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Estudo da Unesp envolvendo isótopos de água pode auxiliar na previsão de secas na Amazônia

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MapBiomas: Amazônia registra menor nível de desmatamento em 41 anos
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pesquisadores de Rio Claro traçaram a rota das chuvas durante os oito dias que antecedem a precipitação, associando-as a eventos climáticos que afetam a região em diferentes épocas do ano.

Desde a escola, aprendemos que a água é composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, formando assim as moléculas de H₂O. Cada átomo, por sua vez, possui uma quantidade específica de prótons e nêutrons. Quando temos átomos de um mesmo elemento, mas com número de nêutrons diferentes, chamamos-os de isótopos. Essa diferença altera também a massa do átomo, tornando-o mais leve ou mais pesado.

É possível afirmar, portanto, que na atmosfera existem moléculas de água diferentes umas das outras. Algumas, com menor número de nêutrons, são mais leves e evaporam com mais facilidade. Outras, com mais nêutrons, tornam-se mais pesadas e acabam se condensando, formando chuvas. Ao analisar essa “impressão digital” da água, os cientistas conseguem compreender o caminho percorrido pela molécula durante os dias anteriores à sua coleta, obtendo informações relevantes sobre processos de evaporação e precipitação, por exemplo.

Condições mais quentes e secas geram um ambiente propício para a formação de vapor na floresta amazônica, enquanto o clima úmido se relaciona à precipitação. Em cada uma dessas situações, a água da chuva traz isótopos enriquecidos ou empobrecidos, revelando eventos climáticos que podem ocorrer nos dias seguintes à coleta. Pense, por exemplo, na possibilidade dos cientistas coletarem uma amostra repleta de isótopos pesados: este cenário indica um ambiente com condições evaporativas aumentadas, o que pode apontar para um período de seca.

Essa correlação foi abordada em um estudo publicado na revista científica Hydrological Processes. No trabalho, pesquisadores da Unesp analisaram diariamente, ao longo de 2023 e 2025, a variação isotópica na região de Manaus por meio de duas abordagens principais: a primeira baseou-se nas trajetórias retroativas das massas de ar que incidem na região, enquanto a segunda focou na comparação entre os isótopos observados em condições atmosféricas recentes e passadas.

O artigo faz parte do projeto de doutorado da aluna Rafaela Rodrigues Gomes no Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente, no Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, no câmpus de Rio Claro. Além de ajudar a esclarecer quais fatores atmosféricos estão associados à variação isotópica observada na região, o trabalho também constatou uma queda na precipitação e o aumento na temperatura, associados ao fenômeno do El Niño ocorrido durante o intervalo estudado.

Além dos pesquisadores do IGCE, participaram do trabalho colegas do Centro de Isótopos Estáveis da Unesp, no câmpus de Botucatu, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Grupo de Hidrologia de Traçadores da Universidade do Texas, em Arlington, nos Estados Unidos. O projeto recebeu financiamento conjunto pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

No período chuvoso, prevalecem isótopos leves

Para elaborar a primeira parte do estudo, a equipe coletou 207 amostras de chuva entre março de 2023 e fevereiro de 2025, e reuniu dados de temperatura, volume de precipitação e umidade relativa do ar registrados ao longo do mesmo período. Os autores também associaram os eventos de chuva em Manaus a dois sistemas variáveis que incidem sobre a região, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e o Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Durante o estudo, os cientistas conseguiram acompanhar, a partir dos isótopos, qual havia sido o trajeto da massa de ar que atingiu Manaus (AM) nos oito dias que antecediam a precipitação.

O artigo aponta que para o período chuvoso da Amazônia, que vai de março a maio, a equipe observou que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) – sistema meteorológico responsável por cerca de 30% da chuva global – influenciou diretamente no transporte da chuva que atingiu Manaus. “A variação isotópica, nesse momento, era mais empobrecida, ou seja, apresentava uma maior quantidade de isótopos leves”, explicou a pesquisadora.

Fonte: UNESP

Segundo Rafaela, essas trajetórias associadas ao sistema úmido passavam por um efeito conhecido como rainout effect: as massas de ar saiam do oceano, chegavam ao continente e, conforme elas iam adentrando, se precipitavam. “Cada vez que essa massa precipita ao longo desse trajeto, ela vai perdendo isótopos pesados. Quando chega em Manaus, essa chuva já está esgotada em isótopos pesados, ou seja, ela tende a chegar com os isótopos mais leves”, exemplifica.

No período seco, prevalecem isótopos pesados

Durante o período seco, de junho a agosto, foi observada a movimentação da Zona de Convergência Intertropical (ZEIT) para o sentido Norte, ao mesmo tempo em que ocorreu um deslocamento climatológico da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) – sistema de alta pressão associado a ventos secos – no sentido Oeste.

Segundo a autora principal do artigo, esse é um momento em que a ASAS é mais influente sobre a trajetória desse vapor que sai do oceano e chega seco ao continente. “Como esse vapor já chega seco, a gente não tem tanta perda desses isótopos pesados ao longo da trajetória continental, chegando a Manaus uma chuva enriquecida, ou seja, com mais isótopos pesados”, comenta Rafaela.

Fonte: UNESP

Além desse efeito em relação à quantidade de umidade desses dois sistemas, Rafaela comenta que há ainda um efeito local. “No período seco, como eu tenho condições mais quentes e menos umidade relativa, eu tenho mais evaporação durante a queda das gotas de chuva. Logo, os isótopos leves evaporam antes da chuva atingir o local de coleta e a amostra fica com mais isótopos pesados”.

Períodos com padrões indefinidos

De setembro a novembro, não foi identificado um padrão. Na verdade, os pesquisadores observaram uma correlação entre os sinais isotópicos e o volume de chuva registrada, descrevendo o ocorrido com base no Amount Effect (efeito de quantidade). Ou seja, chuvas mais volumosas estariam ligadas a um sinal isotópico mais leve, enquanto chuvas menos volumosas foram associadas a um sinal enriquecido.

O último trimestre (dezembro, janeiro e fevereiro) foi considerado pelos cientistas como o mais complicado de entender. “Percebemos que existia uma correlação entre a convecção e a umidade. Na literatura, temos autores que descrevem essa fase de transição da Amazônia como um momento de alta atividade convectiva”, explica Rafaela. Essa atividade convectiva caracteriza os movimentos verticais intensos de massas de ar quente e úmido que dão origem a grandes nuvens e tempestades.

A geógrafa explica que, em condições menos úmidas e com alta atividade convectiva, gera-se vapor de maneira acelerada tanto na evaporação da água que vai originar a chuva quanto das próprias gotas durante a precipitação. Ocorre, então, um enriquecimento isotópico.

Em condições mais úmidas e com menor atividade convectiva, por sua vez, há uma relação com a correlação com a coluna total de vapor. “Quando eu tenho uma alta umidade nessa coluna atmosférica, ela pode ser relacionada com o retorno gradual da ZCIT e com o empobrecimento isotópico. A ZCIT começa a retornar para o Sul novamente em outubro, com sua posição máxima em maio, mas existe esse retorno gradual que a gente notou em dezembro, janeiro e fevereiro”, explica.

Comparação histórica sugere alerta precoce para secas

Os resultados descritos acima são referentes à primeira análise feita pela equipe. Na segunda parte do estudo, os pesquisadores compararam os valores isotópicos recentes com dados históricos. Nessa etapa, o grupo formado pela Unesp, Inpa, SGB, entre outros, recuperou o trabalho que, no passado, foi conduzido por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) e da Agência Internacional de Energia Atômica (Iaea).

Entre os anos de 1965 e 1990, pesquisadores dessas duas instituições realizaram análises semelhantes que consideraram a variação isotópica da chuva na Amazônia, mas o trabalho foi interrompido por falta de financiamento. “Ao comparar as duas séries de dados, vimos que os valores isotópicos recentes eram significativamente mais enriquecidos; eles tinham mais isótopos pesados na chuva quando comparados com os dados históricos”, destaca Rafaela.

A pesquisadora também apontou que a comparação entre os dois períodos revelou uma diminuição no “excesso de deutério”, um parâmetro utilizado para capturar condições de não-equilíbrio durante os processos evaporativos ou durante os eventos de chuva. Segundo Rafaela, no contexto do trabalho, um deutério menor indicou aos pesquisadores condições mais quentes e secas nos processos posteriores à queda das gotas de chuva.

Os cientistas também observaram um déficit de mais de 30% nos níveis de precipitação, além de temperaturas que superavam em 1ºC as médias históricas. As condições quentes e secas observadas para os anos de 2023 e 2024 foram associadas ao El Niño e também ao aquecimento acima da média do Atlântico Norte, que gera um deslocamento anormal da ZCIT já descrito em literatura, embora a anomalia não tenha sido calculada no estudo atual.

Fonte: UNESP

“Essas anomalias oceânicas trouxeram condições mais quentes e secas, e vimos isso no sinal isotópico, que se mostrou mais enriquecido e com mais isótopos pesados devido ao aumento dessas condições evaporativas”, explica Rafaela. “Os isótopos revelaram, em especial em 2024, um alerta precoce da chegada dessa estação seca”, conclui.

“Uma das coisas que precisamos entender hoje é como as mudanças climáticas intensificam o ciclo hidrológico. Não digo que o clima vai ficar mais chuvoso ou mais seco, mas sim que ficará muito mais variável”, explica Didier Gastmans, orientador do trabalho e coordenador do Laboratório de Recursos Hídricos e Isótopos Ambientais (LARHIA) da Unesp, câmpus de Rio Claro. “Os isótopos, por representarem uma impressão digital da água, surgem como mais uma ferramenta que pode ser implementada em programas de monitoramento climatológico e hidrológico para entender exatamente esses processos apresentados no trabalho”, completa.

Na perspectiva dos pesquisadores, entretanto, a análise isotópica não se aplica apenas à água da chuva. Ela pode ser utilizada também, por exemplo, para estudos que visem conectar a água subterrânea aos reservatórios superficiais. “Uma das missões do nosso laboratório é colocar na agenda da gestão ambiental e de recursos hídricos do país essa ferramenta barata e capaz de fornecer respostas relevantes para estudos hidrológicos”, explica Gastmans.

Fonte: Jornal da UNESP | Carolina Fioratti

As cidades estão prontas para carros cada vez maiores?

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Fenabrave: emplacamentos passam de 500 mil e batem recorde em setembro
Crédito: Banco de imagem

A frota de automóveis no Brasil está mudando e muitos não têm percebido os impactos que isso tem gerado. Basta observar as ruas, as garagens e os estacionamentos.

Os veículos estão maiores, mais largos e mais altos do que há uma década. O crescimento dos SUVs é um dos exemplos mais evidentes dessa transformação.

O que muitas vezes passa despercebido é que boa parte da infraestrutura que utilizamos diariamente foi projetada para uma realidade diferente. Vagas de estacionamento, áreas de circulação e acessos foram dimensionados quando o tamanho médio dos veículos era significativamente menor.

O resultado já pode ser percebido no dia a dia. Manobras mais difíceis, portas que mal conseguem ser abertas, circulação comprometida e uma experiência menos eficiente para os usuários.

A solução, porém, não passa simplesmente por ampliar tudo. Em grandes centros urbanos, o espaço é um recurso escasso. Expandir garagens, alargar acessos ou criar novas áreas de circulação nem sempre é viável técnica ou economicamente.

Por isso, talvez a discussão mais importante não seja “como aumentar os espaços”, mas sim como utilizá-los de forma mais inteligente.

Tecnologia, dados e gestão podem desempenhar um papel fundamental nessa adaptação. Monitoramento de ocupação em tempo real, gestão dinâmica de vagas, otimização dos fluxos e melhoria da experiência dos usuários são algumas das ferramentas capazes de aumentar a eficiência sem necessariamente exigir mais espaço físico.

A mobilidade urbana está mudando. Os veículos mudam. Os hábitos mudam. E as cidades precisam evoluir no mesmo ritmo.

Na sua opinião, estamos planejando nossos espaços urbanos para a cidade de hoje ou para a cidade de ontem?

 

As preocupações que levaram a OpenAI, do ChatGPT, a abandonar lançamento de novo sistema de IA

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As preocupações que levaram a OpenAI, do ChatGPT, a abandonar lançamento de novo sistema de IA
Foto: Qilai Shen/Bloomberg

A empresa também divulgou uma atualização sobre os incidentes nos quais seus modelos acessaram sistemas do governo australiano indevidamente.

A OpenAI anunciou que não lançará seu novo modelo de inteligência artificial devido a preocupações com segurança.

O sistema GPT-6.1 Astra, que realiza tarefas como navegar na internet e usar aplicativos de forma autônoma, “não atingiu exatamente o nível exigido” pelos padrões da empresa, segundo Saachi Jain, responsável pelos sistemas de segurança da OpenAI.

A empresa responsável pelo ChatGPT também divulgou uma atualização sobre incidentes ocorridos em junho, mas que só se tornaram públicos na semana passada. Na ocasião, seus modelos acessaram sites e sistemas do governo australiano sem autorização.

O caso ocorre em meio ao aumento de incidentes envolvendo modelos de grandes empresas de IA, intensificando o debate sobre os riscos apresentados pela tecnologia — enquanto a Anthropic, empresa rival da OpenAI, reforça suas preocupações de que a IA possa representar uma ameaça à humanidade, à medida que se prepara para abrir seu capital.

A agência de notícias Reuters informou nesta terça-feira (29/09) que a empresa de desenvolvimento de IA — responsável pelo Claude, concorrente do ChatGPT — planeja alertar potenciais investidores em sua Oferta Pública Inicial (IPO) de que a tecnologia pode representar “riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade”, segundo um prospecto ao qual a agência teve acesso.

Apesar dos alertas contundentes, a empresa deve se tornar uma das mais valiosas do mundo quando abrir seu capital.

“Acho meio louco que as empresas continuem avançando no desenvolvimento dessas capacidades quando já vimos, nos últimos meses, incidentes que mostram que elas estão longe de ser seguras e controladas o suficiente”, disse Jess Whittlestone, consultora sênior de políticas de IA do Centre for Long-Term Resilience, um centro de estudos especializado no tema.

Líderes do setor de IA, incluindo o chefe da Anthropic, Dario Amodei, e o CEO da OpenAI, Sam Altman, pediram que a indústria desacelere o ritmo de desenvolvimento.

Crescem as dúvidas sobre a segurança

A decisão da OpenAI, divulgada inicialmente pelo Wall Street Journal, representa um caso raro em que uma grande empresa de inteligência artificial adia o lançamento de um novo modelo por preocupações relacionadas à segurança.

O modelo ficou aquém “no que diz respeito a permanecer dentro do escopo e da autorização e à forma como se comunica com o usuário sobre o tipo de trabalho que realizou”, disse Jain.

“Queremos garantir que o desenvolvimento dos nossos modelos seja seguro, independentemente de isso ocorrer dentro da empresa ou quando os disponibilizamos aos usuários. Quando os lançamos para os usuários, temos um nível extremamente alto de exigência em termos de segurança e alinhamento”, acrescentou.

O GPT-6 Astra é especializado em raciocínio complexo e na execução autônoma de tarefas. A OpenAI disse que ele foi resultado de “anos de pesquisa e grandes apostas”.

A OpenAI realizará nesta terça-feira, em San Francisco, sua conferência anual para desenvolvedores, a DevDay, na qual deve fazer vários anúncios. Não está claro se uma nova versão do Astra estará entre eles.

Os controles de segurança da empresa passaram a ser alvo de intenso escrutínio após vários incidentes de grande repercussão envolvendo sua tecnologia.

Mas esta não é a primeira vez que uma grande empresa de IA desiste ou adia o lançamento de um novo modelo

No início deste ano, a Anthropic disse que não lançaria um poderoso modelo Claude, chamado Mythos, porque ele era bom demais em encontrar falhas de software. A empresa lançou uma versão desse modelo alguns meses depois.

A OpenAI, por sua vez, disse em 2019 que não seria “perigoso demais” lançar um de seus modelos GPT, que hoje é usado para alimentar ferramentas como o ChatGPT.

A decisão da empresa de não lançar a versão mais recente do Astra foi “um sinal positivo de que eles estão levando as preocupações com segurança a sério”, disse o professor Tony Cohn, responsável pela área de modelos fundacionais no Alan Turing Institute.

Mas ele acrescentou que “a segurança não deveria ficar exclusivamente nas mãos dos desenvolvedores e também deveria ser monitorada e verificada por órgãos reguladores independentes, aprovados pelo governo”.

A professora Gina Neff, do Minderoo Centre for Technology and Democracy, da Universidade de Cambridge, disse que o anúncio da OpenAI mostrou “o quanto mais a empresa precisa fazer para tornar seus produtos de IA seguros”.

Ela disse à BBC que é “fundamental” haver testes independentes de modelos de IA realizados por laboratórios como o AI Security Institute, do Reino Unido — que avalia sistemas de ponta de forma voluntária —, porque “essas empresas já provaram que não podemos depender exclusivamente delas para garantir nossa segurança”.

Ataques hackers na Austrália

Na semana passada, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, anunciou que um agente da OpenAI havia invadido sites e sistemas do governo em junho, no que especialistas disseram ser o primeiro caso conhecido desse tipo no mundo.

Albanese criticou a OpenAI por ter notificado o governo da Austrália por meio de um endereço de e-mail genérico, em vez de entrar em contato diretamente com as autoridades.

A OpenAI disse em um comunicado nesta terça-feira que lamentava o incidente e que “deveria ter conduzido a resposta de uma maneira melhor”.

A Services Australia, o Bureau de Estatísticas e Pesquisa sobre Crimes de Nova Gales do Sul, o Departamento de Saúde de Victoria e o Australian Institute of Health and Welfare foram afetados.

A empresa disse que iniciou investigações assim que tomou conhecimento dos problemas, em meados de agosto, e notificou as organizações afetadas entre 10 e 24 de setembro.

“Nosso objetivo era fornecer às agências afetadas um relato detalhado assim que nossa investigação fosse concluída”, disse a OpenAI, acrescentando que deveria ter compartilhado as conclusões preliminares mais rapidamente e mantido as autoridades australianas atualizadas.

A OpenAI acrescentou que desenvolverá “abordagens práticas” para definir como desenvolvedores e governos identificarão e divulgarão futuros incidentes envolvendo IA.

A empresa financiará medidas de cibersegurança, oferecerá suporte dedicado às agências afetadas e criará uma força-tarefa para administrar os riscos decorrentes de agentes de IA cada vez mais avançados.

A empresa também disse que um de seus principais executivos participará, em 6 de outubro, de uma audiência do Joint Select Committee sobre IA na Austrália.

Em julho, a OpenAI disse que seus sistemas de IA haviam acessado a internet e invadido o Hugging Face, uma plataforma aberta para desenvolvedores, levando pesquisadores e autoridades a pedir controles mais rígidos sobre a tecnologia.

Na segunda-feira, a gigante dos chips Nvidia lançou um conjunto de ferramentas de segurança de software para plataformas de IA autônomas — chamadas de agentes — que, segundo a empresa, poderiam ter evitado o ataque ao Hugging Face.

Uma das novas ferramentas usa recursos de hardware dos chips da Nvidia para conter os agentes.

O chefe da Nvidia, Jensen Huang, em grande parte rejeitou os pedidos por regulamentações mais rígidas para a IA, argumentando que agentes que agem de forma indevida são um problema de engenharia que pode ser solucionado.

A Nvidia concordou em comprar o Hugging Face por US$ 12,9 bilhões, o equivalente a R$ 67,38 bilhões, no início deste mês.

O papa Leão 14, que disse na segunda-feira, durante uma visita à França, que a IA “deve ser levada a sério”, acrescentou que havia lido que Huang havia sugerido que poderia haver uma maneira de inserir mecanismos de proteção em determinados modelos de IA.

“Ele (Huang) é o mesmo que, no entanto, diz que não deveria haver limites impostos nem regulamentação governamental”, afirmou o papa.

A Nvidia se recusou a comentar o caso.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Câmara, Mike Johnson, devem receber executivos de empresas de tecnologia na Casa Branca nesta terça-feira para discutir regulamentações relacionadas à IA.

Trump minimizou as preocupações sobre os riscos da IA, classificando-as como uma “farsa” e argumentando que os EUA já têm leis suficientes e que os únicos “mecanismos de proteção” de que a tecnologia precisa são um presidente “forte e inteligente”.

Fonte: G1

Produtoras de fertilizantes entram na corrida por terras raras no Brasil

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Produtoras de fertilizantes entram na corrida por terras raras no Brasil
Foto: REUTERS/David Becker

Verde AgriTech divulga novos resultados de sondagens em Minas Gerais; Harvest amplia portfólio e Mosaic busca extrair terras raras de resíduos da produção de fosfato

A produtora de fertilizantes Verde AgriTech avançou em sua aposta em terras raras no Brasil e divulgou nesta terça-feira (6) novos resultados de sondagem do projeto Minas Americas, em Minas Gerais.

Por meio da subsidiária Magnes Rare Earths, a companhia reportou um intervalo de 30 metros desde a superfície com teor médio de 1.853 partes por milhão (ppm) de óxidos de terras raras magnéticas.

Desse total, 1.792 ppm correspondem a óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr), elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes. O intervalo também apresentou 270 ppm de óxidos de terras raras pesadas.

Resultados de sondagens mais rasas também mostraram teores acima de 2.100 ppm de terras raras magnéticas. Em um dos furos, foram identificados 11 metros desde a superfície com 2.179 ppm de MREO e 335 ppm de terras raras pesadas.

Até o momento, a companhia ainda não estabeleceu uma taxa de recuperação comercial, recurso mineral ou avaliação econômica para o projeto.

A Verde criou a Magnes em maio deste ano para concentrar os ativos de terras raras em uma subsidiária integralmente controlada pelo grupo. A companhia pretende publicar uma primeira estimativa de recursos minerais até o fim de 2026 e uma avaliação econômica preliminar no primeiro semestre de 2027, condicionadas ao avanço dos trabalhos técnicos.

O movimento coloca a companhia em um grupo crescente de empresas ligadas ao setor de fertilizantes que passaram a ampliar sua exposição às terras raras no Brasil.

Harvest também muda foco

A Harvest Minerals, que produz fertilizantes no projeto Arapuá, em Minas Gerais, também acelerou neste ano a entrada no segmento.

Em setembro, a companhia concluiu a aquisição da Scanty Mineração, acrescentando ao portfólio oito projetos de terras raras distribuídos por 27 direitos minerários em quatro estados brasileiros.

A operação se soma ao próprio potencial para terras raras identificado anteriormente pela Harvest em Arapuá. A empresa passou a se definir como uma companhia emergente de exploração de terras raras, ao mesmo tempo em que mantém suas operações de fertilizantes no país.

A mudança ocorre em meio a dificuldades no negócio tradicional. Nos resultados divulgados na semana passada, a Harvest afirmou que as perspectivas para sua divisão de fertilizantes permanecem “muito incertas” e que continua avaliando criticamente o futuro da operação dentro do grupo.

Ao mesmo tempo, classificou a aquisição da Scanty como um marco de sua estratégia para construir um negócio relevante de terras raras no Brasil.

Mosaic mira terras raras em resíduos de fertilizantes

No caso da Mosaic, a aproximação entre os dois setores ocorre de forma ainda mais direta.

A gigante de fertilizantes trabalha com a Rainbow Rare Earths para recuperar terras raras do fosfogesso gerado pelas operações de produção de ácido fosfórico em Uberaba, também em Minas Gerais.

O fosfogesso é um resíduo gerado durante o processamento da rocha fosfática para a produção de fertilizantes. Em vez de desenvolver uma nova mina exclusivamente voltada às terras raras, o projeto pretende aproveitar material já produzido pela operação da Mosaic.

Em setembro, Mosaic e Rainbow iniciaram o estudo de pré-viabilidade do projeto. A SRK Consulting foi contratada para preparar uma primeira estimativa de recursos minerais, enquanto cerca de seis toneladas de fosfogesso serão enviadas para testes no laboratório e planta-piloto da Rainbow na África do Sul.

A conclusão do estudo de pré-viabilidade está prevista para o segundo semestre de 2027. A produção inicial é projetada para 2030, caso o projeto avance nas etapas técnicas, regulatórias e de investimento.

Apesar de partirem de modelos diferentes, os movimentos de Verde, Harvest e Mosaic mostram uma nova frente na corrida brasileira por terras raras.

Enquanto Verde e Harvest aproveitam sua presença no setor mineral para desenvolver novos ativos de exploração, a Mosaic busca agregar valor a um resíduo gerado pela própria cadeia de fertilizantes.

Nos três casos, empresas que já operavam no Brasil para atender principalmente o agronegócio passaram a enxergar nos minerais utilizados em ímãs, veículos elétricos, equipamentos de defesa e outras tecnologias estratégicas uma nova frente de negócios.

Fonte: CNN Brasil

Espírito Santo reúne setor público, investidores e especialistas para discutir o futuro das PPPs e concessões

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Espírito Santo reúne setor público, investidores e especialistas para discutir o futuro das PPPs e concessões
Foto: Divulgação

Reunião Estratégica Regional P3C, em Vitória, tem como tema “Fortalecendo a infraestrutura do Espírito Santo: desafios e oportunidades em PPPs e concessões”

Num estado que já soma mais de R$ 9 bilhões em investimentos em saneamento e segurança hídrica, a pergunta deixou de ser se as parcerias público-privadas funcionam e passou a ser como multiplicá-las. É essa a discussão que a Reunião Estratégica Regional P3C – Espírito Santo coloca em pauta no dia 1º de dezembro, das 9h às 18h, no Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória.

O encontro vai reunir representantes dos setores público e privado, investidores, financiadores, estruturadores, operadores e especialistas. A proposta é debater os desafios e as oportunidades na estruturação, no financiamento e na implementação de concessões e PPPs, compartilhar boas práticas e estimular parcerias para projetos estruturantes.

Leia mais: Vitória é primeiro lugar em Gestão Inovadora e segunda no Turismo em prêmio do Sebrae

Um estado com carteira em andamento

O Espírito Santo vem consolidando um ambiente favorável à atração de investimentos, com localização estratégica, equilíbrio fiscal, segurança institucional e uma agenda de ampliação da participação privada. Os projetos em curso ajudam a explicar o cenário.

No saneamento, a Cesan leiloou, em modelagem da FGV Projetos, a PPP de esgotamento sanitário que atende 43 municípios. O Lote A, com 35 cidades, incluindo Vitória, foi arrematado pelo consórcio GS Inima e Forte Ambiental, com deságio de 25%, R$ 1,08 bilhão em investimentos e R$ 3,85 bilhões em custos operacionais ao longo de 25 anos. O Lote B, com oito municípios, entre eles Guarapari e Viana, ficou com a Acciona Água Brasil, com deságio de 13% e contrato de cerca de R$ 1,8 bilhão em 23 anos. Somadas, as obras preveem 39 estações de tratamento de esgoto, 219 estações elevatórias e mais de 1,2 mil quilômetros de redes coletoras, em direção à meta do Novo Marco Legal do Saneamento, de 90% de cobertura até 31 de dezembro de 2033.

Na segurança hídrica, o estado prepara a que deve ser a maior usina de dessalinização do país, em Guarapari, com capacidade de 1.200 litros de água potável por segundo e leilão previsto na B3 até o fim de 2026. A Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR), com investimento inicial superior a R$ 250 milhões, vai destinar esgoto tratado a grandes consumidores industriais e liberar água dos mananciais para a população. Já a Barragem dos Imigrantes, entre Viana e Domingos Martins, tem R$ 316 milhões em obras e deve operar em dezembro de 2027, com reserva de 23 bilhões de litros para a Região Metropolitana.

Leia mais: Vitória avança em inovação e consolida gestão inteligente

A inovação urbana também chega aos municípios menores. O programa ES Inteligente, coordenado pelo Bandes em parceria com o IPGC, já alcança 29 municípios e 39% do território capixaba, com projetos de iluminação pública em LED, usinas solares, fibra ótica e gestão de resíduos. Venda Nova do Imigrante foi premiada no Prêmio P3C, e Afonso Cláudio foi apresentada como referência em fórum internacional de PPPs na Espanha.

Por que participar

Por isso, encontros como a Reunião Estratégica Regional P3C – Espírito Santo ganham relevância neste momento. O evento oferece conexão com gestores públicos, investidores e empresas que atuam na infraestrutura capixaba, uma visão integrada do cenário estadual e a chance de identificar oportunidades de colaboração para projetos de PPPs e concessões. As discussões também alimentam a construção da agenda do P3C Nacional, maior evento de PPPs e concessões do Brasil. A Reunião Estratégica é realizada e organizada pela Necta, empresa que desenvolve plataformas de conteúdo para conectar organizações em torno de crescimento orientado a propósito e é correalizada com a SP Parcerias. 

Saiba mais sobre a Reunião Estratégica, clique aqui. 

Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento/reuniao-estrategica-regional-p3c-espirito-santo/3534671

Com a barragem em obras, os lotes de esgoto em fase de arranque e a dessalinização a caminho do leilão, o encontro chega num momento em que o estado precisa responder menos à questão de por onde começar e mais à de como manter o ritmo com segurança jurídica e boa governança.

Super El Niño: previsão de que fenômeno redistribua chuvas e altere a produtividade agrícola do País

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Emissão líquida de poluentes no país cai ao menor nível desde 2012
Foto: Getty Images

Fenômeno meteorológico é um dos mais intensos desde 2015 e pode afetar a produção agrícola de algumas regiões

O Super El Niño, que está se consolidando na região equatorial do Oceano Pacífico, pode ser um dos maiores fatores de risco climático para a agricultura do Brasil nas safras de 2026 e 2027. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê a intensificação do fenômeno nos próximos meses, com probabilidade próxima a 100% de que seus efeitos sejam sentidos até fevereiro de 2027. O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera as correntes de vento e os padrões de chuva e temperatura em escala global. Cientificamente, desvios a partir de +0,5°C em relação à média histórica (de 1991 a 2020) já indicam o estabelecimento do fenômeno.

Augusto Pereira Filho, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, explica alguns efeitos causados pelo El Niño. “Quando o fenômeno ocorre, há uma condição de descendência do ar sobre a Amazônia, o que inibe ou dificulta a formação de tempestades, particularmente nesta época do ano. Isso significa também que, dado o aumento da radiação solar, há na Amazônia uma evapotranspiração maior, essa umidade, em razão da circulação, que é o que nós chamamos de alta pressão, que leva o ar úmido da Amazônia para o Sul do Brasil e Sudeste. Nessa condição de El Niño, você tem seca em geral na Amazônia, uma diminuição da chuva lá, e aumento das chuvas aqui no Sul e Sudeste.”

Impactos na agricultura brasileira

Fábio Marin, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, destaca que, devido aos impactos do El Niño serem diversos, a depender da região, diferentes culturas agrícolas — como soja, milho ou cana-de-açúcar — podem ser afetadas de forma diferentes.

“A distribuição [de plantações] não é por cultura, mas por região. A soja do norte do Mato Grosso deve ser afetada por uma leve queda na chuva e a soja do Rio Grande do Sul e do Paraná, que são também Estados importantes produtores, deve ser ajudada pela chuva. O Mato Grosso é muito importante, a tendência é de ter chuva abaixo da média, pelo menos na parte norte, mas vai haver produção. O Sul do Brasil vai ter uma condição muito boa de chuva e deve produzir bem nessa safra, de modo que talvez uma região compense outra e a produção brasileira seja tão boa quanto foi a última safra. A mesma coisa para o milho e para a cana, que está muito concentrada em São Paulo, quase 60% em São Paulo, a cana tende a produzir mais em 2027.”

De acordo com Marin, a região Nordeste do País passa por uma situação específica, que envolve também a situação do Oceano Atlântico. “No Nordeste, uma região com bastante agricultura familiar, e isso é muito importante do ponto de vista social, a gente ainda precisa monitorar as águas do Atlântico, porque é como se o Atlântico não tivesse se manifestado ainda. A parte nordeste se alinha com o norte, mas o Nordeste também é controlado pelas temperaturas do Atlântico, então, a depender da temperatura do Atlântico, nós podemos ter uma condição de El Niño muito forte e o Nordeste sem sentir nenhum efeito, visto que o Atlântico Tropical Sul fica um pouco mais quente. Se nós temos o Atlântico Tropical Norte um pouco mais quente, aí acontece a manifestação do El Niño no Nordeste.”

“A parte irrigada do Nordeste consegue se virar bem, porque ela tem um suprimento hídrico, que é o principal efeito do El Niño, em termos de variabilidade da chuva. A minha visão é que o que a gente vai perder, eventualmente, no Centro-Oeste, que não deve ser muito, vai ser compensado pelo Sul e outras culturas também. Eu falei da cana-de-açúcar, mas a gente pode colocar o café e o trigo também, em termos de grandes culturas, com grande pressão socioeconômica no País, também devem ser mais ajudadas do que prejudicadas”, ressalta Marin.

Preparações para eventos extremos

Segundo Marin, a agricultura brasileira é capaz de lidar com eventos climáticos extremos, como o El Niño e o La Niña — quando ocorre o resfriamento das águas do Pacífico. “A agricultura brasileira tem uma boa resiliência, ela tem uma boa capacidade de lidar com os extremos, o El Niño não derruba as produções de maneira substancial, afeta regionalmente e sempre tem uma região mais beneficiada e outra região mais afetada. Ela é considerada medianamente resiliente, isso não exclui dizer que não precisamos melhorar, que temos que avançar, obviamente não é isso que eu quero dizer, mas também o que eu quero pontuar é que climaticamente ela tem uma estrutura e ela consegue resistir, especialmente a lavoura de grão. A gente tem observado aumentos na produtividade, ano a ano, recordes de produção, e essa talvez seja a prova real de que existe uma capacidade de lidar com esses fenômenos na agricultura brasileira.”

Pereira Filho reforça a importância de ações coordenadas de governos municipais, estaduais e federal em cenários de eventos climáticos complexos. “Cada município acaba sofrendo um efeito, é importante que essas informações sobre o El Niño e outros eventos, na medida que o tempo se desenvolve nessa circunstância climática, os órgãos do governo façam o trabalho de mitigação. Não tem outro caminho. Todos os países envolvidos fazem o monitoramento do tempo e do clima por várias razões. A meteorologia afeta todo mundo, todos nós. O ambiente, os seres humanos, a fauna, a flora, tudo. Esses países dedicam recursos que vão produzir um efeito de mitigação. Ou seja, dada a variabilidade climática e um dado extremo dentro dessa variabilidade, você consegue reduzir as perdas materiais e muito mais as perdas humanas”, finaliza.

Fonte: Jornal USP | Gabriel Albuquerque

Óculos inteligentes entram na mira de governos e empresas preocupados com privacidade

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Óculos inteligentes entram na mira de governos e empresas preocupados com privacidade
Foto: Reprodução/TV Vanguarda

Governos e empresas analisam novas regras para impedir que dispositivos com câmeras e microfones sejam usados para registrar pessoas ou informações sem autorização.

Governos, tribunais e empresas de diferentes países estão avaliando restrições aos óculos inteligentes diante de preocupações com a privacidade.

A tecnologia, popularizada pelos modelos Ray-Ban da Meta, permite fotografar, gravar vídeos e captar áudios. Autoridades temem que os dispositivos sejam usados para registrar pessoas ou informações confidenciais sem consentimento.

Veja o que alguns países e regiões estão fazendo:

Austrália

O governo federal avalia proibir o uso de óculos inteligentes com câmeras em locais de trabalho públicos por razões de privacidade e segurança.

A ministra do Serviço Público, Katy Gallagher, pediu uma avaliação sobre a necessidade de proibição e possíveis exceções.

Reino Unido

Tribunais da Inglaterra e do País de Gales proibiram o uso de óculos inteligentes da Meta por causa das restrições à gravação de imagens e vídeos nas cortes.

Cinemas britânicos também estão adotando regras para proibir ou limitar o uso de dispositivos com câmeras.

União Europeia

Autoridades europeias de proteção de dados e parlamentares estão analisando os riscos dos óculos inteligentes.

O Comitê Europeu de Proteção de Dados encomendou um relatório sobre a “aceitação social” da tecnologia. Uma eurodeputada também pediu que a Comissão Europeia avalie possíveis medidas.

Noruega

O governo pretende propor uma proibição temporária de óculos com inteligência artificial em locais públicos de grande circulação, como parques, praias, museus, centros comerciais e eventos.

Em agosto, Oslo, capital do país, proibiu o uso de óculos inteligentes nas escolas.

Estados Unidos

O Sistema Judiciário Unificado de Nova York proibiu os óculos inteligentes em todas as suas instalações desde 20 de julho.

A regra vale para óculos de grau e sem grau e acessórios com câmeras, microfones, computadores ou outras tecnologias capazes de gravar áudio e vídeo.

Visitantes precisam entregar os dispositivos aos funcionários dos tribunais antes de entrar.

Fonte: G1

Contagem regressiva Cidade CSC: confira tudo que você encontrará no evento

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Contagem regressiva Cidade CSC: confira tudo que você encontrará no evento
Foto: Divulgação

De experiências interativas a espaços de networking, evento reúne conteúdo, tecnologia e conexões em uma programação que integra cidades inteligentes, gestão pública e mobilidade

A contagem regressiva para o Cidade CSC 2026 já começou. Entre os dias 16 e 18 de novembro, o Expo Center Norte, em São Paulo, será palco de uma experiência que reúne, em um mesmo ambiente, o Connected Smart Cities, o CSC GovTech e o Parque da Mobilidade Urbana.

A edição deste ano foi desenhada para ir além dos tradicionais palcos de conteúdo. A proposta é aproximar participantes de soluções, tecnologias, empresas, gestores públicos e especialistas que estão diretamente envolvidos na transformação das cidades brasileiras. A programação está organizada a partir de três dimensões — Espaço, Sistema e Movimento — que representam, respectivamente, como a cidade é planejada e vivida, como é operada e governada e como se desloca e funciona ao longo do tempo.

Ao todo, serão mais de 20 áreas de conteúdo e mais de 20 palcos simultâneos, com mais de 500 palestrantes ao longo dos três dias. Mas quem visitar o Cidade CSC encontrará também uma série de atividades pensadas para promover interação, troca de experiências e novas conexões.

Leia mais: Cidade CSC 2026 reúne mais de 500 palestrantes e amplia experiências interativas em São Paulo

Experiências para participar 

Uma das principais novidades da edição 2026 está justamente na ampliação das experiências interativas. O Espaço de Experiências reunirá demonstrações, ativações e dinâmicas de gamificação, com atividades que convidam o público a interagir com as marcas e soluções apresentadas no evento.

A programação também contará com promoções e sorteios ao longo dos três dias. A ideia é criar uma experiência mais dinâmica para quem circula pelo evento, aproximando conteúdo e interação.

Outro destaque são os Meetups, que contarão com um sistema de recomendação para aproximar participantes com interesses semelhantes. A ferramenta foi pensada para facilitar encontros profissionais, conversas e oportunidades de negócios entre pessoas que dificilmente se encontrariam apenas durante a programação dos palcos.

Para quem precisa conciliar a participação no evento com a rotina profissional, os Workstations estarão disponíveis como espaços de trabalho. Já os Espaços de Convivência foram planejados para momentos de pausa, descompressão e descanso entre uma atividade e outra.

Leia mais: Muito Além da Tecnologia: como o Ecossistema Cidade CSC está redefinindo o futuro das cidades brasileiras

Uma cidade dentro do evento

A própria organização espacial do Cidade CSC acompanha a proposta de integrar diferentes dimensões da vida urbana. Em vez de concentrar a experiência apenas em auditórios, o evento reúne feira de negócios, espaços de convivência, experiências, meetups, áreas de trabalho e conteúdos simultâneos.

A Expo será o espaço dedicado à apresentação de produtos, serviços e tecnologias voltados à gestão urbana. Para quem quiser levar um pouco da experiência para casa, a Loja Cidade CSC terá produtos da comunidade do evento, como canecas, camisetas, copos e ecobags.

A programação também terá cobertura ao vivo, com entrevistas, talks e transmissões, ampliando o alcance das discussões que acontecem presencialmente no Expo Center Norte.

Leia mais: Cidades inteligentes: por que tecnologia sozinha não torna uma cidade inteligente

BethaCon chega à segunda edição dentro do Cidade CSC

Entre as atrações que integram a programação está também o BethaCon, encontro promovido pela Betha Sistemas voltado à inovação tecnológica, às melhores práticas e à conexão entre gestores públicos.

A iniciativa retorna ao Cidade CSC em sua segunda edição, dando continuidade à experiência iniciada em 2025. Naquele ano, o BethaCon foi realizado pela primeira vez dentro do Connected Smart Cities, reunindo gestores públicos, especialistas, parceiros e lideranças de tecnologia para discutir caminhos para a modernização da gestão pública.

A integração entre os eventos amplia a possibilidade de conectar debates sobre tecnologia e gestão pública com outras agendas que fazem parte do ecossistema urbano. No Cidade CSC, o público poderá transitar entre diferentes conteúdos e experiências sem precisar escolher entre eventos realizados separadamente.

Fim da escala 6×1 vai prejudicar a economia? Exemplos de países europeus e do próprio Brasil indicam que não

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Fim da escala 6x1 vai prejudicar a economia? Exemplos de países europeus e do próprio Brasil indicam que não
Foto: MAURICIO LIMA/AFP via Getty Images

A última vez que a jornada de trabalho foi reduzida no Brasil foi em 1988, na promulgação da Constituição Federal, quando o limite passou de 48 para as atuais 44 horas semanais, com teto de 8 horas diárias.

Desde então, até 2025, a produtividade do trabalho avançou 34,2% no país, segundo dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, vinculado ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).

Isso significa que, ao longo de quase quatro décadas, o brasileiro produziu mais e melhor com menos tempo de trabalho, em especial na primeira década dos anos 2000, que registrou forte expansão econômica, educacional e tecnológica, simultaneamente.

Entre 2000 e 2025, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro saiu de US$ 596 bilhões para US$ 2,27 trilhões. Em 1988, havia sido de US$ 320 bilhões.

Com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 no Senado, o Brasil discute mais uma vez a jornada de trabalho — agora para 40 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, sem corte de salário.

É o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados, para um de folga), adotada por 14,8 milhões de trabalhadores no país, que representam pouco mais de um terço da mão de obra formal, segundo o Ministério do Trabalho.

A proposta, que se transformou um dos pêndulos da política brasileira do ano passado para cá, foi aprovada na Câmara dos Deputados, em maio, com ampla maioria (472 votos contra 22 em primeiro turno), mas travou na tramitação no Senado por ação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), à época em conflito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Alcolumbre havia anunciado na semana passada que a votação da proposta aconteceria nesta terça-feira (6/10).

A matéria foi aprovada em setembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora precisará passar por cinco sessões de debates no Plenário antes de ser votada em primeiro turno.

Se for aprovada, segue para o segundo turno, com outras três sessões de discussão. No entanto, os prazos podem ser reduzidos se os senadores aprovarem um calendário especial.

Com a eleição já decidida — ao menos para senadores e deputados — os senadores em atual mandato poderão derrubar o projeto sem o temor de encarar a reação negativa das urnas.

Em um mercado com 103 milhões de pessoas ocupadas, isso significa que menos de 15% estão na escala 6×1, diz a socióloga Adriana Marcolino, diretora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“Ou seja, é um número reduzido de empresas que opera nesta modalidade, elas podem se adequar a um modelo que proporcione mais tempo de descanso e maior qualidade de vida às pessoas”, afirma Marcolino.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), no entanto, afirma que a redução da jornada deve gerar uma retração de 0,7% do PIB, equivalente a uma perda de R$ 76,9 bilhões.

O cálculo leva em conta o aumento dos custos com empregos formais, que será repassado aos preços — mesmo argumento defendido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Países europeus registraram crescimento após redução da jornada

Experiências no exterior, porém, apontam no sentido contrário. França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia registraram um crescimento “relativamente robusto” do PIB entre 1995 e 2007, após redução da jornada de trabalho nos respectivos países, segundo artigo publicado em 2022 na revista científica alemã “World of Labour”, do Instituto de Economia do Trabalho (IZA).

Os pesquisadores Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini, que assinam o estudo, afirmam ainda que o nível do emprego também não foi afetado de maneira significativa.

Os países analisados, ano da mudança e os principais pontos da reforma em cada um deles foram:

  • Portugal (1996): Reduziu o tempo de trabalho semanal padrão de 44 para 40 horas, mantendo os salários mensais constantes, portanto com um aumento nos salários por hora, sem compensação para as empresas. Cerca de metade da força de trabalho estava no limite da carga horária ou abaixo dela antes da reforma.
  • Itália (1997): Reduziu a jornada semanal padrão para 40 horas, abaixo das 48. A reforma adaptou o código do trabalho a disposições já previstas pela maioria dos acordos coletivos. Apenas 18% dos funcionários italianos foram afetados.
  • França (1998): Cortou o tempo de trabalho padrão de 39 para 35 horas sem alteração nos salários mensais líquidos. As empresas foram contempladas com uma redução nas contribuições para a segurança social dirigida a trabalhadores de baixa qualificação. No geral, 80% dos trabalhadores franceses foram afetados.
  • Bélgica (2001): Adotou o horário padrão de 38 horas por semana, dividido em quatro dias úteis (antes, eram cinco). Até dezembro de 2002, a redução era voluntária. A partir de janeiro de 2003, todas as empresas foram obrigadas por lei. Foi concedida uma redução única nas contribuições para a segurança social dos empregadores. No geral, 33% dos funcionários foram afetados.
  • Eslovênia (2002): Reduziu o tempo de trabalho padrão de 42 para 40 horas. O acordo de política salarial garantiu que os trabalhadores não tivessem qualquer corte no seu salário. As empresas não receberam qualquer compensação ou subsídio. No geral, 21% dos funcionários eslovenos foram afetados.

“Entre 1995 e 2007, os países europeus experimentaram um crescimento relativamente forte”, diz o estudo, que fez o corte em 2007 para evitar distorções causadas pela crise financeira de 2008.

“A redução do horário de trabalho padrão e o aumento do custo da mão de obra por hora trabalhada foram rapidamente absorvidos, sem efeitos consideráveis sobre o emprego.”

Os resultados sugerem que a redução da jornada, sem redução nos salários, funciona de forma “muito semelhante” ao aumento do salário mínimo.

De acordo com os pesquisadores, uma semana de trabalho mais curta pode beneficiar as empresas em termos de maior produtividade e maior capacidade de atrair e reter talentos.

O apagão de mão de obra tem sido um drama para empresas brasileiras, especialmente dos setores de comércio e serviços. A taxa de rotatividade no Brasil varia entre 51% e 56% ao ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Isso significa que mais da metade dos trabalhadores troca de emprego a cada 12 meses; no setor de bares e restaurantes, que opera na escala 6×1, o índice é ainda maior, de 79%.

Empregadores reconhecem que os profissionais têm buscado uma jornada mais flexível: não querem trabalhar aos fins de semana e preferem um emprego mais perto de casa, para não perderem tempo demais no trajeto.

Em meio a essa dinâmica, muitos se tornam autônomos ou empreendedores. Para especialistas, a alta rotatividade compromete a produtividade das empresas, uma vez que é preciso dedicar mais tempo e recursos para treinar novos funcionários.

“A redução da jornada de trabalho não implica em redução da produção de riqueza no país, ao contrário: em geral é um elemento dinamizador da economia, porque parte das empresas vai contratar novos trabalhadores e aumentar a massa salarial, o que terá um impacto positivo no consumo”, diz Adriana Marcolino.

Para ela, também haverá ganhos de produtividade, seja porque os trabalhadores estarão mais descansados, seja porque as empresas vão investir em inovações tecnológicas para suprir a falta de mão de obra. Neste caso, um exemplo são os caixas de autoatendimento nos supermercados.

Qual o impacto do fim da escala 6×1 no PIB?

“O fim da escala 6×1 não vai, absolutamente, afetar o PIB no Brasil”, afirma o economista Ladislau Dowbor, professor titular de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ex-consultor de agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo ele, na atual era do conhecimento, a produtividade depende mais da capacidade criativa do que das horas trabalhadas.

No artigo “A erosão da sociabilidade: resgatando a colaboração e o convívio”, publicado em fevereiro, Dowbor destaca que o mundo do século 21 já produz riquezas suficientes para todos: são US$ 219 trilhões ao ano, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), considerando a paridade do poder de compra entre os diferentes países.

“Isso equivale a US$ 9 mil por mês por família de quatro pessoas. É um valor suficiente para assegurar uma vida confortável a todos”, afirma.

No caso do Brasil, levando em conta o PIB de R$ 12,7 trilhões, a proporção é de R$ 20 mil por mês por família de quatro pessoas.

“Pela primeira vez na história humana, o que produzimos é mais do que suficiente para nossas necessidades. Nosso desafio, portanto, não é econômico, no sentido de falta de recursos. É preciso uma nova organização social e política, que passa obrigatoriamente pelo desenvolvimento da economia e do mundo do trabalho”, afirma.

Dowbor cita o estudo Global Justice Report, publicado em maio pelo World Inequality Lab (WIL), laboratório de pesquisa internacional sediado na Escola de Economia de Paris, que estuda a dinâmica da desigualdade econômica em todo o mundo. O levantamento apresenta tendências de longo prazo na forma como a humanidade emprega suas horas de trabalho.

“Em 2020, por exemplo, a produção de alimentos ainda é ampla, 28% [do total de horas de trabalho], mas em franca diminuição”, diz Dowbor.

Em 2100, a projeção é que a produção de alimentos responda por 13%, uma realidade completamente distinta da observada em 1800, quando o trabalho para gerar comida consumia 71% do tempo.

“Em compensação, as áreas de educação e saúde, ou seja, o essencial das políticas sociais, hoje com 11%, tendem a se expandir radicalmente, para 43% em 2100, tanto pelo envelhecimento das populações e mais serviços de cuidados, como pela expansão dos tempos de estudo das crianças e jovens” afirma. Em 1800, as áreas respondiam por apenas 4% das horas trabalhadas.

Da mesma forma, a indústria, hoje em 11%, tende a perder peso com a penetração das novas tecnologias e o uso de robôs, chegando a 3% em 2100.

Já o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), acredita que o fim da jornada 6×1 pode trazer efeitos colaterais indesejados.

“É possível ver um aumento ainda maior da rotatividade, uma vez que os empresários devem trocar a mão de obra mais cara pela mais barata; um aumento do desemprego, com o fechamento de vagas onde for possível automatizar; e uma possível piora em determinados serviços, como o sistema público de transporte, onde já faltam motoristas — com o horário reduzido, haverá menos oferta de transporte para a população”, afirma.

O economista do Ibre projeta uma queda de 2,9 pontos percentuais no PIB após o fim da escala 6×1. “Os setores formais têm jornadas mais longas, em média de 40,7 horas por semana, e são mais produtivos que os informais, que trabalham em média 34,6 horas”, diz.

“Ou seja, a redução da jornada reduz a participação das horas trabalhadas nos setores mais produtivos. Os benefícios do fim da escala 6×1 precisam ser ponderados frente a estes custos, especialmente em um cenário de baixa produtividade e sem negociação coletiva prévia.”

A economista Silvia Matos, pesquisadora de economia aplicada do FGV-Ibre e coordenadora do Boletim Macro Ibre, concorda que um período maior de transição para redução da jornada — entre dois e três anos, em vez dos 14 meses propostos — seria benéfico para as empresas.

“O momento não é ideal para mudanças bruscas, porque já estamos vendo uma desaceleração da economia, como apontou o PIB do segundo trimestre”, diz Matos, referindo-se à alta de 0,5% no período, um patamar inferior ao 1,1% de crescimento observado no primeiro trimestre.

Ao mesmo tempo, diz a pesquisadora, o emprego formal vem perdendo fôlego e diversos setores têm dificuldades para contratar.

No entanto, ela lembra que, em todo o mundo, a redução de jornada é uma tendência natural. “Em 1981, a jornada média agregada do Brasil, considerando os setores formal e informal, somava mais de 43 horas por semana. Em 2025, estava em 38,5 horas”, afirma.

Na sua opinião, a solução passa por menos impostos sobre o trabalho, bens e serviços, e mais sobre a renda. “O custo do trabalho formal no Brasil é alto devido aos impostos”, diz ela.

“No passado, era fácil crescer, porque havia muita mão de obra disponível, recebendo salários baixos. Essa foi a fórmula de crescimento da China, que acabou beneficiando os demais países, mas ao custo de jornadas exaustivas, de 50, 60 horas, sem benefícios.”

Para Ladislau Dowbor, o crescimento econômico consistente, acompanhado da geração de um tecido social mais coeso, com menos desigualdade social, envolve não só a redução da jornada, mas também a oferta de melhor remuneração e mais investimento em tecnologia.

“Assim, o país tem condições de gerar um ciclo virtuoso, de aumento da produtividade, expansão do mercado interno, melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento da economia do cuidado”, afirma.

Segundo ele, a expectativa é que o famoso ensaio do economista britânico John Maynard Keynes, intitulado “As possibilidades econômicas para os nossos netos”, publicado em 1930, se concretize: “Com as tecnologias que teremos pela frente, vocês vão poder trabalhar 15 horas por semana para assegurar o que é necessário para um ser humano”.

Fonte: BBC News

SUS passa a oferecer três novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer pulmonar

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SUS passa a oferecer três novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer pulmonar
Foto: Agência Brasil

Brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe são novos fármacos indicados para diferentes etapas do tratamento da doença

O Ministério da Saúde anunciou a ampliação do acesso ao tratamento do câncer de pulmão na rede pública. A partir deste mês de outubro, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a incorporar gradualmente três novas terapias de alta tecnologia em seu catálogo: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe. A medida faz parte da Assistência Farmacêutica Oncológica e traz novas perspectivas para a gestão e o combate da doença na saúde pública, devendo beneficiar cerca de 1,9 mil pacientes em todo o Brasil.

A chegada dos novos fármacos responde à demanda por tratamentos mais modernos e individualizados no setor público. O médico oncologista clínico Saulo Brito Silva, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, explica o funcionamento dos medicamentos nos pacientes oncológicos.

“Os novos medicamentos em discussão atuam no tratamento de câncer de pulmão de maneira diferente de quimioterapias, por exemplo. Brigatinibe e gefitinibe são medicamentos que atuam em alterações específicas de proteínas das células do tumor. Em relação ao durvalumabe, esse é um tratamento da classe de imunoterapias que atuam alterando a imunidade, fazendo com que a imunidade consiga reconhecer melhor o tumor a fim de combater e tratar”, destaca o especialista.

Cada uma das medicações são indicadas para um tipo diferente de diagnóstico. “A indicação dos tratamentos gefitinibe e brigatinibe é para o cenário de doença avançada metastática, ou seja, que é detectada em outros órgãos além do pulmão. O durvalumabe é indicado para tumores que não avançaram para outros órgãos mas que não são operáveis por já estarem em regiões e estruturas que impedem o sucesso do tratamento cirúrgico”, afirma o doutor.

Diagnóstico tardio

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão está entre os três tipos de cânceres mais comuns entre homens e mulheres no Brasil, liderando taxas de mortalidade devido a diagnósticos tardios. “Muitas vezes o câncer de pulmão é diagnosticado já em situações avançadas, ou seja, situações que não se pode mais operar, e o tratamento acaba sendo feito de forma sistêmica, com ou sem radioterapia”, relata o oncologista Saulo Brito Silva.

O doutor destaca, também, que todos os tratamentos podem gerar uma qualidade de vida para os portadores da patologia, sendo ela variável entre os pacientes devido ao seu sintoma e estágio da doença.

Prevenção primária

Apesar da chegada dos fármacos à rede pública, o especialista afirma que o enfrentamento mais eficaz do câncer de pulmão continua sendo ancorado na prevenção primária e na detecção precoce. Entre os fatores de risco conhecidos, o consumo de derivados do tabaco permanece no topo das estatísticas.

“Com relação aos fatores de risco, o tabagismo emerge como principal. É importante lembrar que existe uma parcela de cânceres de pulmão em pessoas que nunca fumaram, os fatores de risco nessa situação são, ainda, objetos de estudo, como, por exemplo, a poluição ambiental.” Silva afirma, ainda, que tabagistas passivos (pessoas que convivem com tabagistas ativos) também podem estar em exposição pela inalação da fumaça.

Fonte: Jornal da USP | Maby Ferreira