Inmet, observa ainda que é esperado para o início de agosto a chegada de uma nova frente fria de maior intensidade entre a região Sul e a Argentina, trazendo maiores condições para temporais.

Fonte: BBC News

O calor europeu é pior que o do Brasil?

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O calor na Europa e a pergunta que falta no debate sobre o ar-condicionado
Foto: Gerard Julien/AFP

Com temperaturas próximas dos 35 graus na Alemanha, a comparação com o calor brasileiro volta à tona. Especialistas explicam por que fatores como radiação solar, umidade e construções podem tornar as ondas de calor mais perigosas na Europa.

Quase 35 graus onde eu estou na Alemanha. Sensação horrível. Mas sempre ouço gente dizendo: “O brasileiro é acostumado, no Brasil também faz calor.”

Eu conversei com dois especialistas e vou te contar por que aqui na Europa pode ser pior.

Começando por um detalhe geográfico. Uma animação mostra a incidência de radiação solar no dia mais longo do ano: o solstício de verão.

No Brasil, é em dezembro. Em Belo Horizonte, por exemplo, o sol nasce por volta das cinco da manhã e se põe por volta das seis e meia da tarde.

Agora vamos para Berlim? Lá, o solstício é em junho. O sol nasce antes das quatro da manhã e se põe perto das oito e meia da noite, desconsiderando o horário de verão europeu. O que na prática significa horas a mais de luz solar, que se mantém por semanas.

Niterói transforma semana de ciência em um exemplo de inovação e gestão pública

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Niterói transforma semana de ciência em um exemplo de inovação e gestão pública
Foto: Prefeitura de Niterói/ Divulgação

Com a inauguração do Distrito de Inovação da Cantareira, a realização da 78ª SBPC e o avanço da transformação digital, Niterói reforça seu compromisso com um modelo de cidade inteligente que conecta ciência, tecnologia e gestão pública

Durante uma semana, Niterói viveu uma experiência que vai muito além da realização de um grande evento científico. Ao sediar a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, a cidade se transformou em um verdadeiro laboratório vivo de inovação, reunindo pesquisadores, estudantes, gestores públicos, empresas e cidadãos em torno de um objetivo comum: pensar soluções para melhorar a vida das pessoas.

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, de universidades, centros de pesquisa e milhares de participantes reforçou a importância da ciência como instrumento de desenvolvimento nacional. Para Niterói, entretanto, o maior legado do evento foi demonstrar que cidades inteligentes não se constroem apenas com tecnologia, mas principalmente pela capacidade de conectar conhecimento, inovação e políticas públicas.

Um dia antes da abertura da SBPC, inauguramos o Distrito de Inovação da Cantareira, um espaço criado para aproximar universidades, startups, empresas, poder público e empreendedores. Mais do que um novo equipamento urbano, o distrito representa uma estratégia de desenvolvimento baseada na economia do conhecimento, capaz de transformar pesquisa em inovação, inovação em desenvolvimento e desenvolvimento em qualidade de vida para os niteroienses.

Essa visão esteve presente também na palestra que tive a oportunidade de apresentar durante a programação da SBPC: “Governança Inteligente: Como a Transformação Digital Está Modernizando Niterói”.

A principal mensagem dessa palestra foi mostrar que transformação digital não começa pela tecnologia. Ela começa pela forma como o governo organiza seus processos, integra informações e utiliza dados para tomar decisões mais acertivas. A tecnologia é consequência de uma gestão pública orientada por evidências e focada no cidadão.

Em Niterói, essa estratégia vem sendo conduzida pela Secretaria Executiva por meio da Subsecretaria de Transformação Digital, estruturando uma agenda que integra projetos como o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), o Escritório de Dados, o SIGeo, o Gêmeo Digital, o Data Center Municipal, a ampliação da conectividade da administração pública e a implantação de uma arquitetura moderna de governança digital.

O objetivo é tornar a Prefeitura mais eficiente, transparente e preparada para oferecer serviços públicos de maior qualidade. Quando diferentes sistemas passam a conversar entre si, os dados deixam de ficar isolados e passam a gerar inteligência para mobilidade, segurança, planejamento urbano, saúde, educação e sustentabilidade. Essa integração é um dos pilares de uma cidade verdadeiramente inteligente.

A própria SBPC mostrou, na prática, como essa visão pode ser aplicada. A Prefeitura participou do evento com dois estandes que apresentaram iniciativas desenvolvidas por diversas secretarias municipais, demonstrando que inovação é uma política transversal.

A Secretaria Municipal de Saúde instalou um posto de vacinação dentro do evento, aproximando prevenção e acesso aos serviços públicos. A Educação levou experimentos científicos e atividades voltadas à popularização do conhecimento. A Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia apresentou as Plataformas Urbanas Digitais (PUDs), oferecendo experiências interativas que aproximaram a população das novas tecnologias. Além disso, um videocast produzido pela Prefeitura recebeu especialistas, pesquisadores e gestores para discutir temas como educação, saúde, ciência, tecnologia e inovação, ampliando o diálogo com a sociedade e fortalecendo a cultura da inovação.

Essas iniciativas mostram que o verdadeiro valor da tecnologia está em ampliar oportunidades, democratizar o acesso ao conhecimento e qualificar as políticas públicas.

O reconhecimento conquistado por Niterói nos últimos anos, figurando entre as cidades mais inteligentes do país, não é fruto de projetos isolados. É resultado de uma estratégia consistente que combina planejamento de longo prazo, transformação digital, sustentabilidade, inovação e boa articulação entre governo, universidades, setor produtivo e sociedade civil.

A experiência da SBPC deixa uma lição importante para todas as cidades brasileiras. O futuro urbano será cada vez mais definido pela capacidade de transformar conhecimento em políticas públicas, dados em decisões inteligentes e inovação em qualidade de vida.

É exatamente esse caminho que Niterói escolheu seguir: construir uma cidade onde ciência, tecnologia e gestão caminham juntas para melhorar a vida das pessoas. Porque cidades inteligentes não são aquelas que possuem mais tecnologia, mas aquelas que se utilizam dela para gerar desenvolvimento sustentável, inclusão e bem-estar para todos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Início do pedágio Free-Flow na Anchieta-Imigrantes é adiado; entenda

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Free flow: CNH do Brasil passa a exibir passagens e como pagar o pedágio eletrônico
Foto: Getty Image

Projeto do sistema eletrônico de cobrança foi alterado após revisão dos impactos sobre moradores e deslocamentos locais

O início da cobrança do pedágio eletrônico no Sistema Anchieta-Imigrantes foi adiado. Inicialmente previsto para entrar em operação neste sábado (1º), a nova data ainda não foi divulgada.

O governo de São Paulo decidiu rever o projeto antes da entrada em operação do sistema free flow, alterando a posição de um dos pórticos instalados na Rodovia dos Imigrantes.

Até que a mudança seja concluída, os motoristas continuarão pagando a tarifa de R$ 40,60 nas atuais praças de pedágio, enquanto a nova data para o início da cobrança eletrônica ainda depende da conclusão das adaptações.

Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o equipamento instalado na pista norte da Rodovia dos Imigrantes será transferido para a altura do km 38.

A alteração do pórtico na pista sentido São Paulo procura evitar impactos para moradores da região conhecida como Pós-Balsa, onde vivem comunidades rurais e aldeias indígenas que utilizam a Rodovia dos Imigrantes como principal ligação terrestre com o restante do município.

Com a mudança, o pórtico da Imigrantes no sentido litoral permanecerá no km 29, enquanto o equipamento da pista norte será instalado no km 38. Os dois pórticos da Via Anchieta continuam previstos para o km 33. Até que a operação comercial seja iniciada, todos os equipamentos permanecerão funcionando apenas para monitoramento do tráfego e validação dos sistemas.

Enquanto o novo modelo não entra em vigor, o sistema de pedágio continua funcionando exatamente como hoje. A tarifa de R$ 40,60 segue sendo cobrada apenas no sentido litoral, nas praças físicas da Via Anchieta, em Riacho Grande (km 31), e da Rodovia dos Imigrantes, em Piratininga (km 32).

Quando o Siga Fácil começar a operar, essa cobrança será dividida entre os dois sentidos da serra. Motoristas pagarão R$ 20,30 na descida e R$ 20,30 na subida. Motocicletas permanecerão isentas.

Quando entrar em vigor, os proprietários terão duas opções de pagamento. A primeira é utilizar tags eletrônicas para pagamento em tempo real, enquanto a outra é fazer o pagamento posterior. Após utilizar a rodovia, o motorista deve entrar no site da concessionária e regularizar os débitos.

Como determina a Deliberação 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o prazo para regularizar débitos de pedágios eletrônicos vale até 16 de novembro. Depois dessa data, deverá voltar a valer o prazo anterior, de 30 dias após a passagem pelos pórticos. O condutor que não realizar o pagamento pode ser multado por Evasão de Pedágio (Art 209 CTB) em R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Fonte: CNN Brasil

Tecnologia desenvolvida na USP pode evitar acidentes entre trens e plataformas do Metrô

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Tecnologia desenvolvida na USP pode evitar acidentes entre trens e plataformas do Metrô
Foto: Divulgação/Metrô de São Paulo

Sistema utiliza sensores ópticos para detectar passageiros ou objetos presos entre as portas, aumentando a segurança e reduzindo falhas dos métodos tradicionais

Uma nova tecnologia desenvolvida para monitorar a presença de passageiros ou objetos presos no vão entre as portas dos trens e das plataformas foi patenteada em convênio entre a USP e o Metrô de São Paulo. O sistema foi criado durante o mestrado de Marcos Diniz, colaborador da Engenharia de Manutenção do Metrô de São Paulo, sob orientação do professor Josemir Coelho Santos, coordenador do Laboratório de Sensores Ópticos (LSO) e docente do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas (PEA) da Escola Politécnica (Poli) da USP.

Diferentemente das soluções convencionais, que utilizam câmeras com processamento de imagens ou sensores infravermelhos, a nova tecnologia monitora diretamente a estrutura da porta por meio de sensores de fibra óptica. O sistema identifica a deformação provocada pelo peso de uma pessoa, animal ou objeto preso entre o trem e a plataforma.

Essa alteração é detectada por um sensor óptico de alta precisão, que envia um alerta ao sistema e impede a partida da composição até que a situação de risco seja resolvida. Segundo os pesquisadores, essa abordagem torna o sistema mais robusto e menos suscetível a interferências ambientais, como chuva e neblina, além de reduzir falhas provocadas por objetos que não representam risco.

Outro diferencial é o monitoramento de uma área considerada vulnerável e pouco coberta pelos sistemas tradicionais: o espaço sob as soleiras inclinadas das portas das plataformas, onde a detecção de obstáculos costuma ser mais difícil.

Como surgiu a parceria?

A parceria entre a Escola Politécnica da USP e o Metrô de São Paulo surgiu a partir de uma demanda da própria companhia. A pesquisa foi desenvolvida para solucionar uma vulnerabilidade identificada no sistema de segurança das portas das plataformas.

Atualmente a tecnologia está na fase de validação dos resultados obtidos em simulações computacionais. O próximo passo será a construção e a instalação de um protótipo em um módulo experimental cedido pelo Metrô de São Paulo, que reproduz as condições reais de uma plataforma. Nessa etapa, serão realizados testes para verificar se o sensor detecta corretamente a presença de pessoas ou objetos presos entre as portas.

Caso os resultados sejam satisfatórios, a tecnologia seguirá para testes em uma estação do Metrô e, posteriormente, poderá passar pelo processo de homologação e licenciamento para futura implantação no sistema metroviário.

Fonte: Jornal da USP | Marcos Diniz

‘Efeito China’: preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

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'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos
Crédito: Banco de imagem

Estudo aponta que a maior concorrência reduziu os reajustes e aumentou os descontos nas concessionárias. Juros altos e renda estagnada, porém, ainda dificultam a compra do zero km.

Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano.

Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior.

De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens.

💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo)

Margem para negociação

Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil.

A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados.

Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.

Fonte: G1

Efeito China

Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado.

Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem.

“Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo”, explica Martins.

Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos.

O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui.

O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor.

“Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada”, destaca o professor da FGV.

Carro mais barato não é fácil de comprar

Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos.

As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%.

“Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência”, avalia Martins, da FGV.

Fonte: G1

A relação entre o El Niño e a frente de rajada, fenômeno que causou ventos de mais de 120 km/h no Brasil

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Foto: Getty Images

Fortes ventos entre São Paulo e o Rio de Janeiro provocaram ao menos cinco mortes, apagões, quedas de árvores e interrupções em serviços essenciais na tarde de quarta-feira (29/07).

Rajadas de vento de mais de 120 km/h foram sentidas no interior de São Paulo, enquanto no Rio a ventania chegou a aproximadamente 100 km/h na capital e o Aeroporto Santos Dumont suspendeu pousos e decolagens durante o período de maior intensidade.

As fortes ventanias constituem um fenômeno conhecido na meteorologia como frente de rajada e foram consequência do grande contraste entre duas massas de ar com características muito diferentes.

O Sudeste enfrentava um período de calor e tempo seco quando uma frente fria começou a avançar pelo Sul do país. Associado a esse sistema, um volume de ar mais frio e úmido seguia em direção à região.

O intenso contraste térmico entre o ar muito quente e seco que predominava, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, com o ar frio e úmido trazido pela frente fria acelerou o ar, causando ventos muito fortes.

“Essa frente de rajada foi provocado pelo que se chama linha de instabilidade, uma linha de tempestades que se forma sobre a própria frente fria e depois começa a avançar mais rapidamente até se desprender dela”, explicou o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operaçãos e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“É como a rajadas de um dia de verão, quando temos pancadas de chuva, só que como as nuvens estão alinhadas em forma de linha de instabilidade, se forma uma frente de rajada.”

Antes da chegada do sistema, as temperaturas estavam elevadas em parte do Sudeste. Na cidade do Rio de Janeiro, a temperatura chegou a 35,8°C durante a tarde, em um dos dias mais quentes registrados para julho desde 2007, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

No litoral paulista, o calor também foi intenso. No Guarujá, a temperatura chegou a 34°C, e, em Santos, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo registrou 35,2°C.

“A diferença de temperatura causada pela frente fria vinda da Região Sul foi muito grande, algo como uma queda de 14 a 15 graus em pouco mais de uma hora”, aponta o meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Inmet, para explicar a força dos ventos.

Segundo o especialista, a intensidade das rajas já se normalizou à medida em que as massas de ar se equilibram, mas a frente fria está se movendo para o Espirítio Santo, que enfrenta ventos fortes nesta quinta-feira (30/07).

“Os ventos no Espírito Santo estão menos intensos, na faixa de 70 km/h, mas são causados pela mesma frente fria”, diz.

Marcelo Seluchi diz ainda que frentes de rajada são mais comuns em épocas de chuva. “Então podemos ter mais casos a partir de setembro”, afirma.

Qual a relação com o El Niño?

Segundo os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, é difícil traçar um paralelo direto entre os fortes ventos registrados em São Paulo e no Rio de Janeiro e o fenômeno El Niño, pois para fazer essa associação seriam necessários mais dados e estudos mais aprofundados.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação da atmosfera e pode influenciar os padrões de temperatura e chuva em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.

Mas de acordo com Seluchi, é possível traçar uma relação indireta.

Segundo o meteorologista do Cemaden, a frente fria que provocou a linha de instabilidade responsável pelos ventos estava estacionária por vários dias na Região Sul, provocando chuvas intensas, granizo, vendaval e outras situações de de severidade. Esse fenômeno, por sua vez, tem uma ligação direta com o El Niño.

“Não é que o El Niño provoque mais linhas de instabilidade ou mais frentes de rajadas, mas ele provoca uma estacionalidade maior das frentes frias na Região Sul que podem levar a situações de severidade, como linhas de instabilidade e rajadas de vento”, explica.

Francisco de Assis Diniz, do Inmet, explica ainda que o El Niño tende a intensificar os sistemas e, portanto, deixar as temperaturas mais extremas.

“O El Niño deixa as temperaturas mais quentes de maneira mais rápida. Mas estamos no inverno, com frente frias que continuam chegando, e quando elas encontram regiões bastante aquecidas temos o forte contraste de temperaturas que causa os ventos”, diz.

O meteorologista afirma ainda que os temporais fortes registrados na Região Sul recentemente e as tempestades em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, no último final de semana, também são sinais da intensificação dos sistemas provocadas pelo El Niño.

Também por isso, Marcelo Seluchi acredita que as chuvas podem se intensificar com o chegada da primavera, à medida em que El Niño também ficará mais intenso.

Ventos de 120km/h e suspensão de voos

No Rio de Janeiro, a ventania chegou a aproximadamente 100 km/h na capital e na Região Metropolitana. No Galeão, foram registrados ventos de 105 km/h durante a tarde.

A força das rajadas provocou interrupções no fornecimento de energia em bairros da cidade, afetou o funcionamento de trens e metrôs e levou ao fechamento temporário da Ponte Rio-Niterói.

O Aeroporto Santos Dumont suspendeu pousos e decolagens durante o período de maior intensidade das rajadas.

Duas pessoas morreram após a queda de um muro em Santa Teresa, na região central do Rio, segundo o Corpo de Bombeiros.

Em São Paulo, a Defesa Civil estadual emitiu durante a tarde um alerta severo para moradores da capital paulista e da Grande São Paulo devido ao risco de quedas de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia.

Os dois principais aeroportos da região também tiveram impactos. As rajadas de vento afetaram operações no Aeroporto de Congonhas e no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, com voos atrasados e alterações na programação.

No Estado, foram registradas rajadas superiores a 100 km/h, incluindo um pico de 124,9 km/h em Itaporanga, no interior paulista.

Tornado no Rio Grande do Sul

Enquanto a frente fria avançava em direção ao Sudeste, áreas da Região Sul enfrentaram um cenário de instabilidade associado a outro conjunto de fatores atmosféricos.

No Rio Grande do Sul, além das chuvas intensas e rajadas de vento, um tornado foi registrado na noite de terça-feira (28/7) nas cidades de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste do Estado. Quatro pessoas ficaram feridas e dezenas de casas foram afetadas.

De acordo com a MetSul Meteorologia, o vento pode ter chegado até 300 km/h.

A passagem do tornado também interrompeu o fornecimento de energia elétrica e bloqueou estradas com árvores e destroços.

Imagens registradas após o fenômeno mostram um cenário de devastação, com bairros inteiros atingidos, casas totalmente destruídas, paredes derrubadas, árvores e postes caídos em diversos locais.

Segundo a Defesa Civil do estado, o tornado foi causado por uma supercélula — um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória.

“Supercélulas comumente causam granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas, e em algumas ocasiões tornados.”

Diferentemente das rajadas de vento associadas à passagem de uma frente fria, o tornado é um fenômeno localizado, formado por uma intensa rotação do ar dentro de tempestades de grande desenvolvimento vertical, como as supercélulas.

Com o deslocamento da frente fria em direção ao Sudeste, a tendência é de redução gradual das instabilidades no Estado e entrada de uma massa de ar mais seco, favorecendo a melhora do tempo.

Fonte: BBC News

Saneamento regional ganha força após concessão de grandes projetos

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Saneamento regional ganha força após concessão de grandes projetos
Foto: Gilberto Sousa / CNI

Após a realização dos principais leilões esperados pelo setor em 2026, municípios ganham espaço como “motor” de pipeline nacional

A realização dos principais leilões de saneamento do calendário nacional para 2026 abriu espaço a concessão de projetos regionais, como os de Lavras (MG), Erechim (RS) e Tangará da Serra (MT)

Em Erechim, a concessão tem capex estimado de R$ 637,5 milhões ao longo de 30 anos de contrato e deve ir a mercado no terceiro trimestre deste ano. A modelagem determina o menor valor de tarifa cobrada em relação à concessionária atual. Entre as empresas que apresentaram propostas estão o Consórcio Erechim Saneamento e a Aegea.

O primeiro avanço do saneamento regional se deu no início de julho. A cidade de Timbó, em Santa Catarina, realizou o leilão para concessão dos serviços de abastecimento de água e esgoto do município.

A concessão foi arrematada pela estatal Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), que reassumiu a gestão na cidade depois de 24 anos ao apresentar o maior valor de outorga, de R$ 60 milhões. O contrato tem duração de 35 anos e R$ 1,95 bi em investimentos para a manutenção e ampliação dos sistemas de abastecimento de água e esgoto.

Municípios são o “grande motor” do pipeline

Segundo um levantamento da Radar PPP, os municípios são o “grande motor” do pipeline nacional no momento, alcançando cerca de 1.444 projetos desde 2023. Nos estados, esse número é de 118, enquanto no caso da União são 17 projetos feitos em quase quatro anos.

O “Radar de Projetos” informa que o Brasil conta com 1.785 projetos em saneamento, divididos em diversos estágios de maturação. Destes, 78 possuem maior probabilidade de se reverterem em contratos assinados nos próximos meses.

Veja abaixo a relação:

Fonte: Reprodução Radar PPP

Ao considerar apenas os projetos municipais, a maioria deles está concentrada em cidades com mais de 100 mil habitantes, que contam com 576 projetos.

Em seguida, são 546 projetos nos municípios de até 20 mil habitantes, 408 com população entre 20.001 e 50 mil, e 255 em cidades de 50.0001 a 100 mil.

Nas menores cidades, de até 20 mil habitantes, 12 projetos se destacam e possuem perspectiva de assinatura de contrato nos próximos meses, por já estarem em fases mais avançadas de estruturação, segundo o Radar PPP.

Estados X Municípios

Para o advogado Fernando Vernalha, especialista no setor de saneamento e sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira, os estados devem liderar a organização dos blocos, porque conseguem desenhar os agrupamentos de maneira mais estruturada, reunindo municípios com diferentes capacidades de geração de receita.

Em entrevista à CNN, ele afirmou que não há impedimento jurídico ou constitucional para que um município realize uma concessão local, mas alertou para a falta de liderança dos estados.

“Minha crítica é dirigida principalmente aos estados, porque são eles que possuem maior capacidade institucional e legislativa para liderar a criação das estruturas de regionalização e organizar as relações entre os municípios” Fernando Vernalha, advogado e especialista na estruturação de projetos de concessão e PPPs

“Em muitos casos, os estados não implementam uma estrutura de regionalização nem organizam uma política estadual de delegação dos serviços à iniciativa privada (…) diante dessa ausência, os municípios acabam tomando a iniciativa”, disse.

“Não podemos censurar os municípios que fazem concessões locais quando não há uma regionalização efetivamente implantada. Eles estão exercendo um direito e buscando melhorar a prestação dos serviços para os usuários daquele território”, completou.

Ainda segundo Vernalha, o problema se torna mais grave quando municípios com maior potencial de geração de receita realizam concessões isoladas. Dessa forma, se essas cidades realizarem suas concessões separadamente, faltará receita para subsidiar aquelas com menor densidade populacional e menor capacidade econômica.

“Em geral, são capitais e cidades mais densamente povoadas ou em regiões com maior concentração de renda, nas quais a operação de saneamento tende a ser superavitária”, ponderou.

Fonte: CNN Brasil

Cidades inteligentes são construídas com planejamento, colaboração e propósito

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Cidades inteligentes são construídas com planejamento, colaboração e propósito
Foto: Divulgação

Criciúma recebeu a Reunião Estratégica Regional do Connected Smart Cities (CSC), encontro que reuniu gestores públicos, especialistas, empresas, instituições financeiras, organizações sociais, universidades e representantes do ecossistema de inovação para discutir os desafios e os caminhos para o desenvolvimento inteligente e sustentável das cidades.

Com o tema “Indústria, Inovação e Desenvolvimento Regional”, o evento proporcionou um espaço de aproximação entre diferentes setores que participam da transformação dos territórios. Mais do que apresentar tecnologias, a proposta foi promover diálogos sobre os problemas concretos enfrentados pelos municípios e sobre as condições necessárias para transformar ideias em projetos viáveis e resultados para a população.

As Reuniões Estratégicas Regionais integram o movimento promovido pela Plataforma CSC, que busca aproximar os atores envolvidos no desenvolvimento urbano, considerar as particularidades de cada região e estimular a construção colaborativa de soluções.

A escolha de Criciúma para sediar o encontro demonstra a relevância econômica, institucional e regional do município. Com uma base produtiva diversificada e uma posição de centralidade no Sul de Santa Catarina, a cidade reúne características que favorecem o debate sobre inovação, industrialização, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

Entretanto, receber um evento dessa natureza representa mais do que o reconhecimento de avanços já realizados. Significa, sobretudo, aceitar a responsabilidade de apresentar com transparência os desafios que ainda precisam ser enfrentados.

Uma cidade inteligente começa pela compreensão dos seus problemas

Antes da programação aberta ao público, foi realizada uma reunião mais reservada entre representantes do Município de Criciúma e parceiros da Plataforma CSC. O objetivo desse momento não foi apresentar apenas as conquistas da cidade, mas compartilhar suas principais dores e estabelecer um diálogo direto com empresas, especialistas e instituições capazes de contribuir para a construção de soluções.

Esse formato é importante porque a inovação pública não deve começar pela escolha de uma tecnologia. Ela precisa começar pela correta compreensão do problema.

Muitas administrações ainda são abordadas por fornecedores que apresentam plataformas, equipamentos e sistemas antes mesmo de conhecerem adequadamente a realidade local. Quando isso acontece, existe o risco de a solução determinar o problema, quando deveria ocorrer justamente o contrário.

Uma cidade não se torna inteligente por acumular sensores, câmeras, aplicativos, painéis ou sistemas. Ela se torna inteligente quando desenvolve capacidade institucional para identificar problemas, utilizar informações, integrar políticas públicas, tomar decisões fundamentadas e avaliar resultados.

Na reunião, foram abordados desafios relacionados à integração de dados e sistemas, mobilidade regional, infraestrutura urbana, sustentabilidade, eficiência energética, transformação digital, simplificação dos serviços públicos e inclusão digital.

São questões que não podem ser solucionadas isoladamente por uma única secretaria, empresa ou instituição. Exigem articulação entre o poder público, o setor produtivo, as universidades, os centros de pesquisa, as organizações sociais e a sociedade.

Planejamento estratégico como instrumento de transformação

Após a abertura oficial do evento para toda a comunidade, tivemos a oportunidade de apresentar o Planejamento Estratégico de Criciúma para o período de 2025 a 2028.

O planejamento foi estruturado em cinco grandes eixos, 24 programas e aproximadamente 270 projetos. Esse conjunto contempla áreas como saúde, educação, assistência social, infraestrutura, mobilidade, desenvolvimento econômico, sustentabilidade, modernização administrativa, transparência, transformação digital e participação social.

Mais importante do que a quantidade de projetos é a lógica de gestão construída em torno deles.

Cada iniciativa precisa estar relacionada a um objetivo estratégico, possuir responsáveis, prazos, indicadores, fontes de recursos e resultados esperados. Essa estrutura permite que o planejamento deixe de ser um documento formal e passe a orientar efetivamente as decisões da administração.

Também foram definidos critérios para priorizar os projetos mais relevantes, considerando aspectos como impacto social, disponibilidade financeira, urgência, alinhamento estratégico, capacidade de atendimento e contribuição ambiental.

Planejar é, necessariamente, fazer escolhas.

Uma administração pública sempre enfrentará uma quantidade de demandas superior à sua capacidade financeira, técnica e operacional. Sem critérios claros, as prioridades podem ser definidas apenas pelas urgências do momento, pelas pressões setoriais ou pela capacidade de determinados grupos de reivindicarem seus interesses.

O planejamento estratégico ajuda a substituir a lógica da reação pela lógica da direção.

Ele não elimina os imprevistos, mas permite que o governo esteja mais preparado para enfrentá-los sem abandonar seus objetivos de longo prazo.

Três painéis, diferentes dimensões da transformação urbana

A programação do evento foi organizada em três painéis temáticos. Embora tenham tratado de assuntos distintos, os debates demonstraram que a construção de cidades inteligentes depende da combinação entre capacidade financeira, inovação social, planejamento urbano e responsabilidade ambiental.

  1. Captação de recursos e estruturação de projetos

O primeiro painel abordou a captação de recursos e a estruturação de projetos como caminhos para viabilizar soluções estratégicas nos municípios.

Participaram do debate Caroline Brunel Matias, gestora de Convênios da Prefeitura de Criciúma; Carolina Benitez, especialista em Projetos do FONPLATA; Joab Barbosa de Azevedo, CEO da MDC Consultoria; e Leonardo Luiz dos Santos, presidente do Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades, o IPGC. A moderação foi conduzida pelo prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola.

A discussão evidenciou um desafio recorrente na gestão pública: muitas cidades conhecem suas necessidades, mas ainda encontram dificuldades para transformar essas necessidades em projetos tecnicamente estruturados, financeiramente viáveis e capazes de atrair recursos.

A captação não começa somente quando um edital ou uma linha de financiamento é publicada. Ela começa antes, na capacidade do município de identificar prioridades, elaborar diagnósticos, estimar custos, avaliar riscos, demonstrar impactos e organizar projetos com maturidade técnica suficiente para serem apresentados a instituições financiadoras.

Nesse contexto, os bancos de fomento exercem um papel importante, especialmente no financiamento de projetos estruturantes que dificilmente seriam executados apenas com os recursos ordinários dos municípios.

Também foram discutidas as Parcerias Público-Privadas, as PPPs, como alternativas para viabilizar investimentos em áreas que exigem maior capacidade financeira, conhecimento especializado e planejamento de longo prazo.

No entanto, uma PPP não deve ser compreendida como uma simples transferência de responsabilidades ao setor privado. Trata-se de uma modelagem complexa, que precisa demonstrar interesse público, viabilidade econômica, segurança jurídica, adequada distribuição de riscos e capacidade de fiscalização pelo poder público.

O painel reforçou, portanto, que captar recursos não significa apenas encontrar dinheiro. Significa criar projetos consistentes, fundamentados em dados e alinhados às prioridades estratégicas da cidade.

Sem bons projetos, mesmo quando existem recursos disponíveis, os municípios podem não conseguir acessá-los. E, sem planejamento, existe o risco de captar recursos para iniciativas que não dialogam com as necessidades mais importantes do território.

2. Economia de impacto, inovação social e inclusão

O segundo painel discutiu a economia de impacto e a inovação social como vetores de cidades inteligentes e inclusivas.

Participaram Shirlei Monteiro, diretora da Associação Beneficente Abadeus; Raquel Cardamone, CEO e cofundadora da Bright Cities; Caio Zucchinali, head de Ecossistemas de Inovação e Inovação em Governo da Companhia de Impacto; e Dudi Sônego, secretária municipal de Assistência Social e Habitação. A moderação foi realizada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços de Criciúma, Thiago Rocha Fabris.

O debate ampliou a compreensão de que inovação não está restrita ao desenvolvimento tecnológico. Ela também pode estar presente em novas formas de enfrentar vulnerabilidades, promover inclusão, fortalecer comunidades e melhorar a qualidade de vida.

A economia de impacto procura conciliar sustentabilidade financeira com a geração de benefícios sociais e ambientais mensuráveis. Em vez de avaliar uma iniciativa apenas pelo retorno econômico, essa perspectiva também considera sua capacidade de produzir transformações positivas nos territórios.

Essa abordagem é especialmente relevante para os municípios, onde problemas sociais complexos exigem soluções integradas e construídas com a participação de diferentes atores.

O enfrentamento da pobreza, da exclusão, da desigualdade territorial e da falta de oportunidades não depende exclusivamente da ampliação de benefícios ou serviços. Exige compreender as causas das vulnerabilidades, acompanhar trajetórias familiares e criar condições para autonomia, desenvolvimento e inclusão produtiva.

O painel também trouxe uma reflexão importante sobre os indicadores utilizados para avaliar o desenvolvimento das cidades.

Os indicadores econômicos tradicionais continuam sendo relevantes, mas não são suficientes para demonstrar a qualidade de vida da população. Uma cidade pode apresentar crescimento econômico sem que os benefícios desse crescimento sejam distribuídos de maneira equilibrada entre os territórios e os grupos sociais.

Por isso, é necessário utilizar indicadores ampliados, capazes de considerar dimensões como bem-estar, inclusão, acesso a serviços, segurança, saúde, educação, oportunidades, sustentabilidade e participação social.

Uma cidade inteligente não pode ser avaliada apenas por sua infraestrutura tecnológica. Deve ser observada também pela capacidade de incluir as pessoas que historicamente permaneceram à margem dos processos de desenvolvimento.

Nesse sentido, a inovação social não é um elemento complementar da cidade inteligente. É parte essencial de sua construção.

3. Sustentabilidade e resiliência climática

O terceiro painel teve como tema a sustentabilidade e a resiliência climática como pilares para cidades inteligentes e preparadas para o futuro.

Participaram Camila Lapolli de Moraes, juíza federal substituta da 4ª Vara Federal; Márcio Zanuz, diretor financeiro do Centro Tecnológico SATC; Jóri Ramos, coordenador do Labs Cidades do Iparque; e João Paulo Casagrande, secretário de Infraestrutura e Obras de Criciúma. A moderação foi conduzida pela vereadora Anequésselen Fortunato.

O debate demonstrou que os efeitos das mudanças climáticas já não podem ser tratados como uma preocupação distante ou exclusivamente ambiental.

Eventos extremos, alterações nos regimes de chuva, alagamentos, deslizamentos, ondas de calor e impactos sobre a infraestrutura afetam diretamente a prestação de serviços, o orçamento público, a atividade econômica e a segurança da população.

Nesse cenário, a resiliência representa a capacidade de uma cidade de se preparar, resistir, responder e se recuperar diante de crises e eventos adversos.

Construir resiliência exige planejamento urbano, conhecimento territorial, monitoramento de riscos, infraestrutura adequada, responsabilidade institucional e integração entre os órgãos públicos.

Também exige que as decisões tomadas hoje considerem cenários futuros.

Uma obra pública não pode ser planejada somente para atender às condições atuais. Precisa considerar as transformações ambientais, urbanas e demográficas que podem ocorrer durante sua vida útil.

A sustentabilidade, portanto, não deve aparecer apenas como um capítulo isolado do planejamento. Ela precisa ser incorporada às decisões de infraestrutura, mobilidade, habitação, desenvolvimento econômico, energia e ocupação territorial.

Para Criciúma, essa reflexão possui um significado especial. A cidade mantém uma relação histórica com a mineração, atividade que contribuiu para seu desenvolvimento econômico, mas que também deixou passivos ambientais ainda presentes no território.

Essa trajetória impõe o desafio de construir um novo ciclo de desenvolvimento, combinando recuperação ambiental, transição energética, inovação industrial, eficiência no uso dos recursos e preparação para os efeitos das mudanças climáticas.

Cidades inteligentes precisam ser humanas

Durante muito tempo, o conceito de cidade inteligente esteve excessivamente associado à tecnologia. Criou-se a impressão de que uma cidade seria mais inteligente à medida que aumentasse a quantidade de equipamentos conectados ou serviços digitais disponíveis.

A tecnologia é indispensável, mas não pode ser o centro da estratégia.

O verdadeiro centro deve ser a pessoa.

Uma cidade inteligente é aquela que utiliza tecnologia, planejamento, informação e inovação para melhorar concretamente a qualidade de vida da população. Isso significa reduzir o tempo de espera por um serviço, tornar o transporte mais eficiente, ampliar a segurança, prevenir desastres, economizar recursos públicos, proteger o meio ambiente e facilitar a relação entre o cidadão e o governo.

Também significa reconhecer que a transformação digital pode produzir novas desigualdades quando não é acompanhada por políticas de inclusão.

Digitalizar um serviço não é suficiente quando parte da população não possui conectividade, equipamentos ou conhecimento para acessá-lo. Por isso, a cidade inteligente precisa ser simultaneamente digital e inclusiva.

Ser uma cidade inteligente também não significa negar sua história. Significa aprender com ela e utilizar esse aprendizado para construir um futuro mais equilibrado.

Resultados e oportunidades para Criciúma

A realização da Reunião Estratégica Regional produziu resultados relevantes para Criciúma.

O primeiro foi a possibilidade de apresentar os desafios municipais diretamente a parceiros que trabalham com soluções para cidades inteligentes. Essa aproximação contribui para que futuras propostas estejam mais alinhadas às necessidades reais da administração e da população.

O segundo resultado foi a ampliação das conexões institucionais. A transformação urbana depende de redes de cooperação. Governos precisam dialogar com empresas, universidades, organizações sociais, instituições financeiras e outros municípios para compartilhar experiências, reduzir riscos e acelerar a implementação de boas práticas.

O terceiro foi a oportunidade de apresentar o modelo de planejamento adotado pelo município. Demonstrar que a cidade possui objetivos, programas, projetos e prioridades organizadas aumenta sua capacidade de atrair parceiros, investimentos e soluções compatíveis com sua estratégia.

Os painéis também permitiram identificar caminhos concretos para o avanço dos projetos municipais.

O debate sobre captação de recursos mostrou a importância de fortalecer a estruturação técnica dos projetos e de aproximar o município de bancos de fomento e instituições especializadas em modelagens financeiras.

A discussão sobre economia de impacto reforçou que o desenvolvimento precisa ser medido também por sua capacidade de reduzir desigualdades, ampliar oportunidades e gerar bem-estar.

O painel sobre sustentabilidade e resiliência climática destacou a necessidade de incorporar riscos ambientais e cenários futuros às decisões de planejamento, infraestrutura e ocupação urbana.

Também foi possível reforçar a agenda de governança e integração de dados.

Atualmente, as diferentes áreas da administração municipal produzem uma grande quantidade de informações. Saúde, educação, assistência social, arrecadação, mobilidade, infraestrutura e segurança possuem bases que, quando analisadas isoladamente, oferecem uma visão limitada da realidade.

O próximo salto de maturidade está em integrar essas informações.

Ao relacionar dados de diferentes políticas públicas, o município passa a compreender melhor os territórios, identificar vulnerabilidades, antecipar demandas e direcionar recursos de maneira mais eficiente.

Esse processo exige tecnologia, mas também governança. É necessário definir padrões, responsabilidades, critérios de acesso, qualidade das informações, proteção de dados e mecanismos de tomada de decisão.

Leia mais: Parque da Mobilidade Urbana assume curadoria de mobilidade no Rio Innovation Week

As principais lições do encontro

A primeira lição é que a inovação não nasce de respostas prontas, mas de perguntas bem formuladas.

Antes de buscar uma solução, o poder público precisa compreender a causa do problema, quem é afetado, quais dados estão disponíveis e quais resultados pretende alcançar.

A segunda é que uma boa ideia somente se transforma em política pública quando existe capacidade para estruturá-la, financiá-la, executá-la e monitorá-la.

Os municípios precisam ampliar sua maturidade na elaboração de projetos. Quanto mais qualificado for o projeto, maiores serão as possibilidades de acessar recursos, atrair parceiros e reduzir os riscos de execução.

A terceira lição é que nenhuma tecnologia substitui a capacidade de gestão.

Um sistema sofisticado pode fracassar quando os processos são inadequados, as responsabilidades não estão claras ou as equipes não foram preparadas. Por outro lado, uma administração organizada consegue gerar bons resultados mesmo começando com ferramentas mais simples.

A quarta é que cidades inteligentes precisam ser inclusivas.

O desenvolvimento não pode ser medido apenas pelo crescimento econômico, pela infraestrutura implantada ou pela quantidade de serviços digitais. É necessário avaliar quem está sendo beneficiado, quais desigualdades permanecem e como as políticas públicas estão modificando a vida das pessoas.

A quinta lição é que sustentabilidade e resiliência devem orientar todas as políticas urbanas.

Não basta reagir aos eventos climáticos depois que eles acontecem. É necessário antecipar riscos, adaptar a infraestrutura, conhecer o território e preparar as instituições para cenários cada vez mais desafiadores.

A sexta é que cidades inteligentes são construídas de maneira colaborativa.

Os desafios urbanos atravessam fronteiras administrativas e institucionais. Mobilidade, saúde, meio ambiente, segurança e desenvolvimento econômico possuem dimensões regionais e precisam ser tratados com integração.

Por fim, planejamento e inovação devem caminhar juntos.

Inovar sem planejamento pode gerar projetos isolados, desperdício de recursos e dependência tecnológica. Planejar sem inovação pode manter estruturas que já não respondem adequadamente às necessidades contemporâneas.

O encontro reforçou que o principal indicador de inteligência de uma cidade não está na quantidade de tecnologias que ela possui, mas na capacidade de transformar conhecimento em decisões e decisões em resultados para a população.

Criciúma conhece seus desafios, possui uma direção estratégica e está aberta à cooperação.

Nosso compromisso deve ser utilizar planejamento, dados, inovação, inclusão e sustentabilidade não como conceitos abstratos, mas como instrumentos para construir uma cidade mais eficiente, humana e preparada para o futuro.

Afinal, uma cidade verdadeiramente inteligente não é aquela que apenas incorpora novas tecnologias. É aquela que aprende continuamente, compreende sua realidade, reúne diferentes capacidades e transforma esse conhecimento em uma vida melhor para as pessoas.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC.

Como centenas de conversas privadas com chat de IA Claude acabaram disponíveis publicamente

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Foto: Qilai Shen/Bloomberg

Centenas de conversas de usuários com o popular chatbot de inteligência artificial (IA) da Anthropic, Claude, foram encontrados abertos para praticamente qualquer pessoa online.

Os links para os chats, alguns dos quais incluíam informações pessoais e profissionais, apareciam se um usuário de um mecanismo de busca como o Google usasse um termo de pesquisa específico do site.

As buscas mostraram que conversas do Claude, nas quais um usuário havia decidido “compartilhar” um link, foram salvas por mecanismos de busca como o Google, tornando-as acessíveis ao público em geral.

A possibilidade de pesquisar os registros de bate-papo foi removida durante o fim de semana, mas muitos foram salvos e amplamente compartilhados online.

Uma porta-voz da Anthropic afirmou que os usuários do Claude mantêm o controle sobre se e quando compartilhar as conversas que tiveram com o chatbot.

Ela disse que os links para as conversas “não eram previsíveis ou detectáveis, a menos que as pessoas optassem por compartilhá-los por conta própria”.

“Quando alguém compartilha uma conversa, está tornando esse conteúdo publicamente acessível e, como outros conteúdos públicos da web, ele pode ser arquivado por serviços de terceiros”, acrescentou a porta-voz.

A opção de compartilhamento do Claude informa ao usuário que “qualquer pessoa com o link” pode visualizar o conteúdo, mas não afirma explicitamente que o link pode acabar nos resultados de pesquisa no Google.

Usuários do Reddit descobriram inicialmente os chats disponíveis publicamente, que abrangiam mais de 200 conversas com o Claude em pelo menos 25 páginas de resultados de pesquisa — algumas ocorridas há apenas algumas semanas.

Nas conversas, os usuários solicitaram que o chatbot respondesse a uma ampla gama de tópicos.

Em uma conversa de abril, um usuário pediu ao chat que redigisse uma postagem de blog inédita sobre segurança na nuvem, incluindo detalhes de um projeto corporativo. Em outra, do mês passado, um usuário perguntou ao Claude como “se tornar a Raposa de Nove Caudas?”, antes de esclarecer que queria se transformar literalmente de humano na criatura.

O Claude primeiro tentou mostrar ao usuário uma imagem gerada por IA, alegando que ele havia recebido “poderes de raposa totalmente funcionais!”.

Outras conversas com o Claude incluíram usuários buscando ajuda com seus currículos, incluindo nomes, informações de contato e histórico profissional. Alguns usuários chegaram a realizar o que parecia ser pesquisa confidencial para seus trabalhos, como na área da saúde, incluindo transcrições de conversas privadas.

Quando a OpenAI enfrentou, no ano passado, um problema quase idêntico com a disponibilização pública dos registros de bate-papo do ChatGPT, a empresa acabou alterando a forma como esses registros eram acessados.

O Grok, o chatbot de IA do X, plataforma social pertencente a Elon Musk, também teve centenas de milhares de registros de bate-papo disponibilizados publicamente no ano passado por meio de buscas online.

Um porta-voz do Google esclareceu à BBC que a empresa não controla “quais páginas são tornadas públicas na web”, afirmando que essa ação parte dos próprios sites.

“Oferecemos aos proprietários de sites controles claros para que decidam se as páginas podem ser rastreadas ou indexadas, e sempre respeitamos essas diretrizes.”

Como a indexação dos registros de bate-papo não está mais ocorrendo nos resultados de busca, é provável que a Anthropic tenha usado ferramentas disponíveis para bloquear rapidamente os links dos registros de bate-papo nos resultados de pesquisa.

O processo do Google para que um proprietário de site bloqueie um link é simples, mas deve ser iniciado pelo próprio proprietário do site.

Outros mecanismos de busca, como Bing, Brave e DuckDuckGo, nos quais os registros de bate-papo do Claude também apareceram, foram contatados para comentar, mas não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.

Fonte: BBC News