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Sem regulamentação, mercados preditivos crescem no Brasil e viram desafio para o governo

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Sem regulamentação, mercados preditivos crescem no Brasil e viram desafio para o governo
Foto: Reprodução/ Kalshi e Polymarket

Enquanto o debate público se concentra nas casas de apostas, plataformas de previsão operam em uma zona cinzenta e brasileiros usam brechas para driblar proibição.

Fora das atenções que focam em publicidades de bets e regulamentações, os chamados “mercados de predição”, que cresceram globalmente nos últimos anos, se tornaram um desafio para as autoridades brasileiras.

Em abril, o governo bloqueou 27 plataformas que faziam previsões sobre os mais diferentes temas, como as americanas Kalshi e Polymarket, para evitar a consolidação de um modelo de apostas sem controle e que não segue a legislação do país.

O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”, relacionados aos mais diversos eventos, como guerras, mudanças climáticas ou eleições.

Se o evento acontecer, como a vitória deu um político nas urnas ou de um vencedor em um reality show, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.

A diferença em relação às apostas tradicionais é que, nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios. Já nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si. Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.

Apesar de proibidos, usuários brasileiros encontram lacunas para acessar a esses conteúdos. Além do uso de VPNs para driblar os bloqueios, a forma de pagamento nestes sites é outra dificuldade. Enquanto no caso de casas de apostas ilegais o governo vem intensificando verificações sobre transações com o Pix, os mercados de predição operam, sobretudo, usando criptomoedas.

A DW encontrou quatro plataformas operando neste sistema de forma irregular no país. Além disso, ao longo das últimas semanas, outras chegaram a oferecer anúncios no Instagram. A reportagem encontrou ainda publicidade de casas de apostas clandestinas convencionais na plataforma.

Questionada, a Meta apontou que “anunciantes que desejam promover jogos de azar ou jogos online precisam solicitar permissão por escrito e fornecer provas de que as suas atividades estão licenciadas por um regulador ou estabelecidas como legítimas nos territórios nos quais desejam veicular esses conteúdos”.

A empresa destacou que órgãos governamentais podem pedir a restrição de conteúdos que violam as leis.

Popularidade em alta na Copa

Os mercados de predições ganharam enorme tração nas eleições americanas em 2024 após uma disputa jurídica permitir ao Kalshi ofertar palpites nos vencedores daquele pleito. Desde então, eles vêm acumulando restrições, polêmicas e bilhões de dólares movimentados.

Neste ano, altos volumes apostados associados às ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela reforçaram os temores de que agentes com informações privilegiadas lucraram com os eventos nestas plataformas. Além disso, uma aposta sobre o uso de armas nucleares em 2026 saiu do ar após polêmica.

Na Copa, as plataformas oferecem apostas convencionais, como palpites no artilheiro do campeonato e o vencedor do torneio, assim como as bets tradicionais. No entanto, há mercados mais personalizados, como um que permitia apostar se Neymar entraria ou não em campo.

Em possibilidades ainda mais alternativas, apostava se também nas chances de Cristiano Ronaldo chorar em público durante a competição. No começo do torneio, a casa de análises Bernstein previu uma movimentação de 10 bilhões de dólares em apostas nestes mercados ligadas à Copa.

Bets x predições

As diferenças no funcionamento das predições para as casas de apostas geram discussões regulatórias. Entusiastas do primeiro modelo frequentemente alegam que as características são mais próximas do mercado financeiro do que de uma bet. Uma das principais defesas é a de que a aposta ocorre contra outros usuários, e não contra a casa, como na outra modalidade.

Mercados preditivos funcionam com base na compra e venda de contratos futuros. Por exemplo, na Copa, a aposta no campeão será liquidada logo depois da final. O valor de um palpite varia de acordo com a oferta e a demanda. Quanto mais pessoas palpitarem sobre um aspecto, este contrato se valoriza. Neste modelo, o lucro da plataforma vem através de uma comissão a cada negociação.

Ou seja, o resultado final é indiferente para as receitas da operação. Maiores ganhos para a plataforma vêm através de um maior volume negociado. No caso do campeão da Copa, no começo de julho, apenas o Kalshi já tinha movimentado cerca de 850 milhões de dólares.

No caso das casas de apostas tradicionais, cada uma oferece um retorno de acordo com as probabilidades avaliadas de que um evento ocorra, as chamadas “odds”. Neste modelo, é calculado, normalmente usando algoritmos, quanto se pode pagar a cada usuário vencedor por um resultado de forma que a casa ainda obtenha lucro, normalmente de 5%.

Apesar das diferenças, estudos apontam que, assim como nas bets, a maioria dos usuários tende a ter perdas nos mercados de predição. Um estudo recente sobre o Polymarket mostrou que os ganhos são altamente concentrados, com 1% dos usuários detendo 76,5% dos lucros.

À DW, Charles Martineau, um dos autores da pesquisa e professor da Universidade de Toronto resumiu a lógica deste mercado para a grande maioria. ” É muito difícil de ganhar dinheiro apostando em esportes. É possível lucrar com algumas sequências de apostas, mas para a pessoa comum, apostar muitas vezes resultará em prejuízo.”

“Em plataformas como Kalshi e Polymarket, onde as apostas esportivas têm um alto volume de negociações, constatamos que os preços são tão eficientes que é praticamente impossível lucrar”, aponta Martineau. Além disso, ele acrescenta: “uma coisa é certa: a introdução dos mercados de previsão levará algumas pessoas a desenvolver uma crescente dependência de jogos de azar”.

Necessidade de regulamentação

Na visão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a oferta destas plataformas de apostas em eventos esportivos no país demandaria licenças específicas, assim como ocorre com as casas que vem operando de forma regular desde o último ano. Na ausência de uma regulamentação, o acesso a estes sites deve ser barrado no território nacional.

“Estava havendo ofertas inclusive de mercados ilegais, como eleições. O governo agiu rápido em excelente momento, antes que o tema escalasse”, avalia Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), ao comentar a decisão do governo de bloquear os sites.

Para Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw e consultor do Conselho Federal da OAB, o cenário atual foi uma “resposta rápida”, especialmente visando limitar as apostas em eleições, que são proibidas no caso das bets. Por sua vez, passado o período eleitoral e com a atual popularidade, a regulamentação destes mercados deve voltar à tona, projeta.

Bessa aponta que o uso de informações privilegiadas tende a ser uma dificuldade regulatória a mais, algo que é mais controlado no caso das bets. A legislação atual do setor aponta que potenciais envolvidos em partidas, como árbitros, jogadores e comissão técnica, não podem apostar.

No caso das predições, a atuação de agentes ligados aos eventos é menos controlada. “Quem tem informações, sai na frente”, resume.

Fonte: G1

P3C Regional Nordeste reúne especialistas, setor público e investidores em Fortaleza para impulsionar a agenda de infraestrutura da região

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P3C Regional Nordeste reúne especialistas, setor público e investidores em Fortaleza para impulsionar a agenda de infraestrutura da região
Foto: Divulgação

Com mais de 20 horas de conteúdo e 79 palestrantes, encontro fortaleceu o diálogo entre poder público, investidores e especialistas sobre o futuro da infraestrutura regional. 

Fortaleza recebeu a edição Nordeste do P3C Regional, consolidando-se como ponto de encontro para o debate sobre os principais desafios e oportunidades da infraestrutura, das concessões e das parcerias público-privadas na região. Ao longo de um dia intenso de programação, o evento reuniu 378 participantes presenciais, 79 palestrantes, 16 painéis distribuídos em quatro palcos simultâneos, somando mais de 20 horas de conteúdo especializado em um dia de atividades.

Com foco nas oportunidades estratégicas do Nordeste, o P3C Regional promoveu discussões voltadas ao desenvolvimento regional, considerando setores de infraestrutura e serviços com elevado potencial de transformação. Os debates abordaram temas fundamentais para o futuro da região, como descarbonização, energias renováveis, mobilidade e transporte, portos, infraestrutura de abastecimento de água e saneamento, desenvolvimento social, cidades inteligentes e iluminação pública.

Leia mais: Descarbonização do Nordeste ganha força com avanço das PPPs e estará no centro dos debates do P3C Nordeste

A programação reuniu representantes do setor público, investidores, especialistas, empresas e instituições para discutir soluções capazes de ampliar investimentos, fortalecer a gestão pública e acelerar projetos que impactam diretamente a qualidade de vida da população nordestina. A região concentra mais de 56,4 milhões de habitantes, o equivalente a 26,9% da população brasileira, reforçando a relevância de iniciativas que promovam infraestrutura mais eficiente, sustentável e inclusiva.

A realização do encontro contou com o apoio de um amplo ecossistema de parceiros, reunindo 12 patrocinadores e 13 apoiadores. Entre os patrocinadores esteve o Banco do Nordeste, banco com foco no desenvolvimento de ações para a região Nordeste. “O Banco do Nordeste tem a clareza de que o desenvolvimento da nossa região passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da infraestrutura, e as PPPs são o caminho mais célere e eficiente para viabilizarmos esses investimentos estruturantes”, afirma Paulo Câmara, presidente do Banco do Nordeste. O BNDES, instituição que atua no financiamento de projetos estruturantes para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira e que participou da construção de um ambiente de debate voltado à ampliação de investimentos e ao fortalecimento das parcerias entre os setores público e privado e a INFRA SA, estatal que promove o planejamento de longo prazo, ampliando eficiência da alocação dos recursos destinados à infraestrutura e aumentar a competitividade do país

Ao proporcionar um ambiente qualificado para troca de experiências, apresentação de cases e construção de conexões entre diferentes atores do mercado, o P3C Regional Nordeste reafirmou seu papel como uma das principais plataformas de discussão sobre concessões, PPPs e infraestrutura no Brasil.

Leia mais: De Encontros Regionais ao Cenário Nacional: Como a Plataforma P3C Conecta Investidores e Governos

O encerramento desta edição marca mais um importante capítulo na construção de uma agenda regional voltada à inovação, à sustentabilidade e à atração de investimentos.

Prepare-se para a próxima edição.

Para saber mais sobre a plataforma, clique aqui.

Quem planeja a cidade do futuro?

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Construção civil: Falta recursos para adaptação das cidades, diz Cbic
Foto: Rodinei Santo / Prefeitura de Pato Branco

Em um cenário cada vez mais orientado por dados e inteligência artificial, a tecnologia precisa servir às pessoas e fortalecer a gestão pública

Em meio à aceleração da transformação digital, é comum associarmos o conceito de cidades inteligentes a soluções como sensores, aplicativos, iluminação conectada e plataformas digitais de atendimento ao cidadão. Esses elementos, sem dúvida, fazem parte da evolução urbana, mas representam apenas a superfície de uma mudança muito mais profunda. O que está em curso é uma transformação estrutural na forma como planejamos, governamos e compreendemos o território. A cidade deixa de ser organizada apenas por ruas, edifícios e infraestrutura física para passar a ser estruturada por dados, algoritmos e inteligência analítica. Estamos vivendo uma nova etapa do urbanismo, em que a infraestrutura digital se torna tão estratégica quanto a infraestrutura de concreto.

Essa mudança redefine o próprio papel do Estado e da gestão pública. A capacidade de coletar, integrar e interpretar dados passa a ser um ativo fundamental para governos que desejam oferecer melhores serviços, atrair investimentos e planejar políticas públicas de forma mais eficiente. Em muitos países, especialmente no Sul Global, a digitalização tornou-se também uma demonstração de capacidade institucional. Governos investem em plataformas digitais, cadastros inteligentes e sistemas integrados não apenas para aumentar a eficiência administrativa, mas para demonstrar maturidade na gestão e ampliar sua competitividade em um cenário internacional cada vez mais orientado por dados.

Nesse contexto, talvez uma das mudanças mais significativas seja aquela que acontece silenciosamente sob nossos pés: a digitalização do solo urbano. O território deixa de ser apenas uma realidade física para tornar-se uma base de informação altamente qualificada. Cada lote, cada imóvel e cada parcela da cidade passam a ser representados por registros digitais permanentemente atualizados, formando uma camada informacional capaz de orientar decisões sobre mobilidade, habitação, infraestrutura, meio ambiente e desenvolvimento econômico.

Essa transformação rompe com um modelo histórico de gestão pública baseado em documentos físicos, cadastros fragmentados e informações isoladas em diferentes órgãos. Durante décadas, o acesso aos dados territoriais esteve concentrado em departamentos específicos, dificultando uma visão integrada da cidade. Hoje, ao contrário, o valor do dado está justamente em sua capacidade de circular entre diferentes áreas da administração pública. Quanto mais conectado, atualizado e compartilhado ele estiver, maior será sua utilidade para a tomada de decisão.

Essa nova lógica inaugura aquilo que muitos pesquisadores chamam de burocracia de “zero contato”. Não se trata da eliminação da presença humana na gestão pública, mas da digitalização dos processos administrativos. Em vez de depender exclusivamente da interação presencial no balcão, grande parte das análises passa a ocorrer por meio de sistemas digitais capazes de integrar informações em tempo real. Isso reduz burocracias, amplia a transparência, acelera licenciamentos e fortalece a capacidade de planejamento dos municípios.

Os benefícios desse processo são inegáveis. Cadastros digitais permitem identificar áreas de expansão urbana, mapear riscos ambientais, planejar redes de transporte, monitorar o uso do solo e direcionar investimentos públicos com maior precisão. Também fortalecem a segurança jurídica, um aspecto fundamental para estimular investimentos responsáveis e impulsionar projetos de infraestrutura que contribuam para o desenvolvimento das cidades.

Não por acaso, diversos países vêm estruturando programas nacionais voltados à digitalização territorial. A Índia, por exemplo, implementou iniciativas que atribuem um identificador único para cada parcela de terra, padronizam registros fundiários e utilizam drones e inteligência artificial para mapear territórios antes pouco documentados. O objetivo é criar bases de dados mais consistentes, reduzir conflitos sobre propriedade e tornar os processos administrativos mais eficientes. Ainda que cada país possua sua própria realidade institucional, essas experiências demonstram como a informação territorial tornou-se um elemento estratégico para o desenvolvimento econômico e para a gestão pública.

Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial amplia ainda mais as possibilidades desse novo urbanismo. As cidades produzem diariamente uma enorme quantidade de dados sobre mobilidade, energia, saneamento, segurança, saúde e meio ambiente. Quando utilizados de forma responsável, esses dados permitem antecipar demandas, otimizar serviços públicos e apoiar decisões baseadas em evidências. A inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica para tornar-se um instrumento de planejamento urbano.

Entretanto, seria um equívoco imaginar que a tecnologia, por si só, produz cidades melhores. Algoritmos não são neutros. Sistemas digitais refletem escolhas humanas, prioridades institucionais e valores sociais. Toda base de dados carrega limitações, toda modelagem estatística incorpora critérios de seleção e toda automação reproduz decisões previamente estabelecidas por pessoas.

Esse talvez seja um dos maiores desafios da transformação digital nas cidades. À medida que parte das decisões administrativas passa a ser mediada por sistemas inteligentes, desloca-se também parte da responsabilidade sobre essas escolhas. A discricionariedade antes exercida exclusivamente por agentes públicos passa a ser compartilhada com arquiteturas tecnológicas desenvolvidas por equipes multidisciplinares, empresas e especialistas em software. Isso exige novos mecanismos de governança capazes de garantir transparência, auditabilidade e controle social.

Da mesma forma, precisamos enfrentar o desafio da inclusão digital. Uma cidade verdadeiramente inteligente não pode ampliar desigualdades entre aqueles que conseguem acessar serviços digitais e aqueles que permanecem desconectados. Também não pode permitir que regiões historicamente invisibilizadas continuem ausentes das bases de dados que orientam os investimentos públicos. Dados incompletos geram diagnósticos incompletos, que, por sua vez, podem aprofundar assimetrias já existentes.

Outro aspecto fundamental é a capacidade técnica do próprio setor público. A incorporação crescente de inteligência artificial, análise preditiva e plataformas digitais exige equipes preparadas para compreender essas tecnologias, avaliá-las criticamente e estabelecer critérios claros para sua contratação e utilização. O fortalecimento da capacidade institucional será tão importante quanto a adoção das ferramentas tecnológicas em si.

Por isso, o futuro das cidades inteligentes não será definido apenas pelo avanço da inovação, mas pela qualidade da governança que conseguirmos construir ao redor dela. Precisaremos combinar tecnologia com ética, eficiência com transparência, automação com participação cidadã e inovação com responsabilidade pública.

No Connected Smart Cities, defendemos justamente essa visão ampliada da inteligência urbana. Uma cidade inteligente não é aquela que acumula mais tecnologia, mas aquela que utiliza a inovação para produzir desenvolvimento sustentável, melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer sua capacidade de enfrentar desafios sociais, econômicos e ambientais. A inteligência urbana nasce quando dados, pessoas, planejamento e políticas públicas caminham juntos.

A transformação do solo em informação representa uma das maiores revoluções do planejamento urbano das últimas décadas. Mas o verdadeiro valor dessa transformação não estará na quantidade de dados produzidos nem na sofisticação dos algoritmos utilizados. Estará na capacidade de utilizar esse conhecimento para construir cidades mais transparentes, inclusivas, resilientes e preparadas para o futuro. Afinal, por trás de cada dado existe um território, e por trás de cada território existem pessoas. São elas que devem permanecer no centro de toda inovação.

O médico que teve imagem clonada por IA para vender curas milagrosas no YouTube: ‘Podem estar causando danos fatais a idosos’

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O médico que teve imagem clonada por IA para vender curas milagrosas no YouTube: 'Podem estar causando danos fatais a idosos'
Foto: BBC Brasil | Reprodução

O médico Hélio Brasileiro reclama em seu canal sobre clones que usam sua imagem; BBC News Brasil mapeou ao menos cinco páginas do tipo

O médico otorrinolaringologista Hélio Brasileiro teve sua imagem e identidade clonadas por inteligência artificial.

Ao menos cinco canais no YouTube usaram sua imagem, sem sua autorização, para divulgar conteúdos sobre saúde em tom alarmista, com o objetivo de engajar a audiência, especialmente entre os idosos.

A prática pode ser enquadrada, segundo a polícia e especialistas ouvidos pela reportagem, nos crimes de falsidade ideológica, falsa identidade e exercício ilegal da medicina, além de delitos cibernéticos e contra a honra.

A BBC News Brasil identificou que esses vídeos integram uma rede de canais na plataforma, que também copiam a imagem de outros médicos de verdade, com o objetivo de monetizar com visualizações no YouTube.

Os canais que clonaram a identidade de Brasileiro associam, por exemplo, banhos quentes a problemas cardíacos (“o perigo oculto do banho quente no inverno que sobrecarrega o seu coração”) e recomendam tratamentos “naturais” que substituiriam remédios indicados por profissionais da saúde.

Juntas, essas páginas possuem centenas de milhares de seguidores.

A BBC News Brasil identificou evidências de que os canais podem estar sendo operados por uma mesma pessoa ou grupo. As páginas foram criadas no mesmo período e compartilham títulos e até roteiros idênticos.

A página Dr. Hélio – Informações Médicas compartilhou, por exemplo, em 22 de maio, um vídeo sobre “quatro queijos que podem destruir sua saúde após os 60 anos”.

No dia seguinte, um outro canal, Dr. André Tavares, publicou o mesmo conteúdo.

Dois dias depois, outro canal, Dr. Helio Consejos de Salud, segue com o mesmo título. O fluxo se repete pelo menos até o dia 8 de junho, com vídeos do mesmo teor nos canais da Dra. Aline Vitta e Dr. Hélio Saúde em Foco.

Esse reaproveitamento de conteúdo é constante e aparece em outros temas, espalhados em pelo menos 20 canais diferentes mapeados pela reportagem.

Uma pesquisa da organização sem fins lucrativos CTRL+Z mapeou que canais desse tipo, que usam IA para falar sobre saúde, somam mais de 70 milhões de visualizações.

Uma reportagem da BBC News Brasil mostrou como operam esses canais, e o Google removeu parte dessas páginas depois da publicação.

Os clones de Hélio Brasileiro, no entanto, que integram o levantamento, seguiram no ar mesmo depois do alerta à empresa.

‘Denunciei vários vídeos de um canal. Depois vi que tem inúmeros outros’

Além de médico, Hélio Brasileiro é também youtuber. Seu canal possui 270 mil inscritos e quase 700 vídeos.

As primeiras publicações, de 14 anos atrás, tinham como objetivo, diz ele, divulgar a outros médicos informações sobre a medicina do sono.

Depois, durante a pandemia, ele decidiu reativar o canal para desfazer mentiras sobre vacinas e cuidados com a saúde. “Veja que ironia do destino: eu reativei o canal com um slogan: informação médica sem fake.”

Ele se surpreendeu ao ver sua imagem em uma reportagem da BBC News Brasil sobre os falsos médicos gerados por IA. “Denunciei vários vídeos de um canal só. Depois vi, em uma conversa com você [repórter da BBC News Brasil], que tem inúmeros outros.”

Depois da matéria da BBC, ele conta que fez nova denúncia ao YouTube e que também registrou um boletim de ocorrência online, na Polícia Civil de São Paulo.

O caso foi encaminhado ao 3º DP de Sorocaba, onde é investigado por falsidade ideológica, falsa identidade, falso alarme e tentativa de difamação.

A delegada responsável, Alessandra Silveira, afirmou em seu despacho que “o esquema fraudulento ganhou repercussão internacional”, gerando danos à reputação de Brasileiro e “risco de envenenamento ou automedicação à população”.

“A gravidade da difusão de desinformação médica por meio de simulação biométrica exige a imediata atuação da Polícia Judiciária”, afirmou a delegada.

Em nota à BBC, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que estão sendo realizadas diligências para identificar os autores dos crimes e responsabilizá-los.

O médico diz que recebeu orientação do YouTube para que cadastre sua imagem na plataforma, o que facilitaria a denúncia e remoção de conteúdos que usam sua identidade de forma indevida.

O YouTube afirmou, em nota à BBC News Brasil, que todo o conteúdo da plataforma, inclusive aquele gerado com ferramentas de IA, deve seguir diretrizes da comunidade.

“Isso abrange nossas políticas sobre desinformação médica, que proíbem informações incorretas a respeito de prevenção e tratamentos capazes de causar, comprovadamente, danos graves no mundo real.”

A empresa disse que adicionou rótulos a conteúdos gerados por IA para garantir que os espectadores estejam informados sobre o que estão assistindo.

“Ao identificarmos material violativo no YouTube, aplicamos as medidas cabíveis em conformidade com nossos Termos de Serviço, as regras do Programa de Parcerias do YouTube e nossas Diretrizes da Comunidade.”

A empresa não respondeu aos questionamentos da BBC News Brasil sobre o uso indevido da imagem do médico Hélio Brasileiro.

‘Quem cria isso não tem empatia’

Brasileiro disse que sua maior preocupação é o dano que os vídeos podem causar a quem os assiste: eles desencorajam o acompanhamento médico e sugerem receitas milagrosas ineficazes, ao mesmo tempo em que usam sua autoridade de médico para passar credibilidade.

“É assustador. A gente observa que a maioria dos vídeos é voltada para o pessoal da terceira idade, e a maioria traz desinformação. É preocupante — e foi por isso que tomei todas as atitudes jurídicas possíveis”, diz.

“Imagine que você seja hipertenso e faça uso, há muito tempo, de um medicamento. Aparece um vídeo com a minha imagem dizendo: ‘se você, idoso, é hipertenso e toma tal remédio, não sabe o mal que está fazendo aos seus rins — é muito mais saudável tomar o suco de maracujá'”, exemplifica.

“E depois você vê comentários de pessoas idosas dizendo: ‘Meu Deus, eu tomo esse remédio há muito tempo, por que o doutor não me informou? Vou deixar de tomar o remédio e começar a tomar o suco de maracujá’.”

Seu maior desejo, diz, é que os canais sejam derrubados e que esse tipo de fraude se torne de conhecimento público, “para não causar danos aos usuários”.

“Não sou investigador de polícia, não tenho a menor intenção de punir — isso é para o Poder Judiciário, para a polícia. Minha função, enquanto médico, é informar e deixar claro que essas desinformações são perigosas. Que esses canais caiam e não surjam novos, para não prejudicar a saúde da população.”

Ele também faz um apelo para que esse tipo de vídeo pare de ser produzido: “Quem cria isso não tem empatia. Quem busca ganhar dinheiro dessa forma pode estar causando danos fatais a idosos e a outras pessoas que sigam essas informações. E poderia ser o pai, a mãe ou até o filho de quem criou o canal.”

Prática pode ser considerada crime, dizem especialistas

Especialistas entrevistados pela BBC News Brasil alertam que esse tipo de conteúdo pode representar um risco à saúde ao desencorajar tratamentos comprovados ou estimular condutas sem base científica.

“A saúde das pessoas é algo individualizado. Uma medicação ou orientação pode ser benéfica a uma pessoa e maléfica a outra, a depender das comorbidades, da interação com outros medicamentos. Vemos isso como um grande risco”, afirma o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Jeancarlo Cavalcante.

Segundo ele, o perigo é ainda maior para idosos, que podem deixar de procurar atendimento médico adequado, como mostram relatos publicados por pessoas dessa faixa etária nos comentários dos vídeos analisados pela reportagem.

Cavalcante acrescenta que o Conselho pode encaminhar denúncias sobre esse tipo de conteúdo ao Ministério Público e às autoridades policiais.

Na avaliação de Thiago Bottino, professor da FGV Direito Rio, a simples publicação desse tipo de vídeo não configura crime. A situação muda, porém, quando o falso médico passa a exercer funções privativas da profissão.

“O problema é quando alguém que não é médico, seja pessoa real ou inteligência artificial, atua como médico, prescrevendo medicação, dizendo qual seria o tratamento adequado. É um caso de exercício irregular da medicina, que é crime previsto no Código Penal.”

Bottino afirma ainda que os responsáveis pelos vídeos podem responder pelo crime de falsa identidade ao se apresentarem como médicos sem informar que se trata de personagens gerados por inteligência artificial.

Filipe Medon, professor da FGV Direito Rio e coordenador adjunto do AI Hub, afirma que o problema não está em produzir conteúdo sobre medicina com base em pesquisas científicas, mas em criar personagens de inteligência artificial que se passam por médicos e induzem o público ao erro.

Segundo ele, além dos criadores, as plataformas também podem ser responsabilizadas civilmente caso não removam esse tipo de conteúdo após serem notificadas e, em casos de impulsionamento pago, a obrigação de retirada pode existir mesmo sem notificação prévia.

Fonte: BBC Brasil

Exportação de carne bovina no primeiro semestre é recorde, aponta Abiec

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No acumulado do ano, os embarques no primeiro semestre subiram 15,5%, atingindo 1,7 milhão de toneladas e US$ 9,85 bilhões, uma alta de 36,2% em receita
Foto: Freepik

No acumulado do ano, os embarques no primeiro semestre subiram 15,5%, atingindo 1,7 milhão de toneladas e US$ 9,85 bilhões, uma alta de 36,2% em receita

As exportações de carne bovina no primeiro semestre bateram recorde e totalizaram 1,7 milhão de toneladas, um aumento de 15,5% frente ao volume embarcado no mesmo período de 2025, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), divulgados nesta segunda-feira (6).

Nos primeiros seis meses, a receita cresceu 36,2% em relação aos US$ 7,24 bilhões exportados no primeiro semestre de 2025, somando US$ 9,85 bilhões. No acumulado do ano, o país registrou uma média mensal de aproximadamente 284 mil toneladas.

China liderou as importações

A China foi o principal parceiro comercial do setor e correspondeu a 46,6% das exportações brasileiras. No acumulado do ano, os embarques totalizaram 794,7 mil toneladas, uma alta de 24%, e US$ 4,87 bilhões em receita, com um aumento de 49,4%.

Como o Brasil atingiu a cota de exportação de carnes de 1,106 milhão de toneladas para a China sem tarifas adicionais, a expectativa é que o volume de embarques reduza de forma significativa no segundo semestre.

Os Estados Unidos foram o segundo principal destino e apresentaram crescimento de 13% no volume, com 205 mil toneladas, e responsáveis por 29,8% da receita, que totalizou US$ 1,35 bilhão.

Apesar da tensão comercial, a União Europeia foi o terceiro principal parceiro comercial do setor, com 51,2 mil toneladas, que movimentaram US$ 452,3 milhões. Com as novas restrições, que entram em vigor a partir de 3 de setembro, o volume de embarques deve recuar na segunda metade de 2026.

Outros destinos que se destacaram no primeiro semestre foram: Chile, com 70,7 mil toneladas e US$ 420,2 milhões em receita, e Rússia, destino de 62,2 mil toneladas, com receita de US$ 284,1 milhões. As exportações para a Rússia tiveram alta de 53,8% em volume e de 58,9% em valor. Com entraves comerciais com dois dos principais parceiros, a expectativa é que outros destinos ganhem destaque na lista.

Valores de junho

Em junho, os embarques somaram 317,3 mil toneladas, uma alta de 16,6%, e geraram US$ 1,975 bilhão em divisas, 38,1% maior que no mesmo período do ano anterior, melhor resultado da série histórica.

No mês, o produto in natura correspondeu a 88,1% do total exportado, ou 279,7 mil toneladas, e 92,6% da receita de US$ 1,83 bilhão.

O restante das exportações foi concentrado em carnes industrializadas (8,5 mil toneladas, US$ 74 milhões), miúdos ( 20,1 mil toneladas, US$ 46,3 milhões), gorduras (6,2 mil toneladas e US$ 16 milhões), tripas (2,7 mil toneladas e US$ 9,3 milhões) e carnes salgadas (131 toneladas e US$ 754 mil).

No mês, a China foi o principal parceiro comercial, com 161,9 mil toneladas, alta de 19%, e US$ 1,08 bilhão, um crescimento de 39,5%. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com 6,4 mil toneladas, 8,3% menor que um ano antes, mas com uma receita 16,4% maior, de US$ 192,9 milhões.

O terceiro principal destino no período foi o Chile. Os embarques para o país apresentaram alta de 67,5% no volume, com 12,9 mil toneladas, e de 56,8% na receita, deUS$ 81,7 milhões.

As exportações para o México também apresentaram uma alta significativa no mês, de 153,9%, alcançando 11,8 mil toneladas, e receita de US$ 74 milhões, alta de 136,6%.

Outros países de destaque no mês foram: Indonésia (10,6 mil toneladas), Hong Kong (10 mil toneladas), Arábia Saudita (9 mil toneladas), União Europeia (8,2 mil toneladas), Rússia (8,1 mil toneladas) e Filipinas (6,5 mil toneladas).

Apesar do baixo volume embarcado, a União Europeia figurou como o quarto principal mercado no mês, com US$ 75,2 milhões, atrás apenas de China, Estados Unidos e Chile.

Fonte: CNN Brasil

Recuperação extrajudicial dispara no Brasil; entenda por que mais empresas seguem esse caminho

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Recuperação extrajudicial dispara no Brasil; entenda por que mais empresas seguem esse caminho
Fonte: Freepik | Gerada por IA

Após anos de juros elevados, empresas ampliam uso da modalidade para renegociar dívidas e evitar os custos da recuperação judicial.

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, com dívidas de R$ 65,1 bilhões, chamou a atenção do mercado em 2026. Mas a gigante do setor de açúcar e etanol está longe de ser um caso isolado.

Após anos de juros elevados, entre os mais altos do mundo, um número crescente de empresas brasileiras tem buscado negociar com credores fora dos tribunais para evitar os custos e os impactos associados à recuperação judicial.

Os pedidos de recuperação extrajudicial saltaram de 16, em 2021, para 84 no ano passado. Os casos envolvem empresas de setores como indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).

Em 2026, até o momento, outras 33 empresas seguiram o mesmo caminho.

Esse aumento reflete o peso da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano, sobre muitas empresas brasileiras, especialmente as que contraíram empréstimos elevados durante a pandemia, quando a Selic caiu ao mínimo histórico de 2% ao ano.

Mas esse movimento também é resultado de uma reforma aprovada em 2020, que fortaleceu o mecanismo no Brasil e promoveu “uma mudança cultural”, segundo Juliana Biolchi, diretora do Obre.

Segundo Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, a atualização tornou as reestruturações extrajudiciais mais flexíveis. A mudança permitiu que as empresas excluíssem algumas classes de credores e incentivou o início das negociações de dívida antes que fosse necessário recorrer à recuperação judicial.

Segundo Saragiotto, as reestruturações judiciais são complexas e custosas porque “envolvem todos os credores, afetando a reputação da companhia e o acesso às linhas de crédito, além da manutenção do negócio em si”.

“No momento em que um pedido de recuperação judicial é deferido, a empresa ganha esse carimbo maldito”, completa.

Solução mais simples

A recuperação extrajudicial permite que empresas em dificuldades negociem diretamente com grupos específicos de credores. Depois de aprovado por maioria simples, o plano passa a valer para todos os credores das classes afetadas, impedindo que quem rejeitou o acordo consiga barrá-lo.

Segundo Biolchi, a simplicidade do processo em relação à recuperação judicial fez com que ele passasse a ser “cada vez mais associado a crises financeiras menos agudas”.

O mecanismo ganhou mais visibilidade em 2024, quando a rede varejista Casas Bahia obteve aprovação judicial para uma recuperação extrajudicial de cerca de R$ 4,1 bilhões.

Segundo a empresa, o plano não afetou fornecedores, parceiros comerciais, clientes nem funcionários.

Depois da Casas Bahia, vieram outros casos de grande repercussão, como o da rede de móveis Tok&Stok, também em 2024. Entre os pedidos mais recentes está o do GPA, que, em março, solicitou aprovação para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões.

Empresas do agronegócio, setor que enfrenta um elevado endividamento, também passaram a recorrer ao mecanismo, indicando que seu uso tem se espalhado por diferentes áreas da economia.

Impulsionado pelo caso da Raízen, o volume de dívidas das empresas que pediram recuperação extrajudicial em 2026 já supera R$ 109 bilhões. Em 2024, esse total foi de R$ 41,5 bilhões, refletindo o avanço do movimento e seus impactos no mercado.

“Os investidores estão muito mais preocupados com o risco de crédito do que estavam no passado”, disse Caio Viggiano, diretor da área de renda fixa do Itaú BBA. Segundo ele, os conflitos globais, os juros elevados e a onda de reestruturações corporativas explicam essa mudança.

Especialistas acreditam que o número de recuperações extrajudiciais deve continuar crescendo nos próximos meses.

A Oncoclínicas, maior empresa de tratamento oncológico da América Latina, está entre as companhias que avaliam recorrer ao mecanismo, segundo reportagens da imprensa e uma fonte com conhecimento das discussões. Procurada, a empresa se recusou a comentar.

Fonte: G1

Repasse de R$ 4,5 milhões para ajudar cinco cidades afetadas por desastres

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Repasse de R$ 4,5 milhões para ajudar cinco cidades afetadas por desastres
Foto: Prefeitura de Nova Friburgo

Receberão recursos municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará

Brasília (DF) – Cinco cidades afetadas por desastres vão receber R$ 4,5 milhões para ações de recuperação. As portarias com as liberações dos valores foram publicadas na edição desta segunda-feira (6) do Diário Oficial da União (DOU).

Receberão recursos os municípios de Guidoval e Raul Soares, em Minas Gerais, Nova Palma e Sinimbu, no Rio Grande do Sul, e Placas, no Pará. Confira mais detalhes abaixo:

Minas Gerais

  • Guidoval: R$ 1.699.590,50
  • Raul Soares: R$ 519.899,00

Rio Grande do Sul

  • Nova Palma: R$ 389.900,00
  • Sinimbu: R$ 995.000,00

Pará

  • Placas: R$ 904.999,99

Como solicitar recursos

Cidades com o reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar ao MIDR recursos para ações de defesa civil. A solicitação pelos municípios em situação de emergência deve ser feita por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

Com base nas informações enviadas nos planos de trabalho, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Com a aprovação, é publicada portaria no DOU com o valor a ser liberado.

Capacitações da Defesa Civil Nacional

A Defesa Civil Nacional oferece uma série de cursos a distância para habilitar e qualificar agentes municipais e estaduais para o uso do S2iD. As capacitações têm como foco os agentes de proteção e defesa civil nas três esferas de governo. Confira neste link a lista completa dos cursos.

Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

Estudo Nacional de Mobilidade Urbana

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Estudo Nacional de Mobilidade Urbana
Foto: Sergio Moraes/Reuters

Aqui são apresentados conceitos e relatórios relativos ao estudo que dá origem a essa plataforma

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) foi desenvolvido pelo BNDES, em parceria com o Ministério das Cidades e outras entidades parceiras, entre 2024 e 2026. O Estudo buscou contribuir para uma visão nacional sobre os desafios da mobilidade urbana no Brasil, com foco na qualificação e expansão do transporte público coletivo nas grandes regiões metropolitanas.

A partir do diagnóstico das 21 regiões metropolitanas mais populosas do país, o ENMU mapeou uma carteira de projetos de transporte público coletivo de média e alta capacidades, avaliados com base em estudos populacionais e de demanda em um horizonte de 30 anos.

O Estudo também reuniu boas práticas e desenvolveu insumos para uma estratégia nacional de mobilidade urbana, incluindo propostas para viabilizar os investimentos necessários. O Portal Mobilidade Brasil foi criado para dar visibilidade às principais conclusões do ENMU e apoiar a disseminação de informações e referências para o setor.

Fonte: BNDES

Conheça o estudo completo aqui.

Fonte: BNDES

Curitiba: a engenharia de uma cidade que aprende

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Curitiba: a engenharia de uma cidade que aprende
Foto: Prefeitura de Curitiba/Divulgação

Como uma capital brasileira transformou educação, dados e governança compartilhada em vantagem competitiva de longo prazo

Em novembro de 2023, em Barcelona, Curitiba subiu ao palco do World Smart City Awards como a Cidade Mais Inteligente do Mundo. O prêmio coroou décadas de planejamento urbano, mas escondia uma mudança mais sutil e, a rigor, mais difícil de replicar: a capital paranaense havia deixado de tratar a inteligência urbana como sinônimo de tecnologia e passado a tratá-la como sinônimo de aprendizagem. Três meses depois, em fevereiro de 2024, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) confirmou essa virada ao admitir Curitiba na Rede Global de Cidades de Aprendizagem, ao lado de apenas outros dois municípios brasileiros, Recife e Leme. Tomados em conjunto, os dois reconhecimentos sugerem algo que poucas cidades conseguem demonstrar com dados: que o investimento em capital humano, e não apenas em infraestrutura física, é a verdadeira fonte de vantagem competitiva de uma cidade ao longo do tempo.

A tese central do modelo curitibano é simples de enunciar e difícil de executar: o aprendizado ao longo da vida funciona como motor de inovação social quando a cidade deixa de ser apenas um cenário onde a aprendizagem acontece e passa a ser, ela própria, uma infraestrutura de aprendizagem. Essa infraestrutura se manifesta em três camadas que se reforçam mutuamente. A primeira é discursiva: são as narrativas, os discursos públicos e as prioridades políticas que definem, para uma comunidade inteira, o que conta como aprendizado valioso. A segunda é material: bibliotecas, parques, redes digitais e equipamentos urbanos que sustentam fisicamente o fluxo de conhecimento entre cidadãos. A terceira, talvez a mais negligenciada nos debates sobre cidades inteligentes, é afetiva — a camada de cuidado, confiança e hospitalidade sem a qual nenhum recurso material chega de fato às populações mais vulneráveis. Tratar essas três dimensões como interdependentes, e não como etapas sucessivas de um mesmo plano, é o que distingue Curitiba de outras experiências de modernização urbana centradas exclusivamente em tecnologia.

Essa arquitetura de aprendizagem encontra seu correspondente institucional na governança da cidade, estruturada em torno do modelo de Hélice Quádrupla, que articula governo, academia, mercado e sociedade civil em torno de objetivos compartilhados. O Vale do Pinhão é a expressão mais visível dessa articulação: criado para integrar universidades, empresas e poder público em um único ecossistema de inovação, o programa ajudou a multiplicar por oito o número de startups da cidade em dez anos, de 84 para 670, segundo dados da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, somando-se a mais de 180 ambientes de inovação entre parques tecnológicos, coworkings, incubadoras e aceleradoras. Mas o que torna o caso curitibano pedagogicamente interessante não é a métrica de crescimento empresarial em si — vários polos de inovação no Brasil apresentam números semelhantes —, e sim o protagonismo deliberado dado ao cidadão comum dentro desse ecossistema. Nos Faróis do Saber e Inovação, antigas bibliotecas de bairro reconvertidas em centros de prototipagem, qualquer morador pode acessar impressoras 3D e equipamentos de robótica. A inovação, nesse desenho, não é importada de fora para dentro da cidade; é fabricada, literalmente, dentro dela.

Esse mesmo princípio orienta o que a Prefeitura chama de Educação 5.0: o uso de inteligência artificial e dados não como fim em si, mas como ferramenta para a resolução de problemas sociais concretos. O Gêmeo Digital da cidade, pioneiro no Brasil, permite simular e antecipar decisões de manutenção e conservação urbana antes que se tornem custosas. O Super App municipal centraliza cerca de 800 serviços públicos com apoio de inteligência artificial, reduzindo a distância burocrática entre o cidadão e a administração. Mas é na sala de aula que essa lógica se torna mais reveladora: estudantes da rede municipal aprendem a interpretar indicadores reais de sustentabilidade e de orçamento público a partir de casos como o da Pirâmide Solar do Caximba, usina fotovoltaica erguida sobre um antigo aterro sanitário desativado. Ensinar uma criança a ler um indicador de geração de energia limpa, ou a entender por que esse projeto faz sentido fiscal, é uma forma de alfabetização em dados que poucas redes de ensino no país oferecem com esse grau de concretude.

Essa mesma lógica pedagógica se estende ao espaço físico da cidade, que Curitiba trata cada vez mais como uma extensão da sala de aula. O Jardim das Sensações foi desenhado para que a percepção ambiental aconteça através dos sentidos, em um exercício de inclusão que vai além da acessibilidade arquitetônica convencional. O Museu Ferroviário preserva a memória técnica e cultural da cidade sem isolá-la do uso contemporâneo do espaço urbano. E a renovação da frota de ônibus elétricos, que poderia ser tratada como um simples investimento em infraestrutura de transporte, vem acompanhada de campanhas públicas que explicam à população o impacto da descarbonização — transformando uma decisão de engenharia em um momento de educação cívica.

Os números confirmam que essa aposta de longo prazo em capital humano vem produzindo resultado mensurável, não apenas retórica institucional. Em 2023, Curitiba registrou a menor taxa de distorção idade-série do país entre as redes municipais de ensino fundamental, 2,3%, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), liderança nacional que a cidade mantém desde 2022. Em 2025, o percentual de alunos alfabetizados na idade certa saltou para 74,03%, um avanço de oito pontos percentuais em relação ao ano anterior e o quarto melhor resultado entre todas as capitais brasileiras. E, em um indicador que captura a experiência de vida da população de forma mais ampla do que qualquer métrica educacional isolada, Curitiba foi eleita pelo Índice de Progresso Social (IPS) a capital brasileira com a melhor qualidade de vida do país em 2025 — posição que confirmou na edição seguinte do índice, em 2026, com nota 71,29, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O que o caso de Curitiba ensina, em última análise, é que inteligência urbana e cidade educadora não são dois projetos paralelos, mas a mesma aposta vista de dois ângulos diferentes. A cidade converteu dados em valor social porque tratou a tecnologia como meio, nunca como fim — e reservou o papel de fim último ao desenvolvimento do seu capital humano. É uma lição que vale tanto para gestores públicos quanto para qualquer organização que confunda, com frequência, investir em ferramentas com investir em pessoas: a inovação só se sustenta no tempo quando se torna um processo social compartilhado, capaz de sobreviver à troca de gestão, à mudança de tecnologia e à passagem das gerações que a cidade, ano após ano, continua formando.

Fontes consultadas: Prefeitura de Curitiba; Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP); Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) / IPS Brasil; ONU News; Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC 

Oceanos do mundo registram recorde de calor para junho

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Oceanos do mundo registram recorde de calor para junho
Foto: Edição / Canva

Cientistas esperam novas temperaturas recordes na superfície do mar em 2026 devido ao efeito combinado da mudança climática e do El Niño.

Os oceanos, que cobrem dois terços da Terra, tiveram o junho mais quente já registrado e podem bater novos recordes em 2026 devido ao efeito combinado do El Niño e do aquecimento global, anunciou nesta quarta-feira (1º/07) o observatório europeu Copernicus.

As temperaturas globais da superfície do mar (TSM) já ultrapassaram os níveis recordes para esta época do ano, alcançados em 2023 e 2024, segundo os dados mais recentes do Copernicus.

O Centro Europeu para as Previsões Meteorológicas a Médio Prazo comunicou que os dados diários das TSM registrados pelo Serviço de Mudança Climática do Copernicus (C3S) ultrapassaram os níveis recordes anteriores no dia 21 de junho, com 20,86ºC, ligeiramente acima dos 20,83ºC observados em 2023 e 2024.

Já segundo os dados do Serviço de Vigilância Marítima do Copernicus (CMEMS), a temperatura média na superfície dos oceanos foi de 20,98°C em junho, superando o recorde anterior de junho de 2024 (20,89°C).

“As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase que nos levará, mais uma vez, a um território inexplorado”, alertou o diretor do C3S, Carlo Buontempo. Ele destacou ainda que, com as temperaturas oceânicas nesses níveis e o fenômeno do El Niño no horizonte, é provável que haverá quebra de recordes de temperatura nos próximos meses.

O atual nível de aquecimento “sem precedentes” reflete tanto as alterações climáticas como do fenômeno El Niño, cuja intensidade “provavelmente atingirá níveis que não se observavam há décadas”.

Fonte: G1