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OMS declara fim do surto de hantavírus relacionado a cruzeiro

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OMS declara fim do surto de hantavírus relacionado a cruzeiro
Fonte: REUTERS

Ainda assim, vírus continua sendo uma ameaça à saúde pública na América do Sul e em outras regiões onde é endêmico

A OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou nesta quinta-feira (2) que o surto de hantavírus associado ao cruzeiro MV Hondius terminou.

Ao todo, foram registrados 13 casos, incluindo três mortes — todas de passageiros ou integrantes da tripulação do navio.

Nenhum novo caso foi notificado desde 25 de maio e, até esta quinta-feira, o último contato de uma pessoa possivelmente exposta ao hantavírus no navio havia “concluído seu período de quarentena, testado negativo e retornado para casa”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em uma coletiva de imprensa.

Estruturação de Projetos – BNDES

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Estudo Nacional de Mobilidade Urbana
Foto: Sergio Moraes/Reuters

O BNDES estrutura projetos de parceria para o governo federal, estados e municípios e, em linha com as políticas públicas, visa a melhoria da qualidade dos serviços e a alocação ótima dos gastos públicos. Atuamos tanto em setores tradicionais como em áreas inovadoras, tais como o setor de concessões florestais. Nos últimos três anos, o BNDES executou mais de 35 projetos de alto impacto na região e, atualmente, prepara outros 209, com capacidade para mobilizar R$ 500 bilhões ao longo da vigência dos contratos, entre eles:

  • Saneamento: ao longo dos últimos anos o BNDES estruturou projetos de água e esgotamento sanitário em vários estados da região Nordeste. Destacam-se os projetos de concessão parcial de (i) Alagoas, cujo leilão foi realizado em 2020 e foi pioneiro no modelo de concessão parcial e na concessão regionalizada dentre os estados brasileiros. Já é possível observar resultados expressivos nas concessões do estado, com mais de 2 milhões de pessoas atendidas e R$ 1,4 billhão de investimento concluído; (ii) Sergipe, licitado em 2024 e que prevê investimentos de mais de R$ 6,3 bilhões. A modelagem da concessão contempla cerca de 500 mil habitantes (657 povoados integrados e isolados), o que amplia de forma significativa o alcance social do projeto; e de (iii) Pernambuco, licitado em dezembro de 2025, que prevê investimentos de cerca de R$ 18,3 bilhões. Além desses, em 2026, o BNDES estruturou a PPP de esgotamento sanitário da Paraíba, que prevê investimentos na ordem de R$ 3,0 bilhões e teve o leilão realizado em maio. O projeto permitirá que a Companhia Pernambucana de Saneamento – Compesa concentre seus esforços na produção de água, ampliando a disponibilidade hídrica e assegurando o fornecimento contínuo à população atendida, com superação dos atuais problemas de intermitência no abastecimento. Parte dos recursos obtidos através da outorga serão revertidos para o saneamento. Atualmente, o BNDES está estruturando os projetos de PPP de esgotamento sanitário do Rio Grande do Norte e a concessão do saneamento em Alagoas (Bloco D) contribuindo para a universalização do saneamento e levando desenvolvimento econômico e social para a população.
  • Requalificação Urbana e valorização do patrimônio: destaca-se o Projeto de Reabilitação Urbana do Entorno da Avenida Guararapes, desenvolvido em parceria com a Prefeitura do Recife. A iniciativa busca revitalizar o centro histórico da capital, com foco em moradia acessível, requalificação de espaços públicos e dinamização da economia local, articulando intervenções de infraestrutura, mobilidade e retrofit de edificações. Cabe mencionar ainda a estruturação da concessão da Fortaleza de Santa Cruz de Itamaracá (Programa Revive Brasil), que deverá promover o acesso da população a bens culturais e impulsionar o turismo e o desenvolvimento regional.
  • Setor Rodoviário: destaca-se o projeto Rota dos Sertões, com leilão realizado em 2026. A concessão conta com trecho de aproximadamente 500km entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE), 16 municípios beneficiados e investimentos estimados em R$ 4,0 bilhões. A melhoria da infraestrutura rodoviária é relevante para o desenvolvimento regional, contribuindo para o aumento da segurança viária e para a melhoria da mobilidade dos usuários.
  • Mobilidade Urbana: o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, realizado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades, avaliou as regiões metropolitanas de Fortaleza, João Pessoa, Maceió, Natal, Recife, Salvador, São Luís e Teresina. Foram estimados cerca de R$ 70 bilhões de investimentos para os projetos propostos de implantação, extensão e requalificação de 770km de metrôs, trens, VLTs, BRTs e corredores de ônibus. Recentemente o BNDES celebrou um Acordo de Cooperação Técnica com o Estado do Ceará e o Município de Fortaleza visando recomendações ao sistema de Transporte Coletivo por ônibus metropolitano. Cabe mencionar ainda a estruturação do projeto CBTU-Recife, que visa a requalificação do sistema metroferroviário da região metropolitana com investimentos estimados de cerca de R$ 4,5 bilhões.  
  • Setor Portuário: o BNDES apoia a estruturação de projetos estratégicos de logística, como o novo Porto Indústria do Rio Grande do Norte, iniciativa voltada à implantação de infraestrutura portuária multipropósito com potencial de atrair investimentos privados, fortalecer a logística regional e impulsionar novas cadeias produtivas associadas à transição energética.
  • Projetos sociais: o BNDES tem aumentado sua participação na estruturação de projetos sociais tais como: (i) Projeto de Infraestrutura Escolar de Maceió: construção, gestão, operação, conservação e manutenção (serviços não pedagógicos) de até 30 Centros Municipais de Educação Infantil, com potencial de atender 7.500 novas vagas para a educação infantil municipal e (ii) Projeto de Infraestrutura Escolar de Natal, com previsão de início ainda em 2025: construção, reconstrução, gestão, operação, equipagem, conservação e manutenção (serviços não pedagógicos) de até 25 unidades educacionais, criando 7 mil vagas na rede pública de educação básica. Os projetos contribuirão para a qualificação do ambiente escolar e para melhores condições de ensino e aprendizagem, modernizando a gestão da infraestrutura para melhor desenvolvimento da atividade pedagógica.
  • Setor de Parques e Florestas: destacam-se (i) Projeto Parques de Recife, que contempla a concessão dos serviços de visitação de quatro parques urbanos da cidade para assegurar a conservação e a revitalização desses espaços através de investimentos de aproximadamente R$ 49 milhões; e (ii) Projeto do Parque Nacional de Fernando de Noronha, onde o BNDES apoia a estruturação da nova concessão que visa modernizar os atuais serviços já prestados no parque. 

Greve de rodoviários é suspensa em assembleia depois de 3 dias no Rio; motoristas voltam ao trabalho nesta quinta

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Greve de rodoviários é suspensa em assembleia depois de 3 dias no Rio; motoristas voltam ao trabalho nesta quinta
Foto: Reprodução/TV Globo

Com isso, os rodoviários retomam o trabalho normalmente nesta quinta-feira (2). Apesar da suspensão da paralisação, o sindicato informou que a categoria permanece em ‘estado de greve’.

A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro foi suspensa após decisão tomada em assembleia realizada nesta terça-feira (1º) depois de três dias de paralisação. A direção do sindicato chegou ao encontro defendendo que a suspensão da paralisação era a melhor alternativa neste momento.

Pesou na avaliação a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que determinou nesta quarta-feira que 80% da frota de ônibus circule durante a greve, aumentando o percentual anteriormente fixado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de 50%.

O município conta com cerca de 3.600 coletivos, e 80% desse contingente equivale a 2.880 carros. Às 7h, o Rio Ônibus, sindicato que representa as viações, afirmou que apenas 1.650 veículos estavam rodando — nem metade da frota.

Outro fator considerado foi o resultado da audiência de conciliação realizada nesta quarta. Durante a reunião, o TRT e o Ministério Público do Trabalho (MPT) pediram que o sindicato suspendesse a greve até a próxima rodada de negociações, marcada para segunda-feira (6).

Em contrapartida, as empresas se comprometeram a não descontar os dias parados nem o vale-refeição dos trabalhadores, além de discutir um reajuste salarial superior aos 4% oferecidos até agora.

No início da assembleia, houve resistência de parte da categoria à proposta de suspender a paralisação. Depois de mais de uma hora de debates, porém, o presidente do sindicato colocou a proposta em votação, e a maioria aprovou o fim da greve.

Com isso, os rodoviários retomam o trabalho normalmente nesta quinta-feira (2). Apesar da suspensão da paralisação, o sindicato informou que a categoria permanece em “estado de greve”, o que permite uma nova interrupção das atividades caso não haja avanço nas negociações.

O que está na mesa

Os rodoviários exigem:

  • Reajuste de 17%;
  • Piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os demais motoristas;
  • Vale alimentação de R$ 1 mil;
  • Plano de saúde;
  • Mudanças na escala de trabalho e jornada de 7 horas e meia.

Os patrões ofereceram 4,39% de reajuste e afirmaram que não haveria contraproposta, mas concordaram em chegar a um valor maior do que o já proposto para suspender a greve.

A decisão da Justiça

Na noite desta terça-feira (30), o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, acolheu um pedido da Prefeitura do Rio e impôs o percentual de 80%.

Na decisão, Mello Filho disse que o transporte coletivo é um serviço essencial e que a manutenção de apenas 50% da frota, como anteriormente indicado em liminar, “representava risco à ordem e à segurança pública, além de comprometer o direito de ir e vir da população”.

Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 100 mil para o sindicato dos trabalhadores.

O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) disse ao Bom Dia Rio esperar “que a Justiça faça valer as suas decisões”.

“Desde segunda-feira há uma determinação para que tivesse, pelo menos, 50% da frota. Isso não foi cumprido na segunda e não foi cumprido ontem [terça]”, afirmou.

“À noite, o Tribunal Superior do Trabalho dá uma outra determinação, dizendo que a frota mínima tem que ser de 80%. E mais uma vez não está acontecendo hoje [quarta].”

O que diz o Rio Ônibus

Em nota, o sindicato informou que “as empresas estão mobilizadas para colocar a frota em operação e garantir o direito de ir e vir dos cariocas” e culpou a categoria pela falta de coletivos nas ruas.

“O cumprimento da determinação da Justiça do Trabalho de colocar um percentual mínimo em operação tem sido dificultado pelo Sindicato dos Rodoviários, que não encaminhou para os motoristas as escalas com a indicação de quais profissionais deveriam trabalhar para atender a frota mínima exigida”, declarou.

“Os consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam imediatamente às suas garagens e iniciem o trabalho. Lembramos a importância de atender a determinação da Justiça, que exige pelo menos 80% da frota nas ruas. A população carioca não pode ficar mais um dia a pé”, emendou.

O que diz o sindicato

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que “ficou surpreso” com o pedido de liminar da prefeitura no TST.

“Tomamos conhecimento no fim da noite de ontem [terça] da posição do presidente do TST cassando a liminar de regularidade da greve da categoria aqui no Rio de Janeiro”, disse.

“Essa decisão é um prêmio para a direção do Rio Ônibus, que, mesmo sentada na mesa de negociação, vem se negando a apresentar uma proposta em relação às reivindicações do sindicato para atender os trabalhadores. Não nos resta alternativa a não ser cumprir a liminar, até porque lei é para ser cumprida e não discutida”, declarou.

A greve até aqui

Os rodoviários decidiram pela greve na noite de domingo (28) e cruzaram os braços à 0h de segunda-feira (29).

O movimento começou já sob uma liminar que determinava um mínimo de 50% da frota rodando (cerca de 1.800 coletivos), mas pela manhã nem 1.000 haviam deixado as garagens. De acordo com as viações, 50 veículos foram vandalizados em piquetes.

Os pátios das viações ficaram lotados durante todo o dia. À tarde, no Terminal Alvorada do BRT, passageiros chegaram a descer para a calha do serviço depois de um longo tempero de espera.

Na terça-feira, 2º dia do movimento, aumentou a frota circulando, mas ainda aquém dos 50% que a liminar previa.

No fim da manhã, representantes dos patrões e dos trabalhadores sentaram com juízes do TRT-1, mas não houve acordo.

Na porta do tribunal, rodoviários bateram boca com diretores do sindicato após uma votação determinar “estado de greve” — quando a categoria deveria voltar a trabalhar. Uma nova consulta foi feita, e a paralisação foi mantida.

Mesmo assim, manifestantes depredaram ao menos 15 ônibus em protesto.

À noite, passageiros enfrentaram dificuldades para voltar para casa em diferentes regiões da cidade. No Terminal Gentileza, na Região Portuária, o intervalo entre os ônibus chegou a uma hora e meia. Em dias sem paralisação, a espera costuma ser de, no máximo, 15 minutos.

Fonte: G1

Conheça os números que fazem da Linha 6 a maior obra de mobilidade urbana da América Latina

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Conheça os números que fazem da Linha 6 a maior obra de mobilidade urbana da América Latina
Foto: João Valério/Governo de São Paulo

Projeto reúne R$ 19 bilhões em investimentos, mais de 11 mil empregos diretos e túneis escavados por tatuzões de 2 mil toneladas

O Governo de São Paulo inaugura nesta semana a primeira parte da maior obra de mobilidade urbana em implantação na América Latina, a Linha 6-Laranja de metrô. Com investimento de R$ 19 bilhões, o projeto em parceria público-privada terá, quando completo, 15,3 km de extensão, 15 estações, 22 trens e capacidade para transportar cerca de 633 mil passageiros por dia.

Nesta primeira fase, serão inauguradas seis estações, de João Paulo I até Perdizes, com acesso gratuito.

Investimentos na Linha 6-Laranja

Ao todo, o investimento para a construção da Linha 6-Laranja é de R$ 19 bilhões. Ao longo de sua construção, a obra gerou 11 mil empregos diretos. Paralisadas em 2016, as obras foram retomadas em 2020 com nova concessionária. Em 2025, a escavação dos túneis foi concluída e o primeiro trem da linha foi entregue.

Deslocamentos reduzidos

O projeto completo da Linha 6-Laranja vai da Estação Brasilândia até a Estação São Joaquim. Atualmente, este trajeto é feito de ônibus em cerca de 1h30. Com a inauguração completa da linha, este tempo será reduzido para 23 minutos, resultando em mais qualidade de vida à população, além de redução de congestionamentos e de emissão de poluentes.

Ao todo, serão 15 estações distribuídas em 15,3 quilômetros de extensão. Neste primeiro momento, o Governo de São Paulo vai inaugurar seis estações, de João Paulo I até Perdizes. Em operação plena, a expectativa é atender cerca de 633 mil pessoas todos os dias.

Tatuzões de 2 mil toneladas

As escavações da Linha 6-Laranja usaram duas tuneladoras, equipamentos popularmente conhecidos como “tatuzões”. A função delas é escavar o túnel por onde o metrô vai passar ao mesmo tempo que instala o revestimento estrutural do túnel.

Um dos “tatuzões” foi batizado de Maria Leopoldina, em homenagem à imperatriz do Brasil durante o período da independência. O equipamento pesou 2 mil toneladas, com 109 metros de comprimento e 10,6 metros de diâmetro de escavação. A máquina tem cabine de comando, esteira para retirada do material escavado, refeitório e cabine de enfermagem.

A Maria Leopoldina, ou Tatuzão Sul, percorreu cerca de 8,9 quilômetros desde a região da Marginal Tietê até chegar à Estação São Joaquim, concluindo a escavação do trecho sul. Ela chegou à última estação em fevereiro de 2025. Em outubro de 2024, o Tatuzão Sul bateu recorde ao escavar 41,3 metros em 24 horas. Dos 15 quilômetros de via da Linha 6-Laranja, praticamente 13 km foram escavados com tatuzões. A obra também utilizou outros métodos, como NATM (do inglês New Austrian Tunneling Method, ou Novo Método Austríaco de Tunelamento) e vala a céu aberto.

A operação do tatuzão envolve cerca de 50 pessoas, divididas em três turnos de trabalho. Entre os profissionais envolvidos estão operadores, técnicos de manutenção mecânica e elétrica, engenheiros, agrimensores e equipes de saúde e segurança.

Trens da Linha 6-Laranja

A frota total prevista da Linha 6-Laranja é de 22 trens. Cada trem tem capacidade de transportar 2.044 pessoas e pode chegar a até 90 km/h. Durante a operação comercial, a velocidade deve ser de 80 km/h.

A Linha 6-Laranja terá algumas das estações mais profundas do metrô de São Paulo. Por enquanto, a mais funda será Água Branca, inaugurada neste primeiro trecho. Ela tem 47,8 metros de profundidade e ultrapassa a Santa Cruz, da Linha 5-Lilás. Quando totalmente inaugurada, a Linha 6 terá a Estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado como a mais profunda, com 65 metros.

Operação assistida

O primeiro trecho da Linha 6-Laranja a ser inaugurado vai da Estação João Paulo I até Perdizes. Neste primeiro momento, a operação será assistida, com funcionamento de segunda a sexta, das 10h às 15h. Não haverá cobrança de tarifa. Haverá somente um trem por via e o intervalo deve ser de 13 minutos.

Fonte: Agência SP

Fonte: Agência SP

Sabesp vai captar água de reservatório que abastece o RJ para reforçar o Cantareira

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Sistema Cantareira ainda tem desempenho inferior ao esperado e aperto na distribuição de água continua em São Paulo.
Foto: Pablo Jacob/GESP

Principal reservatório da Grande São Paulo opera com 39,9% da capacidade, abaixo da média histórica. Medida busca aumentar a segurança hídrica.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) foi autorizada a aumentar a captação de água da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece o estado do Rio de Janeiro, para reforçar o Sistema Cantareira – o principal manancial da Grande São Paulo, que atende cerca de 10 milhões de pessoas.

Atualmente, o Cantareira opera na “faixa de atenção”, com 39,9% da capacidade, abaixo da média histórica. Já o nível do Sistema Integrado Metropolitano (que reúne sete represas) está em 52,5%.

A autorização, em caráter temporário e excepcional, foi aprovada na segunda-feira (22) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e órgãos de gestão hídrica de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A medida busca aumentar a segurança hídrica diante da persistência da estiagem.

Com a decisão, o volume máximo anual que poderá ser transferido do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, no Sistema Paraíba do Sul, para o reservatório Atibainha, integrante do Cantareira, passará dos atuais 162 hectômetros cúbicos (cada hm³ equivale a 1 bilhão de litros) para até 268,28 hm³ em 2026. A autorização vale até 31 de dezembro de 2026.

Segundo os órgãos gestores, a medida atende um pedido da Sabesp e recebeu apoio dos comitês das bacias hidrográficas de Paraíba do Sul, Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e Alto Tietê.

A autorização ocorre em um momento de atenção em relação ao Sistema Cantareira, que pode entrar na chamada faixa 3, de alerta, se o nível continuar abaixo de 40%. A medida levaria à redução da vazão autorizada para captação no manancial de 31 m³/s (mil litros por segundo) para 27 m³/s.

Descarbonização do Nordeste ganha força com avanço das PPPs e estará no centro dos debates do P3C Nordeste

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P3C Regional Nordeste impulsiona infraestrutura e atração de investimentos em Fortaleza
Foto: Divulgação

Com potencial para liderar a economia de baixo carbono, a região aposta em Parcerias Público-Privadas para ampliar investimentos em infraestrutura, energia limpa e serviços públicos. 

A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma estratégia de desenvolvimento regional. No Nordeste, onde o potencial para geração de energias renováveis está entre os maiores do país, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) vêm se consolidando como um importante instrumento para acelerar investimentos em infraestrutura, ampliar a eficiência da gestão pública e impulsionar a descarbonização. Esse cenário será um dos destaques do P3C Nordeste, que acontece no dia 3 de julho, em Fortaleza, reunindo representantes do setor público, investidores e especialistas para discutir soluções capazes de transformar os desafios da região em oportunidades de crescimento sustentável.

A edição Nordeste do P3C tem então em seus propósitos, colocar em evidência as potencialidades da região e promover o diálogo sobre projetos de infraestrutura e serviços públicos capazes de gerar desenvolvimento econômico e social. Com foco em setores estratégicos, como energia, saneamento, abastecimento de água, equipamentos públicos e infraestrutura urbana, o encontro busca fomentar iniciativas que beneficiem uma população superior a 57 milhões de pessoas, cerca de 26,8% dos brasileiros.

Leia mais: Contagem Regressiva P3C Nordeste

Entre os principais ativos do Nordeste está sua abundante disponibilidade de recursos naturais para a geração de energia limpa. A elevada incidência solar transforma a região em um dos territórios mais promissores do país para a expansão da energia fotovoltaica, tornando possível reduzir emissões de gases de efeito estufa, diversificar a matriz energética e ampliar a segurança no fornecimento de energia. Nesse contexto, as PPPs têm desempenhado um papel decisivo ao permitir que governos acelerem a implantação de infraestrutura sem depender exclusivamente de investimentos públicos imediatos, compartilhando riscos e atraindo capital privado para projetos de longo prazo.

Experiências desenvolvidas na região demonstram como esse modelo pode produzir resultados concretos. A implantação de miniusinas solares para atendimento da rede pública de educação, por meio de uma PPP, mostrou que a combinação entre tecnologia, gestão e participação da iniciativa privada é capaz de gerar ganhos financeiros e ambientais simultaneamente. Apenas entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o projeto proporcionou uma economia superior a R$ 1,48 milhão em despesas com energia elétrica, com média mensal superior a R$ 123 mil, recursos que podem ser redirecionados para investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e melhoria dos serviços públicos.

Leia mais: P3C Regional Nordeste impulsiona infraestrutura e atração de investimentos em Fortaleza

Além da redução de custos, iniciativas como essa evidenciam o papel da energia renovável na construção de uma gestão pública mais eficiente. A utilização de tecnologias como módulos bifaciais, sistemas de rastreamento solar (trackers) e redes inteligentes permite maximizar a geração de energia, aumentar a produtividade das usinas e garantir maior retorno financeiro para o poder público. Ao mesmo tempo, o modelo contratual das PPPs estabelece mecanismos de desempenho e compartilhamento de riscos que oferecem maior segurança para investidores e asseguram que o setor público remunere a concessionária de acordo com os resultados efetivamente entregues.

Os aprendizados obtidos ao longo desses projetos também reforçam a importância da governança e do planejamento para ampliar seus benefícios. Estudos apontam que uma gestão mais estratégica da distribuição dos créditos de energia pode aumentar ainda mais a eficiência econômica, priorizando unidades consumidoras com tarifas mais elevadas e potencializando o retorno financeiro de cada quilowatt-hora gerado. Esse tipo de aperfeiçoamento demonstra que a maturidade dos projetos de PPP vai além da implantação da infraestrutura, envolvendo monitoramento contínuo, inteligência operacional e capacidade de adaptação.

Leia mais: Brasil e Reino Unido avançam parceria em hidrogênio e descarbonização industrial

O avanço da descarbonização também dialoga diretamente com outros desafios históricos do Nordeste. Enquanto a região lidera o crescimento da geração renovável, ainda existem demandas significativas em áreas como saneamento, abastecimento de água e infraestrutura urbana. Nesse cenário, o modelo de parceria entre poder público e iniciativa privada desponta como um caminho capaz de acelerar investimentos, modernizar equipamentos públicos e ampliar a oferta de serviços essenciais.

As cidades nordestinas já vêm demonstrando esse movimento por meio de projetos voltados à construção e modernização de escolas, hospitais, clínicas, centros administrativos, parques urbanos e centros de eventos. São investimentos que não apenas melhoram a qualidade de vida da população, mas também incorporam critérios de sustentabilidade e eficiência energética desde sua concepção, contribuindo para reduzir emissões e fortalecer a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.

Mais do que uma tendência, a descarbonização passa a representar uma oportunidade econômica para toda a região. Ao combinar recursos naturais abundantes, inovação tecnológica e modelos modernos de concessão e PPP, o Nordeste reúne condições para consolidar uma nova agenda de desenvolvimento baseada em energia limpa, infraestrutura sustentável e segurança para investimentos.

É justamente essa convergência entre sustentabilidade, desenvolvimento regional e novos modelos de financiamento que fará parte da programação do P3C Nordeste. Ao reunir gestores públicos, investidores, operadores e especialistas, o evento pretende ampliar o debate sobre soluções capazes de transformar o potencial da região em projetos estruturantes, fortalecendo um ambiente favorável à inovação, à expansão das PPPs e à construção de um Nordeste cada vez mais competitivo na economia de baixo carbono.

O P3C Nordeste conta com o patrocínio da Caixa, do BNDES, do Banco do Nordeste (BNB) e do Governo do Brasil, reforçando o compromisso dessas instituições com a promoção de investimentos em infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento regional. Como destacam as campanhas institucionais: “Tem patrocínio do BNDES, tem Governo do Brasil” e “Onde tem patrocínio do Banco do Nordeste, tem Governo do Brasil”.

Para saber mais sobre o P3C Regional Nordeste, clique aqui

A IA no coração da ciência

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A IA NO CORAÇÃO DA CIÊNCIA
Foto: Enviada por Cris Alessi

Da física à biologia, a Inteligência Artificial inaugura uma nova era em que máquinas e cientistas ampliam juntos os limites do conhecimento.

No ano passado, eu escrevi aqui que a melhor notícia de 2025 foi sobre o Prêmio Nobel de Economia ter sido concedido a estudos sobre crescimento econômico impulsionado pela inovação. Foram laureados o holandês Joel Mokyr, o francês Philippe Aghion e o canadense Peter Howitt.

Até então, eu estava ainda absorvendo a ideia de prêmios dessa importância serem dados a trabalhos ligados à Inteligência Artificial, o que havia acontecido em 2024. Mas hoje já não dá para ignorar as mudanças que a IA traz também no mundo científico.

Há quase dois anos, e pela primeira vez, estudos diretamente ligados à IA foram reconhecidos pela Academia Sueca. No Nobel de Física, Geoffrey Hinton e John Hopfield foram laureados por suas contribuições às redes neurais artificiais. Hopfield, ainda nos anos 1980, apresentou um modelo inspirado na física estatística que permitia memória associativa, enquanto Hinton desenvolveu algoritmos que tornaram possível treinar redes complexas. Essas ideias, que à época pareciam quase especulativas, hoje sustentam sistemas de reconhecimento de voz, tradução automática e até as IAs generativas que transformam nossa relação com a informação.

Na Química, o prêmio foi concedido a Demis Hassabis, John Jumper e David Baker, criadores do AlphaFold, sistema capaz de prever a estrutura tridimensional de proteínas. Esse avanço solucionou um desafio científico que persistia havia mais de meio século e abriu caminho para descobertas em medicina personalizada, biotecnologia e desenvolvimento de novos fármacos.

Estes prêmios também marcam uma virada de paradigma no modo como entendemos a produção de conhecimento. Celebram não apenas conquistas individuais, mas simbolizam a entrada definitiva da Inteligência Artificial no coração da ciência. O Nobel de 2024 consagrou uma nova era em que humanos e máquinas colaboram para desvendar os mistérios da natureza e melhorar a vida na Terra. É um reconhecimento que inspira, valida e projeta a ciência para um futuro em que a inteligência artificial será cada vez mais protagonista.

E isso tudo está muito mais perto de nossas vidas do que imaginamos. Demis Hassabis é co-fundador do Google DeepMind, o laboratório de inteligência artificial da Alphabet. Fundado em Londres em 2010 e adquirido pelo Google em 2014, o DeepMind cria inteligência artificial geral, a AGI, com Hassabis no comando.

E tudo começou com a ideia de que a IA poderia ensinar a si mesma a jogar games. Os games exigem solução de problemas, assim como a ciência. Então quanto mais a IA aprendesse a jogar, mais a sua inteligência ficaria geral e aumentaria sua capacidade de enfrentar outros problemas. A IA dependente de instrução humana nunca ultrapassaria a ingenuidade humana. Mas as máquinas da DeepMind tiveram que definir suas próprias estratégias. Foi esse método que Hassabis e seus colegas aplicaram na descoberta da estrutura tridimensional de proteínas.

A mensagem é clara: a IA não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas um motor de descobertas fundamentais.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC 

Ministro das Cidades participa do lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, no Rio de Janeiro

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Ministro das Cidades participa do lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação/ Ministério das Cidades

Evento no BNDES apresentará estudo desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades para orientar investimentos em transporte público nas principais regiões metropolitanas do país

ministro das Cidades, Vladimir Lima, participa, na quarta-feira (1º), no Rio de Janeiro (RJ), da solenidade de lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU). O evento será realizado no BNDES e marca a entrega oficial do estudo, desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades e outras instituições.

O ENMU foi elaborado entre 2024 e 2026 com o objetivo de construir uma visão nacional sobre os desafios da mobilidade urbana no Brasil, com foco na qualificação e expansão do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país.

O estudo estruturou uma carteira de projetos de transporte público coletivo, avaliados com base em projeções populacionais e de demanda para um horizonte de 30 anos. A iniciativa também reúne boas práticas e insumos para a construção de uma Estratégia Nacional de Mobilidade Urbana.

A programação prevê, além da abertura com participação do ministro, apresentação dos resultados e propostas do estudo, debate sobre os próximos passos e discussão sobre o primeiro ciclo de projetos. O secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Marcos Daniel Souza dos Santos, também participa da programação como moderador de um dos blocos do evento.

Fonte: Ministério das Cidades

Goiânia recebe plano para reduzir custos e modernizar serviços públicos com projeto de cidade inteligente

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Cidades inteligentes: por que tecnologia sozinha não torna uma cidade inteligente
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Goiânia

O prefeito apontou para a necessidade de tornar Goiânia mais conectada e preparada para o futuro. “Goiânia precisa se tornar uma cidade cada vez mais inteligente e conectada

Uma rede de internet até 15 vezes mais rápida, serviços públicos digitalizados e redução de custos operacionais estão entre as propostas apresentadas para acelerar a transformação digital de Goiânia. O conjunto de projetos integra o relatório final do Programa Cidades Inteligentes, entregue nesta segunda-feira, 29, pelo Sebrae Goiás à gestão municipal. O documento reúne iniciativas voltadas à modernização da infraestrutura tecnológica da capital e à ampliação do acesso da população aos serviços públicos digitais.

O estudo foi desenvolvido em parceria com cinco municípios goianos: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Rio Verde, São Luís de Montes Belos e Silvânia. A entrega do relatório começou pela capital e servirá de base para a implementação de novas soluções tecnológicas na administração municipal.

Conectividade deve acelerar atendimento ao cidadão

O gestor do Programa Cidades Inteligentes e analista do Sebrae Goiás, Allan Máximo de Holanda, afirmou que o principal objetivo do trabalho foi estruturar um modelo de governança capaz de tornar a gestão pública mais eficiente, utilizando a tecnologia para melhorar os serviços prestados ao cidadão.

“Nós fizemos todo um trabalho metodológico da governança, organizando a discussão de uma gestão municipal mais eficiente. Através do Programa Cidades Inteligentes analisamos projetos que podem impactar decisivamente a vida do cidadão. O diagnóstico mostrou que a conectividade na gestão pública avançou de maneira efetiva e isso terá reflexos diretos no atendimento à população”, afirmou.

Segundo Allan, um dos principais avanços é a ampliação da capacidade de conectividade da administração municipal, que passa a ser até 15 vezes maior com a implantação da nova rede de fibra óptica.

“Antes a conectividade era praticamente inexistente. Agora o avanço é de 15 vezes, permitindo serviços prestados de forma muito mais eficiente. Cadastros realizados antes de consultas médicas, registros escolares e diversos outros serviços terão maior agilidade com essa nova estrutura”, explicou.

Projeto está em execução e deve ser concluído no aniversário de Goiânia

O secretário municipal de Inovação e Transformação Digital, Fábio Christino, destacou que a parceria com o Sebrae vai além do apoio financeiro e inclui planejamento técnico e acompanhamento dos projetos de inovação desenvolvidos pela prefeitura.

“O Sebrae contribui não apenas com recursos de investimento, mas também com conhecimento e experiência na condução de processos e projetos. Essa ação da GigaLan é apenas um dos projetos realizados em conjunto e ainda há muito a ser feito”, afirmou.

Segundo o secretário, a implantação da nova infraestrutura já está em andamento e a expectativa é concluir os trabalhos até o aniversário de Goiânia.

“O projeto revoluciona a experiência do servidor no atendimento ao cidadão. Antes tínhamos uma média de 20 megabits para fornecer conectividade. Hoje conseguimos ampliar essa capacidade em 15 vezes utilizando tecnologia de fibra óptica”, disse.

Meta é reduzir burocracia e ampliar serviços digitais

A vice-prefeita de Goiânia, coronel Cláudia Lira (Avante), afirmou que o relatório também orienta outras ações de modernização da administração pública, como a renovação do parque tecnológico das áreas de saúde e educação.

“Junto com a conectividade, estamos ampliando o parque tecnológico do município, com a entrega de computadores novos para unidades escolares e de saúde”, afirmou.

Ela também ressaltou que o objetivo é substituir processos presenciais por serviços digitais, reduzindo custos e facilitando o acesso da população.

“O Sebrae deixou de ser apenas um parceiro e se tornou um irmão no processo de gestão da cidade. O objetivo é reduzir custos e aumentar a efetividade, substituindo processos manuais por digitais. O usuário poderá acessar os serviços públicos de onde estiver, sem precisar se deslocar até uma unidade física, tendo tudo na palma da mão”, explicou.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), afirmou que a transformação digital faz parte da estratégia da administração municipal para tornar a capital mais eficiente e preparada para os próximos anos.

“Com essa parceria, buscamos modernizar os serviços públicos e acelerar a transformação digital da gestão.”

Segundo o prefeito, o objetivo é consolidar Goiânia como uma cidade cada vez mais conectada.

“Goiânia precisa se tornar uma cidade cada vez mais inteligente e conectada. Ficamos felizes em trabalhar com parceiros para conectar toda a cidade e avançar nesse processo de modernização”, concluiu.

Fonte: Jornal Opção

Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico que dura 30 anos

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Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico que dura 30 anos
Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Adversário do Brasil reúne liderança em inovação, baixo desemprego e indústria sofisticada, mas convive há décadas com a ‘Japanificação’: crescimento lento, envelhecimento da população e uma das maiores dívidas públicas do mundo.

Após derrotar a Escócia na fase de grupos, a seleção brasileira terá pela frente, nesta segunda-feira (29), um adversário que desperta interesse não apenas dentro de campo. O Japão chega à segunda fase da Copa do Mundo de 2026 levando consigo um dos casos mais estudados da economia mundial.

Quarta maior economia do planeta, o país permanece entre os líderes globais em inovação e na produção de bens de alta tecnologia. Ao mesmo tempo, convive há décadas com crescimento econômico modesto e desafios estruturais que limitam uma expansão mais acelerada.

Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do Peterson Institute for International Economics (PIIE), explica que esse cenário começou a tomar forma após o estouro das bolhas imobiliária e do mercado de ações, entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990.

A partir dali, o Japão entrou em um longo período de baixo crescimento e inflação muito baixa — em alguns momentos, até de queda generalizada dos preços, fenômeno conhecido como deflação.

Ao mesmo tempo, a baixa taxa de natalidade, a redução da população em idade ativa e o envelhecimento acelerado passaram a pressionar o mercado de trabalho e as contas públicas.

📉 Esse conjunto de fatores ficou conhecido entre economistas como “Japanificação”, termo usado para descrever economias que convivem por longos períodos com crescimento fraco, inflação persistentemente baixa e dificuldade para recuperar o dinamismo.

Mais de três décadas depois, porém, parte desse quadro começou a mudar. A inflação voltou a se aproximar da meta do Banco do Japão (BoJ), permitindo que a autoridade monetária abandonasse a política de juros negativos. Hoje, a taxa básica está em 1% ao ano.

“Pela primeira vez, desde que o envelhecimento populacional se acelerou no início dos anos 1990, o Japão pode ter um caminho plausível para desenvolver pressões sustentadas de salários e preços impulsionadas internamente”, afirma Kirkegaard.

Quebra-cabeça econômico

A melhora recente, no entanto, não eliminou as características que fazem da economia japonesa um caso singular.

O país mantém uma das menores taxas de desemprego do mundo — tendo alcançado 2,5% em abril —, e tem um PIB per capita estimado em cerca de US$ 35,7 mil pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também continua entre as economias mais inovadoras do planeta: de acordo com o Global Innovation Index 2025, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), ocupa a 12ª posição no ranking e lidera indicadores ligados à sofisticação industrial e à cooperação entre universidades e empresas.

Em 2023, destinou 3,44% do Produto Interno Bruto (PIB) — cerca de US$ 145 bilhões — à pesquisa e desenvolvimento. Ainda assim, sua economia cresce, em média, apenas 1% ao ano há cerca de três décadas.

É essa combinação que pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Internacional, da Universidade Harvard, definem como um “quebra-cabeça econômico”.

Apesar do crescimento modesto, o Japão lidera o Índice de Complexidade Econômica desde 1981, reflexo da capacidade de produzir bens de alto valor agregado.

“A história econômica do Japão não é apenas sobre estagnação. É também a história de uma economia que redirecionou seu conhecimento produtivo para além de suas fronteiras”, resumem os pesquisadores.

Demografia e o freio do crescimento

No entanto, parte desse “quebra-cabeça” passa pela transformação demográfica do país.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que, em 2026, quase 30% dos japoneses têm mais de 65 anos, enquanto a taxa de fertilidade permanece próxima de 1,2 filho por mulher.

Com menos pessoas em idade ativa para trabalhar, o potencial de crescimento da economia diminui e aumentam as pressões sobre os gastos públicos, especialmente com aposentadorias e saúde.

E talvez poucos indicadores traduzam melhor esse desafio do que a dívida pública japonesa. Mesmo em trajetória de queda gradual, o FMI projeta que ela permanecerá acima de 200% do PIB em 2026, uma das maiores proporções do mundo.

Parte dessa trajetória reflete as escolhas feitas pelo país para lidar com o envelhecimento da população.

Em vez de promover um ajuste fiscal mais intenso ou elevar significativamente a carga tributária, o governo passou a financiar uma parcela crescente das despesas com aposentadorias e saúde por meio da emissão de dívida.

O envelhecimento levou muitas empresas japonesas a mudar sua estratégia de crescimento: com um mercado doméstico cada vez menor e mais envelhecido, ampliaram investimentos no exterior e passaram a gerar receitas crescentes com propriedade intelectual, pesquisa e desenvolvimento e dividendos de subsidiárias internacionais.

Os efeitos da mudança demográfica também aparecem no mercado de trabalho.

Dados do FMI mostram que o setor de serviços responde por cerca de 70% do valor agregado da economia japonesa e concentra algumas das maiores dificuldades para contratar trabalhadores. Além disso, profissionais com mais de 60 anos estão cada vez mais presentes em atividades como serviços e construção.

Esse cenário ajuda a explicar por que os ganhos de produtividade variam entre os diferentes setores da economia.

Enquanto a indústria manufatureira avançou nas últimas décadas com inovação e melhorias na organização da produção, serviços voltados ao mercado doméstico — como saúde, comércio, hotéis e alimentação — registraram uma evolução mais lenta.

Apesar disso, o economista Kyoji Fukao, professor da Universidade Hitotsubashi, afirma que essa diferença não é recente.

Em um estudo sobre as causas estruturais das chamadas “duas décadas perdidas” do Japão, ele argumenta que os ganhos de produtividade obtidos pela indústria não foram reproduzidos em boa parte dos serviços, onde modelos de gestão mais eficientes demoraram a ser adotados.

“O crescimento da produtividade permaneceu lento no Japão, já que as grandes empresas mais produtivas não ampliaram sua participação de mercado. Além disso, a segurança no emprego tem prioridade no Japão e, como resultado, os custos de abrir e fechar estabelecimentos são elevados”, afirma.

Fonte: G1