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O médico que teve imagem clonada por IA para vender curas milagrosas no YouTube: ‘Podem estar causando danos fatais a idosos’

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O médico que teve imagem clonada por IA para vender curas milagrosas no YouTube: 'Podem estar causando danos fatais a idosos'
Foto: BBC Brasil | Reprodução

O médico Hélio Brasileiro reclama em seu canal sobre clones que usam sua imagem; BBC News Brasil mapeou ao menos cinco páginas do tipo

O médico otorrinolaringologista Hélio Brasileiro teve sua imagem e identidade clonadas por inteligência artificial.

Ao menos cinco canais no YouTube usaram sua imagem, sem sua autorização, para divulgar conteúdos sobre saúde em tom alarmista, com o objetivo de engajar a audiência, especialmente entre os idosos.

A prática pode ser enquadrada, segundo a polícia e especialistas ouvidos pela reportagem, nos crimes de falsidade ideológica, falsa identidade e exercício ilegal da medicina, além de delitos cibernéticos e contra a honra.

A BBC News Brasil identificou que esses vídeos integram uma rede de canais na plataforma, que também copiam a imagem de outros médicos de verdade, com o objetivo de monetizar com visualizações no YouTube.

Os canais que clonaram a identidade de Brasileiro associam, por exemplo, banhos quentes a problemas cardíacos (“o perigo oculto do banho quente no inverno que sobrecarrega o seu coração”) e recomendam tratamentos “naturais” que substituiriam remédios indicados por profissionais da saúde.

Juntas, essas páginas possuem centenas de milhares de seguidores.

A BBC News Brasil identificou evidências de que os canais podem estar sendo operados por uma mesma pessoa ou grupo. As páginas foram criadas no mesmo período e compartilham títulos e até roteiros idênticos.

A página Dr. Hélio – Informações Médicas compartilhou, por exemplo, em 22 de maio, um vídeo sobre “quatro queijos que podem destruir sua saúde após os 60 anos”.

No dia seguinte, um outro canal, Dr. André Tavares, publicou o mesmo conteúdo.

Dois dias depois, outro canal, Dr. Helio Consejos de Salud, segue com o mesmo título. O fluxo se repete pelo menos até o dia 8 de junho, com vídeos do mesmo teor nos canais da Dra. Aline Vitta e Dr. Hélio Saúde em Foco.

Esse reaproveitamento de conteúdo é constante e aparece em outros temas, espalhados em pelo menos 20 canais diferentes mapeados pela reportagem.

Uma pesquisa da organização sem fins lucrativos CTRL+Z mapeou que canais desse tipo, que usam IA para falar sobre saúde, somam mais de 70 milhões de visualizações.

Uma reportagem da BBC News Brasil mostrou como operam esses canais, e o Google removeu parte dessas páginas depois da publicação.

Os clones de Hélio Brasileiro, no entanto, que integram o levantamento, seguiram no ar mesmo depois do alerta à empresa.

‘Denunciei vários vídeos de um canal. Depois vi que tem inúmeros outros’

Além de médico, Hélio Brasileiro é também youtuber. Seu canal possui 270 mil inscritos e quase 700 vídeos.

As primeiras publicações, de 14 anos atrás, tinham como objetivo, diz ele, divulgar a outros médicos informações sobre a medicina do sono.

Depois, durante a pandemia, ele decidiu reativar o canal para desfazer mentiras sobre vacinas e cuidados com a saúde. “Veja que ironia do destino: eu reativei o canal com um slogan: informação médica sem fake.”

Ele se surpreendeu ao ver sua imagem em uma reportagem da BBC News Brasil sobre os falsos médicos gerados por IA. “Denunciei vários vídeos de um canal só. Depois vi, em uma conversa com você [repórter da BBC News Brasil], que tem inúmeros outros.”

Depois da matéria da BBC, ele conta que fez nova denúncia ao YouTube e que também registrou um boletim de ocorrência online, na Polícia Civil de São Paulo.

O caso foi encaminhado ao 3º DP de Sorocaba, onde é investigado por falsidade ideológica, falsa identidade, falso alarme e tentativa de difamação.

A delegada responsável, Alessandra Silveira, afirmou em seu despacho que “o esquema fraudulento ganhou repercussão internacional”, gerando danos à reputação de Brasileiro e “risco de envenenamento ou automedicação à população”.

“A gravidade da difusão de desinformação médica por meio de simulação biométrica exige a imediata atuação da Polícia Judiciária”, afirmou a delegada.

Em nota à BBC, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que estão sendo realizadas diligências para identificar os autores dos crimes e responsabilizá-los.

O médico diz que recebeu orientação do YouTube para que cadastre sua imagem na plataforma, o que facilitaria a denúncia e remoção de conteúdos que usam sua identidade de forma indevida.

O YouTube afirmou, em nota à BBC News Brasil, que todo o conteúdo da plataforma, inclusive aquele gerado com ferramentas de IA, deve seguir diretrizes da comunidade.

“Isso abrange nossas políticas sobre desinformação médica, que proíbem informações incorretas a respeito de prevenção e tratamentos capazes de causar, comprovadamente, danos graves no mundo real.”

A empresa disse que adicionou rótulos a conteúdos gerados por IA para garantir que os espectadores estejam informados sobre o que estão assistindo.

“Ao identificarmos material violativo no YouTube, aplicamos as medidas cabíveis em conformidade com nossos Termos de Serviço, as regras do Programa de Parcerias do YouTube e nossas Diretrizes da Comunidade.”

A empresa não respondeu aos questionamentos da BBC News Brasil sobre o uso indevido da imagem do médico Hélio Brasileiro.

‘Quem cria isso não tem empatia’

Brasileiro disse que sua maior preocupação é o dano que os vídeos podem causar a quem os assiste: eles desencorajam o acompanhamento médico e sugerem receitas milagrosas ineficazes, ao mesmo tempo em que usam sua autoridade de médico para passar credibilidade.

“É assustador. A gente observa que a maioria dos vídeos é voltada para o pessoal da terceira idade, e a maioria traz desinformação. É preocupante — e foi por isso que tomei todas as atitudes jurídicas possíveis”, diz.

“Imagine que você seja hipertenso e faça uso, há muito tempo, de um medicamento. Aparece um vídeo com a minha imagem dizendo: ‘se você, idoso, é hipertenso e toma tal remédio, não sabe o mal que está fazendo aos seus rins — é muito mais saudável tomar o suco de maracujá'”, exemplifica.

“E depois você vê comentários de pessoas idosas dizendo: ‘Meu Deus, eu tomo esse remédio há muito tempo, por que o doutor não me informou? Vou deixar de tomar o remédio e começar a tomar o suco de maracujá’.”

Seu maior desejo, diz, é que os canais sejam derrubados e que esse tipo de fraude se torne de conhecimento público, “para não causar danos aos usuários”.

“Não sou investigador de polícia, não tenho a menor intenção de punir — isso é para o Poder Judiciário, para a polícia. Minha função, enquanto médico, é informar e deixar claro que essas desinformações são perigosas. Que esses canais caiam e não surjam novos, para não prejudicar a saúde da população.”

Ele também faz um apelo para que esse tipo de vídeo pare de ser produzido: “Quem cria isso não tem empatia. Quem busca ganhar dinheiro dessa forma pode estar causando danos fatais a idosos e a outras pessoas que sigam essas informações. E poderia ser o pai, a mãe ou até o filho de quem criou o canal.”

Prática pode ser considerada crime, dizem especialistas

Especialistas entrevistados pela BBC News Brasil alertam que esse tipo de conteúdo pode representar um risco à saúde ao desencorajar tratamentos comprovados ou estimular condutas sem base científica.

“A saúde das pessoas é algo individualizado. Uma medicação ou orientação pode ser benéfica a uma pessoa e maléfica a outra, a depender das comorbidades, da interação com outros medicamentos. Vemos isso como um grande risco”, afirma o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Jeancarlo Cavalcante.

Segundo ele, o perigo é ainda maior para idosos, que podem deixar de procurar atendimento médico adequado, como mostram relatos publicados por pessoas dessa faixa etária nos comentários dos vídeos analisados pela reportagem.

Cavalcante acrescenta que o Conselho pode encaminhar denúncias sobre esse tipo de conteúdo ao Ministério Público e às autoridades policiais.

Na avaliação de Thiago Bottino, professor da FGV Direito Rio, a simples publicação desse tipo de vídeo não configura crime. A situação muda, porém, quando o falso médico passa a exercer funções privativas da profissão.

“O problema é quando alguém que não é médico, seja pessoa real ou inteligência artificial, atua como médico, prescrevendo medicação, dizendo qual seria o tratamento adequado. É um caso de exercício irregular da medicina, que é crime previsto no Código Penal.”

Bottino afirma ainda que os responsáveis pelos vídeos podem responder pelo crime de falsa identidade ao se apresentarem como médicos sem informar que se trata de personagens gerados por inteligência artificial.

Filipe Medon, professor da FGV Direito Rio e coordenador adjunto do AI Hub, afirma que o problema não está em produzir conteúdo sobre medicina com base em pesquisas científicas, mas em criar personagens de inteligência artificial que se passam por médicos e induzem o público ao erro.

Segundo ele, além dos criadores, as plataformas também podem ser responsabilizadas civilmente caso não removam esse tipo de conteúdo após serem notificadas e, em casos de impulsionamento pago, a obrigação de retirada pode existir mesmo sem notificação prévia.

Fonte: BBC Brasil

Exportação de carne bovina no primeiro semestre é recorde, aponta Abiec

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No acumulado do ano, os embarques no primeiro semestre subiram 15,5%, atingindo 1,7 milhão de toneladas e US$ 9,85 bilhões, uma alta de 36,2% em receita
Foto: Freepik

No acumulado do ano, os embarques no primeiro semestre subiram 15,5%, atingindo 1,7 milhão de toneladas e US$ 9,85 bilhões, uma alta de 36,2% em receita

As exportações de carne bovina no primeiro semestre bateram recorde e totalizaram 1,7 milhão de toneladas, um aumento de 15,5% frente ao volume embarcado no mesmo período de 2025, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), divulgados nesta segunda-feira (6).

Nos primeiros seis meses, a receita cresceu 36,2% em relação aos US$ 7,24 bilhões exportados no primeiro semestre de 2025, somando US$ 9,85 bilhões. No acumulado do ano, o país registrou uma média mensal de aproximadamente 284 mil toneladas.

China liderou as importações

A China foi o principal parceiro comercial do setor e correspondeu a 46,6% das exportações brasileiras. No acumulado do ano, os embarques totalizaram 794,7 mil toneladas, uma alta de 24%, e US$ 4,87 bilhões em receita, com um aumento de 49,4%.

Como o Brasil atingiu a cota de exportação de carnes de 1,106 milhão de toneladas para a China sem tarifas adicionais, a expectativa é que o volume de embarques reduza de forma significativa no segundo semestre.

Os Estados Unidos foram o segundo principal destino e apresentaram crescimento de 13% no volume, com 205 mil toneladas, e responsáveis por 29,8% da receita, que totalizou US$ 1,35 bilhão.

Apesar da tensão comercial, a União Europeia foi o terceiro principal parceiro comercial do setor, com 51,2 mil toneladas, que movimentaram US$ 452,3 milhões. Com as novas restrições, que entram em vigor a partir de 3 de setembro, o volume de embarques deve recuar na segunda metade de 2026.

Outros destinos que se destacaram no primeiro semestre foram: Chile, com 70,7 mil toneladas e US$ 420,2 milhões em receita, e Rússia, destino de 62,2 mil toneladas, com receita de US$ 284,1 milhões. As exportações para a Rússia tiveram alta de 53,8% em volume e de 58,9% em valor. Com entraves comerciais com dois dos principais parceiros, a expectativa é que outros destinos ganhem destaque na lista.

Valores de junho

Em junho, os embarques somaram 317,3 mil toneladas, uma alta de 16,6%, e geraram US$ 1,975 bilhão em divisas, 38,1% maior que no mesmo período do ano anterior, melhor resultado da série histórica.

No mês, o produto in natura correspondeu a 88,1% do total exportado, ou 279,7 mil toneladas, e 92,6% da receita de US$ 1,83 bilhão.

O restante das exportações foi concentrado em carnes industrializadas (8,5 mil toneladas, US$ 74 milhões), miúdos ( 20,1 mil toneladas, US$ 46,3 milhões), gorduras (6,2 mil toneladas e US$ 16 milhões), tripas (2,7 mil toneladas e US$ 9,3 milhões) e carnes salgadas (131 toneladas e US$ 754 mil).

No mês, a China foi o principal parceiro comercial, com 161,9 mil toneladas, alta de 19%, e US$ 1,08 bilhão, um crescimento de 39,5%. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com 6,4 mil toneladas, 8,3% menor que um ano antes, mas com uma receita 16,4% maior, de US$ 192,9 milhões.

O terceiro principal destino no período foi o Chile. Os embarques para o país apresentaram alta de 67,5% no volume, com 12,9 mil toneladas, e de 56,8% na receita, deUS$ 81,7 milhões.

As exportações para o México também apresentaram uma alta significativa no mês, de 153,9%, alcançando 11,8 mil toneladas, e receita de US$ 74 milhões, alta de 136,6%.

Outros países de destaque no mês foram: Indonésia (10,6 mil toneladas), Hong Kong (10 mil toneladas), Arábia Saudita (9 mil toneladas), União Europeia (8,2 mil toneladas), Rússia (8,1 mil toneladas) e Filipinas (6,5 mil toneladas).

Apesar do baixo volume embarcado, a União Europeia figurou como o quarto principal mercado no mês, com US$ 75,2 milhões, atrás apenas de China, Estados Unidos e Chile.

Fonte: CNN Brasil

Recuperação extrajudicial dispara no Brasil; entenda por que mais empresas seguem esse caminho

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Inadimplência das empresas no Brasil bate recorde; veja série histórica
Fonte: Freepik | Gerada por IA

Após anos de juros elevados, empresas ampliam uso da modalidade para renegociar dívidas e evitar os custos da recuperação judicial.

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, com dívidas de R$ 65,1 bilhões, chamou a atenção do mercado em 2026. Mas a gigante do setor de açúcar e etanol está longe de ser um caso isolado.

Após anos de juros elevados, entre os mais altos do mundo, um número crescente de empresas brasileiras tem buscado negociar com credores fora dos tribunais para evitar os custos e os impactos associados à recuperação judicial.

Os pedidos de recuperação extrajudicial saltaram de 16, em 2021, para 84 no ano passado. Os casos envolvem empresas de setores como indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).

Em 2026, até o momento, outras 33 empresas seguiram o mesmo caminho.

Esse aumento reflete o peso da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano, sobre muitas empresas brasileiras, especialmente as que contraíram empréstimos elevados durante a pandemia, quando a Selic caiu ao mínimo histórico de 2% ao ano.

Mas esse movimento também é resultado de uma reforma aprovada em 2020, que fortaleceu o mecanismo no Brasil e promoveu “uma mudança cultural”, segundo Juliana Biolchi, diretora do Obre.

Segundo Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, a atualização tornou as reestruturações extrajudiciais mais flexíveis. A mudança permitiu que as empresas excluíssem algumas classes de credores e incentivou o início das negociações de dívida antes que fosse necessário recorrer à recuperação judicial.

Segundo Saragiotto, as reestruturações judiciais são complexas e custosas porque “envolvem todos os credores, afetando a reputação da companhia e o acesso às linhas de crédito, além da manutenção do negócio em si”.

“No momento em que um pedido de recuperação judicial é deferido, a empresa ganha esse carimbo maldito”, completa.

Solução mais simples

A recuperação extrajudicial permite que empresas em dificuldades negociem diretamente com grupos específicos de credores. Depois de aprovado por maioria simples, o plano passa a valer para todos os credores das classes afetadas, impedindo que quem rejeitou o acordo consiga barrá-lo.

Segundo Biolchi, a simplicidade do processo em relação à recuperação judicial fez com que ele passasse a ser “cada vez mais associado a crises financeiras menos agudas”.

O mecanismo ganhou mais visibilidade em 2024, quando a rede varejista Casas Bahia obteve aprovação judicial para uma recuperação extrajudicial de cerca de R$ 4,1 bilhões.

Segundo a empresa, o plano não afetou fornecedores, parceiros comerciais, clientes nem funcionários.

Depois da Casas Bahia, vieram outros casos de grande repercussão, como o da rede de móveis Tok&Stok, também em 2024. Entre os pedidos mais recentes está o do GPA, que, em março, solicitou aprovação para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões.

Empresas do agronegócio, setor que enfrenta um elevado endividamento, também passaram a recorrer ao mecanismo, indicando que seu uso tem se espalhado por diferentes áreas da economia.

Impulsionado pelo caso da Raízen, o volume de dívidas das empresas que pediram recuperação extrajudicial em 2026 já supera R$ 109 bilhões. Em 2024, esse total foi de R$ 41,5 bilhões, refletindo o avanço do movimento e seus impactos no mercado.

“Os investidores estão muito mais preocupados com o risco de crédito do que estavam no passado”, disse Caio Viggiano, diretor da área de renda fixa do Itaú BBA. Segundo ele, os conflitos globais, os juros elevados e a onda de reestruturações corporativas explicam essa mudança.

Especialistas acreditam que o número de recuperações extrajudiciais deve continuar crescendo nos próximos meses.

A Oncoclínicas, maior empresa de tratamento oncológico da América Latina, está entre as companhias que avaliam recorrer ao mecanismo, segundo reportagens da imprensa e uma fonte com conhecimento das discussões. Procurada, a empresa se recusou a comentar.

Fonte: G1

Repasse de R$ 4,5 milhões para ajudar cinco cidades afetadas por desastres

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Repasse de R$ 4,5 milhões para ajudar cinco cidades afetadas por desastres
Foto: Prefeitura de Nova Friburgo

Receberão recursos municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará

Brasília (DF) – Cinco cidades afetadas por desastres vão receber R$ 4,5 milhões para ações de recuperação. As portarias com as liberações dos valores foram publicadas na edição desta segunda-feira (6) do Diário Oficial da União (DOU).

Receberão recursos os municípios de Guidoval e Raul Soares, em Minas Gerais, Nova Palma e Sinimbu, no Rio Grande do Sul, e Placas, no Pará. Confira mais detalhes abaixo:

Minas Gerais

  • Guidoval: R$ 1.699.590,50
  • Raul Soares: R$ 519.899,00

Rio Grande do Sul

  • Nova Palma: R$ 389.900,00
  • Sinimbu: R$ 995.000,00

Pará

  • Placas: R$ 904.999,99

Como solicitar recursos

Cidades com o reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar ao MIDR recursos para ações de defesa civil. A solicitação pelos municípios em situação de emergência deve ser feita por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

Com base nas informações enviadas nos planos de trabalho, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Com a aprovação, é publicada portaria no DOU com o valor a ser liberado.

Capacitações da Defesa Civil Nacional

A Defesa Civil Nacional oferece uma série de cursos a distância para habilitar e qualificar agentes municipais e estaduais para o uso do S2iD. As capacitações têm como foco os agentes de proteção e defesa civil nas três esferas de governo. Confira neste link a lista completa dos cursos.

Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

Estudo Nacional de Mobilidade Urbana

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Estudo Nacional de Mobilidade Urbana
Foto: Sergio Moraes/Reuters

Aqui são apresentados conceitos e relatórios relativos ao estudo que dá origem a essa plataforma

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) foi desenvolvido pelo BNDES, em parceria com o Ministério das Cidades e outras entidades parceiras, entre 2024 e 2026. O Estudo buscou contribuir para uma visão nacional sobre os desafios da mobilidade urbana no Brasil, com foco na qualificação e expansão do transporte público coletivo nas grandes regiões metropolitanas.

A partir do diagnóstico das 21 regiões metropolitanas mais populosas do país, o ENMU mapeou uma carteira de projetos de transporte público coletivo de média e alta capacidades, avaliados com base em estudos populacionais e de demanda em um horizonte de 30 anos.

O Estudo também reuniu boas práticas e desenvolveu insumos para uma estratégia nacional de mobilidade urbana, incluindo propostas para viabilizar os investimentos necessários. O Portal Mobilidade Brasil foi criado para dar visibilidade às principais conclusões do ENMU e apoiar a disseminação de informações e referências para o setor.

Fonte: BNDES

Conheça o estudo completo aqui.

Fonte: BNDES

Curitiba: a engenharia de uma cidade que aprende

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Curitiba: a engenharia de uma cidade que aprende
Foto: Prefeitura de Curitiba/Divulgação

Como uma capital brasileira transformou educação, dados e governança compartilhada em vantagem competitiva de longo prazo

Em novembro de 2023, em Barcelona, Curitiba subiu ao palco do World Smart City Awards como a Cidade Mais Inteligente do Mundo. O prêmio coroou décadas de planejamento urbano, mas escondia uma mudança mais sutil e, a rigor, mais difícil de replicar: a capital paranaense havia deixado de tratar a inteligência urbana como sinônimo de tecnologia e passado a tratá-la como sinônimo de aprendizagem. Três meses depois, em fevereiro de 2024, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) confirmou essa virada ao admitir Curitiba na Rede Global de Cidades de Aprendizagem, ao lado de apenas outros dois municípios brasileiros, Recife e Leme. Tomados em conjunto, os dois reconhecimentos sugerem algo que poucas cidades conseguem demonstrar com dados: que o investimento em capital humano, e não apenas em infraestrutura física, é a verdadeira fonte de vantagem competitiva de uma cidade ao longo do tempo.

A tese central do modelo curitibano é simples de enunciar e difícil de executar: o aprendizado ao longo da vida funciona como motor de inovação social quando a cidade deixa de ser apenas um cenário onde a aprendizagem acontece e passa a ser, ela própria, uma infraestrutura de aprendizagem. Essa infraestrutura se manifesta em três camadas que se reforçam mutuamente. A primeira é discursiva: são as narrativas, os discursos públicos e as prioridades políticas que definem, para uma comunidade inteira, o que conta como aprendizado valioso. A segunda é material: bibliotecas, parques, redes digitais e equipamentos urbanos que sustentam fisicamente o fluxo de conhecimento entre cidadãos. A terceira, talvez a mais negligenciada nos debates sobre cidades inteligentes, é afetiva — a camada de cuidado, confiança e hospitalidade sem a qual nenhum recurso material chega de fato às populações mais vulneráveis. Tratar essas três dimensões como interdependentes, e não como etapas sucessivas de um mesmo plano, é o que distingue Curitiba de outras experiências de modernização urbana centradas exclusivamente em tecnologia.

Essa arquitetura de aprendizagem encontra seu correspondente institucional na governança da cidade, estruturada em torno do modelo de Hélice Quádrupla, que articula governo, academia, mercado e sociedade civil em torno de objetivos compartilhados. O Vale do Pinhão é a expressão mais visível dessa articulação: criado para integrar universidades, empresas e poder público em um único ecossistema de inovação, o programa ajudou a multiplicar por oito o número de startups da cidade em dez anos, de 84 para 670, segundo dados da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, somando-se a mais de 180 ambientes de inovação entre parques tecnológicos, coworkings, incubadoras e aceleradoras. Mas o que torna o caso curitibano pedagogicamente interessante não é a métrica de crescimento empresarial em si — vários polos de inovação no Brasil apresentam números semelhantes —, e sim o protagonismo deliberado dado ao cidadão comum dentro desse ecossistema. Nos Faróis do Saber e Inovação, antigas bibliotecas de bairro reconvertidas em centros de prototipagem, qualquer morador pode acessar impressoras 3D e equipamentos de robótica. A inovação, nesse desenho, não é importada de fora para dentro da cidade; é fabricada, literalmente, dentro dela.

Esse mesmo princípio orienta o que a Prefeitura chama de Educação 5.0: o uso de inteligência artificial e dados não como fim em si, mas como ferramenta para a resolução de problemas sociais concretos. O Gêmeo Digital da cidade, pioneiro no Brasil, permite simular e antecipar decisões de manutenção e conservação urbana antes que se tornem custosas. O Super App municipal centraliza cerca de 800 serviços públicos com apoio de inteligência artificial, reduzindo a distância burocrática entre o cidadão e a administração. Mas é na sala de aula que essa lógica se torna mais reveladora: estudantes da rede municipal aprendem a interpretar indicadores reais de sustentabilidade e de orçamento público a partir de casos como o da Pirâmide Solar do Caximba, usina fotovoltaica erguida sobre um antigo aterro sanitário desativado. Ensinar uma criança a ler um indicador de geração de energia limpa, ou a entender por que esse projeto faz sentido fiscal, é uma forma de alfabetização em dados que poucas redes de ensino no país oferecem com esse grau de concretude.

Essa mesma lógica pedagógica se estende ao espaço físico da cidade, que Curitiba trata cada vez mais como uma extensão da sala de aula. O Jardim das Sensações foi desenhado para que a percepção ambiental aconteça através dos sentidos, em um exercício de inclusão que vai além da acessibilidade arquitetônica convencional. O Museu Ferroviário preserva a memória técnica e cultural da cidade sem isolá-la do uso contemporâneo do espaço urbano. E a renovação da frota de ônibus elétricos, que poderia ser tratada como um simples investimento em infraestrutura de transporte, vem acompanhada de campanhas públicas que explicam à população o impacto da descarbonização — transformando uma decisão de engenharia em um momento de educação cívica.

Os números confirmam que essa aposta de longo prazo em capital humano vem produzindo resultado mensurável, não apenas retórica institucional. Em 2023, Curitiba registrou a menor taxa de distorção idade-série do país entre as redes municipais de ensino fundamental, 2,3%, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), liderança nacional que a cidade mantém desde 2022. Em 2025, o percentual de alunos alfabetizados na idade certa saltou para 74,03%, um avanço de oito pontos percentuais em relação ao ano anterior e o quarto melhor resultado entre todas as capitais brasileiras. E, em um indicador que captura a experiência de vida da população de forma mais ampla do que qualquer métrica educacional isolada, Curitiba foi eleita pelo Índice de Progresso Social (IPS) a capital brasileira com a melhor qualidade de vida do país em 2025 — posição que confirmou na edição seguinte do índice, em 2026, com nota 71,29, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O que o caso de Curitiba ensina, em última análise, é que inteligência urbana e cidade educadora não são dois projetos paralelos, mas a mesma aposta vista de dois ângulos diferentes. A cidade converteu dados em valor social porque tratou a tecnologia como meio, nunca como fim — e reservou o papel de fim último ao desenvolvimento do seu capital humano. É uma lição que vale tanto para gestores públicos quanto para qualquer organização que confunda, com frequência, investir em ferramentas com investir em pessoas: a inovação só se sustenta no tempo quando se torna um processo social compartilhado, capaz de sobreviver à troca de gestão, à mudança de tecnologia e à passagem das gerações que a cidade, ano após ano, continua formando.

Fontes consultadas: Prefeitura de Curitiba; Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP); Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) / IPS Brasil; ONU News; Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC 

Oceanos do mundo registram recorde de calor para junho

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Oceanos do mundo registram recorde de calor para junho
Foto: Edição / Canva

Cientistas esperam novas temperaturas recordes na superfície do mar em 2026 devido ao efeito combinado da mudança climática e do El Niño.

Os oceanos, que cobrem dois terços da Terra, tiveram o junho mais quente já registrado e podem bater novos recordes em 2026 devido ao efeito combinado do El Niño e do aquecimento global, anunciou nesta quarta-feira (1º/07) o observatório europeu Copernicus.

As temperaturas globais da superfície do mar (TSM) já ultrapassaram os níveis recordes para esta época do ano, alcançados em 2023 e 2024, segundo os dados mais recentes do Copernicus.

O Centro Europeu para as Previsões Meteorológicas a Médio Prazo comunicou que os dados diários das TSM registrados pelo Serviço de Mudança Climática do Copernicus (C3S) ultrapassaram os níveis recordes anteriores no dia 21 de junho, com 20,86ºC, ligeiramente acima dos 20,83ºC observados em 2023 e 2024.

Já segundo os dados do Serviço de Vigilância Marítima do Copernicus (CMEMS), a temperatura média na superfície dos oceanos foi de 20,98°C em junho, superando o recorde anterior de junho de 2024 (20,89°C).

“As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase que nos levará, mais uma vez, a um território inexplorado”, alertou o diretor do C3S, Carlo Buontempo. Ele destacou ainda que, com as temperaturas oceânicas nesses níveis e o fenômeno do El Niño no horizonte, é provável que haverá quebra de recordes de temperatura nos próximos meses.

O atual nível de aquecimento “sem precedentes” reflete tanto as alterações climáticas como do fenômeno El Niño, cuja intensidade “provavelmente atingirá níveis que não se observavam há décadas”.

Fonte: G1

Criciúma sediará encontro nacional sobre cidades inteligentes e inovação na gestão pública

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São José dos Campos recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC em 3 de dezembro
Foto: Divulgação

Município será o único de Santa Catarina a receber as Reuniões Estratégicas Regionais do Connected Smart Cities em 2026

Criciúma será o único município de Santa Catarina a receber as Reuniões Estratégicas Regionais da plataforma Connected Smart Cities (CSC) 2026. O encontro nacional reunirá gestores, especialistas, lideranças e representantes do setor privado para debater soluções, compartilhar experiências e fortalecer o desenvolvimento dos municípios. O evento acontecerá no dia 27 de julho, no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). Interessados podem efetuar a inscrição por meio do link (https://abrir.link/avXEY).

“Receber um evento dessa relevância demonstra que Criciúma está consolidada como referência em inovação, planejamento e desenvolvimento sustentável. Será uma oportunidade para apresentar as iniciativas que estamos implementando, além de trocar experiências e construir soluções em conjunto com outras lideranças que pensam o futuro das cidades”, ressalta o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola.

Durante o evento, serão abordados temas relacionados à transformação digital dos governos, inovação na gestão pública, sustentabilidade, mobilidade urbana, desenvolvimento econômico, tecnologia aplicada aos serviços públicos e estratégias para tornar os municípios mais inteligentes, eficientes e conectados. A proposta das reuniões é promover a troca de conhecimento e a construção de soluções inovadoras para os desafios urbanos enfrentados pelas cidades brasileiras.

A programação também contará com três painéis de debate, apresentação de cases e momentos de integração entre os participantes. O primeiro painel terá como tema captação de recursos e estruturação de projetos: caminhos para viabilizar soluções estratégicas nos municípios. O segundo abordará sobre economia de impacto e inovação social como vetores de cidades inteligentes e inclusivas. Já o terceiro será voltado a sustentabilidade e resiliência climática como pilares para cidades inteligentes e preparadas para o futuro.

Segundo o secretário municipal de Governança, Tiago Ferro Pavan, a seleção de Criciúma como uma das sedes do evento reforça o protagonismo do município na agenda de cidades inteligentes, inovação, desenvolvimento urbano e boas práticas de gestão pública.

“A realização da Reunião Estratégica da Plataforma CSC em nossa região representa um marco importante para o fortalecimento do diálogo sobre o futuro das cidades. Trata-se de um evento inédito, que coloca o município no centro de uma agenda nacional voltada à inovação, à modernização da gestão pública e à construção de soluções urbanas mais eficientes e sustentáveis”, destaca.

Sobre a Plataforma CSC

A Plataforma CSC é um movimento nacional de transformação urbana que valoriza a diversidade regional, a colaboração e o impacto real nas cidades brasileiras. Por meio da plataforma, Criciúma esteve no ranking de cidades mais inteligentes no Brasil, ocupando a 16ª posição.

Fonte: Prisco

Cientistas da Fiocruz podem produzir vacina completa contra a malária

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Cientistas da Fiocruz podem produzir vacina completa contra a malária
Foto: Portal Biologia/divulgação

Estudo foi publicado na revista científica Nature

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram passo importante para obter uma vacina mais completa contra a malária. Os pesquisadores identificaram um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que podem viabilizar o desenvolvimento de um imunizante capaz de proteger contra diferentes espécies e atuar em várias fases da doença. A descoberta foi publicada nessa quarta-feira (1º) na revista  Nature.

O estudo adotou abordagem inovadora para entender como o sistema imunológico reconhece o parasita causador da malária. Em vez de focar apenas na produção de anticorpos, estratégia mais comum nas vacinas atuais, a equipe investigou o papel dos linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de identificar e destruir diretamente as células infectadas.

“Há mais de 50 anos se busca desenvolver uma vacina contra a malária e, só recentemente, tivemos aprovados imunizantes com eficácia limitada, voltados principalmente para o P. falciparum e para crianças. Um dos principais desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais”, explica a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo.

Segundo ela, o diferencial da pesquisa foi justamente mostrar que as células T CD8+ também desempenham papel central no combate ao parasita e identificar quais as proteínas dele que são reconhecidas pelo sistema imune.

A investigação foi feita em etapas. Primeiro, os cientistas identificaram os peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas do parasita exibidos na superfície das células infectadas e reconhecidos pelos linfócitos T CD8+. No total, foram identificados 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita.

Em seguida, o grupo mapeou a origem desses fragmentos e observou que a maioria vinha de proteínas chamadas housekeeping, responsáveis por funções básicas e indispensáveis à sobrevivência do parasita.

“Essas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e altamente conservadas entre diferentes espécies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal”, explica a pesquisadora. Na prática, significa que uma vacina baseada nesses alvos teria mais chances de funcionar de forma ampla, atingindo o parasita em diferentes momentos da infecção e em suas diversas variantes.

Resposta imune

Na etapa seguinte, a equipe testou se esses peptídeos realmente eram combatidos pelo sistema imune. Os resultados mostraram que células de pacientes infectados, tanto por P. vivax quanto por P. falciparum, reagiram aos antígenos identificados.

Além disso, a resposta foi observada em outras três espécies de Plasmodium, incluindo aquelas que infectam primatas e camundongos. “Confirmamos a resposta imunológica em cinco espécies diferentes e em múltiplos hospedeiros, incluindo humanos naturalmente infectados, humanos submetidos à infecção experimental e modelos animais, tanto em camundongos quanto em primatas”, afirmou Caroline.

Os testes foram realizados tanto em amostras humanas quanto em modelos experimentais. Em primatas e camundongos, os antígenos também induziram resposta de células T, inclusive em órgãos-chave como o fígado, onde ocorre a etapa inicial da infecção, e no sangue. Em modelos animais, alguns desses alvos chegaram a demonstrar efeito protetor, reduzindo a carga do parasita.

“Não é só reconhecimento: vimos indícios de proteção, o que é fundamental para o desenvolvimento de uma vacina”, afirma a pesquisadora.

Diferencial

Atualmente, as vacinas disponíveis contra a malária têm eficácia parcial e são direcionadas principalmente ao P. falciparum, atuando na fase inicial da infecção. Além disso, sua proteção tende a diminuir com o tempo.

O novo estudo aponta caminho diferente: uma vacina capaz de atuar em múltiplos estágios do parasita, tanto no fígado quanto no sangue, e eficaz contra diferentes espécies.

“Hoje, as vacinas não cobrem completamente todas as fases da infecção. Nosso trabalho mostra que esses antígenos estão presentes em vários momentos, o que atende a uma demanda importante da Organização Mundial da Saúde”, explicou Caroline.

Apesar do avanço ainda há um longo caminho até o desenvolvimento de um imunizante. Os achados precisam passar por novas etapas de validação e testes clínicos.

“Nosso objetivo foi mostrar que existem caminhos diferentes e promissores. Agora, outros grupos podem explorar esses alvos e avançar no desenvolvimento de uma vacina realmente eficaz contra a malária”, concluiu a pesquisadora.

Fonte: Agência Brasil

MaaS como conceito, para além da ferramenta

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MaaS como conceito, para além da ferramenta
Foto: Gerada por IA/ Gemini

Por que as plataformas falham sem foco estrutural

A promessa da Mobilidade como Serviço (MaaS) nasceu na década passada, a partir das experiências de Helsinque, com uma narrativa sedutora em que reunir todos os modais sob um único aplicativo ou plano de assinatura bastaria para tirar o carro das pessoas. Na prática, não foi o que aconteceu. A crítica mais recente ao tema é que a plataforma tecnológica não é a salvação da mobilidade urbana, é apenas uma ferramenta de facilitação. O que transforma o setor é o conceito estrutural e a mudança da percepção. E isso nenhum aplicativo substitui.

O desenvolvimento dessas plataformas quase sempre seguiu a lógica do technology push (a tecnologia empurrando a demanda), fosse refinando o algoritmo ou a interface antes de entender como a população de fato se desloca. Esse raciocínio ignora o ponto central do passageiro comum ser movido pelo viés do status quo. Ele só troca o que já conhece se houver um ganho real, perceptível e confiável de tempo e conforto. Se as vias seguem congestionadas, a frota sucateada e o tempo de espera imprevisível, nenhum aplicativo unificado muda o comportamento de quem viaja. É o mesmo ponto já tratado em A Economia Comportamental da Mobilidade, enquanto o ganho percebido pelo usuário não for real e confiável, nenhuma interface é capaz de alterar a decisão de viagem.

Por que tantas plataformas MaaS quebraram

A história recente do setor é um cemitério de plataformas MaaS que receberam muito dinheiro de fundos de risco e de consórcios estatais e mesmo assim não pararam de pé. O colapso mais emblemático é o da MaaS Global, criadora do aplicativo Whim e liderada por Sampo Hietanen, amplamente considerado o idealizador do conceito MaaS. Apesar de captar mais de €149 milhões de investidores de peso como Toyota, Mitsubishi e BP Ventures, a startup finlandesa declarou falência em março de 2024. O modelo de negócios focado em assinaturas B2C integradas mostrou-se financeiramente insustentável, gerando perdas severas de €9,3 milhões contra um faturamento de apenas €3,8 milhões em 2022. A aposta de saltar de um mercado de transporte fragmentado direto para um ecossistema de assinatura unificado esbarrou num descompasso conhecido, a velocidade que uma startup exige não combina com a lentidão operacional e regulatória do transporte público. Post-falência, a tecnologia remanescente foi adquirida pela plataforma holandesa umob, em abril de 2024, enquanto os fundadores tentaram migrar tardiamente para soluções B2B2C de licenciamento tecnológico.

Muitos ainda misturam soluções DRT com MaaS e um dos casos mais notórios foi o de inviabilidade econômica do Kutsuplus, um serviço de microtransporte flexível sob demanda operado pela autoridade de transporte regional de Helsinque (HSL) entre 2012 e 2015. A plataforma utilizava um algoritmo dinâmico desenvolvido pela startup AJELO (posteriormente adquirida pela Split) para agrupar solicitações de passageiros em tempo real em micro-ônibus municipais. Apesar da aprovação técnica e da excelente aceitação dos usuários, o Kutsuplus foi descontinuado devido aos seus custos operacionais insuportáveis. O sistema exigia que a municipalidade subsidiasse cerca de 80% do custo de cada viagem, resultando em um aporte público de aproximadamente €17 a €20 por passageiro, enquanto o subsídio médio para viagens de transporte convencional na mesma região era de apenas €0,85.

Manter o Kutsuplus em escala urbana custaria mais de vinte e três vezes o que custa o transporte convencional. Em qualquer cenário de aperto fiscal, isso é inviável. Esse limite de escala é justamente o ponto discutido em Transporte compartilhado sob demanda serve em qualquer lugar?, onde a solução sob demanda mostra valor em contextos específicos, mas não substitui o transporte estruturante.

No campo regulatório, a sueca UbiGo mostrou que o entrave institucional sozinho já derruba um projeto de alto impacto. Nascida de um piloto bem-sucedido em Gotemburgo e depois levada a Estocolmo, e mesmo cortando em 50% o uso do carro próprio entre as famílias participantes, a UbiGo foi encerrada. Entre os problemas identificados faltou respaldo legal e resistência do governo.

No ambiente corporativo automotivo, a ReachNow (originalmente moovel), uma iniciativa conjunta da Daimler AG e do BMW Group criada com o aporte de um bilhão de euros para unificar serviços de compartilhamento de carros, táxis, patinetes e carregamento elétrico, também fracassou em sua missão de rentabilidade. Em 2020, as montadoras foram forçadas a vender a divisão B2B e B2G da moovel para a Mobimeo, uma subsidiária da operadora ferroviária estatal alemã Deutsche Bahn, concentrando-se de forma residual no mercado B2C com o aplicativo ReachNow. Paralelamente, o grupo decidiu descontinuar discretamente sua marca própria de patinetes elétricos, a Hive, gerando perdas em baixas contábeis de dez milhões de euros. A subsidiária de intermediação de corridas FreeNow registrou perdas de €379 milhões em 2019, evidenciando o quão dispendiosa é a sustentação de ecossistemas MaaS em escala continental.

No Brasil, a Quicko, Lançada em 2018, recebeu financiamento do Grupo CCR, que investiu US$ 10 milhões em 2019 e adicionou mais R$ 100 milhões em 2020 para obter 80% de participação na empresa, a plataforma possuía atuação em São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Curitiba. Em março de 2022, a Quicko foi adquirida pela MaaS Global em uma transação societária que visava introduzir o modelo europeu de assinaturas integradas na América Latina. No entanto, em junho de 2022, apenas três meses após a aquisição, as dificuldades de financiamento global enfrentadas pela controladora finlandesa culminaram no fechamento abrupto das operações da Quicko no Brasil, resultando na demissão de toda a sua equipe de mais de 60 colaboradores, na descontinuação imediata do aplicativo e dívida entre os fornecedores.

O passageiro recorrente é quem sustenta o sistema

A tese que derruba a ferramenta como solução definitiva tem a ver com quem realmente usa o transporte e como essa pessoa se comporta. Toda rede de transporte coletivo se sustenta, técnica, operacional e financeiramente, no passageiro recorrente. Para esse usuário, planejamento dinâmico de rota, assinatura de micromobilidade e sugestão de caminhos alternativos são recursos que servem para um nicho, mas não mudam a rotina da massa.

A demanda é rígida com rota fixa, horário de entrada e de saída já definidos. Passageiros já sabem de cor quais ônibus, trens e metrôs podem pegar e onde o trânsito vai travar. O que decide a qualidade do deslocamento dele não é a fluidez de uma tela, é a regularidade, a confiança de que a linha vai passar e o conforto do serviço. É o mesmo argumento desenvolvido em Transporte Público: a percepção de qualidade é o jogo real, não apenas frota nova, no qual a percepção de qualidade vem da regularidade e da confiança no serviço. Some-se a isso que esse público é muito sensível ao preço da passagem. Pacote “premium” que junta patinete elétrico, aluguel de carro e táxi são soluções buscadas por uma elite diretamente nas plataformas. Geralmente esses modelos não cabem no bolso do trabalhador de menor renda, o cativo do sistema, e ainda “induzem” este passageiro a olhar para o transporte coletivo como marginalizado com qualquer outra solução sendo mais atrativa. O mesmo descompasso entre solução de vitrine e o que o usuário realmente consegue pagar já foi tratado em Tarifa Zero não é solução de transporte para o Brasil. Estudos recentes mostram que a grande demanda acrescida nos sistemas de tarifa zero não são de usuários de automóveis, mas principalmente de usuários que deixam de fazer deslocamento a pé.

A queda na demanda por transporte coletivo nas últimas três décadas — agravada pelo trabalho remoto no pós-pandemia —Vem da perda de competitividade do transporte diante do transporte individual. 

Quem tem mais renda migra para as opções individuais. Quem tem menos fica preso a um sistema público tradicional, cronicamente subfinanciado, e sem entregar o que o passageiro precisa e deseja. Nesse cenário, o MaaS, como plataforma acaba virando uma cortina de fumaça regulatória, ocupa a agenda sem mudar o dia a dia de quem mais depende do transporte.

Fortalecer o transporte passa, sim, pelas ferramentas digitais,  mas se ancora antes na mudança estrutural e na percepção de quem usa o serviço. Tratar o transporte como um serviço que precisa ser percebido é devolver o MaaS ao seu conceito, já que ele, como plataforma, não substitui infraestrutura, regularidade nem financiamento. Inverter essa ordem foi o erro que enterrou as plataformas,  e um grande potencial, até aqui. No fim, tudo volta à mesma máxima: não importa quanto o serviço custe nem quão complexo seja entregá-lo, o que importa é a percepção do usuário.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC