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Chapecó conquista a ISO 37120 Ouro: o que essa certificação representa para a gestão pública baseada em dados

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A cidade de Chapecó (SC) é a primeira no estado de Santa Catarina a conquistar a certificação ABNT NBR ISO 37120 de Cidades Sustentáveis no nível Ouro. Essa conquista destaca-se pelo pioneirismo do município e pelo que representa para a gestão pública orientada por dados.

A certificação acompanha o monitoramento de indicadores de serviços urbanos e qualidade de vida por meio de uma metodologia padronizada com auditoria independente da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Em Chapecó, o processo envolveu mais de 90 indicadores distribuídos em 19 áreas da administração municipal, contando com a assessoria técnica da plataforma Bright Cities.

Mais do que um reconhecimento, o selo evidencia um ponto central para os municípios: não basta ter dados; é fundamental que eles sejam estruturados, comparáveis, auditáveis e capazes de orientar a tomada de decisão.

O que é a norma ABNT NBR ISO 37120?

A ISO 37120 faz parte de uma família de normas internacionais desenvolvidas para apoiar o desenvolvimento sustentável de cidades e comunidades. Sua primeira edição, publicada em 2014, tornou-se a primeira norma internacional da ISO dedicada a indicadores para serviços urbanos e qualidade de vida. A norma define metodologias para medir o desempenho municipal, acompanhar a evolução dos serviços e fundamentar políticas públicas e planejamentos estratégicos.

Na prática, a norma estabelece uma linguagem comum para que municípios possam medir seu desempenho de maneira comparável e verificável, independentemente de seu tamanho ou localização.

Essa padronização também aproxima a discussão de um dos fundamentos das Smart Cities: utilizar informação qualificada para compreender a realidade urbana e melhorar a capacidade de decisão.

O que significa conquistar o nível Ouro?

A ABNT explica que o processo de certificação de indicadores para cidades é estruturado em quatro níveis — Bronze, Prata, Ouro e Platina —, definidos conforme o volume de indicadores certificados. O processo é evolutivo, permitindo que os municípios ampliem o conjunto de dados avaliados e avancem para níveis mais altos ao longo do tempo. A certificação atesta formalmente que os dados analisados cumprem os padrões internacionais de qualidade e rigor técnico.

Chapecó conquista a ISO 37120 Ouro: o que essa certificação representa para a gestão pública baseada em dados
Foto: https://abnt.org.br/certificacao/smartcities/

Como indicadores auditados fortalecem a gestão pública

Quando indicadores municipais são estruturados e submetidos a processos de verificação, eles podem assumir uma função muito mais estratégica dentro da administração pública.

O primeiro impacto está no planejamento municipal.

Um planejamento consistente depende de uma compreensão clara da realidade que se pretende transformar. Indicadores padronizados permitem estabelecer uma linha de base, acompanhar resultados e identificar mudanças ao longo do tempo. A ISO destaca justamente o uso dos indicadores para medir desempenho, acompanhar progresso e apoiar planejamento e gestão.

Isso também contribui para a priorização de investimentos.

Em ambientes públicos marcados por restrições orçamentárias, decisões precisam considerar onde os recursos podem gerar maior impacto. Dados organizados e comparáveis ajudam a identificar lacunas, acompanhar a evolução dos serviços e orientar prioridades com maior base técnica.

Outro ponto é o monitoramento de políticas públicas.

Uma política não termina quando é implementada. É necessário acompanhar sua execução e seus efeitos. Indicadores criam condições para verificar se determinados objetivos estão sendo alcançados e identificar pontos que demandam ajustes.

A padronização também fortalece a transparência pública.

Quando informações relevantes sobre a cidade são organizadas segundo critérios claros e disponibilizadas para consulta, a população, pesquisadores, organizações e os próprios gestores passam a ter uma referência comum sobre o desempenho municipal.

Por fim, existe uma dimensão especialmente importante para a administração pública: a continuidade administrativa.

Dados estruturados não dependem exclusivamente da memória individual de uma equipe ou de um determinado ciclo de governo. Quando metodologias, indicadores, históricos e evidências ficam organizados institucionalmente, o conhecimento produzido pode permanecer disponível para orientar decisões futuras.

Essa é uma contribuição importante para municípios que desejam construir políticas públicas de longo prazo.

O caso de Chapecó

O processo contou com o suporte técnico da Bright Cities na estruturação e gestão dos indicadores, atuando em parceria com as equipes municipais ao longo de 8 meses até a conquista do selo.

Conteúdo do artigo

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Durante esse período de assessoria técnica para a obtenção da ISO, o trabalho envolveu a organização das informações, a definição de responsabilidades entre as secretarias, a integração de processos, a produção de evidências técnicas e a construção de uma rotina de acompanhamento contínuo até a auditoria final.

O que outros municípios podem aprender
A experiência de Chapecó demonstra que uma agenda de gestão baseada em dados exige método e continuidade.

Primeiro, indicadores precisam ser institucionalizados. Eles não devem existir apenas para atender uma demanda pontual, mas fazer parte da rotina de planejamento e monitoramento do município.

Segundo, a integração entre secretarias é fundamental. Saúde, educação, mobilidade, saneamento, segurança e meio ambiente produzem dados que, quando analisados de forma conectada, oferecem uma visão muito mais precisa da cidade.

Terceiro, é necessário diferenciar coleta de dados de gestão de dados. Coletar informações é apenas o começo. É preciso organizar, validar, interpretar, acompanhar e utilizar os indicadores para orientar decisões.

Quarto, a cultura de monitoramento deve ser contínua. Indicadores ganham valor quando permitem acompanhar tendências e resultados ao longo do tempo, em vez de serem utilizados apenas para produzir diagnósticos isolados.

Por fim, a experiência reforça que dados confiáveis são uma infraestrutura de gestão pública.

Eles embasam o planejamento municipal, fortalecem a governança, aumentam a transparência pública e preservam o conhecimento institucional.

Certificação como parte de uma agenda maior de gestão baseada em dados

A certificação ABNT NBR ISO 37120 nível Ouro obtida por Chapecó integra uma transformação mais ampla no modelo de monitoramento e gestão do município.

O principal valor de um conjunto de indicadores padronizados não está apenas no certificado recebido, mas na capacidade de estabelecer uma base comum para compreender a cidade, acompanhar resultados e sustentar decisões ao longo do tempo.

Para gestores públicos, técnicos municipais e organizações que atuam com inovação para governos, esse é um ponto central da agenda de cidades inteligentes: utilizar dados como instrumentos para qualificar a gestão e os serviços oferecidos à população.

É nessa perspectiva que a atuação da Bright Cities se destaca. Ao apoiar os municípios na estruturação, organização e gestão contínua de indicadores, a plataforma ajuda a construir bases de dados sólidas para fundamentar o monitoramento, o planejamento e a tomada de decisão.

Mais do que acompanhar números, uma cidade inteligente precisa ser capaz de entender seus próprios dados, transformar evidências em decisões e manter esse conhecimento como patrimônio institucional.

Conheça nossa plataforma: www.brightcities.city

Fonte: Bright Cities

Aeroporto Santos Dumont tem voos cancelados no início da manhã desta sexta-feira após acidente com jato

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Novas regras da Anac para combater passageiros indisciplinados em voos começam a valer; veja o que muda
Foto: Gerada por IA | Magnific

Na quinta, 71 voos foram cancelados por causa do escape de uma aeronave de pequeno porte.

O Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro, teve ao menos 12 voos cancelados no início da manhã desta sexta-feira (28), dia seguinte a um acidente com um avião de pequeno porte na cabeceira da pista.

A Infraero explicou que, como o terminal ficou parado até tarde da noite, aviões programados para sair cedo do Rio não conseguiram pousar de véspera. As partidas afetadas iriam para Brasília, Congonhas (SP), Guarulhos (SP) e Confins (MG).

A operação no Santos Dumont normalmente começa às 6h, mas a 1ª decolagem só ocorreu às 6h55, para São Paulo. O painel indicava que voos saindo a partir das 7h45 estavam confirmados.

A Aena, concessionária que opera o Aeroporto de Congonhas, informou que 1 partida e 2 chegadas como origem ou destino para o Santos Dumont foram canceladas.

7 horas de pista fechada

Às 16h10 de quinta, segundo a Infraero, a aeronave, um Embraer Phenom, prefixo PSVEE – E50P, escapou da cabeceira durante o procedimento de pouso e parou na área gramada. Não houve feridos. Na aeronave, estavam o piloto e um tripulante.

O Phenom foi retirado às 23h de quinta. Até lá, 71 voos foram cancelados, e outros 15, desviados para o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, no Galeão.

“O Plano de Emergência do Aeroporto foi acionado imediatamente. Equipes do Corpo de Bombeiros deram suporte e técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estiveram no aeroporto para iniciar as investigações sobre a causa da saída da pista”, disse a Infraero.

A aeronave envolvida no incidente está registrada em nome da VEE One Manutenção e Serviços Ltda., empresa sediada em Campinas (SP) e especializada em manutenção de aviões.

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião não possui autorização para operar serviços de táxi aéreo, voos comerciais regulares ou serviços aéreos especializados.

EUA confirmam duas primeiras mortes por sarampo em 2026; doença é evitável com vacina

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EUA confirmam duas primeiras mortes por sarampo em 2026; doença é evitável com vacina
Foto: Adobe Stock

Vítimas eram moradoras não vacinadas do Condado de Lancaster. Autoridades de saúde reforçam que a vacina tríplice viral evita 97% dos casos.

Os Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes por sarampo deste ano. As vítimas eram moradoras não vacinadas do Condado de Lancaster, na Pensilvânia, segundo o Departamento de Saúde do estado.

Os óbitos também marcam um retrocesso simbólico para a Pensilvânia: o estado não registrava uma morte por sarampo havia 35 anos. Por questões de privacidade, o órgão não divulgou idade, sexo ou outras informações que possam identificar os pacientes.

O país vive um surto da doença, com milhares de casos. Segundo o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), foram confirmados 2.777 casos no país até agora neste ano, contra 2.289 registrados em todo o ano de 2025. No ano passado, foram registradas três mortes.

O sarampo é causado por um vírus transmitido pelo ar, que se espalha quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou simplesmente respira perto de outras. Ele pode permanecer ativo em superfícies e no ar por até duas horas depois que o paciente sai do ambiente — o que explica por que a doença é considerada uma das mais contagiosas que existem.

No entanto, a doença é controlável com a vacina, que existe há pelo menos 50 anos e é usada em diversos países pelo mundo, inclusive no Brasil. A tríplice viral, vacina que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola.

O crescimento dos casos não é um fenômeno recente nem isolado. A cobertura vacinal infantil nos Estados Unidos caiu de mais de 95%, em 2020, para menos de 93% atualmente — uma diferença que parece pequena, mas é decisiva, já que 95% é o patamar mínimo considerado necessário para garantir proteção coletiva contra o sarampo. A queda se acumula desde 2016 e ganhou força durante a pandemia de Covid-19, segundo especialistas em imunização.

A tendência é impulsionada agora pelos discursos do presidente Donald Trump e Robert F. Kennedy Jr., nomeado para a pasta da Saúde.

O movimento mais recente veio em 10 de agosto quando, mesmo em meio ao surto pela doença, Trump assinou uma ordem executiva que reformula o calendário de vacinação infantil e defendendo a interrupção da tríplice viral pela troca da vacinação pelas doenças que ela protege de forma isolada. Segundo o presidente, haveria um risco de morte — mas ele não apresentou dados, óbitos e nem pesquisas que provassem o que estava dizendo.

O discurso também retomou a hipótese, sem comprovação científica, de que vacinas estariam ligadas ao autismo — teoria originada em um estudo de 1998 do médico britânico Andrew Wakefield, posteriormente identificado como fraudulento, o que levou à perda da licença médica do autor e à retratação da pesquisa pela revista que a publicou.

Estudos com milhões de crianças em diferentes países não encontraram relação causal entre vacinas e o transtorno, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Fonte: G1

A cadeira vazia da mobilidade brasileira acaba de ser ocupada

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A cadeira vazia da mobilidade brasileira acaba de ser ocupada

O setor de transporte tem associação para operador, para fabricante, para técnico e para gestor público. Faltava quem falasse pela camada que sustenta tudo isso. A ABTEC nasce para ocupar esse lugar — e chega na hora exata.

 

A tecnologia não avança em linha reta. No transporte público brasileiro, ela costuma esbarrar na inércia dos processos, no regionalismo técnico de cada contrato e, às vezes, em um certo entusiasmo mercadológico que vende o futuro antes de resolver o presente.

Por isso o anúncio feito na Lat.BUS EXPO 2026 merece mais atenção do que uma nova sigla normalmente recebe. A Associação Brasileira de Tecnologia para a Mobilidade (ABTEC Mobilidade) nasceu reunindo oito empresas que desenvolvem soluções para diferentes áreas da infraestrutura tecnológica dos sistemas de transporte: Bus2, Cittati, Empresa 1, Onboard, Planeta Informática, Prodata Mobility Brasil, Sonda e Transdata. Concorrentes, com décadas de atuação, que disputam as mesmas licitações.

A ideia surgiu de uma conversa após um painel na Lat.Bus de 2024 e levou dois anos para virar entidade. Não foi reação a um edital nem articulação de ocasião. Foi a constatação gradual de que existe um interesse comum acima da concorrência comercial, e que ninguém estava cuidando dele.

Uma cadeira que estava vazia

O transporte brasileiro é um setor bem representado. 

A NTU fala pelos operadores urbanos. A ABRATI, pelo rodoviário. A FABUS consolidou padrões técnicos para a indústria de carroceria. A ANTP organiza o debate técnico há décadas. A CNT costura o setor inteiro. A FNP leva a pauta dos municípios ao Congresso. O Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana representa quem gere os sistemas na ponta.

Vale lembrar que praticamente todo avanço estrutural do setor veio de construção coletiva desse tipo. O enfrentamento do transporte clandestino nos anos 2000, a uniformização de padrões de carroceria, a própria criação da NTU, a pauta da desoneração. Nada disso foi obra de uma empresa isolada.

A camada que produz o dado, porém, nunca teve foro próprio. As empresas de tecnologia sempre foram ouvidas uma a uma, na condição de fornecedor, com o edital já escrito e a especificação já fechada. Nunca como indústria. O resultado é conhecido, cada município reinventa a especificação, cada contrato cria um vocabulário próprio, e a comparabilidade nacional fica difícil. Não por má-fé de ninguém, por ausência de espaço institucional para essa conversa.

O dado existe, extrair valor que é complexo

Convém tratar de uma metáfora que se repete há anos no debate político do setor.

Rafael Teles, diretor de produto da Transdata, fez uma observação certeira no Podcast do Transporte, na aviação, a caixa-preta existe para revelar o que aconteceu, não para esconder o funcionamento do voo.

Portanto, o dado existe. É gerado todo dia, aos bilhões de registros, em validadores, sensores, centrais de controle e aplicativos. O gargalo é a combinação de dados organizados sob lógicas diferentes com equipes públicas que nem sempre dispõem de estrutura para lê-los de forma coordenada.

Ou seja, dado bruto não vira decisão sozinho. Falta padrão comum, governança e integração entre soluções construídas em décadas diferentes, por empresas diferentes, sob contratos diferentes. É a mesma lógica que já defendi ao tratar do GTFS como base para mudar a percepção do usuário e ao mostrar que a precisão da informação é uma moeda do transporte público. A tecnologia já está lá. O que falta é acordo sobre como ela conversa.

E acordo não se constrói empresa por empresa. Se constrói em foro setorial.

Tomadas, USB e o valor de combinar padrões

Felipe Leoni, diretor técnico da Prodata Mobility Brasil, trouxe um paralelo útil. A normatização técnica no transporte se parece com a padronização das tomadas elétricas ou com a universalização do padrão USB. Concorrentes globais montam consórcios para desenvolver padrões comuns de hardware e software porque entenderam que normatizar não divide mercado, multiplica.

É a mesma lição da FABUS na indústria de carroceria. Padrão técnico comum ampliou o mercado em vez de restringi-lo.

O que a lei passou a exigir

Há também uma razão de calendário para que essa conversa aconteça agora.

A Lei 15.432/2026, sancionada em 14 de junho, entra em vigor um ano após a publicação. Escrevi aqui, em fevereiro, sobre como o debate legislativo em torno do Marco Legal tratou de novos impostos quando o tema real era mudança de incentivo. Aquela discussão terminou. Começou a implementação.

O que a lei fez foi trocar a pergunta. O modelo anterior perguntava quanto custa. O novo pergunta quanto foi entregue. Separa a tarifa paga pelo usuário da remuneração do operador, admite receitas extratarifárias e vincula o pagamento a metas e disponibilidade do serviço. Todo indicador dessa lógica é um dado, e nenhum deles existe por decreto.

Vale precisar os dispositivos, porque circulam leituras imprecisas sobre eles. O artigo 15 obriga os operadores a fornecerem ao titular do serviço os dados necessários ao desempenho de suas atividades. O artigo 13 determina que o titular — município, estado ou União, diretamente ou por meio de seu órgão regulador — forneça os dados ao Sistema Nacional de Informações em Mobilidade Urbana (SIMU), na metodologia e periodicidade estabelecidas pela União. E o artig 21 condiciona a contratação de projetos de transporte público coletivo com recursos federais ao cumprimento do artigo 13.

Até junho de 2027 serão escritas portarias, especificações e minutas de contrato que vão durar dez, quinze anos. Contribuição técnica qualificada é útil antes da publicação. Depois, a conversa se torna outra, e mais cara.

O que está em jogo em escala nacional

As empresas em sua maioria são concorrentes. É esse o ponto.

O critério de entrada da ABTEC diz muito sobre a intenção. É preciso realizar pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica no Brasil. Não se trata de nacionalismo de bandeira. Trata-se de reconhecer que gratuidade de idoso, integração temporal, câmara de compensação, vale-transporte e a lógica tarifária brasileira não existem em manual importado. Quem resolve isso são equipes daqui, que pesquisam, projetam, testam e mantêm tecnologia para as condições específicas da mobilidade brasileira.

E a entidade defende explicitamente a coexistência de tecnologias. Inovação não é trocar a caixinha pela mais recente. É integrar soluções, preservar investimentos, respeitar contratos, organizar os dados e criar condições para evolução contínua.

O desafio maior talvez não esteja na infraestrutura nem no código, e sim nas pessoas.

O Brasil vive uma transição silenciosa nas prefeituras e órgãos reguladores. A geração de planejadores e engenheiros de transportes formada na época do GEIPOT está se aposentando, e a reposição não vem acontecendo na mesma proporção. Se as equipes que assumem as secretarias não estiverem preparadas para ler, interpretar, articular e usar os dados que a tecnologia produz, a melhoria contínua da rede fica comprometida, por melhor que seja o sistema instalado.

Esse é um ponto em que uma entidade técnica pode contribuir de forma concreta. Formação, referências e linguagem comum. É um espaço natural de atuação para uma associação que já se organiza em torno de representação institucional, padrões técnicos, transformação digital e segurança, políticas públicas e sustentabilidade.

O primeiro entregável já mostra o método

Poucos dias após o lançamento, a ABTEC apresentou na Lat.BUS os resultados da primeira etapa do Glossário de Verbetes e Definições da Mobilidade Brasileira, desenvolvido pelo GT Padronização de Dados, com as fundadoras e duas convidadas.

Repare em quem estava na sala, o secretário nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Marcos Daniel. O vice-presidente da CNT, Eudo Laranjeiras. Pela NTU, o diretor-presidente Francisco Christovam, o diretor de Gestão Marcos Bicalho e o diretor de Mobilidade Urbana Matteus Freitas. Pela FNP, João Lucas Albuquerque. A UITP Latin America e a ANTP também contribuirão tecnicamente.

Uma entidade recém-nascida sentou governo federal, confederação, operadores e municípios na mesma mesa para se apresentar e iniciar uma discussão sobre nomenclatura.

Parece modesto, mas não é. Boa parte das divergências contratuais do setor não é divergência de mérito, é divergência de vocabulário.

Quando editais, contratos, normas e bases de dados usam conceitos técnicos coerentes e normalizados, diminuem ambiguidades e melhoram as condições de integração, troca de dados e diálogo. A versão final sai ainda em 2026, e o documento seguirá em revisão permanente, publicado no site da entidade.

 

O setor amadureceu

O Marco Legal foi a mudança estrutural que o transporte brasileiro esperava desde 2012. Trocou o incentivo da estimativa de custo para a medição de resultado.

Empresas que competem há décadas concluíram que precisam construir junto aquilo que nenhuma delas consegue construir sozinha. É a definição clássica de maturidade setorial, o mesmo movimento que outras indústrias do transporte fizeram quando pararam de tratar padrão técnico como concessão e passaram a tratá-lo como ativo comum.

A cadeira vazia foi ocupada. O que se faz sentado nela é o que vai definir se a ABTEC entra para a história do setor ou vira mais uma sigla. 

Anvisa e Dinavisa assinam cooperação para ampliar fiscalização e segurança de produtos e medicamentos

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Anvisa e Dinavisa assinam cooperação para ampliar fiscalização e segurança de produtos e medicamentos
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ações de controle sanitário, prevenção e combate à falsificação são destaques do novo Memorando de Entendimento entre as Agências do Brasil e Paraguai

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) assinaram nesta quinta-feira (20/8) um novo Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação institucional entre as duas autoridades sanitárias.

O fortalecimento da cooperação em ações de fiscalização e controle sanitário, voltadas à prevenção e ao combate da falsificação e circulação irregular de produtos sujeitos à vigilância sanitária, são os principais avanços previstos na cooperação.

Para o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o acordo estimula a implementação de ações conjuntas com foco na segurança sanitária binacional. “A aproximação regulatória entre os países da região é um passo importante para incrementar as ações de fiscalização”, afirmou Safatle.

Já o Diretor Nacional Interino da Direção Nacional de Vigilância Sanitária (Dinavisa), Jorge Iliou Silvero, afirmou que “os dois países dividem desafios em comum na proteção da saúde da população” e destacou que o trabalho em parceria amplia a confiança regulatória (reliance), a convergência e a adoção boas práticas regulatórias.

O novo instrumento amplia o acordo firmado entre as instituições em 2024, consolidando um compromisso conjunto com o fortalecimento dos sistemas de vigilância sanitária e com o intercâmbio de experiências, informações e boas práticas regulatórias. Confira o Memorando de Entendimento.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa

Prefeitura de São José dos Pinhais abre consulta pública para desenvolver solução digital para fortalecer o comércio local

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Prefeitura de São José dos Pinhais abre consulta pública para desenvolver solução digital para fortalecer o comércio local
Foto: Prefeitura de São José dos Pinhais

Iniciativa busca contribuições para criar plataforma que conecte consumidores, empresas e Poder Público no município

A Prefeitura de São José dos Pinhais abriu, nesta segunda-feira (24), uma Consulta Pública para receber contribuições técnicas e institucionais sobre soluções inovadoras que possam fortalecer e digitalizar o comércio local. A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Inovação, Modernização e Transformação Digital (Simot), em parceria com a Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Serviços (Sics).

A proposta é desenvolver uma solução digital que reúna empresas, produtos e serviços do município, facilitando o acesso dos consumidores aos negócios locais e permitindo que a Prefeitura tenha informações para acompanhar a dinâmica econômica e aprimorar as políticas públicas.

Podem participar empresas, startups, pesquisadores, institutos de ciência e tecnologia, especialistas, pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas, além de outros interessados que tenham contribuições relacionadas ao desafio proposto. As contribuições podem ser enviadas por meio do formulário eletrônico da Consulta Pública até 23h59 do dia 23 de setembro de 2026. Clique aqui para participar.

A iniciativa também busca ampliar a presença digital de micro e pequenas empresas, estimular o consumo dentro do município, aumentar a competitividade dos negócios locais e gerar novas oportunidades de vendas e relacionamento com os consumidores.

“Queremos ouvir o mercado e a sociedade para construir uma solução alinhada às necessidades reais do município, fortalecendo os negócios locais e utilizando a tecnologia para melhorar o planejamento econômico”, destaca o secretário municipal de Inovação, Modernização e Transformação Digital, Rafael Rueda Muhlmann.

Consulta Pública CPSI

A consulta faz parte da etapa preparatória para uma eventual realização de um Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI), previsto na Lei Complementar nº 182/2021, o Marco Legal das Startups. O mecanismo permite à Administração Pública testar soluções inovadoras para enfrentar desafios de interesse público.

As contribuições terão caráter não vinculante e poderão auxiliar no planejamento e no aperfeiçoamento dos requisitos de um futuro edital de CPSI, incluindo aspectos técnicos, indicadores de sucesso e a modelagem de um eventual projeto-piloto.

A participação não representa seleção ou contratação de empresas nem gera direito de preferência ou contratação futura. As contribuições serão analisadas pela equipe técnica da Simot. Caso envolvam tratamento de dados pessoais, deverão ser observadas as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A Prefeitura de São José dos Pinhais reforça a importância da participação do ecossistema de inovação na construção de soluções voltadas à modernização da gestão pública e ao desenvolvimento econômico do município.

Fonte: Prefeitura de São José dos Pinhais

Criciúma apresenta à ANTT projeto de mobilidade urbana ao longo da ferrovia

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Criciúma apresenta à ANTT projeto de mobilidade urbana ao longo da ferrovia
Foto: Divulgação/Decom

Proposta prevê duas vias para integrar sete bairros do município

O prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola, apresentou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nesta segunda-feira (24), em Brasília, um projeto de requalificação do trecho urbano da malha ferroviária do município. A proposta foi entregue ao superintendente interino da Concessão da Infraestrutura, Stéphane Louis Georges Quebaud, e ao coordenador de Demandas Federativas, Vinícius Carvalho. Participaram da reunião o secretário municipal de Infraestrutura e Obras, João Paulo Casagrande, e o vereador Miri Dagostim.

O projeto prevê a criação de duas vias ao longo do trecho ferroviário, com o objetivo de ampliar a mobilidade e melhorar a integração entre sete bairros: Pinheirinho, Paraíso, Teresa Cristina, São Francisco, Boa Vista, Vila Francesa e Rio Maina. Segundo o município, a proposta busca incorporar a intervenção ao planejamento da nova concessão ferroviária e avaliar alternativas para viabilizar os investimentos necessários.

Durante o encontro, o prefeito destacou a intenção de incluir a demanda de Criciúma nas discussões relacionadas à futura concessão. “Esse é um primeiro passo importante. Estamos entregando o projeto, abrindo essa discussão com a ANTT e buscando garantir que essa necessidade de Criciúma seja considerada dentro da nova concessão”, afirmou Vagner Espíndola.

Entre as alternativas em análise estão a utilização de recursos vinculados à própria concessão ferroviária e mecanismos que possibilitem o emprego de recursos provenientes de outras concessões ou fontes de investimento. As possibilidades dependerão dos modelos que forem definidos pelo Governo Federal e pela ANTT. A intenção do município é avançar na avaliação técnica do projeto e buscar sua inclusão no planejamento dos investimentos relacionados à nova concessão.

Fonte: Santa Catarina em Pauta

Febre do Nilo Ocidental é rara no Brasil, apesar da disseminação global

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Febre do Nilo Ocidental é rara no Brasil, apesar da disseminação global
Foto: Conselho Federal de Farmácia/Reprodução

Casos foram registrados em Santa Catarina e São Paulo; infectologista explica detalhes sobre a doença

O Ministério da Saúde confirmou dois casos de Febre do Nilo Ocidental em Santa Catarina, outros dois em São Paulo e agora investiga a possibilidade de mais um caso no Piauí. O infectologista André Bon, coordenador da Infectologia do Hospital Brasília, explica que, apesar do vírus ser uma das arboviroses mais disseminadas em todo o mundo, no Brasil a transmissão é rara.

Ele ressalta que a Febre do Nilo Ocidental não é uma doença que foi introduzida no Brasil de forma persistente na transmissão em humanos.

“A doença do Nilo Ocidental, conhecida com o nome em inglês de West Nile, é uma das arco-virosas mais disseminadas em todo o mundo. Felizmente, no Brasil, a gente tem casos eventuais apenas, ela não é uma doença que foi introduzida no Brasil de forma persistente na transmissão em humanos. As epizootias, que são as epidemias em animais, elas podem acontecer e, na verdade, a Febre do Nilo Ocidental, o West Nile, é uma doença cujo ciclo se mantém na vida silvestre entre pássaros e insetos”, explicou o especialista.

Da mesma forma que a Dengue ou até mesmo a Chikungunya, a forma de transmissão é através de um mosquito, neste caso o Culex.

Na verdade, o principal mosquito de transmissão é o Culex, que é o famoso pernilongo. A transmissão para seres humanos, na verdade, é uma zoonose, uma transmissão de uma doença que é clássica de animais para seres humanos aqui na realidade do Brasil e é extremamente rara. É transmitida, então, a partir de pernilongos infectados, que se infectaram eventualmente em algum pássaro, para seres humanos”, ressalta André Bon.

O médico infectologista ainda explica que no Brasil os casos tendem a ser mais leves, com pouco histórico de graves complicações. No entanto, a Febre do Nilo Ocidental pode causar encefalites, meningite e até formas de paralisia.

“Mas os casos no Brasil são extremamente raros, com poucos relatos, e a transmissão sustentada no Brasil ainda não existe de maneira significativa. É uma doença que a imensa maioria dos pacientes que desenvolvem tem sintomas leves, mas existem algumas formas graves com encefalites, meningite e até formas de paralisia flácida que podem se assemelhar a poliomielite, por exemplo. Então existe, sim, o risco de óbito e esse risco de óbito e formas graves é mais importante em pacientes idosos, imunossuprimidos, pacientes oncológicos ou transplantados de órgão sólido, por exemplo”, explicou André Bon.

“Infelizmente não tem tratamento específico, o tratamento é apenas de suporte, como outras arboviroses também conhecidas, como a Dengue, por exemplo. Os sintomas iniciais e os sintomas mais frequentes nos pacientes que desenvolvem algum sintoma de West Nile são sintomas muito parecidos com a dengue, como febre, dor no corpo, mas isso ainda é infrequente no Brasil”, diz infectologista André Bon.

O infectologista do Hospital Samaritano Paulista Cristiano Gamba ainda completa a informação de alguns tratamentos que podem ser colocados em prática.

“Quando esse paciente tem um quadro leve a moderado, a gente usa sintomáticos, hidratação, remédios para baixar a febre, para diminuir a dor no corpo e uma assistência de perto do que está acontecendo. Nos quadros mais graves, nos quadros de encefalite, meningite ou até as paralisias, a gente precisa que esse paciente seja tratado numa unidade de terapia intensiva, mas outra vez não temos nenhum remédio”, explica o especialista.

Já em relação as sequelas da doença, Cristiano aponta que elas podem ser diversas, e que o sistema nervoso pode ser o principal afetado. 

“Não existe um tratamento específico, assim a gente não tem efeitos colaterais do tratamento. Quanto as sequelas, vai depender muito do grau de acometimento. Normalmente uma doença benígna não deixa nenhuma sequela, mas quando a gente tem quadro sistema nervoso central aí novamente a gente pode ter um espectro bastante amplo das possíveis sequelas do acometimento do cérebro e do sistema nervoso”, finaliza o infectologista.  

Casos de Febre do Nilo Ocidental  

O Ministério da Saúde investiga possível caso da Febre do Nilo Ocidental no Piauí. Até o momento, em 2026, foram confirmados dois casos em Santa Catarina, dois em São Paulo. Em Santa Catarina, um dos casos evoluiu para morte, ainda sob investigação.

A pasta informa que, em conjunto com estados e municípios, mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar casos e possíveis áreas de transmissão da Febre do Nilo Ocidental.

A nota enviada à CNN Brasil também indica que acompanha as investigações, presta apoio técnico aos estados e prepara nota técnica com orientações atualizadas para reforçar a vigilância da doença no país.

Além disso, ainda aponta que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento, diagnóstico e tratamento aos casos suspeitos ou confirmados. O diagnóstico é feito por exames laboratoriais e o tratamento depende da gravidade. Os principais sintomas são: febre de início abrupto, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos. Pessoas com sintomas devem procurar um serviço de saúde.

Dois casos de Febre do Nilo Ocidental foram confirmados pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) em Santa Catarina nesta segunda-feira (24). De acordo com a secretaria, um dos casos resultou em um óbito e o outro estava em internação, mas recebeu alta.

O órgão informou que a paciente que veio à óbito tinha 77 anos e morava em Imbituba. O outro infectado tem 56 anos e mora em Caçador.

Os dois pacientes apresentaram manifestações neurológicas e estão em investigação epidemiológica para mapear possíveis locais de infecção e a circulação do vírus.

Em São Paulo, foram confirmados os dois primeiros casos da doença. Os pacientes são de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

O primeiro caso é de uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que viajou recentemente para a região amazônica. Ela se recuperou da doença. O segundo caso é de uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que está internada sob cuidados médicos.

A origem do contágio nos dois casos ainda está sendo investigada pelas equipes de saúde. Ambos foram confirmados por meio de exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Como é transmitido?

O vírus da doença é transmitido por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente pernilongos, assim como ocorre com as infecções da Dengue, da Zika, da Chikungunya e da Febre Amarela. Esses insetos são contaminados por algumas espécies de aves silvestres que funcionam como hospedeiros naturais.

Além dos humanos, outros mamíferos podem adquirir a doença, como macacos e cavalos.

Segundo o Ministério da Saúde, humanos e equídeos não transmitem a doença de forma direta. Porém, há formas mais raras relacionadas ao contato com o sangue que colaboraram para o contágio, como em transfusão sanguínea, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão transplacentária, que ocorre da mãe para o feto durante a gravidez.

Áreas de risco

A contaminação ocorre principalmente em áreas rurais e silvestres. Isso porque são locais com maior presença de aves silvestres migratórias e pernilongos infectados. Pessoas que trabalham ao ar livre, como médicos veterinários, agrônomos, zootecnistas, biólogos, agricultores e jardineiros, portanto, devem ter mais atenção à exposição.

Sintomas

De acordo com o Ministério da Saúde, 20% dos indivíduos infectados desenvolvem sintomas que ainda são considerados leves.

Caso seja picado, fique atento aos seguintes sinais de alerta para Febre Nilo Ocidental:

  • Febre aguda de início abrupto com mal-estar;
  • Anorexia;
  • Náusea e vômito;
  • Dor muscular, nos olhos e na cabeça;
  • Exantema máculo-papular (manchas vermelhas pelo corpo);
  • Linfoadenopatia (aumento dos linfonodos).

Em casos mais graves, os infectados podem desenvolver doenças neurológicas severas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. Os indivíduos podem apresentar fraqueza, sintomas gastrointestinais e alteração no “padrão mental”.

Estou infectado, e agora?

Não existe um tratamento específico para a doença, mas a orientação é de que o paciente deve acompanhar os sintomas e, caso necessário, procurar unidades médicas.

Como se prevenir

Não há vacinas utilizadas para se prevenir da doença, no entanto, há algumas medidas para reduzir as chances de contágio, como:

  • Uso de repelentes;
  • Uso de tela em janelas e portas;
  • Evitar água parada e locais sem saneamento básico;
  • Não despejar lixo em valas, valetas, margens de córrego, rios e riachos;
  • Evitar mexer em animais mortos.

Fonte: CNN Brasil

Enchentes no Nepal e no Tibete: o que se sabe sobre a tragédia que deixou mortos e centenas de desaparecidos

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Colapso glacial: o fenômeno que causou a enchente repentina na fronteira entre Nepal e Tibete
Foto: Navesh Chitrakar/Reuters

Uma enchente repentina atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete na manhã desta quarta-feira (26/8), deixando pelo menos 95 mortos e 93 feridos no lado nepalês, segundo autoridades locais. O balanço foi atualizado às 17h25 no horário local (8h40 no horário de Brasília).

Entre os desaparecidos estão quase 400 viajantes, sendo 291 estrangeiros e 93 nepaleses, segundo o Conselho de Turismo do Nepal.

A lista preliminar de estrangeiros inclui 142 indianos, 17 malaios, 12 britânicos, quatro sul-africanos, três americanos, um australiano e um holandês — além de 111 pessoas cuja nacionalidade ainda não foi confirmada. Segundo o NTB, a maioria seguia rumo ao Kailash Mansarovar, no Tibete, e a rota afetada também dá acesso ao Parque Nacional de Langtang e ao lago sagrado de Gosainkunda.

A BBC News Brasil entrou em contato com o Itamaraty para saber se há brasileiros entre os desaparecidos ou afetados pela enchente, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A mídia estatal chinesa CCTV também relatou “grandes perdas de vidas” no lado tibetano da fronteira, controlado pela China.

O que causou a enchente

Segundo o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, informações preliminares indicam que um terremoto atingiu a região por volta das 8h37 (horário local) e provocou uma avalanche, que por sua vez desencadeou as enchentes repentinas. Khanal disse ao parlamento que as informações ainda estão sendo verificadas.

Segundo o ministro, os distritos de Rasuwa e Nuwakot foram os mais afetados, com destruição em estradas, pontes, redes de comunicação e infraestrutura hidrelétrica, incluindo danos ao projeto hidrelétrico de Trishuli. Ele afirmou ainda que 26 policiais, 9 policiais militares e 44 militares estão entre os desaparecidos, além de funcionários da alfândega e da imigração.

A polícia nepalesa informou que, das 18 mortes confirmadas até as 15h45 (horário local), uma ocorreu em Rasuwa, sete em Nuwakot, seis em Dhading e quatro em Gorkha — número que subiu para 31 horas depois.

Resgates em andamento

Um porta-voz do Exército do Nepal, Rajaram Basnet, disse à BBC que 88 sobreviventes já haviam sido resgatados, com tropas tentando resgatar outras 115 pessoas na vila de Mailung. Quinze helicópteros foram mobilizados para as operações de busca e resgate.

O Ministério do Interior do Nepal relatou grandes perdas de vidas e propriedades em Timure, Syabrubesi e Betrawati.

Autoridades sul-coreanas informaram que oito cidadãos do país, que trabalhavam na construção de uma usina hidrelétrica na região, estão “incomunicáveis”, enquanto outros dez sul-coreanos aguardam resgate. O governo nepalês enviou um helicóptero para socorrê-los.

A embaixada dos EUA no Nepal relatou enchentes severas em Rasuwa e emitiu alertas para comunidades ao longo dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani.

Resposta da China

O presidente chinês Xi Jinping ordenou um esforço de resgate “total” para localizar os desaparecidos no Tibete, além de pedir reforço no monitoramento e nos sistemas de alerta antecipado para evitar novos desastres. O governo chinês também determinou o envio de equipes à região para operações de busca e resgate.

Yee Liang, empresário chinês baseado em Kathmandu, disse à BBC que sua empresa de logística tem sete caminhões na área atingida, todos com motoristas nepaleses, e que perdeu contato com todos eles por falta de sinal. Segundo ele, não havia alerta prévio, embora deslizamentos ocasionais fossem comuns na estação chuvosa — desta vez, disse, a situação “parece muito mais grave”.

Já Guan Daoxuan, da província chinesa de Sichuan, relatou à BBC ter perdido contato com a esposa, que trabalha para uma construtora estatal envolvida em obras de estradas e pontes no Tibete. Segundo ele, autoridades nepalesas tentaram enviar um helicóptero para inspecionar a área, mas ventos fortes dificultaram o acesso.

O que mostram as imagens verificadas

A equipe de verificação da BBC (BBC Verify) confirmou vídeos que mostram uma ponte sendo arrastada pela correnteza e prédios de vários andares desabando com a força da água, na região de Trishuli Bazaar, distrito de Nuwakot, cerca de 25 km a noroeste de Kathmandu.

As imagens mostram o rio Trishuli aumentando rapidamente de volume e velocidade, carregado de sedimentos, até que a ponte se solta de suas estruturas e é levada pela correnteza — segundos depois, vários prédios desabam.

Um segundo vídeo, filmado no mesmo local, mostra o cenário após a enchente: o nível do rio consideravelmente mais alto, árvores e construções anteriormente visíveis já desaparecidas, e diversos imóveis próximos à margem destruídos, parcialmente desmoronados ou cobertos de lama.

Imagens de satélite comparando a região antes e três dias depois da enchente também mostram o rio Trishuli visivelmente mais volumoso e água espalhada pelas áreas ao redor.

Fonte: BBC News

Placewashing: a identidade do lugar como álibi

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Inteligência Artificial do Google atua como ‘segundo cérebro’ no SUS para desvendar tumores raros no interior do Paraná
Foto: Magnific/Reprodução

Venho observando com frequência crescente uma confusão: tratar a construção de um ecossistema de inovação como se ela fosse, por si só, um processo de place branding. A aproximação é compreensível, os dois campos falam de futuro, de vocação, de articulação entre atores e de capacidade de transformar lugares, e um ecossistema de inovação pode efetivamente produzir efeitos profundos sobre uma cidade, alterar sua economia, atrair pessoas e modificar a maneira como o lugar passa a ser percebido dentro e fora dele. Nada disso transforma inovação em place branding, e a diferença entre eles está naquilo que cada um se propõe a compreender.

O que um ecossistema de inovação faz

Um ecossistema de inovação é, antes de tudo, software. Ele existe na articulação entre empresas, universidades, empreendedores, investidores e poder público, e pode ser ancorado num hardware capaz de intensificar essas relações, um hub, um distrito, um campus, sem depender dele para existir. Fazer esse ecossistema funcionar exige articulação, curadoria e governança, capacidade de conectar atores e sustentar relações ao longo do tempo e, quando funciona, pode se tornar uma força extraordinária de transformação econômica e urbana, criando novas capacidades, retendo talentos e abrindo caminhos que antes não estavam disponíveis para aquele lugar.

O problema começa quando a capacidade de transformar uma dimensão do lugar passa a ser confundida com a capacidade de compreender e representar o lugar inteiro. Um ecossistema de inovação pode ser parte decisiva de uma cidade, mas continua sendo uma parte.

Vocação não chega antes do lugar

Essa diferença fica mais nítida quando começamos a falar de vocação. O place branding parte de uma pergunta que antecede qualquer solução: o que aquele lugar é, o que pode vir a ser e, sobretudo, o que sua comunidade reconhece como desejável para o próprio futuro. Chamo de vocação a matéria que emerge da relação entre identidade, capacidades instaladas, memória, economia formal e informal e desejos coletivos. Essa vocação não é uma essência imóvel escondida no lugar esperando que alguém suficientemente esperto a encontre, mas tampouco pode ser decidida antes que o lugar seja compreendido.

Existe um processo para fazer essas vocações emergirem, e ele passa por campo, contato direto com quem vive o lugar, cruzamento sistemático de dado objetivo com percepção subjetiva e pela presença de moradores, poder público e iniciativa privada confrontando diferentes leituras do presente e diferentes desejos de futuro. Inovação pode perfeitamente emergir desse processo e, quando emerge, costuma estar ancorada em universidades, cadeias produtivas e conhecimento acumulado, ou em capacidades que a comunidade decide deliberadamente construir. Lugares não estão condenados ao que já são e podem escolher se transformar, o que é bastante diferente de começar o processo já sabendo qual transformação deverá acontecer. O que não existe é vocação decidida antes do processo que deveria formulá-la.

Um ecossistema de inovação organizado como estratégia de desenvolvimento carrega uma aposta em determinados vetores de futuro, economia do conhecimento, empreendedorismo tecnológico e pesquisa aplicada. O risco aparece quando deixa de ser uma entre os vetores possíveis e passa a ser apresentado como consequência natural da identidade do lugar. A inversão parece pequena, mas muda tudo, porque a inovação deixa de ser um futuro possível reconhecido pelo lugar e passa a ser a lente pela qual o lugar é lido.

É precisamente essa operação que reduz a pluralidade dos futuros possíveis a um caminho e depois chama essa redução de visão estratégica. Uma cidade pode ser simultaneamente agricultura e tecnologia, universidade e festa, memória e experimentação, e sua complexidade não desaparece porque um determinado vetor econômico se mostrou promissor. Há ainda uma questão anterior a tudo isso, que é quem tem legitimidade para decidir o que um lugar é e o que ele quer se tornar. Quando a inovação antecede essa pergunta, determinados atores tendem naturalmente a ocupar o centro da narrativa, universidades, startups, investidores, centros de pesquisa, todos fundamentais para determinados futuros do lugar, nenhum deles equivalente à comunidade inteira.

Posicionamento setorial e marca-lugar

Parte da confusão vem do fato de que ecossistemas de inovação bem-sucedidos realmente podem transformar a percepção de um lugar. Uma cidade ou região pode construir uma associação poderosa com tecnologia, pesquisa ou empreendedorismo, e essa associação pode transformar sua reputação e se tornar parte importante da maneira como o lugar se reconhece e é reconhecido. Existir uma associação poderosa entre um lugar e determinada atividade, no entanto, não significa que essa atividade explique o lugar inteiro. Aqui está uma distinção fundamental entre posicionamento setorial e marca-lugar: uma cidade pode desejar ser reconhecida como polo de inovação e trabalhar deliberadamente para isso, construindo políticas, redes e infraestruturas capazes de sustentar esse posicionamento, e tudo isso pode fazer parte de uma estratégia de place branding sem se confundir com ela.

Placewashing

Chama-se de futurewashing o uso cosmético da linguagem de futuros para parecer inovador sem transformar coisa alguma, aquilo que promete ruptura no discurso e entrega business as usual na operação. Placewashing vem sendo usado para descrever diferentes formas de instrumentalização da identidade dos lugares. Aqui me interessa uma delas: quando uma dimensão específica passa a falar pelo lugar inteiro, usando sua identidade como verniz para legitimar uma solução ou um posicionamento previamente definido. É algo bastante distinto de comunicar bem um projeto ou construir reputação para um ecossistema.

O prejuízo vai além do terminológico, porque quando uma dimensão do lugar passa a falar em nome de todas as outras começa também a selecionar quais pessoas, economias, histórias e futuros parecem relevantes para a narrativa daquele lugar e quais passam a ocupar suas margens. O que era uma estratégia de inovação torna-se uma narrativa sobre a cidade, e o que era uma possibilidade de futuro passa a ser apresentado como o futuro.

Onde os dois campos se encontram

Isso não significa, evidentemente, que place branding e inovação devam viver em universos separados. Acho justamente o contrário, e a relação mais interessante entre os dois campos está onde eles deixam de tentar ocupar o lugar um do outro. O place branding pode ser extremamente relevante para ecossistemas, polos e distritos de inovação porque consegue fazer uma pergunta que a lógica interna desses ambientes nem sempre consegue responder sozinha: qual é a relação entre aquilo que estamos construindo e o lugar do qual fazemos parte?

Em alguns casos, o processo revela que inovação já é uma vocação reconhecível, sustentada por capacidades e instituições existentes; em outros, mostra que ela é uma possibilidade ainda pouco explorada ou uma capacidade que vale a pena construir. Pode revelar também algo mais interessante, que determinado tipo de inovação é desejável para aquele lugar enquanto outro não é, ou que a inovação só fará sentido quando conectada a outras vocações que já existem ali. A pergunta deixa então de ser como inovar e passa a ser que inovação, para quem e conectada a quê.

Da mesma maneira, um ecossistema de inovação não se organiza sobre um lugar neutro. Existe um lugar ao redor dele, com história, conflitos, capacidades e desejos próprios, e trazer essas dimensões para dentro da discussão pode alterar sua governança, as pessoas que procura envolver, os problemas que decide enfrentar e o tipo de inovação que pretende estimular. Ecossistemas podem recorrer ao place branding para compreender melhor sua relação com o lugar, identificar quais vocações compartilham com ele e quais comunidades ainda não alcançam.

O movimento inverso é igualmente importante, porque incluir inovação na discussão sobre o lugar amplia as possibilidades de futuro disponíveis para aquela comunidade. Novas tecnologias, modelos econômicos e formas de produção podem revelar capacidades que o presente ainda não tornou visíveis. Inovação deixa então de ser uma resposta pronta e passa a funcionar como aquilo que deveria ser, uma possibilidade de transformação colocada à disposição do lugar. É essa a relação que mais me interessa entre os dois campos: incluir inovação na discussão dos lugares e incluir os lugares na discussão da inovação.

Primeiro o lugar

Em Gramado, por exemplo, o processo de marca-lugar levou meses de campo e workshops reunindo comunidade, gestão pública e setor privado antes que qualquer conceito fosse escrito. O que interessa no exemplo é a sequência: primeiro o lugar, suas identidades, tensões e futuros possíveis; depois as escolhas estratégicas e, a partir delas, os projetos, políticas e ecossistemas capazes de materializá-las.

Um processo de place branding pode perfeitamente concluir que fortalecer ou construir um ecossistema de inovação é uma das estratégias necessárias para realizar o futuro escolhido. Da mesma maneira, um ecossistema já existente pode recorrer ao place branding para entender melhor o lugar do qual faz parte e redefinir seu papel nele. Nesse caso, o place branding não transforma inovação em marca-lugar, faz algo muito mais útil: reconecta a inovação ao lugar.

O problema aparece quando a sequência é invertida. Primeiro inovação, depois o lugar. Aquilo que deveria ser uma possibilidade passa a funcionar como premissa e, em vez de perguntar quais futuros fazem sentido para aquele lugar, passamos a perguntar como aquele lugar pode justificar o futuro que já escolhemos para ele.