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Soft Skills e Cidades Inteligentes: O Desenvolvimento das Competências Socioemocionais na Gestão Pública Contemporânea

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As 4 regras de ouro do Japão para tornar suas cidades mais habitáveis
Foto: Giro 10

Como as competências socioemocionais podem fortalecer a gestão pública e contribuir para a construção de cidades inteligentes, inovadoras e mais conectadas às demandas da sociedade.

Por: Rosana Motta Gomes

As profundas transformações tecnológicas observadas nas últimas décadas têm alterado significativamente as relações de trabalho, os processos administrativos e a própria dinâmica das cidades. O avanço da inteligência artificial, da internet das coisas, da análise de dados e da transformação digital impõe novos desafios às organizações públicas e privadas. Entretanto, apesar da crescente automação de processos, as relações humanas continuam sendo elementos centrais para o desenvolvimento institucional e social.

Nesse contexto, emerge a relevância das soft skills, expressão utilizada para definir competências comportamentais e socioemocionais relacionadas à forma como os indivíduos interagem, comunicam-se, lideram equipes e solucionam problemas. Diferentemente das hard skills, associadas ao conhecimento técnico e operacional, as soft skills estão ligadas à inteligência emocional, à empatia, à criatividade e à capacidade de adaptação. 

No âmbito da administração pública, tais competências ganham ainda maior importância diante da necessidade de construir políticas públicas mais eficientes, transparentes e participativas. As cidades inteligentes demandam profissionais capazes de dialogar com múltiplos atores sociais, compreender diferentes realidades urbanas e atuar de maneira colaborativa em ambientes cada vez mais complexos. Assim, o desenvolvimento das habilidades socioemocionais torna-se um diferencial estratégico para gestores públicos, pesquisadores, planejadores urbanos e profissionais envolvidos na formulação e implementação de políticas públicas.

A Importância das Soft Skills na Gestão Pública

Durante muito tempo, o setor público priorizou predominantemente competências técnicas e burocráticas em seus modelos de gestão. Contudo, as novas exigências da sociedade contemporânea passaram a demandar profissionais mais preparados para lidar com cenários de incerteza, conflitos institucionais e processos colaborativos. A administração pública contemporânea exige capacidade de escuta, sensibilidade social e habilidade para construir consensos. Nesse sentido, as soft skills representam instrumentos fundamentais para melhorar a eficiência organizacional e fortalecer a relação entre Estado e sociedade. 

A valorização das competências socioemocionais ganhou maior projeção a partir dos estudos de Daniel Goleman (2012), que demonstraram a relevância da inteligência emocional para a liderança, a tomada de decisão e o desempenho profissional. Posteriormente, diversos estudos ampliaram essa abordagem para o contexto das organizações públicas e da gestão de equipes, evidenciando que habilidades como empatia, comunicação e cooperação exercem influência direta sobre a qualidade das políticas públicas.

Soft Skills e Cidades Inteligentes

As cidades inteligentes não se caracterizam apenas pelo uso intensivo de tecnologias digitais, mas pela capacidade de integrar inovação, governança e participação cidadã na solução dos desafios urbanos. Nesse contexto, as competências socioemocionais tornam-se elementos estratégicos para a gestão pública, pois complementam os recursos tecnológicos com habilidades humanas essenciais, como comunicação, liderança, empatia, criatividade e inteligência emocional. Questões relacionadas à mobilidade, sustentabilidade, inclusão digital, habitação e mudanças climáticas exigem articulação entre diferentes atores, mediação de interesses e construção coletiva de soluções, evidenciando que a transformação digital depende tanto da tecnologia quanto da capacidade das pessoas de promover cooperação, inovação e tomada de decisão.

A incorporação dessas competências à administração pública requer instrumentos que possibilitem seu desenvolvimento e acompanhamento de forma sistemática. Para isso, modelos analíticos baseados em evidências observáveis no ambiente institucional, relacionando competências socioemocionais a indicadores de desempenho organizacional, como qualidade da comunicação, clima organizacional, mediação de conflitos, integração entre órgãos, participação social, inovação e aprimoramento dos processos administrativos são fundamentais. A abordagem permite fortalecer a capacitação dos servidores e aperfeiçoar a governança pública, reconhecendo que a eficácia das políticas públicas resulta da combinação entre recursos tecnológicos, capacidade institucional e qualidade das relações humanas.

Desenvolvimento das Competências Socioemocionais na Administração Pública

A transformação digital da administração pública amplia as possibilidades de planejamento, gestão e prestação de serviços por meio de tecnologias como inteligência artificial, análise de dados e plataformas digitais. Contudo, sua efetividade depende da capacidade dos profissionais de implementar essas ferramentas em ambientes colaborativos, adaptáveis e orientados à inovação. Nesse contexto, competências socioemocionais como comunicação, liderança, empatia, inteligência emocional e trabalho em equipe tornam-se fundamentais para a articulação entre órgãos públicos, iniciativa privada, universidades e sociedade civil, especialmente em projetos de cidades inteligentes. Essa perspectiva encontra respaldo no Future of Jobs Report 2025, que identifica as competências mais relevantes para o futuro do trabalho. Entre elas, destacam-se o pensamento analítico, a resiliência e flexibilidade, a liderança e influência social, o pensamento criativo, a motivação e o autoconhecimento, a empatia, a escuta ativa e a aprendizagem contínua. Em conjunto, essas competências evidenciam que a transformação digital não depende exclusivamente da incorporação de novas tecnologias, mas também do fortalecimento das capacidades humanas necessárias para promover inovação, cooperação e respostas eficazes aos desafios contemporâneos da gestão pública.

Podemos observar na tabela abaixo as competências mais valorizadas para o futuro do trabalho segundo o Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial:

Competência Índice
Pensamento analítico 100
Resiliência e flexibilidade 96
Liderança e influência social 91
Pensamento criativo  89
Motivação e autoconhecimento 85
Empatia e escuta ativa 82
Curiosidade e aprendizagem contínua 80

O fortalecimento dessas competências exige processos permanentes de aprendizagem, educação corporativa e ambientes organizacionais que estimulem o diálogo, a cooperação e a inovação, integrando conhecimento técnico e habilidades humanas. Dessa forma, a modernização da gestão pública não resulta apenas da incorporação de novas tecnologias, mas também do desenvolvimento das pessoas responsáveis por conduzir os processos de transformação, tornando as organizações públicas mais eficientes, resilientes e preparadas para responder às demandas da sociedade.

Considerações Finais

A consolidação das cidades inteligentes depende de muito mais do que infraestrutura tecnológica ou sistemas digitais avançados. A inovação na gestão pública resulta da articulação entre recursos tecnológicos, capacidade institucional e qualificação das pessoas responsáveis pela formulação, implementação e avaliação das políticas públicas. Ao longo deste artigo, buscou-se demonstrar que as competências socioemocionais constituem elemento estratégico para a administração pública contemporânea. Comunicação eficaz, inteligência emocional, liderança colaborativa, empatia, escuta ativa e criatividade contribuem para fortalecer processos decisórios, ampliar a cooperação entre instituições e promover maior aproximação entre governo e sociedade.

Incentivar modelos analíticos capazes de orientar futuras pesquisas e iniciativas de gestão voltadas à identificação e ao desenvolvimento dessas competências, oferecendo um referencial que poderá ser adaptado às diferentes realidades institucionais poderá contribuir de forma significativa para elevar o nível de competências e evidências no desempenho institucional. Embora sua aplicação dependa de estudos empíricos específicos, a estrutura apresentada evidencia possibilidades concretas de integrar a dimensão humana aos mecanismos de avaliação da gestão pública.

Em um cenário marcado pela rápida evolução tecnológica, pela crescente complexidade das questões urbanas e pela ampliação das demandas sociais, investir no desenvolvimento das competências socioemocionais representa uma estratégia de fortalecimento da capacidade estatal. Nesse sentido, tecnologia e capital humano não devem ser compreendidos como elementos concorrentes, mas como componentes complementares de uma administração pública mais eficiente, inovadora, participativa e comprometida com a melhoria da qualidade da gestão pública.

Referências
BRASIL. Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Transformação do Estado para a Cidadania: Estratégia Federal de Governo Digital. Brasília: MGI, 2024.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

JANNUZZI, Paulo de Martino. Indicadores para diagnóstico, monitoramento e avaliação de programas sociais no Brasil. Campinas: Alínea, 2017.

OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. The OECD Public Governance Review. Paris: OECD Publishing, 2023.

ONU-HABITAT. World Cities Report 2022: Envisaging the Future of Cities. Nairobi: United Nations Human Settlements Programme, 2022.

SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016.

SENGE, Peter M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. Rio de Janeiro: BestSeller, 2018.

UNITED NATIONS. Transforming our World: the 2030 Agenda for Sustainable Development. New York: United Nations, 2015.

WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report 2025. Geneva: World Economic Forum, 2025. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2025/. Acesso em: 2 ago. 2026.

Os riscos do remédio para insônia mais consumido no Brasil

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Os riscos do remédio para insônia mais consumido no Brasil
Foto: Reprodução/TV Globo

Venda de zolpidem bateu recorde em 2020 e acendeu alerta das autoridades. Medicamento pode provocar várias reações adversas, principalmente, quando recomendações da bula são ignoradas.

Na manhã de 29 de junho de 2022, o médico Vitor Piva, de 34 anos, enfrentava dificuldades para dormir após voltar de um plantão em um hospital de São Paulo. “Tinha muito barulho, por causa da construção de uma linha de metrô”, conta.

Ele precisava descansar, porque trabalharia em mais um plantão naquela noite. Piva fez o que era rotina nos dias insones: tomou um comprimido de zolpidem. Ainda sem conseguir dormir, tomou mais um, depois outro, outro… e apagou. “Até onde me lembro, tomei quatro”, conta à DW.

O médico só acordou dias depois, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, em São Paulo. A sobrevivência dele foi considerada um milagre. Na cama do hospital, após diversas cirurgias, amputação da perna direita e sem conseguir enxergar, Piva descobriu o que havia acontecido: ele caiu da sacada do sétimo andar do apartamento em que morava.

A Polícia Civil de São Paulo investigou o caso, que a princípio foi tratado como suspeita de tentativa de suicídio. “Eu sabia que não tinha tentado me matar, mas não sabia o que tinha acontecido”, conta o médico. “Era uma sacada pequena e baixa, mas não sei exatamente como caí”, completa.

Três meses depois da queda, as autoridades policiais arquivaram o caso. Elas concluíram que não havia sido tentativa de suicídio, muito menos crime. No relatório final da polícia, a queda de Piva foi relacionada ao uso de zolpidem, medicamento que, como o inquérito policial cita, tem “efeitos colaterais como: alucinações e parassonias (sonambulismo).”

Popularizado na década de 1990

A família de Piva acredita que ele teve um episódio de sonambulismo, se desequilibrou perto da televisão da sala, que era próxima à sacada, e despencou. O caso dele ilustra um problema de saúde pública no país: o uso inadvertido do zolpidem, medicamento mais popular para insônia no Brasil.

Lançado no fim dos anos 1980 para quem tem dificuldades para dormir ou manter o sono, o zolpidem faz parte de drogas sedativas e hipnóticas para tratamento de insônia a curto prazo. A recomendação de uso é de, no máximo, quatro semanas. O remédio chegou ao Brasil em meados dos anos 1990, mas foi popularizado a partir de 2007, quando a patente expirou e foram lançadas versões genéricas.

Um estudo recente do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), publicado na revista Sleep Science, mostrou que a insônia, que atinge até um em cada três brasileiros, costuma ser tratada na maioria das vezes com remédios (60% dos entrevistados), seja por prescrição médica ou automedicação.

Segundo esse estudo, intitulado Uso de medicamentos para dormir e fatores associados entre adultos com sintomas de insônia, os remédios mais consumidos são os hipnóticos (44% dos participantes), classe que tem o zolpidem como o principal medicamento.

“O zolpidem é eficaz e tem lugar no tratamento da insônia quando há indicação correta, dose adequada, orientação e acompanhamento. O problema foi a progressiva banalização de seu uso, muitas vezes como se fosse um simples indutor do sono de baixo risco, sendo prescrito de forma não cuidadosa”, explica o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, do Programa de Transtornos do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (IPq-FMUSP).

Um problema de saúde pública

Em 2020, início da pandemia de covid-19, a comercialização do zolpidem explodiu no país. Naquele ano foram vendidas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 23,3 milhões de caixas. Foi a primeira vez que ultrapassou a marca de 20 milhões de caixas comercializadas.

Os profissionais da saúde acenderam um alerta e chegaram a classificar a situação como uma epidemia de zolpidem.

O medicamento pode provocar várias reações adversas, como dependência química, crises de abstinência, amnésia, sonambulismo e delírios. Esses efeitos são atípicos quando consumido no prazo e dosagem indicada. Mas especialistas dizem que se tornaram corriqueiros porque muitos pacientes fazem consumo inadequado.

Esses riscos aumentam quando o remédio é associado a álcool ou depressores do sistema nervoso central, que são medicações que podem causar sonolência ou lentidão. Por ser um remédio de curta duração, a tolerância ao zolpidem aumenta com facilidade. Isso faz com que muitos pacientes tomem cada vez mais comprimidos.

Quanto mais doses, mais riscos de efeitos adversos. “É muito comum um paciente que toma cinco, seis ou até oito vezes a dose máxima recomendada, que é um comprimido de 10 mg por dia”, diz o psiquiatra Sérgio Tamai, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

“Um dos principais efeitos adversos é a amnésia lacunar. A pessoa tem um ‘branco’ e não sabe o que fez durante um determinado período. Por exemplo, um paciente já ficou com o carro amassado e mal estacionado, pensou que alguém tinha pegado o veículo. Depois descobriu que havia sido ele mesmo”, completa Tamai.

As restrições da Anvisa

Diante do cenário de alto consumo do remédio, a Anvisa adotou medidas para restringir a venda do zolpidem no país. Desde agosto de 2024, o medicamento entrou na lista daqueles popularmente conhecidos como “tarja preta”.

Assim, a comercialização, que antes era liberada com a receita branca de controle especial, passou a ser feita somente por meio de receita azul, um documento da Anvisa para medicamentos que podem causar dependência. Desde então, ele só pode ser prescrito presencialmente.

Depois dessa medida, os números oficiais de comercialização caíram. No ano passado, as vendas reduziram para quase 13,5 milhões de caixas. Os dados, porém, escondem um problema que já existia antes dessa mudança: o mercado ilegal de venda desses medicamentos sem prescrição médica.

A Anvisa tenta combater esse problema por meio de apurações sobre as origens desse comércio irregular.

“No Brasil, esse mercado paralelo é muito grande, diferente de outros países. Então, aqueles que são dependentes dessa medicação, muitas vezes usam receitas falsificadas ou buscam farmácias irregulares. Por causa desse mercado paralelo, não dá para dizer que o problema de abuso do medicamento está resolvido”, explica a médica Sandra Doria Xavier, do Instituto do Sono de São Paulo.

Novas diretrizes

No ano passado, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) publicou uma nova diretriz clínica nacional na qual classificou o uso inadvertido do zolpidem como problema de saúde pública no Brasil. O documento cita os eventos adversos e o uso inadvertido por pacientes que se tornaram dependentes do remédio.

Nessa diretriz, assinada por especialistas de diferentes universidades brasileiras, o tratamento indicado para a insônia é a terapia cognitivo-comportamental, como a higiene do sono e a regulação de horários para dormir. Segundo os especialistas, essas medidas são importantes porque tratam as causas do problema.

No caso do consumo do zolpidem, a orientação é que o paciente saiba que o tratamento é temporário. Além disso, a retirada ou troca do remédio deve ser acompanhada por um médico, porque pode levar a crises graves.

“O zolpidem não é uma medicação que deve ser abominada, quando bem indicado e no prazo correto é um ótimo remédio”, afirma o neurologista Alan Eckeli, professor da USP de Ribeirão Preto e um dos responsáveis pela diretriz.

Eckeli afirma que o problema com o uso indevido é quase exclusivo do Brasil. “Talvez haja algo em outro país, mas nada como aqui. Um dos motivos disso é que a comunidade médica daqui recebe, muitas vezes, um treinamento muito aquém do ideal quando se fala de queixas do sono”, afirma o neurologista.

Os especialistas apontam que é fundamental que haja orientações mais detalhadas aos médicos brasileiros sobre o tratamento de insônia, além dos cuidados adequados quando recorrerem aos hipnóticos.

Pacientes mais atentos

Os pacientes ficaram mais conscientes sobre os riscos do zolpidem após a medida da Anvisa, avalia Eckeli. “Não foi uma mudança total, porque ainda é um problema importante e complexo. Mas serviu como orientação. Hoje, os pacientes que procuram os serviços especializados já têm receio dessa classe de medicamentos. A maioria quer parar de usar”, completa.

No caso do médico Vitor Piva, as consequências do uso inadvertido do remédio são sentidas diariamente, por causa das limitações causadas pela queda do sétimo andar. Ele não recuperou a visão, passou por cerca de 20 cirurgias e faz acompanhamento para reaprender a falar, pois teve inúmeras fraturas no rosto.

Para as atividades diárias, Piva precisa do apoio dos pais e do irmão. Recentemente, começou a trabalhar na área de assistência particular para perícias médicas. “Ainda tenho esperança de que vai existir, mais pra frente, algum tratamento que vai me ajudar a voltar a enxergar”, diz.

Piva admite que sabia dos riscos do zolpidem, mas ainda assim prescrevia os medicamentos para si. “É aquilo, dizem que os médicos são os piores pacientes. Eu acredito que é um pouco de culpa minha, por ter feito o uso errado da medicação.”

Piva nunca mais tomou o zolpidem e hoje alerta sobre os riscos do remédio. “Quando algum amigo diz que está tomando, já aconselho a parar”, diz.

Fonte: G1 | Vinícius Lemos

 

IGP-10 Cai 0,51% em agosto pressionado por queda nos preços da energia, diz FGV

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IGP-10 Cai 0,51% em agosto pressionado por queda nos preços da energia, diz FGV
Foto: REUTERS/Manon Cruz

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou queda de 0,51% em agosto, depois de ​recuar 1,13% no mês anterior, frustrando a ​expectativa de leve alta em meio à queda nos preços da energia.

SÃO PAULO, 17 Ago (Reuters)

Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses alta ​de 2,00%, de ⁠acordo com ​os dados divulgados nesta segunda-feira pela Fundação Getulio ⁠Vargas (FGV).

A expectativa em pesquisa da ​Reuters para a leitura mensal era de variação positiva de 0,09%.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), ‌que mede a variação dos preços ‌no atacado ​e responde por 60% do índice geral, caiu 0,69% em agosto, depois de recuar 1,76% no mês anterior.

“No IPA, ‌o principal impacto veio do grupo de derivados de petróleo e biocombustíveis, que registrou recuo de 10%. Também merece destaque a variação dos produtos químicos, com queda de 1,48%”, disse Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que responde por 30% do índice geral, registrou deflação de ‌0,47% no mês, ante alta de 0,23% em julho.

“Já nos preços ao consumidor, a principal contribuição para a ​desaceleração (partiu) de um mecanismo pontual: a aplicação do Bônus de Itaipu. O benefício, concedido ‌às residências com consumo de até 350kWh, contribuiu de forma significativa para a queda de 8% da energia elétrica ‌residencial no IPC”, completou Dias.

O ‌bônus de Itaipu é um valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e ⁠rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as faturas de energia ​elétrica em agosto ​no Brasil deverão contar com um alívio no valor de R$767,2 milhões relacionado ao bônu.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), por sua vez subiu 0,65% em agosto, repetindo a mesma taxa de julho.

O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os ⁠dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

Fonte: UOL | Por ​Camila Moreira; Edição de Eduardo Simões

SUS amplia atendimento para quem enfrenta problemas com bets e passa a oferecer até 100 mil consultas por mês

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Serviço gratuito é realizado por videochamada pelo Meu SUS Digital e também atende familiares; pacientes podem receber inicialmente até dez consultas com psicólogo

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o atendimento destinado a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. A capacidade do serviço passou de cerca de 600 teleconsultas mensais para até 100 mil atendimentos por mês.

As consultas são gratuitas e realizadas por videochamada. O acesso começa pelo aplicativo Meu SUS Digital, permitindo que o usuário busque acompanhamento de saúde mental sem precisar sair de casa. Familiares de pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas às bets também podem utilizar o serviço.

A iniciativa começou em março por meio de uma parceria entre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) e o Hospital Sírio-Libanês. Segundo o Ministério da Saúde, a procura superou as expectativas e levou à ampliação da capacidade.

A estratégia tenta enfrentar também uma das barreiras para que pessoas com problemas relacionados às apostas procurem tratamento: o constrangimento em falar sobre a situação.

“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o anúncio da expansão.

Como pedir atendimento pelo SUS?

O primeiro passo é ter o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular e entrar com uma conta Gov.br. Na página inicial, o usuário deve acessar a área “Miniapps”. Em seguida, precisa selecionar a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”.

Antes de chegar à consulta, a pessoa responde a um autoteste. A ferramenta ajuda a identificar possíveis sinais de comportamento de risco relacionados aos jogos e apostas.

Depois dessa etapa, o aplicativo direciona o usuário para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

É necessário aceitar os termos de uso, preencher um formulário e informar para quem será solicitado o atendimento. A consulta pode ser destinada tanto à própria pessoa que aposta quanto a um familiar.

Ao finalizar o cadastro, o sistema gera um protocolo para acompanhamento da solicitação. Quando o atendimento é agendado, o paciente recebe as orientações necessárias e um link para acessar a videochamada.

Consulta dura aproximadamente 50 minutos

O acompanhamento ocorre remotamente e cada consulta dura cerca de 50 minutos. A recomendação inicial é que as sessões sejam realizadas uma vez por semana. A frequência, entretanto, pode mudar conforme a avaliação do profissional responsável pelo acompanhamento.

Em um primeiro momento, o paciente poderá realizar até dez consultas com um psicólogo. Depois desse período, o caso passa por nova avaliação.

Dependendo das necessidades identificadas, o paciente poderá receber alta, continuar sendo acompanhado por teleconsulta ou ser encaminhado para atendimento presencial na rede pública.

Entre as possibilidades estão os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

A iniciativa não se limita às pessoas que apostam. Familiares também podem solicitar atendimento para receber orientações sobre como enfrentar a situação e lidar com os impactos provocados pelo comportamento relacionado aos jogos.

A equipe envolvida no serviço conta com psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados para acolher os usuários.

Caso seja identificada a necessidade de um acompanhamento diferente ou mais intensivo, o paciente poderá ser direcionado aos serviços presenciais disponíveis pelo SUS.

Quando apostar deixa de ser apenas diversão?

Nem toda pessoa que realiza uma aposta desenvolve um transtorno relacionado ao jogo. Alguns comportamentos, entretanto, podem indicar que a relação com as bets está provocando prejuízos.

Entre os sinais que merecem atenção estão a dificuldade para controlar a frequência ou o dinheiro gasto, tentativas repetidas e frustradas de parar, comprometimento das finanças e impactos sobre relações familiares, trabalho ou estudos.

Outro comportamento preocupante ocorre quando a pessoa continua apostando na tentativa de recuperar valores que já perdeu, entrando em um ciclo de prejuízos sucessivos.

É justamente nesse contexto que a avaliação profissional pode ajudar a identificar a dimensão do problema e estabelecer a estratégia de acompanhamento mais adequada.

É possível bloquear o próprio CPF nas bets

Além do atendimento em saúde mental, o governo federal mantém uma ferramenta voltada a quem deseja impedir o próprio acesso às plataformas de apostas autorizadas no Brasil.

Por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, o usuário pode solicitar voluntariamente o bloqueio do CPF nas casas de apostas regulamentadas.

A medida funciona como uma barreira adicional para pessoas que decidiram parar de apostar ou identificaram dificuldade para controlar o comportamento.

Segundo dados divulgados pelo governo, mais de 1 milhão de pessoas já utilizaram a ferramenta.

Entre os usuários, 35% apontaram a perda de controle sobre o jogo como motivo para solicitar a autoexclusão. Outros 15,26% afirmaram simplesmente ter decidido parar de apostar, enquanto 11,82% mencionaram dificuldades financeiras. Em 1,32% dos casos, a decisão ocorreu após recomendação de um profissional de saúde.

Copa do Mundo aumentou procura por bloqueio

O volume de pedidos de autoexclusão também apresentou crescimento durante a Copa do Mundo.

Entre 11 de junho e 19 de julho, 387.645 pessoas solicitaram o bloqueio do CPF nas plataformas.

O número corresponde a aproximadamente 38% de todas as solicitações registradas pela ferramenta, segundo os dados divulgados pelo governo.

A combinação entre a popularização das plataformas digitais, a facilidade para realizar apostas pelo celular e a intensa publicidade em torno dos jogos esportivos ampliou a preocupação das autoridades com os possíveis impactos sobre a saúde mental e financeira da população.

Atendimento pode começar dentro de casa

Com a expansão anunciada pelo Ministério da Saúde, o SUS aposta justamente na facilidade do acesso remoto para alcançar quem ainda não procurou uma unidade presencial.

A capacidade de até 100 mil teleatendimentos mensais representa um salto expressivo em relação às aproximadamente 600 consultas que podiam ser realizadas anteriormente.

Quem identificar que as apostas deixaram de ser apenas entretenimento pode iniciar o processo pelo próprio celular. Após o autoteste e o cadastro, o usuário poderá receber acompanhamento profissional e, quando necessário, ser encaminhado para continuidade do tratamento presencial na rede pública.

Fonte: Diário do Litoral

Reforma Tributária coloca tecnologia no centro da transição

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Reforma Tributária coloca tecnologia no centro da transição
Foto: EVOUTAX / DINO

A adaptação dos documentos fiscais e o adiamento das regras de validação mostram que a Reforma Tributária exige mais do que novos campos nas notas.

Sistemas, dados, parametrizações e processos precisam ser preparados para o novo modelo, desafio que a EVOUTAX, consultoria especializada em inovação empresarial e tributária, enfrenta com o desenvolvimento de tecnologias para apoiar empresas na aplicação concreta das novas exigências.

A adaptação das empresas à Reforma Tributária já alcança uma parcela significativa na frente documental. Segundo a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS), 88% dos documentos fiscais emitidos pelos contribuintes sujeitos à obrigatoriedade haviam sido transmitidos com informações de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços). O progresso, porém, ocorre em meio a ajustes no cronograma, com o adiamento das regras de validação desses novos campos para evitar entraves operacionais que pudessem afetar a emissão de documentos fiscais, o faturamento das empresas e a continuidade das atividades.

Esse cenário mostra que a implantação vai além de aspectos documentais, demandando que as novas exigências sejam traduzidas para informações que alimentam sistemas e processos empresariais. Para que as informações tenham consistência operacional, elas precisam estar sustentadas por cadastros estruturados, integradas aos sistemas de gestão (ERPs) e refletidas em regras capazes de orientar corretamente cada operação. Por isso, o enquadramento nas mudanças estabelecidas envolve não apenas a área fiscal, mas também tecnologia, financeiro, faturamento, compras, comercial e operações.

Da legislação à operação: o desafio dos dados

A adequação ao novo modelo tributário implica lidar com grandes volumes de dados, cadastros, classificações fiscais e registros nos ERPs, que precisam estar consistentes para sustentar as etapas seguintes. A experiência em projetos de consultoria para implantação da Reforma Tributária mostra que essa é uma das primeiras barreiras encontradas pelas empresas, segundo Natiene Bello, CEO da EVOUTAX. “Nos projetos, constatamos que não basta calcular os impactos do novo modelo. Antes, é preciso garantir que os dados utilizados estejam corretos e estruturados.”

Ainda de acordo com a executiva, situações como cadastros duplicados, códigos internos repetidos, NCMs incorretos ou inexistentes, classificações genéricas e divergências entre documentos fiscais e registros dos ERPs levaram à necessidade de colocar o saneamento dos dados no centro da metodologia adotada.

O desafio ganha dimensão porque uma inconsistência na origem pode se propagar por diferentes etapas da operação. Uma classificação incorreta, por exemplo, compromete a análise da tributação de uma aquisição e a apuração de créditos de IBS e CBS. Da mesma forma, a ausência de histórico de XMLs dificulta a conferência de informações e o cruzamento entre documentos fiscais e registros internos.

Tecnologia ganha protagonismo na adaptação à Reforma Tributária

É nesse contexto que a tecnologia se consolida como uma frente estratégica da implantação da Reforma Tributária. A EVOUTAX desenvolveu e vem aprimorando tecnologias próprias, em conjunto com a Oracle, para diferentes etapas desse processo, incluindo higienização e saneamento de cadastros, captura e leitura automatizada de XMLs, cruzamento de documentos fiscais com informações dos ERPs, classificação e parametrização das novas regras, análise de créditos, revisão de itens de uso e consumo e identificação automatizada do regime tributário de empresas envolvidas nas operações. As soluções são aplicadas de acordo com as características de cada negócio, seus sistemas e seu segmento.

“A tecnologia precisa considerar a realidade e as particularidades da empresa. Cada projeto traz situações específicas e esse aprendizado orienta o aprimoramento contínuo das ferramentas e da metodologia para a Reforma Tributária”, afirma Natiene Bello. “Na EVOUTAX, essa vivência acumulada se transforma em tecnologia. Construímos um ecossistema que evolui a partir dos desafios encontrados e amplia nossa capacidade de analisar, tratar e qualificar grandes volumes de informações com precisão”, complementa.

Consultoria tributária conecta orientação e prática

A complexidade da implantação também estreita a relação entre consultoria e clientes. A atuação deixa de se limitar à interpretação da legislação ou à entrega de uma parametrização e abrange também o acompanhamento da execução, validação dos ajustes e interação entre as diversas áreas influenciadas.

“A metodologia de implantação da EVOUTAX nos coloca dentro da rotina da empresa. Precisamos estar próximos das equipes, entender como os processos funcionam e construir os ajustes junto com quem vai utilizar esses sistemas no dia a dia”, conclui Natiene Bello. As atividades contemplam testes, avaliação dos resultados, ajustes de processos e treinamentos, combinando conhecimento tributário, tecnologia e operação.

A evolução da Reforma Tributária, portanto, desloca parte relevante da discussão para dentro da infraestrutura que sustenta as operações empresariais. A adequação dos documentos fiscais representa um movimento importante, mas a implantação depende de que informações, sistemas, regras e processos funcionem de maneira integrada e segura. Para as empresas, o avanço da transição significa traduzir a legislação em operações capazes de processar corretamente as novas exigências.

Fonte: Terra

Polícia desarticula esquema de anabolizantes falsificados com ramificações no Brasil e Paraguai

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Polícia desarticula esquema de anabolizantes falsificados com ramificações no Brasil e Paraguai
Foto: Reprodução/TV Globo

Investigação identificou laboratórios clandestinos, venda de produtos adulterados pela internet e bloqueio de R$ 32 milhões em bens de suspeitos.

A polícia do Paraguai prendeu, em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraya. Segundo as investigações, ele é apontado como um dos principais responsáveis por um esquema de produção e venda de anabolizantes falsificados que abastecia diferentes regiões do Brasil.

A operação identificou laboratórios clandestinos em Brasília, João Pessoa e São Paulo e aponta que os produtos eram vendidos pela internet, em lojas de suplementos e em clínicas de estética.

A matéria-prima entrava clandestinamente no país pela fronteira com o Paraguai, enquanto a divulgação nas redes sociais ajudava a ampliar as vendas.

Com “gêmeo virtual”, Curitiba será pioneira no Brasil com solução tecnológica para gestão da zeladoria urbana

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Com "gêmeo virtual", Curitiba será pioneira no Brasil com solução tecnológica para gestão da zeladoria urbana
Foto: Valquir Kiu Aureliano/ SECOM

A Prefeitura de Curitiba avança na transformação digital da gestão pública com uma parceria com a Dassault Systèmes para modernizar a zeladoria urbana da capital por meio de uma solução tecnológica integrada.

A carta de intenções prevê a implantação de uma plataforma digital unificada capaz de integrar todas as etapas dos processos de zeladoria: do planejamento estratégico à execução dos serviços. A iniciativa será apoiada pela criação de um “gêmeo virtual” da cidade, uma plataforma que permite simular, monitorar e otimizar as operações urbanas em tempo real.

“Com a iniciativa, Curitiba reforça seu compromisso com a inovação aplicada à gestão pública, organizando suas operações urbanas de forma mais conectada, eficiente e transparente, com impacto direto na qualidade dos serviços prestados à população”, afirma o prefeito Eduardo Pimentel.

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Implantação

A solução será implantada por fases. A primeira etapa terá início em duas regionais, com prioridade para a região do Tatuquara. Na sequência, o projeto será expandido para as dez regionais de Curitiba.

Liderado pela Secretaria Municipal de Governo (SGM), com suporte técnico da Secretaria Municipal de Administração e Tecnologia da Informação (Smati), o projeto busca enfrentar um dos principais desafios das grandes cidades: a fragmentação de informações entre órgãos públicos. Com a plataforma 3DExperience, diferentes áreas da administração municipal como a Secretaria do Meio Ambiente e Defesa Social e Trânsito, passarão a atuar de forma integrada dentro de um único ambiente digital.

“Na prática, a tecnologia permitirá, neste primeiro momento, maior coordenação e planejamento de serviços como roçada, manutenção da rede de drenagem, recuperação de pavimento e calçada. Um projeto de drenagem, por exemplo, poderá ser acompanhado em tempo real por diferentes equipes, promovendo mais alinhamento entre áreas e maior eficiência na execução. Já nas fase posteriores todas as secretarias envolvidas com a zeladoria do município estarão utilizando o sistema e trabalhando cada vez mais integradas”, explica o secretário do Governo, Marcelo Fachinello.

Como funciona

A plataforma funciona como um “gêmeo virtual” operacional da manutenção urbana, possibilitando antecipar conflitos de agenda, reduzir retrabalho entre equipes e otimizar o uso de recursos públicos. Além disso, o sistema contará com painéis analíticos e dashboards executivos, garantindo mais transparência e controle das operações. A expectativa é reduzir o tempo de resposta às demandas da população, melhorar a gestão dos recursos humanos e materiais e assegurar a execução coordenada dos serviços urbanos.

Para Luis Kondo, diretor Latam de Negócios, Planejamento & Operações para Cidades & Serviços Públicos da Dassault Systèmes, Curitiba passa a integrar um seleto grupo de cidades que utilizam tecnologia de ponta para gestão urbana. “Curitiba, reconhecida como uma das cidades mais inteligentes do Brasil, passa a contar com uma solução de nível global, utilizada por grandes empresas como Apple e L’Oréal. Trata-se de um avanço importante na aplicação de inovação à gestão pública”, destaca.

A Dassault Systèmes atua globalmente com soluções de modelagem virtual e gêmeos virtuais, com experiências desde 2015 em cidades como Singapura, Hong Kong, Cairo, dentre outras.

Fonte: Prefeitura de Curitiba

Chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro chega a 90%, diz agência climática dos EUA

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Como as comunidades periféricas se arrefecem em Moçambique, em tempos de Super El Niño?
Foto: NOAA/Via MetSul

Aquecimento do Pacífico Equatorial acelerou desde julho. Agência dos EUA atualizou nesta quinta a projeção para a intensidade e a duração do fenômeno.

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) atualizou nesta quinta-feira (13) a previsão para o El Niño deste ano e passou a estimar em 90% a chance de o fenômeno atingir uma intensidade muito forte nos próximos meses.

No boletim anterior, publicado em 9 de julho, a agência calculava em 81% a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro deste ano.

Ainda de acordo com a NOAA, considerando as projeções atuais de temperatura do oceano, há 69% de chance do evento ficar entre os maiores registrados desde 1950.

A nova projeção chega em um momento em que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial continua aumentando.

“O índice de temperatura supbsuperficial equatorial aumentou durante julho, refletindo uma ano

Entenda: O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.

O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global. A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária (entenda mais abaixo).

Quando a NOAA divulgou seu último boletim mensal, em julho, o índice semanal da chamada região Niño 3.4, uma das principais áreas usadas para acompanhar a evolução do fenômeno, estava em +1,2°C.

Na atualização das condições do oceano publicada em 10 de agosto, essa anomalia já havia chegado a +1,8°C. Em outras palavras, a temperatura nessa parte do Pacífico passou de 1,2°C para 1,8°C acima da média em cerca de um mês.

O valor de +1,8°C já é considerado pela Climatempo, por exemplo, como compatível com um El Niño de forte intensidade. A NOAA, por sua vez, vinha descrevendo o fenômeno como um El Niño em fortalecimento, sem classificar oficialmente o episódio atual como forte no boletim mensal anterior.

No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região e com a época do ano (atualmente, o pico previsto é entre novembro e janeiro). Historicamente, o El Niño costuma aumentar a chuva no Sul, o que pode elevar o risco de temporais e cheias.

No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as precipitações e pode agravar períodos de seca.

No Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos podem ser mais irregulares, com calor mais frequente, pancadas mal distribuídas e mudanças no comportamento das frentes frias.

A força do El Niño depende do quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera vai responder a esse aquecimento. Para que o fenômeno ganhe intensidade, não basta o oceano ficar mais quente: é preciso que o sistema oceano-atmosfera passe a atuar de forma acoplada e persistente.

Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado.

Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja:

  • 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
  • 2009–2010: El Niño moderado.
  • 2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
  • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
  • 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.

O que é o El Niño — e por que ele importa tanto

O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.

Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.

Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.

A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.

Possíveis impactos no Brasil

Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:

  • aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;
  • redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;
  • mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;
  • maior frequência de ondas de calor.

Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.

Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.

Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.

El Niño e La Niña
El Niño e La Niña — Foto: Arte g1/Luisa Rivas

Fonte: G1

USP integra rede internacional para pesquisa e governança responsável da inteligência artificial

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USP integra rede internacional para pesquisa e governança responsável da inteligência artificial
Foto: Instagram Ciaam

Assinado em 16 de julho, no contexto da “World Artificial Intelligence Conference” (WAIC), memorando reúne instituições da Ásia, da América do Sul e da Europa em torno de pesquisa, formação e governança da inteligência artificial

O Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (Ciaam) e a Faculdade de Direito (FD), ambos da USP, passaram a integrar uma cooperação acadêmica multilateral voltada ao desenvolvimento responsável da inteligência artificial (IA). O Memorando de Entendimento (MoU) foi celebrado em cerimônia on-line no dia 16 de julho, no contexto da World Artificial Intelligence Conference (WAIC), uma das principais conferências internacionais sobre IA realizada anualmente em Xangai, na China. O evento reuniu pesquisadores, empresas, governos e especialistas para discutir inovação, aplicações, pesquisa, segurança e governança da IA.

A cooperação aproxima centros de pesquisa de São Paulo, Shanghai e Hong Kong, na China, e de Ljubljana, na Eslovênia. Além das duas unidades da USP, o acordo reúne o Institute for AI and the Rule of Law da East China University of Political Science and Law (ECUPL), o Law & Technology Centre da University of Hong Kong (HKU) e o International Research Centre on Artificial Intelligence (IRCAI), centro internacional de pesquisa em inteligência artificial vinculado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O documento estabelece uma base de cooperação por cinco anos. Entre as ações previstas estão a realização de pesquisas conjuntas, a busca compartilhada de financiamento, visitas e reuniões de docentes e pesquisadores, o intercâmbio de estudantes e membros do corpo acadêmico, iniciativas de ensino colaborativo e a circulação de publicações e materiais científicos. O acordo funciona como uma estrutura para que professores da USP de diferentes departamentos possam desenvolver projetos e promover eventos relacionados à temática da cooperação. A iniciativa também está aberta à participação de outras instituições de ensino e pesquisa chinesas e brasileiras.

Pela USP, o Ciaam foi representado pela professora Cristina Godoy Bernardo de Oliveira, membro do Comitê Executivo do Centro, e a Faculdade de Direito, pelo vice-diretor, professor Ronaldo Porto Macedo Júnior. O professor Juliano Maranhão, da FD, participou da articulação para a entrada da faculdade no acordo e integra o projeto que dará sequência à parceria.

Sandbox internacional

Entre os primeiros resultados previstos na parceria estão a realização, já em setembro, de um seminário para promover o diálogo entre a USP e instituições chinesas sobre a regulação da inteligência artificial e a criação de um sandbox internacional de IA. O Ciaam e a FD participarão da estruturação da iniciativa ao lado dos demais integrantes do acordo, reunindo competências em ciência de dados, aprendizado de máquina, direito, ética, regulação, políticas públicas e governança.

A experiência brasileira do Ciaam na área também contribui para a iniciativa. O Centro foi selecionado pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para atuar como consultor no Primeiro Sandbox Regulatório de Inteligência Artificial e Proteção de Dados do Brasil, cuja conclusão está prevista para dezembro de 2026.

Sandboxes são ambientes controlados de experimentação que permitem testar soluções inovadoras sob acompanhamento institucional, com critérios previamente definidos e produção sistemática de evidências. Em âmbito internacional, o modelo possibilita comparar abordagens regulatórias e técnicas, antecipar riscos, desenvolver mecanismos de proteção e compartilhar aprendizados entre diferentes sistemas jurídicos e contextos sociais.

Ao reunir centros da China, de Hong Kong, do Brasil e da Eslovênia, a iniciativa cria condições para examinar desafios transnacionais da inteligência artificial sem deixar de considerar as especificidades de cada contexto. A expectativa é transformar a cooperação em projetos aplicados, protocolos de teste, atividades de formação e resultados científicos que possam contribuir para governos, organizações internacionais, setor produtivo e sociedade.

Conhecimento científico e governança responsável

Durante a cerimônia, Cristina Godoy ressaltou que os benefícios e os desafios trazidos pela inteligência artificial ultrapassam fronteiras nacionais e exigem cooperação internacional contínua. Segundo a professora, a complementaridade entre as instituições cria um ambiente propício à produção de conhecimento acadêmico e ao desenvolvimento de soluções práticas para a governança de uma tecnologia que impacta diferentes setores da sociedade.

O professor Ronaldo Porto Macedo Júnior destacou a importância de discutir uma inteligência artificial responsável em âmbito internacional. Para ele, o debate sobre a regulação da IA deve ser compreendido a partir de uma perspectiva global, diante do caráter transnacional dos impactos e desafios associados à tecnologia.

A parceria também fortalece linhas de pesquisa e atuação já desenvolvidas na USP, como sandboxes regulatórios, explicabilidade de sistemas, governança da inteligência artificial e formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Ao aproximar perspectivas científicas e jurídicas, a cooperação busca conciliar inovação tecnológica, proteção de direitos e responsabilidade institucional.

A articulação para a parceria contou também com o apoio do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), por meio do professor Víctor Gabriel de Oliveira Rodríguez, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP. O contato inicial com a professora Fei Xiuyan, viabilizado pelo instituto, contribuiu para aproximar as instituições. João Paulo Cândia Veiga, professor do Departamento de Ciência Política da FFLCH e membro do Comitê Executivo do Ciaam, também integra a iniciativa. Sua atuação contribuiu para a articulação acadêmica entre o Ciaam e o International Research Centre on Artificial Intelligence (IRCAI), também signatário do acordo, e para o desenvolvimento de pesquisas sobre governança da inteligência artificial nos âmbitos nacional e internacional.

Na organização do sandbox internacional, o Ciaam USP e a FD deverão atuar ao lado das demais instituições participantes na elaboração de métodos de teste, produção de evidências e desenvolvimento de recomendações sobre o uso e a regulação da inteligência artificial. A iniciativa reúne diferentes perspectivas científicas e jurídicas e busca produzir resultados que possam ser aplicados em diferentes contextos e sistemas regulatórios.

Fonte: Jornal da USP | Ciaam USP

O que é o Cinturão de Fogo do Pacífico em que está a Colômbia — e por que 90% dos terremotos do mundo ocorrem nesta região

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A região é de limites de placas tectônicas ao redor do Oceano Pacífico, onde terremotos e vulcões são comuns.

O Cinturão de Fogo do Pacífico volta a sacudir a Terra.

Um potente terremoto de magnitude 7,4, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira.

O tremor, com epicentro no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, e a 107 km de profundidade, deixou dezenas de mortos e milhares de feridos.

O maior terremoto registrado na Colômbia na última década também provocou o desabamento de dezenas de edifícios em várias cidades, como Cali, Pereira e Manizales.

O terremoto ocorreu porque a placa de Nazca, localizada no Oceano Pacífico, mergulha sob a placa Sul-Americana em direção ao leste, onde fica a Colômbia, em um fenômeno geológico conhecido como subducção.

Colômbia está localizada no limite de 3 placas tectônicas

O que é o Cinturão de Fogo do Pacífico em que está a Colômbia — e por que 90% dos terremotos do mundo ocorrem nesta região
Foto: BBC News

O litoral oeste da Colômbia faz parte do Cinturão de Fogo do Pacífico, também conhecido como Anel de Fogo.

A oeste dessa região estão vários países da América Latina: Argentina, Bolívia, Canadá, Colômbia, Chile, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e Panamá.

Em seguida, o cinturão se curva na altura das Ilhas Aleutas, no norte do Oceano Pacífico, entre o Alasca e a península de Kamchatka.

Fonte: BBC News

E depois desce para incluir o litoral e as ilhas da Rússia, Japão, Taiwan, Filipinas, Indonésia, Malásia, Timor-Leste, Brunei, Singapura, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tonga, Samoa, Tuvalu e Nova Zelândia.

Esse cinturão tem 40 mil quilômetros de extensão e também concentra a maior quantidade de vulcões do mundo, além da maioria dos supervulcões do planeta.

Nas últimas semanas, o Cinturão de Fogo já havia dado várias demonstrações de sua incansável atividade.

Dois terremotos de magnitude 6,3 fizeram a terra tremer em 5 de agosto nas Filipinas e nas ilhas Kermadec, no Pacífico.

Eles se somaram a um terremoto registrado na costa do México em 17 de julho e a outro, de magnitude 6,8, que atingiu a região japonesa de Kumamoto em 28 de julho.

No arquipélago japonês, situado na confluência de quatro placas tectônicas, os tremores fazem parte da vida cotidiana: ocorrem praticamente todos os dias, embora a maioria seja tão fraca que mal é percebida.

90% dos terremotos do planeta

“No Cinturão de Fogo do Pacífico ocorrem 90% de todos os sismos do mundo e 80% dos terremotos de maior magnitude”, explicou em uma entrevista anterior à BBC Mundo o presidente executivo do Instituto Geofísico do Peru (IGP), Hernando Taveras.

O leito do Oceano Pacífico repousa sobre várias placas tectônicas, e “o fato de a atividade sísmica ser intensa no Anel de Fogo se deve à convergência dessas placas e ao atrito entre elas, o que faz com que se acumule tensão que acaba sendo liberada”, afirmou Taveras.

A atividade no Cinturão de Fogo é resultado da chamada tectônica de placas, o movimento e a colisão das camadas da crosta terrestre que dão origem aos terremotos.

Esses movimentos podem, inclusive, gerar atividade vulcânica.

Um vulcão com ‘alto teor de gás’

Em uma entrevista anterior à BBC Mundo, Hugo Delgado, diretor do Centro Nacional de Prevenção de Desastres do México, explicou que um terremoto age sobre um vulcão como quando se agita uma garrafa de água mineral.

“Um movimento mecânico pode fazer com que o gás se acumule na parte superior da garrafa. Isso aumenta a pressão e faz com que a água saia em jatos. Algo semelhante ocorre em um vulcão, que tem um alto conteúdo de gás”, afirma.

De acordo com o especialista, apenas terremotos potentes, superiores a 9, poderiam ter um impacto de grande relevância sobre os vulcões próximos.

Um terremoto desse tipo, afirma, pode inclusive provocar a reativação de vulcões adormecidos há séculos, fazer com que vulcões ativos intensifiquem sua atividade ou até mesmo que ela diminua repentinamente.

“O impacto das ondas sísmicas desses terremotos de grande magnitude é tão forte que elas não apenas podem provocar uma erupção, como também podem fazer com que o vulcão perca sua atividade.”

Fonte: BBC News