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Anvisa e Dinavisa assinam cooperação para ampliar fiscalização e segurança de produtos e medicamentos

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Anvisa e Dinavisa assinam cooperação para ampliar fiscalização e segurança de produtos e medicamentos
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ações de controle sanitário, prevenção e combate à falsificação são destaques do novo Memorando de Entendimento entre as Agências do Brasil e Paraguai

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) assinaram nesta quinta-feira (20/8) um novo Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação institucional entre as duas autoridades sanitárias.

O fortalecimento da cooperação em ações de fiscalização e controle sanitário, voltadas à prevenção e ao combate da falsificação e circulação irregular de produtos sujeitos à vigilância sanitária, são os principais avanços previstos na cooperação.

Para o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o acordo estimula a implementação de ações conjuntas com foco na segurança sanitária binacional. “A aproximação regulatória entre os países da região é um passo importante para incrementar as ações de fiscalização”, afirmou Safatle.

Já o Diretor Nacional Interino da Direção Nacional de Vigilância Sanitária (Dinavisa), Jorge Iliou Silvero, afirmou que “os dois países dividem desafios em comum na proteção da saúde da população” e destacou que o trabalho em parceria amplia a confiança regulatória (reliance), a convergência e a adoção boas práticas regulatórias.

O novo instrumento amplia o acordo firmado entre as instituições em 2024, consolidando um compromisso conjunto com o fortalecimento dos sistemas de vigilância sanitária e com o intercâmbio de experiências, informações e boas práticas regulatórias. Confira o Memorando de Entendimento.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa

Prefeitura de São José dos Pinhais abre consulta pública para desenvolver solução digital para fortalecer o comércio local

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Prefeitura de São José dos Pinhais abre consulta pública para desenvolver solução digital para fortalecer o comércio local
Foto: Prefeitura de São José dos Pinhais

Iniciativa busca contribuições para criar plataforma que conecte consumidores, empresas e Poder Público no município

A Prefeitura de São José dos Pinhais abriu, nesta segunda-feira (24), uma Consulta Pública para receber contribuições técnicas e institucionais sobre soluções inovadoras que possam fortalecer e digitalizar o comércio local. A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Inovação, Modernização e Transformação Digital (Simot), em parceria com a Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Serviços (Sics).

A proposta é desenvolver uma solução digital que reúna empresas, produtos e serviços do município, facilitando o acesso dos consumidores aos negócios locais e permitindo que a Prefeitura tenha informações para acompanhar a dinâmica econômica e aprimorar as políticas públicas.

Podem participar empresas, startups, pesquisadores, institutos de ciência e tecnologia, especialistas, pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas, além de outros interessados que tenham contribuições relacionadas ao desafio proposto. As contribuições podem ser enviadas por meio do formulário eletrônico da Consulta Pública até 23h59 do dia 23 de setembro de 2026. Clique aqui para participar.

A iniciativa também busca ampliar a presença digital de micro e pequenas empresas, estimular o consumo dentro do município, aumentar a competitividade dos negócios locais e gerar novas oportunidades de vendas e relacionamento com os consumidores.

“Queremos ouvir o mercado e a sociedade para construir uma solução alinhada às necessidades reais do município, fortalecendo os negócios locais e utilizando a tecnologia para melhorar o planejamento econômico”, destaca o secretário municipal de Inovação, Modernização e Transformação Digital, Rafael Rueda Muhlmann.

Consulta Pública CPSI

A consulta faz parte da etapa preparatória para uma eventual realização de um Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI), previsto na Lei Complementar nº 182/2021, o Marco Legal das Startups. O mecanismo permite à Administração Pública testar soluções inovadoras para enfrentar desafios de interesse público.

As contribuições terão caráter não vinculante e poderão auxiliar no planejamento e no aperfeiçoamento dos requisitos de um futuro edital de CPSI, incluindo aspectos técnicos, indicadores de sucesso e a modelagem de um eventual projeto-piloto.

A participação não representa seleção ou contratação de empresas nem gera direito de preferência ou contratação futura. As contribuições serão analisadas pela equipe técnica da Simot. Caso envolvam tratamento de dados pessoais, deverão ser observadas as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A Prefeitura de São José dos Pinhais reforça a importância da participação do ecossistema de inovação na construção de soluções voltadas à modernização da gestão pública e ao desenvolvimento econômico do município.

Fonte: Prefeitura de São José dos Pinhais

Criciúma apresenta à ANTT projeto de mobilidade urbana ao longo da ferrovia

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Criciúma apresenta à ANTT projeto de mobilidade urbana ao longo da ferrovia
Foto: Divulgação/Decom

Proposta prevê duas vias para integrar sete bairros do município

O prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola, apresentou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nesta segunda-feira (24), em Brasília, um projeto de requalificação do trecho urbano da malha ferroviária do município. A proposta foi entregue ao superintendente interino da Concessão da Infraestrutura, Stéphane Louis Georges Quebaud, e ao coordenador de Demandas Federativas, Vinícius Carvalho. Participaram da reunião o secretário municipal de Infraestrutura e Obras, João Paulo Casagrande, e o vereador Miri Dagostim.

O projeto prevê a criação de duas vias ao longo do trecho ferroviário, com o objetivo de ampliar a mobilidade e melhorar a integração entre sete bairros: Pinheirinho, Paraíso, Teresa Cristina, São Francisco, Boa Vista, Vila Francesa e Rio Maina. Segundo o município, a proposta busca incorporar a intervenção ao planejamento da nova concessão ferroviária e avaliar alternativas para viabilizar os investimentos necessários.

Durante o encontro, o prefeito destacou a intenção de incluir a demanda de Criciúma nas discussões relacionadas à futura concessão. “Esse é um primeiro passo importante. Estamos entregando o projeto, abrindo essa discussão com a ANTT e buscando garantir que essa necessidade de Criciúma seja considerada dentro da nova concessão”, afirmou Vagner Espíndola.

Entre as alternativas em análise estão a utilização de recursos vinculados à própria concessão ferroviária e mecanismos que possibilitem o emprego de recursos provenientes de outras concessões ou fontes de investimento. As possibilidades dependerão dos modelos que forem definidos pelo Governo Federal e pela ANTT. A intenção do município é avançar na avaliação técnica do projeto e buscar sua inclusão no planejamento dos investimentos relacionados à nova concessão.

Fonte: Santa Catarina em Pauta

Febre do Nilo Ocidental é rara no Brasil, apesar da disseminação global

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Febre do Nilo Ocidental é rara no Brasil, apesar da disseminação global
Foto: Conselho Federal de Farmácia/Reprodução

Casos foram registrados em Santa Catarina e São Paulo; infectologista explica detalhes sobre a doença

O Ministério da Saúde confirmou dois casos de Febre do Nilo Ocidental em Santa Catarina, outros dois em São Paulo e agora investiga a possibilidade de mais um caso no Piauí. O infectologista André Bon, coordenador da Infectologia do Hospital Brasília, explica que, apesar do vírus ser uma das arboviroses mais disseminadas em todo o mundo, no Brasil a transmissão é rara.

Ele ressalta que a Febre do Nilo Ocidental não é uma doença que foi introduzida no Brasil de forma persistente na transmissão em humanos.

“A doença do Nilo Ocidental, conhecida com o nome em inglês de West Nile, é uma das arco-virosas mais disseminadas em todo o mundo. Felizmente, no Brasil, a gente tem casos eventuais apenas, ela não é uma doença que foi introduzida no Brasil de forma persistente na transmissão em humanos. As epizootias, que são as epidemias em animais, elas podem acontecer e, na verdade, a Febre do Nilo Ocidental, o West Nile, é uma doença cujo ciclo se mantém na vida silvestre entre pássaros e insetos”, explicou o especialista.

Da mesma forma que a Dengue ou até mesmo a Chikungunya, a forma de transmissão é através de um mosquito, neste caso o Culex.

Na verdade, o principal mosquito de transmissão é o Culex, que é o famoso pernilongo. A transmissão para seres humanos, na verdade, é uma zoonose, uma transmissão de uma doença que é clássica de animais para seres humanos aqui na realidade do Brasil e é extremamente rara. É transmitida, então, a partir de pernilongos infectados, que se infectaram eventualmente em algum pássaro, para seres humanos”, ressalta André Bon.

O médico infectologista ainda explica que no Brasil os casos tendem a ser mais leves, com pouco histórico de graves complicações. No entanto, a Febre do Nilo Ocidental pode causar encefalites, meningite e até formas de paralisia.

“Mas os casos no Brasil são extremamente raros, com poucos relatos, e a transmissão sustentada no Brasil ainda não existe de maneira significativa. É uma doença que a imensa maioria dos pacientes que desenvolvem tem sintomas leves, mas existem algumas formas graves com encefalites, meningite e até formas de paralisia flácida que podem se assemelhar a poliomielite, por exemplo. Então existe, sim, o risco de óbito e esse risco de óbito e formas graves é mais importante em pacientes idosos, imunossuprimidos, pacientes oncológicos ou transplantados de órgão sólido, por exemplo”, explicou André Bon.

“Infelizmente não tem tratamento específico, o tratamento é apenas de suporte, como outras arboviroses também conhecidas, como a Dengue, por exemplo. Os sintomas iniciais e os sintomas mais frequentes nos pacientes que desenvolvem algum sintoma de West Nile são sintomas muito parecidos com a dengue, como febre, dor no corpo, mas isso ainda é infrequente no Brasil”, diz infectologista André Bon.

O infectologista do Hospital Samaritano Paulista Cristiano Gamba ainda completa a informação de alguns tratamentos que podem ser colocados em prática.

“Quando esse paciente tem um quadro leve a moderado, a gente usa sintomáticos, hidratação, remédios para baixar a febre, para diminuir a dor no corpo e uma assistência de perto do que está acontecendo. Nos quadros mais graves, nos quadros de encefalite, meningite ou até as paralisias, a gente precisa que esse paciente seja tratado numa unidade de terapia intensiva, mas outra vez não temos nenhum remédio”, explica o especialista.

Já em relação as sequelas da doença, Cristiano aponta que elas podem ser diversas, e que o sistema nervoso pode ser o principal afetado. 

“Não existe um tratamento específico, assim a gente não tem efeitos colaterais do tratamento. Quanto as sequelas, vai depender muito do grau de acometimento. Normalmente uma doença benígna não deixa nenhuma sequela, mas quando a gente tem quadro sistema nervoso central aí novamente a gente pode ter um espectro bastante amplo das possíveis sequelas do acometimento do cérebro e do sistema nervoso”, finaliza o infectologista.  

Casos de Febre do Nilo Ocidental  

O Ministério da Saúde investiga possível caso da Febre do Nilo Ocidental no Piauí. Até o momento, em 2026, foram confirmados dois casos em Santa Catarina, dois em São Paulo. Em Santa Catarina, um dos casos evoluiu para morte, ainda sob investigação.

A pasta informa que, em conjunto com estados e municípios, mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar casos e possíveis áreas de transmissão da Febre do Nilo Ocidental.

A nota enviada à CNN Brasil também indica que acompanha as investigações, presta apoio técnico aos estados e prepara nota técnica com orientações atualizadas para reforçar a vigilância da doença no país.

Além disso, ainda aponta que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento, diagnóstico e tratamento aos casos suspeitos ou confirmados. O diagnóstico é feito por exames laboratoriais e o tratamento depende da gravidade. Os principais sintomas são: febre de início abrupto, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos. Pessoas com sintomas devem procurar um serviço de saúde.

Dois casos de Febre do Nilo Ocidental foram confirmados pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) em Santa Catarina nesta segunda-feira (24). De acordo com a secretaria, um dos casos resultou em um óbito e o outro estava em internação, mas recebeu alta.

O órgão informou que a paciente que veio à óbito tinha 77 anos e morava em Imbituba. O outro infectado tem 56 anos e mora em Caçador.

Os dois pacientes apresentaram manifestações neurológicas e estão em investigação epidemiológica para mapear possíveis locais de infecção e a circulação do vírus.

Em São Paulo, foram confirmados os dois primeiros casos da doença. Os pacientes são de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

O primeiro caso é de uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que viajou recentemente para a região amazônica. Ela se recuperou da doença. O segundo caso é de uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que está internada sob cuidados médicos.

A origem do contágio nos dois casos ainda está sendo investigada pelas equipes de saúde. Ambos foram confirmados por meio de exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Como é transmitido?

O vírus da doença é transmitido por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente pernilongos, assim como ocorre com as infecções da Dengue, da Zika, da Chikungunya e da Febre Amarela. Esses insetos são contaminados por algumas espécies de aves silvestres que funcionam como hospedeiros naturais.

Além dos humanos, outros mamíferos podem adquirir a doença, como macacos e cavalos.

Segundo o Ministério da Saúde, humanos e equídeos não transmitem a doença de forma direta. Porém, há formas mais raras relacionadas ao contato com o sangue que colaboraram para o contágio, como em transfusão sanguínea, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão transplacentária, que ocorre da mãe para o feto durante a gravidez.

Áreas de risco

A contaminação ocorre principalmente em áreas rurais e silvestres. Isso porque são locais com maior presença de aves silvestres migratórias e pernilongos infectados. Pessoas que trabalham ao ar livre, como médicos veterinários, agrônomos, zootecnistas, biólogos, agricultores e jardineiros, portanto, devem ter mais atenção à exposição.

Sintomas

De acordo com o Ministério da Saúde, 20% dos indivíduos infectados desenvolvem sintomas que ainda são considerados leves.

Caso seja picado, fique atento aos seguintes sinais de alerta para Febre Nilo Ocidental:

  • Febre aguda de início abrupto com mal-estar;
  • Anorexia;
  • Náusea e vômito;
  • Dor muscular, nos olhos e na cabeça;
  • Exantema máculo-papular (manchas vermelhas pelo corpo);
  • Linfoadenopatia (aumento dos linfonodos).

Em casos mais graves, os infectados podem desenvolver doenças neurológicas severas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. Os indivíduos podem apresentar fraqueza, sintomas gastrointestinais e alteração no “padrão mental”.

Estou infectado, e agora?

Não existe um tratamento específico para a doença, mas a orientação é de que o paciente deve acompanhar os sintomas e, caso necessário, procurar unidades médicas.

Como se prevenir

Não há vacinas utilizadas para se prevenir da doença, no entanto, há algumas medidas para reduzir as chances de contágio, como:

  • Uso de repelentes;
  • Uso de tela em janelas e portas;
  • Evitar água parada e locais sem saneamento básico;
  • Não despejar lixo em valas, valetas, margens de córrego, rios e riachos;
  • Evitar mexer em animais mortos.

Fonte: CNN Brasil

Enchentes no Nepal e no Tibete: o que se sabe sobre a tragédia que deixou mortos e centenas de desaparecidos

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Colapso glacial: o fenômeno que causou a enchente repentina na fronteira entre Nepal e Tibete
Foto: Navesh Chitrakar/Reuters

Uma enchente repentina atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete na manhã desta quarta-feira (26/8), deixando pelo menos 95 mortos e 93 feridos no lado nepalês, segundo autoridades locais. O balanço foi atualizado às 17h25 no horário local (8h40 no horário de Brasília).

Entre os desaparecidos estão quase 400 viajantes, sendo 291 estrangeiros e 93 nepaleses, segundo o Conselho de Turismo do Nepal.

A lista preliminar de estrangeiros inclui 142 indianos, 17 malaios, 12 britânicos, quatro sul-africanos, três americanos, um australiano e um holandês — além de 111 pessoas cuja nacionalidade ainda não foi confirmada. Segundo o NTB, a maioria seguia rumo ao Kailash Mansarovar, no Tibete, e a rota afetada também dá acesso ao Parque Nacional de Langtang e ao lago sagrado de Gosainkunda.

A BBC News Brasil entrou em contato com o Itamaraty para saber se há brasileiros entre os desaparecidos ou afetados pela enchente, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A mídia estatal chinesa CCTV também relatou “grandes perdas de vidas” no lado tibetano da fronteira, controlado pela China.

O que causou a enchente

Segundo o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, informações preliminares indicam que um terremoto atingiu a região por volta das 8h37 (horário local) e provocou uma avalanche, que por sua vez desencadeou as enchentes repentinas. Khanal disse ao parlamento que as informações ainda estão sendo verificadas.

Segundo o ministro, os distritos de Rasuwa e Nuwakot foram os mais afetados, com destruição em estradas, pontes, redes de comunicação e infraestrutura hidrelétrica, incluindo danos ao projeto hidrelétrico de Trishuli. Ele afirmou ainda que 26 policiais, 9 policiais militares e 44 militares estão entre os desaparecidos, além de funcionários da alfândega e da imigração.

A polícia nepalesa informou que, das 18 mortes confirmadas até as 15h45 (horário local), uma ocorreu em Rasuwa, sete em Nuwakot, seis em Dhading e quatro em Gorkha — número que subiu para 31 horas depois.

Resgates em andamento

Um porta-voz do Exército do Nepal, Rajaram Basnet, disse à BBC que 88 sobreviventes já haviam sido resgatados, com tropas tentando resgatar outras 115 pessoas na vila de Mailung. Quinze helicópteros foram mobilizados para as operações de busca e resgate.

O Ministério do Interior do Nepal relatou grandes perdas de vidas e propriedades em Timure, Syabrubesi e Betrawati.

Autoridades sul-coreanas informaram que oito cidadãos do país, que trabalhavam na construção de uma usina hidrelétrica na região, estão “incomunicáveis”, enquanto outros dez sul-coreanos aguardam resgate. O governo nepalês enviou um helicóptero para socorrê-los.

A embaixada dos EUA no Nepal relatou enchentes severas em Rasuwa e emitiu alertas para comunidades ao longo dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani.

Resposta da China

presidente chinês Xi Jinping ordenou um esforço de resgate “total” para localizar os desaparecidos no Tibete, além de pedir reforço no monitoramento e nos sistemas de alerta antecipado para evitar novos desastres. O governo chinês também determinou o envio de equipes à região para operações de busca e resgate.

Yee Liang, empresário chinês baseado em Kathmandu, disse à BBC que sua empresa de logística tem sete caminhões na área atingida, todos com motoristas nepaleses, e que perdeu contato com todos eles por falta de sinal. Segundo ele, não havia alerta prévio, embora deslizamentos ocasionais fossem comuns na estação chuvosa — desta vez, disse, a situação “parece muito mais grave”.

Já Guan Daoxuan, da província chinesa de Sichuan, relatou à BBC ter perdido contato com a esposa, que trabalha para uma construtora estatal envolvida em obras de estradas e pontes no Tibete. Segundo ele, autoridades nepalesas tentaram enviar um helicóptero para inspecionar a área, mas ventos fortes dificultaram o acesso.

O que mostram as imagens verificadas

A equipe de verificação da BBC (BBC Verify) confirmou vídeos que mostram uma ponte sendo arrastada pela correnteza e prédios de vários andares desabando com a força da água, na região de Trishuli Bazaar, distrito de Nuwakot, cerca de 25 km a noroeste de Kathmandu.

As imagens mostram o rio Trishuli aumentando rapidamente de volume e velocidade, carregado de sedimentos, até que a ponte se solta de suas estruturas e é levada pela correnteza — segundos depois, vários prédios desabam.

Um segundo vídeo, filmado no mesmo local, mostra o cenário após a enchente: o nível do rio consideravelmente mais alto, árvores e construções anteriormente visíveis já desaparecidas, e diversos imóveis próximos à margem destruídos, parcialmente desmoronados ou cobertos de lama.

Imagens de satélite comparando a região antes e três dias depois da enchente também mostram o rio Trishuli visivelmente mais volumoso e água espalhada pelas áreas ao redor.

Fonte: BBC News

Placewashing: a identidade do lugar como álibi

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Inteligência Artificial do Google atua como ‘segundo cérebro’ no SUS para desvendar tumores raros no interior do Paraná
Foto: Magnific/Reprodução

Venho observando com frequência crescente uma confusão: tratar a construção de um ecossistema de inovação como se ela fosse, por si só, um processo de place branding. A aproximação é compreensível, os dois campos falam de futuro, de vocação, de articulação entre atores e de capacidade de transformar lugares, e um ecossistema de inovação pode efetivamente produzir efeitos profundos sobre uma cidade, alterar sua economia, atrair pessoas e modificar a maneira como o lugar passa a ser percebido dentro e fora dele. Nada disso transforma inovação em place branding, e a diferença entre eles está naquilo que cada um se propõe a compreender.

O que um ecossistema de inovação faz

Um ecossistema de inovação é, antes de tudo, software. Ele existe na articulação entre empresas, universidades, empreendedores, investidores e poder público, e pode ser ancorado num hardware capaz de intensificar essas relações, um hub, um distrito, um campus, sem depender dele para existir. Fazer esse ecossistema funcionar exige articulação, curadoria e governança, capacidade de conectar atores e sustentar relações ao longo do tempo e, quando funciona, pode se tornar uma força extraordinária de transformação econômica e urbana, criando novas capacidades, retendo talentos e abrindo caminhos que antes não estavam disponíveis para aquele lugar.

O problema começa quando a capacidade de transformar uma dimensão do lugar passa a ser confundida com a capacidade de compreender e representar o lugar inteiro. Um ecossistema de inovação pode ser parte decisiva de uma cidade, mas continua sendo uma parte.

Vocação não chega antes do lugar

Essa diferença fica mais nítida quando começamos a falar de vocação. O place branding parte de uma pergunta que antecede qualquer solução: o que aquele lugar é, o que pode vir a ser e, sobretudo, o que sua comunidade reconhece como desejável para o próprio futuro. Chamo de vocação a matéria que emerge da relação entre identidade, capacidades instaladas, memória, economia formal e informal e desejos coletivos. Essa vocação não é uma essência imóvel escondida no lugar esperando que alguém suficientemente esperto a encontre, mas tampouco pode ser decidida antes que o lugar seja compreendido.

Existe um processo para fazer essas vocações emergirem, e ele passa por campo, contato direto com quem vive o lugar, cruzamento sistemático de dado objetivo com percepção subjetiva e pela presença de moradores, poder público e iniciativa privada confrontando diferentes leituras do presente e diferentes desejos de futuro. Inovação pode perfeitamente emergir desse processo e, quando emerge, costuma estar ancorada em universidades, cadeias produtivas e conhecimento acumulado, ou em capacidades que a comunidade decide deliberadamente construir. Lugares não estão condenados ao que já são e podem escolher se transformar, o que é bastante diferente de começar o processo já sabendo qual transformação deverá acontecer. O que não existe é vocação decidida antes do processo que deveria formulá-la.

Um ecossistema de inovação organizado como estratégia de desenvolvimento carrega uma aposta em determinados vetores de futuro, economia do conhecimento, empreendedorismo tecnológico e pesquisa aplicada. O risco aparece quando deixa de ser uma entre os vetores possíveis e passa a ser apresentado como consequência natural da identidade do lugar. A inversão parece pequena, mas muda tudo, porque a inovação deixa de ser um futuro possível reconhecido pelo lugar e passa a ser a lente pela qual o lugar é lido.

É precisamente essa operação que reduz a pluralidade dos futuros possíveis a um caminho e depois chama essa redução de visão estratégica. Uma cidade pode ser simultaneamente agricultura e tecnologia, universidade e festa, memória e experimentação, e sua complexidade não desaparece porque um determinado vetor econômico se mostrou promissor. Há ainda uma questão anterior a tudo isso, que é quem tem legitimidade para decidir o que um lugar é e o que ele quer se tornar. Quando a inovação antecede essa pergunta, determinados atores tendem naturalmente a ocupar o centro da narrativa, universidades, startups, investidores, centros de pesquisa, todos fundamentais para determinados futuros do lugar, nenhum deles equivalente à comunidade inteira.

Posicionamento setorial e marca-lugar

Parte da confusão vem do fato de que ecossistemas de inovação bem-sucedidos realmente podem transformar a percepção de um lugar. Uma cidade ou região pode construir uma associação poderosa com tecnologia, pesquisa ou empreendedorismo, e essa associação pode transformar sua reputação e se tornar parte importante da maneira como o lugar se reconhece e é reconhecido. Existir uma associação poderosa entre um lugar e determinada atividade, no entanto, não significa que essa atividade explique o lugar inteiro. Aqui está uma distinção fundamental entre posicionamento setorial e marca-lugar: uma cidade pode desejar ser reconhecida como polo de inovação e trabalhar deliberadamente para isso, construindo políticas, redes e infraestruturas capazes de sustentar esse posicionamento, e tudo isso pode fazer parte de uma estratégia de place branding sem se confundir com ela.

Placewashing

Chama-se de futurewashing o uso cosmético da linguagem de futuros para parecer inovador sem transformar coisa alguma, aquilo que promete ruptura no discurso e entrega business as usual na operação. Placewashing vem sendo usado para descrever diferentes formas de instrumentalização da identidade dos lugares. Aqui me interessa uma delas: quando uma dimensão específica passa a falar pelo lugar inteiro, usando sua identidade como verniz para legitimar uma solução ou um posicionamento previamente definido. É algo bastante distinto de comunicar bem um projeto ou construir reputação para um ecossistema.

O prejuízo vai além do terminológico, porque quando uma dimensão do lugar passa a falar em nome de todas as outras começa também a selecionar quais pessoas, economias, histórias e futuros parecem relevantes para a narrativa daquele lugar e quais passam a ocupar suas margens. O que era uma estratégia de inovação torna-se uma narrativa sobre a cidade, e o que era uma possibilidade de futuro passa a ser apresentado como o futuro.

Onde os dois campos se encontram

Isso não significa, evidentemente, que place branding e inovação devam viver em universos separados. Acho justamente o contrário, e a relação mais interessante entre os dois campos está onde eles deixam de tentar ocupar o lugar um do outro. O place branding pode ser extremamente relevante para ecossistemas, polos e distritos de inovação porque consegue fazer uma pergunta que a lógica interna desses ambientes nem sempre consegue responder sozinha: qual é a relação entre aquilo que estamos construindo e o lugar do qual fazemos parte?

Em alguns casos, o processo revela que inovação já é uma vocação reconhecível, sustentada por capacidades e instituições existentes; em outros, mostra que ela é uma possibilidade ainda pouco explorada ou uma capacidade que vale a pena construir. Pode revelar também algo mais interessante, que determinado tipo de inovação é desejável para aquele lugar enquanto outro não é, ou que a inovação só fará sentido quando conectada a outras vocações que já existem ali. A pergunta deixa então de ser como inovar e passa a ser que inovação, para quem e conectada a quê.

Da mesma maneira, um ecossistema de inovação não se organiza sobre um lugar neutro. Existe um lugar ao redor dele, com história, conflitos, capacidades e desejos próprios, e trazer essas dimensões para dentro da discussão pode alterar sua governança, as pessoas que procura envolver, os problemas que decide enfrentar e o tipo de inovação que pretende estimular. Ecossistemas podem recorrer ao place branding para compreender melhor sua relação com o lugar, identificar quais vocações compartilham com ele e quais comunidades ainda não alcançam.

O movimento inverso é igualmente importante, porque incluir inovação na discussão sobre o lugar amplia as possibilidades de futuro disponíveis para aquela comunidade. Novas tecnologias, modelos econômicos e formas de produção podem revelar capacidades que o presente ainda não tornou visíveis. Inovação deixa então de ser uma resposta pronta e passa a funcionar como aquilo que deveria ser, uma possibilidade de transformação colocada à disposição do lugar. É essa a relação que mais me interessa entre os dois campos: incluir inovação na discussão dos lugares e incluir os lugares na discussão da inovação.

Primeiro o lugar

Em Gramado, por exemplo, o processo de marca-lugar levou meses de campo e workshops reunindo comunidade, gestão pública e setor privado antes que qualquer conceito fosse escrito. O que interessa no exemplo é a sequência: primeiro o lugar, suas identidades, tensões e futuros possíveis; depois as escolhas estratégicas e, a partir delas, os projetos, políticas e ecossistemas capazes de materializá-las.

Um processo de place branding pode perfeitamente concluir que fortalecer ou construir um ecossistema de inovação é uma das estratégias necessárias para realizar o futuro escolhido. Da mesma maneira, um ecossistema já existente pode recorrer ao place branding para entender melhor o lugar do qual faz parte e redefinir seu papel nele. Nesse caso, o place branding não transforma inovação em marca-lugar, faz algo muito mais útil: reconecta a inovação ao lugar.

O problema aparece quando a sequência é invertida. Primeiro inovação, depois o lugar. Aquilo que deveria ser uma possibilidade passa a funcionar como premissa e, em vez de perguntar quais futuros fazem sentido para aquele lugar, passamos a perguntar como aquele lugar pode justificar o futuro que já escolhemos para ele.

Cortes de renováveis no Nordeste somam 32,7 GW no fim de semana

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Cortes de renováveis no Nordeste somam 32,7 GW no fim de semana
Fonte: Sean Gallup/Getty Images

Restrições chegaram a 12,4 GW no sábado e 20,3 GW no domingo; ONS também acionou plano emergencial para conter excedente de geração

Os picos de restrição à geração renovável no Nordeste somaram 32,7 GW no fim de semana, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). O corte máximo chegou a 12.366 MW no sábado (22) e avançou para 20.312 MW no domingo (23).

Nos dois dias, as restrições no Nordeste ocorreram ao longo de todo o período, das 0h às 23h59.

Os cortes determinados pelo ONS,conhecidos como curtailment, podem ocorrer por problemas ou limitações na infraestrutura de transmissão, quando a energia não consegue ser escoada, ou por excesso de oferta em relação à demanda.

As restrições também atingiram outros submercados ao longo do fim de semana, ainda que em menor escala.

No Sudeste/Centro-Oeste, o corte máximo foi de 2.863 MW no sábado e de 2.332 MW no domingo. No Sul, os valores chegaram a 184 MW e 454 MW, respectivamente, enquanto no Norte foram de 294 MW e 211 MW.

Plano emergencial

No domingo, além das restrições aplicadas à geração renovável, o ONS acionou o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, mecanismo que permite reduzir a produção de empreendimentos conectados às redes das distribuidoras e que não estão sob controle direto do operador.

O plano é utilizado para evitar a sobrecarga da rede e o risco de desligamento automático de equipamentos em situações de excesso de geração em relação ao consumo. Foi a segunda vez em 2026 que o mecanismo emergencial foi acionado.

Fonte: CNN Brasil

Com Foz do Amazonas, valor da Petrobras pode ir a R$ 811 bi até fim do ano

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Com Foz do Amazonas, valor da Petrobras pode ir a R$ 811 bi até fim do ano
Foto: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo

Os até 6 bilhões de barris na Foz do Amazonas tem valor bruto estimado em R$ 3,8 trilhões

Embora a recente identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, no Amapá, ainda não signifique a existência de grandes reservas de óleo e gás natural na Bacia da Foz do Amazonas, a Petrobras pode ver seu valor de mercado saltar dos atuais R$ 632 bilhões para R$ 811 bilhões até o fim do ano, segundo estimativa baseada em um relatório do Itaú BBA (braço do banco voltado a grandes investidores) que analisou a descoberta.

O que você precisa saber

  • A avaliação da Petrobras em R$ 811 bilhões é uma projeção conservadora. No relatório, o Itaú BBA projetou que até o final de 2026 a ação mais negociada da empresa, a PETR4, valerá R$ 63, muito acima dos R$ 44,30 em que fechou na sexta-feira (21). O valor da empresa saltaria de R$ 632,5 bilhões para R$ 811,4 bilhões (valorização de 28%) ao multiplicar os R$ 63 por todas as 12,88 bilhões de ações existentes da Petrobras.
  • Se a projeção se confirmar, a ação da Petrobras vai se aproximar da máxima histórica em termos nominais. O recorde foi em 2008, com a euforia provocada pela descoberta do megacampo de Tupi, na camada pré-sal, meses antes. Em maio daquele ano, a PETR4 chegou a R$ 52,51 (R$ 144,21 em valores de hoje), com a empresa avaliada em R$ 510,3 bilhões, o equivalente a R$ 1,4 trilhão em cifra corrigida pela inflação.
  • No longo prazo, a valorização da Petrobras pode ser ainda maior. Se a estatal confirmar a projeção da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) de que existem 5,7 bilhões de barris recuperáveis (que dá para extrair) só na Foz do Amazonas, as reservas comprovadas de petróleo em todo o Brasil cresceriam 33%, e as da própria Petrobras, até 55%. Para toda a Margem Equatorial, formada por cinco bacias, a EPE estimou em seu PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2035 a existência de 41 bilhões de barris em potencial, número superior ao da ANP (Agência Nacional de Petróleo), que projeta 30 bilhões de barris.
  • O otimismo do Itaú BBA para as ações no longo prazo leva em conta a possibilidade de a Petrobras confirmar os 5,7 bilhões de barris na Foz do Amazonas. A conta do banco se apoia no indicador EV/Reserva, que mede quanto vale a empresa para cada barril de petróleo em reservas. O valor despencaria dos atuais US$ 12,7 por barril equivalente para US$ 8,5, abaixo do praticado por concorrentes globais. Essa queda atrairia investidores, valorizando o preço da ação.
  • Os até 6 bilhões de barris recuperáveis na Foz do Amazonas têm valor bruto estimado em R$ 3,8 trilhões. O cálculo, que considera o preço do barril do tipo Brent a US$ 70 e a taxa de câmbio a R$ 5,40, é da FGV-IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
  • Como extrair petróleo naquela região é barato, a margem de lucro valeria a pena. “O custo de extração na região tende a ser muito baixo a julgar pelo que tem sido observado na Guiana, em uma região petrolífera contígua à Margem Equatorial, situando-se entre US$ 15 e US$ 30 o barril, mesmo se tratando de águas profundas”, diz o relatório sobre a região onde a ExxonMobil opera com elevada margem de lucro.
  • O próprio Itaú BBA diz que ainda é cedo para incorporar a descoberta ao plano de investimentos de longo prazo. O banco cita o campo de Búzios, principal referência do pré-sal, que levou cerca de três anos entre a descoberta inicial e a declaração de comercialidade, e mais cinco anos até começar a produzir. “Serão necessárias atividades adicionais de avaliação para determinar a extensão da descoberta, as características do reservatório e, em última instância, se a acumulação pode ser desenvolvida comercialmente”, diz Monique Greco, analista de Óleo e Gás do Itaú BBA.

“Dado o entendimento ainda limitado sobre o potencial geológico da região, ainda é cedo para avaliar a relevância dessa descoberta para a tese de investimento de longo prazo da Petrobras.” Monique Greco, do Itaú BBA

Salvação da Petrobras?

A descoberta no Amapá pode ser vital porque 80% do petróleo brasileiro hoje vem do Pré-sal. Essa camada exploratória, porém, deverá entrar em declínio no início da década de 2030. “A Petrobras tem outras frentes de atuação que devem aportar uma quantidade razoável de reservas tanto de petróleo quanto de gás, como a Bacia de Pelotas e a Sergipe Águas Profundas”, diz Eric Gil Dantas, economista do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais). “Mas não chegam na mesma escala do Pré-sal. Por isso a necessidade da Margem Equatorial para garantir a reposição das reservas.”

Margem Equatorial a Foz do Amazonas, que abriga maior sistema de recifes do Brasil e a maior área contigua de manguezais do planetaImagem: UOL/Arte
Margem Equatorial a Foz do Amazonas, que abriga maior sistema de recifes do Brasil e a maior área contigua de manguezais do planeta
Imagem: UOL/Arte
  • Para lucrar com a Foz do Amazonas, a Petrobras poderá encontrar até menos petróleo do que o projetado. “Para gerar excedente econômico, os cálculos estimam mais ou menos 390 milhões de barris recuperáveis, o equivalente a dois terços de Liza, o campo que revelou o potencial petrolífero da Guiana”, explica o professor Luís Eduardo Duque Dutra, do MBA Executivo em Economia do Petróleo, Gás e Energia da Escola Politécnica da UFRJ.
  • Para Dantas, os investidores de longo prazo saberão esperar os anos necessários para lucrar com a comercialização do óleo. Por essa razão, “ainda não houve um impacto visível no preço das ações”. “Estes investidores sabem que o tempo de maturação é longo e que compensa esperar, como compensou com o pré-sal”, diz ele, ao mencionar fundos de investimentos como o BlackRock e GQG Partners LLC, “que juntas detêm mais de R$ 60 bilhões em ações da companhia”.
  • Já o investidor de curto prazo ainda “não acredita” na Foz. “Eu diria que o mercado aplica um desconto muito grande ao valor potencial desses recursos porque boa parte desse valor ainda está cercada de incerteza”, diz Marcos Praça, economista da Zero Markets Brasil. “É exatamente assim que um ativo exploratório deveria ser avaliado.”
  • Apesar dos bilhões que a Petrobras ainda precisará investir na região, os lucros e dividendos estão praticamente garantidos. “Os planos de produção da empresa e a produtividade dos poços do pré-sal asseguram um lucro extraordinário até o final da década se mantido o atual controle acionário, considerando o desempenho das reservas ultra-profundas do Pré-sal e tendo em conta o cenário do comércio de óleo e gás nos próximos cinco anos.”
  • Para Dantas, a atual política de dividendos de 45% de fluxo de caixa livre “é irresponsável”. “A Petrobras tem aumentado seu endividamento para bancar investimentos, quando poderia bancá-los com dinheiro de caixa”, diz. “Será benéfico para as finanças se a Petrobras diminuir a proporção de dividendos pagos.”

“Isto impactará no preço da ação, mas a estratégia de longo prazo da empresa não deve passar por reações de curto prazo do mercado acionário, e sim pelos seus fundamentos financeiros.” Eric Gil Dantas, economista

Da descoberta à exploração

  • A Petrobras confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço de Morpho na segunda-feira (17). A perfuração do poço já alcançou 3.000 metros sob a lâmina d’água e outros 3.000 na rocha, faltando cerca de um quilômetro para o fundo. O trabalho termina no mês que vem, mas a viabilidade comercial só será calculada após o envio de amostras ao centro de pesquisas da empresa e da perfuração de um poço para descobrir até onde a poça de petróleo se estende.
  • O poço Morpho fica no bloco FZA-M-59 na bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco que compõem a Margem Equatorial: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. Essa fronteira se estende por mais de 2.200 quilômetros de costa, com área exploratória que vai da foz do rio Oiapoque, no Amapá, até o litoral do Rio Grande do Norte.
  • A estatal brasileira detém atualmente o controle exclusivo do bloco onde ocorreu a descoberta. Nenhuma outra petroleira tem permissão para pesquisar ou extrair óleo na área, mas as regras do mercado permitem que a Petrobras venda parte dessa participação no futuro para compartilhar os custos da operação
  • Se as projeções de petróleo na região não se confirmarem, a Petrobras ficará com todo o prejuízo. A operação custa cerca de US$ 1 milhão por dia e já acumula gastos superiores a R$ 1,5 bilhão.
  • O mapa da Foz do Amazonas soma 25 blocos de exploração sob concessão de grandes companhias. Seis dessas áreas pertencem à Petrobras desde um leilão de 2013, incluindo o bloco FZA-M-59. Os outros 19 blocos foram arrematados em junho de 2025. Desse lote novo, o consórcio formado por Petrobras e ExxonMobil levou dez áreas, enquanto a parceria entre Chevron e a chinesa CNPC ficou com as outras nove.
  • O avanço operacional das petroleiras na região esbarra nas exigências de licenciamento do Ibama. Recentemente a Petrobras tentou usar a licença do poço Morpho para furar três áreas vizinhas, mas o Ibama barrou o pedido e definiu que cada nova perfuração exigirá estudos de impacto e licenças ambientais específicas.

Fonte: UOL | Wanderley Preite Sobrinho

Free flow: CNH do Brasil passa a exibir passagens e como pagar o pedágio eletrônico

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Free flow: CNH do Brasil passa a exibir passagens e como pagar o pedágio eletrônico
Foto: Getty Image

Concessionárias utilizam sistemas diferentes de cobrança, e motoristas têm relatado dificuldade para realizar os pagamentos. Consulta e até meios de pagamento passam a estar centralizados em um app.

O Ministério dos Transportes atualizou, nesta segunda-feira (24), o aplicativo CNH do Brasil. Com a mudança, a plataforma passa a reunir informações que permitem aos motoristas verificar quando passaram por um pedágio do sistema “free flow”.

O free flow é um sistema de pedágio eletrônico sem cancelas que permite a cobrança automática da tarifa sem que o motorista precise parar ou reduzir a velocidade.

Segundo o Ministério dos Transportes, todas as passagens por rodovias estarão listadas no aplicativo, “sejam elas federais ou estaduais. Além da consulta, o cidadão terá acesso a informações centralizadas para identificar, pela plataforma, a concessionária responsável e acessar o respectivo canal indicado para pagamento do pedágio”.

O ministro dos Transportes, George André Palermo Santoro, revelou que, entre todas as concessionárias que operam o sistema free flow no Brasil, apenas uma ainda não está integrada à plataforma: a responsável pelo Rodoanel, em São Paulo.

Como consequência, as multas por não pagamento da tarifa no sistema free flow não poderão ser aplicadas, e a homologação para o uso da tecnologia será revogada.

Para encontrar as passagens pelo free flow, o motorista precisa:

  • Abrir o aplicativo CNH do Brasil;
  • Tocar na opção “Veículos”;
  • Escolher e tocar no veículo na lista exibida;
  • Tocar na opção “Pedágio eletrônico”.

Nessa etapa, o motorista pode consultar as passagens registradas no sistema free flow, acessar o canal de pagamento da concessionária e acompanhar a confirmação do pagamento.

As passagens ficam registradas no aplicativo da CNH por até cinco anos. O pagamento da tarifa precisa acontecer em até 30 dias após o recebimento da notificação que aponta a passagem pelo pórtico.

“Nada é mais crítico para a concessionária do que a receita. Agora, todos nós que trafegarmos pelo pórtico do free flow recebemos, pelo menos, dois avisos: um para a passagem e o segundo quando estiver acabando o prazo de 30 dias para o pagamento”, disse Marco Aurélio Barcelos, diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

As notificações e o registro da passagem, juntamente com o valor do pedágio eletrônico, ficam disponíveis apenas para o proprietário do veículo. Diferentemente da multa, essa cobrança não pode ser transferida para outro motorista identificado.

O ministro George André Palermo Santoro disse ao g1 que o Ministério dos Transportes espera facilitar o pagamento das tarifas com a nova ferramenta. Segundo ele, caso a medida não traga os resultados esperados, o governo poderá incluir uma funcionalidade de pagamento diretamente no aplicativo CNH Digital.

“A gente não quis impor uma solução de pagamento, deixando o mercado tentar encontrar uma solução própria. Se o mercado em pouco tempo não der uma solução, nós vamos dar uma solução. Junto do Serpro, nós vamos criar um portal de pagamento com algum parceiro, ou algum integrador”, disse o ministro.

No mesmo aplicativo, o usuário também pode contestar uma passagem caso entenda que ela não foi realizada pelo veículo.

Dentro do mesmo aplicativo é possível contestar uma passagem, caso o motorista não a tenha feito.

Motoristas que utilizam tags de pagamento continuam recebendo a cobrança automaticamente pela plataforma contratada, com o valor sendo pago diretamente para a empresa emissora da etiqueta.

Confusão fez ministério suspender multas

Antes da implementação da funcionalidade em um único aplicativo, o motorista precisava identificar o canal de atendimento de cada concessionária pela qual passava. Essa fragmentação das informações facilitava golpes por meio de sites falsos e dificultava o pagamento das tarifas.

Desde abril deste ano, o Ministério dos Transportes suspendeu 3,7 milhões de multas em rodovias no sistema de pedágio eletrônico. A medida também suspendeu os pontos da(CNH) aplicados por causa da infração.

Segundo a pasta, a suspensão serviu para que fossem feitos os ajustes necessários e para que as concessionárias pudessem adotar uma comunicação integrada com o sistema do governo federal.

Para emitir a multa, o governo federal recebe a comunicação da concessionária da rodovia e registra a infração no aplicativo CNH do Brasil. A evasão de pedágio, seja em praças tradicionais ou no free flow, gera multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.

“Está em elaboração uma deliberação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para prorrogar o prazo de homologação até dezembro de 2026. A proposta ainda está em tramitação interna e aguarda manifestação da Consultoria Jurídica”, disse a pasta em nota.

Assim, o motorista que passar pelo pórtico do “free flow” e não fizer o pagamento terá uma segunda chance de quitar a dívida sem a cobrança de multa. Não se trata de perdão: a penalidade continuará valendo caso o pagamento não seja feito até dezembro.

O que é o pedágio eletrônico (free flow)?

O pedágio eletrônico, ou free flow (“fluxo livre”, em inglês), é um sistema de cobrança que dispensa cabines de atendimento e não exige o uso de tag pelo motorista.

Nesse sistema, o motorista não precisa reduzir a velocidade para que os dados do veículo sejam lidos. Outra vantagem é a cobrança proporcional ao trecho percorrido, já que o sistema identifica onde o carro entrou e saiu da rodovia.

O pedágio eletrônico já é adotado em mais de 20 países, como Noruega, Portugal, Estados Unidos, Itália, China e Chile — um dos pioneiros na América Latina a implementar o sistema em suas rodovias.

O pedágio free flow aplica multa?

Não. A função do pedágio eletrônico é apenas identificar corretamente o veículo para realizar a cobrança. As câmeras e sensores instalados nos pórticos são usados exclusivamente para esse propósito.

Diesel verde é promessa de combustível mais estável, mais energético e menos danoso ao ambiente para impulsionar frota brasileira

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Diesel verde é promessa de combustível mais estável, mais energético e menos danoso ao ambiente para impulsionar frota brasileira
Fonte: Jornal da UNESP

Projeto desenvolvido no Instituto de Química prevê prospecção de biomassas e catalisadores para testar a viabilidade da produção industrial do HVO, alternativa capaz de substituir derivados do petróleo sem necessidade de misturas ou alterações no motor.

A ampla adoção dos motores flex, que são movidos a gasolina ou etanol, nos veículos brasileiros, combinados à nossa expertise na produção do combustível derivado da cana-de-açúcar têm colaborado para minimizar as recentes variações dos preços do petróleo. Mas apenas  para os condutores de automóveis.

Esses benefícios não alcançam os caminhões e ônibus do Brasil, dos quais 99% dos ainda são movidos a diesel, um derivado do petróleo. E, embora representem apenas 5% da frota em circulação, esses veículos são responsáveis por quase metade de toda a demanda de combustível líquido consumido no país.

Isso ocorre porque são esses veículos que percorrem as distâncias mais longas, seja para sustentar mais de 60% do transporte de cargas pelo país, seja para promover a mobilidade das pessoas dentro e entre as cidades. Além disso, em função de seu peso e tamanho, caminhões e ônibus necessitam de motores mais potentes, o que implica maior consumo de combustível.

Por isso, a redução da dependência de derivados do petróleo, como o diesel, se revela extremamente estratégica para proteger a economia brasileira da volatilidade no preço dos combustíveis fósseis, uma preocupação cada vez mais frequente em virtude das guerras e dos atritos geopolíticos que, periodicamente, impactam a economia global, e que tem sido tão intensos nos últimos meses.

No Instituto de Química da Unesp, no câmpus de Araraquara, pesquisadores têm estudado a produção de uma alternativa prática e sustentável ao diesel fóssil, chamado diesel verde, também conhecido pela sigla HVO, do inglês Hydrotreated Vegetable Oil (óleo vegetal hidrotratado, em português). O termo “verde” faz referência à forma como o combustível é produzido: a partir de óleos extraídos da biomassa, que podem ser de origem vegetal, como a soja ou a carnaúba, de resíduos, como o óleo de cozinha usado em frituras, ou mesmo de origem animal, como a banha de gordura bovina.

A matéria prima do diesel verde é a mesma de outro candidato a substituto do combustível fóssil, o biodiesel. Embora ambos tenham como matéria prima óleos derivados da biomassa, existem algumas diferenças relevantes entre os dois e que acabam determinando a sua viabilidade tecnológica e econômica [ver tabela].

A principal delas está no tratamento dado a esse óleo durante a sua produção. No caso do biodiesel, ele precisa passar por um processo de baixo custo e amplamente consolidado na indústria chamado transesterificação, que transforma a gordura em ácidos graxos com longas cadeias de carbono. Já a produção do diesel verde depende da hidrogenação, que coloca o óleo em contato com o hidrogênio sob alta pressão e temperatura, removendo o oxigênio da molécula e gerando hidrocarbonetos. Ao contrário da transesterificação, o processo tem um alto custo, é tecnicamente mais complexo, mas gera um combustível praticamente idêntico ao diesel fóssil.

A professora Sandra Pulcinelli, do Instituto de Química da Unesp, no câmpus de Araraquara, explica o processo. “Quando a matéria prima do biodiesel, os triglicerídeos, é submetida a outra reação química denominada hidroprocessamento gera-se um combustível que é mais rico em energia e emite menos CO2”, diz ela. Outras vantagens desse combustível são a possibilidade de uma queima melhor e uma maior estabilidade,o que permite o armazenamento por mais tempo.

Porém, embora possua várias qualidades, o HVO ainda tem uma desvantagem relevante em relação ao biodiesel e o diesel fóssil: o custo de produção ainda é elevado.

Prospectando as melhores alternativas para o diesel verde

Sandra é pesquisadora de um projeto que pretende colaborar com esse cenário, tornando o HVO uma alternativa viável técnica e economicamente. Intitulado Materiais aplicados na transformação de biomassa em diesel verde: do laboratório ao piloto, a iniciativa começou em 2025 e conta com um financiamento de R$ 5 milhões da Fapesp por um período de cinco anos.

A proposta prevê o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica para transformar óleos de diferentes tipos de biomassa em diesel verde pronto para abastecer o tanque de caminhões e ônibus movidos à diesel. Essa, inclusive, é a principal vantagem do combustível em estudo no câmpus de Araraquara em relação ao biodiesel: abastecer veículos pesados em seu estado puro, sem a necessidade de misturá-lo ao diesel fóssil ou alterar os motores, o que na indústria é chamado de combustível drop-in.

Atualmente, praticamente todo o diesel que abastece os caminhões e ônibus brasileiros é misturado ao biodiesel. Desde 2025, essa proporção está em 15%, e conforme o cronograma previsto na Lei do Combustível do Futuro deve aumentar a cada ano até atingir 20% em 2030. As limitações para a proporção da mistura ocorrem porque o biodiesel é um líquido higroscópico, ou seja, possui a característica de absorver a umidade do ar. Por isso, a mistura, a depender da quantidade e do tempo de uso, pode prejudicar para os motores, gerando queixas dos fabricantes e proprietários de veículos pesados.

Apesar disso, pode-se dizer que o biodiesel já é uma tecnologia madura, que conta com um parque industrial estruturado, com mais de 50 plantas instaladas majoritariamente em regiões produtoras de soja, que é hoje a principal matéria prima do produto. Já o diesel verde ainda é uma tecnologia incipiente no país, com iniciativas esparsas e baixíssimos volumes de produção.

O projeto em andamento no câmpus de Araraquara tem entre seus objetivos fornecer subsídios técnicos e científicos para apoiar uma produção em escala comercial. A iniciativa está dividida em quatro partes. A primeira compreende a prospecção de biomassas condizentes com o contexto tropical brasileiro e economicamente viáveis para o fornecimento do óleo usado na produção do diesel verde. “Existe um desafio que é escolher uma fonte de matéria prima que seja tecnicamente praticável e que não vá competir com a produção de alimentos no país”, explica Sandra Pulcinelli.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores também buscam novas alternativas de catalisadores que orientem as reações químicas, um ponto importante do projeto que terá o apoio do Grupo de Pesquisa em Catálise (GPCat), coordenado pelo professor Leandro Martins. Atualmente, as opções de catalisadores disponíveis no mercado são as mesmas usadas na indústria do petróleo, como o paládio ou platina, considerados materiais muito caros. “Queremos desenvolver alternativas baseadas em metais mais baratos, como o níquel ou o cobalto, de forma que sejam eficientes e também acessíveis”, afirma.

Conforme as matérias primas e os catalisadores se mostrem promissoras, o passo seguinte é testá-los na produção do HVO em escala de laboratório, usando reatores de bancada que parametrizam pequenos volumes de até 750 ml. Os dados obtidos nessa escala irão orientar as condições para a etapa seguinte do projeto: a produção piloto do combustível em um reator de 50 litros, recém adquirido pelo projeto com os recursos da Fapesp.

Por fim, o diesel verde produzido com o uso dos reatores de 50 litros será levado para testes de avaliação no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), por meio de uma parceria com o professor Pedro Lacava. Ali, no Laboratório de Combustão, Propulsão e Energia (LCPE), o combustível será testado em um motor real construído especialmente para uso em pesquisas, onde é possível obter dados de emissões de gases e desempenho do HVO em comparação com o diesel e biodiesel.

Além de docentes do IQ e do ITA, a equipe do projeto conta com pelo menos quatro pós-doutores, cinco doutorandos, mestrandos e alunos de iniciação científica, mas os planos da pesquisadora é agregar ainda mais colaboradores. “Estamos formando profissionais para atuarem em uma área de importância estratégica para o país e a expectativa é que no ano que vem os projetos dos alunos produzam os primeiros artigos”, afirma Sandra.

Da larva ao combustível

Entre as diferentes alternativas já em estudo pelos pesquisadores projeto, uma biomassa pouco convencional já desponta como candidata à matéria prima do diesel verde: larvas de mosca soldado-negro (Hermetia illucens), cujo organismo concentra um grande volume de lipídios. Durante a sua fase de crescimento, elas são consumidoras vorazes de material orgânico, sendo bastante usadas na compostagem de resíduos dessa natureza. Quando alcançam um tamanho ideal, o composto restante é usado como adubo orgânico, as larvas são processadas e sua proteína enviada para produção de ração animal. Outro produto desse processamento é um óleo ainda pouco valorizado, que os pesquisadores da Unesp estão testando para a produção do diesel verde.

“A larva do mosquito soldado-negro tem uma imensa capacidade de concentrar lipídios durante sua fase de crescimento. Basicamente, ela é o único ser vivo que consegue pegar o lixo orgânico e transformar em óleo”, explica o professor Rodrigo Costa Marques, integrante do projeto coordenado pela professora Sandra e orientador de uma tese de doutorado que estuda o uso da larva como matéria prima do HVO. O fornecedor para o estudo é uma fábrica localizada em Piracicaba que processa larvas que serão usadas por empresas de ração animal.

O projeto, que tem colaboração do ITA e da Universidade de Queensland, na Austrália, foi apresentado em junho, na 10a edição da Conferência Internacional de Biorrefinaria e Biomanufatura, realizada na Universidade de Tecnologia Química de Pequim, na China.

“As larvas da mosca soldado-negro são eficientes na transformação do lixo orgânico em lipídio. O catalisador desenvolvido no grupo funcionou bem e provamos que é possível produzir HVO a partir desse óleo”, afirma o pesquisador. Até agora, entre todas as candidatas em estudo no projeto, essa biomassa foi a primeira a gerar os primeiros volumes de diesel verde e ser parametrizada no reator de bancada. O próximo passo é levar esses parâmetros para o reator de 50 litros e testar a sua produção em condições e volume que possam ser testados em um motor real.

Entre as vantagens dessa tecnologia, explica Marques, está o fato de a matéria prima não competir com a produção de alimentos, como ocorre no caso do óleo de soja, e poder integrar a biorrefinaria com a compostagem de resíduos sólidos orgânicos e com a produção de ração animal. A produtividade é outro ponto forte: do ovo, passando pela fase de engorda e acúmulo de lipídios, até o abate, são apenas 12 dias.

Por outro lado, alguns desafios comuns à produção do diesel verde ainda permanecem, como o alto custo para a obtenção do hidrogênio para o processo de hidrogenação. Neste projeto, a fonte da molécula usada pelos pesquisadores foi o glicerol, um subproduto da fabricação do biodiesel, mas o ideal é utilizar o hidrogênio verde, onde a eletrólise (processo que separa a molécula de hidrogênio da água) é feita a partir de fontes de energia limpa, como solar ou eólica.

Com pouco mais de um ano de atividades, o projeto em andamento no câmpus da Unesp em Araraquara já indica possíveis caminhos para diversificar as fontes de biomassa para produção de biocombustíveis. Segundo a pesquisadora Sandra Pulcinelli, no próximo ano o grupo deve começar a publicar artigos com os resultados da avaliação das biomassas, dimensionando não apenas a viabilidade técnica, mas também os custos da tecnologia para uma produção em escala industrial.

Fonte: Jornal da UNESP | Marcos do Amaral Jorge