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Comissão aprova diretriz de mobilidade urbana para profissionais da educação básica e superior

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Comissão aprova diretriz de mobilidade urbana para profissionais da educação básica e superior
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasi

O projeto continua em análise na Câmara dos Deputados

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que altera a Política Nacional de Mobilidade Urbana para incluir a promoção da mobilidade dos profissionais da educação básica e superior como uma diretriz federal. O objetivo é reduzir os custos com transporte para a categoria.

O relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), apresentou uma nova versão (substitutivo) para o Projeto de Lei 5770/25, que foi acolhida pela comissão. O projeto inicial é do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ).

O texto aprovado transforma a gratuidade – que, pelo projeto original seria obrigatória em todo o país – em uma possibilidade a ser implementada por estados e municípios. O substitutivo permite que os governos locais decidam sobre a concessão de subsídios, descontos ou gratuidades de acordo com a realidade financeira de cada região.

“A imposição, por lei federal, de gratuidade no transporte público coletivo urbano e intermunicipal implica interferência na organização e na política tarifária de serviços públicos que competem aos municípios e aos estados”, explicou Ricardo Ayres. Ele disse ainda que a medida original, sem uma fonte de financiamento clara, poderia gerar pressão tarifária sobre os demais usuários.

Apesar dos ajustes, Ayres defendeu a intenção da proposta. “O projeto reconhece o impacto direto dos custos de deslocamento sobre a qualidade de vida e as condições de trabalho dos profissionais da educação básica e superior.”

O texto aprovado estabelece também que a União poderá oferecer apoio técnico e financeiro para auxiliar os entes federativos na execução das políticas de mobilidade para os professores.

Próximos passos
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pelas comissões de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Agência Câmara de Notícias

China lança plano de 5 anos para incorporar IA como competência de ensino em todas as escolas do país

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As preocupações que levaram a OpenAI, do ChatGPT, a abandonar lançamento de novo sistema de IA
Foto: Qilai Shen/Bloomberg

Estudantes de todos os níveis de educação precisarão ter habilidades em inteligência artificial

A China anunciou plano oficial para integrar a inteligência artificial em todos os níveis de ensino, alinhando seu sistema educacional à estratégia do presidente Xi Jinping de tornar o país líder em tecnologias avançadas.

O Conselho de Estado divulgou nesta segunda-feira um plano de cinco anos que prevê transformar a IA em uma competência essencial para todos os estudantes, reforçando um apelo anterior de Xi para formar talentos de alta tecnologia, enquanto a segunda maior economia do mundo busca novos motores de crescimento.

O plano determina que sejam adotadas medidas para “promover a educação em inteligência artificial em todas as etapas da formação, aprimorar a alfabetização em IA dos estudantes e fortalecer sua capacidade de identificar e resolver problemas”. O gabinete chinês também orienta as autoridades regionais a implementar a política.

O incentivo ao ensino de IA faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para conquistar vantagem em tecnologias de ponta. Pequim tem dado atenção especial ao desenvolvimento de empresas nacionais capazes de enfrentar o endurecimento das restrições impostas por países ocidentais à exportação de hardware avançado.

Ao mesmo tempo, as autoridades tentam equilibrar os ganhos de produtividade proporcionados pela adoção da IA com a estabilidade do mercado de trabalho, em um cenário de fragilidade econômica e elevado desemprego entre os jovens. Anteriormente, o Ministério da Educação havia orientado universidades a oferecer treinamento em inteligência artificial para aumentar as chances de empregabilidade dos estudantes.

Em diversos casos recentes, tribunais chineses decidiram que empresas não podem demitir funcionários apenas para substituí-los por sistemas de inteligência artificial, evidenciando o esforço de Pequim para proteger empregos enquanto busca competir com os Estados Unidos.

Fonte: O Globo

Não foi só a cidade que mudou: entre permanências e metamorfoses em São Paulo

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Não foi só a cidade que mudou: entre permanências e metamorfoses em São Paulo
Centro histórico de São Paulo. Foto: Getty Images

Ao NEV-USP e ao professor Sergio Adorno, pela construção de um espaço onde a reflexão crítica sobre a cidade e a violência permaneceu possível.

“A educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma auto-reflexão crítica.”— Theodor Adorno, Educação após Auschwitz

A ideia de que a vida é feita de ciclos tornou-se um lugar-comum. Mais raro, porém, é reconhecer os marcos que estruturam uma experiência e compreender aquilo que eles revelam.

Olhar para trás, nesse sentido, exige mais do que nostalgia. Mais do que idealizar retrospectivamente um período, ou reduzi-lo a algo meramente acadêmico, importa identificar continuidades e rupturas, atribuir sentido aos caminhos e às escolhas construídas no cotidiano.

É desse ponto que escrevo: da conclusão de um ciclo profissional no Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), no âmbito de seu Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID). Um percurso atravessado por desafios, mas também por experiências que ampliaram minhas possibilidades de compreensão.

Ao narrar essa trajetória, procuro compreender permanências e metamorfoses da cidade: seus ritmos, suas reconfigurações, mas também desigualdades, vulnerabilidades e arranjos sociais que persistem e se reorganizam. Não se trata apenas de um marco biográfico, mas de compreender como a experiência urbana é continuamente redefinida.

Sou filho da periferia. Cresci em uma cidade marcada por mudanças aceleradas e vulnerabilidades persistentes. Durante muito tempo, essas experiências não eram mediadas por análises ou indicadores — impunham-se diretamente nos trajetos cotidianos, nos medos e expectativas distribuídos de forma desigual.

Quando iniciei minha atuação no NEV-USP, a cidade deixou de ser apenas experiência vivida e passou a exigir novas formas de interpretação. São Paulo atravessava um período de intensa instabilidade. Rebeliões penitenciárias e ataques coordenados por organizações criminosas não eram acontecimentos isolados, mas expressões de contradições sociais mais amplas. Expunham fragilidades institucionais e evidenciavam os limites dos modelos explicativos disponíveis. Desde então, tornou-se impossível ignorar um princípio: problemas complexos resistem às generalizações.

Nesse contexto, comecei a trabalhar com dados, sistemas de informação e análise espacial. Tornou-se evidente que os recortes territoriais tradicionais eram incapazes de compreender a cidade sem reduzi-la a padrões artificiais de homogeneidade. Áreas intraurbanas apresentavam dinâmicas sociais e criminais que escapavam aos limites político-administrativos. Sob o aparente ordenamento da gestão urbana, acumulavam-se fragmentações que os modelos vigentes já não conseguiam apreender. Era preciso repensar a própria forma de análise.

A identificação de padrões surge dessa reorientação. Não como solução definitiva, mas como tentativa de reorganizar a maneira de perceber a cidade. A integração das dimensões territoriais da criminalidade tornou visíveis configurações urbanas que os recortes existentes tendiam a obscurecer. A cidade deixa de aparecer como totalidade contínua e passa a revelar escalas, rupturas e conexões.

Esse movimento altera a própria forma de compreender a cidade. Transformar a percepção do espaço urbano modifica não apenas sua interpretação, mas também as possibilidades concretas de intervenção.

Ao longo desse processo, a tecnologia deixou de ocupar uma posição meramente instrumental. Passou a reorganizar as formas pelas quais instituições e relações sociais se estruturam. A ampliação das capacidades de processamento e integração de dados tornou possível descrever fenômenos complexos e orientar decisões com níveis inéditos de precisão. Ainda assim, maior capacidade analítica nem sempre resultou em melhores respostas.

Foi preciso qualificar a informação, reconhecer limites e evitar a adesão automática a ferramentas cada vez mais sofisticadas. Sem qualidade, contexto e mediação crítica, os dados frequentemente produziam mais ruído do que esclarecimento. Nessas condições, a tecnologia favorecia interpretações frágeis, discriminações indevidas e formas renovadas de distorcer a própria experiência urbana.

Houve avanços e retrocessos. A redução dos homicídios dolosos constitui, sem dúvida, um dado histórico relevante. A cidade de São Paulo deixou de figurar entre as capitais mais violentas do país, e isso significou a preservação da vida de milhares de pessoas. Ainda assim, reduzir a compreensão da violência urbana a esse indicador ofusca mais do que esclarece aquilo que efetivamente se transformou. As mudanças observadas resultam de processos sociais e institucionais de corte essencialmente territorial, resistentes a explicações simplificadoras e causalidades lineares.

A agenda se expandiu. A cidade passou a concentrar problemas que já não podem ser compreendidos a partir de perspectivas isoladas. Estudar a questão criminal passou a exigir a articulação entre dinâmicas micro-locais e estruturas macrossociais, evidenciando ainda mais os limites das interpretações generalizantes.

A cidade havia se tornado mais complexa e contraditória. Não apenas pela disseminação de tecnologias, mas pela incorporação desigual de formas de produção de conhecimento, frequentemente dissociadas da integração institucional e do uso sistemático de evidências. Ainda assim, permanecia distante de qualquer horizonte idealizado de metrópole global.

Nesse contexto, a transferência de conhecimento deixou de constituir uma etapa posterior da pesquisa. Passou a integrar o próprio processo de produção do conhecimento. Trabalhar com gestores, dialogar com instituições e disputar publicamente a interpretação dos problemas urbanos tornou-se parte essencial da atividade científica. Não se trata de complemento, mas de método. Sem essa mediação, a pesquisa perde relevância pública e enfraquece sua responsabilidade social.

Encerrar esse ciclo no NEV-USP, à frente da coordenação de Transferência de Tecnologia, permite reconhecer que a cidade reúne hoje condições mais consistentes para compreender e enfrentar a complexidade de nossos próprios conflitos.

Reconhecer essas condições, no entanto, exige cuidado com a própria ideia de avanço. Tomada em seu sentido mais corrente, ela frequentemente se reduz a uma renovada simplificação. Em um plano mais exigente, avançar significa enfrentar as estruturas que organizam a cidade: qualificar informações, tornar visíveis desigualdades e questionar os mecanismos sociais e institucionais que continuamente as reproduzem. É justamente nessa exigência — e não na busca por soluções imediatas — que se abrem possibilidades reais de transformação. Nesse horizonte, a metrópole permanece como um dos espaços mais desafiadores e reveladores para quem insiste em compreendê-la. E esse esforço jamais é individual.

ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz. In: Educação e emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

Ministério das Cidades destaca papel dos governos locais na implementação da agenda climática durante cúpula internacional

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Construção civil: Falta recursos para adaptação das cidades, diz Cbic
Foto: Rodinei Santo / Prefeitura de Pato Branco

Cooperação entre governos nacional, estaduais e municipais é fundamental para a implementação da agenda climática.

Esta é a avaliação do chefe da assessoria Internacional do Ministério das Cidades, embaixador Antônio da Costa e Silva durante participação da Semana de Ação Climática de Londres (London Climate Action Week 2026). O evento é a principal plataforma voltada à discussão da agenda climática entre as conferências do Cllima organizada pela ONU.

“A cooperação entre governos nacional, estados e municípios deve ser a principal estratégia para implementar as políticas climáticas e trazer resultados concretos para a comunidade internacional”, afirmou.

A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, atualizada em 2023, estabelece a redução de 53% da emissão dos gases do efeito estufa até 2030, tomando 2005 como ano-base, e o compromisso de neutralidade climática até 2050.

Para alcançá-la, o Brasil defende a ampliação do financiamento climático para acelerar medidas de adaptação, mitigação e desenvolvimento urbano sustentável e a participação ativa dos governos-subnacionais na tomada de decisão internacional.

O país é um dos 77 signatários da iniciativa CHAMP (Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição para a Ação Climática), anunciada na COP28, pela qual os países se comprometem a incluir as cidades nas metas climáticas e o apoiar a ação local.

REFERÊNCIA – A atuação brasileira se tornou referência em incluir as cidades no centro da agenda climática. No ano passado, o Ministério das Cidades presidiu a 4ª Reunião Ministerial sobre Urbanização e Mudança do Clima, na COP30, articulando mais de 60 países na construção de uma declaração internacional que reafirma a urbanização sustentável e a governança multinível como pilares para o cumprimento da agenda climática. O processo consolidou o entendimento de que cidades, estados e municípios são atores centrais na adaptação e na mitigação climática e reforçou a necessidade de ampliar o financiamento climático voltado à ação local.

Fonte: Ministério das Cidades

Do talento à infraestrutura: os desafios da soberania digital – Parte 2

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território digital

O fortalecimento da indústria, da inovação e da formação em STEM é essencial para que o Brasil avance na construção de sua autonomia tecnológica.

No nosso último artigo, discutimos como a atual conjuntura internacional colocou o tema da soberania digital no centro do debate. Em um cenário marcado pelo aprofundamento das disputas geopolíticas, pela reorganização das cadeias de valor e pelo avanço da inteligência artificial, reforçamos a importância do investimento na formação de mão-de-obra nas disciplinas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) para o desenvolvimento nacional.

Agora em junho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou o documento Construindo o Brasil 2050 aos pré-candidatos à Presidência da República. Nele, incluiu entre as prioridades a consolidação de políticas industriais e de formação em STEM, reconhecendo que a competitividade nacional depende do fortalecimento de uma agenda positiva e de longo prazo. 

Políticas públicas voltadas à industrialização permitem ao país criar e proteger ativos que sustentam a economia, os serviços essenciais e a segurança. Em meio a uma pauta fragmentada, esse desafio tornou-se prioridade nacional. 

Nesse contexto, a expressão soberania digital revela a importância da tecnologia para a economia. Em sua essência, é a propriedade sobre recursos tecnológicos. Quanto maior a dependência de plataformas externas, menor é a liberdade de um país para proteger os interesses de sua população, incluindo a defesa de seu território.

O Índice de Soberania Digital (ISD), apresentado em maio de 2026 pelo BRICS+ Tech Forum, comprova essa questão. Desenvolvido por um consórcio de pesquisadores brasileiros e instituições parceiras, o estudo avaliou 86 países e procurou medir como uma nação transforma conhecimento, infraestrutura e governança em poder tecnológico. O estudo analisa categorias como produtividade, políticas digitais e pesquisa científica.

Os resultados apontam que os países que ocupam posições de liderança são aqueles que conseguem influenciar os rumos do desenvolvimento tecnológico. No atual momento, esse grupo é formado por um número reduzido de nações:

  • China: nas últimas décadas, o país transformou tecnologia em política de Estado e articulou investimentos de longo prazo com uma estratégia consistente de estímulo à industrialização. O resultado é visível na expansão da infraestrutura digital, na liderança em redes 5G e na consolidação de empresas capazes de competir globalmente. Com mais de 1 bilhão de usuários conectados e a maior rede 5G do mundo, a China demonstra como escala e planejamento podem se reforçar mutuamente.
  • França: a segunda colocada no ISD tem 68 milhões de habitantes e consolidou uma política consistente de segurança cibernética e autonomia tecnológica. A participação francesa em iniciativas como o Gaia-X, voltado à soberania de nuvem, mostram que a governança também se tornou um ativo da competitividade tecnológica.
  • Rússia: a terceira colocada avançou em áreas essenciais de defesa nacional. Nos últimos anos, o país investiu em plataformas digitais nacionais e infraestrutura crítica, reduzindo a dependência de fornecedores externos. A combinação entre governança tecnológica e capacidade de resposta a restrições internacionais contribuiu para sua posição no índice.
  • Estados Unidos: o quarto colocado segue como uma potência digital por concentrar grande parte das empresas que moldam a economia baseada em dados. Os maiores provedores de computação em nuvem e muitos dos líderes mundiais em semicondutores estão sediados no país. A combinação entre universidades e empresas criou um ecossistema tecnológico que continua influenciando a transformação digital em grande escala.

O Brasil aparece na 48ª posição, revelando deficiências, mas também acertos. O país possui ativos importantes, incluindo um mercado consumidor de cerca de 183 milhões de usuários de internet (equivalente a mais de 86% da população), universidades de excelência, um sistema financeiro altamente digitalizado e crescente capacidade de inovação. Entretanto, ainda depende significativamente de tecnologias estrangeiras nos segmentos que hoje concentram maior valor estratégico.

Ao mesmo tempo, o Brasil iniciou movimentos relevantes para fortalecer a soberania digital. Iniciativas como o Gov.br, a Estratégia de Governo Digital, a Nuvem de Governo e a Infraestrutura Nacional de Dados demonstram a importância do tema. O Gov.br ultrapassou a marca de 176 milhões de usuários, reunindo mais de 13 mil serviços públicos (cerca de 4.600 federais e 8 mil estaduais e municipais). Soma-se a isso a criação do Comitê Interministerial para a Transformação Digital (CITDigital), responsável por coordenar ações voltadas à modernização do Estado e à integração das políticas digitais nacionais.

O desafio, entretanto, está em conectar esses esforços a uma estratégia industrial mais ampla e de longo prazo. Fortalecer a formação em STEM continua sendo essencial, assim como ampliar a conectividade e a integração entre governos, universidades e setores produtivos. Em outras palavras, a soberania digital depende tanto de pessoas qualificadas quanto de indústrias e infraestruturas robustas.

Também é importante compreender que esse processo não se resolve em um único ciclo de governo. Trata-se de uma agenda de Estado, que exige continuidade institucional e capacidade de coordenação. Os países que hoje lideram o índice chegaram a essa posição por transformar a tecnologia em prioridade ao longo dos anos. O Brasil reúne condições para avançar nessa direção.

Em um mundo cada vez mais orientado por dados, a independência digital é um fator que a sociedade, como um todo, deve estar apta a escolher e decidir. Mais do que acompanhar as transformações em curso, o desafio brasileiro é tornar-se protagonista deste desenvolvimento.

Análise: As pessoas não concordam mais sobre o que é real, e isso afeta a economia

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Análise: As pessoas não concordam mais sobre o que é real, e isso afeta a economia
Foto: Banco de imagens/istockphoto

A combinação de redes sociais, algoritmos e IA acelera a disseminação de deepfakes, corroendo a confiança em governos, empresas e mercados

Em uma noite iluminada pela lua, em abril de 1775, Paul Revere percorreu Massachusetts levando um aviso — “Os britânicos estão chegando” — enquanto tropas inglesas avançavam em direção a Lexington e Concord.

O episódio tornou-se uma das histórias mais emblemáticas da fundação dos Estados Unidos. No entanto, a cavalgada de Revere teve sucesso por um motivo mais profundo do que a coragem de um único mensageiro. As colônias compreendiam a ameaça britânica. O aviso de Revere forneceu urgência e sincronização, não persuasão. Os americanos agiram coletivamente porque, em grande medida, compartilhavam a mesma percepção da realidade.

Durante boa parte da história do país, as instituições americanas funcionaram com base em uma premissa simples: se um número suficiente de pessoas recebesse as mesmas informações, a maioria chegaria a uma compreensão semelhante dos acontecimentos.

Essa compreensão compartilhada da realidade tornou-se uma espécie de infraestrutura nacional. Os mercados dependiam dela para precificar riscos e alocar capital. As empresas dependiam dela para planejar e investir com confiança. As democracias dependiam dela para sustentar sua legitimidade e a confiança pública.

Os Estados Unidos sobreviveram ao jornalismo sensacionalista, à demagogia política, à propaganda e às teorias da conspiração. O que tornou o sistema resiliente não foi a ausência de mentiras, mas a existência de uma base factual amplamente compartilhada. Essa base agora está se fragmentando.

O perigo já não é a velocidade com que a informação circula. É que a desinformação agora se propaga mais rapidamente do que as instituições conseguem interpretar, verificar ou responder.

O resultado é uma incerteza crescente sobre o que é real — e essa incerteza vem produzindo consequências econômicas cada vez mais significativas.

Toda revolução nas comunicações da história americana remodelou a política, o comércio e a cultura. Jornais e panfletos coloniais alimentaram o debate revolucionário e ampliaram a participação política. Filadélfia e outras capitais coloniais abrigavam publicações concorrentes, expondo os cidadãos a argumentos políticos bastante distintos. Discursos e sermões circulavam amplamente, ajudando a criar uma identidade política nacional antes mesmo da existência formal da nação.

O telégrafo acelerou os mercados financeiros e reduziu as distâncias. O telefone transformou a coordenação dos negócios. O rádio sincronizou a atenção nacional. A televisão centralizou a cultura em torno de um pequeno grupo de grandes redes. A internet eliminou praticamente todo o atrito na publicação e na distribuição de conteúdo.

Cada revolução das comunicações ampliou o acesso à informação. Mas cada uma também concentrou influência — primeiro nos editores, depois nas emissoras e, por fim, nas plataformas digitais. Essas plataformas substituíram o julgamento editorial por algoritmos otimizados para gerar indignação e engajamento. Os benefícios foram enormes. Os riscos também.

O rádio talvez tenha representado o auge da experiência nacional compartilhada. Em 7 de dezembro de 1941, os americanos souberam do ataque a Pearl Harbor por meio de boletins que interromperam a programação regular. As famílias reuniram-se em torno dos aparelhos de rádio e receberam os mesmos fatos no mesmo instante.

Hoje, as plataformas digitais recompensam a indignação, a emoção e o imediatismo em detrimento da verificação. A inteligência artificial está acelerando esse problema ao tornar a fraude mais rápida, barata e escalável. A IA está mudando a economia da enganação.

Deepfakes, áudios sintéticos e vídeos manipulados já não são riscos teóricos. São realidades operacionais. As instituições já não enfrentam apenas o desafio de distribuir informações. Elas lutam para preservar sua credibilidade enquanto mercados, reguladores, consumidores e algoritmos reagem simultaneamente a versões concorrentes da realidade.

Isso deixou de ser apenas um problema de comunicação. Está se tornando um problema de governança, com implicações diretas para os mercados, o desempenho corporativo e a estabilidade democrática.

O Fórum Econômico Mundial já classifica a informação falsa e a desinformação entre os riscos de curto prazo mais significativos para a economia global. A própria confusão tornou-se uma força de mercado. A erosão da confiança não é apenas um fenômeno tecnológico. A cultura política passou a tratar os próprios fatos como instrumentos partidários.

Donald Trump popularizou a expressão “fake news” como uma arma política contra coberturas desfavoráveis. Mas a defesa feita por Kellyanne Conway dos “fatos alternativos”, em 2017, marcou algo ainda mais relevante: a normalização de realidades concorrentes construídas em torno de alegações comprovadamente falsas.

Desde então, os americanos testemunharam narrativas oficiais conflitantes sobre fiscalização da imigração, ameaças à segurança nacional, processos relacionados ao ataque de 6 de janeiro e os arquivos Epstein.

Autoridades públicas passaram a descartar informações prejudiciais como invenções, ao mesmo tempo em que apresentam alegações sem comprovação como se fossem fatos. O efeito cumulativo é a erosão institucional. Os americanos questionam cada vez mais se órgãos governamentais, organizações de mídia, empresas ou líderes políticos estão fornecendo informações verificáveis.

Essa erosão produz consequências econômicas diretas. Os mercados conseguem absorver más notícias. O que têm dificuldade em absorver é a incerteza sobre o que é verdadeiro.

O colapso do Silicon Valley Bank serviu como um alerta inicial. Os depositantes não esperaram o jornal do dia seguinte nem o relatório trimestral dos analistas. Reagiram instantaneamente a capturas de tela, especulações e comentários nas redes sociais. As informações — corretas ou não — circularam mais rapidamente do que a resposta institucional. Essa aceleração está remodelando a gestão de riscos das empresas.

A comunicação não resolve falhas operacionais. Mas decisões lentas e coordenação deficiente podem transformar rapidamente problemas operacionais em crises financeiras e de reputação. Um vídeo manipulado de um executivo, um falso anúncio de resultados financeiros ou um áudio sintético podem movimentar os mercados antes que os mecanismos de verificação consigam reagir.

A Deloitte alertou que as perdas decorrentes de fraudes habilitadas por IA podem alcançar dezenas de bilhões de dólares por ano nos próximos anos. A Gartner prevê um aumento dos casos de falsificação de identidade gerada por IA contra executivos, funcionários e investidores. O perigo não é apenas a desinformação. É o colapso da confiança na autenticidade das próprias evidências.

Quando as partes interessadas passam a presumir que qualquer imagem, vídeo ou declaração pode ser fabricado, a confiança institucional enfraquece em todos os níveis. Nesse ambiente, as organizações perdem velocidade justamente quando os mercados exigem clareza.

Para os CEOs, três prioridades estão se tornando inevitáveis.

Primeiro: tratar a confiança como infraestrutura operacional, e não como um aspecto secundário da reputação. Em um mundo de deepfakes e desinformação gerada por IA, as empresas competirão cada vez mais por sua capacidade de estabelecer o que é real antes que informações falsas movimentem os mercados ou prejudiquem sua credibilidade.

Durante dois séculos, a vantagem institucional frequentemente dependia do controle da distribuição da informação. Na era da IA, a vantagem competitiva pode depender cada vez mais da capacidade de verificação.

Segundo: reduzir drasticamente o tempo de tomada de decisões. As estruturas tradicionais de resposta — nas quais equipes jurídicas, de comunicação, de cibersegurança e de relações com investidores atuam em sequência — foram criadas para ciclos de mídia mais lentos.

Esse modelo está se tornando obsoleto. Hoje, mercados e plataformas sociais reagem em minutos, enquanto muitas instituições ainda levam horas ou dias para responder. Nas crises futuras, o próprio atraso poderá se transformar em um risco de mercado.

Terceiro: a credibilidade tornou-se uma arma competitiva. A informação circula globalmente em uma velocidade sem precedentes. Sem credibilidade, até mesmo informações corretas têm dificuldade para recuperar o controle quando narrativas falsas se consolidam.

Durante gerações, as instituições acreditaram que os fatos seriam capazes de estabilizar a incerteza. Cada vez mais, acontece o contrário. Narrativas concorrentes agora movimentam mercados, moldam resultados políticos e redefinem o valor das empresas em tempo real.

O que torna este momento diferente é a velocidade com que a tecnologia comprime a criação de mentiras, sua amplificação e suas nconsequências.

O desafio não é restaurar uma era idealizada de concordância perfeita que nunca existiu. Democracias são, por natureza, espaços de debate e divergência. Mas democracias funcionais e mercados estáveis ainda exigem um amplo consenso sobre o que constitui evidência, verdade e realidade. Sem esse alicerce, a confiança se deteriora, as instituições enfraquecem e a instabilidade se espalha.

Há mais de dois séculos, o Pai Fundador James Madison escreveu ao estadista de Kentucky W.T. Barry: “Um governo popular, sem informação popular, ou sem os meios de adquiri-la, não passa de um prólogo para uma farsa ou uma tragédia.”

Madison compreendia que um governo democrático não poderia sobreviver sem informações públicas confiáveis. Na era da inteligência artificial, esse alerta vai muito além da política. Quando as sociedades deixam de concordar sobre o que é real, os mercados se desestabilizam, as instituições enfraquecem e a confiança pública torna-se extraordinariamente difícil de restaurar.

As opiniões expressas nos artigos de opinião do Fortune.com refletem exclusivamente a visão de seus autores e não necessariamente representam as opiniões e convicções da Fortune.

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Fonte: InfoMoney

Aneel aprova alta de 9,4% nas tarifas de transmissão de energia

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TCU dá 60 dias para plano de continuidade após fim do contrato da Enel SP
Imagem mostra sede da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, em Brasília. Foto: CNN/Reprodução

Empresas transmissoras vão receber quase R$ 55 bilhões no ciclo 2026/2027

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou aumento das tarifas de transmissão de energia para o ciclo 2026/2027. Com a decisão, as empresas transmissoras vão receber R$ 54,95 bilhões, alta de 9,4% em relação ao ciclo anterior.

Apesar do aumento, a Aneel estima impacto médio de 1,1% para os consumidores finais atendidos pelas distribuidoras.

O cálculo considera as receitas das instalações de transmissão em operação comercial. Ao todo, foram analisados 356 contratos de concessão de 258 empresas transmissoras.

Segundo a agência, a alta é explicada principalmente pela atualização contratual das receitas, pela expansão da rede de transmissão e por componentes financeiros regulatórios.

Fonte: CNN Brasil

Sistema de alertas da Defesa Civil segue suspenso apesar de chuva persistente que causou transtornos na Grande SP

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Sistema de alertas da Defesa Civil segue suspenso apesar de chuva persistente que causou transtornos na Grande SP
Foto: Defesa Civil/Divulgação

Ferramenta de aviso emergencial em celulares está fora do ar por suspeita de ataque hacker. Temporal já provocou alagamentos, quedas de árvores e abertura de crateras.

A Grande São Paulo enfrenta desde terça-feira (23) uma chuva persistente que já provoca transtornos em diferentes regiões, enquanto o sistema de alertas emergenciais da Defesa Civil permanece suspenso. A ferramenta que envia mensagens diretamente aos celulares da população teve funcionamento interrompido por determinação do governo federal após suspeita de invasão hacker na madrugada do sábado (20).

A suspensão foi definida pela Defesa Civil Nacional, responsável pela gestão da plataforma, enquanto são conduzidas investigações e adotadas medidas para reforçar a segurança do sistema. O órgão afirma que segue monitorando as condições meteorológicas e divulgando orientações por canais oficiais.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura de São Paulo, junho registra até agora 113,6 mm de precipitação – o equivalente a 136,7% da média histórica para o mês, que é de 48 mm. Em apenas 24 horas, a capital já recebeu cerca de metade da chuva prevista para todo o mês.

Na Zona Leste da capital, ruas da Vila Mendes, na Vila Prudente, ficaram alagadas desde a noite de terça, especialmente nas proximidades do córrego do Oratório. Embora o nível da água tenha baixado na manhã desta quarta, ainda havia vias com pontos de alagamento.

A região metropolitana também acumula volumes expressivos de chuva, cujos efeitos são sentidos em diferentes cidades. Em Cajamar, uma cratera se abriu na noite de terça e engoliu parcialmente um carro. O Corpo de Bombeiros informou que o motorista foi retirado por moradores antes da chegada das equipes e não houve feridos.

Situação semelhante ocorreu em Ribeirão Pires, onde outro carro caiu em um buraco que se formou após o asfalto ceder durante a chuva. O caso aconteceu na Rua Pedro Mozelli, no Parque Aliança. De acordo com a prefeitura, não houve vítimas e a via passa por obras de drenagem. O local foi isolado para avaliação técnica.

Dados do Corpo de Bombeiros indicam que, entre a meia-noite e a manhã desta quarta-feira, foram registradas ao menos nove ocorrências de quedas de árvores e um caso de desabamento na Grande São Paulo.

Mesmo sem o sistema de alertas emergenciais, os órgãos públicos orientam a população a acompanhar as atualizações por canais oficiais e adotar medidas de precaução, como evitar áreas de risco e vias alagadas.

A manhã segue com tempo fechado, chuva intermitente e temperaturas baixas. A mínima média foi de 12°C, com registro de 9,4°C em Parelheiros, na Zona Sul. A máxima não deve passar de 14°C, o que pode confirmar o dia mais frio do ano, segundo o CGE.

A tendência é de continuidade das chuvas nos próximos dias, ainda que com menor intensidade. A previsão indica precipitações fracas a moderadas na quinta-feira (25) e pancadas isoladas na sexta-feira (26), mantendo a sensação de frio e a umidade elevada.

Fonte: G1

Mortes e violência policial: Sé tem pior índice de segurança em São Paulo

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Bahia tem 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025
Foto: Divulgação/SSP-SP

O distrito da Sé, na região central de São Paulo, concentra os piores indicadores de segurança pública da capital.

Os dados são do Mapa da Desigualdade, levantamento anual da Rede Nossa São Paulo que compara diferentes recortes entre os 96 distritos do município.

O que aconteceu

  • No ranking geral de segurança pública, a Sé aparece com o pior desempenho. Observando indicadores isolados, o distrito ocupa a pior posição também no número de homicídios, homicídios de jovens e agressões por intervenção policial. Na ponta oposta, o distrito de Carrão, na zona leste, fica na melhor colocação.
  • A Sé registra 25,2 ocorrências de homicídio a cada 100 mil habitantes. A região de Carrão tem 1,17. Vale destacar que o distrito da zona leste obteve a melhor colocação geral em segurança pública por combinar bons resultados em diferentes indicadores, mas não necessariamente aparece em primeiro lugar em cada um deles quando analisados separadamente.
  • Os números na Sé são explicados, em parte, por particularidades do centro de São Paulo. Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais da Rede Nossa São Paulo, destaca que, além de a Sé ser um distrito com grande passagem de pessoas e população de rua, é um distrito pequeno em população, o que faz com que cada caso tenha mais impacto no índice.

    “Esse fenômeno demográfico, juntamente com a alta circulação de pessoas, faz com que esse índice seja mais alto que a média da cidade” Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais da Rede Nossa São Paulo

  • Entre os menores índices, alguns distritos registram valor zerado. Isso não significa necessariamente que não houve nenhuma ocorrência no período estudado, apenas que o índice foi desprezível proporcionalmente. Consolação, Socorro, Lapa e Vila Sônia registram índice zero. Em seguida, Itaim Bibi aparece com taxa de 0,98.
  • Os indicadores do mapa são avaliados separadamente e observam anos distintos, dependendo da divulgação mais recente de cada dado. No caso dos homicídios, o recorte utilizado é de 2021, com dados disponibilizados pelo painel Seade.
Fonte: UOL
  • A Sé também tem maiores números no ranking de “homicídios de jovens”, com idades entre 15 e 29 anos. A taxa é de 133,99 casos por 100 mil habitantes, sensivelmente maior do que nas demais faixas de idade. Neste indicador, 22 distritos aparecem zerados, entre os quais Itaim Bibi, Alto de Pinheiros, Santo Amaro e Moema.
  • Os índices combinados impactam também na diferença de expectativa de vida em cada localidade. Enquanto na Sé a média de idade média ao morrer é de 65 anos, no distrito de Carrão são 10 anos a mais, 75. No melhor avaliado da lista, Alto de Pinheiros, vive-se em média até os 82 anos.

Violência policial

  • A avaliação de segurança pública do Mapa traz dois indicadores relacionados à atuação policial: “agressões decorrentes de intervenção policial” e “mortes decorrentes de intervenção policial”. A Sé volta a liderar o ranking de agressões, desta vez com dados de 2024.

  • No recorte de mortes por intervenção policial, o Morumbi aparece na primeira posição, com taxa de 10,84 casos por 100 mil habitantes. Igor Pantoja avalia que parte dos números pode estar relacionada às frequentes operações policiais em Paraisópolis, comunidade vizinha ao distrito e cujo contraste com o bairro do Morumbi, área de classe média alta, é um dos símbolos mais conhecidos da desigualdade paulistana.

“Paraisópolis oficialmente está na Vila Andrade, mas, como o Morumbi é muito maior, muitas ocorrências acabam sendo registradas lá.” Igor Pantoja.

  • Na sequência aparecem República (8,21), Bom Retiro (7,2) e Jaguara (5,39). A média dos distritos da capital é de 1,76 caso por 100 mil habitantes. Já Bela Vista, Belém, Perus, Mandaqui, Carrão e Ponte Rasa registram índices próximos de zero.
  • O documento observa que as mortes causadas por violência policial não seguem padrão semelhante aos demais crimes de assassinato na capital paulista. “Mesmo com a queda expressiva e contínua nas taxas de homicídio nos últimos 20 anos, a violência policial letal não diminuiu, o que representa forte indício de uso excessivo da força letal contra certos grupos específicos”, diz o texto.

Outros indicadores

  • O Mapa da Desigualdade é produzido anualmente desde 2012 pela Rede Nossa São Paulo e reúne indicadores de saúde, educação, segurança, mobilidade, meio ambiente e renda. O estudo compara os 96 distritos da capital paulista com base em dados oficiais de diferentes órgãos públicos.
  • O documento também observa que moradores de Alto de Pinheiros vivem, em média, 20 anos a mais do que os de Cidade Tiradentes. O índice de idade média ao morrer entre moradores de Alto de Pinheiros chega a 82 anos. Em Cidade Tiradentes, pior avaliado, a média é de apenas 62.
  • O ranking segue com bairros de classe média alta entre os locais onde mais se envelhece. Em Moema, Jardim Paulista e Pinheiros, a idade média é de 81 anos. Na ponta contrária, Guaianases, Iguatemi e Grajaú seguem nos piores desempenhos, com 63 anos de idade média.
  • A comparação entre a renda média de cada distrito chama atenção. De acordo com o mapa, moradores da região de Itaim Bibi têm uma média de renda de R$ 8.234, a maior de São Paulo. O pior lugar do índice ficou com o Pari, tradicional polo comercial, onde a média salarial é de R$ 1.232, abaixo da média da cidade (R$ 3.598,55).
  • O segundo lugar entre os que mais ganham ficou com Alto de Pinheiros, com R$ 8.115; seguido por Santo Amaro e Moema (R$ 8.092 e R$ 8.051). No penúltimo lugar aparece a região de São Miguel (R$ 2.014). Antes, Marsilac (R$ 2.077) e Ponte Rasa (R$ 2.150).
  • O tempo médio de deslocamento em transporte público é outro ponto que vale nota. Enquanto em Pinheiros, o melhor desempenho, a média é de 25 minutos, Marsilac, no extremo sul da capital, exige 1 hora e 11 minutos em média. O tempo considerado foi o pico de deslocamento pela manhã em dias úteis.
  • A Secretaria de Segurança Pública informou que estudos produzidos por diferentes instituições são considerados fontes complementares de análise. Em nota, a pasta informou que usa bases oficiais de segurança para orientar suas estratégias e ações operacionais. Sobre a região central da cidade, a SSP diz que “possui características próprias que influenciam a dinâmica criminal”, citando grande circulação de pessoas e ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas e crimes patrimoniais. Já em relação ao Morumbi, a pasta informa que as unidades policiais responsáveis pela área desenvolvem ações de prevenção e combate à criminalidade.
  • Procurada, a Prefeitura de São Paulo afirmou que distribui investimentos considerando as diferentes realidades da cidade. Segundo a gestão, o Programa de Metas 2025-2028 regionaliza 87 das 132 metas, enquanto o Plano Plurianual (PPA) 2026-2029 utiliza o Índice de Distribuição Regional do Gasto Público (IDRGP) para direcionar recursos conforme as vulnerabilidades de cada território.
  • Na segurança, a administração diz que a cidade registrou entre janeiro e abril os menores índices criminais desde 2001. Na Sé, houve queda de 14,33% nos furtos e de 8,14% nos roubos em relação ao mesmo período de 2025. A gestão também destaca o programa Smart Sampa, com 50 mil câmeras de monitoramento em toda a cidade, sendo 12 mil na região central. Sobre mobilidade, a prefeitura cita a entrega do Terminal Estação Varginha, obras na Estrada do M’Boi Mirim, a expansão de faixas exclusivas de ônibus e o programa Domingão Tarifa Zero, que já atendeu mais de 380 milhões de passageiros.

Quais foram os indicadores medidos pelo Mapa

  • População em situação de rua;
  • Famílias em atendimento habitacional provisório;
  • Quantidade de domicílios em favelas;
  • Velocidade média dos ônibus;
  • Tempo médio de deslocamento em transporte público;
  • Acesso a transporte de massa;
  • Acesso à infraestrutura de bicicleta;
  • Acesso à internet móvel por área;
  • Acesso à internet móvel por população;
  • Oferta de emprego formal;
  • Remuneração média mensal do emprego formal;
  • Desigualdade salarial;
  • Gravidez na adolescência;
  • Mortalidade materna;
  • Mortalidade infantil;
  • Idade média ao morrer;
  • Tempo médio para consultas na rede de atenção básica;
  • Mortalidade por covid-19;
  • Tempo de atendimento para vaga em creche;
  • Matrículas no ensino básico em escolas públicas;
  • Quantidade de alunos atrasados na série do ensino fundamental da rede municipal;
  •  Abandono escolar no ensino fundamental da rede municipal;
  • Ideb nos anos iniciais em escolas públicas;
  • Ideb nos anos finais em escolas públicas;
  • Adequação da formação dos professores;
  • Esforço dos professores (aqueles que têm mais de 300 alunos, atuam nos três turnos, em duas ou mais escolas);
  • Quantidade de centros culturais;
  • Quantidade de equipamentos públicos de cultura;
  • Quantidade de cinemas;
  • Quantidade de espaços culturais independentes;
  • Quantidade de equipamentos públicos de esporte;
  • Quantidade de quadras esportivas nas escolas públicas;
  • Violência contra população LGBTQIA+;
  • Violência racial;
  • Feminicídios;
  • Homicídios;
  • Homicídios de jovens;
  • Agressões por intervenção policial;
  • Mortes por intervenção policial;
  • Deslocamento médio para denúncias de violência contra mulher;
  • Emissão de poluentes atmosféricos por área;
  • Cobertura vegetal;
  • Pontos de entrega voluntária;
  • Número de áreas contaminadas.

Fonte: UOL

Brasil ganha duas novas companhias aéreas estrangeiras autorizadas a operar voos internacionais

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Novas regras da Anac para combater passageiros indisciplinados em voos começam a valer; veja o que muda
Foto: Gerada por IA | Magnific

Wamos Air, da Espanha, e Air Peace, da Nigéria, receberam aval da Anac após cumprirem requisitos previstos na legislação brasileira.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou duas novas companhias aéreas estrangeiras a operar serviços regulares de transporte internacional de passageiros e carga com origem ou destino no Brasil. As empresas aprovadas são a espanhola Wamos Air S.A. e a nigeriana Air Peace Ltd.

As autorizações foram concedidas por meio das Portarias nº 19.439 e nº 19.449, de 15 de junho de 2026, após as companhias cumprirem os requisitos previstos no Código Brasileiro de Aeronáutica e nas normas da Anac para empresas estrangeiras interessadas em atuar no mercado brasileiro.

Segundo a agência, a medida faz parte de uma estratégia para ampliar a conectividade aérea internacional e estimular um ambiente regulatório mais competitivo no setor.

Wamos Air pode viabilizar voos internacionais da Gol

Com sede na Espanha, a Wamos Air S.A. tem um papel estratégico na expansão internacional da Gol. A empresa faz parte do Grupo Abra, principal grupo de transporte aéreo da América Latina, que também controla a companhia brasileira e a colombiana Avianca.

Diferentemente de uma companhia aérea tradicional, a Wamos Air é especializada em operações de fretamento e no modelo conhecido como wet lease — quando uma empresa aérea fornece para outra não apenas a aeronave, mas também tripulação, manutenção e seguro.

A empresa foi adquirida pelo Grupo Abra em outubro de 2024 e passou a ser uma peça importante para ampliar a capacidade de voos de longa distância do grupo. Isso porque a Gol ainda não possui aeronaves de longo alcance em sua frota atual.

Na prática, a Wamos Air é a estrutura que permite a realização de operações internacionais de maior distância. Mesmo quando o voo é realizado em uma aeronave da companhia espanhola, o passageiro mantém a experiência da Gol, com compra de passagens, check-in, embarque e atendimento seguindo os padrões da empresa brasileira.

A trajetória da Wamos Air começou em 2003, ainda como Pullmantur Air, quando recebeu suas primeiras certificações operacionais e de aeronavegabilidade. Em 2014, a companhia adotou o nome atual e ampliou sua atuação no mercado internacional.

Ao longo de mais de duas décadas, a empresa se consolidou como uma das principais referências europeias em operações charter e wet lease. Atualmente, conecta mais de 200 aeroportos em 87 países e oferece mais de 3 milhões de assentos por ano.

Sua frota inclui modelos como os Airbus A330-200 e A330-300, além de aeronaves que fizeram parte da história da companhia, como o Boeing 747-400.

Air Peace

A Air Peace Ltd., da Nigéria, também recebeu autorização para operar voos internacionais regulares de passageiros e carga com origem ou destino no Brasil.

Criada com o objetivo de ampliar a conectividade aérea da Nigéria, a companhia tem sede em Lagos e atua nos mercados doméstico, regional e internacional.

Ao longo de sua trajetória, a empresa expandiu sua rede de destinos e sua capacidade operacional, tornando-se uma das principais companhias aéreas da África Ocidental e Central. A Air Peace também mantém investimentos em frota, segurança operacional e expansão internacional.

Com as novas autorizações, as duas companhias estão habilitadas a operar no mercado brasileiro, seguindo as regras estabelecidas pela aviação civil do país.

Fonte: G1