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Cidade CSC 2026 reúne prefeitos de todo o país para discutir o futuro da gestão urbana

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Cidade CSC 2026 reúne prefeitos de todo o país para discutir o futuro da gestão urbana
Foto: Divulgação

Evento que acontece em novembro, em São Paulo, já confirma a presença de gestores de 17 municípios e passa a integrar planejamento urbano, gestão pública e mobilidade em uma única programação

 

O Cidade CSC, o maior evento da América Latina de cidades inteligentes, já tem confirmada uma lista expressiva de prefeitos que participarão da edição de 2026. O evento acontece nos dias 16, 17 e 18 de novembro, em São Paulo, e reúne em um único espaço três iniciativas que já eram referência isoladamente: o Connected Smart Cities, o CSC GovTech e o Parque da Mobilidade Urbana.

A proposta da edição deste ano é justamente essa integração. Organizado pela Necta, o Cidade CSC passa a ser estruturado em três dimensões que buscam refletir o funcionamento real das cidades: espaço (como a cidade é planejada e vivida), sistema (como é operada e governada) e movimento (como se desloca e funciona no tempo). Na prática, isso significa que planejamento urbano, gestão pública e mobilidade deixam de ser tratados como frentes separadas e passam a dialogar dentro da mesma programação.

 

Leia mais: Muito Além da Tecnologia: como o Ecossistema Cidade CSC está refefinindo o futuro das cidades brasileiras

Prefeitos confirmados

Entre os gestores municipais que já confirmaram presença estão:

– Geninho Zuliani – Prefeitura de Olímpia (SP)
– Michell Peninha – Prefeitura de Imbituba (SC)
– Celso Florêncio – Prefeitura de Jacareí (SP)
– Sidney Jorge Rosa – Prefeitura de Paragominas (PA)
– André Paccola Sasso – Prefeitura de Lençóis Paulista (SP)
– Franco Fiorot – Prefeitura de Linhares (ES)
– Vagner Espindola – Prefeitura de Criciúma (SC)
– Rodolfo Mota – Prefeitura de Apucarana (PR)
– Anderson Farias – Prefeitura de São José dos Campos (SP)
– Rejane Gambin – Prefeitura de Joinville (SC)
– Getúlio Sampaio – Prefeitura de Amargosa (BA)
– José Arimatéa Lima Barros Júnior – Prefeitura de Eusébio (CE)
– Fernando Pellozo – Prefeitura de Senador Canedo (GO)
– Tiago Amaral – Prefeitura de Londrina (PR)
– Egidio Maciel Ferrari – Prefeitura de Blumenau (SC)
– Jerri Adriani Meneghetti – Prefeitura de Dois Irmãos (RS)
– André Vechi – Prefeitura de Brusque (SC)

A lista reúne municípios de diferentes portes e regiões do país, de cidades médias do interior paulista a capitais regionais do Nordeste, Norte e Sul, o que dá uma dimensão da abrangência que o evento busca ter na discussão sobre gestão municipal.

Referência no setor, o Cidade CSC vem crescendo a cada edição. Em 2025, o evento reuniu 9 mil participantes, 120 expositores e mais de 500 palestrantes, distribuídos por mais de 20 áreas de conteúdo. A programação inclui mais de 20 palcos simultâneos, transmissão ao vivo de entrevistas e talks, além de uma área de exposição voltada a produtos, serviços e tecnologias para o setor público.

Leia mais: Cidade CSC 2026 será realizado em novembro para ampliar o debate com os novos governos eleitos

O evento também é palco de premiações que têm ganhado peso no setor, como o Ranking CSC, os Selos de Cidades Inteligentes e Ecossistemas de Inovação e os Prêmios CSC e PMU, que reconhecem cidades, empresas e profissionais que se destacam na transformação urbana.

Para os prefeitos e suas equipes técnicas, a participação no Cidade CSC funciona como uma oportunidade de comparar experiências, conhecer soluções já testadas em outros municípios e negociar parcerias com o setor privado e com órgãos de fomento. Para o público em geral do setor, é também um termômetro de para onde caminha a agenda de gestão pública no Brasil.

Mais informações sobre programação, inscrições e patrocinadores estão disponíveis no site oficial do evento, cidadecsc.com.br.

 

De quem é o valor da inovação?

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inovação
Reprodução: Banco de imagem

Prefeituras pagam a conta da inovação e ainda induzem a proteção de um ativo que nunca será público. A economia explica por que esse é um dos melhores investimentos que uma cidade pode fazer — e por que, sem ele, a inclusão tem prazo de validade.

Quando uma prefeitura anuncia um parque tecnológico, uma incubadora ou um edital de fomento, uma pergunta aparece mais cedo ou mais tarde. Ela costuma vir do vereador, do jornalista local ou do contribuinte na audiência pública, e é sempre a mesma:

Por que o dinheiro público deve bancar a inovação — e ainda pagar para que o criador registre a patente ou a marca no nome dele — se quem vai lucrar é ele?

Traduzida no vocabulário de quem paga imposto: socializar custos e privatizar lucros.

É a objeção mais difícil que existe nesse campo. Também é a pior respondida. A resposta habitual vem em linguagem de intenção — “é para fomentar o ecossistema”, “é para gerar oportunidades” — quando deveria vir em linguagem de evidência. E a evidência existe. É farta, internacional e convergente.

O ganho não fica com quem inventa

A economia da inovação mede há décadas duas taxas de retorno diferentes: a privada, que fica com quem investiu, e a social, que se espalha pelo resto da economia. Elas nunca são iguais.

A revisão de cerca de 900 estudos consolidada pela Frontier Economics em 2023 aponta que o retorno social da inovação é de duas a quatro vezes o retorno privado. Hall, Mairesse e Mohnen, na revisão que virou referência no campo, encontram retornos privados na faixa de 7% a 15% e retornos sociais entre 30% e 50%. Para investimento público em P&D especificamente, Fieldhouse e Mertens estimam retorno social entre 140% e 210%.

No Brasil não é diferente. As avaliações de impacto do Ipea sobre a Lei do Bem mostram que as empresas beneficiadas aumentaram seus próprios gastos em P&D entre 43% e 81% — ou seja, o incentivo público não substituiu o investimento privado, puxou. As empresas apoiadas pela Finep gastaram 54% a mais em pesquisa. E os dados da RAIS mostram que empresas que inovam e diferenciam produtos pagam salários 80,5% acima da média da indústria.

Esse é o ponto que a objeção não enxerga: a inovação transborda. Não por generosidade do inventor, mas por um mecanismo econômico. O conhecimento vaza — para o fornecedor, o concorrente, o funcionário que sai e abre o próprio negócio. O emprego qualificado gera massa salarial que circula no comércio local. A empresa que cresce recolhe mais tributo no território onde está.

O poder público não recebe uma patente com o brasão da cidade. Recebe um território transformado. A literatura econômica encontra de forma recorrente retornos sociais superiores aos retornos privados da inovação.

A proteção importa mais do que parece

Há um segundo argumento, menos discutido e mais incômodo.

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial divulgou em 2026 seus rankings referentes a 2025. Os 51 maiores depositantes residentes responderam por 1.957 dos 7.021 pedidos de patente de invenção do ano, e cerca de sete em cada dez deles são universidades, institutos federais e centros de pesquisa. 

Faça a conta do que sobra. O micro e pequeno negócio — que é a esmagadora maioria das empresas brasileiras e praticamente toda a economia de uma cidade de porte médio — quase não aparece nessa estatística.

Não é necessariamente por falta de criação. Para o pequeno empreendedor, transformar uma ideia em um ativo protegido ainda envolve barreiras de acesso: é preciso reconhecer o que pode ser protegido, identificar o instrumento adequado e compreender os procedimentos necessários para fazê-lo. 

A isso se somam os custos de depósito, acompanhamento e eventual assessoria especializada. Sem informação, orientação e suporte técnico, a propriedade intelectual acaba permanecendo distante justamente de quem tem menos estrutura para acessá-la.

E aqui está a consequência social que raramente se nomeia. Quando o poder público forma, capacita e incuba sem proteger, ele entrega ao mercado um criador desarmado. A costureira que desenvolveu a modelagem, o produtor familiar que criou o processo de beneficiamento, o jovem que programou o aplicativo: todos ficam mais expostos à apropriação, reprodução ou exploração econômica por agentes com maior capacidade jurídica e financeira.

Formação sem proteção é inclusão com prazo de validade. A pessoa entra na economia e depois é empurrada de volta para a margem, agora sabendo exatamente o que perdeu.

Abrir, preparar, consolidar

Desenvolvimento não vira inclusão por acaso. Vira por desenho, e o desenho tem três tempos.

Abre: novos negócios geram emprego e renda, e a inclusão vem pela demanda. Prepara: formação e incubação fazem com que a gente do lugar ocupe essas vagas e crie os próprios negócios, e a inclusão vem pela oferta. Consolida: a propriedade intelectual protege o ativo de quem acabou de entrar, e a inclusão deixa de ser reversível.

Sem o terceiro tempo, os dois primeiros são investimento em algo que evapora.

Existem, no fim, dois tipos de poder público. O que aposta apenas no crescimento e espera que a inclusão aconteça sozinha. E o que induz, capacita e protege, para que a riqueza fique no território e nas pessoas que a criaram.

Uma marca registrada no nome de um artesão de fronteira não é um presente ao artesão. É a garantia de que, daqui a dez anos, o valor que ele criou ainda esteja na cidade que o formou.

O poder público não precisa ser dono da inovação para capturar o seu valor. Precisa da coragem de induzi-la — e da maturidade de proteger o que ela cria.

Os novos desafios dos BCs com a venda em massa no mercado de títulos

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Os novos desafios dos BCs com a venda em massa no mercado de títulos
Fonte: CNN Brasil | Gearada por IA

Rendimento do Tesouro americano de 30 anos atinge maior nível desde 2007, enquanto investidores reagem à inflação e aos déficits governamentais crescentes

As preocupações dos investidores com uma série de questões, da inflação aos elevados déficits governamentais, estão impulsionando uma venda em massa no mercado de títulos, criando um problema para os formuladores de políticas e elevando os custos de empréstimos para governos e consumidores.

Como as comunidades periféricas se arrefecem em Moçambique, em tempos de Super El Niño?

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Como as comunidades periféricas se arrefecem em Moçambique, em tempos de Super El Niño?
Foto: NOAA/Via MetSul

Nos bairros periféricos de Moçambique, o calor de um Super El Niño não encontra ar condicionado. Encontra chapa de zinco, quintais sem árvores e uma rede elétrica que oscila. A desigualdade térmica é menos uma questão de clima do que de renda, habitação e infraestrutura.

Em junho de 2026, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos elevou o alerta de vigilância para aviso de El Niño. Os modelos convergem para um evento forte, com probabilidade estimada em cerca de 63% de atingir a categoria de muito forte (aquilo a que a imprensa chama Super El Niño) entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para a África Austral, a experiência recente indica o que isso significa: o episódio de 2023-2024 deixou 68 milhões de pessoas afetadas pela seca na região e fez subir de 20% para 33% a proporção de moçambicanos em risco de insegurança alimentar.

A conversa pública sobre o El Niño organiza-se, quase sempre, em torno da chuva que falta e da colheita que se perde. É uma conversa legítima e incompleta. Falta-lhe o calor e, sobretudo, falta-lhe a pergunta de como é que uma família sem recursos para um aparelho de ar condicionado atravessa uma onda de calor dentro de uma casa de chapa.

Esta pergunta não é secundária. Ela revela que o sofrimento térmico, ao contrário do que a linguagem meteorológica sugere, não é distribuído pela atmosfera. É distribuído pela renda, pelo material do telhado, pela presença ou ausência de uma árvore no quintal e pela qualidade da corrente que chega à tomada. O El Niño não cria essas desigualdades: revela-as e amplifica-as.

As comunidades periféricas nesta reflexão induzem a erro se forem lidas apenas como distância geográfica. Na literatura urbana moçambicana, a distinção clássica opõe a cidade de cimento à cidade de caniço: a primeira planejada, infraestruturada e servida; a segunda autoproduzida, densa e sem rede formal de serviços. Bairros como Chamanculo, Maxaquene ou Mafalala, em Maputo, situam-se a poucos quilômetros do centro e são, ainda assim, plenamente periféricos.

A periferia define-se, portanto, por privação acumulada e não por localização. Reúne, num mesmo território, habitação autoconstruída com materiais de fraco desempenho térmico, densidade populacional elevada, arruamentos sem pavimento, cobertura vegetal escassa, saneamento deficiente e ligação precária ou inexistente às redes públicas. Em Moçambique, mais de 70% da população reside em áreas rurais, mas o crescimento urbano faz-se sobretudo por adição desses bairros autoproduzidos nas franjas das cidades.

O conceito ganha densidade quando lhe acrescentamos a dimensão socioecológica. Uma comunidade em vulnerabilidade socioecológica é aquela cujos sistemas sociais e ecológicos foram simultaneamente degradados, de modo que a capacidade de absorver um choque externo depende de recursos que já não existem. Não há poupança para comprar um ventilador, não há árvore para dar sombra, não há vala de drenagem para escoar a chuva, não há posto de saúde próximo para tratar a criança desidratada. Quando a vaga de calor chega, encontra um sistema sem folga. É esta ausência de folga que distingue a periferia — é um evento que atravessa a casa, o corpo, o sono, a escola e o rendimento do dia seguinte.

Dupla exposição: quando o clima encontra a economia

Em 2000, Karen O’Brien e Robin Leichenko publicaram na revista Global Environmental Change um artigo que propunha uma ideia aparentemente simples e analiticamente poderosa. Determinadas regiões, setores e grupos sociais, escreveram, serão confrontados simultaneamente pelos impactos das mudanças climáticas e pelas consequências da globalização econômica. Chamaram-lhe dupla exposição. O argumento central é que esses dois processos não se limitam a somar-se: influenciam mutuamente a exposição e a vulnerabilidade um do outro, e aceleram o ritmo da mudança.

O quadro é particularmente útil para pensar Moçambique porque desfaz uma ilusão persistente, a de que existe um problema climático que a política climática resolve e um problema econômico que a política econômica resolve. Na periferia moçambicana, os dois problemas são o mesmo problema visto de ângulos diferentes.

Consideremos os estressores não climáticos que compõem o lado econômico e institucional da dupla exposição. O produto interno bruto per capita de Moçambique rondava os US$ 450 em 2023, e o Banco Mundial descreve o período entre 2016 e 2025 como uma década perdida em termos de bem-estar, com queda de cerca de 8% no PIB per capita entre 2015 e 2024. O Índice de Desenvolvimento Humano situa-se em 0,461, na posição 183 entre 191 países. O coeficiente de Gini aproxima-se de 50, colocando o país entre os dez mais desiguais do mundo. Cerca de 71% da população vivia abaixo do limiar internacional de pobreza.

Estes números não descrevem um pano de fundo. Descrevem o mecanismo. Um agregado familiar que gasta a quase totalidade do rendimento em alimentação não tem excedente para bens de conforto térmico. O ar condicionado, nesse contexto, não é um bem caro: é um bem inexistente no universo de escolhas possíveis.

A primazia dos estressores não climáticos

Há uma tentação, no discurso sobre adaptação climática, de tratar o clima como variável dominante e as condições sociais como contexto. A evidência empírica sugere a inversão desta hierarquia. Aquilo que determina se uma vaga de calor se converte em crise sanitária não é, primordialmente, a magnitude da anomalia térmica. É a configuração dos estressores não climáticos que a recebem.

O caso mais bem documentado em Moçambique vem do bairro da Mafalala, em Maputo. Um estudo publicado em 2025 monitoriza, pela primeira vez, temperatura e umidade no interior de cinco habitações durante duas campanhas realizadas em 2023. Os resultados são inequívocos: em períodos quentes, algumas habitações atingiram 49°C no interior. O uso generalizado de chapa de aço galvanizado nas coberturas, e por vezes nas paredes, foi identificado como fator determinante. As habitações de blocos de betão apresentam maior inércia térmica, mas permanecem vulneráveis por deficiência de isolamento e ventilação.

O dado merece ser lido devagar. Quarenta e nove graus dentro de casa não é uma medida de desconforto. É uma medida próxima do limiar em que o corpo humano perde capacidade de termorregulação, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com doença crônica. E o fator causal identificado não é o clima: é o material de construção, ou seja, a renda que determinou esse material.

Vale a pena enumerar os estressores não climáticos que, na periferia moçambicana, determinam a experiência do calor.

A renda condiciona todo o resto. Define o material da cobertura, a possibilidade de adquirir um ventilador, a capacidade de pagar a fatura de eletricidade e a margem para deixar de trabalhar num dia de calor extremo. Numa economia em que a maioria dos rendimentos é informal e diário, parar de trabalhar significa não comer.

A habitação traduz a renda em graus centígrados. Chapa de zinco sem teto falso, ausência de isolamento, dimensão reduzida do compartimento, ventilação cruzada inexistente e sobreocupação combinam-se para transformar a casa no ponto mais quente do bairro. A casa deixa de ser abrigo e passa a ser fonte de exposição.

Os equipamentos são, em rigor, uma consequência da renda e da rede. Mesmo quando uma família consegue adquirir um ventilador ou uma geladeira de segunda mão, a sua utilidade depende de uma corrente estável, o que nos conduz ao problema energético tratado adiante.

Tão importante quanto, o saneamento estabelece a ligação entre calor e doença. Em contextos de temperatura elevada, água armazenada em recipientes abertos, drenagem obstruída e resíduos não recolhidos aceleram a proliferação de vetores e a contaminação. O calor não mata diretamente na maioria dos casos: mata através da desidratação, da diarreia e da doença transmitida por água contaminada. Nenhum destes cinco fatores é climático. Todos determinam, de forma mais decisiva do que a anomalia de temperatura, quem sobrevive confortavelmente a um super El Niño e quem não sobrevive.

Que zonas de Moçambique serão mais atingidas

O Instituto Nacional de Meteorologia estabeleceu um padrão regional consistente para os episódios de El Niño em Moçambique. Nas regiões Sul e Centro, prevê-se risco elevado de chuvas irregulares com tendência abaixo do normal e temperaturas acima da média climatológica. Na região Norte, a probabilidade aponta para chuvas regulares com tendência acima do normal.

A assimetria é relevante para a análise do calor. As províncias do Sul e do Centro (Gaza, Inhambane, Maputo, Sofala, Manica e Tete) combinam o déficit de precipitação com a anomalia térmica positiva. É a conjugação mais desfavorável possível: menos água disponível para consumo, higiene e arrefecimento evaporativo, num período de temperaturas mais altas.

A energia: um sistema hidráulico exposto à seca

Existe uma ironia estrutural na situação moçambicana que merece exposição cuidadosa. O país que precisa de energia para arrefecer depende, para produzir, do mesmo recurso que o El Niño escasseia: a água.

A Hidrelétrica de Cahora Bassa, na província de Tete, concentra 2075 MW dessa capacidade e é a terceira maior central hidrelétrica de África.

Dois terços da produção da maior central do país destinam-se à exportação. O governo prevê a reversão deste contrato em 2030, com o objetivo declarado de repatriar entre 8 e 10 TWh atualmente exportados.

A sequência lógica é direta e preocupante. Um super El Niño reduz a precipitação nas bacias que alimentam as albufeiras. A redução do armazenamento diminui a capacidade de geração. A diminuição da geração ocorre num sistema que já opera próximo do limite, pressionado simultaneamente pela procura interna crescente e pelos compromissos de exportação regional. O resultado da qualidade do fornecimento.

Esta última expressão merece tradução concreta. Qualidade de energia significa tensão estável e frequência constante. Ventiladores, geladeiras e aparelhos de refrigeração são particularmente sensíveis a variações de tensão: subtensões prolongadas danificam compressores e motores. Para uma família da periferia, a avaria de uma geladeira adquirida com meses de poupança não é um contratempo, é a perda de um ativo insubstituível e o fim da possibilidade de conservar alimentos e água fresca.

Acresce a questão do acesso. A taxa de acesso doméstico à energia elétrica progrediu de 36,8% em 2020 para 61,4% em 2025, resultado do Programa Energia para Todos. É um avanço assinalável. Mas significa que cerca de quatro em cada dez moçambicanos permanecem sem ligação, e a distribuição é profundamente desigual: em 2020, apenas 4,5% da população rural tinha acesso à eletricidade, contra 75% da população urbana. Para esses agregados, a discussão sobre eficiência de equipamentos de arrefecimento é abstrata. Não existe equipamento porque não existe corrente.

Aqui a dupla exposição de O’Brien e Leichenko manifesta-se na sua forma mais nítida. O estressor climático, a seca induzida pelo El Niño, atua sobre um estressor não climático preexistente, a dependência hidrelétrica combinada com compromissos de exportação e cobertura incompleta da rede.

Como se arrefecem, então

Perante a ausência de arrefecimento mecânico, as comunidades periféricas desenvolveram um repertório de estratégias que a literatura designa por adaptação autônoma. Vale a pena registrá-lo sem romantismo: trata-se de engenho sob constrangimento, não de solução.

A gestão do tempo é a estratégia mais difundida. Desloca-se a atividade doméstica e produtiva para as primeiras horas da manhã e para o fim da tarde, evacuando o período central do dia. Dorme-se no exterior, no quintal ou na varanda, quando a temperatura interior não desce durante a noite, o que é frequente, dado que a chapa reirradia calor acumulado durante horas após o pôr do sol.

A gestão do corpo inclui banhos sucessivos, roupa úmida, redução da atividade física e aumento do consumo de água. Esta última prática depende, evidentemente, da disponibilidade de água segura, que o El Niño precisamente reduz.

A gestão do espaço traduz-se na procura ativa de sombra coletiva: a árvore do bairro, o alpendre do vizinho, o interior do mercado. A sombra funciona, nestes contextos, como bem comum e a sua distribuição desigual entre bairros é uma questão de justiça ambiental raramente tratada como tal.

Estas estratégias têm um custo que raramente é contabilizado. Deslocar o trabalho para fora das horas de calor reduz o rendimento diário. Dormir mal degrada a saúde e o desempenho escolar.

Reduzir a atividade física em contexto de trabalho informal significa, muitas vezes, não trabalhar. A adaptação autônoma funciona, mas consumindo o capital humano e econômico de quem a pratica. É adaptação que empobrece.

Alternativas de adaptação orientadas ao calor

Se o diagnóstico identifica os estressores não climáticos como determinantes, então a resposta deve incidir sobre eles. Quatro linhas de intervenção merecem consideração, ordenadas por relação entre custo e efeito.

A primeira é a intervenção na envolvente construtiva, e é a que apresenta melhor relação custo-benefício.

A segunda é a arborização orientada. Plantar árvores não é ornamento urbano: é instalação de infraestrutura de arrefecimento com custo de operação baixo.

A terceira é a criação de espaços públicos de refúgio térmico. Escolas, centros comunitários, mercados cobertos e unidades sanitárias podem ser adaptados para funcionar como pontos de arrefecimento durante episódios de calor extremo, à semelhança do que ocorre com abrigos em situações de ciclone.

A quarta é o arrefecimento descentralizado por via solar. Em comunidades sem ligação à rede ou com fornecimento instável, sistemas fotovoltaicos autônomos dimensionados para ventilação e refrigeração básica contornam simultaneamente o problema do acesso e o da qualidade da energia.

A estas acresce uma dimensão institucional transversal. Os sistemas de aviso prévio moçambicanos foram construídos, com mérito reconhecido, para ciclones e cheias, eventos de início súbito e efeito visível. O calor extremo tem outra assinatura: instala-se lentamente, não destrói a infraestrutura e mata de forma dispersa e mal atribuída.

A pergunta com que este texto começou (como as comunidades periféricas se arrefecem em Moçambique, em tempos de Super El Niño?) tem, no fundo, uma resposta desconfortável. Arrefecem-se mal, à custa do próprio sono, do próprio rendimento e da própria saúde. E continuarão a arrefecer-se mal enquanto a política de adaptação climática for pensada como política de clima, e não como política de habitação, de solo urbano, de saneamento e de energia.

Fonte: Jornal da USP | Tomás de Azevedo Júlio e Maria da Penha Vasconcellos

Contran atualiza fiscalização da Lei Seca e prevê testes para outras drogas

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Contran atualiza fiscalização da Lei Seca e prevê testes para outras drogas
Foto: Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) atualizou as regras de fiscalização da Lei Seca e passou a prever testes para detectar drogas.

O chamado drogômetro poderá usar amostras de saliva para identificar substâncias psicoativas. O resultado positivo, porém, não será suficiente sozinho para caracterizar a infração. O agente também terá que registrar pelo menos dois sinais de alteração da capacidade psicomotora. A norma também cria uma etapa de triagem antes do bafômetro.

O Conselho Nacional de Trânsito atualizou as regras para a fiscalização de motoristas sob influência de álcool e de outras substâncias psicoativas.

A resolução cria uma etapa de triagem nas blitzes. Nela, poderão ser usados testes passivos, que identificam indícios de álcool sem que o motorista precise soprar o bafômetro. O resultado desse pré-teste serve apenas para orientar a fiscalização e, sozinho, não poderá resultar em autuação. A Lei Seca está em vigor desde 2008 e estabeleceu tolerância zero para a combinação entre álcool e direção. A senadora Jussara Lima, do PSD do Piauí, destaca que a legislação mudou o comportamento dos motoristas.

(sen. Jussara Lima) – Provocou importantes mudanças nos hábitos da população brasileira, no que diz respeito à combinação perigosa de beber e de dirigir. De fato, a Lei Seca tornou-se instrumento fundamental de intervenção na área de saúde pública e de segurança viária em nosso país.

Outra novidade da resolução do Contran é a regulamentação de testes para detectar outras substâncias psicoativas além do álcool. O chamado drogômetro funciona a partir de uma amostra de saliva e poderá indicar a presença de substâncias como maconha, cocaína, anfetaminas e opioides.

Mas a simples presença de vestígios não será suficiente para caracterizar a infração. O agente também terá que identificar sinais de alteração da capacidade para dirigir e registrar pelo menos dois deles, como dificuldade de equilíbrio, desorientação ou fala comprometida.

A resolução também tenta evitar resultados provocados pelo chamado álcool residual. Produtos como enxaguante bucal ou bombom de licor podem deixar resíduos temporários na boca. Nesses casos, a norma prevê uma nova avaliação.

O bafômetro vai continuar sendo usado normalmente e as penalidades previstas no Código de Trânsito continuam as mesmas.

A resolução não cria novas multas nem aumenta as punições. A principal mudança está na forma de fiscalizar e comprovar o uso de álcool ou drogas.

Fonte: Rádio Senado, Marcella Cunha

Dados Climáticos como Bem Comum: governança, informação e resiliência urbana

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Dados Climáticos como Bem Comum: governança, informação e resiliência urbana
Foto: Magnific

Como transformar informações climáticas em instrumentos de governança, prevenção e resiliência para as cidades brasileiras

Em fevereiro de 2023, deslizamentos causados por chuvas extremas devastaram bairros inteiros em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Em abril de 2024, o Rio Grande do Sul viveu a maior catástrofe climática de sua história: mais de 420 municípios inundados, centenas de pessoas desalojadas. Em ambos os casos, os dados estavam disponíveis e os sistemas de monitoramento registraram os sinais. O que faltou foi o que Elinor Ostrom, prêmio Nobel em economia, caracteriza como arranjos coletivos capazes de transformar informação compartilhada em ação coordenada. Ostrom demonstrou que comunidades conseguem gerir bens comuns com eficiência e legitimidade quando têm acesso à informação, regras construídas de forma participativa e confiança entre os atores envolvidos. Aplicada ao contexto climático urbano, essa visão aponta um caminho concreto: tratar os dados de monitoramento como patrimônio coletivo das cidades e construir, ao redor deles, uma cultura de governança que proteja vidas antes que a tragédia bate à porta.

O Brasil possui uma das redes de monitoramento climático mais abrangentes da América Latina. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – CEMADEN opera mais de 4.000 estações distribuídas pelo território nacional, gerando registros quase em tempo real de precipitação, movimentos de massa e riscos hidrológicos. O Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico – ANA publica mensalmente a situação hídrica de cada região do país. São instrumentos robustos, financiados com recursos públicos e cada vez mais acessíveis. A questão não é a ausência de dados: é como eles circulam, por quem são lidos e em quais decisões aterrisam.

É nessa abertura que reside a oportunidade. Quando dados climáticos são tratados como bens comuns, compartilhados, interpretados coletivamente e integrados às decisões do cotidiano, eles ganham um poder que nenhum sistema centralizado consegue oferecer sozinho: o poder de ser compreendido por quem vive no território. Aplicado ao contexto climático urbano, esse modelo sugere uma arquitetura em que os dados não ficam concentrados em uma única secretaria, mas circulam entre planejamento, obras, assistência social e comunidades, com responsabilidades claras e linguagem acessível.

O desafio, portanto, não é técnico, é de mediação. É nesse ponto que se insere o painel de monitoramento climático desenvolvido no âmbito da plataforma de dados para tomada de decisão. Construído com ferramentas abertas e de baixo custo, ele integra registros do CEMADEN e de estações locais em uma interface visual acessível a equipes técnicas municipais, gestores de defesa civil e representantes comunitários. Seu princípio de design é direto: se o dado é patrimônio coletivo, sua leitura não pode ser privilégio de especialistas. O painel é uma infraestrutura de sentido. Um espaço onde o dado climático se torna legível para quem vive o território e acionável para quem precisa decidir sobre ele. Quando desenhado com a participação de equipes técnicas e representantes de bairros vulneráveis, torna-se instrumento vivo de governança, alimentado por quem conhece o chão, e analisado por quem precisa agir. A barreira financeira, frequentemente usada como justificativa para a inação, deixou de ser um argumento válido.

Países como Japão e Holanda já demonstraram que essa integração é possível e replicável. No Japão, dados climáticos cruzados com informações urbanas permitem evacuações preventivas com horas de antecedência. Na Holanda, o planejamento é estruturado a partir de modelos hidrológicos participativos que atualizam continuamente as zonas de risco. Esses países não eliminaram os riscos climáticos, aprenderam a governá-los com informação e confiança institucional.

Cidades inteligentes são as que constroem, coletivamente, a capacidade de ler o ambiente, antecipar riscos e agir com coordenação, tendo a tecnologia como meio e a qualidade de vida do cidadão como fim. O dado climático, quando tratado como patrimônio comum, passa a fazer parte de uma cultura de cuidado compartilhado que fortalece vínculos, distribui responsabilidades e torna as cidades mais humanas, inteligentes e sustentáveis.

Inadimplência das empresas no Brasil bate recorde; veja série histórica

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Inadimplência das empresas no Brasil bate recorde; veja série histórica
Fonte: Freepik | Gerada por IA

Mais de 9,1 milhões de CNPJs registravam dívidas acumuladas de R$ 232,9 bilhões em junho de 2026

O número de empresas inadimplentes no Brasil bateu recorde da série histórica da Serasa Experian em junho de 2026.

Mais de 9,1 milhões de CNPJs registravam dívidas acumuladas de R$ 232,9 bilhões naquele mês.

O número é 16,67% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025 e recorde na série iniciada em 2016.

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a crescente inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas, pressionadas pela alta taxa de juros, que hoje está em 14%.

O fator ainda é limitante para a melhora consistente do mercado de crédito.

“Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirma.

No começo de agosto, o Banco Central voltou a cortar a taxa básica de juros do país. Contudo, a Selic segue em patamar elevado, encarecendo o crédito no país.

O atual ciclo de arrefecimento foi deflagrado em março deste ano, quando a Selic passou de 15% – patamar mantido desde junho de 2025 – para 14,75%.

Em meio a este cenário, no ano passado, houve recorde de registros de pedidos de recuperação judicial no país.

A pressão também recai sobre a maneira como os bancos lidam com o cenário.

Com o crédito mais caro, cresce o número de atrasos e calotes, obrigando os bancos a reforçarem as provisões para perdas com devedores duvidosos. Isso reduz a rentabilidade das instituições.

De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, o mercado tem sido cada vez mais seletivo na análise dos resultados do setor bancário.

“Os investidores e o mercado estão diferenciando os bancos que conseguem entregar bons resultados mesmo em um cenário de juros altos daqueles que enfrentam mais dificuldades para administrar esse aumento da inadimplência”, observa Marilia.

Segundo ela, a leitura dos investidores vai além dos números de um único trimestre e considera a capacidade de cada instituição de atravessar um período prolongado de crédito restritivo.

Fonte: CNN Brasil

Ministério das cidades apresenta publicação para mapeamento de riscos

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Ministério das cidades apresenta publicação para mapeamento de riscos
Foto: Divulgação

Reunião online reúne profissionais que atuam na gestão de riscos e desastres

Brasília (DF)  – O Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Periferias, promove reunião técnica para a apresentação do livro “Mapeamento de riscos: conceitos e métodos aplicados a processos geológicos e hidrológicos”.  O encontro, online, será realizado nesta terça-feira (18), às 10h30.

Publicado originalmente em 2007, o livro ganhou atualizações, incorporando avanços técnicos e metodológicos desenvolvidos ao longo das últimas décadas no campo da identificação, caracterização e mapeamento de riscos associados a processos geológicos e hidrológicos.

A apresentação da publicação é parte da estratégia do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco, em contribuir para a disseminação de conhecimentos e metodologias entre técnicos, pesquisadores, mapeadores e demais profissionais e instituições que atuam na área de gestão de riscos e desastres, fortalecendo as ações de prevenção, mitigação e redução de riscos no território nacional.

Neste momento em que os impactos do El Niño se avizinham, esta publicação se apresenta como um potente instrumento para auxiliar na identificação dos riscos. Afinal, só conseguimos atuar de maneira preventiva quando conhecemos os riscos dos territórios. Caso contrário, acabamos lidando apenas com os desastres”, afirma Rodolfo Moura, diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco.

Veja o livro aqui.

Serviço:

Encontro online

Data: 18 de agosto de 2026

Horário:  10h30 às 12h00

Link de acesso: https://teams.microsoft.com/meet/271472441745289?p=mAu0uw1160L0Q5v5sA

Fonte: Ministério das Cidades

São Paulo recebe encontro nacional para discutir o futuro das estatais de infraestrutura

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São Paulo recebe encontro nacional para discutir o futuro das estatais de infraestrutura
Foto: Plataforma P3C/ Divulgação

Evento reunirá gestores públicos, dirigentes de estatais e investidores em novembro para debater governança, PPPs e concessões, em meio ao avanço das parcerias na infraestrutura social do país

São Paulo será palco, em 16 de novembro, do Encontro Nacional de Estatais de Projetos e Infraestrutura. O evento, organizado pela Necta por meio da plataforma P3C, reunirá gestores públicos, dirigentes de empresas estatais, investidores, financiadores, consultorias e escritórios de advocacia para debater os desafios e as oportunidades do setor no país. A programação acontece das 9h às 18h, na Rua Sumidouro, 580, em Pinheiros, e tem foco em governança, inovação, investimentos, parcerias público-privadas (PPPs) e concessões.

O encontro é voltado principalmente a dois públicos: lideranças de empresas estatais que atuam diretamente no setor de infraestrutura e decisores de estatais de investimento e desenvolvimento. A programação está organizada em mesas temáticas que passam por política remuneratória, governança de projetos, produtos e frentes de atuação, processos de contratação, além de segurança jurídica e o papel dos órgãos de controle. O acesso é restrito a convidados, mas quem tiver interesse pode se inscrever em lista de espera pelo site do evento.

Leia mais: Descarbonização do Nordeste ganha força com avanço das PPPs e estará no centro dos debates do P3C Nordeste

A iniciativa chega em um momento em que o país discute, com mais intensidade, o papel das parcerias entre o poder público e a iniciativa privada na construção de infraestrutura social, área que reúne educação, saúde e segurança pública. Levantamentos da Radar PPP, citados pela CNN Brasil, mostram que o ciclo 2023-2026 já soma seis contratos assinados nesse campo, contra apenas um no período anterior, entre 2019 e 2022, com expectativa de que o total ultrapasse 15 projetos. São Paulo lidera o número de assinaturas, seguido por Paraná e Minas Gerais.

Esse movimento reflete uma mudança de postura do poder público, que aos poucos deixa de concentrar esforços na execução direta de obras e serviços para assumir um papel de gestor de contratos de longo prazo. Na prática, isso significa que o Estado passa a fiscalizar resultados e indicadores de desempenho, enquanto empresas privadas ficam responsáveis por manter a infraestrutura em funcionamento, muitas vezes sob risco de multa quando o serviço falha.

Leia mais: ANTT sedia evento com autoridades e especialistas internacionais para debater o presente e futuro das concessões e PPPs na América Latina

Na área da saúde, essa divisão de responsabilidades costuma ser explicada pela distinção entre o que é chamado de “bata branca”, relacionado ao atendimento clínico direto ao paciente, e “bata cinza”, ligado à manutenção, hotelaria hospitalar e infraestrutura. O Brasil já experimenta diferentes formatos: em modelos como o do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, a concessionária cuida apenas da estrutura; em cidades como Sorocaba e São José dos Campos, há contratos separados para infraestrutura e assistência médica; já no Hospital do Subúrbio, na Bahia, um único contrato reúne as duas frentes.

Na educação, a lógica é semelhante, mas com limites mais claros: os contratos costumam abranger construção, manutenção e apoio administrativo, preservando a atuação pedagógica com os professores da rede pública. Já na segurança pública, a legislação brasileira impede a delegação do poder de polícia, o que restringe a participação privada a funções como manutenção e ressocialização, mantendo a custódia sob responsabilidade do Estado.

Para especialistas do setor, o crescimento desses contratos exige também um novo perfil de servidor público, mais próximo da gestão financeira e jurídica de projetos complexos do que da execução direta de obras. É justamente esse tipo de debate, sobre como estruturar e fiscalizar parcerias que possam durar décadas, que deve orientar as discussões do encontro em novembro.

Com a ampliação dos investimentos em infraestrutura social, o desafio que se coloca para gestores públicos e privados não é apenas técnico, mas também de continuidade: garantir que os contratos firmados hoje sustentem, ao longo de décadas, serviços de qualidade para quem depende deles no dia a dia.

Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Do café à urna eletrônica: como uma cidade de 43 mil habitantes virou o Vale da Eletrônica do Brasil

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Do café à urna eletrônica: como uma cidade de 43 mil habitantes virou o Vale da Eletrônica do Brasil
Foto: Divulgação

Em Santa Rita do Sapucaí, a escola veio antes da fábrica. O modelo que nasceu em 1959 hoje movimenta R$ 3,2 bilhões por ano e será tema de encontro da Plataforma CSC durante o HackTown 2026

Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, tem pouco mais de 43 mil habitantes e é hoje um dos principais polos tecnológicos do país. A cidade, conhecida como “Vale da Eletrônica”, concentra mais de 160 indústrias de base tecnológica, movimenta cerca de R$ 3,2 bilhões por ano e gera 17 mil empregos.

Em Santa Rita, a indústria veio depois da escola, não antes. Em 1959, Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira, fundou a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira Costa (ETE FMC), a primeira escola técnica de eletrônica da América Latina, numa cidade que até então vivia da agropecuária.

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Nos anos seguintes vieram o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em 1965, e a Faculdade de Administração e Informática (FAI), em 1971. Junto com unidades do SENAI, essas instituições sustentam até hoje a formação técnica da região. O empreendedorismo é estimulado desde o ensino básico, com feiras tecnológicas e programas de pré-incubação nas escolas.

Academia, indústria e governo trabalhando juntos

O polo funciona a partir da chamada “hélice tríplice”: escolas e universidades formam mão de obra e pesquisa; empresas, reunidas principalmente no Sindvel e na Associação Industrial (AISRS), transformam esse conhecimento em produto; e a prefeitura sustenta infraestrutura, incentivos fiscais e a incubadora municipal, criada em 1999 e eleita pela Anprotec, em 2003, a melhor incubadora de base tecnológica do país.

Em 2021, esse arranjo ganhou um novo formato com a criação do Parque Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí, que integra empresas, universidades e poder público diretamente à malha urbana da cidade, sem muros ou distritos isolados. O parque também tem sido usado para atrair parcerias internacionais, como as que vêm sendo discutidas com Dubai.

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Santa Rita produz 100% das urnas eletrônicas usadas nas eleições brasileiras e concentra empresas que respondem por mais de 70% do mercado nacional de eletrônicos de segurança. A cidade também sediou os primeiros testes do sinal 5G em Brasília e tem produção relevante em robótica, automação industrial e internet das coisas.

Ao lado da produção industrial, a cidade também virou point de eventos: o HackTown, inspirado no festival americano SXSW, ocupa praças, casarões e universidades com mais de mil atividades simultâneas, reúne executivos de grandes empresas e já projetou negócios acima de R$ 250 milhões.

O modelo também enfrenta limites. A distância dos grandes centros — 220 km de São Paulo, 380 km do Rio de Janeiro, 420 km de Belo Horizonte — encarece a logística de transporte de cargas. Reter profissionais de alta especialização é um desafio constante, e falta replicar clusters semelhantes em outras partes de Minas Gerais para reduzir as desigualdades regionais do estado.

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Mesmo assim, Santa Rita segue como referência de que dá para construir um polo tecnológico relevante fora das capitais, com uma combinação de educação, produção e gestão pública trabalhando na mesma direção.

Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC acontece dentro do HackTown

A Plataforma CSC realiza no dia 3 de setembro, das 13h30 às 18h, uma Reunião Estratégica Regional em Santa Rita do Sapucaí. O encontro será no Auditório Aureliano Chaves, no Inatel, um dos principais pontos da cidade durante o festival.

A reunião faz parte da programação do HackTown 2026 – Festival de Tecnologia, Inovação, Criatividade e Consciência e deve reunir gestores públicos, empresas e especialistas em cidades inteligentes para discutir, a partir da experiência de Santa Rita, caminhos para o desenvolvimento tecnológico de outros municípios brasileiros.

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