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Tarifaço de 37,5%: Serra e Cachoeiro entre as 10 cidades mais afetadas do país

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Tarifaço de 37,5%: Serra e Cachoeiro entre as 10 cidades mais afetadas do país
Fonte: A Gazeta

Municipios aparecem na lista pelo impacto das novas tarifas nas exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos

Serra e Cachoeiro de Itapemirim aparecem entre os dez municípios brasileiros mais afetados pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, com taxas que podem chegar até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras.

O levantamento, elaborado com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), considera os dez grupos de produtos mais atingidos pelas novas sobretaxas e as exportações realizadas em 2024.

A Serra ocupa a quarta posição no ranking nacional, com US$ 216,2 milhões (R$ 1,1 bilhão) em exportações potencialmente afetadas. Cachoeiro de Itapemirim, município do Sul do Espírito Santo, vem em oitavo lugar, com US$ 178,7 milhões (R$ 913,7 milhões).

Municípios do Brasil mais afetados pelo Tarifaço de 37,5%

Considerando os 10 grupos de produtos mais exportados

Fonte: A Gazeta

No dia 22 de julho, a tarifa de 25% entrou em vigor, afetando 480 produtos do Estado. Um dia depois, a sobretaxa de 12,5% foi aplicada em decorrência de uma investigação da Seção 301 do Escritório de Comércio dos EUA. O órgão concluiu que a União Europeia e 59 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Confira abaixo o levantamento dos municípios capixabas mais expostos ao tarifaço, já com a inclusão de Serra e Cachoeiro.

Municípios do ES mais afetados pelo Tarifaço de 37,5%

A presença do Espírito Santo no ranking nacional está diretamente ligada ao setor de rochas naturais, um dos mais dependentes do mercado americano e um dos segmentos atingidos pela nova combinação de tarifas.

A taxação de 25% já havia alcançado granito e mármore. Posteriormente, o quartzito, que havia sido poupado inicialmente, também passou a ser tributado com a nova tarifa de 12,5%, elevando a carga total para até 37,5% em parte das exportações.

Na avaliação da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), a medida amplia os desafios para o setor. Em 2025, esses produtos foram responsáveis por exportar US$ 208 milhões (R$ 1,1 bilhão) para os Estados Unidos.

O presidente da Centrorochas, Tales Machado, ressalta, porém, que a decisão precisa ser acompanhada de perto, mas que a compra não é definida apenas pela tarifa.

“O mercado também valoriza atributos como exclusividade dos materiais, qualidade, disponibilidade e segurança no fornecimento. E isso o Brasil não perdeu” Tales Machado, presidente da Centrorochas

Mais de 500 produtos do ES foram atingidos

O Espírito Santo teve, no total, 503 produtos exportados afetados pela sobretaxa de 12,5%. Esses itens correspondem a mais de R$ 5,5 bilhões, equivalente a 38,2% da participação nas exportações capixabas aos norte-americanos, conforme dados obtidos pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).

Somada à alíquota de 25% anunciada no dia 15 de julho, a medida pode elevar a taxação para 37,5% sobre 485 produtos da pauta exportadora capixaba destinados ao mercado dos Estados Unidos, enquanto 18 itens serão tarifados somente pelos 12,5%. Outros 12 produtos foram atingidos pelos 25%, mas foram isentados da nova sobretaxa. Por fim, 160 mercadorias foram isentas das duas listas.

Fonte: A Gazeta

Move Motoapp: 7 dicas para conseguir aprovação no financiamento para entregadores e mototaxistas

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Move Motoapp: 7 dicas para conseguir aprovação no financiamento para entregadores e mototaxistas
Foto: Arte/G1

Programa oferece financiamento de até 100% do valor de motos, ciclomotores e bicicletas, com juros abaixo dos praticados pelo mercado. Veja como aumentar as chances.

A partir desta semana, os entregadores e mototaxistas que fizeram o cadastro e atendem aos requisitos do programa Move Brasil Entregadores e Motoapp podem procurar instituições financeiras e solicitar um financiamento para a compra de motocicletas e bicicletas, elétricas ou não.

A linha de crédito, operada pela Caixa Econômica Federal, tem juros subsidiados pelo governo por meio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) e garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

A previsão do governo é de financiar 100 mil motos, motonetas ou ciclomotores.

O programa promete juros menores para a aquisição de motos, ciclomotores ou bicicletas que atendam aos seguintes critérios:

  • Motor de até 160 cilindradas ou até 7.500 watts no caso de modelos elétricos;
  • Bicicletas elétricas de até 1.000 watts;
  • Ser do tipo flex (modelos apenas a gasolina ou híbridos não são aceitos);
  • Ser zero km, já que o programa não inclui veículos usados;
  • A moto deve ser fabricada no Brasil ou ter projeto de produção nacional em andamento.

Apesar das condições facilitadas, os candidatos precisam passar por uma etapa crucial: o crivo dos bancos.

Como o financiamento depende da análise individual de risco de cada banco parceiro, o trabalhador autônomo precisa se preparar estrategicamente para não ter o crédito negado.

Para entender como entregadores e mototaxistas podem aumentar as chances de aprovação, o g1 consultou especialistas em planejamento financeiro.

1. Mostre que você tem capacidade de pagamento

O primeiro passo fundamental para conquistar a confiança das instituições parceiras é provar que você consegue arcar com o compromisso assumido.

Segundo Henrique Soares, planejador financeiro pela Planejar, a melhor forma é manter as contas em dia, evitar atrasos recorrentes e reduzir o nível geral de endividamento. E manter organizada a documentação de comprovação de renda é essencial.

“Ajuda a dar uma entrada maior para o veículo, porque isso reduz o valor financiado e, consequentemente, o risco para a instituição financeira”, detalha o planejador.

Antes de solicitar formalmente o crédito, vale revisar eventuais pendências cadastrais e verificar a real situação do seu CPF nos órgãos de proteção ao crédito, como o Serasa.

2. Cuide do seu score de crédito

O score, segundo o especialista, funciona como um dos principais termômetros utilizados pelas instituições para mensurar o risco de inadimplência de cada consumidor.

Ele não deve ser encarado como o único critério da avaliação, mas tem um papel central ao ajudar o banco a entender todo o histórico financeiro daquele cliente.

De forma geral, quanto melhor for o seu histórico de pagamentos e menor for a incidência de atrasos, maiores tendem a ser as chances de aprovação da proposta e melhores podem ser as condições de taxas oferecidas.

3. Fique atento ao comprometimento da renda

O comprometimento da renda é um dos fatores mais analisados no processo de concessão de crédito, explica Soares.

O banco precisa avaliar detalhadamente se a parcela cabe no orçamento sem comprometer excessivamente a capacidade de subsistência e pagamento do cliente.

Por isso, o especialista reforça que, mais importante do que saber qual o teto do valor máximo que pode ser financiado, é entender perfeitamente qual parcela pode ser paga de forma sustentável no longo prazo.

4. Organize os comprovantes (mesmo sem contracheque)

Por se tratar de um trabalho autônomo, não existe um contracheque ou holerite tradicional, mas isso não deve ser um impedimento para buscar o benefício do Move Brasil.

Os bancos já adotam como critério a análise da movimentação financeira de profissionais independentes. Para facilitar e agilizar a análise de crédito, reúna a seguinte documentação:

  • Declaração do Imposto de Renda;
  • Extratos bancários recentes;
  • Histórico completo de movimentação da conta corrente;
  • Comprovantes e relatórios consolidados de recebimentos emitidos pelas plataformas de aplicativo.
  • Quanto mais organizada estiver essa documentação, mais fácil tende a ser a análise realizada pela mesa de crédito.

5. Use o relacionamento com o seu banco a seu favor

Se você já movimenta dinheiro ou possui conta em uma instituição financeira específica, começar a busca por ela pode facilitar bastante a aprovação.

Ter um relacionamento prévio ajuda porque a instituição já detém um histórico consolidado dos seus hábitos financeiros, diz o especialista.

“Quando o banco consegue visualizar entrada de renda, comportamento de pagamento e relacionamento ao longo do tempo, a análise tende a ser mais completa”, explica.

Isso não é garantia automática de aprovação, mas contribui diretamente para uma avaliação mais precisa e justa do perfil de crédito do entregador ou mototaxista.

6. Evite os erros mais comuns

Muitas das negativas de crédito acontecem por falhas recorrentes que poderiam ser sanadas na fase de planejamento.

Os principais motivos de reprovação identificados pelo mercado incluem:

  • Renda declarada incompatível com o valor solicitado para o veículo;
  • Excesso de endividamento e outras linhas de crédito simultâneas;
  • Histórico recente de contas atrasadas ou restrições cadastrais ativas;
  • Falta de documentação adequada e comprovações inconsistentes.

Outro deslize muito frequente apontado pelo planejador é escolher modelos de veículos com parcelas muito próximas do limite máximo do próprio orçamento mensal.

“O ideal é buscar um financiamento que caiba com folga no orçamento, considerando não apenas a parcela, mas também custos como combustível, seguro, manutenção e até períodos de menor faturamento”, ressalta Soares.

7. Faça uma preparação para o ‘sim’

Para quem pretende solicitar o financiamento do Move Brasil, a preparação ideal deve começar bem antes do envio do pedido formal.

A recomendação prática do planejador financeiro é organizar rigorosamente os documentos, reduzir ao máximo as dívidas existentes, regularizar pendências no CPF e focar na construção de uma reserva financeira.

Isso servirá tanto para aumentar o valor de entrada do veículo quanto para proteger o entregador contra imprevistos de manutenção.

“Também é importante acompanhar a própria renda ao longo dos meses para entender qual parcela realmente cabe no orçamento”, aconselha.

Segundo Soares, o financiamento facilitado é uma ferramenta importante para a aquisição de um veículo de trabalho, mas a aprovação do crédito é apenas o passo inicial.

“O mais importante é garantir que essa dívida seja sustentável ao longo do tempo”, diz.

Juros menores

“A taxa do programa, entre 11,5% e 12,5% ao ano, é menos da metade da taxa média de mercado para aquisição de veículos para pessoa física”, explica Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar.

A estratégia de poupança continua sendo o melhor caminho para quem quer economizar de verdade.

Mesmo com taxa subsidiada, dar a maior entrada possível continua sendo a regra. “O juro, ainda que menor, é composto e incide sobre todo o saldo devedor”, explica.

A lógica financeira, segundo Castro, é simples e implacável: reduzir o principal sempre reduz o custo total da operação.

Faça as suas contas

O consumidor tem direito a ter todas as informações claras no momento de adquirir um financiamento.

O g1 já mostrou quais são as obrigações dos vendedores ao apresentar um financiamento, quais são os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo para evitar um mau negócio na compra de um veículo.

O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”, explica Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados.

O chamado custo efetivo total (CET) representa o valor real de um financiamento. Ele inclui juros, tarifas, impostos e quaisquer outras despesas da operação.

Segundo Leão, omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato, de forma a confundir o consumidor, é uma prática vedada pela lei. Assim, é necessário que todos os custos e informações estejam claros, tanto na conversa quanto na documentação.

Fonte: G1

Criciúma sedia encontro nacional da Plataforma CSC no CRIO

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Cidades inteligentes são construídas com planejamento, colaboração e propósito
Foto: Divulgação

Na tarde desta quinta-feira (23), Criciúma foi o palco da Reunião Estratégica Regional 2026 da Plataforma CSC.

Realizado no Centro de Inovação Criciúma (CRIO), o encontro reuniu gestores, especialistas e lideranças do setor privado para discutir o fortalecimento e o desenvolvimento dos municípios brasileiros.

Única cidade de Santa Catarina a sediar o evento nacional, Criciúma destacou-se por seu ambiente favorável à inovação. O prefeito Vagner Espindola ressaltou que a tecnologia e o planejamento caminham juntos na gestão municipal, oferecendo serviços modernos que facilitam a vida dos cidadãos e garantem um crescimento sustentável.

A programação incluiu painéis sobre transformação digital, cidades resilientes, inteligência artificial e parcerias público-privadas. Segundo o secretário de Governança, Tiago Ferro Pavan, a cidade inteligente prioriza as pessoas, utilizando a tecnologia como meio para políticas públicas eficientes.

A idealizadora da CSC, Paula Faria, elogiou a trajetória de Criciúma, que ocupa a 16ª posição no ranking nacional de cidades inteligentes. Segundo ela, o avanço é fruto de um trabalho estruturado e baseado em dados para orientar as decisões de gestão.

Fonte: Litoral Sul

A base necessária — e muitas vezes esquecida — da transformação digital na gestão pública

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A base necessária — e muitas vezes esquecida — da transformação digital na gestão pública
Foto: Freepik/pongsaksapakdee

À medida que sistemas ficam mais complexos e a inteligência artificial avança, preparar quem vai operar essas ferramentas deixa de ser detalhe e passa a ser condição vital para que a inovação chegue, de fato, ao cidadão.

Existe um erro de percepção frequente na modernização do setor público: acreditar que basta comprar tecnologia ou adquirir soluções inovadoras para transformar serviços. Sistemas são contratados, plataformas são implantadas, mas, sem pessoas preparadas para operá-los, a inovação trava — muitas vezes não por falha técnica, e sim por falta de gente capaz de dar sentido a ela.

Essa distância entre a ferramenta e quem a utiliza tende a crescer. As tecnologias que chegam à administração pública estão cada vez mais complexas, e é natural que servidores reajam com insegurança diante do que não conhecem. O receio de errar, a ausência de familiaridade e a sensação de não ter domínio sobre a novidade fazem com que muitas equipes resistam ao que poderia facilitar seu trabalho. O resultado é conhecido e triste: soluções caras que viram peças decorativas, usadas de forma cosmética, sem alterar de verdade os processos.

A partir dessa percepção Porto Alegre criou em 2025 uma Escola de Inovação voltada aos próprios servidores. Ela complementa a Escola de Desenvolvimento de Servidores, que já realiza um trabalho fundamental de formação para os processos tradicionais e a gestão administrativa, com um novo foco: preparar servidores para lidar com tecnologias emergentes e promover a cultura da mudança e da inovação. Mais do que ensinar a operar um sistema específico, a proposta é ajudar as pessoas a entender e enxergar para onde a tecnologia está avançando, o que ela pode resolver e como pode ser aliada no dia a dia.

Quando o servidor percebe esse movimento e se sente apoiado, sua relação com a inovação começa a mudar. Ele deixa de encarar a novidade como ameaça e passa a buscá-la com mais segurança — e, muitas vezes, com entusiasmo. Isso é fundamental para que as novas tecnologias e soluções sejam usadas de forma efetiva a favor do serviço público, transformando projetos e rotinas em vez de apenas maquiá-los.

Com o avanço da inteligência artificial, essa necessidade só se aprofunda. Sistemas de IA só entregam valor real quando as pessoas compreendem o que eles podem fazer, quais são seus limites, suas potencialidades e, sobretudo, seus riscos. Sem esse repertório, a tendência é usá-los apenas para tarefas rasas — ou, pior, empregá-los de maneira insegura, sem consciência do que está em jogo. Trabalhar com IA no setor público exige, portanto, servidores capazes de dialogar criticamente com a máquina, e não apenas de apertar botões.

Os verdadeiros protagonistas da transformação digital não são os softwares, mas os atores que vão receber e operar a inovação dentro do Estado. Investir na capacitação desses profissionais é reconhecer que a tecnologia é meio, e não fim — e que ela só cumpre sua promessa social quando encontra, do outro lado, alguém preparado para usá-la em benefício da população.

Pelos resultados que temos obtido — a turma inicial de formação sobre as potencialidades e os riscos dos sistemas de IA foi um sucesso e desencadeou muitas iniciativas em diferentes setores —, acredito que a implantação de algum tipo de modelo de formação para a inovação deveria estar na agenda prioritária dos gestores municipais. Tenho convicção de que essa aposta pode acelerar, ou até mesmo viabilizar, os processos de transformação digital e a adoção de soluções inovadoras nas prefeituras – e melhorar os resultados obtidos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC. 

Governo Lula vê crise diplomática com Argentina a maior em mais de 40 anos

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Governo Lula vê crise diplomática com Argentina a maior em mais de 40 anos
Reuters

Leitura é de que a última grande crise entre os dois países foi em 1973, quando o Brasil assinou o Tratado de Itaipu com o Paraguai

O governo considera a crise envolvendo Brasil e Argentina a maior em mais de 40 anos.

“É a maior (crise) desde a redemocratização”, disse à CNN o assessor de assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Celso Amorim.

A visão é compartilhada também por interlocutores do chanceler Mauro Vieira e pelo embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli.

Na reunião que tiveram na tarde desta segunda-feira (27) em Brasília, ambos consideraram a crise “muito grave” segundo uma fonte relatou à CNN.

A leitura é de que a última grande crise entre os dois países foi em 1973, quando o Brasil assinou o Tratado de Itaipu com o Paraguai. Na época, os argentinos manifestaram contrariedade com a exploração das águas transfronteiriças da bacia onde os dois países fazem fronteira, o que gerou embate entre os governos.

A Argentina tentou conter o acordo com a ideia da construção de uma usina com o Paraguai, batizada de Corpus. Ela seria feita a 250 km de Itaipu. O projeto nunca saiu do papel.

Desde então, o entendimento é que os governos mantiveram relações com diálogo bilateral até o rompimento entre os então presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández, considerada uma gênese menor do problema atual.

A ideia hoje é manter Bitelli no Brasil e aguardar as movimentações na Argentina antes de tomar qualquer decisão.

Fonte: CNN Brasil

As assustadoras nuvens de fogo que estão ajudando a espalhar incêndios na França

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As assustadoras nuvens de fogo que estão ajudando a espalhar incêndios na França
EPA/Shutterstock

Os incêndios florestais que atingem o sudoeste da França e o centro da Espanha já obrigaram mais de 325 mil pessoas a deixar suas casas.

Com um recorde de hectares destruídos pelas chamas, autoridades e equipes de bombeiros seguem mobilizadas para combater os focos que ainda permanecem ativos.

Na Espanha, os incêndios que atingiram principalmente as províncias de Ávila e Madri foram controlados. No entanto, nas últimas horas, um novo foco surgiu na região de Valência.

Na França, a situação continua crítica. Bombeiros trabalham para conter um dos maiores incêndios florestais registrados nos últimos anos na região de Gironda, próxima à cidade de Bordeaux.

O país está entre os mais afetados pelos incêndios, com cerca de 42 mil hectares devastados — um dos maiores desastres do tipo registrados desde a Segunda Guerra Mundial.

Em meio ao cenário de destruição, uma imagem chamou a atenção: uma enorme nuvem formada sobre a área atingida pelas chamas.

O fenômeno conhecido como pirocumulonimbo — também chamado de “nuvem de fogo” — é uma tempestade gerada pelo próprio incêndio e pode tornar o combate às chamas ainda mais difícil.

O que é e como se forma?

Segundo a principal apresentadora de meteorologia da BBC, Helen Willetts, esse fenômeno é, em essência, uma tempestade originada por um incêndio florestal de grande intensidade.

“Os incêndios florestais se alimentam de um clima quente e seco, enquanto os ventos fortes aumentam o perigo ao espalhar as chamas com grande rapidez”, explica.

“No entanto, os incêndios florestais também podem gerar seus próprios ventos e fenômenos meteorológicos”, acrescenta.

Willetts explica que, quando um incêndio de grandes proporções ocorre, ele libera enormes quantidades de calor.

“Esse calor faz com que o ar acima do fogo suba rapidamente, carregando fumaça, cinzas e vapor de água para as camadas mais altas da atmosfera.”

À medida que o ar sobe, ele esfria, e o vapor de água se condensa, formando uma nuvem.

Se o incêndio for suficientemente intenso e a atmosfera estiver instável, essa nuvem pode crescer até se transformar em um imponente pirocumulonimbo, o mesmo tipo de nuvem associado às tempestades elétricas, afirma a especialista.

Por isso, quando as nuvens pirocumulonimbo atingem grande desenvolvimento, elas também podem produzir raios, que, por sua vez, podem provocar novos incêndios.

Os ventos dentro dessas nuvens, assim como ocorre nas tempestades, são mais imprevisíveis e podem se espalhar em todas as direções. Além disso, em algumas situações, podem trazer granizo e chuva.

Os cientistas descrevem essas nuvens como tempestades geradas por incêndios, pois é o próprio fogo que fornece a energia necessária para que a nuvem se forme e se desenvolva.

A Nasa as denomina como “o dragão das nuvens que cospe fogo”.

Segundo a agência, esse tipo de nuvem, também conhecido como cumulonimbus flammagenitus, é produzido de forma “artificial” como resultado de uma fonte natural de calor, como um incêndio florestal ou um vulcão.

“O ar quente que sai do fogo pode transportar vapor de água para a atmosfera e gerar nuvens. É possível criar qualquer tipo de nuvem convectiva”, afirma a agência americana.

De acordo com especialistas, esse tipo de formação de nuvem costuma ser uma das mais perigosas, pois, ao gerar uma nuvem de tempestade, os raios e os ventos provocados por ela podem fazer com que o fogo se espalhe ou que novos focos de incêndio sejam iniciados.

“Uma tempestade elétrica completa está se formando dentro da coluna de fumaça do incêndio”, explicou Rick McRae, professor adjunto do grupo de pesquisa sobre incêndios florestais da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), ao jornal The Guardian.

“Esses fenômenos atingem aproximadamente 10 mil quilômetros cúbicos de atmosfera, portanto têm um impacto enorme.”

São comuns?

A Austrália foi um dos primeiros países a registrar a presença de nuvens pirocumulonimbo, no início deste século.

Essas nuvens também foram observadas durante os incêndios devastadores que atingiram a Califórnia em 2020.

A formação foi classificada pela Nasa como uma das maiores já vistas nos Estados Unidos. Ela pôde ser observada do espaço pelos satélites da agência espacial americana e também foi vista por passageiros de vários aviões que sobrevoavam a região.

Pesquisadores que estudam esses fenômenos afirmaram à imprensa francesa que essas formações de nuvens parecem estar se tornando cada vez mais frequentes.

Essa, contudo, teria sido a primeira vez que esse fenômeno foi observado na França.

“É a primeira vez que a França precisou considerar explicitamente o conceito de um pirocumulonimbo”, afirmou McRae.

Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, a Europa é o continente que está aquecendo mais rapidamente, com uma taxa de aumento de temperatura mais de duas vezes superior à média global desde a década de 1980.

As condições mais quentes e secas estão reduzindo a umidade da vegetação, criando um combustível que facilita o início e a rápida propagação dos incêndios florestais.

Ainda é necessária uma faísca — que geralmente vem da atividade humana, seja acidental ou intencional, ou de um raio —, mas o calor extremo, a vegetação seca e os ventos fortes podem fazer com que os incêndios avancem mais rapidamente e se tornem muito mais difíceis de controlar.

Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, os incêndios que atingiram a Europa neste ano consumiram uma área superior à média anual registrada nas últimas duas décadas.

A Agência Europeia do Meio Ambiente afirmou que “as mudanças climáticas aumentaram o risco de incêndios florestais em toda a Europa”, e a previsão é de que o maior perigo se concentre no sul do continente.

Fonte: BBC News

Por que a inteligência artificial (IA) consome muita água e energia?

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Líderes em IA alertam ONU sobre riscos de segurança da tecnologia
Fonte: denisik11/Getty Images

Data centers que treinam modelos de IA consomem eletricidade e água em escala industrial, e a conta cresce com a popularização dos chatbots.

Toda pergunta feita a um chatbot — até um simples “bom dia” — passa por servidores que consomem eletricidade. Na maioria dos casos, essa infraestrutura também usa água para resfriamento, o que torna esse consumo hídrico um dos principais pontos de tensão sobre a sustentabilidade da IA.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers consumiram cerca de 415 terawatt-hora (TWh) em 2024, perto de 1,5% de toda a eletricidade do planeta, com previsão de dobrar até 2030.

Mas o que mais preocupa é que boa parte dos data centers já opera em regiões com estresse hídrico, aumentando a pressão sobre um recurso escasso e mal distribuído.

Confira a seguir por que os modelos de IA consomem tanta energia e água, como funcionam os data centers por trás dessa tecnologia e quais soluções as empresas testam para reduzir esse impacto.

Por que a inteligência artificial consome tanta energia?

O principal motivo do consumo elevado é o processamento paralelo em escala industrial. Treinar um modelo de linguagem exige milhares de GPUs operando simultaneamente por semanas, analisando volumes massivos de dados até ajustar bilhões de parâmetros.

Mas o consumo não termina com o treinamento. Cada nova pergunta feita a um chatbot ativa esse modelo novamente — e são bilhões dessas consultas por dia, sustentando uma demanda contínua por eletricidade.

Funcionamento constante gera calor, que precisa ser dissipado por sistemas de resfriamento. É por isso que, além da energia, o consumo de água também entra na equação dos data centers.

A MIT Technology Review estima que treinar o GPT-4 consumiu cerca de 50 gigawatt-hora, energia suficiente para abastecer a cidade de São Francisco durante três dias inteiros.

Mas esse gasto de treinamento é pontual — a fase de uso diário, chamada de inferência, responde por entre 80% e 90% de toda a capacidade computacional da IA hoje, segundo pesquisadores ouvidos pela publicação.

O papel das GPUs no processamento

As GPUs (unidades de processamento gráfico) — aquelas mesmas usadas para renderizar gráficos em videogames — ganharam com a IA um novo papel. Elas conseguem realizar milhões de cálculos ao mesmo tempo, algo essencial para treinar e executar os sofisticados modelos de linguagem.

Bahia tem 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025

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Bahia tem 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025
Foto: Divulgação/SSP-SP

Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro aparecem no ranking nacional, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.

Cinco cidades baianas estão no ranking das 10 mais violentas de todo o Brasil. O estado continua sendo o que registra o maior número absoluto de mortes violentas intencionais do país. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgados nesta quinta-feira (23).

Quando consideradas as taxas por 100 mil habitantes, a Bahia está entre os dez estados com maiores índices de mortes violentas intencionais do país. O recorte aponta que sete das 10 unidades da federação com as maiores taxas estão no Nordeste.

A cidade de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, é a segunda mais violenta do Brasil, atrás apenas de Maranguape, no Ceará. Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro também integram o ranking nacional.

Os dados divulgados nesta quinta são referentes aos registros de 2025 e as taxas de violência foram calculadas para cada 100 mil habitantes.

Apesar de a Bahia ocupar cinco das 10 posições do ranking, o estado registrou redução de 9,5% no número de mortes violentas intencionais, passando de 6.047 casos em 2024 para 5.473 em 2025.

No levantamento de 2024, cinco cidades baianas também apareciam entre as 10 mais violentas do país: Jequié, Feira de Santana, Juazeiro, Simões Filho e Camaçari.

Foto: Arte/g1

Conforme a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as cidades mais violentas do país sofrem, em grande parte, com disputas entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas.

Mortes por intervenção policial

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também mostra que a Bahia registrou aumento no número de mortes decorrentes de intervenções policiais.

Em 2025, foram contabilizadas 1.570 mortes provocadas por policiais em serviço ou fora dele, contra 1.556 em 2024.

Com isso, 28,7% de todas as mortes violentas intencionais registradas no estado tiveram origem em intervenções policiais. No ano anterior, esse percentual era de 25,7%.

Em números absolutos, a Bahia continua sendo o estado com mais mortes decorrentes de intervenção policial no país, à frente de São Paulo (835), Rio de Janeiro (798) e Pará (632). Nacionalmente, essas ocorrências passaram de 6.237 para 6.602 entre 2024 e 2025.

Santo Antônio de Jesus, o município com mais de 100 mil habitantes com a maior taxa de mortes por intervenção policial em 2024, que registrou taxa de 30,2, caiu para a 170ª posição em 2025, com taxa de 1,8.

O levantamento também mostra que a Bahia concentra seis das dez cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes que registraram as maiores taxas de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) em 2025.

Criciúma/SC recebe encontro nacional e consolida protagonismo entre as cidades inteligentes do Brasil

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Cidades inteligentes são construídas com planejamento, colaboração e propósito
Foto: Divulgação

Município foi o único de Santa Catarina a sediar a Reunião Estratégica Regional 2026 da Plataforma CSC

Criciúma/SC sediou, na tarde desta quinta-feira (23), a Reunião Estratégica Regional 2026 da Plataforma Connected Smart Cities (CSC). O município foi o único de Santa Catarina e um dos poucos do Brasil a receber o encontro nacional que reuniu gestores, especialistas, lideranças e representantes do setor privado para debater soluções, compartilhar experiências e fortalecer o desenvolvimento dos municípios. O evento aconteceu no Centro de Inovação Criciúma (CRIO).

“Criciúma construiu um ambiente favorável à inovação porque compreendeu que tecnologia, planejamento e boa gestão caminham juntos. Hoje oferecemos serviços modernos, investimos em soluções que facilitam a vida das pessoas e criamos condições para que a cidade continue crescendo de forma sustentável. Receber um evento dessa dimensão confirma que Criciúma acompanha essa transformação e passou a contar com ela”, ressaltou o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola.

Promovida pela Plataforma CSC, o evento teve como objetivo reunir representantes do poder público, da iniciativa privada, da academia e de instituições ligadas à inovação para discutir soluções voltadas ao desenvolvimento de cidades mais inteligentes, humanas, conectadas e sustentáveis. O encontro também proporcionou a troca de experiências entre gestores e a apresentação de iniciativas que vêm transformando a gestão pública em diferentes regiões do país.

A programação reuniu especialistas de diferentes áreas em painéis e debates sobre temas estratégicos para o futuro das cidades, como transformação digital da gestão pública, inovação aberta, cidades resilientes, sustentabilidade, mobilidade, economia de impacto, inteligência artificial, governança, captação de investimentos e parcerias entre o setor público e a iniciativa privada.

Segundo o secretário municipal de Governança, Tiago Ferro Pavan, uma cidade inteligente é construída a partir da integração entre diferentes setores e tem as pessoas como prioridade.

“Quando falamos em cidades inteligentes, falamos de pessoas. A tecnologia é um meio para construir políticas públicas mais eficientes, melhorar a qualidade de vida e desenvolver os municípios de forma integrada. Criciúma tem um ecossistema de inovação muito forte e a evolução da cidade no ranking demonstra que estamos entregando valor para o cidadão e seguindo no caminho certo”, destacou o secretário municipal de Governança, Tiago Ferro Pavan.

Para a idealizadora da Plataforma CSC, Paula Faria, a trajetória recente de Criciúma demonstra um planejamento consistente e baseado em evidências.

“Criciúma vem se destacando nacionalmente pelo avanço alcançado nos nossos indicadores. A evolução registrada no ranking mostra o resultado de um trabalho estruturado, pautado em políticas públicas e no uso de dados para orientar decisões. É esse olhar voltado às necessidades da população que fortalece uma cidade inteligente. Ficamos muito felizes em acompanhar de perto essa jornada de transformação que Criciúma está construindo”, afirmou.

Sobre a Plataforma CSC

A Plataforma CSC é um movimento nacional de transformação urbana que valoriza a diversidade regional, a colaboração e o impacto real nas cidades brasileiras. Por meio da plataforma, Criciúma esteve no ranking de cidades mais inteligentes no Brasil, ocupando a 16ª posição.

Fonte: Circuito Turístico

Smart City Zürich: o modelo de inteligência urbana que redefine o planejamento global

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Smart City Zürich: o modelo de inteligência urbana que redefine o planejamento global
Foto: Enviado por Giovani Bernardo

Como uma cidade de meio milhão de habitantes se tornou, pela sexta vez consecutiva, a mais inteligente do mundo sem fazer da tecnologia o centro do seu modelo

Por: Débora Zeferino Leoratto e Lisangela Letti

Em 2025, o IMD Smart City Index coroou Zurique como a cidade mais inteligente do mundo pela sexta vez consecutiva, à frente de Oslo, e atribuiu-lhe pela primeira vez a nota máxima, AAA, em ambas as dimensões avaliadas pelo ranking: estrutura urbana e tecnologia. O dado mais revelador, no entanto, não é a posição no topo da lista, mas o tamanho da cidade que a ocupa. Com pouco mais de 452 mil habitantes no município e cerca de 1,6 milhão de pessoas no cantão que a circunda, Zurique não vence porque é grande, populosa ou tecnologicamente futurista. Vence porque transformou confiança institucional, dados e planejamento territorial em um sistema coerente — uma combinação que nenhuma métrica de inovação isolada consegue capturar sozinha, mas que se torna visível quando se observa o modelo como um todo.

O ponto de partida desse modelo é a própria estratégia Smart City Zürich, lançada para integrar de forma transversal as políticas de inovação, sustentabilidade e transformação digital da cidade. A escolha de palavras importa aqui: transversal, não setorial. Diferente de abordagens que tratam a tecnologia como um departamento à parte da administração pública, Zurique optou por usar dados como insumo estratégico para o planejamento territorial e para a tomada de decisão em todas as áreas de governo. Um dos instrumentos mais sofisticados dessa abordagem é o Digital Twin, ou gêmeo digital da cidade: um modelo virtual que permite simular cenários complexos de mobilidade, infraestrutura e impacto ambiental antes que qualquer intervenção física seja executada no espaço urbano. É uma forma de comprar tempo e reduzir erro — gestores testam decisões no plano virtual antes de assumir o custo, político e financeiro, de errar no mundo real.

Esse uso estratégico de dados só funciona, contudo, porque está apoiado em um pilar mais fundamental: a política de Open Government Data, ou dados abertos governamentais. A prefeitura de Zurique disponibiliza de forma massiva seus dados públicos, e essa decisão cumpre três funções que raramente aparecem juntas em outras cidades. A primeira é ampliar a transparência e a confiança do cidadão nas instituições — não como discurso, mas como prática verificável, já que qualquer pessoa pode acessar e auditar os dados que embasam decisões públicas. A segunda é fomentar o ecossistema de inovação local, permitindo que startups e empresas desenvolvam soluções a partir de dados reais da cidade, em vez de depender de aproximações ou suposições sobre como Zurique funciona. A terceira, talvez a mais subestimada, é estimular a participação cidadã por meio de interfaces digitais que permitem à comunidade colaborar diretamente com a gestão pública. Tomadas em conjunto, essas três funções explicam por que o relatório do IMD atribui à confiança institucional um peso tão decisivo quanto à tecnologia em si na definição do que torna uma cidade inteligente.

Por trás da camada de dados existe ainda uma camada econômica que sustenta tudo isso no longo prazo: o Desenvolvimento Baseado em Conhecimento, ou Knowledge-Based Development. A economia de Zurique é impulsionada pela articulação estreita entre o setor produtivo, o poder público e instituições de ensino de excelência, com destaque para a ETH Zürich, uma das universidades técnicas mais respeitadas do mundo. O modelo segue a lógica da Hélice Tríplice — universidade, governo e empresa — e garante que a pesquisa científica produzida na cidade não fique confinada a laboratórios, mas seja aplicada diretamente na melhoria dos serviços públicos. É esse fechamento de ciclo, entre quem produz conhecimento e quem o transforma em política pública, que distingue um polo universitário de um verdadeiro motor de desenvolvimento territorial.

Esses princípios se tornam concretos, e visíveis no dia a dia de qualquer morador, no setor de mobilidade, onde Zurique é referência mundial em integração multimodal. A estratégia urbana prioriza o transporte coletivo de alta eficiência, incentiva deslocamentos ativos como caminhada e ciclismo, e utiliza monitoramento em tempo real para otimizar o fluxo de veículos e reduzir impactos ambientais. Não é uma política de transporte no sentido tradicional — é uma política de uso do tempo e do espaço urbano, em que cada modal é dimensionado para reduzir o atrito entre as pessoas e a cidade, em vez de simplesmente movê-las de um ponto a outro.

Toda essa engenharia urbana está ancorada em metas de sustentabilidade e eficiência de recursos monitoradas com rigor pouco comum: a cidade utiliza indicadores alinhados a normas internacionais como a ISO 37120 e a ISO 37122 para acompanhar a gestão hídrica, a eficiência energética e a resiliência climática. E, para garantir que esse esforço não se disperse em iniciativas pontuais, Zurique formalizou em abril de 2024 o documento Strategien Zürich 2040, que substituiu o plano anterior, de 2035, e define metas claras de longo prazo para a evolução da infraestrutura e da qualidade de vida urbana. É um detalhe que diz muito sobre a maturidade institucional da cidade: o plano estratégico tem prazo de validade e é revisado, não porque tenha falhado, mas porque o mundo ao seu redor mudou.

O que o chamado Modelo Zurique ensina, em última instância, é que ser uma cidade inteligente depende menos de acumular tecnologia e mais de construir capacidade institucional e governança orientada por evidências. Os dados urbanos só produzem resultado real quando estão associados a um planejamento territorial sólido e a um engajamento social genuíno — sem essa combinação, qualquer painel de indicadores é apenas vitrine. É uma lição igualmente válida para gestores públicos e para organizações privadas que confundem, com frequência, acumular ferramentas digitais com de fato transformar a maneira como decisões são tomadas: a inteligência, urbana ou institucional, não está na tecnologia que se possui, mas na confiança e na evidência que sustentam o seu uso.

Fontes consultadas: Stadt Zürich (Statistik Stadt Zürich; Strategien Zürich 2040); Kanton Zürich (Statistisches Amt); IMD World Competitiveness Center / IMD Smart City Index 2025; Cities Today; S-GE.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC.