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Com mais idosos na internet, pesquisa sugere diretrizes para tornar chatbots mais inclusivos e acessíveis

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Com mais idosos na internet, pesquisa sugere diretrizes para tornar chatbots mais inclusivos e acessíveis
Foto: Shvets/Pexels

Estudo identificou as principais dificuldades enfrentadas por pessoas com 60 anos ou mais ao interagir com assistentes virtuais e reuniu 43 recomendações para orientar profissionais e empresas que constroem esses sistemas

Os idosos brasileiros estão cada vez mais conectados. No entanto, à medida que bancos, planos de saúde, empresas e órgãos públicos ampliam o uso de chatbots — um programa de software desenvolvido para simular uma conversação humana — e outras ferramentas de inteligência artificial para atender a seus usuários, um novo desafio surge: fazer com que essas tecnologias também sejam acessíveis para quem envelhece. Segundo um levantamento divulgado neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais utilizaram a internet em 2025. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o porcentual passou de 70,1% para 74,5%, o maior crescimento entre todas as faixas etárias.

Foi justamente diante desse cenário que uma pesquisa, desenvolvida no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, criou um conjunto de 43 diretrizes para orientar o desenvolvimento de chatbots mais inclusivos para pessoas idosas. “Os idosos já estão entrando no ambiente digital. Agora precisamos garantir que consigam usar, com autonomia, as tecnologias que estão substituindo o atendimento humano”, explica Cynthya Letícia Teles de Oliveira, autora da pesquisa relatada em sua tese de doutorado.

Durante muitos anos, o principal desafio da inclusão digital foi ampliar o acesso à internet. Agora pesquisadores defendem que a discussão precisa avançar para uma nova etapa: garantir que as tecnologias sejam realmente utilizáveis por diferentes perfis de usuários. O próprio levantamento do IBGE mostra que, entre as pessoas que ainda não utilizam a internet, o principal motivo continua sendo “não saber usar”, resposta apontada por 44,9% dos entrevistados. Na prática, isso significa que não basta oferecer serviços digitais. É preciso projetá-los considerando limitações visuais, auditivas, motoras e cognitivas que podem surgir com o envelhecimento. E foi essa lacuna que motivou a pesquisa da USP.

Embora os avanços da inteligência artificial tenham transformado a forma como as pessoas acessam informações e utilizam serviços, os autores do trabalho alertam que inovação tecnológica não garante, por si só, inclusão. Ao longo da pesquisa de doutorado, que teve a orientação do professor Marcelo Manzato e coorientação da professora Kamila Rios, Cynthya identificou que muitos chatbots utilizam mensagens longas, linguagem pouco objetiva, excesso de informações, interfaces confusas e processos de navegação que dificultam a interação dos idosos. Essas barreiras podem transformar tarefas simples, como marcar uma consulta, verificar um benefício ou resolver um problema bancário, em experiências frustrantes.

O desafio mudou e os idosos têm muito a dizer

“Percebemos que os idosos enfrentam desafios que vão além das limitações físicas e cognitivas associadas ao envelhecimento. Muitos relataram insegurança diante das novas tecnologias, medo de golpes e, em alguns casos, pouca rede de apoio para aprender a utilizá-las. Isso reforça a importância de chatbots que utilizem linguagem simples e acolhedora, tenham uma identidade clara e deixem explícitas suas limitações”, comenta o professor Manzato.

Em vez de elaborar recomendações apenas com base na literatura científica, os pesquisadores construíram o trabalho envolvendo quem desenvolve e quem utiliza essas tecnologias. Durante o estudo foram realizadas entrevistas, reuniões em grupo, avaliações com desenvolvedores e testes com pessoas idosas. Essa abordagem permitiu compreender não apenas as limitações enfrentadas pelos usuários, mas também as dificuldades encontradas pelos próprios desenvolvedores ao aplicar princípios de acessibilidade durante o desenvolvimento de sistemas.

O resultado do trabalho deu origem à ferramenta batizada de Clear (Conversational Language and Elder Accessibility Requirements), que reúne um conjunto formado por 43 diretrizes organizadas em sete categorias: clareza e navegação por botões, interação por voz, conteúdo das mensagens, feedback do sistema, design de interface, identidade e acolhimento, e segurança e LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). As recomendações orientam, por exemplo, que os chatbots utilizem linguagem objetiva, apresentem informações de forma gradual, ofereçam diferentes formas de interação e transmitam segurança durante toda a conversa. Segundo a professora Kamila Rios, um dos principais objetivos foi aproximar a acessibilidade da rotina de desenvolvimento.

“Percebemos que muitos desenvolvedores reconhecem a importância da acessibilidade, mas têm dificuldade em transformar esse conhecimento em decisões práticas. A nossa ferramenta nasceu justamente para reduzir essa distância, oferecendo orientações claras e fáceis de aplicar,” explica a docente.

Teste com idosos demonstra aceitação da tecnologia

Para verificar se as recomendações realmente funcionavam, Cynthya avaliou um chatbot desenvolvido com base no Clear e comparou a experiência de uso com a do ChatGPT. Cinco pessoas com idades entre 60 e 75 anos participaram da etapa final do estudo. Elas realizaram tarefas semelhantes nas duas plataformas e, em seguida, foram entrevistadas sobre a experiência de uso. Os resultados mostraram que o chatbot desenvolvido seguindo as diretrizes foi preferido de forma unânime pelos participantes idosos. Além da maior facilidade de uso, os voluntários relataram maior sensação de acolhimento, confiança e segurança durante a interação.

Segundo a autora, isso demonstra que pequenas mudanças no projeto das interfaces podem produzir impactos significativos na experiência do usuário, deixando de ser apenas uma questão de tecnologia, mas de comunicação mais humana, clara e acessível. “Esse trabalho representa muito para mim porque pude ouvir esses idosos, compreender suas dificuldades e ver a satisfação e até a felicidade de utilizarem chatbots desenvolvidos a partir da nossa solução”, acrescenta Cynthya.

O envelhecimento da população brasileira e a rápida digitalização de serviços públicos e privados indicam que a presença de chatbots tende a aumentar nos próximos anos. Nesse contexto, os pesquisadores defendem que a acessibilidade deixe de ser tratada como uma etapa complementar e passe a integrar o desenvolvimento dessas tecnologias desde o início.

Mais do que um conjunto de recomendações técnicas, a pesquisa propõe uma mudança de perspectiva: criar sistemas capazes de atender melhor uma população que cresce a cada ano e que já faz parte do ambiente digital. “Espero que nossos resultados contribuam para conscientizar quem desenvolve tecnologia sobre a importância de incluir grupos historicamente negligenciados desde o início dos projetos e para incentivar a criação de soluções mais acessíveis, seguras e inclusivas”, finaliza Cynthya.

É possível consultar as recomendações da pesquisa na tese de doutorado de Cynthya, disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

Fonte: Jornal da USP | Cynthya Letícia Teles

Economia circular na Noruega: uma viagem de inovação e conhecimento

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Economia circular na Noruega: uma viagem de inovação e conhecimento
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Uma viagem à Noruega para conhecer empresas e projetos noruegueses que transformam embalagens, prédios, plásticos e baterias em novos negócios e matérias-primas.

De garrafas devolvidas no supermercado a prédios construídos com materiais de outros edifícios, uma viagem para conhecer a economia circular na Noruega, para entender como empresas estão transformando resíduos em tecnologia, matéria-prima e novos modelos de negócio. O roteiro foi uma sugestão da The Nordic Way, empresa especializada em criar imersões executivas sob medida para empresas e grupos brasileiros conhecerem, de perto, projetos, negócios e ecossistemas de inovação na Noruega e países nórdicos. A primeira parada poderia ser qualquer supermercado da Noruega. Vou explicar, é comum encontrar pessoas chegando com grandes sacolas cheias de latas e garrafas vazias para descartá-las nas em máquinas onde essas embalagens desaparecem dentro de um equipamento instalado próximo à entrada. Em poucos segundos, surge um comprovante que pode ser descontado nas compras, convertido em dinheiro ou até em doação para a Cruz Vermelha. Para quem vive no país, o gesto é tão habitual quanto passar os produtos no caixa. Mas por trás dessa rotina existe uma das histórias empresariais mais bem-sucedidas da Noruega.

A máquina é parte de um sistema que conecta consumidores, supermercados, fabricantes de bebidas, empresas de logística, centros de processamento e tecnologia. Aquilo que poderia terminar no lixo preserva valor suficiente para retornar à cadeia produtiva. É também uma boa introdução à economia circular norueguesa: menos como um ideal abstrato e mais como uma viagem por sistemas que tentam impedir que produtos e materiais percam seu valor depois do primeiro uso.

Uma invenção norueguesa escondida dentro do supermercado

A TOMRA nasceu em 1972, quando os irmãos Petter e Tore Planke desenvolveram uma máquina capaz de reconhecer e receber automaticamente garrafas vazias. O primeiro equipamento foi instalado em um supermercado de Oslo naquele mesmo ano. O que começou como uma solução para facilitar a devolução de embalagens tornou-se uma empresa de tecnologia presente em mais de cem países. Hoje, a TOMRA trabalha com sistemas de coleta e separação de materiais utilizados não apenas em supermercados, mas também em reciclagem, alimentos e mineração. Em 2026, a companhia recebeu o Prêmio Norueguês de Exportação de 2025 pelo impacto internacional de suas tecnologias. O sucesso não está somente na máquina. Está no sistema construído ao redor dela.

A Noruega possui aproximadamente 3.900 máquinas automáticas distribuídas em 3.500 pontos de coleta, além de milhares de locais que fazem a devolução manualmente. Os supermercados que vendem bebidas também participam do recebimento das embalagens, tornando a devolução conveniente para o consumidor. A recompensa financeira é suficiente para mudar o comportamento do consumidor. Ao mesmo tempo, as embalagens precisam seguir determinadas especificações para que possam ser identificadas, separadas e recicladas com qualidade. Para empresas de bebidas, embalagens, varejo, logística ou bens de consumo, a pergunta mais interessante não é simplesmente como reciclar uma garrafa. É como criar um sistema no qual:

  • o consumidor tenha interesse em devolver;
  • o varejista tenha estrutura para receber;
  • o fabricante ajude a financiar;
  • a logística continue eficiente;
  • e o material recuperado mantenha valor econômico.

Foi a combinação desses elementos que permitiu transformar uma máquina criada em uma garagem norueguesa em um negócio internacional.

A 45 minutos de Oslo, a economia circular na Noruega, e uma nova forma de fechar o ciclo do plástico

Saindo de Oslo em direção a Holtskogen, a paisagem urbana gradualmente dá lugar às florestas e estradas tranquilas que cercam a capital. É ali, a aproximadamente 45 minutos da cidade, que começou a operar em novembro de 2025 a Områ, uma instalação criada pela TOMRA e pela Plastretur para enfrentar um dos grandes desafios da economia circular: o que fazer com diferentes tipos de plástico depois que eles são descartados. Em vez de uma única corrente de embalagens relativamente padronizadas, como acontece com garrafas e latas, o plástico chega misturado em diferentes formatos, cores e composições. Separá-lo com qualidade suficiente para retornar à indústria é uma tarefa muito mais complexa.

A Områ utiliza sensores para dividir os resíduos em até dez categorias. A instalação tem capacidade para processar 90 mil toneladas por ano, incluindo embalagens que antes tinham como destino principal a incineração. Para um grupo de visitantes, o local revela uma questão estratégica: Como transformar aquilo que chega misturado, contaminado e sem valor aparente em matéria-prima suficientemente previsível para ser novamente utilizada pela indústria?

Essa pergunta interessa muito além das empresas de reciclagem. Ela envolve fabricantes de embalagens, alimentos, cosméticos, produtos de limpeza, redes de varejo, operadores logísticos e todas as marcas que colocam plástico no mercado. A instalação também mostra que pedir ao consumidor que separe melhor os resíduos não resolve tudo. É necessário criar infraestrutura, tecnologia, demanda pelo material reciclado e responsabilidade ao longo de toda a cadeia.

Em Oslo, um prédio construído com pedaços de outros prédios

De volta ao centro de Oslo, uma construção na Kristian Augusts gate apresenta a economia circular de uma forma menos óbvia. À primeira vista, o número 13 da rua parece apenas mais um edifício de escritórios integrado à arquitetura da capital. Mas parte de seus materiais teve uma vida anterior.

Radiadores, estruturas, componentes internos e materiais trazidos de outros projetos foram incorporados à reforma do edifício da década de 1950. Aproximadamente 80% dos materiais foram reutilizados, contribuindo para uma redução estimada de 70% nas emissões relacionadas ao projeto.

O prédio faz parte do FutureBuilt, um programa que utiliza projetos reais para testar novas soluções na construção e no desenvolvimento urbano. A iniciativa busca criar edifícios e áreas urbanas que reduzam substancialmente as emissões e avancem em temas como reutilização de materiais, mobilidade e biodiversidade. O que torna o projeto interessante não é apenas o volume de materiais recuperados. A reutilização obrigou arquitetos, construtores e fornecedores a repensarem quase todas as etapas da obra. Foi necessário descobrir antecipadamente quais componentes estariam disponíveis, verificar sua qualidade, desmontá-los sem destruí-los, transportá-los, armazená-los e adaptá-los ao novo edifício.

Nesse modelo, uma demolição deixa de ser apenas o fim de um prédio. Pode-se tornar uma fonte de portas, estruturas, janelas, tijolos, divisórias e equipamentos para outro projeto. É uma mudança simples de descrever e difícil de executar, o edifício deixa de ser visto como algo descartável e passa a funcionar como um banco temporário de materiais. Para construtoras, incorporadoras, hotéis, escritórios, shopping centers, arquitetos e fabricantes de materiais, isso altera a forma de calcular custo, prazo, valor residual e risco. A economia circular começa, portanto, muito antes da reciclagem. Ela começa no desenho: na possibilidade de reparar, desmontar, adaptar e reutilizar aquilo que está sendo construído hoje.

Fredrikstad e a segunda vida das baterias

Aproximadamente uma hora ao sul de Oslo, a charmosa cidade de Fredrikstad abriga uma das respostas norueguesas a uma pergunta cada vez mais urgente: o que acontece com as baterias dos veículos elétricos quando elas chegam ao fim da vida útil?

A adoção de carros elétricos criou um novo desafio. Substituir motores a combustão reduz determinadas emissões, mas aumenta a demanda por lítio, níquel, manganês, cobre, alumínio e outros materiais. Jogar fora uma bateria significa perder recursos valiosos e aumentar a necessidade de extrair novas matérias-primas.

A Hydrovolt iniciou operações comerciais em Fredrikstad com capacidade para processar aproximadamente 12 mil toneladas de baterias por ano. A empresa afirma conseguir recuperar mais de 90% dos materiais presentes nas baterias processadas. A instalação conecta duas das transformações mais importantes da economia contemporânea, a eletrificação dos transportes e a segurança no acesso a matérias-primas.

Para empresas automotivas, de energia, armazenamento, mineração, logística e gestão de resíduos, a reciclagem de baterias não é apenas uma questão ambiental. É uma forma de reduzir desperdício, recuperar materiais críticos e diminuir a dependência de cadeias internacionais vulneráveis. Em 2026, a Hydrovolt anunciou novas parcerias relacionadas à reciclagem de baterias de veículos elétricos no mercado norueguês, mostrando como a circularidade depende da construção de uma rede que começa no proprietário do veículo e passa por fabricantes, oficinas, transportadores e recicladores.

Economia circular na Noruega e Escandinávia

Seria tentador terminar essa viagem apresentando a Noruega como um país no qual nada é desperdiçado. Mas essa não seria uma descrição honesta. A Noruega continua tendo um consumo de materiais e não consegue reaproveitar todos os recursos que utiliza. Essa contradição torna a viagem mais interessante. Pois, a Noruega não oferece uma fórmula pronta para ser copiada. Ela oferece empresas, edifícios, instalações e experiências que permitem observar onde a economia circular está funcionando, onde ainda esbarra em custos e regulação e quais negócios podem surgir para preencher essas lacunas.

A TOMRA mostra como a conveniência e um incentivo financeiro podem mudar o comportamento do consumidor. A Områ mostra que a coleta só gera valor quando existe infraestrutura capaz de transformar resíduos em materiais utilizáveis. O edifício da Kristian Augusts gate mostra que reutilizar exige planejamento, informação e uma cadeia preparada para trabalhar de outra forma. A Hydrovolt mostra como um problema criado pela eletrificação pode dar origem a uma nova indústria de recuperação de matérias-primas. Em todos os casos, a sustentabilidade não aparece como um departamento isolado. Ela se conecta a tecnologia, logística, produto, fornecimento, custo, regulação e estratégia.

O que empresas brasileiras podem aprender sobre sustentabilidade e economia circular viajando para a Noruega e paises nordicos?

Uma viagem empresarial pela economia circular na Noruega ou em países nórdicos pode interessar a organizações muito diferentes. Para uma empresa de bebidas ou varejo, o ponto de partida pode ser a logística reversa e a participação do consumidor. Para uma indústria de alimentos, cosméticos ou bens de consumo, pode ser o redesenho das embalagens e a responsabilidade sobre o que acontece depois da venda. Para uma construtora ou incorporadora, a discussão pode estar na reutilização de materiais, na reforma de edifícios existentes e na criação de valor residual. Para empresas automotivas, de energia e mineração, o interesse pode estar na recuperação de matérias-primas críticas. Para bancos e investidores, a pergunta pode ser quais modelos circulares conseguem gerar receita, reduzir risco ou proteger empresas contra a escassez de recursos.

A viagem não precisa oferecer a mesma resposta para todos. Sua função é aproximar cada grupo das empresas, dos especialistas e das experiências mais relevantes para o desafio que está tentando resolver.

Quando a visita deixa de ser turismo corporativo

Conhecer uma instalação ou ouvir a apresentação de uma empresa não garante aprendizado. Uma imersão executiva precisa começar antes do embarque, com uma pergunta clara: Qual problema estratégico a organização pretende compreender melhor?

A partir dela, a agenda pode combinar conversas com empresas, projetos urbanos, centros de inovação e especialistas. As visitas dependem de disponibilidade e precisam ser construídas de acordo com o setor, o perfil dos participantes e o objetivo da organização. Durante a viagem, o valor não está apenas em observar uma tecnologia. Está em descobrir:

  • por que determinada solução foi criada;
  • como o modelo é financiado;
  • quais parceiros precisaram colaborar;
  • que obstáculos surgiram;
  • o que ainda não funciona;
  • e quais elementos poderiam ser adaptados a outro mercado.

É isso que transforma uma viagem pela Noruega e paises nordicos em uma experiência empresarial e uma sequência de visitas em uma jornada capaz de gerar novas perguntas, conexões e possibilidades de ação.

A rota termina, mas o material continua circulando. A garrafa volta ao supermercado. A janela reaparece em outro prédio. A bateria se transforma em matéria-prima. E aquilo que antes era tratado apenas como descarte começa a revelar seu valor como recurso, tecnologia e oportunidade de negócio.

Conheça a economia circular onde ela está acontecendo

A The Nordic Way cria imersões executivas sob medida na Noruega e nos países nórdicos para empresas, universidades e grupos de liderança interessados em economia circular, inovação sustentável e novos modelos de negócio.

Fonte: Estadão

Arsesp abre consulta pública sobre monitoramento da universalização dos serviços de saneamento

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Arsesp abre consulta pública sobre monitoramento da universalização dos serviços de saneamento
Foto: Max Alencar/Ascom Cosanpa/Divulgação

Contribuições podem ser enviadas até 31 de julho; iniciativa busca fortalecer o monitoramento dos serviços de saneamento básico

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou no dia 16 de julho, no Diário Oficial do Estado, a Consulta Pública nº 11/2026 para receber contribuições e manifestações da sociedade sobre a proposta que institui procedimentos regulatórios para o monitoramento e a avaliação da universalização, dos indicadores operacionais e da qualidade das informações dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

A proposta tem como objetivo estabelecer diretrizes para o acompanhamento da evolução da universalização dos serviços de saneamento básico e da qualidade das informações reportadas pelas prestadoras reguladas, em conformidade com as Normas de Referência ANA nº 08/2024 e nº 09/2024.

A iniciativa busca fortalecer o monitoramento dos serviços de saneamento básico, promovendo maior transparência, confiabilidade das informações e acompanhamento da evolução da universalização dos serviços.

A participação é aberta a pessoas físicas e jurídicas interessadas no tema. Para participar, é necessário preencher o formulário disponibilizado pela Arsesp e encaminhá-lo, até o dia 31 de julho de 2026, para o endereço eletrônico consultapublica@arsesp.sp.gov.br, conforme as orientações previstas no regulamento.

A minuta de Deliberação, a Nota Técnica, o regulamento e o formulário para envio das manifestações estão disponíveis no site da Arsesp.

Após o encerramento do prazo, a Agência divulgará, em seu site, a íntegra das contribuições recebidas.

Fonte: Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo

Cidade do futuro ou cidade à prova de futuro?

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Cidades inteligentes: por que tecnologia sozinha não torna uma cidade inteligente
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Goiânia

Mais do que imaginar cidades do futuro, o desafio está em construir territórios capazes de se adaptar às incertezas sem perder sua identidade.

“Cidade do futuro” é provavelmente uma das expressões mais usadas e menos questionadas do urbanismo contemporâneo, pelo menos quando aparece em discursos e campanhas institucionais. Ela aparece em todos os lugares, de discurso de prefeito a relatório de organismo internacional, passando por nome de evento e slide de consultoria, e ninguém aparentemente acha estranho. O problema não está em falar de futuro, mas naquilo que a expressão costuma manter de fora: na maior parte dos discursos que ouvimos hoje, “cidade do futuro” funciona como promessa estética: ela diz “veja o que virá”, como se o futuro fosse um lugar já desenhado, esperando apenas a hora de chegar, mas o que ela quase nunca questiona, porque não a compreende, é se de fato estamos preparados para o que ainda não tem forma, para o que ninguém colocou no planejamento.

Trago essa questão em Lugares Futuros: a confusão entre prever e explorar. Quem trabalha com futuros seriamente, e não com aquele verniz marqueteiro chamado de futurewashing, sabe que a tarefa nunca foi adivinhar o que vem pela frente, adivinhação é coisa de oráculo, e oráculo, convenhamos, tem um histórico de acerto bastante questionável. A tarefa é outra, mais difícil e infinitamente menos vendável: construir a capacidade de atravessar o que vier sem perder a essência, porque projetar o presente para frente, esticá-lo por vinte ou trinta anos e revesti-lo de tecnologia digital não é pensar o futuro, é apenas maquiar o presente e torcer para que ele continue imutável.

O urbanismo já tentou construir “o” futuro

Houve um momento, entre 1920 e 1960, em que uma geração inteira de arquitetos  e urbanistas tiveram a convicção de estar projetando a cidade que viria, e antes mesmo da arquitetura despejar sua certeza em concreto, alguém já tinha descoberto como vendê-la. 

Mas seu impacto mais sensível provavelmente se deu através de sua manifestação no planejamento urbano. A Carta de Atenas, que Le Corbusier publicou em 1943 a partir das discussões do CIAM, repartia a cidade em funções estanques, morar, trabalhar, circular, recrear, como se um organismo vivo pudesse ser desmontado e remontado sem perda. Na prática, era um urbanismo hermético, desenhado como se fosse imune à rua, ao imprevisto, um sistema que já tinha todas as respostas antes de conhecer qualquer uma das perguntas do lugar, pressupunha-se a existência de uma verdade universal e, com ela, de um humano “tipo”.

Chandigarh, cujo plano Le Corbusier reformulou para a nova capital do Punjab, e Brasília, planejada por Lúcio Costa e marcada pela arquitetura monumental de Oscar Niemeyer, são talvez as duas materializações mais completas da ideia de cidade do futuro produzidas pelo século XX. Envelheceram como monumentos a uma visão de futuro que acreditava poder encerrar a própria história, não porque tenham permanecido modernas ou deixado de sê-lo, mas porque foram concebidas como respostas completas demais para um mundo que jamais permaneceria estável.

Brasília, a cidade que deveria ser a mais moderna do país, se esforçou para manter a informalidade fora do Plano Piloto, e a viu emergir nas cidades-satélites que brotaram na periferia quase antes do concreto secar, o trabalhador que construiu a utopia não foi convidado a morar dentro dela, talvez não fosse “tipo” o bastante.

É o mesmo achatamento de que falo, e o que essas cidades deixam evidente, é o risco de transformar a ambição de pensar longe em certeza, e a certeza em uma resposta completa demais para continuar válida quando o mundo muda. Elas não cumpriram a promessa de futuros completos justamente por isso: um lugar erguido sobre uma única certeza não tem para onde ir quando essa certeza passa ou a visão que a sustentava se esgota. Foram projetadas como se pudessem nascer prontas, e pronta é precisamente o que uma cidade não pode ser.

Coerência antes de tecnologia

Um dos principais problemas de muitas cidades hoje não é a falta de recursos, de tecnologia ou mesmo de vontade política, por mais estranha que essa afirmação possa parecer, mas a falta de coerência entre aquilo que um lugar é, aquilo que oferece como experiência no dia a dia e a direção para a qual diz estar seguindo.

Essa coerência tem um nome, e é o que atravessa tudo o que vou dizer daqui para frente: identidade. Não o slogan, mas a identidade entendida como direção estratégica, aquilo que um lugar é ao invés de decidir fingir ser. Esse é o ponto em que costumo perder parte da plateia técnica nas palestras, porque soa impreciso diante de tantos sensores e dashboards, mas vou insistir nele: a identidade é provavelmente uma das infraestruturas mais críticas que uma cidade tem, e a mais negligenciada, considero-a parte do que chamo “infraestrutura invisível”, não por ser subterrânea, mas por ser intangível.

Ela se deixa ver na coerência entre o que a cidade diz de si e o que se vive na rua, nos tipos de investimento que se repetem ao longo dos anos e na forma como crises são narradas e enfrentadas. E ela não se compra pronta, não desembarca de uma missão técnica a Cingapura ou Medellín, não está à venda em estande de feira, ela se constrói camada por camada, ao longo de anos de decisões, num trabalho lento e pouco fotogênico.

Quando a tecnologia é a resposta antes da pergunta

Quando um lugar pula a pergunta primordial: quem sou eu? alguma coisa corre para ocupar o vazio, e, atualmente, quase sempre é a tecnologia. Não são raras as cidades que investiram pesado em centros de operações integradas e sistemas de monitoramento invejáveis, e que continuam, apesar de tudo isso, tomando cada decisão importante pelo horizonte do próximo mandato. A tecnologia está lá, a inteligência estratégica, que seria a parte que realmente importa, ainda não chegou.

Não tenho nada contra as ferramentas, que fique claro, o que me incomoda é a ordem das coisas. Quando a tecnologia chega antes da identidade, ela tende a virar solução à procura de um problema que justifique sua compra. E a pergunta que de fato importa não é qual plataforma adquirir, mas para quais futuros estamos nos preparando, e quem decidiu isso, com quem, e principalmente para quem.

Aprender com o choque, mas em qual direção

Em Cidade Antifrágil tentei marcar uma distinção que ainda não chegou à grande parte das agendas de smart cities: existe uma diferença entre resistir a um choque e aprender com ele. Quem resiste, leva a pancada e se reconstrói exatamente como era, com as mesmas fragilidades intactas, esperando a próxima. Quem aprende, metaboliza o choque e volta com mais camadas, mais sensibilidade, mais capacidade de acolher o próximo imprevisto sem se desfigurar. É a diferença entre a Fênix, que renasce idêntica, e a Hidra, que volta com mais cabeças do que tinha.

Antifragilidade, conceito cunhado por Nassim Taleb, também depende de opcionalidade: da existência de alternativas, experimentos e caminhos diferentes que permitam ampliar os ganhos possíveis sem expor todo o sistema ao mesmo risco. Na escala urbana, isso significa não depender de uma única atividade econômica, de uma única infraestrutura, de uma única resposta ou de uma única ideia de futuro.

Uma cidade pode aprender rápido, mudar rápido, se adaptar a cada choque e ainda assim não ir a lugar nenhum, porque aprender pressupõe uma direção, e direção é o que a identidade sustenta. Sem identidade, o que a gente chama de antifragilidade corre o risco de ser só agilidade sem direção. 

Sem identidade não há foresight de cidades

Explorar futuros urbanos sem ancorá-los na identidade do lugar produz aquelas visões que poderiam pertencer a qualquer cidade e, por isso mesmo, não pertencem a nenhuma, não orientam decisão alguma. É o destino melancólico de muitos planos estratégicos municipais: documentos caprichados, com horizonte de vinte anos e slides coloridos, descrevendo um futuro tão intercambiável que daria para trocar o nome da cidade na capa sem que ninguém percebesse a diferença.

É justamente dessa compreensão que nasce a abordagem que desenvolvemos na consultoria, que chamamos de N/Urbanology©, e que integra Place Branding, Placemaking Estratégico e Place Strategic Foresight© como camadas interdependentes, não modulares. A identidade orienta quais futuros valem a pena explorar, os futuros explorados devolvem perguntas que tensionam e aprofundam a própria identidade, e o placemaking aterrissa tudo isso na experiência cotidiana, nos ritmos, nos usos, nas pessoas que habitam e dão vida ao lugar todos os dias.

Inteligente para quem e para quê?

Não sou contra smart cities, obviamente, até porque não conheço nenhuma dumb city, o que critico com algum ativismo é a versão da smart city que aparece como solução antes de ter entendido o problema. Sensores, inteligência artificial, por exemplo, podem ser extraordinariamente úteis, desde que respondam a uma direção estratégica e não tentem substituí-la. Uma praça bem cuidada e genuinamente viva diz mais sobre a inteligência de uma cidade do que um sistema de monitoramento que ninguém usa. 

O guia “Cidade à Prova de Futuros” que publicamos termina com algumas perguntas simples, e é justamente essa simplicidade que incomoda tanto. Depois da última crise relevante que o lugar atravessou, climática, econômica, política, o que mudou estruturalmente? Ele aprendeu ou só sobreviveu? A narrativa que o lugar conta sobre si é vivida nas ruas ou existe apenas em documentos e campanhas? O projeto que está na mesa considera o tempo de gestão ou também o tempo de quem vai herdar o que for construído?

Nenhum software responde a essas perguntas sozinho, não porque a tecnologia seja inimiga, ela não é, mas porque a inteligência que realmente orienta um lugar diante do imprevisível começa antes de qualquer plataforma, antes de qualquer painel, no instante em que a cidade para de fingir que sabe o que vai acontecer e reconhece quem ela é, com honestidade suficiente para construir a capacidade de atravessar o que vier sem se perder de si mesma.

A diferença é que algumas cidades encontrarão os futuros já em movimento, ainda se reconhecendo em meio a mudança, enquanto outras vão descobrir, tarde demais, que passaram anos se preparando para um futuro que nunca foi o delas.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC. 

Brasil melhora indicadores sobre segurança alimentar e segue fora do Mapa da Fome, aponta ONU

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A fome além da privação de alimentos: vergonha, culpa e desamparo
Foto: Adobe Stock

No ano passado, o Brasil saiu do Mapa da Fome pela segunda vez. Segundo relatório, país atingiu o menor nível já registrado de pessoas com insegurança alimentar severa, chegando a 0,6%.

Relatório divulgado nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas aponta que o Brasil melhorou indicadores sobre segurança alimentar e permanece fora do Mapa da Fome pelo segundo ano seguido.

O documento também aponta que o país atingiu o menor nível já registrado de pessoas com insegurança alimentar severa, chegando a 0,6%.

Segundo o relatório, 16,7 milhões de pessoas deixaram a condição no triênio de 2023 a 2025.

O Mapa da Fome é elaborado pela FAO, agência da ONU especializada em Alimentação e Agricultura, e mede o acesso da população à alimentação suficiente para uma vida ativa e saudável.

No ano passado, o Brasil saiu do Mapa da Fome pela segunda vez. O país já havia saído da lista de países com fome em 2014. No entanto, após a análise dos dados de 2018 a 2020, a ONU recolocou o país na categoria, apontando um aumento da insegurança alimentar no período.

Segundo o levantamento, o país manteve menos de 2,5% da população em risco de subalimentação (situação em que uma pessoa consome, de forma habitual, menos calorias do que o necessário para manter uma vida ativa e saudável).

O relatório estima ainda que 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025, uma redução em relação aos 8,1% registrados em 2024 e aos 8,6% de 2022.

De acordo com os dados divulgados pela ONU, cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome no triênio encerrado em 2025, redução de quase 14 milhões de pessoas em comparação com o triênio encerrado em 2024.

Alimentação saudável

A proporção de pessoas que não podem pagar por uma alimentação saudável também apresentou queda no Brasil, ficando em 21,1% no triênio encerrado em 2025.

A FAO utiliza indicadores macroeconômicos e demográficos que consideram variáveis como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável para chegar aos números.

Além disso, segundo a FAO, o custo da dieta saudável no Brasil foi de US$ 4,89 (dólares em Paridade do Poder de Compra) por pessoa ao dia, abaixo da média da América do Sul (US$ 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ 4,91).

Fonte: G1

Isa Energia obtém licença prévia para corredor de transmissão entre MG e RJ

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Reforma tarifária para reequilibrar a geração distribuída de energia
Foto: Divulgação Isa Energia

Empreendimento reforçará corredor de transmissão entre Nordeste e Sudeste, ajudando a reduzir cortes de geração renovável e tem previsão de entrada em operação em março de 2029

A Isa Energia Brasil obteve a Licença Prévia (LP) para implantar um novo corredor de transmissão entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, empreendimento de R$ 2,7 bilhões que deverá ampliar a capacidade de escoamento da energia renovável produzida no Norte de Minas Gerais e no Nordeste em direção ao Sudeste do país.

O projeto reforçará a interligação elétrica do chamado Fluxo Nordeste–Sudeste (FNESE), considerada estratégica para o SIN (Sistema Interligado Nacional), ao aumentar a flexibilidade operacional e a confiabilidade da rede de transmissão. Segundo a empresa, a nova infraestrutura também ampliará a margem de operação do sistema, reduzindo restrições elétricas e os episódios de “curtailment”, jargão do setor elétrico que se refere aos cortes na geração de energia, principalmente eólica e solar, determinados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) quando a rede de transmissão não consegue absorver toda a produção.

“A conquista da Licença Prévia para este projeto é fundamental, pois ele fortalecerá a infraestrutura elétrica necessária para o crescimento econômico de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a geração de mais de 4 mil empregos diretos e indiretos durante as obras”, disse em nota Dayron Urrego, diretor-executivo de projetos da Isa Energia Brasil.

As obras preveem a instalação de aproximadamente mil torres de transmissão, mais de mil quilômetros de circuitos e 35 reatores indutivos de 500 quilovolts (kV), equipamentos destinados a aumentar a estabilidade da rede e viabilizar o transporte da energia limpa produzida nas regiões com maior expansão de fontes renováveis.

O empreendimento foi arrematado pela companhia no lote 7 do Leilão de Transmissão nº 1/2023, promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), e é considerado uma das obras prioritárias do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O cronograma regulatório estabelece que a energização do projeto deverá ocorrer até março de 2029. Quando entrar em operação, o ativo terá RAP (Receita Anual Permitida)) de R$ 248 milhões, considerando o ciclo tarifário de 2025/2026.

Fonte: CNN Brasil

Cidades inteligentes também são construídas pelo olhar das mulheres

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Cidades inteligentes também são construídas pelo olhar das mulheres
Foto: Getty Images

Planejar cidades para todas as pessoas é um dos maiores desafios da agenda urbana contemporânea. E, cada vez mais, especialistas apontam que ampliar a presença feminina nos espaços de decisão não é apenas uma questão de representatividade, mas um caminho para tornar as cidades mais eficientes, seguras e humanas.

Por muitos anos, o planejamento urbano priorizou uma visão centrada na infraestrutura, na mobilidade e na produtividade, sem considerar que diferentes grupos utilizam a cidade de maneiras distintas. As mulheres, por exemplo, costumam realizar deslocamentos mais complexos, conciliando trabalho, cuidados com crianças, idosos e outras atividades do cotidiano. Essa dinâmica exige sistemas de transporte, iluminação, serviços públicos e espaços urbanos capazes de responder a uma rotina muito mais diversa.

É justamente nesse contexto que o conceito de cidades inteligentes evolui. Se antes a inteligência urbana era medida principalmente pelo volume de tecnologia embarcada, hoje cresce o entendimento de que sensores, inteligência artificial e conectividade só fazem sentido quando melhoram efetivamente a vida das pessoas. A tecnologia deixa de ser o objetivo e passa a ser uma ferramenta para construir cidades mais acessíveis, resilientes e inclusivas.

Diversos estudos sobre urbanismo demonstram que o planejamento urbano não é neutro. Decisões aparentemente técnicas, como onde instalar pontos de ônibus, como distribuir a iluminação pública ou como desenhar uma praça, impactam diretamente a experiência cotidiana da população.

Leia mais: Comissão debate mobilidade urbana na perspectiva da mulher

Quando mulheres participam desses processos, novas prioridades costumam ganhar espaço. Questões como segurança, mobilidade integrada, acessibilidade, iluminação, transporte coletivo, áreas de convivência e proximidade entre serviços passam a ser analisadas sob perspectivas que beneficiam não apenas mulheres, mas crianças, idosos, pessoas com deficiência e toda a população.

Em outras palavras, cidades que funcionam melhor para as mulheres tendem a funcionar melhor para todos.

Barcelona passou a utilizar sistemas de iluminação inteligente em áreas consideradas mais vulneráveis, contribuindo para ampliar a sensação de segurança. Viena incorporou avaliações de impacto de gênero em projetos urbanos, permitindo que parques, ruas e equipamentos públicos fossem desenhados considerando diferentes formas de uso da cidade. Já cidades como Amsterdã e Jacarta vêm adaptando políticas de mobilidade a partir da experiência das usuárias do transporte público.

Esses exemplos reforçam que a inovação urbana não depende apenas da tecnologia disponível, mas da capacidade de compreender quem utiliza os espaços urbanos e quais necessidades ainda permanecem invisíveis.

Dados também revelam desigualdades

Os indicadores internacionais mostram que ainda existem desafios importantes.

Dados da ONU apontam que milhões de mulheres enfrentam obstáculos relacionados à segurança, à mobilidade e ao acesso à infraestrutura urbana. Em muitos países, a ausência de iluminação adequada, banheiros públicos seguros ou transporte acessível limita a circulação e reduz oportunidades de trabalho, educação e lazer.

Ao mesmo tempo, pesquisas recentes evidenciam uma relação cada vez mais forte entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável voltados à igualdade de oportunidades (ODS 5) e às cidades sustentáveis (ODS 11). O consenso é claro: não há desenvolvimento urbano sustentável sem participação ativa das mulheres na construção das políticas públicas e das soluções para os territórios.

Outra transformação importante é a valorização das políticas de cuidado como parte da infraestrutura das cidades.

A recente Política Nacional de Cuidados reconhece que creches, equipamentos públicos, transporte eficiente, acessibilidade e serviços próximos da população não representam apenas políticas sociais, mas também elementos fundamentais para ampliar qualidade de vida, produtividade e desenvolvimento urbano.

Sob essa perspectiva, cidades inteligentes passam a ser aquelas capazes de reduzir barreiras cotidianas, otimizar deslocamentos e permitir que as pessoas utilizem melhor seu tempo.

O futuro das cidades passa pela diversidade de vozes

O avanço das smart cities dependerá menos da quantidade de tecnologia instalada e mais da diversidade de pessoas envolvidas em seu planejamento. Incorporar diferentes experiências de vida permite identificar problemas antes invisíveis e desenvolver soluções capazes de atender a uma população cada vez mais plural.

Nesse cenário, o protagonismo feminino torna-se um elemento estratégico para a inovação urbana. Mulheres atuam hoje como gestoras públicas, pesquisadoras, urbanistas, empreendedoras, engenheiras, arquitetas, especialistas em tecnologia e lideranças comunitárias, contribuindo para cidades mais resilientes, sustentáveis e centradas nas pessoas.

Essa visão estará presente também no Cidade CSC, principal ponto da América Latina dedicado ao futuro das cidades. A edição de 2026 reunirá gestores públicos, empresas, academia, organizações da sociedade civil e especialistas para debater planejamento urbano, governança, mobilidade, inovação e transformação digital em um único ecossistema. Mais do que apresentar tecnologias, o evento busca conectar diferentes perspectivas para construir soluções aplicáveis aos desafios urbanos. Nesse contexto, o protagonismo das mulheres é indispensável para ampliar o debate, enriquecer a tomada de decisões e fortalecer cidades mais inteligentes, humanas e preparadas para o futuro.

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Mercado de carbono avança e abre oportunidades para produtores rurais

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Mercado de carbono avança e abre oportunidades para produtores rurais
Foto: Arquivo/Secom-AC

Sistema brasileiro de comércio de emissões pode movimentar R$ 1 trilhão, gerar milhões de empregos e permitir que produtores sejam remunerados por serviços ambientais

O mercado de carbono brasileiro entra em uma nova etapa com a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042/2024. A expectativa é que o novo modelo fortaleça a economia verde, estimule práticas sustentáveis e abra uma nova fonte de renda para produtores rurais que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com um estudo da PwC Brasil, o país tem potencial para gerar cerca de 370 milhões de toneladas em créditos de carbono, movimentar aproximadamente R$ 1 trilhão na economia e criar cerca de 3 milhões de empregos. O levantamento aponta que o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais protagonistas do mercado global de créditos de carbono, impulsionado pela extensa cobertura florestal, pela agropecuária e pela adoção de tecnologias sustentáveis.

A legislação prevê a participação voluntária dos produtores rurais como geradores de créditos de carbono. Esses créditos representam a redução ou a remoção de gases de efeito estufa da atmosfera. Cada crédito equivale a uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) que deixou de ser emitida ou foi capturada por meio de atividades ambientalmente responsáveis.

Entre as práticas que podem resultar na geração desses créditos estão a captura de carbono no solo, o reflorestamento, projetos de bioenergia, o tratamento de dejetos animais, a recuperação de áreas degradadas e a conservação de vegetação nativa além das exigências previstas na legislação ambiental.

Para que os créditos tenham validade comercial, os projetos deverão seguir metodologias reconhecidas e passar por processos de certificação. Empresas especializadas serão responsáveis por verificar se os requisitos técnicos foram cumpridos antes que os créditos possam ser negociados no mercado.

A participação da agropecuária no sistema foi incluída durante a tramitação da proposta no Congresso Nacional. O objetivo é reconhecer o papel do setor na preservação ambiental e permitir que produtores sejam remunerados pelos serviços ambientais prestados, respeitando a adesão voluntária ao sistema.

Apesar da aprovação da lei, o mercado ainda passa pela fase de regulamentação. Nessa etapa serão definidos os critérios de monitoramento, verificação e certificação dos projetos, além das regras para utilização dos créditos pelas empresas que precisarão compensar parte de suas emissões de gases de efeito estufa.

A regulamentação também estabelecerá qual será o limite de créditos de carbono provenientes da produção rural que poderá ser utilizado pelas empresas obrigadas a reduzir suas emissões. A intenção é incentivar que essas empresas também invistam em tecnologias para diminuir a própria emissão de poluentes, utilizando a compensação apenas como complemento às metas ambientais.

A previsão é de que o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões esteja plenamente operacional até 2030. Até lá, produtores interessados em participar do mercado deverão acompanhar a regulamentação e adequar seus projetos às exigências técnicas que serão estabelecidas pelo governo federal.

Especialistas avaliam que, além de criar uma nova oportunidade econômica para o campo, o mercado de carbono poderá fortalecer a imagem do agronegócio brasileiro no cenário internacional, agregando valor à produção e incentivando investimentos em práticas cada vez mais sustentáveis.

Fonte: Gazeta do Paraná

Fumaça de incêndios no Canadá encobre nordeste dos EUA enquanto Europa registra mais de 12 mil mortes em meio a onda de calor

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Fumaça de incêndios no Canadá encobre nordeste dos EUA enquanto Europa registra mais de 12 mil mortes em meio a onda de calor
Foto: Reprodução/ Reuters

Poluição causada por queimadas em Ontário deteriorou a qualidade do ar em milhões de pessoas. Onda de calor de junho teve excesso de mortes em 12 países europeus

A fumaça dos incêndios florestais que assolam a província canadense de Ontário se espalhou para o nordeste dos Estados Unidos e Nova York nesta quinta-feira, expondo milhões de pessoas a uma qualidade do ar severamente degradada. Um dia após as imagens de um céu amarelo apocalíptico na cidade canadense de Toronto, os mais afetados agora são os estados americanos próximos à fronteira, incluindo Minnesota, Wisconsin, Michigan e Illinois. Enquanto isso, na Europa, ao menos 12 mil mortes adicionais foram registradas em uma dúzia de países durante a onda de calor de junho.

Na manhã de quinta-feira, o monitor IQAir classificou Detroit, Toronto, Minneapolis e Chicago como as cidades mais poluídas do mundo.

Uma densa névoa cobriu a cidade de Nova York, onde meteorologistas previram níveis de qualidade do ar considerados “perigosos à saúde” devido às finas partículas provenientes dos incêndios florestais. As autoridades estão aconselhando os moradores a passarem o mínimo de tempo possível ao ar livre.

As autoridades do estado de Michigan, nos EUA, localizado ao sul de Ontário, alertaram que essas condições podem persistir pelo menos até sexta-feira.

Segundo os dados mais recentes, existem mais de 130 incêndios ativos no noroeste de Ontário, dos quais pelo menos 60 estão fora de controle. As autoridades de Ontário solicitaram assistência adicional do governo federal, em particular apoio aéreo, para evacuar comunidades remotas.

Os incêndios florestais no Canadá queimaram 1,9 milhão de hectares este ano, um número ainda menor do que em 2023, um ano recorde, e em 2025, de acordo com as estatísticas oficiais mais recentes.

Europa

Já na Europa, pelo menos 12 mil mortes adicionais foram registradas em uma dúzia de países durante a onda de calor de junho, de acordo com uma compilação de dados oficiais da AFP, um levantamento preliminar que pode aumentar à medida que as estatísticas forem concluídas.

‘Europa fritando’: Terceira onda de calor leva temperaturas acima de 40°C e reacende temor de novas mortes
Entre 22 e 28 de junho, período em que a onda de calor atingiu o pico em vários países, os institutos nacionais da Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Holanda, Suíça e Luxemburgo registraram quase 10 mil mortes a mais do que o esperado.

Este número soma-se às 2.200 mortes relacionadas à onda de calor na Inglaterra e no País de Gales, segundo estimativas publicadas pelo serviço meteorológico britânico, o Met Office, que abrangem um período ligeiramente mais longo, de 18 a 28 de junho.

Dados preliminares da plataforma europeia de monitoramento do excesso de mortalidade EuroMOMO também indicam um aumento significativo durante a última semana de junho, com 14.260 mortes acima do esperado.

Este modelo estatístico baseia-se em dados oficiais de 24 países, representando aproximadamente 400 milhões de habitantes.

“O verão ainda não acabou”, alertou Hans Henri Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, na quinta-feira. “Temos as ferramentas para evitar essas mortes.” Atualmente, “muitos governos ainda consideram o calor um fenômeno meteorológico em vez de uma emergência de saúde pública”, acrescentou ele em um comunicado.

‘Dramático’

Até o momento, esta semana de junho registrou o maior excesso de mortalidade desde o início dos registros harmonizados do EuroMOMO em 2020. De todas as semanas do verão no Hemisfério Norte dos últimos sete anos, esta “semana 26” de 2026 só é superada por outra em julho de 2022, durante a pandemia de Covid-19.

— Até onde sabemos, não há outras causas para esse excesso de mortalidade além do calor, e isso é bastante dramático — explicou à AFP Lasse Vestergaard, epidemiologista do centro de pesquisa dinamarquês Statens Serum Institut e coordenador do EuroMOMO.

O especialista descreve essa tendência como “altamente incomum”, mas recomenda cautela na interpretação dos dados mais recentes. A EuroMOMO acredita que são necessárias quatro semanas para consolidar as estimativas.

De acordo com o grupo de cientistas World Weather Attribution, as ondas de calor de junho teriam sido praticamente impossíveis sem as mudanças climáticas.

Fonte: O Globo

Porque precisamos avançar de cidades inteligentes a cidades sábias

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Porque precisamos avançar de cidades inteligentes a cidades sábias
Foto: Pedro Piegas / PMPA

Tornar-se inteligente é um caminho, e não um destino — e o próximo passo pede mais do que tecnologia e capacidade de decisão: pede propósito

Fiquei muito feliz e honrado com o convite para me juntar ao grupo de colunistas do Connected Smart Cities, pois tenho grande apreço pelo tema de como melhorar nossas cidades e vivo hoje a alegria de contribuir com a Rede de Cidades + Inteligentes, estruturada pelo Ministério das Cidades (MCid) em parceria com universidades lideradas pela UFRGS e 22 municípios de todo o país.

Antes de mergulhar nessa jornada, em que espero poder trocar ideias e falar de várias agendas urbanas emergentes, queria nessa primeira coluna compartilhar algumas impressões pessoais sobre um tema tão debatido — e tão ligado à própria história do CSC: Cidades Inteligentes.

Começo por uma convicção: a inteligência urbana é mais um caminho do que um estado. O desafio permanente para nossas cidades é entender onde estamos e se esforçar para evoluir, como uma missão permanente. Não à toa, a rede que construímos com o ministério fala em cidades mais inteligentes. 

Outro aspecto é que cheguei a sugerir o uso do termo “cidades sábias”, pois não basta inteligência, é preciso propósito. Essa é uma convicção que firmei ao longo dos anos de trabalho e que queria trazer aqui: para mim existem três níveis de evolução fundamentais na rota das cidades que empregam tecnologia para tentar melhorar.

O primeiro é o das CIDADES CONECTADAS, que usam sensores e outras estratégias de monitoramento para coletar dados em larga escala e em tempo real sobre o funcionamento dos seus sistemas urbanos. É o estágio inicial, muitas vezes impulsionado por fornecedores ou pelo fascínio de acompanhar os ritmos da cidade. Gosto de compará-lo aos sentidos humanos: para a cidade essa camada sensorial agrega a capacidade de perceber a realidade, assim como os sentidos humanos nos permitem interpretar o mundo ao redor.

O segundo nível de maturidade é o que justifica os investimentos do primeiro. Trata-se do que fazer com a montanha de dados captada. Seu melhor uso é para informar e modelar políticas e iniciativas públicas — ou seja, CIDADES INTELIGENTES são fundamentalmente aquelas capazes de tomar decisões baseadas em evidências. Na analogia humana, são cidades que ganham um cérebro, capaz de processar os sinais dos sentidos e agir. Muitos projetos falham exatamente aqui: geram dados que não informam nem melhoram a capacidade pública de decidir. E que muitas vezes acabam em fracasso, pois coletar dados sem estratégia gera custo sem retorno para o cidadão.

Mas não basta ser inteligente. Cada decisão gera impactos diversos — positivos em um aspecto, negativos em outro. Cada investimento, num cenário de recursos escassos, estabelece uma prioridade e carrega um custo de oportunidade. É preciso decidir considerando o que queremos valorizar e quais valores devem nortear a gestão. Na nossa metáfora, é preciso ter coração. A inteligência pura pode servir a fins que não são nobres nem justificáveis.

Por isso defendo a necessidade de avançar para um terceiro nível: o das CIDADES SÁBIAS. Aquelas que decidem com base em dados — processados com a melhor tecnologia disponível —, mas que se orientam por uma visão de desenvolvimento socioeconômico sustentável que coloca as pessoas no centro — buscando redução de desigualdades e seguindo um conjunto de valores claros que ajude a gerar cidades melhores de se viver, que não repitam muitos dos erros que retiraram qualidade urbana de tantas cidades ao longo do século XX.

Esse é um caminho necessário e cada vez mais possível. A inteligência artificial e as novas tecnologias de monitoramento urbano, com a qualificação dos gestores e o compartilhamento de conhecimento e valores, precisamos estimular que os municípios brasileiros avancem em inteligência — e, sobretudo, no caminho da sabedoria urbana. Afinal, a pergunta que importa não é quão inteligente uma cidade consegue ser, mas a serviço de que valores essa inteligência funciona.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC.