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BNDES sugere avaliar nova exceção fiscal para plano de mobilidade urbana

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BNDES sugere avaliar nova exceção fiscal para plano de mobilidade urbana
Foto: Getty Images

Estudo sobre expansão de transporte público nas 21 maiores regiões metropolitanas do país apontou 187 projetos que custam R$ 400 bi; ex-ministro da Fazenda recomenda considerar aporte fora do arcabouço

O ex-ministro Nelson Barbosa, hoje diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), sugeriu ao governo avaliar a possibilidade de uma nova exceção ao arcabouço fiscal para um pacote de investimentos em mobilidade urbana no país.

O BNDES acaba de lançar um estudo em que recomenda 187 projetos estruturantes, nas 21 principais regiões metropolitanas, com a ampliação da rede de transporte público em mais de 3 mil quilômetros.

O valor foi estimado em R$ 400 bilhões a R$ 430 bilhões, em um horizonte de até 30 anos, com custo final variando conforme a solução de transporte escolhida em alguns casos (metrô, VLT ou BRT).

Entre as obras apontadas estão a linha 3 do metrô de Belo Horizonte,o VLT Eixo Monumental-Esplanada dos Ministérios em Brasília, o BTR Assis Brasil em Porto Alegre, a implantação do VLT Aeroporto-Bessa em João Pessoa e extensões do metrô no Rio de Janeiro.

“O principal desafio é achar espaço fiscal para a parte que cabe ao setor público como aporte não reembolsável”, disse Barbosa em entrevista ao Conexão Infra, programa semanal da CNN.

Projetos de mobilidade urbana raramente se pagam apenas com investimento privado, como costuma ser o caso de novas linhas de transmissão de energia ou de ampliações de grandes aeroportos, entre outros ativos na área de infraestrutura.

No mapeamento feito pelo BNDES, a iniciativa privada bancaria 20% do valor das obras (capex) e a operação dos sistemas (opex), que seria financiada pelas próprias tarifas cobradas dos usuários e de algumas fontes complementares, como exploração comercial de estações.

Ex-ministro do Planejamento e da Fazenda, entre 2015 e 2016, Barbosa considera factível uma nova exceção ao arcabouço fiscal para viabilizar esses investimentos e disse ter apresentado essa possibilidade aos integrantes da JEO (Junta de Execução Orçamentária) — os ministros da Fazenda, Casa Civil, Planejamento e Gestão.

“É possível [fazer uma exceção]. Para dar segurança fiscal, quando se faz alguma exceção, é importante dizer para onde vai [o dinheiro] e por quanto tempo. Por isso, é importante ter um estudo mapeando o volume de recursos e o tempo necessário”, afirmou.

Barbosa lembra que esse é o caso dos investimentos em modernização das Forças Armadas, que terão R$ 5 bilhões adicionais por seis anos, até 2031.

“Quando se coloca uma exceção em aberto, não há muita garantia da eficiência daquele gasto. Mas, dessa forma, dá segurança fiscal. O retorno desses projetos [de mobilidade urbana] mais do que paga o seu custo imediato.”

Sem considerar os investimentos já em curso nas regiões metropolitanas, seria preciso ter aportes públicos da ordem de R$ 16 bilhões anuais para a implantação do plano elaborado pelo BNDES, distribuídos entre os entes federativos (União, estados e municípios).

Barbosa lembra que há efeitos positivos diretos do maior investimento — emprego, renda e retorno em arrecadação de impostos e tributos.

Os maiores benefícios, no entanto, são aqueles que os economistas costumam chamar de “externalidades”: ganho de tempo no deslocamento casa-trabalho-casa para milhões de pessoas, produtividade do trabalho, qualidade de vida e redução das emissões de gases do efeito-estufa (o que pode gerar valor no mercado de carbono).

“O plano se paga numa perspectiva mais ampla e no longo prazo, mas a gente vive no curto prazo. E, no curto prazo, temos restrições”, afirma Barbosa.

Ele reconheceu a sensibilidade de excetuar esses investimentos do arcabouço fiscal: “Apresentamos [o estudo de mobilidade urbana] à equipe econômica e à JEO, mas eles têm várias demandas e pressões”.

O ex-ministro enfatizou que outras fontes de recursos são possíveis a partir da conclusão do estudo, como emendas parlamentares para projetos específicos e a inclusão de obras no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Fonte: CNN Brasil

Educação inteligente começa pela gestão, não pela tecnologia

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Educação inteligente começa pela gestão, não pela tecnologia
Foto: wayhomestudio

Estudos mostram que equipamentos tecnológicos, isoladamente, não melhoram a aprendizagem; o avanço da educação passa por gestão eficiente, formação docente e soluções construídas a partir das realidades locais. 

A ideia de que a tecnologia, por si só, será capaz de transformar a educação ainda ocupa espaço em muitos discursos sobre inovação e cidades inteligentes. Em diferentes municípios brasileiros, a modernização das escolas costuma ser associada à aquisição de tablets, lousas digitais, plataformas educacionais e novos equipamentos. Embora esses investimentos sejam importantes, evidências recentes mostram que a verdadeira transformação educacional depende menos da quantidade de dispositivos disponíveis e muito mais da capacidade de integrá-los a políticas públicas consistentes, formação de professores, inclusão digital e boa gestão.

O debate sobre educação nas cidades inteligentes tem evoluído justamente nesse sentido. A tecnologia deixou de ser vista como um fim em si mesma para ser compreendida como uma ferramenta a serviço da aprendizagem, da cidadania e da redução das desigualdades. O desafio não está apenas em conectar escolas à internet ou ampliar o acesso a recursos digitais, mas em garantir que estudantes e educadores consigam utilizar essas ferramentas de maneira significativa, dentro de um projeto pedagógico alinhado às necessidades da comunidade.

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Pesquisas realizadas com cidades inteligentes brasileiras reforçam essa mudança de perspectiva. Um dos principais achados demonstra que a simples disponibilidade de tecnologias inteligentes não produz, de forma direta, melhorias nos indicadores educacionais. Em outras palavras, equipar escolas não significa, automaticamente, elevar o desempenho dos estudantes ou reduzir problemas como evasão escolar e baixos índices de aprendizagem. A tecnologia representa potencial, mas seu impacto depende da existência de um ambiente favorável para que seja efetivamente incorporada ao cotidiano escolar.

Esse cenário desmonta o chamado “salvacionismo tecnológico”, visão que atribui aos equipamentos digitais a capacidade de solucionar desafios históricos da educação. Se ensinar dependesse apenas da tecnologia, as melhores soluções já teriam sido encontradas há muito tempo. A qualidade da educação continua relacionada a fatores como práticas pedagógicas, valorização dos profissionais, infraestrutura adequada, acesso à internet, acompanhamento dos estudantes e participação da comunidade escolar.

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Nesse contexto, um aspecto ganha protagonismo: a governança pública. Os estudos apontam que a tecnologia exerce um papel decisivo quando fortalece a gestão municipal, ampliando a transparência, qualificando a arrecadação e tornando mais eficiente a administração dos recursos públicos. Essa melhoria na governança fiscal cria condições para que os investimentos cheguem efetivamente às escolas, financiando conectividade, manutenção de equipamentos, capacitação docente, suporte técnico e políticas de inclusão digital. Assim, a relação entre tecnologia e educação acontece de forma indireta: primeiro, a inovação fortalece a gestão pública; depois, uma gestão mais eficiente consegue investir melhor na educação.

Outro desafio das cidades inteligentes é garantir que a transformação digital não produza novas formas de exclusão. A chamada “gentrificação digital” ocorre quando a infraestrutura tecnológica avança mais rapidamente do que a capacidade da população de utilizá-la. Famílias sem acesso à internet, estudantes sem dispositivos adequados ou professores sem formação específica acabam ficando à margem desse processo. É justamente nesse ponto que ganha relevância o conceito de Tecnologia Social, que propõe soluções construídas junto à comunidade, orientadas pela inclusão, pela participação e pela resolução de problemas concretos, em oposição a uma lógica centrada exclusivamente no mercado e na oferta de produtos tecnológicos.

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Sob essa perspectiva, a inclusão digital deixa de ser apenas uma política de acesso à internet e passa a ser entendida como condição essencial para o exercício da cidadania. Uma escola inteligente não é aquela que reúne o maior número de equipamentos, mas aquela que consegue utilizar a tecnologia para ampliar oportunidades, personalizar a aprendizagem, atender estudantes com diferentes necessidades e fortalecer a participação da comunidade escolar.

Esse modelo também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente aqueles relacionados à educação de qualidade, inovação, redução das desigualdades e cidades sustentáveis. As chamadas Smart Schools incorporam tecnologias como Internet das Coisas, computação em nuvem e inteligência artificial para tornar os ambientes educacionais mais eficientes, ao mesmo tempo em que investem em acessibilidade, eficiência energética e sustentabilidade. O conceito ultrapassa a dimensão tecnológica e passa a integrar aspectos sociais, econômicos e ambientais, formando um ecossistema educacional mais resiliente e preparado para os desafios do futuro.

Mais do que modernizar estruturas físicas, o desafio das cidades inteligentes é fortalecer o capital humano. Isso significa investir continuamente na formação dos professores, criar ambientes colaborativos, garantir acesso equitativo às tecnologias e desenvolver políticas públicas que coloquem o cidadão no centro das decisões. Afinal, inovação só produz resultados quando está conectada às necessidades reais das pessoas.

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Essa visão também evidencia a importância de ampliar os espaços de diálogo entre gestores públicos, especialistas, universidades, empresas e sociedade civil. Embora muitos dos desafios sejam comuns às cidades brasileiras, as soluções precisam considerar as características, vocações e demandas específicas de cada território. É justamente por isso que encontros regionais ganham relevância na construção de políticas públicas mais efetivas.

Esse será um dos propósitos da Reunião Estratégica Connected Smart Cities, que acontece no dia 23 de julho, no CRIO – Centro de Inovação de Criciúma. O encontro reunirá lideranças públicas e privadas para discutir temas relacionados ao desenvolvimento das cidades inteligentes sob a perspectiva regional, reconhecendo que inovação não se constrói por meio de modelos prontos, mas a partir do compartilhamento de experiências e da construção coletiva de soluções. Em áreas como educação, onde tecnologia, inclusão social, gestão pública e desenvolvimento humano caminham lado a lado, iniciativas como essa reforçam a importância de promover debates qualificados e adaptados às realidades locais, fortalecendo estratégias capazes de transformar não apenas cidades mais conectadas, mas comunidades mais preparadas para o futuro.

Para saber mais sobre a Reunião Estratégica Regional, clique aqui

Duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres; sintomas podem começar por volta dos 45 anos

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Duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres; sintomas podem começar por volta dos 45 anos
Foto: Reprodução/TV Globo

Estudos investigam como as oscilações hormonais durante a perimenopausa e a menopausa afetam o cérebro feminino. Pesquisadores afirmam que o Alzheimer pode começar a se desenvolver décadas antes dos primeiros sintomas.

Cuidar da mãe com Alzheimer faz parte da rotina de Maria Edileuza da Silva. A doença mudou completamente a vida da família.

Ao perguntar a mulheres sobre o Alzheimer, a reportagem do Fantástico encontrou histórias semelhantes.

Há quem tenha convivido com a doença da mãe, da tia, da patroa ou de vizinhas. Também há quem trabalhe diariamente com pacientes diagnosticados com Alzheimer.

O cérebro da mulher

Foram justamente histórias como as dessas outras mulheres que levaram a neurocientista italiana Lisa Mosconi a estudar o tema. Ela conta que a avó teve Alzheimer. Das quatro irmãs da família, três desenvolveram a doença, enquanto o único irmão homem não foi diagnosticado.

A partir dessa experiência, Lisa passou a concentrar as pesquisas nos efeitos do Alzheimer sobre o cérebro feminino.

Ela lidera, em uma universidade dos Estados Unidos, um estudo de três anos sobre a saúde cognitiva das mulheres. Segundo a pesquisadora, os resultados obtidos já no primeiro ano apontam descobertas importantes.

Uma delas é que duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres. Segundo Lisa, essa diferença não pode ser explicada apenas pelo fato de as mulheres viverem mais que os homens.

As pesquisas indicam que as oscilações hormonais que acontecem durante a perimenopausa — fase que antecede a menopausa — e a menopausa também desempenham um papel importante.

A pesquisadora explica que o hormônio exerce diversas funções importantes para o cérebro feminino. Segundo ela, o estrogênio contribui para os níveis de energia, melhora o fluxo de sangue para o cérebro, tem ação antioxidante e anti-inflamatória e participa do funcionamento dos neurônios.

Quando seus níveis diminuem, o cérebro deixa de contar com essa proteção. “O cérebro passa a perder um hormônio importante”, afirma Lisa Mosconi.

A doença pode começar décadas antes

Durante muito tempo, o Alzheimer foi associado apenas ao envelhecimento. Mas, segundo Lisa Mosconi, esse entendimento mudou nas últimas décadas. Para a pesquisadora, a doença começa a se desenvolver muito antes dos primeiros sintomas aparecerem.

“O Alzheimer não é uma doença da velhice. Ele começa na metade da vida”, afirma.
Segundo os estudos apresentados por ela, nas mulheres o processo pode ter início de forma silenciosa por volta dos 50 anos ou até antes, a partir dos 45 anos.
O neurocientista brasileiro Mychael Lourenço explica que já existem exames capazes de identificar alterações iniciais relacionadas à doença. Segundo ele, marcadores presentes no sangue conseguem indicar sinais precoces do Alzheimer.

Esses exames já foram aprovados nos Estados Unidos e, na avaliação do pesquisador, poderão chegar ao Brasil nos próximos anos. “Vai ser um avanço muito importante”, afirma.

Mychael ressalta, porém, que é importante diferenciar esquecimentos ocasionais de um quadro neurodegenerativo. Segundo ele, o principal sinal de alerta é quando a perda de memória interfere na rotina e apresenta piora progressiva ao longo do tempo.

“É importante diferenciar um esquecimento temporário, que pode ser recuperado depois, de um quadro neurodegenerativo.”

O que pode ajudar a proteger o cérebro

Para Lisa Mosconi, reduzir o risco de Alzheimer passa por uma combinação de cuidados com a saúde.

Entre as recomendações da pesquisadora estão a reposição hormonal para mulheres sem contraindicações, atividade física regular, alimentação saudável, redução do consumo de alimentos ultraprocessados, controle do estresse, boa qualidade do sono, além de evitar o cigarro e reduzir o consumo de álcool.

Segundo ela, níveis elevados de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, podem prejudicar não apenas o humor, mas também a memória. O neurocientista Mychael ressalta, no entanto, que as descobertas não devem ser motivo de medo.

“Isso tem que servir de motivação para uma mudança de estilo de vida, para a ação.”

O Fantástico também ouviu mulheres que já adotam hábitos como atividade física, alimentação equilibrada e exercícios para manter o cérebro ativo. Entre elas está a artista plástica Maria do Socorro Leal, de 90 anos, que segue trabalhando e acredita que cuidar da saúde é fundamental.

Enquanto isso, as pesquisas continuam. Lisa Mosconi lidera um estudo voltado à prevenção do Alzheimer em mulheres e afirma que a expectativa é encontrar estratégias específicas para reduzir o risco da doença.

Para ela, o tema finalmente passou a receber a atenção da comunidade científica. “É importante saber que a ajuda está no caminho.”

Fonte: G1 | Fantástico

Nove em cada dez cidades brasileiras já enfrentaram desastres climáticos nas últimas três décadas

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AdaptaBrasil lança Painel Cidades para facilitar a consulta sobre risco climático
Foto: Polícia Federal/divulgação

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Cada vez mais frequentes e severos, os eventos climáticos extremos, como secas e inundações, têm causado impactos ambientais, econômicos e sociais significativos no Brasil, demandando políticas públicas específicas. Com o objetivo de transformar dados científicos em base para a formulação de ações de prevenção, adaptação e mitigação, um grupo de pesquisadores brasileiros analisou cerca de 60 mil registros de desastres desencadeados por excesso ou falta de chuva no país, entre 1991 e 2024.

O estudo concluiu que 91,5% dos 5.570 municípios relataram no período pelo menos um desastre relacionado a quatro tipos de eventos: inundação (categoria que também englobou alagamento e enxurrada), deslizamento de terra, tempestade ou seca. No total, o Nordeste aparece com o maior número de cidades afetadas (1.765), seguido pelo Sudeste (1.405), Sul (1.152), Norte (433) e Centro-Oeste (342). Outro dado que chama a atenção é a sobreposição de riscos: 1.814 cidades brasileiras enfrentaram três dos problemas elencados, e outras 270 sofreram com todos os quatro tipos de desastres no período analisado.

Entre os impactos, os pesquisadores mapearam, por exemplo, mortes e perdas econômicas. Em relação aos óbitos, o Sudeste concentrou o maior número relacionado a inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos; enquanto o Sul liderou em tempestades e o Nordeste, em secas. A inundação é quando o leito de um rio transborda. Considera-se alagamento os casos em que o sistema de drenagem não suporta o volume de água; a enxurrada se refere a uma grande quantidade de chuva em pouco tempo.

De acordo com os achados, os 59.658 desastres naturais analisados foram responsáveis por, pelo menos, 4.774 mortes e 3.031 desaparecidos, com mais de 129,79 milhões de pessoas afetadas. Estima-se que os prejuízos econômicos tenham sido superiores a US$ 123,89 bilhões.

Ao analisar os prejuízos por região (incluindo danos materiais diretos e consequências indiretas que afetam a economia e a capacidade de recuperação local), as inundações, alagamentos e enxurradas tiveram maior impacto no Sul, enquanto deslizamentos de terra e secas afetaram mais o Nordeste e as tempestades, o Sudeste.

Estão incluídos nesse contexto casos como o de São Sebastião – cidade do litoral norte de São Paulo que ficou parcialmente isolada no carnaval de 2023 após chuvas de volume recorde que provocaram ao menos 60 mortes, além de perdas de infraestrutura e danos materiais – e da tragédia climática de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, que devastou o Estado, com tempestades que afetaram 2,3 milhões de moradores, de 471 municípios, e provocaram mais de 180 mortes.

Realizado por cientistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estudo foi publicado na edição de abril da Environmental Research Letters, revista que busca chamar a atenção de formuladores de políticas públicas e da comunidade científica para temas socioambientais.

“Quisemos sair da mística de que o desastre é algo sobrenatural, que as causas vêm de forças desproporcionais. Há exceções que os modelos climáticos não conseguem prever, mas, para a maioria dos eventos, órgãos nacionais como o Cemaden emitem alertas e o poder público é informado do que pode vir a acontecer. O problema é a negligência, a falta de estrutura e até ausência de atuação”, afirma o pesquisador do Cemaden Elton Vicente Escobar Silva, primeiro autor do estudo, que é parte de seu pós-doutorado.

Na avaliação do pesquisador, esses eventos extremos devem ser classificados como desastres “socionaturais” ou socioambientais, já que sua ocorrência e seus impactos podem ser influenciados pela ação humana. “Há um agravante antropogênico, não só com as mudanças climáticas, mas também com falhas de gestão pública.”

Silva destaca que nos últimos anos o Brasil avançou na geração de dados que permitem compreender melhor esses desastres. Enfrenta, porém, problemas de registro e de estrutura institucional para acompanhamento desses registros.

Entraves

Os pesquisadores alertam que os impactos reais tendem a ser maiores do que as estatísticas permitem quantificar. Isso porque, para chegar aos resultados, foram utilizados dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) e do Atlas Digital de Desastres no Brasil. Ambas as plataformas são de acesso público e estão sob a responsabilidade da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

Esses registros são autodeclarados pelos municípios e servem, entre outros objetivos, para buscar recursos do governo federal quando as administrações locais e estaduais não têm capacidade de lidar e responder aos eventos adversos que afetaram aquela localidade. Ou seja, muitos casos podem ter resultado em perdas ou fatalidades não registradas porque as próprias administrações locais não conseguiram gerenciar a situação ou fazer as notificações necessárias desses impactos.

Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima que cerca de 1.660 cidades no país não têm Defesa Civil organizada. Além disso, um estudo publicado no ano passado mostrou que as defesas civis precisam investir em profissionalização e recurso próprio para enfrentar riscos climáticos (leia mais em: agencia.fapesp.br/55168).

À Agência FAPESP, Silva ressalta que a abordagem da coleta de dados das plataformas não é feita com olhar “multirrisco”, ou seja, deixa de considerar os eventos de maneira simultânea e olha apenas para fatores isolados. Se houve, por exemplo, um deslizamento de terra que foi provocado por uma inundação, apenas um desses eventos é notificado, em vez de ambos. Outro ponto é a imprecisão no registro das causas de mortes nos desastres, que nem sempre são corretamente relacionadas aos eventos extremos que resultaram naquele óbito.

A plataforma S2iD tem dados disponíveis somente a partir de 2013, com ampliação da base ao longo dos anos. O número de cidades que relatam desastres cresceu de 29% em 2013 para 88% dos municípios em 2024. Isso leva a lacunas na relação entre o aumento dos registros de desastres naturais e fatores climáticos.

Em relação às estimativas monetárias das perdas econômicas, quando a pesquisa foi finalizada os sistemas traziam informações até 2024 (com dados do ano anterior, atualizados levando em consideração a inflação).

Por meio da assessoria de comunicação, a Sedec informou à Agência FAPESP que está desenvolvendo novas versões do S2iD, com lançamento previsto para este ano, e do Atlas Digital de Desastres. Elas permitirão o registro de eventos sob abordagem multirrisco e a atualização contínua das informações após o reconhecimento federal.

“Para superar limitações históricas, como a falta de detalhamento em danos humanos e a subnotificação municipal, a nova plataforma possibilitará a desagregação de dados por gênero e faixa etária, enquanto a Sedec fortalece a capilaridade do sistema por meio de capacitações técnicas e educação a distância para gestores locais. Essa reestruturação busca reduzir as assimetrias entre as defesas civis estaduais e municipais, consolidando o S2iD como uma ferramenta de planejamento e formulação de políticas públicas”, informou a secretaria, que contou com um de seus integrantes, Lucas Mikosz, como um dos autores do artigo.

Prevenção

Para o sociólogo Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden e coautor do artigo, é preciso investir em estratégias que permitam reduzir as perdas, e não somente recuperar os prejuízos.

“Esse estudo faz uma análise longitudinal dos impactos dos desastres no Brasil, sendo importante para demonstrar que eles são derivados de uma crise crônica, não algo pontual. Precisamos parar de naturalizar os prejuízos econômicos. Até quando vamos investir dinheiro somente em resposta aos desastres e reconstrução, sem pensar nos mecanismos para reduzir as perdas?”, questiona Marchezini, que coordena o projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela FAPESP.

A Fundação apoiou a pesquisa por meio de bolsas a Silva (21/11435-4 e 24/02748-7), além do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat) e de outros dois projetos (20/09215-3 e 23/13453-5).

“Buscamos fazer com que a ciência contribua para a formulação de políticas públicas. É um esforço para que os resultados cheguem à sociedade”, conclui Silva. Em seu doutorado, ele combinou diferentes tipos de modelos matemáticos para criar uma metodologia capaz de fornecer informações geográficas para identificar locais com maior risco de inundações em cidades, inclusive provocadas por chuvas extremas (leia mais em: agencia.fapesp.br/41143).

O artigo Water-related disasters in Brazil: an assessment from 1991 to 2024 pode ser lido em iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/ae5991.

Fonte: FAPESP

As Quatro Dimensões do Sucesso Territorial

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As Quatro Dimensões do Sucesso Territorial
Foto: wahyu_t

Um Framework de Governança para Ecossistemas de Inovação 

No atual cenário global, o desenvolvimento de cidades e regiões está intrinsecamente ligado à sua capacidade de gerar, atrair e reter inovação. Governos e entidades privadas em todo o mundo investem volumes expressivos de capital no planejamento e na construção de polos de tecnologia, hubs de inovação e distritos criativos com o objetivo de gerar novos empregos e atrair investimentos de base tecnológica. 

No entanto, a criação de um território verdadeiramente inovador não se resume à construção de infraestruturas físicas ou ao acúmulo de capital. Estudos internacionais de grande prestígio, como os relatórios do Fórum Econômico Mundial, trazem um dado preocupante: até 50% dos distritos de inovação globais falham em entregar impacto socioeconômico sustentável após o encerramento dos ciclos iniciais de fomento público. Sob a ótica corporativa e de ecossistemas de negócios, a taxa de colapso ultrapassa a marca de 85%, tendo como causa primária falhas críticas de governança, configuração inadequada de atores e ausência de direitos decisórios bem definidos. 

Para os gestores públicos e líderes de ecossistemas, o desafio central reside em responder a uma questão fundamental: Como transformar a energia espontânea de conexões locais em uma engrenagem contínua e previsível de desenvolvimento regional? 

A resposta a esse desafio está na estruturação de um framework de governança claro, capaz de traduzir a complexidade territorial em rotinas eficientes e orientadas a resultados. 

O Alinhamento Conceitual: Ecossistema de Inovação vs. Sistema de Inovação 

Para compreender a lógica de desenvolvimento territorial proposta pela Exxas, é fundamental traçar uma distinção conceitual que redefine a atuação das lideranças no ecossistema: a diferença entre o Ecossistema e o Sistema de Inovação.

  • O Ecossistema de Inovação (O Meio Vivo): Compreende as interações sociais, as trocas espontâneas de conhecimento, os eventos de networking, o florescimento de startups e a cultura criativa do território. O ecossistema é dinâmico, biológico e descentralizado; ele representa o “pulso” e a vida que se manifesta no território. 
  • O Sistema de Inovação (A Engrenagem de Sustentação): Corresponde à

infraestrutura institucional e jurídica que serve de alicerce para o ecossistema. É composto por leis e marcos regulatórios, políticas públicas contínuas, instrumentos formais de fomento, infraestrutura científica e tecnológica e ferramentas de gestão compartilhada. 

Movimentos espontâneos do ecossistema sem uma infraestrutura sistêmica tendem a dispersar energia institucional e a perder tração na primeira mudança de gestão pública ou oscilação de mercado. O ecossistema gera o movimento e a criatividade, mas é o sistema que garante a continuidade, a direção e a escala. 

A governança é, portanto, a ponte que conecta esses dois mundos, transformando a colaboração orgânica em um motor de desenvolvimento de longo prazo.

As Três Armadilhas que Matam a Inovação Municipal 

Ao longo de anos de atuação no mercado, a Exxas identificou que a grande maioria das iniciativas territoriais que falham ou entram em estagnação o fazem por caírem em três armadilhas estruturais de gestão: 

  1. A tentação de copiar modelos prontos: Trata-se da premissa incorreta de que ecossistemas operam como franquias comerciais. Municípios frequentemente tentam importar de forma literal centros de inovação, leis ou programas desenhados para territórios com realidades socioeconômicas e densidades empresariais totalmente diversas. Sem respeitar a vocação e os ativos nativos do próprio território, cria-se uma bela vitrine sem um motor real de sustentação econômica. 
  2. Criar conselhos sem rotina e sem pauta real: Conselhos de inovação criados apenas por imposição jurídica ou política, sem a definição de processos de trabalho, calendários rigorosos, atribuição de responsáveis por tarefas ou ferramentas de coordenação. Na ausência de uma dinâmica operacional ativa, esses comitês tornam-se meramente burocráticos e inativos. 
  3. Medir apenas eventos e rotular como resultado: O equívoco de utilizar o número de palestras, meetups e encontros de comunidade como o indicador de sucesso final da inovação local. Embora os eventos cumpram um papel vital de engajamento e ativação social, confunde-se “movimento” com “impacto socioeconômico real”. 

As Quatro Dimensões de Objetivos Estratégicos da Exxas 

Para blindar os territórios contra as três armadilhas de gestão e estruturar um sistema sustentável de inovação, a Exxas desenvolveu um framework conceitual baseado na lógica de causa e efeito. Inspirado nas correlações e perspectivas do clássico Balanced Scorecard

(BSC) do ambiente corporativo, o modelo estabelece que a atração de capital, a abertura de novos negócios e o crescimento econômico do território são os resultados finais de um fluxo integrado que começa no fortalecimento das bases do município. 

O framework organiza-se em quatro dimensões fundamentais: 

  1. Talentos, Conhecimento e Capacidades de Futuro 

A base de ativos intangíveis: a capacidade de formar, atrair e reter capital humano de alto valor. Nenhum ecossistema de inovação é capaz de prosperar sem a densidade crítica de pessoas preparadas para os desafios tecnológicos e científicos da nova economia. Esta dimensão foca na estruturação de canais fluidos de interação para que o conhecimento produzido nas instituições de ensino superior e centros de pesquisa seja direcionado para solucionar as dores e oportunidades do setor produtivo regional. O desenvolvimento de talentos e capacidades de futuro requer uma atitude proativa das lideranças para mitigar o descompasso entre a formação acadêmica e as demandas de mercado. 

  1. Estrutura, Ambientes e Processos 

A infraestrutura sistêmica: a segurança institucional, os instrumentos e as ferramentas digitais. Para que o capital intelectual do território possa operar sem atrito, ele demanda um ambiente de suporte robusto. Esta dimensão compreende o desenvolvimento e a modernização de políticas públicas estáveis, marcos regulatórios modernos (como a aplicação de leis de inovação e sandboxes regulatórios) e o estabelecimento de rotinas estruturadas de trabalho para os comitês de governança. Ambientes físicos (como hubs e incubadoras) só entregam resultados contínuos se estiverem integrados a processos operacionais claros e amparados por ferramentas eficientes de gestão e monitoramento. 

  1. Conexões, Cultura e Colaboração 

O capital social: o desenvolvimento de redes de alta confiança e colaboração intersetorial. A inovação é um processo inerentemente coletivo que se apoia sobre o capital social de um território. Esta dimensão analisa a densidade de interações colaborativas entre as hélices da inovação (Governo, Empresas, Academia e Sociedade Civil). A governança madura deve promover uma cultura que reduza os custos de transação locais através do estabelecimento de canais de diálogo eficientes, da facilitação estratégica e de projetos de coinvestimento e inovação aberta. É o nível de engajamento do ecossistema que viabiliza a cooperação em rede e impede a fragmentação e a sobreposição inútil de esforços institucionais. 

  1. Desenvolvimento e Geração de Valor 

O impacto socioeconômico: a conversão das bases do sistema em resultados reais para a

sociedade. 

Esta dimensão representa o topo da pirâmide causal e consolida as métricas retrospectivas de impacto real do ecossistema no território. A avaliação estratégica de sucesso deve focar em resultados concretos: o aumento do PIB de base tecnológica, a geração de novos empregos de alta renda, a criação de novos modelos de negócios escaláveis, a atração de capital de risco e investimentos nacionais ou internacionais e o aumento da competitividade econômica regional. A geração de valor socioeconômico tangível é o fator que valida o investimento inicial e engaja definitivamente os atores do território. 

O Alinhamento Estratégico do Framework 

Para que a governança do ecossistema opere de forma integrada, o framework estabelece que as quatro dimensões não funcionam de maneira isolada. Elas dependem mutuamente umas das outras:

Dimensão Estratégica Exxas Escopo Operacional e Ativos Mensurados Papel Causal no Ecossistema
Talentos, Conhecimento e Capacidades de Futuro Formação de competências tecnológicas, atração de cientistas e alinhamento de grades curriculares acadêmicas à vocação econômica local. Produz a inteligência, o conhecimento e o capital intelectual que abastecerão as iniciativas inovadoras.
Estrutura, Ambientes e Processos Conexões, Cultura e Colaboração Formulação de leis modernas, criação de sandboxes e uso de metodologias digitais de gestão de governança. 

Nível de capital social, fomento de redes de confiança, realização de rituais de inovação e projetos de cocriação.

Reduz os atritos e estabelece as regras e o suporte processual para que os talentos operem com segurança jurídica. 

Conecta os ativos e as bases do ecossistema, transformando ideias e infraestruturas em processos colaborativos de inovação aberta.

Desenvolvimento e Geração de Valor Geração de empregos qualificados, abertura de startups escaláveis, atração de investimentos e expansão da economia do conhecimento. Representa a entrega de resultados reais à sociedade, demonstrando a sustentabilidade e justificando a perpetuidade do ecossistema.

 

Da Teoria à Prática: O Triângulo de Orquestração Territorial 

Metodologias robustas e desenhos de processos são fundamentais para o planejamento, mas revelam-se inócuos se desprovidos de ferramentas práticas de execução. Na visão de mercado consolidada pela Exxas, a excelência de uma governança territorial reside no alinhamento contínuo de três elementos complementares de suporte: 

  • Método: Trata-se da disciplina conceitual e do mapeamento estratégico fundamentado, evitando improvisos e a cópia cega de modelos alheios. Sem método, a inovação torna-se desorganizada e ineficaz. 
  • Tecnologia: O uso de ferramentas digitais adequadas de governança que sirvam de suporte diário para centralizar reuniões, pautas, atas, tarefas e o acompanhamento de indicadores em um ambiente transparente e auditável. Sem tecnologia de coordenação, os processos perdem tração e as discussões deliberativas caem no esquecimento burocrático. 
  • Liderança: O engajamento contínuo das mentes estratégicas do território sob rotinas preestabelecidas de trabalho. Liderança sem processos organizados gera personalismo e cria dependências individuais que ameaçam a segurança e a continuidade estratégica da iniciativa. 

A orquestração equilibrada dessas frentes garante que as decisões pactuadas coletivamente saiam dos relatórios e transformem-se em ações práticas semana após semana. 

Para apoiar os municípios brasileiros a medirem com precisão a maturidade desse ecossistema, a Exxas, em cooperação técnica com a Plataforma Connected Smart Cities, desenvolveu o Selo CSC: Ecossistemas de Inovação

O Selo atua como a bússola nacional de boas práticas de governança, analisando rigorosamente dados e evidências de maturidade para direcionar as lideranças públicas e privadas na jornada de construção de territórios mais eficientes, inclusivos e competitivos. 

Evoluir o nível de inovação em sua cidade é, em última análise, um compromisso com o desenvolvimento estratégico disciplinado de suas quatro dimensões de objetivos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Ibict abre seleção para bolsas de pesquisa em transformação digital inclusiva

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Ibict abre seleção para bolsas de pesquisa em transformação digital inclusiva
Foto: Freepik

As bolsas são oferecidas para atuação no projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) “Informação para a Transformação Digital Inclusiva: cidadania, acessibilidade e ensino”.

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) está com inscrições abertas para a seleção de bolsistas que atuarão no projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) “Informação para a Transformação Digital Inclusiva: cidadania, acessibilidade e ensino”.

A iniciativa tem como objetivo formar uma equipe multidisciplinar para realizar pesquisas e desenvolver soluções que promovam a inclusão digital, a acessibilidade e o fortalecimento da cidadania por meio do acesso qualificado à informação.

O projeto parte da compreensão de que a transformação digital constitui uma agenda estratégica para a ciência, a tecnologia e a inovação, com potencial para ampliar direitos e reduzir desigualdades. Entre seus objetivos estão o desenvolvimento de competências digitais, a criação de infraestruturas de informação acessíveis e o fortalecimento da soberania informacional brasileira, especialmente em benefício de grupos em situação de vulnerabilidade.

Ao todo, a chamada contempla vagas distribuídas em três áreas de atuação: Políticas Públicas e Pesquisa, Tecnologia e Design e Gestão da Informação. Os perfis buscados incluem especialistas em políticas públicas, assistentes de pesquisa, web designer, especialista em UI/UX, desenvolvedor front-end, analista de sistemas sênior e especialistas em informação legislativa, arquitetura da informação, organização e representação da informação e do conhecimento, modelagem taxonômica e gestão de dados e metadados.

As oportunidades são destinadas a profissionais com graduação em áreas compatíveis e, em alguns casos, exigem experiência profissional comprovada ou titulação em nível de mestrado, conforme os requisitos específicos de cada vaga. As atividades serão desenvolvidas no Rio de Janeiro ou no Distrito Federal, conforme o perfil da vaga.

O processo seletivo será composto por três etapas: inscrição, avaliação curricular e entrevista técnica, que poderá ser realizada de forma presencial ou por videoconferência. As inscrições devem ser feitas por meio do formulário eletrônico disponível no edital.

Os interessados podem consultar o edital completo, os requisitos específicos de cada vaga e acessar o formulário de inscrição na página da chamada: https://www.gov.br/ibict/pt-br/acesso-a-informacao/oportunidades/editais-oportunidades-1/2026/chamada_para_bolsas_de_pesquisa__pd-i_em_informacao_para_a_transformacao_digital_inclusiva__cidadania-_acessibilidade_e_ensino-docx_-1-_assinado.pdf

Guerra faz insumo essencial para tratamento de água “sumir” do mercado

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Guerra faz insumo essencial para tratamento de água "sumir" do mercado
Foto: Jakob Schlothane/Pexels

Diante da escassez global do ácido fluossilícico, empresas de saneamento básico pedem ao Ministério da Saúde suspensão temporária de 90 dias da obrigatoriedade de fluoretação

A guerra no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre a cadeia global de suprimentos fizeram “desaparecer” do mercado doméstico um insumo considerado essencial para o tratamento de água.

O ácido fluossilícico, usado na etapa de fluoretação da água, enfrenta uma crise de escassez no Brasil. Diante da situação emergencial, entidades do setor estão mobilizadas e pedem ao Ministério da Saúde uma flexibilização temporária da obrigatoriedade da fluoretação até que o fornecimento seja normalizado.

A fluoretação é processo onde há a adição controlada de flúor na água destinada ao abastecimento público. A medida serve para fortalecer o esmalte dentário, reduzindo a incidência de cáries na população.

Historicamente, o produto utilizado no país era obtido no mercado nacional como subproduto da cadeia de produção de fertilizantes fosfatados, mas deixou de ser fabricado após a paralisação da produção pela indústria nacional, agravando o risco de desabastecimento.

Segundo fontes, matérias-primas para a fabricação do ácido estão menos disponível no exterior e dificultam toda a cadeia de suprimentos.

Em entrevista à CNN, Carol Marques, diretora técnica e econômica da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), defendeu que haja uma suspensão temporária por 90 dias, prazo considerado necessário para estruturar uma rede de importação do insumo, já que ainda não há perspectiva de retomada da produção nacional.

Para a associação, o tempo seria suficiente para viabilizar a importação segura do insumo, que é corrosivo e exige uma logística específica de transporte e armazenamento.

A Abcon argumenta ainda que o cenário era imprevisível e defende que as empresas não sejam penalizadas enquanto buscam alternativas de fornecimento.

“A escassez do ácido fluossilícico é uma consequência imprevista da guerra entre Estados Unidos e Irã, que inviabilizou a produção nacional de fertilizantes fosfatados. O setor de saneamento não deve ser penalizado por uma situação excepcional e sobre a qual não tem controle”, disse, em comunicado.

Segundo a diretora, uma eventual interrupção da fluoretação não compromete a potabilidade da água, e o tratamento continuará garantindo água limpa, descontaminada e própria para o consumidor.

Ainda segundo Carol, os estoques do produto estão se esgotando e as concessionárias já enfrentam dificuldades para adquirir o insumo no país, tendo que recorrer ao mercado externo.

Outros materiais utilizados pelo setor, como o sulfato de alumínio e o policloreto de alumínio, além de tubos de policloreto de vinila e polietileno de alta densidade usados na construção e reparo de redes, também enfrentam aumento significativo nos preços.

Fonte: CNN Brasil

Prefeitura firma convênio para investir em futura linha de metrô

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Prefeitura firma convênio para investir em futura linha de metrô
Foto: istockphoto/divulgação

Acordo entre SMUL, SP Urbanismo, SMT e Metrô fortalece a integração entre planejamento urbano e mobilidade

A Prefeitura de São Paulo formalizou nesta segunda-feira (6) convênio com o Governo do Estado para viabilizar investimento municipal de R$ 120 milhões na implementacão da Linha 20-Rosa do Metrô. Os recursos, provenientes da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, serão destinados à elaboração de projetos, execução de obras e demais serviços. O acordo foi firmado entre a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), a São Paulo Urbanismo, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e o Metrô.

Com cerca de 32,6 quilômetros de extensão e 24 estações previstas, a Linha 20-Rosa ligará os municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo e Santo André, ampliando a integração da rede de transporte da Região Metropolitana e beneficiando aproximadamente 1,3 milhão de passageiros por dia útil. As estações Tabapuã, Jesuíno Cardoso e Hélio Pelegrino estão localizadas no perímetro da Operação Urbana, totalizando 3,5 quilômetros de extensão.

O aporte municipal foi aprovado pelo Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Faria Lima e será financiado com recursos obtidos na comercialização dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs), títulos emitidos pela Prefeitura que permitem ampliar o potencial construtivo em áreas de Operações Urbanas e financiar intervenções de interesse público nesses territórios. Em março deste ano, a Operação Urbana registrava saldo superior a R$ 4,7 bilhões em caixa. O investimento de R$ 120 milhões não compromete os recursos já reservados para outras iniciativas, como o aporte de R$ 1,7 bilhão arrecadados no último leilão de CEPACs, que permanecem integralmente destinados ao Programa Nova Paraisópolis.

O convênio representa um novo modelo de cooperação entre Prefeitura e Governo do Estado para acelerar projetos estratégicos de mobilidade urbana. O instrumento terá vigência de 60 meses e estabelece mecanismos de acompanhamento técnico, prestação de contas e fiscalização, garantindo transparência e segurança jurídica na aplicação dos recursos públicos.

Outro diferencial é a possibilidade de ampliar o objeto do convênio para incluir novos projetos, obras, desapropriações e serviços relacionados a intervenções de transporte e mobilidade localizadas, total ou parcialmente, no perímetro da Operação Urbana Consorciada Faria Lima. A inclusão de novos investimentos dependerá da celebração de termos aditivos e da aprovação prévia do Grupo de Gestão da Operação Urbana, respeitando a destinação legal dos recursos arrecadados.

Fonte: Estadão

Os dados viraram a vaga mais desejada dos estacionamentos

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Os dados viraram a vaga mais desejada dos estacionamentos
Foto: Getty Images

Digitalização e análise de dados transformam estacionamentos em fontes estratégicas de inteligência para otimizar operações, melhorar a experiência do usuário e apoiar decisões de negócio.

Quem vive a rotina das cidades, especialmente as metrópoles, deve ter notado que os estacionamentos já não são só espaços para guardar carros. Essa lógica está ultrapassada. Cada entrada, saída, tempo de permanência e forma de pagamento agora fazem parte de um combo de informações que podem mostrar padrões de mobilidade e comportamento.

Por trás dessa realidade está uma mudança silenciosa, mas decisiva: a digitalização das operações, sejam elas em um shopping, um estádio, um aeroporto, um teatro, um parque e por aí vai. As novas tecnologias incorporaram leitura automática de placas, reservas digitais de vagas feitas por aplicativo e pagamentos eletrônicos que, integrados a sistemas de gestão, produzem um volume de informações.

Para se ter uma ideia, na INDIGO, apenas no segmento de shoppings, contamos com mais de 3 bilhões de dados gerados. Não se trata apenas de saber quantas vagas estão ocupadas em determinado empreendimento. É possível descobrir horários de pico, tempo médio de permanência, frequência dos usuários, perfil de demanda, eficiência da operação e até analisar estratégias de precificação a partir de eventos na região.

Quando os empreendimentos conhecem seus fluxos, é possível ter uma visão otimizada da distribuição das equipes, ajustar os preços, planejar possíveis expansões do espaço e potencializar investimentos. Esse conjunto de fatores é fundamental para oferecer aos usuários uma experiência cada vez melhor e mais personalizada.

Por exemplo: em um shopping, os dados podem orientar decisões de marketing para atrair um público específico. Se o gestor percebe que há uma frequência de determinados perfis, por que não oferecer programas de fidelização?

Outro avanço está na possibilidade de analisar os dados de forma integrada. Ao comparar operações localizadas em diferentes regiões ou inseridas em contextos distintos, é possível identificar tendências que dificilmente seriam percebidas de maneira isolada. Esses padrões contribuem para compreender como fatores econômicos, urbanos e até culturais influenciam a circulação de pessoas e veículos.

A análise de dados nos estacionamentos está levando o mercado para um novo patamar. Incorporar tecnologias a esses espaços pode ser um ponto muito estratégico para a receita e para se aproximar dos clientes ideais. Quem se beneficia disso? Tanto o empreendimento quanto o usuário.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

O papel estratégico do Banco do Nordeste no impulsionamento da infraestrutura regional

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O papel estratégico do Banco do Nordeste no impulsionamento da infraestrutura regional
Fonte: Banco do Nordeste | CCBNB Fortaleza

A presença do BNB no P3C Regional Nordeste reforça o papel da instituição como parceira estratégica na estruturação e no financiamento de projetos de infraestrutura voltados ao desenvolvimento sustentável da região. 

O avanço da infraestrutura no Nordeste brasileiro exige modelos de governança e financiamento capazes de integrar os setores público e privado de forma eficiente. Nesse contexto, o P3C Regional Nordeste se consolida como um importante espaço para o debate e a promoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões. A participação do Banco do Nordeste (BNB) reforça sua atuação não apenas como instituição financeira, mas como agente estratégico na articulação de investimentos que impulsionam o desenvolvimento econômico e social da região.

O compromisso do BNB com a modernização de setores essenciais, como saneamento, logística, energias renováveis e iluminação pública, demonstra uma estratégia voltada à ampliação da competitividade regional e à redução das desigualdades. Ao reunir capacidade técnica, instrumentos de financiamento e apoio à estruturação de projetos, a instituição contribui para criar um ambiente mais seguro e atrativo para investidores, favorecendo a viabilização de empreendimentos com segurança jurídica e sustentabilidade financeira.

Na abertura do evento, o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, destacou a importância das parcerias para acelerar a transformação da infraestrutura regional, “o Banco do Nordeste tem a clareza de que o desenvolvimento da nossa região passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da infraestrutura, e as PPPs são o caminho mais célere e eficiente para viabilizarmos esses investimentos estruturantes”. A declaração reforça o compromisso da instituição com iniciativas capazes de ampliar a capacidade de investimento dos estados e municípios nordestinos.

Além das linhas de crédito e dos recursos provenientes dos fundos constitucionais, o BNB atua no apoio à estruturação e ao assessoramento técnico de projetos subnacionais. Esse suporte é especialmente relevante para governos estaduais e municipais que buscam modernizar seus serviços públicos, mas enfrentam limitações técnicas ou financeiras para desenvolver projetos de concessões e PPPs. Ao participar do P3C Regional Nordeste, o banco fortalece sua interlocução com gestores públicos, investidores e especialistas, contribuindo para a disseminação de boas práticas e para o aprimoramento dos projetos desenvolvidos na região.

A agenda de sustentabilidade também ocupa posição estratégica nas iniciativas apoiadas pela instituição. A incorporação de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) às operações de financiamento fortalece a qualidade dos projetos e amplia seu impacto positivo para a sociedade. Em sua mensagem, Paulo Câmara destacou esse direcionamento ao afirmar que “nossa missão é garantir que o capital privado encontre no BNB o parceiro ideal para transformar o Nordeste em uma referência de inovação, sustentabilidade e eficiência na gestão de serviços públicos”. A declaração evidencia o compromisso do banco em estimular investimentos alinhados ao desenvolvimento sustentável e à geração de valor para a população.

A atuação conjunta entre o Banco do Nordeste e o ecossistema promovido pelo P3C Regional Nordeste fortalece as condições para ampliar os investimentos em infraestrutura e acelerar a implementação de projetos estruturantes. Ao combinar financiamento, conhecimento técnico e capacidade de articulação institucional, o BNB reafirma sua relevância como parceiro estratégico na consolidação de PPPs e concessões capazes de promover o desenvolvimento econômico e melhorar a prestação de serviços públicos em toda a região Nordeste.