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Entre Ecossistemas, Governança e Futuro: as lições do 15ST Prodem para a América Latina

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Entre Ecossistemas, Governança e Futuro: as lições do 15ST Prodem para a América Latina
Foto: Tiago Pavan

Introdução

Entre os dias 12 e 15 de maio de 2026, a cidade de Santo Domingo, na República Dominicana, tornou-se um dos principais centros de discussão sobre empreendedorismo, inovação e políticas públicas da América Latina ao sediar o 15° Seminario Taller para Profesionales del Ecosistema Emprendedor de América Latina (15ST Prodem), promovido pela Prodem em parceria com a Universidad Iberoamericana. O encontro celebrou os 15 anos do evento e reuniu lideranças governamentais, universidades, aceleradoras, organismos multilaterais, investidores, empreendedores e especialistas de diversos países latino-americanos.

Mais do que um seminário técnico, o 15ST Prodem consolidou-se como um espaço estratégico de articulação continental sobre o futuro dos ecossistemas de inovação e sobre o papel do Estado diante das transformações econômicas, sociais e tecnológicas que atravessam a região.

A participação de Criciúma neste evento de caráter internacional representou algo particularmente simbólico: uma cidade de médio porte brasileira, localizada no sul do país, sendo convidada a dividir experiências ao lado de referências latino-americanas como a Ruta N de Medellín, ANDE e o Ministério da Indústria, Comércio e MIPYMES da República Dominicana.

O convite oficial para minha participação como painelista foi realizado pela própria organização do evento, destacando a relevância da experiência desenvolvida em Criciúma no campo da governança pública, inovação e transformação digital.

Num cenário historicamente concentrado em grandes capitais econômicas e polos globais de tecnologia, a presença de uma cidade média brasileira em um debate continental sobre o futuro dos ecossistemas latino-americanos revela mudanças importantes na própria geografia da inovação. Cada vez mais, experiências territoriais bem estruturadas passam a disputar espaço não pelo tamanho de seus mercados, mas pela capacidade de articulação, visão estratégica e consistência institucional. Isso talvez diga muito sobre o momento atual da América Latina: os territórios que conseguem se organizar começam, finalmente, a ser percebidos.

Um encontro que vai além do empreendedorismo tradicional

O 15ST Prodem não se limitou a discutir startups, aceleração ou investimento. A agenda do evento evidenciou uma mudança importante no debate latino-americano: o empreendedorismo deixou de ser tratado apenas como mecanismo econômico e passou a ser compreendido como instrumento de transformação territorial, inclusão social e fortalecimento institucional.

Os painéis abordaram temas como:

  • governança de ecossistemas;
  • inteligência artificial aplicada a políticas públicas;
  • empreendedorismo de impacto;
  • articulação entre atores públicos e privados;
  • internacionalização;
  • venture capital;
  • inovação aberta;
  • sustentabilidade institucional;
  • continuidade das políticas públicas além dos ciclos políticos.

Essa abordagem revela uma maturidade importante dos ecossistemas latino-americanos. Durante muitos anos, grande parte das políticas públicas da região concentrou-se em ações isoladas, programas descontínuos ou iniciativas excessivamente dependentes de governos específicos. O debate atual parece caminhar em outra direção: construir estruturas permanentes de governança capazes de sobreviver às mudanças políticas e gerar impacto sistêmico.

Não por acaso, um dos workshops centrais do encontro discutiu exatamente a construção de “governanças colaborativas” para ecossistemas de inovação.

Ao longo das discussões, tornou-se evidente que muitos dos desafios latino-americanos não decorrem necessariamente da ausência de ideias, talentos ou criatividade empreendedora, mas da dificuldade histórica de transformar iniciativas promissoras em políticas públicas duradouras e institucionalizadas. Em outras palavras: a América Latina já aprendeu a criar projetos; agora precisa aprender a sustentar processos.

A presença de Criciúma no debate latino-americano

A participação de Criciúma ocorreu no Panel 8: “La política pública frente a los nuevos desafíos del emprendimiento y de la sociedad”, realizado no dia 15 de maio.

O painel reuniu representantes de diferentes escalas de governo e ecossistemas:

  • Yamandú Delgado (ANDE – Agencia Nacional de Desarrollo – Uruguai); 
  • Jorge Morales (Ministerio de Industria, Comercio y Mipymes – República Dominicana);
  • Geiner Orlando Toro (Ruta N | Medellin – Colômbia);
  • Tiago Ferro Pavan (Prefeitura de Criciúma – Brasil);
  • moderação de Jairo Tiusaba (CAF – Banco de Desarollo de America Latina y el Caribe – Peru).

A proposta do painel era particularmente relevante: discutir como políticas públicas podem responder aos novos desafios da sociedade contemporânea, especialmente em temas como inovação, inclusão, inteligência artificial, sustentabilidade e articulação territorial.

As perguntas orientadoras do debate revelam a profundidade da discussão proposta pelo evento:

  • As políticas de empreendedorismo estão avançando ou perdendo espaço nos governos?
  • Como conectar políticas nacionais e iniciativas locais? 
  • Como utilizar IA em programas públicos?
  • Como garantir impacto social?
  • Como manter políticas públicas além dos ciclos eleitorais?

Nesse contexto, a experiência de Criciúma chamou atenção justamente por apresentar uma combinação pouco comum na América Latina: transformação digital associada a governança estruturada.

Em diversos momentos do encontro, ficou clara a percepção de que a adoção de tecnologia, isoladamente, já não é suficiente para caracterizar inovação pública. Ferramentas digitais, inteligência artificial e plataformas tecnológicas passam a gerar valor real apenas quando conectadas a planejamento, integração institucional e capacidade de coordenação entre diferentes atores. Talvez por isso tantas iniciativas aparentemente modernas fracassem: porque digitalizam processos, mas não transformam estruturas.

O diferencial latino-americano: cidades médias como laboratórios de inovação pública

Historicamente, os grandes debates internacionais sobre inovação urbana concentram-se em megacidades. Contudo, o 15ST Prodem mostrou um movimento importante: cidades médias começam a ganhar protagonismo como espaços mais ágeis para implementação de políticas públicas inovadoras.

Nesse aspecto, Criciúma apresentou uma perspectiva particularmente relevante.

Ao invés de apostar apenas em ações isoladas de inovação, a cidade estruturou mecanismos permanentes de governança:

  • planejamento estratégico integrado;
  • monitoramento sistemático de projetos;
  • transformação digital;
  • integração entre áreas;
  • transparência pública;
  • fortalecimento institucional;
  • legislação específica de inovação;
  • fundo municipal de inovação;
  • articulação entre governo, universidades e ecossistema local.

Essa lógica dialoga diretamente com um dos principais consensos que emergiram do evento: ecossistemas fortes não surgem apenas de investimento financeiro. Eles dependem de coordenação institucional, confiança entre atores e continuidade administrativa.

Em outras palavras: inovação não é apenas tecnologia. É capacidade de coordenação coletiva.

O próprio ambiente do evento demonstrava isso. Experiências territoriais distintas, vindas de diferentes países e realidades econômicas, frequentemente convergiam para desafios semelhantes relacionados à fragmentação institucional, dificuldade de continuidade e baixa articulação entre atores públicos e privados. Curiosamente, os casos mais sólidos apresentados não eram necessariamente os que possuíam mais recursos financeiros, mas os que demonstravam maior capacidade de alinhamento estratégico entre governo, academia, setor privado e sociedade civil.

Inteligência artificial e o novo papel do Estado

Outro eixo recorrente do 15ST Prodem foi a inteligência artificial. Diferentemente de muitos debates superficiais sobre IA, o evento trouxe uma discussão mais madura: como governos podem utilizar inteligência artificial para ampliar eficiência, alcance e capacidade operacional sem aprofundar desigualdades.

A questão central deixou de ser “usar IA” e passou a ser: como utilizar IA de forma ética, estratégica e inclusiva dentro das políticas públicas.

Essa discussão é especialmente relevante para a América Latina, região marcada por profundas desigualdades sociais e digitais.

Durante o encontro, ficou evidente que muitos governos ainda estão em estágio inicial de adoção tecnológica. Ao mesmo tempo, surgem experiências relevantes de utilização da IA para:

  • automação de processos;
  • atendimento digital;
  • análise de dados;
  • gestão documental;
  • apoio à tomada de decisão;
  • monitoramento de políticas públicas;
  • ampliação da transparência.

Nesse cenário, experiências a nível municipal tornam-se particularmente importantes porque conseguem testar soluções com maior velocidade e menor complexidade institucional.

Ao mesmo tempo, os debates evidenciaram que a inteligência artificial tende a ampliar diferenças já existentes entre governos mais organizados e estruturas públicas ainda fragilizadas. Em muitos casos, a capacidade de utilização estratégica da tecnologia depende menos da ferramenta em si e mais da maturidade institucional já existente. Afinal, tecnologias emergentes costumam potencializar aquilo que as organizações já são, inclusive suas fragilidades.

A principal lição do evento: governança importa

Talvez a maior conclusão do 15ST Prodem tenha sido a percepção de que os ecossistemas mais resilientes não são necessariamente os mais ricos, mas sim os mais coordenados.

Ao longo dos debates, ficou evidente que muitos programas fracassam não por falta de boas ideias, mas por:

  • descontinuidade política;
  • baixa articulação institucional;
  • ausência de visão estratégica;
  • fragmentação entre atores;
  • dependência excessiva de lideranças individuais.

Por outro lado, os casos mais sólidos apresentados no evento tinham algo em comum: governança estruturada. Isso apareceu em diferentes escalas: cidades, universidades, organismos multilaterais, agências de desenvolvimento e redes de inovação.

A própria estrutura do GEIAL (rede latino-americana vinculada ao Prodem) demonstra essa tentativa de criar inteligência coletiva regional para além de governos específicos.

Curiosamente, embora governança tenha sido uma das palavras mais recorrentes ao longo do encontro, ela aparecia menos como conceito teórico e mais como elemento prático de sustentação. Em praticamente todos os casos apresentados, os avanços mais consistentes estavam associados à existência de mecanismos permanentes de coordenação, planejamento e continuidade institucional. Talvez porque projetos possam nascer de entusiasmo momentâneo, mas somente estruturas organizadas conseguem atravessar o tempo.

América Latina: desafios semelhantes, soluções compartilhadas

Outro aspecto marcante do encontro foi perceber como os desafios latino-americanos são profundamente semelhantes.

Independentemente do país, surgiam problemas recorrentes:

  • burocracia;
  • baixa integração entre atores;
  • dificuldade de financiamento;
  • descontinuidade administrativa;
  • exclusão digital;
  • dificuldade de escalar políticas públicas;
  • concentração de oportunidades.

Ao mesmo tempo, o evento mostrou algo extremamente positivo: a América Latina começa a construir uma cultura mais colaborativa de compartilhamento de experiências.

O seminário não foi estruturado como uma vitrine de “cases perfeitos”. Pelo contrário. A proposta explícita do painel orientava os participantes a compartilharem também fracassos, limitações e aprendizados.

Essa maturidade talvez seja um dos sinais mais promissores para o futuro dos ecossistemas latino-americanos.

Ao longo das conversas, tornava-se perceptível que muitos países da região começam a abandonar a lógica de simples reprodução de modelos internacionais para construir soluções mais adaptadas às suas realidades econômicas, sociais e institucionais. Há uma diferença importante entre importar inovação e desenvolver capacidade própria de transformação e o evento demonstrou que essa consciência começa a amadurecer na região.

Santo Domingo como símbolo do encontro

A escolha de Santo Domingo como sede também teve significado importante.

O material oficial do evento apresentava a cidade como um ponto de encontro entre história, cultura e modernidade, destacando sua condição de primeira cidade do continente americano e sua crescente relevância regional.

O ambiente do encontro reforçou uma percepção importante: os ecossistemas de inovação não podem ser dissociados da cultura, da identidade territorial e das relações humanas.

Em muitos momentos, networking, trocas informais e conexões culturais pareciam tão relevantes quanto os próprios painéis técnicos.

Essa dimensão humana do evento talvez tenha sido um de seus aspectos mais relevantes. Em meio a discussões sobre inteligência artificial, venture capital e transformação digital, permanecia evidente que ecossistemas continuam sendo construídos, sobretudo, por relações de confiança, colaboração e capacidade de articulação entre pessoas. Nenhuma plataforma substitui completamente a construção de vínculos institucionais e humanos duradouros.

Considerações finais

O 15ST Prodem deixou uma mensagem clara: o futuro da inovação latino-americana dependerá menos de soluções importadas e mais da capacidade regional de construir modelos próprios de governança, colaboração e desenvolvimento.

A experiência de Criciúma no evento demonstra que cidades médias brasileiras podem ocupar espaço relevante nos debates internacionais quando conseguem transformar gestão pública em estratégia de longo prazo.

Mais do que representar um município brasileiro em um painel internacional, a participação no 15ST Prodem evidenciou algo maior:

a América Latina começa a compreender que inovação não é apenas criar tecnologia, é criar capacidade institucional para enfrentar desafios complexos de forma colaborativa, sustentável e humana.

E talvez essa seja a principal lição do encontro: ecossistemas fortes não são construídos apenas por startups, investimentos ou tecnologia.

São construídos por pessoas, confiança, articulação e governança.

Em um período marcado por rápidas transformações tecnológicas e instabilidade política em diferentes países da região, o encontro deixou evidente que a capacidade de construir futuro dependerá, cada vez mais, da habilidade dos territórios em combinar inovação com continuidade, tecnologia com estratégia e desenvolvimento econômico com fortalecimento institucional. Porque, no fim, cidades e ecossistemas não se transformam apenas quando adotam novas ferramentas, mas quando conseguem criar visão coletiva de longo prazo.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC.

PF abre inquérito para investigar alerta falso da Defesa Civil após possível ataque hacker

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PF abre inquérito para investigar alerta falso da Defesa Civil após possível ataque hacker
Foto: Divulgação/Polícia Federal

Milhões de brasileiros receberam mensagem sonora, em diferentes unidades da Federação, devido aos 10 disparos de aviso distintos

A PF (Polícia Federal) abriu um inquérito, nesta segunda-feira (22), para investigar a invasão ao sistema nacional de notificações de desastres da Defesa Civil, entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20).

Na manhã seguinte ao possível ataque cibernético, o órgão vinculado ao MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional) anunciou que acionaria a PF. Horas depois, a corporação abriu um procedimento preliminar de investigação do caso.

As autoridades acreditam que o disparo das notificações de “alerta extremo” tenha sido fruto de um ataque coordenado de crackers — cibercriminosos comumente chamados de “hackers”. A Defesa Civil Nacional detalhou que milhões de brasileiros receberam as mensagens, devido ao envio de nove alertas distintos pelo sistema Cell Broadcast, de avisos emergenciais do órgão, e de um SMS.

No caso de alertas extremos, os aparelhos que recebem o aviso emitem um alerta sonoro, devido a situações de risco iminente. O primeiro sinal disparou no Paraná, mas houve registro de ocorrência semelhantes em São Paulo, no Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal

O que é misantropia

As mensagens de aviso incluíram um alerta com a palavra “misantropia” ou variações dela. O termo remete a “aversão, desprezo ou ódio à humanidade”. Com base nisso, a Secretaria de Justiça e Cidadania do Paraná emitiu uma nota, a qual sugere que os responsáveis pelo ato sejam penalizados com base na Lei Antiterrorismo do Brasil.

O órgão justifica que pode ter havido uma “finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo a paz pública ou a incolumidade pública”. “A mensagem disparada foi do tipo ‘alerta extremo’ e continha a palavra ‘misantropia’, que significa ódio à humanidade, conduta que se enquadra, em tese, à prática do tipo penal”, argumentou a secretaria.

A pasta destacou, ainda, o “impacto negativo causado no Paraná”; que a investigação cabe à Polícia Federal e à Justiça Federal; e que “aguarda com a certeza de que todas as medidas legalmente cabíveis serão tomadas”.

Posicionamento do MIDR

Após o caso, o governo federal divulgou um comunicado sobre o ocorrido e informou que desativaria o sistema Defesa Civil Alerta, sem data prevista para reativação dele.

“A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar à 1h30 deste sábado (20/6), após sofrer uma invasão e disparar um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.

A mensagem disparada foi do tipo ‘alerta extremo’ e continha a palavra ‘misantropia’ — que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um ataque hacker.

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas.”

Fonte: R7

Petrobras assina protocolo com BNDES e deve entrar em minerais críticos

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Com Foz do Amazonas, valor da Petrobras pode ir a R$ 811 bi até fim do ano
Foto: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo

Acordo para parceria entre estatal e banco foi assinado durante evento nesta segunda (22) e permitirá a troca de informações e realização de análises para a construção das iniciativas

A Petrobras assinou nesta segunda-feira (22) um protocolo de intenções para uma iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligada a minerais críticos e estratégicos.

O acordo foi firmado pela estatal junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e prevê a troca de informações e realização de análises das principais lacunas de capacidade produtiva ou tecnológica, além de projetos e iniciativas em execução e/ou em fase de desenvolvimento.

A assinatura ocorreu durante a celebração de aniversário de 74 anos do Banco, durante evento com a participação do presidente Lula, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Novas iniciativas que contribuam para o desenvolvimento das cadeias de transição energética e de óleo e gás também estão dentro do acordo.

Segundo Mercadante, o acordo foi firmado junto com o Cenpes, unidade do Centro de Pesquisas da Petrobras responsável pela pesquisa e desenvolvimento e engenharia básica da empresa, e há a intenção de estender a parceria com a Vale, mirando o estudo dos minerais críticos.

“Nós queremos também estender isso depois de uma parceria com a Vale, para estudar minerais críticos”, disse.

Segundo ele, a iniciativa mira a geração de valor no Brasil a partir dessas cadeias.

O Brasil possui a terceira maior produção mundial de alumina (um tipo de mineral crítico), além da quarta maior reserva de estanho, a segunda maior reserva de grafite natural, estando entre os cinco maiores produtores de lítio do planeta, e detendo a quarta maior reserva de manganês e a terceira maior reserva de níquel.

Fonte: CNN Brasil

Muito Além da Tecnologia: como o Ecossistema Cidade CSC está redefinindo o futuro das cidades brasileiras

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Contagem regressiva Cidade CSC: confira tudo que você encontrará no evento
Foto: Divulgação

Reunindo iniciativas como o Connected Smart Cities, o GovTech e o Parque da Mobilidade Urbana, o Cidade CSC promove uma visão integrada do desenvolvimento urbano, mostrando que cidades inteligentes são construídas com inovação, governança, sustentabilidade e participação social – e não apenas com tecnologia.

A discussão sobre cidades inteligentes costuma ser associada, de forma quase automática, à tecnologia. Sensores espalhados pelas ruas, aplicativos de serviços públicos, inteligência artificial e plataformas digitais frequentemente ocupam o centro do debate. No entanto, a transformação urbana que está em curso vai muito além da adoção de novas ferramentas tecnológicas. Ela envolve governança, participação social, educação, sustentabilidade, planejamento e a construção de redes de colaboração capazes de responder aos desafios complexos das cidades contemporâneas.

É justamente essa visão ampliada que orienta o trabalho do ecossistema Cidade CSC, uma das principais plataformas de discussão e articulação sobre desenvolvimento urbano no Brasil. Mais do que um evento, o Cidade CSC se consolidou como um ambiente permanente de conexão entre gestores públicos, empresas, universidades, organizações da sociedade civil, investidores e especialistas que atuam na construção de cidades mais inteligentes, humanas e sustentáveis. Seu propósito é criar espaços de diálogo, compartilhamento de experiências e desenvolvimento de soluções capazes de gerar impacto real nos territórios.

Leia mais: Cidade CSC 2026 será realizado em novembro para ampliar o debate com os novos governos eleitos

A proposta rompe com uma visão limitada que reduz a inteligência urbana à simples digitalização de serviços. Em um momento em que a tecnologia se torna cada vez mais presente na gestão pública, cresce também a necessidade de compreender seus impactos políticos, sociais e éticos. Afinal, a infraestrutura que molda a vida urbana já não é composta apenas por ruas, pontes ou edifícios, mas também por sistemas digitais, bancos de dados e algoritmos que influenciam decisões sobre mobilidade, habitação, segurança, saúde e educação.

Nesse contexto, a digitalização pode ser entendida como uma nova forma de urbanização. Se, no passado, o crescimento das cidades era marcado pela expansão física de avenidas, bairros e equipamentos públicos, hoje a expansão ocorre também em camadas invisíveis de informação. O código passa a desempenhar um papel semelhante ao do concreto, organizando fluxos, definindo prioridades e orientando investimentos. A gestão urbana torna-se cada vez mais dependente da capacidade de produzir, interpretar e utilizar dados.

Essa transformação traz oportunidades significativas. O uso inteligente de informações pode melhorar serviços públicos, ampliar a eficiência administrativa e contribuir para decisões mais precisas. Porém, também levanta questões importantes. Quando decisões passam a ser mediadas por sistemas automatizados, o poder deixa de estar exclusivamente nas mãos dos agentes públicos que atuam diretamente com a população e passa a ser compartilhado com aqueles que projetam, programam e controlam as tecnologias utilizadas. O risco é que a lógica técnica seja tratada como neutra, quando, na realidade, toda tecnologia incorpora escolhas, prioridades e visões de mundo.

Leia mais: Cidade CSC 2026 é lançado após edição histórica que reuniu mais de 7 mil participantes e projetou R$1,2 bilhão em investimentos para as cidades brasileiras

É por isso que o debate sobre cidades inteligentes precisa necessariamente incluir temas como transparência, ética digital e governança de dados. Não basta perguntar quais tecnologias estão sendo implementadas, mas também quem as desenvolve, quem controla os dados produzidos e quais interesses orientam sua utilização. Em uma cidade verdadeiramente inteligente, a inovação não pode servir apenas à eficiência administrativa ou à atração de investimentos; ela deve fortalecer direitos, ampliar a participação cidadã e promover inclusão.

O Cidade CSC tem buscado justamente estimular essa reflexão ao reunir diferentes atores do ecossistema urbano em torno de agendas que vão além da tecnologia. A plataforma integra iniciativas voltadas à produção de conhecimento, capacitação de lideranças, reconhecimento de boas práticas, desenvolvimento de indicadores e promoção de encontros estratégicos. Entre suas frentes de atuação estão o evento nacional Cidade CSC, o Ranking Connected Smart Cities, Encontros Regionais, Selos e Prêmios e canais permanentes de produção de conteúdo sobre inovação urbana.

Dentro desse ecossistema estão algumas das principais iniciativas nacionais dedicadas à inovação urbana. O Cidade CSC engloba o Connected Smart Cities, referência nacional na discussão sobre cidades inteligentes e desenvolvimento urbano sustentável; o GovTech, voltado à transformação digital dos governos e à aproximação entre setor público e soluções tecnológicas inovadoras; e o Parque da Mobilidade Urbana, espaço dedicado ao debate sobre mobilidade, acessibilidade, transporte e qualidade de vida nas cidades. Juntas, essas plataformas promovem encontros, pesquisas, conteúdos, capacitações e conexões estratégicas que fortalecem o ecossistema urbano brasileiro.

Leia mais: Diálogos sobre o futuro das cidades: a inteligência além da tecnologia

Essa atuação reforça a compreensão de que cidades inteligentes não são construídas apenas com softwares ou equipamentos de última geração, mas por meio de ecossistemas colaborativos. São as conexões entre governos, universidades, empresas, empreendedores, movimentos sociais e cidadãos que tornam possível transformar conhecimento em soluções concretas para problemas urbanos. A inteligência de uma cidade não está apenas na tecnologia que utiliza, mas na sua capacidade de articular diferentes saberes e interesses em favor do bem comum.

O próprio crescimento do Cidade CSC reflete essa visão. Ao longo dos últimos anos, a plataforma consolidou-se como um dos principais espaços de articulação da agenda urbana brasileira, reunindo milhares de participantes e centenas de cidades em discussões sobre inovação, sustentabilidade, mobilidade, governança e transformação digital. O foco não está apenas em apresentar soluções tecnológicas, mas em construir pontes entre aqueles que planejam, financiam, executam e vivenciam as políticas públicas diariamente.

Diante de um cenário em que algoritmos influenciam decisões públicas, dados se tornam ativos estratégicos e a digitalização redefine a forma como as cidades funcionam, a pergunta central deixa de ser quais tecnologias serão adotadas. A questão mais importante passa a ser quem participa das decisões sobre o futuro urbano e quais valores orientam essa transformação. Nesse sentido, o debate promovido pelo Cidade CSC aponta para uma conclusão fundamental: falar sobre cidades inteligentes não é falar apenas sobre tecnologia. É falar sobre pessoas, governança, democracia, sustentabilidade e sobre a capacidade coletiva de construir cidades que utilizem a inovação como ferramenta para ampliar direitos e melhorar a vida de quem nelas habita.

Saiba mais sobre o Cidade CSC, clique aqui. 

A inteligência artificial vai criar mais empregos, e não menos, afirma Jeff Bezos

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Cidade Mais Inteligente do Mundo e líder em qualidade de vida entre as capitais: a metrópole com quase 70 m² de área verde por morador
Foto: wahyu_t

Para ele, a tecnologia reduzirá barreiras que hoje limitam a produtividade humana, criando novas demandas e mais empregos

Há meses, alarmistas vêm alertando para o “fim dos tempos” da IA e para como ela poderia, eventualmente, deixar grandes parcelas da força de trabalho desempregadas, enquanto o restante passaria a gerenciar funcionários virtuais. Mas, para Jeff Bezos, esses temores são exagerados e, em vez disso, a IA trará ainda mais empregos do que pessoas disponíveis para ocupá-los.

Falando durante a VivaTech, conferência anual de tecnologia realizada em Paris, o fundador da Amazon e quarta pessoa mais rica do mundo apresentou uma visão otimista sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho — uma tese que vem defendendo há semanas.

“Eu sei que há muita preocupação de muitas pessoas, inclusive de pessoas muito inteligentes, de que a IA tornará os seres humanos desnecessários”, disse Bezos em conversa com David Limp, CEO da Blue Origin. “Discordo totalmente desse ponto de vista. E acho que, na verdade, a IA vai criar uma escassez de mão de obra.”

Não foi a primeira vez que ele apresentou esse argumento. Em uma entrevista à CNBC em maio, Bezos usou a metáfora da “escavadeira versus a pá” para defender que a IA elevará a produtividade dos trabalhadores em vez de substituí-los; previu deflação impulsionada por ganhos de produtividade; e descartou especificamente os temores de substituição de profissionais qualificados, como radiologistas e engenheiros de software. Na ocasião, ele chamou o fenômeno de “escassez de mão de obra”.

Os seres humanos têm uma quantidade “infinita” de coisas que desejam fazer, disse Bezos durante a conferência, e atualmente são limitados apenas por barreiras que a IA ajudará a reduzir. Ao eliminar essas restrições, argumentou, a demanda por esforço humano só tende a aumentar.

As declarações o colocam em desacordo com uma parcela significativa dos americanos, incluindo algumas das vozes mais influentes do próprio setor de tecnologia. Uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada neste mês constatou que metade dos entrevistados nos Estados Unidos teme que o avanço da IA possa deixar eles próprios ou alguém de sua família sem trabalho.

Em fevereiro, um diretor do Federal Reserve alertou que um “boom de desemprego”, que deixaria trabalhadores “praticamente sem condições de conseguir emprego”, era “totalmente possível”.

Até mesmo líderes de grandes empresas de IA, como Dario Amodei, CEO da Anthropic, já previram que a IA poderia causar uma disrupção “extraordinariamente dolorosa” em ocupações de escritório.

No entanto, tanto ele quanto Sam Altman, da OpenAI, desde então amenizaram essas previsões às vésperas das megaberturas de capital de suas empresas.

Os comentários de Bezos também acontecem em um momento particularmente difícil para o setor. As demissões em tecnologia até maio de 2026 já ultrapassaram 115 mil vagas, aproximando-se do total registrado em todo o ano de 2025.

Meta, Amazon e Snap estão entre as empresas que apontaram a IA como um dos fatores por trás dos cortes.

O Goldman Sachs estimou que a IA está eliminando cerca de 16 mil empregos por mês nos Estados Unidos, com trabalhadores iniciantes e da geração Z sofrendo o maior impacto.

Uma pesquisa com diretores financeiros indicou que as demissões relacionadas à IA podem ser nove vezes maiores em 2026 do que no ano passado.

Bezos, por sua vez, concentra-se no argumento de que as revoluções industriais do passado sempre criaram mais empregos do que destruíram, embora não tenha abordado diretamente os dados sobre como as demissões estão afetando o setor.

Prometheus

A participação de Bezos no palco da VivaTech também lhe deu a oportunidade de falar sobre a Prometheus, startup de IA que ele cofundou em novembro de 2025 ao lado de Vik Bajaj, ex-cientista do Google X.

A empresa, que captou US$ 12 bilhões com uma avaliação de mercado de aproximadamente US$ 41 bilhões — tornando-se uma das maiores captações da história para uma startup de IA em estágio inicial — atua na interseção entre inteligência artificial e aquilo que chama de “economia física”.

Seu foco está em engenharia e manufatura, nos setores aeroespacial, automotivo e de desenvolvimento de medicamentos.

Em outra entrevista à CNBC, Bezos descreveu a empresa como criadora de algo próximo a um “engenheiro geral artificial” — uma ferramenta de design de próxima geração capaz de modelar, prever e otimizar a criação de objetos físicos, de motores a jato a produtos farmacêuticos. Ele a definiu como “uma versão muito, muito moderna do CAD”.

Bezos também fez questão de corrigir equívocos sobre o que a Prometheus realmente faz. Na mesma entrevista à CNBC, interrompeu uma pergunta que descrevia a startup como uma iniciativa de “robótica com IA”.

“Não temos nada a ver com robótica”, afirmou.

A exploração espacial, disse Bezos, tem como objetivo salvar a Terra. Se os custos de lançamento caírem o suficiente, matérias-primas poderão ser obtidas de asteroides, da Lua e de objetos próximos à Terra — uma questão particularmente relevante em um momento em que a corrida por minerais de terras raras atinge níveis recordes, acompanhada por tensões geopolíticas e escassez real.

Recentemente, a McKinsey previu um déficit de 30% nos minerais magnéticos de terras raras até 2035. Ir para o espaço, segundo Bezos, também ajudaria a humanidade ao transferir para fora do planeta as indústrias mais poluentes.

“Se as viagens espaciais se tornarem suficientemente confiáveis e baratas, e conseguirmos obter materiais de asteroides, de objetos próximos à Terra e da Lua, então este planeta-jardim poderá retornar ao estado em que estava antes da Revolução Industrial”, disse Bezos.

Limp, da Blue Origin, que participou do evento ao lado de Bezos na VivaTech, apresentou a primeira atualização pública sobre a recuperação da empresa após a explosão ocorrida em maio na plataforma de lançamento do foguete New Glenn, em Cabo Canaveral, na Flórida. A reconstrução da plataforma já começou, confirmou Limp, embora nenhum cronograma para novos lançamentos tenha sido divulgado.

2026 Fortune Media IP Limited

Fonte: InfoMoney

Incentivos à frota e obras ajudam, mas mobilidade exige planejamento

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Incentivos à frota e obras ajudam, mas mobilidade exige planejamento
Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

O aumento constante no número de veículos em circulação anda mais rápido que iniciativas do poder público para garantir fluidez

Mobilidade urbana é o tipo de política pública que exige decisões em diferentes frentes como infraestrutura, serviços de transporte, logística urbana e estímulos econômicos.
É nessa perspectiva que a decisão do governo do Estado de conceder isenção de ICMS para motoristas de aplicativo faz todo sentido.

Ao reduzir custos para uma categoria que hoje exerce papel primordial no deslocamento urbano, o governo estimula a modernização da frota, que verdade seja dita, de modo geral é bastante precária.

A medida também possibilita a aquisição de tecnologias mais eficientes em termos de emissão de poluentes, já que os decretos envolvem veículos elétricos e híbridos.

Por outro lado, não é de hoje que o morador da Grande Vitória tem percebido uma piora substancial no trânsito. O aumento constante no número de veículos em circulação anda mais rápido que iniciativas do poder público para reduzir congestionamentos e garantir fluidez. Há, claramente, um descompasso.

Atualmente, existem sim algumas frentes em andamento, como o corredor metropolitano de ônibus em Vila Velha, a ampliação da Rodovia do Sol, o Mergulhão de Camburi e o contorno de São Domingos, na Serra.

Na semana passada, o governo do Espírito Santo assinou a ordem de serviço para as obras de ampliação da Segunda Ponte, que ganhará uma quinta faixa de circulação. A entrega está prevista para dezembro.

É fato que obras geram transtornos e, em um primeiro momento, aumentam a pressão sobre o trânsito. Mas mobilidade urbana não se constrói sem intervenção.

O ponto central é garantir que essas intervenções venham acompanhadas de planejamento, celeridade e comunicação clara com a população.

Quando os ganhos permanentes são maiores que os transtornos temporários, o caminho deve ser avançar. Mas avançar com transparência, coordenação e visão de futuro.

Fonte: Folha de Vitória

De Seul para Niterói: inovação, dados e cooperação internacional para construir cidades mais inteligentes e seguras

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De Seul para Niterói: inovação, dados e cooperação internacional para construir cidades mais inteligentes e seguras
Foto: Enviada por Felipe Peixoto

Como a cooperação entre Niterói e Seul fortalece a governança inteligente por meio da tecnologia, integração de dados e inovação na gestão urbana.

Recentemente tive a oportunidade de representar a Prefeitura de Niterói em uma missão técnica na Coreia do Sul, participando de uma agenda de cooperação internacional com a Prefeitura Metropolitana de Seul, uma das cidades mais inovadoras e tecnologicamente avançadas do mundo. A visita integrou o Seoul ODA Challenge Program 2025, iniciativa desenvolvida pelo Governo Metropolitano de Seul em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), voltada ao fortalecimento de políticas públicas urbanas por meio da inovação, da tecnologia e da gestão baseada em evidências.

A participação de Niterói nesse programa representa um reconhecimento internacional da capacidade da cidade de desenvolver soluções inovadoras para os desafios urbanos contemporâneos. Dentre as propostas apresentadas ao programa, o projeto de Niterói foi selecionado como um dos três a serem implementados em 2025, consolidando a cidade como referência em governança inteligente e segurança urbana na América Latina.

Durante a missão, conheci centros integrados de operações e segurança pública que se destacam pela capacidade de reunir informações em tempo real, integrar diferentes órgãos governamentais e utilizar inteligência de dados para apoiar decisões rápidas e eficientes. Essas experiências servirão de inspiração para o desenvolvimento do novo Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) de Niterói, ampliando sua capacidade de monitoramento, análise preditiva e resposta às demandas da população.

A cooperação firmada entre Niterói e Seul prevê apoio técnico para o desenvolvimento de uma plataforma integrada de dados voltada ao planejamento de políticas de segurança urbana. Mais do que uma ferramenta tecnológica, é uma nova forma de governar, baseada na integração das informações, na análise de indicadores e na capacidade de antecipar problemas antes que eles ocorram.

Outro detalhe relevante da parceria é a aplicação da metodologia CPTED (Crime Prevention Through Environmental Design), conceito internacionalmente reconhecido que utiliza o desenho urbano e o planejamento dos espaços públicos como instrumentos de prevenção à violência. A proposta parte do princípio de que ruas mais iluminadas, espaços públicos mais ocupados, áreas de convivência bem planejadas e ambientes urbanos mais acolhedores contribuem diretamente para aumentar a sensação de segurança e reduzir oportunidades para a prática de crimes.

Essa ação reforça uma tendência global cada vez mais presente nas cidades inteligentes: a integração entre tecnologia, urbanismo, mobilidade, meio ambiente e participação cidadã. Os desafios urbanos atuais não podem mais ser enfrentados de forma isolada. Segurança, mobilidade, sustentabilidade, saúde, energia e desenvolvimento econômico estão profundamente conectados e exigem políticas públicas integradas.

Niterói já vem avançando nessa direção ao investir em transformação digital, inteligência geoespacial, mobilidade sustentável, plataformas de serviços digitais e gestão orientada por dados. A experiência de Seul demonstra que o próximo passo é ampliar ainda mais a capacidade de integrar essas informações em uma visão única da cidade, permitindo que gestores públicos tomem decisões mais rápidas, precisas e eficientes.

Além dos avanços na segurança urbana, a missão também permitiu observar tendências relacionadas à mobilidade inteligente, ao uso de tecnologias para gestão do trânsito, à digitalização dos serviços públicos e à utilização de dados para planejamento urbano. São iniciativas que dialogam diretamente com os projetos que Niterói vem desenvolvendo para consolidar seu posicionamento como uma das cidades mais inteligentes do Brasil.

O futuro das cidades passa pela capacidade de transformar dados em conhecimento e conhecimento em políticas públicas capazes de melhorar a vida das pessoas. A parceria com Seul abre novas oportunidades para que Niterói continue sendo referência nacional em inovação urbana, governança inteligente e desenvolvimento sustentável.

Essa experiência reafirma a certeza de que cidades inteligentes não são aquelas que possuem mais tecnologia, mas aquelas que utilizam a tecnologia para servir melhor às pessoas, promover inclusão, aumentar a segurança, qualificar a mobilidade e construir um futuro mais sustentável para todos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC. 

Florianópolis: CASAN inicia implantação de rede de esgoto em alça da SC-401

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Florianópolis: CASAN inicia implantação de rede de esgoto em alça da SC-401
Foto: Acervo CASAN

A CASAN (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) prossegue na próxima semana obras de assentamento de rede coletora de esgoto na alça paralela à Rodovia José Carlos Daux (SC-401), no Bairro João Paulo, em Florianópolis.

A estimativa para conclusão do trecho é para final de agosto, com possibilidade de alteração do cronograma conforme as condições do solo e do clima.

As intervenções acontecem no trecho entre a sede do Sebrae, n°600, e a Vila Ivan Matos, na altura do n°821. O trânsito terá alteração com circulação em meia pista, em sistema pare e siga. A interdição acontece entre 7h e 18h, e não afeta o trânsito na Rodovia SC-401.

A Companhia segue trabalhando na implantação de infraestrutura de coleta de esgoto em outros locais da Rodovia SC-401, com frentes de serviço nas alças próximas à sede do Conselho Regional de Medicina (CRM), n°3890, do Senai/Centro de Tecnologia em Automação e Informática (CTAI), n°3730, e na descida das madeireiras, n° 126. Nesses locais não há alteração no trânsito, entretanto é importante que os pedestres estejam atentos à sinalização e respeitem a passagem indicada para garantia da segurança.

No Bairro Cacupé, as obras acontecem em dois pontos da Estrada Haroldo Soares, próximos à altura dos n°683 e nº 1429. Nos dois locais há alteração no tráfego com interdição de faixa e circulação em meia pista por sistema pare e siga.

Trecho concluído

A Companhia informa também que as obras no trecho de acesso à Rodovia SC-401 pela Rodovia João Paulo, em ponto próximo ao elevado que liga os bairros João Paulo e Itacorubi, foram concluídas na quarta-feira (17). Com a conclusão das obras, o trânsito no local foi normalizado.

Ligações à rede não estão autorizadas

A CASAN reforça que as ligações domiciliares ao Sistema de Esgotamento na região ainda não estão autorizadas. O proprietário da residência deverá esperar a autorização nas faturas e plataformas de comunicação da Companhia. As ligações domiciliares feitas antes da conclusão do sistema podem gerar retorno do esgoto para o imóvel e extravasamento em vias públicas, causando prejuízo ao meio ambiente e à saúde pública.

Dúvidas e informações

A CASAN disponibiliza o contato do programa socioambiental para informações e esclarecimentos através do número de Whatsapp (48) 991545691.

A implantação do sistema de esgotamento sanitário na região integra o conjunto de investimentos estratégicos da CASAN para a ampliação da cobertura de saneamento e a melhoria da qualidade ambiental na Grande Florianópolis, contando com recursos da ordem de R$196 milhões, viabilizados por meio de financiamento junto à Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). O sistema de esgotamento sanitário em implantação vai beneficiar cerca de 33 mil moradores dos bairros João Paulo, Monte Verde, Saco Grande, Cacupé, Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui.

Fonte: CASAN

Brasil precisa investir R$ 420 bilhões para universalizar saneamento até 2033, diz CNI

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Brasil precisa investir R$ 420 bilhões para universalizar saneamento até 2033, diz CNI
Foto: Perfil Engenharia

Documento entregue aos pré-candidatos à Presidência defende mais investimentos, segurança jurídica e ampliação das parcerias para levar água tratada e coleta de esgoto à população

O Brasil tem sete anos para universalizar o saneamento básico e precisará acelerar o ritmo dos investimentos para cumprir as metas previstas no Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020). O tema integra a agenda de propostas elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o próximo ciclo de governo. Entre os desafios apontados pela instituição está a necessidade de investir R$ 420 bilhões até 2033 para ampliar o acesso à água potável e aos serviços de coleta e tratamento de esgoto no país.

Embora o novo marco regulatório tenha impulsionado os investimentos nos últimos anos, o déficit de infraestrutura ainda é elevado. Desde a atualização da legislação, em 2020, foram realizados 64 leilões que abrangem 1.734 municípios e somam mais de R$ 370 bilhões em investimentos contratados. Ainda assim, a CNI alerta que 43% dos brasileiros ainda vivem sem coleta de esgoto e 16% sem água potável.

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, alerta que ampliar o acesso ao saneamento é uma medida imprescindível, que levará benefícios sociais e econômicos. “Água tratada e coleta de esgoto estão diretamente ligadas à saúde, dignidade e à qualidade de vida das pessoas. Quando esses serviços não chegam, aumentam os riscos de doenças, gastos públicos e desigualdades. Por outro lado, a expansão dos serviços de saneamento básico contribui para o desenvolvimento das cidades e para o crescimento econômico”, explica o diretor.

Fonte: itb 2024/ Agência de Notícias da Indústria

Norte e Nordeste concentram os maiores déficits

O desafio é ainda maior quando observadas as diferenças regionais. Enquanto o Sudeste já registra cobertura de 92,1% no abastecimento de água e de 80,8% no esgotamento sanitário, o Norte apresenta índices de apenas 62,8% e 16,6%, respectivamente. No Nordeste, a cobertura de esgoto alcança 31,7%, pouco menos da metade da média nacional.

A desigualdade também aparece na definição de metas para a expansão dos serviços. Estimativas da CNI apontam que mais de mil municípios ainda não têm metas para abastecimento de água, o que afeta cerca de 12% da população. No caso do tratamento e coleta de esgoto, 1.421 municípios permanecem sem metas contratualizadas, representando aproximadamente 15% dos brasileiros.

Perdas de água continuam entre os principais gargalos

Além de ampliar a cobertura dos serviços, o país precisa avançar na eficiência dos sistemas já existentes. Segundo a CNI, um dos principais desafios do setor é reduzir as perdas de água na distribuição, problema que diminui a disponibilidade hídrica, eleva os custos operacionais e dificulta a expansão do atendimento à população.

Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) mostram que, em 2024, as perdas chegaram a 39,5%, em média. Embora o índice represente uma melhora em relação a 2020, quando era de aproximadamente 40,9%, a redução ainda ocorre em ritmo considerado lento.

Na região Norte, por exemplo, as perdas se aproximam de 50%, seguida pelo Nordeste, com 46,7%, e pelo Sudeste, com 37,6%. O cenário reforça a necessidade de investimentos voltados à modernização e ao aumento da eficiência dos sistemas.

Fonte: Trata Brasil/ Agência de Notícias da Indústria

Segurança jurídica e investimentos serão decisivos para cumprir as metas

Para a CNI, alcançar a universalização do saneamento até 2033 dependerá não apenas da disponibilidade de recursos. A instituição defende o aprimoramento dos modelos de concessão e das parcerias público-privadas (PPPs), ampliação dos investimentos em municípios com maior déficit de cobertura, redução das perdas de água, fortalecimento da segurança regulatória e integração do saneamento às estratégias de adaptação climática e gestão de riscos urbanos.

“É preciso criar um ambiente favorável aos investimentos, com segurança jurídica e regulatória, bons projetos e mecanismos capazes de ampliar a participação privada no setor”, avalia Roberto Muniz.

Fonte: Agência de Notícias da Indústria

Ministério usa tecnologia japonesa para prevenção de desastres

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Repasse de R$ 4,5 milhões para ajudar cinco cidades afetadas por desastres
Foto: Prefeitura de Nova Friburgo

Barreira SABO vai proteger moradores de Nova Friburgo

Rio de Janeiro (RJ) – Um grande marco para a prevenção de desastres na região serrana do Rio de Janeiro, já está em andamento em Nova Friburgo. Trata-se das obras da primeira Barreira SABO do Brasil, que já começaram.  A estrutura será implantada no bairro Duas Pedras, nas proximidades do Hospital São Lucas, e utiliza tecnologia japonesa voltada à retenção de detritos, sedimentos e blocos transportados em eventos de chuva extrema, reduzindo o risco de desastres e protegendo a população. 

A obra integra a seleção do Novo PAC, no eixo de Prevenção a Desastres – Contenção de Encostas, com repasse de R$ 16 milhões do Ministério das Cidades, pela Secretaria Nacional de Periferias. O Ministério das Cidades, tendo como parceiro o Governo do Estado do Rio de Janeiro, realiza a execução, monitoramento e gestão da obra. 

Gestão compartilhada com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que em parceria com a Agência de Cooperação do Japão (JICA) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) elaboraram os projetos de engenharia.  Defesa Civil e prefeitura de Nova Friburgo também atuam na obra. 

Rodolfo Moura, diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco da Secretaria Nacional de Periferias destaca a importância da obra. “A implementação da barreira é um marco tecnológico, de infraestrutura, mas, principalmente, de segurança e proteção das famílias. Um avanço na discussão da redução de risco de desastre, selando a parceria Brasil-Japão com uma tecnologia muito bem aplicada e respaldada e o início da aplicação dessa tecnologia também no Brasil, pois atende ao movimento de massa específico que é o fluxo de detritos que presente na região serrana”, pontuou.   

Nova Friburgo é a cidade pioneira na implantação dessa tecnologia e estrutura de proteção. Além dela, outra barreira SABO, também incluída na estratégia de prevenção de desastres com apoio técnico de consultores japoneses, será construída com recursos do Novo PAC Contenção de Encostas em Teresópolis (RJ). 

Fonte: Ministério das Cidades