Home Blog Página 2

Facções no Amazonas mantêm domínio dos rios e expandem poder na floresta

0
Facções no Amazonas mantêm domínio dos rios e expandem poder na floresta
Foto: Natália Póvoas/Rede Amazônica

Balanço oficial do Ministério da Justiça mostra avanço em apreensões e investimentos no Amazonas, enquanto especialistas alertam que extensão territorial, falta de efetivo e corrupção mantêm a força de grupos como CV e PCC nas rotas fluviais.

Uma sequência de operações integradas entre as Forças de Segurança Estadual e Federal resultou na prisão de 1.902 pessoas e provocou um prejuízo estimado em R$ 263,48 milhões ao crime organizado no Amazonas entre 2024 e 2026. Apesar do cerco financeiro e do volume de apreensões, especialistas alertam que as facções continuam dominando calhas de rios e expandindo sua influência territorial.

Os números, obtidos com exclusividade pelo g1, fazem parte do balanço elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi).

Segundo o relatório, nesses dois anos, o Governo Federal investiu R$ 265 milhões em recursos diretos no estado para modernizar a infraestrutura, adquirir equipamentos e apoiar ações ostensivas de combate ao narcotráfico.

De acordo com o levantamento, a atuação conjunta entre os governos buscou bloquear os corredores logísticos estratégicos usados para a circulação de ilícitos na Amazônia. Entre os resultados contabilizados no período estão:

  • 20 operações estratégicas deflagradas e 139 mandados de prisão cumpridos;
  • 457.946 ações ostensivas e 164 operações de inteligência executadas;
  • 9,1 toneladas de drogas apreendidas e 48,8 toneladas incineradas;
  • 471 armas de fogo e 56 veículos confiscados;
  • 72 toneladas de minério ilícito recolhidas.

O relatório aponta ainda o repasse de R$ 1,21 milhão em materiais estruturantes, incluindo sete drones, sete viaturas operacionais, munições e softwares de extração de dados, além do treinamento oferecido a mais de 90 agentes de segurança no estado.

Duas grandes operações aconteceram recentemente. Em maio, as Forças Armadas interceptaram mais de 15 toneladas de drogas durante a Operação Ágata Amazônia, realizada na faixa de fronteira do estado com o Peru e a Colômbia. A maior parte da droga, cerca de 14 toneladas de maconha do tipo skunk, estava escondida às margens do Rio Javari.

A outra aconteceu em julho deste ano, quando forças de segurança apreenderam mais de 2,5 toneladas de cocaína e um fuzil com munições nas proximidades do município de Codajás, no interior do Amazonas.

Gargalos estruturais e domínio fluvial 

Apesar dos aportes milionários e das prisões, analistas de segurança ressaltam que o prejuízo financeiro acaba sendo absorvido pelo crime organizado como custo operacional frente aos lucros do setor.

Para o cientista político e historiador Joel Paviotti, as facções continuam agindo com força justamente onde a presença do Estado não é frequente.

“As principais dificuldades têm relação com a histórica falta de investimento em estrutura que possa possibilitar a alocação e facilitar o trabalho da polícia e das Forças Armadas. Não há como fazer segurança pública sem muito dinheiro investido. A falta de integração entre forças policiais e Forças Armadas também tem sido apontada como um dificultador para o combate ao crime organizado”, avalia Paviotti.

O especialista explica que a extensão das rotas dificulta a contenção do tráfico de cocaína pela calha do Rio Solimões até os grandes centros e o exterior.

“Essas rotas são gigantescas e o efetivo das Forças Armadas e da Polícia Federal não dá conta de mapear, fiscalizar e conter a quantidade de drogas transportada pelos grupos criminosos. Também existe a corrupção. A venda de cocaína gera lucros enormes, o que sustenta todo um sistema de corrupção que, inclusive, dificulta o trabalho do pouco efetivo policial que o Brasil dispõe para fiscalizar uma área gigantesca”, afirma.

Disputas por rotas e a nova fronteira dos crimes ambientais

Levantamentos feitos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a atuação das facções na região está mais complexa:

  1. Disputa territorial: Com o colapso da facção Família do Norte (FDN), o Comando Vermelho (CV) assumiu posição dominante na Rota do Solimões e trava confrontos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A disputa abrange a tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Peru), a cooptação de comunidades ribeirinhas e alianças com grupos armados estrangeiros.
  2. Avanço sobre o meio ambiente: Para além do narcotráfico, organizações criminosas avançaram sobre a exploração ilícita da floresta em um “sistema híbrido”. O garimpo ilegal, a extração de madeira, a grilagem e o tráfico de ouro são utilizados como instrumentos diretos de lavagem de dinheiro e como moeda para financiar a compra de drogas e armas nas fronteiras.

O que diz o poder público

Ao g1, as Forças Armadas afirmaram que atuam de forma subsidiária e integrada no combate a crimes ambientais e em região de fronteira, destacando que as Operações Ágata e ações de patrulhamento fluvial e aéreo na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia reforçam a presença do Estado e o controle de rotas do tráfico.

Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que atua na região por meio do Programa Território Seguro, Amazônia Soberana, priorizando o Alto Solimões e o Alto Rio Negro para desarticular o crime organizado e oferecer alternativas lícitas à população.

O g1 questionou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) sobre a ação das facções no estado, mas até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.

Fonte: G1 | Amazônica

Uma cidade inteira vacinada contra a Covid-19 em um dia

0
Uma cidade inteira vacinada contra a Covid-19 em um dia
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Em plena pandemia, a Faculdade de Medicina da Unesp conduziu estudo inédito de efetividade da vacina Oxford/AztraZeneca e imunizou toda a população de Botucatu em uma só jornada. A ação permitiu avaliar o desempenho do imunizante na população geral e comprovar sua segurança.

No mês de maio de 2021, no auge da pandemia de Covid-19, a cidade de Botucatu foi palco de uma ação de saúde pública sem precedentes no Brasil: a vacinação em massa da população contra a doença em um único dia. A iniciativa foi parte de um estudo de efetividade da vacina Oxford/AstraZeneca, conduzido pela Faculdade de Medicina de Botucatu e pela prefeitura municipal. A ação envolveu também a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que produzia a vacina no país, o Ministério da Saúde, a Universidade de Oxford, do Reino Unido, e a Fundação Bill e Melinda Gates.

Naquele período, a vacinação no país estava em andamento empregando os dois imunizantes até então liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Oxford/AztraZeneca e Coronavac, este produzido pelo Instituto Butantan. Mas as doses ainda eram destinadas a grupos específicos considerados como de risco, incluindo trabalhadores da área da saúde e idosos.

Antes de serem liberadas ao público, as vacinas passaram por diferentes etapas, incluindo pesquisas laboratoriais, testes pré-clínicos em animais, ensaios clínicos em seres humanos e pela avaliação dos órgãos regulatórios competentes. Mas também era preciso submetê-las aos estudos de efetividade, também chamados de estudos de vida real, que avaliam o desempenho do imunizante nas condições do dia a dia da população.

O pesquisador principal do estudo, o professor Carlos Magno Fortaleza, atual diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu, lembra que a ideia surgiu a partir de uma experiência similar que estava sendo realizada na cidade de Serrana, também no interior paulista. Por meio de uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o município estava vacinando moradores de alguns bairros com Coronavac e comparando-os aos não vacinados.

“Mário Pardini, então prefeito de Botucatu, procurou a mim e ao professor Pasqual Barretti, reitor da Unesp na época, e perguntou se poderíamos fazer o mesmo aqui na nossa cidade. Respondemos que gostaríamos de ir além: vacinar a cidade inteira e comparar o antes e o depois”, conta.

Em um único dia foram aplicadas 66.730 doses da vacina contra a Covid-19 na população de Botucatu (Crédito: Wellington Alves)

As tratativas para a realização do estudo

Para conduzir a vacinação em massa, Fortaleza dialogou com um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford e também com Nísia Trindade, então presidente da Fiocruz.

“Explicamos que havia na cidade um Sistema Único de Saúde muito bem estabelecido. E que as quatro unidades da Unesp em Botucatu, FMB, IBB, FMVZ e FCA, dispunham de um parque de biologia molecular capaz de efetuar o diagnóstico dos casos e a detecção de possíveis variantes do vírus SARS-COV-2 ao longo do estudo. A partir da demonstração de toda essa possibilidade de recursos tecnológicos, somada à importante experiência anterior de vacinação em situação de emergência, ficou planejada a vacinação em massa”, relembra o pesquisador.

A experiência prévia a que Fortaleza se refere foi a vacinação da população de Botucatu contra a febre amarela em 2009. Após o registro de casos da doença em cidades vizinhas, a rede de saúde municipal se organizou e vacinou os botucatuenses ao longo de uma semana, nas unidades básicas de saúde e em postos volantes em escolas e supermercados.

Faltava ainda o aval do Ministério da Saúde para que o estudo fosse realizado. A mediação ficou sob responsabilidade do então secretário de saúde municipal, André Spadaro. “O André Spadaro é filho do professor Joel Spadaro, que também foi diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu anos atrás. Ele conhecia o ministro da saúde da época, Marcelo Queiroga. Ambos são cardiologistas. E foi ele que conseguiu junto ao ministro a assinatura de autorização do uso da vacina”, recorda Fortaleza.

Na corrida contra o tempo para dar início o quanto antes à vacinação da população, Fortaleza lembra que escreveu o projeto do estudo de efetividade em apenas dois dias.

“Era um projeto detalhado, em inglês. Fiquei escrevendo direto, de uma quinta-feira à noite até o fim do sábado. Foram 48 horas sem dormir. No domingo de manhã, já estávamos discutindo a proposta com os pesquisadores de Oxford”, relembra.

O delineamento metodológico do estudo contou também com a colaboração da professora Rejane Grotto, que coordenou os laboratórios de diagnóstico e sequenciamento genético do vírus SARS-COV-2, e do próprio reitor Barretti.

A vacinação em massa

No primeiro dia de vacinação dos botucatuenses, em 16 de maio de 2021, 66.730 doses foram aplicadas. Esse número já equivalia a 80% do público-alvo, estimado em 80 mil pessoas com idades entre 18 e 60 anos. A definição do critério de idade levou em conta que os maiores de 60 anos já estariam vacinados e não havia liberação para inocular as vacinas em menores de idade.

Fortaleza atribui o sucesso da ação de vacinação a uma série de fatores. Um deles foi a opção por utilizar as sessões eleitorais do município como pontos de vacinação.

“O Dr. André Spadaro e o então prefeito estavam voltando de Brasília de carro e o motorista da prefeitura que os acompanhava teve a ideia. Ele disse: ‘Se todo o mundo vota em um dia só, por que a gente não usa as sessões eleitorais e vacina todo o mundo em um dia só?’. Uma ideia brilhante. E foi o que a gente fez”, esclarece. Os 45 locais de votação utilizados para as eleições de 2020 foram transformados em pontos de vacinação.

Outro elemento fundamental para o sucesso foi o engajamento da população, que se voluntariou para trabalhar na checagem dos documentos exigidos e se mobilizou intensamente tanto para receber a vacina quanto para aplicá-la. “A população estava muito mobilizada”, avalia o diretor da FMB. “Houve uma corrida para se voluntariar. Chegamos a dispensar mesários, que eram as pessoas que organizariam a vacinação”, conta. As equipes do Centro de Saúde Escola e as equipes das unidades básicas de saúde foram distribuídas entre os locais de vacinação. “Conseguimos atingir a meta de vacinação em um só dia”, destaca Fortaleza.

Ao longo de uma semana, aqueles moradores que não puderam se vacinar por não terem em mãos os dois documentos exigidos para a vacinação, o comprovante de residência e o título de eleitor, tiveram a oportunidade de regularizar a situação e receber o imunizante. Isso expandiu para 75 mil o total de doses aplicadas ao fim do período.

Uma grande preocupação dos pesquisadores era evitar que moradores das cidades vizinhas se vacinassem burlando os critérios exigidos. “Se a gente tivesse uma invasão de outras cidades, a efetividade da vacina não seria comprovada. Poderíamos pensar que vacinamos 80 mil moradores e o número real ser bem menor. Mas conseguimos fazer um bom controle”, diz Fortaleza.

Mesmo assim, alguns episódios curiosos ocorreram. “Ficamos sabendo de um ou outro caso de invasão. Em um deles, uma pessoa que estava em uma fazenda no Acre veio de jatinho para Botucatu. Ela possuía os documentos para comprovar residência aqui, se vacinou e foi embora. Tamanho era o entusiasmo com a vacina”, conta.

A segunda dose foi aplicada em 08 de agosto de 2021 e a operação repetiu a mesma organização. Nesse dia, foram imunizados 61.741 botucatuenses. O número era um pouco inferior àquele registrado quando da inoculação da primeira dose. Mas ainda era expressivo e dentro das metas estabelecidas para o estudo.

A metodologia previa um acompanhamento dos vacinados durante os seis meses seguintes. Durante aquela etapa, seria observada a efetividade da vacina, assim como possíveis efeitos colaterais eventualmente ainda não relatados nas etapas anteriores de análise do imunizante. Para isso, Fortaleza teve a ideia de pesquisar, a partir de todas as portas de entrada do hospital da Faculdade de Medicina, os códigos de doenças registrados seis semanas antes e seis semanas depois da aplicação de cada dose da vacina.

“O resultado foi muito interessante. Constatamos que houve um aumento da ida aos prontos-socorros, por exemplo. Mas elas aconteciam por razões inusitadas, como traumas, cortes em membros inferiores, gestantes com náuseas. Ou seja, as pessoas que antes não estavam saindo de casa por medo de pegar Covid, passaram a buscar esse atendimento. Mas de efeitos colaterais neurológicos ou trombóticos, que eram uma preocupação na época, não houve registro”, pontua Fortaleza.

Durante os meses de estudos que se seguiram, registros de pessoas vacinadas foram comparados aos de pessoas não vacinadas. E dados de cidades próximas que não tinham recebido o imunizante dessa forma também foram utilizados, como a vizinha São Manuel. Para Fortaleza, mais uma vez, os resultados foram surpreendentes. “Tivemos uma efetividade contra a Covid-19 de 74%. E contra a doença em sua forma grave, de 100%. Não houve nenhuma morte e nenhuma internação entre os vacinados. Já no grupo de pessoas da mesma faixa etária de Botucatu que não foram vacinadas por não terem buscado a vacina, e nos moradores de São Manuel, houve várias internações e várias mortes”, diz.

Até a produção da Oxford/AztraZeneca ser interrompida, em 2024, mais de 153 milhões de doses foram aplicadas no Brasil. Fortaleza explica que a interrupção não teve relação com a efetividade ou a segurança do imunizante. “Apesar de muita informação desencontrada ter circulado naquele período, o motivo para a retirada da Oxford/Aztrazeneca do mercado não teve relação com algum perigo ligado a efeitos colaterais. Começaram a surgir novas variantes, para as quais não foi possível atualizar a vacina. E ninguém queria mais comprá-la porque estava obsoleta. Então, por uma questão mercadológica, ela foi retirada”, conta.

O legado para a Universidade

Grotto e Fortaleza ressaltam que o câmpus em Botucatu não atuou sozinho no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Todas as 34 unidades universitárias distribuídas em 24 cidades paulistas tiveram ações de destaque em suas regiões e fortaleceram a ciência desenvolvida na Unesp. E destacam a maturidade científica que a comunidade universitária alcançou a partir do enfrentamento da pandemia.

“O enfrentamento exigiu que fôssemos além do procedimento usual de pensar e criar um projeto, submeter a uma agência de fomento, conseguir o recurso e organizar a execução”, diz Fortaleza. “ As circunstâncias nos permitiram fazer o que chamamos de ciência emergencial, ou seja, em condições difíceis, agir rapidamente para fazer um projeto de pesquisa claro e com um retorno imediato para a comunidade”, diz.

Ele aponta como um importante aprendizado dessa experiência o fato de que a atuação da universidade no campo das políticas públicas, especialmente em situações emergenciais, é um dever.

“A Unesp cresceu muito nesse período e foi a universidade que, de fato, cuidou da pandemia no interior paulista. Por isso, penso que essa experiência se aplica em outras políticas de importância social. Então, devemos cada vez mais trabalhar em conjunto com as autoridades governamentais”, diz o diretor da FMB.

***

Além da vacinação em massa, o estudo de efetividade da vacina Oxford/AztraZeneca previa o acompanhamento dos vacinados por um período de 6 meses. Os detalhes dessa etapa, coordenada pela professora Rejane Grotto, da Faculdade Ciências Agronômicas de Botucatu, serão apresentados na segunda parte desta reportagem, que será publicada na terça-feira (01/09).

Fonte: Jornal da UNESP | Leire Bevilaqua

Prefeitura inicia nova etapa do Plano de Mobilidade da Zona Sudoeste

0
Prefeitura inicia nova etapa do Plano de Mobilidade da Zona Sudoeste
Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, acompanhou, neste sábado (29/08), o início de duas novas obras do Plano de Mobilidade da Zona Sudoeste na Avenida Ayrton Senna.

As intervenções incluem a ampliação da ponte sobre o Canal do Arroio Fundo, que passará de quatro para seis faixas no sentido Linha Amarela, e a reconfiguração das agulhas no trecho entre o Casa Shopping e o Via Parque Shopping, garantindo uma terceira faixa contínua na avenida. Com investimento de R$ 46,9 milhões, as obras vão aumentar a capacidade da via e melhorar a circulação entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá.

– Estamos avançando em mais uma etapa do plano de mobilidade da Zona Sudoeste, com um pacote de investimentos para Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Recreio e toda essa região. É uma área que cresce muito e que enfrenta desafios importantes de mobilidade. Isso é sinal de planejamento e de gestão – destacou o prefeito Eduardo Cavaliere.

Lançado em janeiro, o Plano de Mobilidade da Zona Sudoeste reúne seis intervenções prioritárias para melhorar os deslocamentos na Barra da Tijuca, Barra Olímpica, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá. Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Infraestrutura, o conjunto de obras tem previsão de conclusão até 2028.

Na Avenida Ayrton Senna, a ponte sobre o Canal do Arroio Fundo será construída ao lado da ponte existente e contará também com passagem para pedestres e ciclovia. A obra vai aumentar a capacidade da via e melhorar a ligação entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá.

– Vamos ter aqui dois anos de obra e, junto com essa intervenção de ampliação da ponte sobre Arroio Fundo, vamos também fazer a requalificação das agulhas da Ayrton Senna pra melhorar a fluidez do trânsito. Vai melhorar muito para a população – disse o secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos.

Presente no evento, o presidente da Câmara, Carlo Caiado, destacou o papel do Legislativo na construção e viabilização das políticas públicas de mobilidade urbana na Zona Sudoeste:

– São políticas públicas escritas por legislação e executadas pelo Poder Executivo. É uma felicidade enorme ver essa região avançando, com investimentos em mobilidade, infraestrutura e saneamento, e com uma intervenção dessa magnitude, com seis grandes obras sendo realizadas.

Avenida Ayrton Senna terá terceira faixa contínua

Também começaram neste sábado as obras de reconfiguração das agulhas da Avenida Ayrton Senna, entre o Casa Shopping e o Via Parque Shopping. Atualmente, essas estruturas provocam estreitamentos e reduzem o espaço disponível para os veículos.

Com o novo desenho, a terceira faixa terá continuidade ao longo do trecho, eliminando os atuais estreitamentos. Os acessos de entrada e saída também serão reorganizados para aproveitar melhor o espaço da avenida e facilitar a circulação.

Rotatória entre Ayrton Senna e Lúcio Costa entra na reta final

O início das duas novas frentes acontece enquanto a primeira obra do Plano de Mobilidade da Zona Sudoeste entra na reta final. A nova rotatória no encontro das avenidas Ayrton Senna e Lúcio Costa, com investimento de R$ 5,7 milhões, será entregue neste ano.

A estrutura vai criar novos acessos entre as duas avenidas e reduzir percursos hoje necessários para fazer retornos. Quem vem da Praia da Reserva, por exemplo, poderá entrar diretamente na Avenida Ayrton Senna para seguir em direção à Avenida das Américas ou a Jacarepaguá. Já quem vem da Ayrton Senna poderá acessar a Lúcio Costa, no sentido Zona Sul, sem precisar avançar pela avenida para fazer o retorno.

Plano prevê novas obras na região

As próximas etapas incluem uma nova passarela para pedestres na estação Asa Branca do BRT, na Avenida Salvador Allende, além da reorganização dos retornos e semáforos no entorno. A intervenção vai melhorar a circulação e ampliar a segurança de pedestres e usuários do BRT.

Também estão previstas a criação de uma nova ligação entre as avenidas Sobral Pinto e a Alda Garrido, na Barra da Tijuca, e a construção de uma passagem inferior na Avenida Alfredo Baltazar da Silveira, na altura do Barra Bali, no Recreio dos Bandeirantes, que contará também com uma alça de acesso da Avenida das Américas para a Salvador Allende.

Fonte: Prefeitura do Rio de Janeiro

Colapso glacial: o fenômeno que causou a enchente repentina na fronteira entre Nepal e Tibete

0
Colapso glacial: o fenômeno que causou a enchente repentina na fronteira entre Nepal e Tibete
Foto: Navesh Chitrakar/Reuters

As inundações que atingiram o Nepal e o Tibete na manhã de quarta-feira (26/8) deixaram centenas de mortos e milhares de desaparecidos. 

Imagens registradas durante o desastre mostram as pessoas correndo segundos antes de uma enorme massa de lama tomar conta de comunidades e destruir pontes, edifícios e outras estruturas.

Inicialmente, os cientistas acreditavam que a causa do evento havia sido um terremoto. Mas depois descobriram que os tremores estavam relacionados a um “colapso glacial”.

O diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, Basanta Raj Adhikari, disse à BBC News que há risco de uma “segunda e terceira ondas” de inundações nesta quinta-feira (27/8) ou na sexta-feira (28/8).

“Nós ainda não sabemos”, afirmou ele, acrescentando que segue discutindo a situação com colegas na China. Segundo Adhikari, não há previsão de chuvas intensas, mas novos deslizamentos de terra podem acontecer. “Estamos observando, mas não sabíamos que isso aconteceria em um determinado dia.”

Adhikari afirmou ainda que os pesquisadores vêm monitorando os riscos associados às montanhas do Himalaia. “A mudança climática realmente está acontecendo.”

O que gerou a enchente?

Inicialmente, porta-vozes do governo do Nepal e de agências de geologia disseram que o gatilho para a enchente havia sido um terremoto. Sensores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) chegaram a registrar um tremor de magnitude 4,4 na mesma região, momentos antes da enxurrada.

Algumas horas depois, porém, o próprio serviço americano se corrigiu: o tremor não teria sido a causa da enchente, mas, sim, uma consequência de um grande deslocamento de gelo e detritos.

Segundo o USGS, o evento sísmico provocado pelo colapso glacial foi equivalente à magnitude 5,2 e aconteceu perto da fronteira entre Nepal e China às 8h37 da manhã, no horário local — ou 22h52 do dia anterior, no horário de Brasília.

Alguns funcionários nepaleses sugeriram que o colapso poderia ter ocorrido no Tibete, no lado chinês da fronteira. Mas uma nova análise das autoridades indica que o evento aconteceu no lado nepalês, no monte Langtang Lirung, próximo ao rio Lhende.

Em outras palavras, uma grande parte de uma geleira se desprendeu no monte Langtang Lirung e despencou pelo vale, incorporando gelo, pedras e sedimentos pelo caminho. Essa hipótese também é sustentada por observações feitas a partir de imagens de satélite.

Simon Cook, professor de energia, ambiente e segurança da Universidade de Dundee, na Escócia, especializado em glaciologia, contou à BBC News que um colega de sua equipe identificou, na quarta-feira, que uma parte inferior de uma geleira próxima à área atingida havia desaparecido.

A imagem indicava que havia ocorrido “algum tipo de avalanche de gelo ou colapso de geleira”, segundo Cook.

Ele diz que algumas pessoas inicialmente acreditaram que o terremoto havia provocado uma avalanche, mas, segundo um sismólogo da equipe, o tremor teria sido causado pelo próprio colapso da geleira ao atingir o fundo do vale. “Isso mostra a magnitude do evento”, afirma Cook.

Essa massa de gelo, pedras e detritos atingiu o rio Lhende Khola e teria bloqueado temporariamente o curso da água. Quando o bloqueio se rompeu, uma enorme onda de água, gelo, pedras e lama avançou rio abaixo.

Especialistas ouvidos pelo serviço nepali da BBC destacam que a geografia da região, marcada por vales estreitos e terrenos muito íngremes, favorece a propagação rápida dessas ondas de água e detritos.

Os cientistas, no entanto, ainda precisam confirmar os detalhes dessa sequência de eventos.

Mudanças climáticas podem ter tido influência

Ainda é muito cedo para dizer qual foi o papel das mudanças climáticas no desastre.

Cook diz que sua equipe ficou “chocada com a escala” da tragédia e lembra que houve vários eventos semelhantes nos últimos anos em lugares como o Himalaia, a Suíça e as Dolomitas, na Itália.

“Mas quando você olha para o padrão desses eventos, pensa que as mudanças climáticas podem ter um impacto”, afirma.

Segundo Cook, o aquecimento global pode estar fazendo com que o permafrost — solo, sedimento ou rocha que permanece congelado por longos períodos — descongele e se degrade.

O permafrost ajuda a manter algumas encostas de montanhas unidas. Quando ele perde estabilidade, esses ambientes de alta montanha podem ficar mais instáveis, segundo o pesquisador.

Isso pode levar a mais deslizamentos de terra, fluxos de detritos, derretimento de geleiras, rompimentos de lagos e colapsos de geleiras, acrescenta.

Ainda não é possível determinar, porém, qual foi exatamente a influência das mudanças climáticas neste desastre específico. Mas o Nepal perdeu quase um terço de seu volume de gelo nas últimas três décadas, e suas geleiras derreteram em uma velocidade 65% mais rápida de 2011 a 2020 do que o usual, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Por que esta região é tão vulnerável?

Especialistas dizem que a região da fronteira entre o Nepal e a China é especialmente suscetível a desastres naturais por causa de sua geografia.

A área abriga algumas das montanhas mais altas do mundo, extensas geleiras, campos de neve e encostas íngremes e instáveis. Os rios que drenam o Planalto Tibetano descem rapidamente por vales profundos antes de chegar às áreas povoadas do Nepal.

Cientistas dizem que isso cria condições para desastres em cadeia, em que um evento pode desencadear outro.

Eles afirmam que as condições de monção podem aumentar ainda mais o risco de desastres em cadeia, com chuvas intensas desestabilizando encostas e interagindo de maneiras complexas com geleiras, campos de neve e sistemas fluviais.

Chuvas intensas podem desestabilizar encostas. Geleiras, massas de gelo e campos de neve podem desabar. Deslizamentos de terra podem bloquear rios. Represas temporárias podem então romper subitamente, liberando enchentes destrutivas rio abaixo.

Risco de novas inundações

A enxurrada de água, lama e detritos avançou com rapidez impressionante sobre comunidades do norte do Nepal, incluindo áreas que recebem muitos peregrinos e turistas.

Nas imagens do desastre, é possível ver uma enorme parede de lama arrastando prédios, pontes e veículos enquanto as pessoas tentavam fugir.

A onda de água e detritos atingiu primeiro o rio Lhende Khola e, na sequência, avançou por outros rios que estão conectados, como o Bhote Koshi, o Trishuli e o Narayani.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas publicou um relatório alertando que novas inundações podem acontecer nos próximos dias.

Isso porque enormes quantidades de detritos foram carregadas pelos rios e podem gerar novos bloqueios em trechos mais estreitos, aumentando o risco de formação de represas e novas inundações.

As autoridades e os cientistas trabalham para avaliar a dimensão desses bloqueios e evitar novos desastres.

Equipes de resgate também trabalham para encontrar desaparecidos e atender os feridos, em uma operação dificultada pelas condições geográficas e climáticas da região.

É possível prevenir esse tipo de desastre?

Fenômenos como deslizamentos de terra, avalanches e colapsos de geleiras não podem ser totalmente evitados, mas seus impactos podem ser reduzidos, dizem especialistas.

Sistemas de alerta precoce estão sendo cada vez mais instalados em vales vulneráveis e no entorno de lagos glaciais. Eles podem monitorar mudanças nas condições e dar um tempo valioso para a realização de evacuações.

Pesquisadores também defendem que uma cooperação transfronteiriça melhor é essencial, porque muitos desses fenômenos têm origem em áreas remotas do Tibete antes de afetarem o Nepal.

“Se tivesse começado no Nepal, poderíamos ter visto daqui. Mas, em incidentes como este, o sistema de compartilhamento de informações entre os países precisa ser fortalecido”, disse o diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, Basanta Raj Adhikari.

Ele acrescentou que os mecanismos atuais de compartilhamento de informações entre os países não parecem ser suficientes para desastres desse tipo, que evoluem rapidamente. A longo prazo, especialistas dizem que reduzir a exposição pode ser a defesa mais eficaz.

Fonte: BBC News

Governo renova concessão de hidrelétrica da Cemig por mais 30 anos

0
Governo renova concessão de hidrelétrica da Cemig por mais 30 anos
Foto: Divulgação/Cemig

Com a autorização, companhia tem um prazo de 210 dias para avaliar e assinar o contrato de concessão junto ao ministério

O MME (Ministério de Minas e Energia) autorizou nesta sexta-feira (28) a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) a renovar por mais 30 anos a concessão da usina hidrelétrica de Sá Carvalho. A concessão se encerraria no final deste mês.

Ausina possui capacidade instalada de 78 MW (Megawatts) e era a primeira das três concessões com vencimento previsto para os próximos meses.

Com a autorização, a companhia agora tem um prazo de 210 dias para avaliar e assinar o contrato de concessão junto ao Ministério de Minas e Energia.

As outras duas são as usinas de Emborcação e Nova Ponte, com contratos que se encerram em maio e agosto de 2027, respectivamente. Juntas, as três usinas respondem hoje por 55% do parque gerador próprio da companhia.

Em fato relevante, a companhia afirmou que a medida “também encaminha uma solução para os dois ativos remanescentes, fundamentais para a robustez da geração de energia” da empresa.

Fonte: CNN Brasil

Quarenta anos em quatro

0
Quarenta anos em quatro

A partir dessa semana, você vai ser inundado, ou sobrecarregada, de propaganda eleitoral. Muita gente ainda não vai prestar atenção até a semana da votação em outubro, mas deveria. Esta eleição pode ter um impacto muito significativo na sua vida tecnológica, para o bem ou para o atraso.

Lembrando a importância dessa eleição: vamos escolher presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.

É muito importante que olhemos com atenção quais as propostas de todos eles para inovação, cidade inteligente e inteligência artificial. 

Não preciso dizer a velocidade incrível dos avanços tecnológicos. Mas trazendo para o recorte de eleições, no último pleito federal e estadual que tivemos, não usávamos IA nem ChatGPT no dia a dia. Lembra? Além de eleições, teve Copa do Mundo em 2022, sem VAR, sem impedimento semiautomático e sem chip na bola. Diferente do que acabamos de ver na Copa, que aliás aconteceu em três países pela primeira vez.

Todos esses políticos que vamos eleger em outubro podem ter uma participação muito relevante nos quatro anos de seus mandatos em relação ao avanço tecnológico. Nesse campo, o mundo vai ver quarenta anos aconteceram em quatro, para usar frases que governantes gostam.

Assim como temos um cenário muito diferente de 2022, as mudanças serão drásticas até 2030. Robôs, humanoides, etc, tudo em torno da Inteligência Artificial Geral, com capacidade para realizar tarefas de forma idêntica ou superior a um ser humano.

A grande questão é se nosso País, nossos Estados e nossa legislação vão acompanhar tudo isso na mesma velocidade. No setor privado, não temos dúvida que este processo já está acontecendo. E no público?

Os grandes temas eleitorais sempre são Saúde, Segurança e Educação. Vão continuar sendo, mas as soluções para estas áreas não podem ignorar as novas realidades tecnológicas que teremos daqui para a frente, no mínimo, a cada semestre. 

Então, preste atenção nas propostas que os candidatos vão apresentar, elas vão impactar bastante o seu futuro. Bem-vindo a 2070.

Chapecó conquista a ISO 37120 Ouro: o que essa certificação representa para a gestão pública baseada em dados

0

A cidade de Chapecó (SC) é a primeira no estado de Santa Catarina a conquistar a certificação ABNT NBR ISO 37120 de Cidades Sustentáveis no nível Ouro. Essa conquista destaca-se pelo pioneirismo do município e pelo que representa para a gestão pública orientada por dados.

A certificação acompanha o monitoramento de indicadores de serviços urbanos e qualidade de vida por meio de uma metodologia padronizada com auditoria independente da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Em Chapecó, o processo envolveu mais de 90 indicadores distribuídos em 19 áreas da administração municipal, contando com a assessoria técnica da plataforma Bright Cities.

Mais do que um reconhecimento, o selo evidencia um ponto central para os municípios: não basta ter dados; é fundamental que eles sejam estruturados, comparáveis, auditáveis e capazes de orientar a tomada de decisão.

O que é a norma ABNT NBR ISO 37120?

A ISO 37120 faz parte de uma família de normas internacionais desenvolvidas para apoiar o desenvolvimento sustentável de cidades e comunidades. Sua primeira edição, publicada em 2014, tornou-se a primeira norma internacional da ISO dedicada a indicadores para serviços urbanos e qualidade de vida. A norma define metodologias para medir o desempenho municipal, acompanhar a evolução dos serviços e fundamentar políticas públicas e planejamentos estratégicos.

Na prática, a norma estabelece uma linguagem comum para que municípios possam medir seu desempenho de maneira comparável e verificável, independentemente de seu tamanho ou localização.

Essa padronização também aproxima a discussão de um dos fundamentos das Smart Cities: utilizar informação qualificada para compreender a realidade urbana e melhorar a capacidade de decisão.

O que significa conquistar o nível Ouro?

A ABNT explica que o processo de certificação de indicadores para cidades é estruturado em quatro níveis — Bronze, Prata, Ouro e Platina —, definidos conforme o volume de indicadores certificados. O processo é evolutivo, permitindo que os municípios ampliem o conjunto de dados avaliados e avancem para níveis mais altos ao longo do tempo. A certificação atesta formalmente que os dados analisados cumprem os padrões internacionais de qualidade e rigor técnico.

Chapecó conquista a ISO 37120 Ouro: o que essa certificação representa para a gestão pública baseada em dados
Foto: https://abnt.org.br/certificacao/smartcities/

Como indicadores auditados fortalecem a gestão pública

Quando indicadores municipais são estruturados e submetidos a processos de verificação, eles podem assumir uma função muito mais estratégica dentro da administração pública.

O primeiro impacto está no planejamento municipal.

Um planejamento consistente depende de uma compreensão clara da realidade que se pretende transformar. Indicadores padronizados permitem estabelecer uma linha de base, acompanhar resultados e identificar mudanças ao longo do tempo. A ISO destaca justamente o uso dos indicadores para medir desempenho, acompanhar progresso e apoiar planejamento e gestão.

Isso também contribui para a priorização de investimentos.

Em ambientes públicos marcados por restrições orçamentárias, decisões precisam considerar onde os recursos podem gerar maior impacto. Dados organizados e comparáveis ajudam a identificar lacunas, acompanhar a evolução dos serviços e orientar prioridades com maior base técnica.

Outro ponto é o monitoramento de políticas públicas.

Uma política não termina quando é implementada. É necessário acompanhar sua execução e seus efeitos. Indicadores criam condições para verificar se determinados objetivos estão sendo alcançados e identificar pontos que demandam ajustes.

A padronização também fortalece a transparência pública.

Quando informações relevantes sobre a cidade são organizadas segundo critérios claros e disponibilizadas para consulta, a população, pesquisadores, organizações e os próprios gestores passam a ter uma referência comum sobre o desempenho municipal.

Por fim, existe uma dimensão especialmente importante para a administração pública: a continuidade administrativa.

Dados estruturados não dependem exclusivamente da memória individual de uma equipe ou de um determinado ciclo de governo. Quando metodologias, indicadores, históricos e evidências ficam organizados institucionalmente, o conhecimento produzido pode permanecer disponível para orientar decisões futuras.

Essa é uma contribuição importante para municípios que desejam construir políticas públicas de longo prazo.

O caso de Chapecó

O processo contou com o suporte técnico da Bright Cities na estruturação e gestão dos indicadores, atuando em parceria com as equipes municipais ao longo de 8 meses até a conquista do selo.

Conteúdo do artigo

Conteúdo do artigo

Durante esse período de assessoria técnica para a obtenção da ISO, o trabalho envolveu a organização das informações, a definição de responsabilidades entre as secretarias, a integração de processos, a produção de evidências técnicas e a construção de uma rotina de acompanhamento contínuo até a auditoria final.

O que outros municípios podem aprender
A experiência de Chapecó demonstra que uma agenda de gestão baseada em dados exige método e continuidade.

Primeiro, indicadores precisam ser institucionalizados. Eles não devem existir apenas para atender uma demanda pontual, mas fazer parte da rotina de planejamento e monitoramento do município.

Segundo, a integração entre secretarias é fundamental. Saúde, educação, mobilidade, saneamento, segurança e meio ambiente produzem dados que, quando analisados de forma conectada, oferecem uma visão muito mais precisa da cidade.

Terceiro, é necessário diferenciar coleta de dados de gestão de dados. Coletar informações é apenas o começo. É preciso organizar, validar, interpretar, acompanhar e utilizar os indicadores para orientar decisões.

Quarto, a cultura de monitoramento deve ser contínua. Indicadores ganham valor quando permitem acompanhar tendências e resultados ao longo do tempo, em vez de serem utilizados apenas para produzir diagnósticos isolados.

Por fim, a experiência reforça que dados confiáveis são uma infraestrutura de gestão pública.

Eles embasam o planejamento municipal, fortalecem a governança, aumentam a transparência pública e preservam o conhecimento institucional.

Certificação como parte de uma agenda maior de gestão baseada em dados

A certificação ABNT NBR ISO 37120 nível Ouro obtida por Chapecó integra uma transformação mais ampla no modelo de monitoramento e gestão do município.

O principal valor de um conjunto de indicadores padronizados não está apenas no certificado recebido, mas na capacidade de estabelecer uma base comum para compreender a cidade, acompanhar resultados e sustentar decisões ao longo do tempo.

Para gestores públicos, técnicos municipais e organizações que atuam com inovação para governos, esse é um ponto central da agenda de cidades inteligentes: utilizar dados como instrumentos para qualificar a gestão e os serviços oferecidos à população.

É nessa perspectiva que a atuação da Bright Cities se destaca. Ao apoiar os municípios na estruturação, organização e gestão contínua de indicadores, a plataforma ajuda a construir bases de dados sólidas para fundamentar o monitoramento, o planejamento e a tomada de decisão.

Mais do que acompanhar números, uma cidade inteligente precisa ser capaz de entender seus próprios dados, transformar evidências em decisões e manter esse conhecimento como patrimônio institucional.

Conheça nossa plataforma: www.brightcities.city

Fonte: Bright Cities

Aeroporto Santos Dumont tem voos cancelados no início da manhã desta sexta-feira após acidente com jato

0
Aeroporto Santos Dumont tem voos cancelados no início da manhã desta sexta-feira após acidente com jato
Foto: Gerada por IA | Magnific

Na quinta, 71 voos foram cancelados por causa do escape de uma aeronave de pequeno porte.

O Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro, teve ao menos 12 voos cancelados no início da manhã desta sexta-feira (28), dia seguinte a um acidente com um avião de pequeno porte na cabeceira da pista.

A Infraero explicou que, como o terminal ficou parado até tarde da noite, aviões programados para sair cedo do Rio não conseguiram pousar de véspera. As partidas afetadas iriam para Brasília, Congonhas (SP), Guarulhos (SP) e Confins (MG).

A operação no Santos Dumont normalmente começa às 6h, mas a 1ª decolagem só ocorreu às 6h55, para São Paulo. O painel indicava que voos saindo a partir das 7h45 estavam confirmados.

A Aena, concessionária que opera o Aeroporto de Congonhas, informou que 1 partida e 2 chegadas como origem ou destino para o Santos Dumont foram canceladas.

7 horas de pista fechada

Às 16h10 de quinta, segundo a Infraero, a aeronave, um Embraer Phenom, prefixo PSVEE – E50P, escapou da cabeceira durante o procedimento de pouso e parou na área gramada. Não houve feridos. Na aeronave, estavam o piloto e um tripulante.

O Phenom foi retirado às 23h de quinta. Até lá, 71 voos foram cancelados, e outros 15, desviados para o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, no Galeão.

“O Plano de Emergência do Aeroporto foi acionado imediatamente. Equipes do Corpo de Bombeiros deram suporte e técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estiveram no aeroporto para iniciar as investigações sobre a causa da saída da pista”, disse a Infraero.

A aeronave envolvida no incidente está registrada em nome da VEE One Manutenção e Serviços Ltda., empresa sediada em Campinas (SP) e especializada em manutenção de aviões.

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião não possui autorização para operar serviços de táxi aéreo, voos comerciais regulares ou serviços aéreos especializados.

EUA confirmam duas primeiras mortes por sarampo em 2026; doença é evitável com vacina

0
EUA confirmam duas primeiras mortes por sarampo em 2026; doença é evitável com vacina
Foto: Adobe Stock

Vítimas eram moradoras não vacinadas do Condado de Lancaster. Autoridades de saúde reforçam que a vacina tríplice viral evita 97% dos casos.

Os Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes por sarampo deste ano. As vítimas eram moradoras não vacinadas do Condado de Lancaster, na Pensilvânia, segundo o Departamento de Saúde do estado.

Os óbitos também marcam um retrocesso simbólico para a Pensilvânia: o estado não registrava uma morte por sarampo havia 35 anos. Por questões de privacidade, o órgão não divulgou idade, sexo ou outras informações que possam identificar os pacientes.

O país vive um surto da doença, com milhares de casos. Segundo o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), foram confirmados 2.777 casos no país até agora neste ano, contra 2.289 registrados em todo o ano de 2025. No ano passado, foram registradas três mortes.

O sarampo é causado por um vírus transmitido pelo ar, que se espalha quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou simplesmente respira perto de outras. Ele pode permanecer ativo em superfícies e no ar por até duas horas depois que o paciente sai do ambiente — o que explica por que a doença é considerada uma das mais contagiosas que existem.

No entanto, a doença é controlável com a vacina, que existe há pelo menos 50 anos e é usada em diversos países pelo mundo, inclusive no Brasil. A tríplice viral, vacina que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola.

O crescimento dos casos não é um fenômeno recente nem isolado. A cobertura vacinal infantil nos Estados Unidos caiu de mais de 95%, em 2020, para menos de 93% atualmente — uma diferença que parece pequena, mas é decisiva, já que 95% é o patamar mínimo considerado necessário para garantir proteção coletiva contra o sarampo. A queda se acumula desde 2016 e ganhou força durante a pandemia de Covid-19, segundo especialistas em imunização.

A tendência é impulsionada agora pelos discursos do presidente Donald Trump e Robert F. Kennedy Jr., nomeado para a pasta da Saúde.

O movimento mais recente veio em 10 de agosto quando, mesmo em meio ao surto pela doença, Trump assinou uma ordem executiva que reformula o calendário de vacinação infantil e defendendo a interrupção da tríplice viral pela troca da vacinação pelas doenças que ela protege de forma isolada. Segundo o presidente, haveria um risco de morte — mas ele não apresentou dados, óbitos e nem pesquisas que provassem o que estava dizendo.

O discurso também retomou a hipótese, sem comprovação científica, de que vacinas estariam ligadas ao autismo — teoria originada em um estudo de 1998 do médico britânico Andrew Wakefield, posteriormente identificado como fraudulento, o que levou à perda da licença médica do autor e à retratação da pesquisa pela revista que a publicou.

Estudos com milhões de crianças em diferentes países não encontraram relação causal entre vacinas e o transtorno, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Fonte: G1

A cadeira vazia da mobilidade brasileira acaba de ser ocupada

0
A cadeira vazia da mobilidade brasileira acaba de ser ocupada

O setor de transporte tem associação para operador, para fabricante, para técnico e para gestor público. Faltava quem falasse pela camada que sustenta tudo isso. A ABTEC nasce para ocupar esse lugar — e chega na hora exata.

 

A tecnologia não avança em linha reta. No transporte público brasileiro, ela costuma esbarrar na inércia dos processos, no regionalismo técnico de cada contrato e, às vezes, em um certo entusiasmo mercadológico que vende o futuro antes de resolver o presente.

Por isso o anúncio feito na Lat.BUS EXPO 2026 merece mais atenção do que uma nova sigla normalmente recebe. A Associação Brasileira de Tecnologia para a Mobilidade (ABTEC Mobilidade) nasceu reunindo oito empresas que desenvolvem soluções para diferentes áreas da infraestrutura tecnológica dos sistemas de transporte: Bus2, Cittati, Empresa 1, Onboard, Planeta Informática, Prodata Mobility Brasil, Sonda e Transdata. Concorrentes, com décadas de atuação, que disputam as mesmas licitações.

A ideia surgiu de uma conversa após um painel na Lat.Bus de 2024 e levou dois anos para virar entidade. Não foi reação a um edital nem articulação de ocasião. Foi a constatação gradual de que existe um interesse comum acima da concorrência comercial, e que ninguém estava cuidando dele.

Uma cadeira que estava vazia

O transporte brasileiro é um setor bem representado. 

A NTU fala pelos operadores urbanos. A ABRATI, pelo rodoviário. A FABUS consolidou padrões técnicos para a indústria de carroceria. A ANTP organiza o debate técnico há décadas. A CNT costura o setor inteiro. A FNP leva a pauta dos municípios ao Congresso. O Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana representa quem gere os sistemas na ponta.

Vale lembrar que praticamente todo avanço estrutural do setor veio de construção coletiva desse tipo. O enfrentamento do transporte clandestino nos anos 2000, a uniformização de padrões de carroceria, a própria criação da NTU, a pauta da desoneração. Nada disso foi obra de uma empresa isolada.

A camada que produz o dado, porém, nunca teve foro próprio. As empresas de tecnologia sempre foram ouvidas uma a uma, na condição de fornecedor, com o edital já escrito e a especificação já fechada. Nunca como indústria. O resultado é conhecido, cada município reinventa a especificação, cada contrato cria um vocabulário próprio, e a comparabilidade nacional fica difícil. Não por má-fé de ninguém, por ausência de espaço institucional para essa conversa.

O dado existe, extrair valor que é complexo

Convém tratar de uma metáfora que se repete há anos no debate político do setor.

Rafael Teles, diretor de produto da Transdata, fez uma observação certeira no Podcast do Transporte, na aviação, a caixa-preta existe para revelar o que aconteceu, não para esconder o funcionamento do voo.

Portanto, o dado existe. É gerado todo dia, aos bilhões de registros, em validadores, sensores, centrais de controle e aplicativos. O gargalo é a combinação de dados organizados sob lógicas diferentes com equipes públicas que nem sempre dispõem de estrutura para lê-los de forma coordenada.

Ou seja, dado bruto não vira decisão sozinho. Falta padrão comum, governança e integração entre soluções construídas em décadas diferentes, por empresas diferentes, sob contratos diferentes. É a mesma lógica que já defendi ao tratar do GTFS como base para mudar a percepção do usuário e ao mostrar que a precisão da informação é uma moeda do transporte público. A tecnologia já está lá. O que falta é acordo sobre como ela conversa.

E acordo não se constrói empresa por empresa. Se constrói em foro setorial.

Tomadas, USB e o valor de combinar padrões

Felipe Leoni, diretor técnico da Prodata Mobility Brasil, trouxe um paralelo útil. A normatização técnica no transporte se parece com a padronização das tomadas elétricas ou com a universalização do padrão USB. Concorrentes globais montam consórcios para desenvolver padrões comuns de hardware e software porque entenderam que normatizar não divide mercado, multiplica.

É a mesma lição da FABUS na indústria de carroceria. Padrão técnico comum ampliou o mercado em vez de restringi-lo.

O que a lei passou a exigir

Há também uma razão de calendário para que essa conversa aconteça agora.

A Lei 15.432/2026, sancionada em 14 de junho, entra em vigor um ano após a publicação. Escrevi aqui, em fevereiro, sobre como o debate legislativo em torno do Marco Legal tratou de novos impostos quando o tema real era mudança de incentivo. Aquela discussão terminou. Começou a implementação.

O que a lei fez foi trocar a pergunta. O modelo anterior perguntava quanto custa. O novo pergunta quanto foi entregue. Separa a tarifa paga pelo usuário da remuneração do operador, admite receitas extratarifárias e vincula o pagamento a metas e disponibilidade do serviço. Todo indicador dessa lógica é um dado, e nenhum deles existe por decreto.

Vale precisar os dispositivos, porque circulam leituras imprecisas sobre eles. O artigo 15 obriga os operadores a fornecerem ao titular do serviço os dados necessários ao desempenho de suas atividades. O artigo 13 determina que o titular — município, estado ou União, diretamente ou por meio de seu órgão regulador — forneça os dados ao Sistema Nacional de Informações em Mobilidade Urbana (SIMU), na metodologia e periodicidade estabelecidas pela União. E o artig 21 condiciona a contratação de projetos de transporte público coletivo com recursos federais ao cumprimento do artigo 13.

Até junho de 2027 serão escritas portarias, especificações e minutas de contrato que vão durar dez, quinze anos. Contribuição técnica qualificada é útil antes da publicação. Depois, a conversa se torna outra, e mais cara.

O que está em jogo em escala nacional

As empresas em sua maioria são concorrentes. É esse o ponto.

O critério de entrada da ABTEC diz muito sobre a intenção. É preciso realizar pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica no Brasil. Não se trata de nacionalismo de bandeira. Trata-se de reconhecer que gratuidade de idoso, integração temporal, câmara de compensação, vale-transporte e a lógica tarifária brasileira não existem em manual importado. Quem resolve isso são equipes daqui, que pesquisam, projetam, testam e mantêm tecnologia para as condições específicas da mobilidade brasileira.

E a entidade defende explicitamente a coexistência de tecnologias. Inovação não é trocar a caixinha pela mais recente. É integrar soluções, preservar investimentos, respeitar contratos, organizar os dados e criar condições para evolução contínua.

O desafio maior talvez não esteja na infraestrutura nem no código, e sim nas pessoas.

O Brasil vive uma transição silenciosa nas prefeituras e órgãos reguladores. A geração de planejadores e engenheiros de transportes formada na época do GEIPOT está se aposentando, e a reposição não vem acontecendo na mesma proporção. Se as equipes que assumem as secretarias não estiverem preparadas para ler, interpretar, articular e usar os dados que a tecnologia produz, a melhoria contínua da rede fica comprometida, por melhor que seja o sistema instalado.

Esse é um ponto em que uma entidade técnica pode contribuir de forma concreta. Formação, referências e linguagem comum. É um espaço natural de atuação para uma associação que já se organiza em torno de representação institucional, padrões técnicos, transformação digital e segurança, políticas públicas e sustentabilidade.

O primeiro entregável já mostra o método

Poucos dias após o lançamento, a ABTEC apresentou na Lat.BUS os resultados da primeira etapa do Glossário de Verbetes e Definições da Mobilidade Brasileira, desenvolvido pelo GT Padronização de Dados, com as fundadoras e duas convidadas.

Repare em quem estava na sala, o secretário nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Marcos Daniel. O vice-presidente da CNT, Eudo Laranjeiras. Pela NTU, o diretor-presidente Francisco Christovam, o diretor de Gestão Marcos Bicalho e o diretor de Mobilidade Urbana Matteus Freitas. Pela FNP, João Lucas Albuquerque. A UITP Latin America e a ANTP também contribuirão tecnicamente.

Uma entidade recém-nascida sentou governo federal, confederação, operadores e municípios na mesma mesa para se apresentar e iniciar uma discussão sobre nomenclatura.

Parece modesto, mas não é. Boa parte das divergências contratuais do setor não é divergência de mérito, é divergência de vocabulário.

Quando editais, contratos, normas e bases de dados usam conceitos técnicos coerentes e normalizados, diminuem ambiguidades e melhoram as condições de integração, troca de dados e diálogo. A versão final sai ainda em 2026, e o documento seguirá em revisão permanente, publicado no site da entidade.

 

O setor amadureceu

O Marco Legal foi a mudança estrutural que o transporte brasileiro esperava desde 2012. Trocou o incentivo da estimativa de custo para a medição de resultado.

Empresas que competem há décadas concluíram que precisam construir junto aquilo que nenhuma delas consegue construir sozinha. É a definição clássica de maturidade setorial, o mesmo movimento que outras indústrias do transporte fizeram quando pararam de tratar padrão técnico como concessão e passaram a tratá-lo como ativo comum.

A cadeira vazia foi ocupada. O que se faz sentado nela é o que vai definir se a ABTEC entra para a história do setor ou vira mais uma sigla.