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Do café à urna eletrônica: como uma cidade de 43 mil habitantes virou o Vale da Eletrônica do Brasil

Em Santa Rita do Sapucaí, a escola veio antes da fábrica. O modelo que nasceu em 1959 hoje movimenta R$ 3,2 bilhões por ano e será tema de encontro da Plataforma CSC durante o HackTown 2026

Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, tem pouco mais de 43 mil habitantes e é hoje um dos principais polos tecnológicos do país. A cidade, conhecida como “Vale da Eletrônica”, concentra mais de 160 indústrias de base tecnológica, movimenta cerca de R$ 3,2 bilhões por ano e gera 17 mil empregos.

Em Santa Rita, a indústria veio depois da escola, não antes. Em 1959, Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira, fundou a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira Costa (ETE FMC), a primeira escola técnica de eletrônica da América Latina, numa cidade que até então vivia da agropecuária.

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Nos anos seguintes vieram o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em 1965, e a Faculdade de Administração e Informática (FAI), em 1971. Junto com unidades do SENAI, essas instituições sustentam até hoje a formação técnica da região. O empreendedorismo é estimulado desde o ensino básico, com feiras tecnológicas e programas de pré-incubação nas escolas.

Academia, indústria e governo trabalhando juntos

O polo funciona a partir da chamada “hélice tríplice”: escolas e universidades formam mão de obra e pesquisa; empresas, reunidas principalmente no Sindvel e na Associação Industrial (AISRS), transformam esse conhecimento em produto; e a prefeitura sustenta infraestrutura, incentivos fiscais e a incubadora municipal, criada em 1999 e eleita pela Anprotec, em 2003, a melhor incubadora de base tecnológica do país.

Em 2021, esse arranjo ganhou um novo formato com a criação do Parque Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí, que integra empresas, universidades e poder público diretamente à malha urbana da cidade, sem muros ou distritos isolados. O parque também tem sido usado para atrair parcerias internacionais, como as que vêm sendo discutidas com Dubai.

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Santa Rita produz 100% das urnas eletrônicas usadas nas eleições brasileiras e concentra empresas que respondem por mais de 70% do mercado nacional de eletrônicos de segurança. A cidade também sediou os primeiros testes do sinal 5G em Brasília e tem produção relevante em robótica, automação industrial e internet das coisas.

Ao lado da produção industrial, a cidade também virou point de eventos: o HackTown, inspirado no festival americano SXSW, ocupa praças, casarões e universidades com mais de mil atividades simultâneas, reúne executivos de grandes empresas e já projetou negócios acima de R$ 250 milhões.

O modelo também enfrenta limites. A distância dos grandes centros — 220 km de São Paulo, 380 km do Rio de Janeiro, 420 km de Belo Horizonte — encarece a logística de transporte de cargas. Reter profissionais de alta especialização é um desafio constante, e falta replicar clusters semelhantes em outras partes de Minas Gerais para reduzir as desigualdades regionais do estado.

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Mesmo assim, Santa Rita segue como referência de que dá para construir um polo tecnológico relevante fora das capitais, com uma combinação de educação, produção e gestão pública trabalhando na mesma direção.

Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC acontece dentro do HackTown

A Plataforma CSC realiza no dia 3 de setembro, das 13h30 às 18h, uma Reunião Estratégica Regional em Santa Rita do Sapucaí. O encontro será no Auditório Aureliano Chaves, no Inatel, um dos principais pontos da cidade durante o festival.

A reunião faz parte da programação do HackTown 2026 – Festival de Tecnologia, Inovação, Criatividade e Consciência e deve reunir gestores públicos, empresas e especialistas em cidades inteligentes para discutir, a partir da experiência de Santa Rita, caminhos para o desenvolvimento tecnológico de outros municípios brasileiros.

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