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ABES abre inscrições para Pitch Challenge de soluções para cidades inteligentes e gestão pública

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ABES abre inscrições para Pitch Challenge de soluções para cidades inteligentes e gestão pública
Foto: Divulgação

Iniciativa integra a programação do Cidade CSC 2026 e busca dar visibilidade a projetos inovadores nas áreas de GovTech, Cidades Inteligentes e Tecnologias Transversais

São Paulo, setembro de 2026 – A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) está com inscrições abertas para o Pitch Challenge ABES / CSC 2026, iniciativa voltada a empresas e startups que desenvolvem soluções tecnológicas capazes de contribuir para a modernização da gestão pública e para o desenvolvimento de cidades mais inteligentes, eficientes e conectadas.

Realizado em parceria com o Cidade CSC 2026, o desafio busca aproximar o ecossistema brasileiro de tecnologia dos desafios enfrentados pelo setor público, criando um espaço para apresentação de projetos com potencial de aplicação em diferentes áreas da administração e dos serviços oferecidos à população. As inscrições seguem abertas até 17 de outubro e podem participar associados da ABES e expositores do Cidade CSC 2026, incluindo startups e empresas que desenvolvam soluções com impacto público. Os projetos serão divididos em três categorias: GovTech, Cidades Inteligentes e Tecnologias Transversais.

Os participantes selecionados apresentarão seus projetos em formato de pitch durante o Cidade CSC 2026, realizado entre os dias 16 e 18 de novembro, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reúne representantes do poder público, empresas de tecnologia, especialistas e diferentes atores envolvidos na transformação digital das cidades.

Tecnologia como instrumento de transformação das cidades

A evolução das GovTechs e das iniciativas de cidades inteligentes amplia as possibilidades de utilização da tecnologia para enfrentar desafios históricos dos municípios e da administração pública. Mais do que digitalizar processos existentes, esse movimento envolve utilizar dados, conectividade, inteligência artificial e outras tecnologias para melhorar a tomada de decisão, aumentar a eficiência da gestão e aprimorar a prestação de serviços à população.

Áreas como mobilidade urbana, saúde, educação, segurança, sustentabilidade, infraestrutura, atendimento ao cidadão e gestão de recursos públicos estão entre aquelas que podem se beneficiar de soluções digitais. Ao mesmo tempo, o avanço desse mercado cria oportunidades para que empresas brasileiras de tecnologia desenvolvam produtos e modelos capazes de atender às particularidades da administração pública e das cidades do país.

Para Jamile Sabatini-Marques, diretora de Inovação e Fomento da ABES, aproximar empresas de tecnologia e gestores públicos é a chave para transformar inovação em soluções efetivamente aplicáveis às necessidades da sociedade. “O Brasil possui um ecossistema de tecnologia extremamente diverso e capaz de desenvolver soluções para muitos dos desafios enfrentados diariamente pelas cidades e pela administração pública. O Pitch Challenge cria uma oportunidade para aproximar essa capacidade de inovação das demandas concretas do setor público, dando visibilidade a projetos que podem gerar eficiência, melhorar serviços e produzir impacto positivo para a população”, afirma.

Segundo a executiva, a transformação digital do setor público também depende da construção de um ambiente que estimule a colaboração entre diferentes agentes. “Quando conectamos empresas, startups, gestores públicos e especialistas, ampliamos as possibilidades de transformar boas ideias em soluções que possam ser implementadas e escaladas. É esse diálogo entre tecnologia, gestão e necessidades reais da sociedade que queremos estimular”, complementa.

A iniciativa amplia a conexão entre empresas de tecnologia e o setor público, abrindo espaço para que soluções desenvolvidas no país ganhem visibilidade e encontrem oportunidades concretas de aplicação nos desafios das cidades e da gestão pública.

Serviço | Pitch Challenge ABES / CSC 2026

Inscrições: 11 de agosto a 17 de outubro de 2026

Quem pode participar: associados da ABES e expositores do Cidade CSC 2026, incluindo startups e empresas com soluções de impacto para o setor público

Categorias: GovTech, Cidades Inteligentes e Tecnologias Transversais

Pitches: 17 de novembro de 2026, durante o Cidade CSC 2026

Local: Expo Center Norte – São Paulo (SP)

Inscrições: Site oficial

Sobre a ABES

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) nasceu com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil mais digital e menos desigual, onde a tecnologia desempenha um papel fundamental na democratização do conhecimento e na criação de novas oportunidades para todos. Ao longo de quatro décadas, a associação ajudou a estruturar o ambiente digital do país, atuando de forma consistente no desenvolvimento de todo o ecossistema tecnológico. Com esse legado de 40 anos, a ABES projeta o futuro reafirmando seu protagonismo para liderar os próximos passos da transformação digital.

Hoje, a ABES vai muito além de uma associação tradicional: somos uma comunidade moderna e próxima, que conecta, orienta, protege, desenvolve e inspira o setor de tecnologia no Brasil. Nosso compromisso diário é assegurar um ambiente de negócios ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente, entregando sempre mais valor, mais conteúdo, mais oportunidades e mais resultados que geram impacto real para quem transforma o país por meio da inovação.

Atualmente, a ABES representa cerca de 2.000 empresas distribuídas por todo o território nacional, que concentram aproximadamente 80% do faturamento do mercado de tecnologia e serviços no Brasil e são responsáveis pela geração de mais de 260 mil empregos diretos. De acordo com dados da IDC analisados pela ABES, o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação movimentou US$ 67,8 bilhões, mantendo o país na 10ª posição no ranking global de investimentos em TI e consolidando a liderança absoluta na América Latina, com 38,4% de participação regional.

TCU dá 60 dias para plano de continuidade após fim do contrato da Enel SP

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TCU dá 60 dias para plano de continuidade após fim do contrato da Enel SP
Imagem mostra sede da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, em Brasília. Foto: CNN/Reprodução

Ministério de Minas e Energia e Aneel deverão detalhar ações para manter o fornecimento em 24 municípios; tribunal também pede análise dos impactos de uma eventual caducidade

O plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) acolheu a recomendação da área técnica para que o MME (Ministério de Minas e Energia), e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica, avalie os possíveis impactos de uma eventual caducidade da concessão da Enel São Paulo.

O estudo deverá examinar os efeitos da troca de distribuidora sobre a continuidade do serviço e os consumidores, além de demonstrar se a medida traria benefício em comparação com outras alternativas.

O MME e a Aneel terão 60 dias para apresentar um cronograma detalhado das ações necessárias para garantir o fornecimento de energia nos 24 municípios atendidos pela Enel, incluindo a capital, após o fim do contrato atual, que vence em 2028.

A relatoria foi do ministro Augusto Nardes. A decisão autorizou ainda a abertura de auditoria operacional e a realização de novas inspeções a cargo da AudElétrica.

A decisão foi tomada em um processo no qual o TCU acompanha as providências do governo federal desde o apagão de novembro de 2023.

A Enel passou a enfrentar maior pressão após apagões em 2023, 2024 e 2025 que deixaram milhões de consumidores da Grande São Paulo sem energia por períodos prolongados.

Ao apontar falhas no atendimento emergencial e nos planos de contingência, a Aneel abriu, em abril de 2026, um processo que pode levar à recomendação de caducidade ao MME.

O processo que pode levar a perda de concessão está em análise na Aneel sob relatoria da diretora Agnes da Costa. Caso a diretoria colegiada faça a recomendação, a decisão sobre a perda ou não da concessão será no Ministério de Minas e Energia.

Já a empresa tem dito que o processo que corre na agência e pode levar a caducidade é “desproporcional”, além de questionar os critérios utilizados pela reguladora ao longo do processo.

Fonte: CNN Brasil

Prêmio Connected Smart Cities Anuncia os nove finalistas 12ª edição

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Prêmio Connected Smart Cities Anuncia os nove finalistas 12ª edição
Foto: Divulgação

Com crescimento de mais de 30% nas inscrições, edição de 2026 bate recorde de participação e leva soluções de seis estados à etapa final em São Paulo

São Paulo, setembro de 2026 — O Prêmio Connected Smart Cities, realizado pela Necta e pela Neurônio Ativação de Negócios e Causas, anuncia os nove finalistas da sua 12ª edição. Os selecionados se apresentarão no dia 18 de novembro de 2026, durante o evento nacional Connected Smart Cities & Mobility, em São Paulo.

A edição de 2026 registrou mais de 150 inscrições — o maior número em 12 anos de história do Prêmio e um crescimento superior a 30% em relação ao ano anterior. O resultado reforça a consolidação do Prêmio como uma das principais plataformas de reconhecimento de negócios e soluções voltados ao desenvolvimento de cidades mais inteligentes no Brasil.

“Nesta 12ª edição, atingimos o maior número de participações da história do Prêmio. Mesmo com a descontinuidade de uma das categorias existentes no ano passado, vimos a participação crescer em todas as três categorias restantes. Isso mostra que o Prêmio Connected Smart Cities, em conjunto com o evento nacional, se consolidou como uma oportunidade real para empresas e gestores públicos que desejam evidenciar seus projetos diante de um público qualificado e alinhado à sua atuação”, afirma Bruno Asp, coordenador do Prêmio pela Neurônio.

Os finalistas

Os nove finalistas representam a diversidade de caminhos para tornar as cidades mais inteligentes — da proteção de mulheres em situação de violência à gestão de resíduos com inteligência artificial, da segurança viária automatizada à resiliência climática urbana, da economia circular na moda à mobilidade ativa por bicicletas.

CATEGORIA NEGÓCIOS PRÉ-OPERACIONAIS

Mirimim | Mirimim Inova Simples • Curitiba/PR

Aplicativo que combina inteligência artificial e gamificação para desenvolver habilidades socioemocionais em crianças neurodivergentes, promovendo inclusão e cidades mais acolhedoras.

Safe Speed System | Zios Technology Serviços • Angra dos Reis/RJ

Sistema de controle automático de velocidade veicular por geolocalização, que limita a velocidade do veículo em tempo real conforme a regulamentação da via — sem depender da decisão do condutor.

Saíra by Manacá Tecnologias Sociais | Manacá Tecnologias Sociais • Vitória/ES

Plataforma de inteligência artificial conectada a câmeras urbanas que identifica descarte irregular de resíduos, transformando dados em inteligência territorial para a gestão pública de limpeza urbana.

CATEGORIA NEGÓCIOS EM OPERAÇÃO

ElaProtegida | Direito Ágil Soluções em Tecnologia e Inovação • Rio de Janeiro/RJ

Plataforma que integra acolhimento digital, gestão de casos e avaliação de risco para fortalecer a rede de proteção a mulheres em situação de violência, presente em 20 cidades brasileiras.

Implementação da biometria facial no sistema de bilhetagem eletrônica do Estado do Rio de Janeiro | Prodata | Mais Mobi • Rio de Janeiro/RJ

Solução de biometria facial e inteligência artificial aplicada à bilhetagem de transporte público, que identifica o uso irregular de gratuidades e já realizou mais de 225 milhões de validações.

Libértecce — Economia Circular na Moda | TR & JC Indústria e Comércio de Polímeros • Erechim/RS

Negócio que transforma resíduos têxteis industriais e pós-consumo em novos produtos e matérias-primas, fechando o ciclo da economia circular no setor da moda.

CATEGORIA SOLUÇÕES DO PODER PÚBLICO

App AlertaBlu | Prefeitura de Blumenau — Secretaria de Proteção e Defesa Civil • Blumenau/SC

Aplicativo de defesa civil que transforma dados meteorológicos, hidrológicos e de risco em informações acessíveis à população, com 193 mil downloads e funcionalidades como monitoramento de nível de rio, rotas de fuga e alertas em tempo real.

Ecossistema de Sustentabilidade e Economia Circular | Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais • São José dos Pinhais/PR

Sistema integrado que conecta programas de troca de recicláveis por alimentos, formalização de cooperativas de catadores e educação ambiental nas escolas, atacando simultaneamente fome, resíduos e perda de biodiversidade.

Promoção da Mobilidade Ativa para uma Cidade Mais Sustentável e Inclusiva | Prefeitura Municipal de Niterói • Niterói/RJ

Política pública contínua de mobilidade por bicicleta, com 91 km de malha cicloviária, sistema gratuito de bicicletas compartilhadas NitBike com mais de 2,2 milhões de viagens realizadas e redução estimada de 909 toneladas de CO₂.

A etapa final

“O público pode esperar nove soluções que endereçam problemas reais dos cidadãos — da inclusão de crianças neurodivergentes à proteção contra desastres climáticos, da segurança de mulheres à fiscalização do transporte público. São projetos em estágios diferentes de maturidade, de diferentes locais do país, mas todos com um denominador comum: o potencial concreto de contribuir para tornar a vida nas cidades melhor”, complementa Asp.

Os finalistas farão apresentações de até cinco minutos para uma banca de especialistas composta por profissionais de mercado, empreendedores, acadêmicos e pesquisadores, que elegerá os vencedores de cada categoria.

A etapa final acontece na manhã do dia 18 de novembro de 2026, durante o Connected Smart Cities & Mobility, em São Paulo/SP.

Sobre o Prêmio Connected Smart Cities

O Prêmio Connected Smart Cities é realizado desde 2015 pela Necta e pela Neurônio Ativação de Negócios e Causas, com o objetivo de reconhecer e premiar negócios inovadores e soluções públicas que contribuam para o desenvolvimento de cidades mais inteligentes, sustentáveis e conectadas no Brasil. O Prêmio faz parte da plataforma Connected Smart Cities & Mobility, que promove a discussão, o intercâmbio de informações e a difusão de ideias entre governo, empresas e organizações da sociedade civil.

Mais informações: https://premio.connectedsmartcities.com.br

Contato para imprensa: premiocsc@neuronio.com.br

O conteúdo foi desenvolvido utilizando inteligência artificial com base em um prompt e direção editorial fornecidos pela Neurônio. O texto final foi revisado e editado também pela Neurônio.

Smart Campus: quando a universidade se transforma em laboratório vivo para as cidades do futuro

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Estudantes construíram uma cartografia coletiva, mapeando questões relacionadas aos seus deslocamentos na cidade - Foto: Minne Santos / ONU-Habitat

A transformação digital das universidades está produzindo algo maior do que salas conectadas, aplicativos e prédios automatizados. Surge um novo modelo de Campus: um ambiente capaz de integrar tecnologia, sustentabilidade, inovação e qualidade de vida para melhorar a experiência de quem estuda, trabalha, pesquisa e circula por ele. Esse é o princípio do Smart Campus. 

Diferentemente de um Campus digital, o Smart Campus funciona como um ecossistema sociotécnico integrado, no qual convivem tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial e computação em nuvem, sensores, sistemas, serviços e pessoas. A inteligência do Campus depende de mais do que tecnologia isolada. Pesquisas científicas recentes apontam uma visão mais ampla, associada à capacidade de transformar o espaço universitário em um ambiente mais eficiente, sustentável, inclusivo e responsivo às necessidades de sua comunidade.

Um dos modelos utilizados para compreender esse ecossistema organiza o Smart Campus em quatro dimensões: Smart Society, relacionada à qualidade de vida e engajamento da comunidade; Smart Economy, voltada à eficiência, inovação e melhor utilização dos recursos; Smart Environment, dedicada à energia, resíduos e redução dos impactos ambientais e Smart Governance que atua nas políticas e gestão integrada de serviços. Outras abordagens ampliam esse olhar e incorporam educação, mobilidade, segurança, tecnologia e qualidade de vida, aproximando o conceito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A característica mais relevante de um Smart Campus, porém, é sua capacidade de funcionar como uma cidade em miniatura. Universidades possuem edifícios, vias, transporte, redes de energia e água, áreas verdes, serviços, milhares de usuários e desafios semelhantes aos encontrados nos ambientes urbanos. Por terem limites territoriais definidos, tornam-se espaços para experimentar soluções antes de aplicá-las em maior escala. É o conceito de Campus como laboratório vivo: pesquisar, testar, avaliar, corrigir e aprender em condições reais. É justamente aí que o Smart Campus ganha relevância para as cidades inteligentes. Na Espanha, a Universidade de Alicante desenvolveu uma arquitetura orientada a serviços que conecta sensores distribuídos pelo Campus, formando uma “pele digital”. Essa estrutura permite monitorar vagas de estacionamento em tempo real, gerenciar recargas de veículos elétricos e otimizar o consumo de água e eletricidade. Já a Universidade de Málaga, também na Espanha, implementou um sistema cibernético-físico de baixo custo baseado em IoT para rastrear o fluxo de veículos e pedestres e monitorar a poluição sonora, auxiliando os gestores no agendamento de aulas para evitar picos de ruído.

Na China, a Hunan University of Technology and Business utiliza uma plataforma integrada de Big Data, IoT e Inteligência Artificial que cruza dados comportamentais e espaciais dos alunos. O sistema emite alertas preventivos de risco de evasão estudantil, auxilia na avaliação do ensino, apoia a inserção profissional dos graduados e reforça a segurança física da instituição. Nos EUA, a University of California destaca-se por iniciativas como painéis solares em estacionamentos, mesas solares para recarga de dispositivos e a substituição de gás natural por biometano, priorizando a reciclagem de resíduos e a conservação hídrica.

O movimento já chega ao Brasil. Na Serra Gaúcha, a Universidade de Caxias do Sul (UCS) iniciou em 2023 o Projeto Smart Campus UCS que busca transformar o Campus-Sede em um ambiente mais inteligente, sustentável, conectado e orientado à experiência das pessoas, concebendo-o como um Living Lab para o desenvolvimento e teste de soluções em parceria com empresas, startups, prefeituras e pesquisadores. A iniciativa teve início com um diagnóstico da comunidade universitária realizado em 2023, com 1.151 respondentes válidos, correspondentes a 8,5% da comunidade acadêmica, utilizando como referência metodológica indicadores relacionados à NBR/ISO 37122, voltada a cidades inteligentes.

Esses exemplos mostram que o maior valor do Smart Campus está na possibilidade de transformar a universidade em plataforma de inovação urbana.

Uma solução de mobilidade pode começar circulando entre prédios universitários. Uma tecnologia de eficiência energética pode ser testada em uma biblioteca. Um sistema de monitoramento ambiental pode nascer em um laboratório e depois alcançar bairros inteiros.

Nesse sentido, o Smart Campus permite que as cidades experimentem o futuro em escala possível antes de implementá-lo em escala urbana. Quando ensino, pesquisa, infraestrutura e inovação passam a compartilhar o mesmo território, o campus se torna um dos lugares onde a cidade do futuro começa a ser construída.

Laboratório de Fabricação Digital do Instituto de Ciências e Engenharia transforma tecnologia em ferramenta de inclusão

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Laboratório de Fabricação Digital do Instituto de Ciências e Engenharia transforma tecnologia em ferramenta de inclusão
Foto: Washington Santos/Acervo pessoal.

Projeto de extensão desenvolvido em parceria com ONG de Itapeva cria materiais em braille, reproduções tridimensionais de obras de arte e jogos adaptados para ampliar a acessibilidade de pessoas com deficiência.

O Brasil celebra, no dia 21 de setembro, o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. Instituída pela Lei nº 11.133, de 14 de julho de 2005, a efeméride ressalta as mobilizações pela inclusão social de pessoas com deficiência, a conscientização sobre a luta anticapacitista e celebra os movimentos sociais que defendem os direitos humanos dessa parcela da população.

A data também é uma forma de mobilizar a sociedade e as entidades políticas em prol da inclusão das pessoas com deficiência. Dentro da Unesp, há uma série de projetos que utilizam o conhecimento e os equipamentos presentes na Universidade para promover, diariamente, ações de inclusão e acessibilidade. Uma dessas iniciativas é o projeto de extensão “Sentidos do Mundo: Inclusão e Acessibilidade com Impressão 3D e Braille”, desenvolvido no Laboratório de Fabricação Digital (FabLab) do Instituto de Ciências e Engenharia, câmpus de Itapeva.

O espaço possui uma série de equipamentos, como impressoras 3D, máquina computadorizada para corte e gravação a laser, máquinas de costura e bordado, entre outras estruturas. Esses equipamentos permitem que estudantes e professores possam projetar e executar uma variedade de projetos diferentes.

Washington Luis Reis Santos, docente do curso de Engenharia Mecânica e um dos coordenadores do FabLab, enxergou a possibilidade de usar os equipamentos do laboratório para auxiliar entidades voltadas a pessoas com deficiência na região. “Esse projeto ajudou a comunidade do câmpus a ter uma visão mais ampla em relação à extensão, ao ensino e à aplicação dessas tecnologias emergentes na nossa unidade”, explica.

Ferramentas para alfabetização em braille

Uma das parcerias de maior sucesso é com a instituição Luz da Visão, focada em promover os direitos sociais nas áreas de educação, saúde e assistência social para pessoas com deficiência visual. Por meio da parceria, o FabLab auxiliou no desenvolvimento de dispositivos de aprendizagem para o público da Luz da Visão.

“Para a alfabetização em braille, é preciso que os alunos tenham contato com uma representação maior para depois irmos para um abecedário menor”, diz Santos. Até o início da parceria, os materiais de que os alunos dispunham incluíam caixas de ovos como suporte e bolinhas de pingue-pongue para formar as letras e palavras.

“Esse sistema era bem rústico e apresentava dificuldades. Por exemplo, muitas pessoas tentavam mexer ao mesmo tempo em um mesmo sistema. Ou havia bolinhas que caíam da mesa e precisavam ser recuperadas por pessoas com deficiência visual. A partir dessa questão, decidimos desenvolver um produto que fosse mais acessível”, explica ele.

O projeto desenvolvido pelo FabLab consiste em uma placa de madeira maior, em que os pontos do braille podem ser facilmente removidos e remontados.

Outros recursos desenvolvidos por meio da parceria para servirem como ferramentas de alfabetização incluíram a impressão, em formato 3D, de um abecedário em braille e das letras do alfabeto tradicional, a fim de familiarizar os alunos com ambos os sistemas.

“Nossa equipe apresentava os protótipos. Os alunos davam um feedback e depois refazíamos o projeto, incorporando as alterações”, explica o docente do curo de engenharia.

FabLab também aposta em ações de cultura

Além das ações educativas, o FabLab organizou uma série de ações culturais e de lazer com as entidades locais. “Quando discutimos arte, é muito difícil apresentarmos as obras e fazer com que uma pessoa com deficiência visual consiga entender. Afinal, mesmo pessoas com boa visão podem experimentar dificuldades de compreensão. Daí começamos a pensar em uma exposição de arte inclusiva”, comenta.

Recorrendo ao auxílio da inteligência artificial e de técnicas de escaneamento, a equipe da Unesp conseguiu tridimensionalizar e texturizar obras que estão em domínio público, a fim de que as pessoas com deficiência visual pudessem sentir a arte. Entre as obras reproduzidas estão esculturas como O Pensador, de Auguste Rodin, e o busto de Nefertiti, e pinturas, como Abaporu, de Tarsila do Amaral. Junto de cada obra, havia uma pequena placa em braille que contextualizava a peça.

“A exposição aconteceu na Casa da Cultura de Itapeva e atraiu tanto o público com deficiência visual quanto a população geral do município, interessada em acompanhar uma exposição de arte”, relembra Santos.

A equipe de estudantes, liderada pelo docente, também tem se dedicado ao desenvolvimento de jogos de tabuleiro inclusivos. Um exemplo é um tabuleiro de xadrez texturizado, para que pessoas com deficiência visual possam interagir com mais facilidade. Outro projeto é a prototipagem de jogos educativos para crianças autistas atendidas pela APAE de Itapeva, que incorporam cores e elementos diferentes que facilitam o aprendizado de temas diversos.

Em 2025, o projeto de extensão recebeu a certificação do Selo ODS em reconhecimento às ações de combate às desigualdades, de promoção da equidade no acesso ao ensino e de aproximação entre a universidade pública e entidades da sociedade civil. A certificação é concedida anualmente a instituições e projetos que desenvolvem ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

“O FabLab dá visibilidade à nossa unidade [de Itapeva] por meio da extensão, e é gratificante ver as ações funcionando e a comunidade utilizando o espaço”, diz Santos.

Fonte: Jornal da UNESP | Nathan Sampaio

Implantação global de energia renovável precisa dobrar para atingir meta de 2030

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Eólicas e solares aptas à compensação por cortes de geração somam 50,5 GW
Foto: Christopher Furlong/Getty Images

Relatório do setor mostrou que ainda é preciso acelerar ⁠as ‌instalações para cerca de 1.200 GW, em média, a cada ⁠ano até 2030

LONDRES, 21 Set (Reuters) – A ⁠implantação global de energia renovável precisa ⁠mais que dobrar para cumprir uma meta climática de crescimento ‌até 2030, embora tenha atingido um nível recorde no ano passado, conforme relatório divulgado nesta segunda-feira por organizações do setor.

Mais ‌de 100 países na cúpula climática COP28 realizada em Dubai, em 2023, concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável até 2030. No ano de 2025, o mundo adicionou pouco mais de 690 gigawatts de capacidade de energia renovável.

Assim, ainda é preciso acelerar ⁠as ‌instalações para cerca de 1.200 GW, em média, a cada ⁠ano até 2030, para cumprir a meta de triplicar a capacidade, segundo o relatório elaborado pela Agência Internacional de Energia Renovável, pela Presidência da COP31 e pela Aliança Global de Energias Renováveis.

A capacidade instalada global total de energia renovável ​atingiu 5,15 terawatts no final de 2025, ainda menos da metade da meta de 11,2 TW necessária para cumprir ​o compromisso.

As medidas de eficiência energética também estão aquém do esperado, com a intensidade energética melhorando cerca de 2% em 2025, abaixo da taxa anual de 4% necessária para cumprir os compromissos de dobrar a eficiência.

“As energias renováveis ainda podem ‌preencher a lacuna até 2030, mas a ​eficiência energética está ficando para trás, a demanda por eletricidade está crescendo mais rápido do que o esperado e a infraestrutura da rede não conseguiu acompanhar ⁠o ritmo”, afirmou no ​relatório Francesco La ​Camera, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável.

São necessários, em média, quase US$1 ⁠trilhão por ano em investimentos na ​rede entre 2026 e 2030, de acordo com o relatório, um aumento em relação aos US$525 bilhões registrados em 2025.

O presidente da Aliança Global ​de Energias Renováveis, Ben Backwell, afirmou que os governos precisam “tornar as energias renováveis uma prioridade econômica nacional”, inclusive ​por meio da ⁠expansão das redes, da implantação de sistemas de armazenamento e da eletrificação de residências, ⁠transporte e indústria.

Espera-se que as negociações climáticas da COP deste ano, que ocorrerão na Turquia em novembro, se concentrem no uso da eletricidade para abastecer mais setores e pressionem para que 35% do consumo final de energia global seja atingido até 2035.

Fonte: Infomoney

SUS vai oferecer cirurgia que trata glaucoma e catarata ao mesmo tempo

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SUS passa a oferecer três novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer pulmonar
Foto: Agência Brasil

Procedimento garante recuperação mais rápida, reduz o risco de complicações e previne a cegueira de forma menos invasiva

OMinistério da Saúde oficializou a incorporação de uma nova técnica cirúrgica ao Sistema Único de Saúde (SUS) capaz de tratar, simultaneamente, o glaucoma e a catarata. Publicada no Diário Oficial da União da última quinta-feira (17), a portaria atualiza o tratamento  dessas doenças e permite a remoção do cristalino e a desobstrução do canal de drenagem ocular em uma única intervenção.

A modernização foi proposta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) da pasta junto à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A deliberação favorável ocorreu no último dia 21 de agosto.

A nova técnica é direcionada para casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto e se destaca por ser menos invasiva que as opções atuais. Entre os principais benefícios estão a recuperação mais rápida, a redução no risco de complicações e o melhor controle da pressão intraocular, que pode causar cegueira se não for tratada.

“Além de ampliar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento, essa inovação otimiza recursos públicos e reforça o compromisso do SUS de levar o que há de mais avançado na medicina para quem mais precisa”, avaliou a secretária da SCTIE, Fernanda De Negri. 

Atualmente, o tratamento inicial do glaucoma na rede pública é orientado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença, com colírios para reduzir a pressão intraocular. Quando os medicamentos não apresentam o efeito esperado ou o paciente encontra dificuldades para seguir o uso regular, o tratamento passa a incluir intervenções a laser ou cirurgias, como o implante de drenagem oftalmológico, conhecido como iStent.

Já o novo procedimento, que será incluído no PCDT, abrange duas possibilidades cirúrgicas: a feita por meio de uma pequena incisão na córnea, chamado de goniotomia excisional, ou a partir de um microcateter ou fio cirúrgico introduzido no canal natural de drenagem do olho, a trabeculotomia transluminal.

Segundo o Relatório para Sociedade, documento público elaborado pela Conitec, somente a opção goniotomia excisional representa uma redução de aproximadamente R$ 18 mil a cada ano de vida saudável ganho pelo paciente em comparação ao iStent.

A incorporação da goniotomia excisional, por sua vez, poderá resultar em uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano, alcançando R$ 93,2 milhões no quinto ano. Nesse período, o montante total economizado será de R$ 276 milhões na substituição da cirurgia com iStent pela goniotomia excisional.

Glaucoma e catarata

O glaucoma é uma doença crônica que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por conduzir as imagens do olho ao cérebro. A condição provoca a perda progressiva de células da retina e limita gradualmente a visão periférica, que é a capacidade de enxergar ao redor. Segundo dados da Conitec, a doença já é a segunda maior causa de cegueira no mundo, atrás apenas da catarata.

Existem dois tipos principais do glaucoma: o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), caracterizado por um avanço lento e silencioso, e o glaucoma primário de ângulo fechado (GPAF), que costuma surgir de forma mais súbita e aguda.

Ainda de acordo com as informações da comissão, a enfermidade acomete até 3% da população brasileira acima de 40 anos, sendo o GPAA a variante mais prevalente, com cerca de 60% dos diagnósticos no país.

Já a catarata é caracterizada pela perda de transparência (opacificação) do cristalino, que fica opaco, o que reduz a capacidade visual e afeta principalmente a população idosa.

Fonte: Ministério da Saúde

‘Companheiros de IA’: governo pede investigação contra chatbots que simulam amizade e romance

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Ministério da Justiça analisou 13 serviços e apontou questões que merecem apuração, como verificação de idade, uso compulsivo, conteúdo inadequado e criação de perfis emocionais.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) recomendou nesta segunda-feira (21) que a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) avalie os riscos dos chamados “companheiros de IA”, personagens criados em plataformas de inteligência artificial para simular amizade, companheirismo e até romance com usuários.

Em uma nota técnica, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), vinculada ao Ministério, sugeriu que a agência reguladora examine esses serviços à luz do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) e de suas competências de fiscalização.

O documento não afirma que as plataformas cometeram infrações, mas aponta indícios de “desconformidades” após uma análise de 13 serviços de companheiros de IA.

Os serviços avaliados foram Character.AI, Replika, Nomi, Candy.ai, Kindroid, Chai, Paradot, Talkie, CrushOn.AI, EVA AI, Anima, Swipey e SpicyChat.AI. O próprio Ministério da Justiça afirma que a análise é preliminar.

A análise do Ministério da Justiça faz parte das ações do governo para implementar o ECA Digital, lei que impõe deveres de proteção e segurança no uso de plataformas e outros serviços digitais por crianças e adolescentes.

Entre os pontos que o governo considera merecer investigação estão a verificação de idade, o risco de uso excessivo ou compulsivo, a exposição a conteúdo inadequado e o uso de dados para traçar perfis emocionais e comportamentais.

“Os achados técnicos indicam que a maior parte dos serviços analisados adota a autodeclaração como único mecanismo de aferição de idade”, disse a secretaria.

“Assim, a facilidade com que a autodeclaração é contornada não configura apenas deficiência do dever de aferição etária. Ela constitui, também, elemento indicativo do acesso provável, que submete o serviço ao conjunto das obrigações da lei”, acrescentou.

Plataformas de personagens de IA possuem características diferentes, mas podem guardar o histórico das conversas, adaptar respostas ao usuário, simular personalidade e emoções e, em alguns casos, oferecer amizade, romance e conteúdo adulto.

O documento recomenda ainda que o assunto seja analisado pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), para examinar possíveis problemas na forma como as plataformas usam publicidade, monetização e informações sobre os usuários.

Fonte: G1

Primavera começa nesta terça: o que esperar da estação com o El Niño no Brasil

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Emissão líquida de poluentes no país cai ao menor nível desde 2012
Foto: Getty Images

A primavera começa nesta terça-feira (22/09), às 21h05, pelo horário de Brasília, e vai até 21 de dezembro, sob a influência do que meteorologistas já classificam como o El Niño mais intenso da história.

Dados atualizados na segunda-feira (21/09) pela NOAA, a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, mostram que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial atingiu o maior patamar já registrado para o fenômeno.

“O El Niño já é histórico, é um fato: hoje atingimos a maior temperatura na região do Oceano Pacífico Equatorial comparado a eventos anteriores. Este já é o El Niño mais intenso da história”, afirma a meteorologista Estael Sias, da MetSul.

A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, explica que o fenômeno já é considerado muito forte logo no início da estação e pode atingir, ainda no fim da primavera e no começo do verão, uma força nunca antes observada pela ciência moderna.

O precedente de 2023

A última primavera do Hemisfério Sul sob influência de um El Niño foi a de 2023, explica Pegorim — um período que deixou recordes históricos de calor no país e chuva extrema sobre o Rio Grande do Sul, com mortes e danos severos à infraestrutura e à economia do Estado.

Entre os recordes daquela estação, ela cita os 44,8°C registrados em Araçuaí (MG), em 19 de novembro de 2023, a temperatura mais alta oficialmente medida no Brasil pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em mais de 100 anos de histórico; os 44,2°C em Cuiabá, recorde em 113 anos de medições; os 37,7°C em São Paulo, em 13 e 14 de novembro daquele ano, a segunda maior temperatura já registrada na capital paulista e recorde histórico para o mês; além de 42,5°C no Rio de Janeiro, 35°C em Curitiba (segunda maior da capital paranaense) e 43,4°C em Porto Murtinho (MS).

Em anos de El Niño, segundo Pegorim, o padrão normalmente observado é de aumento de chuva no Sul e déficit no Norte e no Nordeste — e o El Niño muito forte de 2026 deve reforçar essas características.

Chuva: excesso no Sul, déficit no Norte e Nordeste

Segundo Pegorim, a estação deve trazer grande déficit de chuva em todo o Norte e Nordeste, além de Mato Grosso, Distrito Federal e da maior parte de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Em contrapartida, a expectativa é de chuva muito acima da média em toda a região Sul, no sul do Mato Grosso do Sul e no extremo oeste e sul de São Paulo, com volumes também acima do normal nas demais regiões paulista e sul-mato-grossense. Chuva um pouco acima da média também é esperada no sul de Goiás, no Triângulo Mineiro e no sul de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Essa leitura confirma o que outros meteorologistas já vinham apontando para a estação, em entrevista à BBC News Brasil em 4 de setembro.

Diogo Arsego, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já apontava maior probabilidade de chuva acima da média no centro-sul do país ao longo do trimestre que vai de setembro a novembro.

A pesquisadora Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, projetava início de estação úmida adiantada em São Paulo, sobretudo na metade sul do Estado, e não descartava novos eventos pontuais de tempestade no Rio Grande do Sul.

O boletim técnico conjunto do Inmet e do Inpe para o trimestre de outubro a dezembro traz números que reforçam esse quadro: na Região Sul, a previsão é de chuva acima da média em todos os Estados, com os maiores volumes concentrados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados podem superar a média histórica do trimestre em até 200 mm.

Já no Norte, o déficit deve ser generalizado, com valores até 200 mm abaixo da média em Roraima, no norte-nordeste do Amazonas e no oeste e centro-sul do Pará — apenas o leste do Acre, o extremo noroeste do Pará e o norte do Amapá devem ficar próximos da média histórica. No Nordeste, o déficit de chuva também deve predominar, com a possibilidade de volumes um pouco acima da média apenas no setor leste, entre o Rio Grande do Norte e Alagoas.

Calor recorde, mas Sul mais frio que o normal

O excesso de calor deve ser uma das principais marcas da estação, segundo Pegorim: a temperatura média deve ficar muito acima do normal no Norte, no Nordeste e em praticamente todas as áreas do Sudeste e do Centro-Oeste.

A exceção é a própria região Sul — na maior parte dela, no sul e leste do Mato Grosso do Sul e no centro-oeste/sudoeste paulista, a temperatura média deve ficar dentro da faixa normal, por causa do excesso de chuva e de nuvens. No Rio Grande do Sul, especificamente, a expectativa é de temperatura abaixo do normal, também em razão do excesso de chuva, da nebulosidade e da atuação mais frequente de massas de ar frio de origem polar.

A mesma nota técnica do Inmet e do Inpe confirma essa tendência: a previsão indica temperaturas acima da média climatológica em praticamente todo o Norte e no Nordeste, com alguns Estados nordestinos podendo registrar desvios próximos ou acima de 2°C acima da média histórica.

O calor também deve predominar no Centro-Oeste — com desvios de até 2°C na faixa norte do Mato Grosso — e no Sudeste, onde os maiores desvios, de até 1°C, devem se concentrar no centro de Minas Gerais e no nordeste de São Paulo. No Rio Grande do Sul, a mesma nota corrobora a leitura de Pegorim: as temperaturas devem ficar próximas da média, com o Sul do estado podendo registrar anomalias negativas de até 0,5°C.

Riscos para a estação

Segundo Pegorim, enchentes e tempestades severas são esperadas no Sul — uma estação que já é normalmente mais propensa a temporais na região, independentemente do El Niño.

No Norte e no Nordeste, incluindo a região do Matopiba, a falta de chuva combinada ao calor excessivo pode comprometer a agricultura, além de elevar o risco de queimadas.

A seca prolongada nessas regiões também deve tornar mais lenta a elevação do nível dos rios, o que prejudica a navegação e afeta a população ribeirinha. Há ainda preocupação com excesso de chuva e risco de enchentes na cidade de São Paulo.

O tempo severo que atingiu o Rio Grande do Sul neste início de semana — com vendavais de mais de 100 km/h, mortes, desaparecidos e agora risco de enchente nos vales da Serra Gaúcha — é, segundo Estael Sias, um exemplo do que esse padrão deve se intensificar ao longo da estação.

“A primavera terá uma frequência maior de eventos extremos, e o El Niño potencializa não só a intensidade, mas a frequência”, diz a meteorologista da MetSul.

Segundo os meteorologistas ouvidos pela reportagem, o pico do fenômeno, entre outubro e dezembro, deve se estender pelo início do verão — o que significa que o cenário descrito aqui tende a se intensificar antes de arrefecer.

Fonte: BBC Brasil

Ônibus elétricos: como cidades brasileiras podem pular etapas rumo à mobilidade de baixo carbono

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Ônibus elétricos: como cidades brasileiras podem pular etapas rumo à mobilidade de baixo carbono
Imagem construida por IA

Sistemas de transporte menos consolidados podem acelerar a eletrificação: como uma PPP no Nordeste revela como planejamento, infraestrutura e engenharia contratual transformam o leapfrogging tecnológico em realidade 

Existe uma ideia recorrente em estudos internacionais sobre eletrificação de frotas: o sucesso de uma cidade em trocar o diesel pela eletricidade depende menos do orçamento disponível e mais do quanto seu sistema de transporte já está “travado” em um jeito antigo de funcionar. Cidades com regimes de mobilidade mais consolidados, com décadas de contratos, garagens e cultura construídas em torno do motor a combustão, tendem a mudar mais devagar. Já territórios onde esse sistema ainda está em formação encontram uma janela rara: podem pular etapas inteiras e adotar direto a tecnologia mais avançada.

O estudo Ônibus elétricos no transporte público municipal: geografia das transições sustentáveis para uma mobilidade de baixo carbono, comparou 46 municípios ao redor do mundo a partir de 80 atributos de seus sistemas de transporte e mostrou que esse perfil territorial explica boa parte da diferença nos graus de eletrificação observados. Shenzhen, na China, chegou a 100% da frota elétrica. Cidades latino-americanas como Santiago e Bogotá avançam em ritmo mais acelerado do que muita gente esperaria, justamente por não carregarem o peso de uma infraestrutura de diesel centenária e politicamente blindada. O que era, à primeira vista, uma desvantagem de desenvolvimento vira, na prática, um atalho.

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É esse fenômeno que torna a primeira frota municipal de ônibus elétricos do Nordeste, reconhecida neste ano com menção honrosa no Prêmio P3C, um caso que merece atenção. Não é só mais um contrato de PPP assinado. É a demonstração de que o chamado leapfrogging tecnológico não é privilégio de metrópole asiática ou de capital europeia rica: pode acontecer em uma cidade média brasileira, desde que o projeto seja estruturado com a mesma seriedade técnica que qualquer PPP de grande porte exige.

O motor é o menor dos problemas

Um erro comum é tratar a eletrificação como se fosse simplesmente uma troca de veículo, como comprar um ônibus mais moderno. Na prática, ela exige o desenho de um sistema inteiro: rede de eletropostos compatível com a carga que os veículos vão demandar, modelo de financiamento que trate baterias como ativo de longo prazo (e não como despesa a ser amortizada no primeiro ano), e um contrato que reparta de forma clara o risco entre poder público e concessionária ao longo de décadas, não de uma gestão.

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É exatamente nesse ponto que a estrutura de PPP mostra sua força. Um projeto-piloto isolado, por mais bem-intencionado que seja, tende a esbarrar na falta de continuidade. Já um contrato de parceria público-privada bem desenhado cria as condições para que a tecnologia deixe de ser experimento e passe a operar como padrão: fornecedor com previsibilidade de receita para investir na frota e na infraestrutura de recarga, e prefeitura com um serviço garantido sem precisar concentrar todo o investimento em caixa público de uma vez.

Os números que sustentam a redução de emissões, entre 35% e 100% de CO2 por escapamento e até 100% de material particulado, a depender da matriz energética usada para gerar a eletricidade, já são conhecidos e não deixam dúvida sobre o benefício ambiental. O que ainda precisa ser mais contado é a engenharia contratual por trás de fazer esse benefício sair do papel e rodar de verdade nas ruas.

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O que esse caso ensina para outros municípios brasileiros, sobretudo os que estão fora do eixo Sul-Sudeste, é que não existe um único caminho de eletrificação a ser copiado de cidades europeias ou asiáticas. Existe, sim, um método replicável: diagnosticar o perfil da própria cidade, tratar a infraestrutura de recarga como prioridade tão urgente quanto a compra dos veículos, e recorrer a modelos contratuais que já foram testados e reconhecidos pelo mercado.

É esse tipo de conhecimento acumulado, sobre o que funciona, quais cláusulas contratuais dão certo, como estruturar o financiamento de um ativo que dura vinte ou trinta anos, que o ecossistema do P3C ajuda a sistematizar e colocar à disposição de prefeituras que ainda não têm essa experiência internamente. Projetos como o da frota elétrica do Nordeste não nascem prontos: nascem de uma rede de conhecimento técnico que vem sendo construída contrato após contrato, e que hoje já é possível acessar, replicar e melhorar.

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