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Nove em cada dez cidades brasileiras já enfrentaram desastres climáticos nas últimas três décadas

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AdaptaBrasil lança Painel Cidades para facilitar a consulta sobre risco climático
Foto: Polícia Federal/divulgação

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Cada vez mais frequentes e severos, os eventos climáticos extremos, como secas e inundações, têm causado impactos ambientais, econômicos e sociais significativos no Brasil, demandando políticas públicas específicas. Com o objetivo de transformar dados científicos em base para a formulação de ações de prevenção, adaptação e mitigação, um grupo de pesquisadores brasileiros analisou cerca de 60 mil registros de desastres desencadeados por excesso ou falta de chuva no país, entre 1991 e 2024.

O estudo concluiu que 91,5% dos 5.570 municípios relataram no período pelo menos um desastre relacionado a quatro tipos de eventos: inundação (categoria que também englobou alagamento e enxurrada), deslizamento de terra, tempestade ou seca. No total, o Nordeste aparece com o maior número de cidades afetadas (1.765), seguido pelo Sudeste (1.405), Sul (1.152), Norte (433) e Centro-Oeste (342). Outro dado que chama a atenção é a sobreposição de riscos: 1.814 cidades brasileiras enfrentaram três dos problemas elencados, e outras 270 sofreram com todos os quatro tipos de desastres no período analisado.

Entre os impactos, os pesquisadores mapearam, por exemplo, mortes e perdas econômicas. Em relação aos óbitos, o Sudeste concentrou o maior número relacionado a inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos; enquanto o Sul liderou em tempestades e o Nordeste, em secas. A inundação é quando o leito de um rio transborda. Considera-se alagamento os casos em que o sistema de drenagem não suporta o volume de água; a enxurrada se refere a uma grande quantidade de chuva em pouco tempo.

De acordo com os achados, os 59.658 desastres naturais analisados foram responsáveis por, pelo menos, 4.774 mortes e 3.031 desaparecidos, com mais de 129,79 milhões de pessoas afetadas. Estima-se que os prejuízos econômicos tenham sido superiores a US$ 123,89 bilhões.

Ao analisar os prejuízos por região (incluindo danos materiais diretos e consequências indiretas que afetam a economia e a capacidade de recuperação local), as inundações, alagamentos e enxurradas tiveram maior impacto no Sul, enquanto deslizamentos de terra e secas afetaram mais o Nordeste e as tempestades, o Sudeste.

Estão incluídos nesse contexto casos como o de São Sebastião – cidade do litoral norte de São Paulo que ficou parcialmente isolada no carnaval de 2023 após chuvas de volume recorde que provocaram ao menos 60 mortes, além de perdas de infraestrutura e danos materiais – e da tragédia climática de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, que devastou o Estado, com tempestades que afetaram 2,3 milhões de moradores, de 471 municípios, e provocaram mais de 180 mortes.

Realizado por cientistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estudo foi publicado na edição de abril da Environmental Research Letters, revista que busca chamar a atenção de formuladores de políticas públicas e da comunidade científica para temas socioambientais.

“Quisemos sair da mística de que o desastre é algo sobrenatural, que as causas vêm de forças desproporcionais. Há exceções que os modelos climáticos não conseguem prever, mas, para a maioria dos eventos, órgãos nacionais como o Cemaden emitem alertas e o poder público é informado do que pode vir a acontecer. O problema é a negligência, a falta de estrutura e até ausência de atuação”, afirma o pesquisador do Cemaden Elton Vicente Escobar Silva, primeiro autor do estudo, que é parte de seu pós-doutorado.

Na avaliação do pesquisador, esses eventos extremos devem ser classificados como desastres “socionaturais” ou socioambientais, já que sua ocorrência e seus impactos podem ser influenciados pela ação humana. “Há um agravante antropogênico, não só com as mudanças climáticas, mas também com falhas de gestão pública.”

Silva destaca que nos últimos anos o Brasil avançou na geração de dados que permitem compreender melhor esses desastres. Enfrenta, porém, problemas de registro e de estrutura institucional para acompanhamento desses registros.

Entraves

Os pesquisadores alertam que os impactos reais tendem a ser maiores do que as estatísticas permitem quantificar. Isso porque, para chegar aos resultados, foram utilizados dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) e do Atlas Digital de Desastres no Brasil. Ambas as plataformas são de acesso público e estão sob a responsabilidade da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

Esses registros são autodeclarados pelos municípios e servem, entre outros objetivos, para buscar recursos do governo federal quando as administrações locais e estaduais não têm capacidade de lidar e responder aos eventos adversos que afetaram aquela localidade. Ou seja, muitos casos podem ter resultado em perdas ou fatalidades não registradas porque as próprias administrações locais não conseguiram gerenciar a situação ou fazer as notificações necessárias desses impactos.

Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima que cerca de 1.660 cidades no país não têm Defesa Civil organizada. Além disso, um estudo publicado no ano passado mostrou que as defesas civis precisam investir em profissionalização e recurso próprio para enfrentar riscos climáticos (leia mais em: agencia.fapesp.br/55168).

À Agência FAPESP, Silva ressalta que a abordagem da coleta de dados das plataformas não é feita com olhar “multirrisco”, ou seja, deixa de considerar os eventos de maneira simultânea e olha apenas para fatores isolados. Se houve, por exemplo, um deslizamento de terra que foi provocado por uma inundação, apenas um desses eventos é notificado, em vez de ambos. Outro ponto é a imprecisão no registro das causas de mortes nos desastres, que nem sempre são corretamente relacionadas aos eventos extremos que resultaram naquele óbito.

A plataforma S2iD tem dados disponíveis somente a partir de 2013, com ampliação da base ao longo dos anos. O número de cidades que relatam desastres cresceu de 29% em 2013 para 88% dos municípios em 2024. Isso leva a lacunas na relação entre o aumento dos registros de desastres naturais e fatores climáticos.

Em relação às estimativas monetárias das perdas econômicas, quando a pesquisa foi finalizada os sistemas traziam informações até 2024 (com dados do ano anterior, atualizados levando em consideração a inflação).

Por meio da assessoria de comunicação, a Sedec informou à Agência FAPESP que está desenvolvendo novas versões do S2iD, com lançamento previsto para este ano, e do Atlas Digital de Desastres. Elas permitirão o registro de eventos sob abordagem multirrisco e a atualização contínua das informações após o reconhecimento federal.

“Para superar limitações históricas, como a falta de detalhamento em danos humanos e a subnotificação municipal, a nova plataforma possibilitará a desagregação de dados por gênero e faixa etária, enquanto a Sedec fortalece a capilaridade do sistema por meio de capacitações técnicas e educação a distância para gestores locais. Essa reestruturação busca reduzir as assimetrias entre as defesas civis estaduais e municipais, consolidando o S2iD como uma ferramenta de planejamento e formulação de políticas públicas”, informou a secretaria, que contou com um de seus integrantes, Lucas Mikosz, como um dos autores do artigo.

Prevenção

Para o sociólogo Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden e coautor do artigo, é preciso investir em estratégias que permitam reduzir as perdas, e não somente recuperar os prejuízos.

“Esse estudo faz uma análise longitudinal dos impactos dos desastres no Brasil, sendo importante para demonstrar que eles são derivados de uma crise crônica, não algo pontual. Precisamos parar de naturalizar os prejuízos econômicos. Até quando vamos investir dinheiro somente em resposta aos desastres e reconstrução, sem pensar nos mecanismos para reduzir as perdas?”, questiona Marchezini, que coordena o projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela FAPESP.

A Fundação apoiou a pesquisa por meio de bolsas a Silva (21/11435-4 e 24/02748-7), além do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat) e de outros dois projetos (20/09215-3 e 23/13453-5).

“Buscamos fazer com que a ciência contribua para a formulação de políticas públicas. É um esforço para que os resultados cheguem à sociedade”, conclui Silva. Em seu doutorado, ele combinou diferentes tipos de modelos matemáticos para criar uma metodologia capaz de fornecer informações geográficas para identificar locais com maior risco de inundações em cidades, inclusive provocadas por chuvas extremas (leia mais em: agencia.fapesp.br/41143).

O artigo Water-related disasters in Brazil: an assessment from 1991 to 2024 pode ser lido em iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/ae5991.

Fonte: FAPESP

As Quatro Dimensões do Sucesso Territorial

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Cidade Mais Inteligente do Mundo e líder em qualidade de vida entre as capitais: a metrópole com quase 70 m² de área verde por morador
Foto: wahyu_t

Um Framework de Governança para Ecossistemas de Inovação 

No atual cenário global, o desenvolvimento de cidades e regiões está intrinsecamente ligado à sua capacidade de gerar, atrair e reter inovação. Governos e entidades privadas em todo o mundo investem volumes expressivos de capital no planejamento e na construção de polos de tecnologia, hubs de inovação e distritos criativos com o objetivo de gerar novos empregos e atrair investimentos de base tecnológica. 

No entanto, a criação de um território verdadeiramente inovador não se resume à construção de infraestruturas físicas ou ao acúmulo de capital. Estudos internacionais de grande prestígio, como os relatórios do Fórum Econômico Mundial, trazem um dado preocupante: até 50% dos distritos de inovação globais falham em entregar impacto socioeconômico sustentável após o encerramento dos ciclos iniciais de fomento público. Sob a ótica corporativa e de ecossistemas de negócios, a taxa de colapso ultrapassa a marca de 85%, tendo como causa primária falhas críticas de governança, configuração inadequada de atores e ausência de direitos decisórios bem definidos. 

Para os gestores públicos e líderes de ecossistemas, o desafio central reside em responder a uma questão fundamental: Como transformar a energia espontânea de conexões locais em uma engrenagem contínua e previsível de desenvolvimento regional? 

A resposta a esse desafio está na estruturação de um framework de governança claro, capaz de traduzir a complexidade territorial em rotinas eficientes e orientadas a resultados. 

O Alinhamento Conceitual: Ecossistema de Inovação vs. Sistema de Inovação 

Para compreender a lógica de desenvolvimento territorial proposta pela Exxas, é fundamental traçar uma distinção conceitual que redefine a atuação das lideranças no ecossistema: a diferença entre o Ecossistema e o Sistema de Inovação.

  • O Ecossistema de Inovação (O Meio Vivo): Compreende as interações sociais, as trocas espontâneas de conhecimento, os eventos de networking, o florescimento de startups e a cultura criativa do território. O ecossistema é dinâmico, biológico e descentralizado; ele representa o “pulso” e a vida que se manifesta no território. 
  • O Sistema de Inovação (A Engrenagem de Sustentação): Corresponde à

infraestrutura institucional e jurídica que serve de alicerce para o ecossistema. É composto por leis e marcos regulatórios, políticas públicas contínuas, instrumentos formais de fomento, infraestrutura científica e tecnológica e ferramentas de gestão compartilhada. 

Movimentos espontâneos do ecossistema sem uma infraestrutura sistêmica tendem a dispersar energia institucional e a perder tração na primeira mudança de gestão pública ou oscilação de mercado. O ecossistema gera o movimento e a criatividade, mas é o sistema que garante a continuidade, a direção e a escala. 

A governança é, portanto, a ponte que conecta esses dois mundos, transformando a colaboração orgânica em um motor de desenvolvimento de longo prazo.

As Três Armadilhas que Matam a Inovação Municipal 

Ao longo de anos de atuação no mercado, a Exxas identificou que a grande maioria das iniciativas territoriais que falham ou entram em estagnação o fazem por caírem em três armadilhas estruturais de gestão: 

  1. A tentação de copiar modelos prontos: Trata-se da premissa incorreta de que ecossistemas operam como franquias comerciais. Municípios frequentemente tentam importar de forma literal centros de inovação, leis ou programas desenhados para territórios com realidades socioeconômicas e densidades empresariais totalmente diversas. Sem respeitar a vocação e os ativos nativos do próprio território, cria-se uma bela vitrine sem um motor real de sustentação econômica. 
  2. Criar conselhos sem rotina e sem pauta real: Conselhos de inovação criados apenas por imposição jurídica ou política, sem a definição de processos de trabalho, calendários rigorosos, atribuição de responsáveis por tarefas ou ferramentas de coordenação. Na ausência de uma dinâmica operacional ativa, esses comitês tornam-se meramente burocráticos e inativos. 
  3. Medir apenas eventos e rotular como resultado: O equívoco de utilizar o número de palestras, meetups e encontros de comunidade como o indicador de sucesso final da inovação local. Embora os eventos cumpram um papel vital de engajamento e ativação social, confunde-se “movimento” com “impacto socioeconômico real”. 

As Quatro Dimensões de Objetivos Estratégicos da Exxas 

Para blindar os territórios contra as três armadilhas de gestão e estruturar um sistema sustentável de inovação, a Exxas desenvolveu um framework conceitual baseado na lógica de causa e efeito. Inspirado nas correlações e perspectivas do clássico Balanced Scorecard

(BSC) do ambiente corporativo, o modelo estabelece que a atração de capital, a abertura de novos negócios e o crescimento econômico do território são os resultados finais de um fluxo integrado que começa no fortalecimento das bases do município. 

O framework organiza-se em quatro dimensões fundamentais: 

  1. Talentos, Conhecimento e Capacidades de Futuro 

A base de ativos intangíveis: a capacidade de formar, atrair e reter capital humano de alto valor. Nenhum ecossistema de inovação é capaz de prosperar sem a densidade crítica de pessoas preparadas para os desafios tecnológicos e científicos da nova economia. Esta dimensão foca na estruturação de canais fluidos de interação para que o conhecimento produzido nas instituições de ensino superior e centros de pesquisa seja direcionado para solucionar as dores e oportunidades do setor produtivo regional. O desenvolvimento de talentos e capacidades de futuro requer uma atitude proativa das lideranças para mitigar o descompasso entre a formação acadêmica e as demandas de mercado. 

  1. Estrutura, Ambientes e Processos 

A infraestrutura sistêmica: a segurança institucional, os instrumentos e as ferramentas digitais. Para que o capital intelectual do território possa operar sem atrito, ele demanda um ambiente de suporte robusto. Esta dimensão compreende o desenvolvimento e a modernização de políticas públicas estáveis, marcos regulatórios modernos (como a aplicação de leis de inovação e sandboxes regulatórios) e o estabelecimento de rotinas estruturadas de trabalho para os comitês de governança. Ambientes físicos (como hubs e incubadoras) só entregam resultados contínuos se estiverem integrados a processos operacionais claros e amparados por ferramentas eficientes de gestão e monitoramento. 

  1. Conexões, Cultura e Colaboração 

O capital social: o desenvolvimento de redes de alta confiança e colaboração intersetorial. A inovação é um processo inerentemente coletivo que se apoia sobre o capital social de um território. Esta dimensão analisa a densidade de interações colaborativas entre as hélices da inovação (Governo, Empresas, Academia e Sociedade Civil). A governança madura deve promover uma cultura que reduza os custos de transação locais através do estabelecimento de canais de diálogo eficientes, da facilitação estratégica e de projetos de coinvestimento e inovação aberta. É o nível de engajamento do ecossistema que viabiliza a cooperação em rede e impede a fragmentação e a sobreposição inútil de esforços institucionais. 

  1. Desenvolvimento e Geração de Valor 

O impacto socioeconômico: a conversão das bases do sistema em resultados reais para a

sociedade. 

Esta dimensão representa o topo da pirâmide causal e consolida as métricas retrospectivas de impacto real do ecossistema no território. A avaliação estratégica de sucesso deve focar em resultados concretos: o aumento do PIB de base tecnológica, a geração de novos empregos de alta renda, a criação de novos modelos de negócios escaláveis, a atração de capital de risco e investimentos nacionais ou internacionais e o aumento da competitividade econômica regional. A geração de valor socioeconômico tangível é o fator que valida o investimento inicial e engaja definitivamente os atores do território. 

O Alinhamento Estratégico do Framework 

Para que a governança do ecossistema opere de forma integrada, o framework estabelece que as quatro dimensões não funcionam de maneira isolada. Elas dependem mutuamente umas das outras:

Dimensão Estratégica Exxas Escopo Operacional e Ativos Mensurados Papel Causal no Ecossistema
Talentos, Conhecimento e Capacidades de Futuro Formação de competências tecnológicas, atração de cientistas e alinhamento de grades curriculares acadêmicas à vocação econômica local. Produz a inteligência, o conhecimento e o capital intelectual que abastecerão as iniciativas inovadoras.
Estrutura, Ambientes e Processos Conexões, Cultura e Colaboração Formulação de leis modernas, criação de sandboxes e uso de metodologias digitais de gestão de governança. 

Nível de capital social, fomento de redes de confiança, realização de rituais de inovação e projetos de cocriação.

Reduz os atritos e estabelece as regras e o suporte processual para que os talentos operem com segurança jurídica. 

Conecta os ativos e as bases do ecossistema, transformando ideias e infraestruturas em processos colaborativos de inovação aberta.

Desenvolvimento e Geração de Valor Geração de empregos qualificados, abertura de startups escaláveis, atração de investimentos e expansão da economia do conhecimento. Representa a entrega de resultados reais à sociedade, demonstrando a sustentabilidade e justificando a perpetuidade do ecossistema.

 

Da Teoria à Prática: O Triângulo de Orquestração Territorial 

Metodologias robustas e desenhos de processos são fundamentais para o planejamento, mas revelam-se inócuos se desprovidos de ferramentas práticas de execução. Na visão de mercado consolidada pela Exxas, a excelência de uma governança territorial reside no alinhamento contínuo de três elementos complementares de suporte: 

  • Método: Trata-se da disciplina conceitual e do mapeamento estratégico fundamentado, evitando improvisos e a cópia cega de modelos alheios. Sem método, a inovação torna-se desorganizada e ineficaz. 
  • Tecnologia: O uso de ferramentas digitais adequadas de governança que sirvam de suporte diário para centralizar reuniões, pautas, atas, tarefas e o acompanhamento de indicadores em um ambiente transparente e auditável. Sem tecnologia de coordenação, os processos perdem tração e as discussões deliberativas caem no esquecimento burocrático. 
  • Liderança: O engajamento contínuo das mentes estratégicas do território sob rotinas preestabelecidas de trabalho. Liderança sem processos organizados gera personalismo e cria dependências individuais que ameaçam a segurança e a continuidade estratégica da iniciativa. 

A orquestração equilibrada dessas frentes garante que as decisões pactuadas coletivamente saiam dos relatórios e transformem-se em ações práticas semana após semana. 

Para apoiar os municípios brasileiros a medirem com precisão a maturidade desse ecossistema, a Exxas, em cooperação técnica com a Plataforma Connected Smart Cities, desenvolveu o Selo CSC: Ecossistemas de Inovação. 

O Selo atua como a bússola nacional de boas práticas de governança, analisando rigorosamente dados e evidências de maturidade para direcionar as lideranças públicas e privadas na jornada de construção de territórios mais eficientes, inclusivos e competitivos. 

Evoluir o nível de inovação em sua cidade é, em última análise, um compromisso com o desenvolvimento estratégico disciplinado de suas quatro dimensões de objetivos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC. 

Ibict abre seleção para bolsas de pesquisa em transformação digital inclusiva

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Ibict abre seleção para bolsas de pesquisa em transformação digital inclusiva
Foto: Freepik

As bolsas são oferecidas para atuação no projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) “Informação para a Transformação Digital Inclusiva: cidadania, acessibilidade e ensino”.

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) está com inscrições abertas para a seleção de bolsistas que atuarão no projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) “Informação para a Transformação Digital Inclusiva: cidadania, acessibilidade e ensino”.

A iniciativa tem como objetivo formar uma equipe multidisciplinar para realizar pesquisas e desenvolver soluções que promovam a inclusão digital, a acessibilidade e o fortalecimento da cidadania por meio do acesso qualificado à informação.

O projeto parte da compreensão de que a transformação digital constitui uma agenda estratégica para a ciência, a tecnologia e a inovação, com potencial para ampliar direitos e reduzir desigualdades. Entre seus objetivos estão o desenvolvimento de competências digitais, a criação de infraestruturas de informação acessíveis e o fortalecimento da soberania informacional brasileira, especialmente em benefício de grupos em situação de vulnerabilidade.

Ao todo, a chamada contempla vagas distribuídas em três áreas de atuação: Políticas Públicas e Pesquisa, Tecnologia e Design e Gestão da Informação. Os perfis buscados incluem especialistas em políticas públicas, assistentes de pesquisa, web designer, especialista em UI/UX, desenvolvedor front-end, analista de sistemas sênior e especialistas em informação legislativa, arquitetura da informação, organização e representação da informação e do conhecimento, modelagem taxonômica e gestão de dados e metadados.

As oportunidades são destinadas a profissionais com graduação em áreas compatíveis e, em alguns casos, exigem experiência profissional comprovada ou titulação em nível de mestrado, conforme os requisitos específicos de cada vaga. As atividades serão desenvolvidas no Rio de Janeiro ou no Distrito Federal, conforme o perfil da vaga.

O processo seletivo será composto por três etapas: inscrição, avaliação curricular e entrevista técnica, que poderá ser realizada de forma presencial ou por videoconferência. As inscrições devem ser feitas por meio do formulário eletrônico disponível no edital.

Os interessados podem consultar o edital completo, os requisitos específicos de cada vaga e acessar o formulário de inscrição na página da chamada: https://www.gov.br/ibict/pt-br/acesso-a-informacao/oportunidades/editais-oportunidades-1/2026/chamada_para_bolsas_de_pesquisa__pd-i_em_informacao_para_a_transformacao_digital_inclusiva__cidadania-_acessibilidade_e_ensino-docx_-1-_assinado.pdf

Guerra faz insumo essencial para tratamento de água “sumir” do mercado

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Guerra faz insumo essencial para tratamento de água "sumir" do mercado
Foto: Jakob Schlothane/Pexels

Diante da escassez global do ácido fluossilícico, empresas de saneamento básico pedem ao Ministério da Saúde suspensão temporária de 90 dias da obrigatoriedade de fluoretação

A guerra no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre a cadeia global de suprimentos fizeram “desaparecer” do mercado doméstico um insumo considerado essencial para o tratamento de água.

O ácido fluossilícico, usado na etapa de fluoretação da água, enfrenta uma crise de escassez no Brasil. Diante da situação emergencial, entidades do setor estão mobilizadas e pedem ao Ministério da Saúde uma flexibilização temporária da obrigatoriedade da fluoretação até que o fornecimento seja normalizado.

A fluoretação é processo onde há a adição controlada de flúor na água destinada ao abastecimento público. A medida serve para fortalecer o esmalte dentário, reduzindo a incidência de cáries na população.

Historicamente, o produto utilizado no país era obtido no mercado nacional como subproduto da cadeia de produção de fertilizantes fosfatados, mas deixou de ser fabricado após a paralisação da produção pela indústria nacional, agravando o risco de desabastecimento.

Segundo fontes, matérias-primas para a fabricação do ácido estão menos disponível no exterior e dificultam toda a cadeia de suprimentos.

Em entrevista à CNN, Carol Marques, diretora técnica e econômica da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), defendeu que haja uma suspensão temporária por 90 dias, prazo considerado necessário para estruturar uma rede de importação do insumo, já que ainda não há perspectiva de retomada da produção nacional.

Para a associação, o tempo seria suficiente para viabilizar a importação segura do insumo, que é corrosivo e exige uma logística específica de transporte e armazenamento.

A Abcon argumenta ainda que o cenário era imprevisível e defende que as empresas não sejam penalizadas enquanto buscam alternativas de fornecimento.

“A escassez do ácido fluossilícico é uma consequência imprevista da guerra entre Estados Unidos e Irã, que inviabilizou a produção nacional de fertilizantes fosfatados. O setor de saneamento não deve ser penalizado por uma situação excepcional e sobre a qual não tem controle”, disse, em comunicado.

Segundo a diretora, uma eventual interrupção da fluoretação não compromete a potabilidade da água, e o tratamento continuará garantindo água limpa, descontaminada e própria para o consumidor.

Ainda segundo Carol, os estoques do produto estão se esgotando e as concessionárias já enfrentam dificuldades para adquirir o insumo no país, tendo que recorrer ao mercado externo.

Outros materiais utilizados pelo setor, como o sulfato de alumínio e o policloreto de alumínio, além de tubos de policloreto de vinila e polietileno de alta densidade usados na construção e reparo de redes, também enfrentam aumento significativo nos preços.

Fonte: CNN Brasil

Prefeitura firma convênio para investir em futura linha de metrô

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Prefeitura firma convênio para investir em futura linha de metrô
Foto: istockphoto/divulgação

Acordo entre SMUL, SP Urbanismo, SMT e Metrô fortalece a integração entre planejamento urbano e mobilidade

A Prefeitura de São Paulo formalizou nesta segunda-feira (6) convênio com o Governo do Estado para viabilizar investimento municipal de R$ 120 milhões na implementacão da Linha 20-Rosa do Metrô. Os recursos, provenientes da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, serão destinados à elaboração de projetos, execução de obras e demais serviços. O acordo foi firmado entre a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), a São Paulo Urbanismo, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e o Metrô.

Com cerca de 32,6 quilômetros de extensão e 24 estações previstas, a Linha 20-Rosa ligará os municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo e Santo André, ampliando a integração da rede de transporte da Região Metropolitana e beneficiando aproximadamente 1,3 milhão de passageiros por dia útil. As estações Tabapuã, Jesuíno Cardoso e Hélio Pelegrino estão localizadas no perímetro da Operação Urbana, totalizando 3,5 quilômetros de extensão.

O aporte municipal foi aprovado pelo Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Faria Lima e será financiado com recursos obtidos na comercialização dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs), títulos emitidos pela Prefeitura que permitem ampliar o potencial construtivo em áreas de Operações Urbanas e financiar intervenções de interesse público nesses territórios. Em março deste ano, a Operação Urbana registrava saldo superior a R$ 4,7 bilhões em caixa. O investimento de R$ 120 milhões não compromete os recursos já reservados para outras iniciativas, como o aporte de R$ 1,7 bilhão arrecadados no último leilão de CEPACs, que permanecem integralmente destinados ao Programa Nova Paraisópolis.

O convênio representa um novo modelo de cooperação entre Prefeitura e Governo do Estado para acelerar projetos estratégicos de mobilidade urbana. O instrumento terá vigência de 60 meses e estabelece mecanismos de acompanhamento técnico, prestação de contas e fiscalização, garantindo transparência e segurança jurídica na aplicação dos recursos públicos.

Outro diferencial é a possibilidade de ampliar o objeto do convênio para incluir novos projetos, obras, desapropriações e serviços relacionados a intervenções de transporte e mobilidade localizadas, total ou parcialmente, no perímetro da Operação Urbana Consorciada Faria Lima. A inclusão de novos investimentos dependerá da celebração de termos aditivos e da aprovação prévia do Grupo de Gestão da Operação Urbana, respeitando a destinação legal dos recursos arrecadados.

Fonte: Estadão

Os dados viraram a vaga mais desejada dos estacionamentos

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Os dados viraram a vaga mais desejada dos estacionamentos
Foto: Getty Images

Digitalização e análise de dados transformam estacionamentos em fontes estratégicas de inteligência para otimizar operações, melhorar a experiência do usuário e apoiar decisões de negócio.

Quem vive a rotina das cidades, especialmente as metrópoles, deve ter notado que os estacionamentos já não são só espaços para guardar carros. Essa lógica está ultrapassada. Cada entrada, saída, tempo de permanência e forma de pagamento agora fazem parte de um combo de informações que podem mostrar padrões de mobilidade e comportamento.

Por trás dessa realidade está uma mudança silenciosa, mas decisiva: a digitalização das operações, sejam elas em um shopping, um estádio, um aeroporto, um teatro, um parque e por aí vai. As novas tecnologias incorporaram leitura automática de placas, reservas digitais de vagas feitas por aplicativo e pagamentos eletrônicos que, integrados a sistemas de gestão, produzem um volume de informações.

Para se ter uma ideia, na INDIGO, apenas no segmento de shoppings, contamos com mais de 3 bilhões de dados gerados. Não se trata apenas de saber quantas vagas estão ocupadas em determinado empreendimento. É possível descobrir horários de pico, tempo médio de permanência, frequência dos usuários, perfil de demanda, eficiência da operação e até analisar estratégias de precificação a partir de eventos na região.

Quando os empreendimentos conhecem seus fluxos, é possível ter uma visão otimizada da distribuição das equipes, ajustar os preços, planejar possíveis expansões do espaço e potencializar investimentos. Esse conjunto de fatores é fundamental para oferecer aos usuários uma experiência cada vez melhor e mais personalizada.

Por exemplo: em um shopping, os dados podem orientar decisões de marketing para atrair um público específico. Se o gestor percebe que há uma frequência de determinados perfis, por que não oferecer programas de fidelização?

Outro avanço está na possibilidade de analisar os dados de forma integrada. Ao comparar operações localizadas em diferentes regiões ou inseridas em contextos distintos, é possível identificar tendências que dificilmente seriam percebidas de maneira isolada. Esses padrões contribuem para compreender como fatores econômicos, urbanos e até culturais influenciam a circulação de pessoas e veículos.

A análise de dados nos estacionamentos está levando o mercado para um novo patamar. Incorporar tecnologias a esses espaços pode ser um ponto muito estratégico para a receita e para se aproximar dos clientes ideais. Quem se beneficia disso? Tanto o empreendimento quanto o usuário.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC. 

O papel estratégico do Banco do Nordeste no impulsionamento da infraestrutura regional

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O papel estratégico do Banco do Nordeste no impulsionamento da infraestrutura regional
Fonte: Banco do Nordeste | CCBNB Fortaleza

A presença do BNB no P3C Regional Nordeste reforça o papel da instituição como parceira estratégica na estruturação e no financiamento de projetos de infraestrutura voltados ao desenvolvimento sustentável da região. 

O avanço da infraestrutura no Nordeste brasileiro exige modelos de governança e financiamento capazes de integrar os setores público e privado de forma eficiente. Nesse contexto, o P3C Regional Nordeste se consolida como um importante espaço para o debate e a promoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões. A participação do Banco do Nordeste (BNB) reforça sua atuação não apenas como instituição financeira, mas como agente estratégico na articulação de investimentos que impulsionam o desenvolvimento econômico e social da região.

O compromisso do BNB com a modernização de setores essenciais, como saneamento, logística, energias renováveis e iluminação pública, demonstra uma estratégia voltada à ampliação da competitividade regional e à redução das desigualdades. Ao reunir capacidade técnica, instrumentos de financiamento e apoio à estruturação de projetos, a instituição contribui para criar um ambiente mais seguro e atrativo para investidores, favorecendo a viabilização de empreendimentos com segurança jurídica e sustentabilidade financeira.

Na abertura do evento, o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, destacou a importância das parcerias para acelerar a transformação da infraestrutura regional, “o Banco do Nordeste tem a clareza de que o desenvolvimento da nossa região passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da infraestrutura, e as PPPs são o caminho mais célere e eficiente para viabilizarmos esses investimentos estruturantes”. A declaração reforça o compromisso da instituição com iniciativas capazes de ampliar a capacidade de investimento dos estados e municípios nordestinos.

Além das linhas de crédito e dos recursos provenientes dos fundos constitucionais, o BNB atua no apoio à estruturação e ao assessoramento técnico de projetos subnacionais. Esse suporte é especialmente relevante para governos estaduais e municipais que buscam modernizar seus serviços públicos, mas enfrentam limitações técnicas ou financeiras para desenvolver projetos de concessões e PPPs. Ao participar do P3C Regional Nordeste, o banco fortalece sua interlocução com gestores públicos, investidores e especialistas, contribuindo para a disseminação de boas práticas e para o aprimoramento dos projetos desenvolvidos na região.

A agenda de sustentabilidade também ocupa posição estratégica nas iniciativas apoiadas pela instituição. A incorporação de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) às operações de financiamento fortalece a qualidade dos projetos e amplia seu impacto positivo para a sociedade. Em sua mensagem, Paulo Câmara destacou esse direcionamento ao afirmar que “nossa missão é garantir que o capital privado encontre no BNB o parceiro ideal para transformar o Nordeste em uma referência de inovação, sustentabilidade e eficiência na gestão de serviços públicos”. A declaração evidencia o compromisso do banco em estimular investimentos alinhados ao desenvolvimento sustentável e à geração de valor para a população.

A atuação conjunta entre o Banco do Nordeste e o ecossistema promovido pelo P3C Regional Nordeste fortalece as condições para ampliar os investimentos em infraestrutura e acelerar a implementação de projetos estruturantes. Ao combinar financiamento, conhecimento técnico e capacidade de articulação institucional, o BNB reafirma sua relevância como parceiro estratégico na consolidação de PPPs e concessões capazes de promover o desenvolvimento econômico e melhorar a prestação de serviços públicos em toda a região Nordeste.

Sem regulamentação, mercados preditivos crescem no Brasil e viram desafio para o governo

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Sem regulamentação, mercados preditivos crescem no Brasil e viram desafio para o governo
Foto: Reprodução/ Kalshi e Polymarket

Enquanto o debate público se concentra nas casas de apostas, plataformas de previsão operam em uma zona cinzenta e brasileiros usam brechas para driblar proibição.

Fora das atenções que focam em publicidades de bets e regulamentações, os chamados “mercados de predição”, que cresceram globalmente nos últimos anos, se tornaram um desafio para as autoridades brasileiras.

Em abril, o governo bloqueou 27 plataformas que faziam previsões sobre os mais diferentes temas, como as americanas Kalshi e Polymarket, para evitar a consolidação de um modelo de apostas sem controle e que não segue a legislação do país.

O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”, relacionados aos mais diversos eventos, como guerras, mudanças climáticas ou eleições.

Se o evento acontecer, como a vitória deu um político nas urnas ou de um vencedor em um reality show, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.

A diferença em relação às apostas tradicionais é que, nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios. Já nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si. Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.

Apesar de proibidos, usuários brasileiros encontram lacunas para acessar a esses conteúdos. Além do uso de VPNs para driblar os bloqueios, a forma de pagamento nestes sites é outra dificuldade. Enquanto no caso de casas de apostas ilegais o governo vem intensificando verificações sobre transações com o Pix, os mercados de predição operam, sobretudo, usando criptomoedas.

A DW encontrou quatro plataformas operando neste sistema de forma irregular no país. Além disso, ao longo das últimas semanas, outras chegaram a oferecer anúncios no Instagram. A reportagem encontrou ainda publicidade de casas de apostas clandestinas convencionais na plataforma.

Questionada, a Meta apontou que “anunciantes que desejam promover jogos de azar ou jogos online precisam solicitar permissão por escrito e fornecer provas de que as suas atividades estão licenciadas por um regulador ou estabelecidas como legítimas nos territórios nos quais desejam veicular esses conteúdos”.

A empresa destacou que órgãos governamentais podem pedir a restrição de conteúdos que violam as leis.

Popularidade em alta na Copa

Os mercados de predições ganharam enorme tração nas eleições americanas em 2024 após uma disputa jurídica permitir ao Kalshi ofertar palpites nos vencedores daquele pleito. Desde então, eles vêm acumulando restrições, polêmicas e bilhões de dólares movimentados.

Neste ano, altos volumes apostados associados às ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela reforçaram os temores de que agentes com informações privilegiadas lucraram com os eventos nestas plataformas. Além disso, uma aposta sobre o uso de armas nucleares em 2026 saiu do ar após polêmica.

Na Copa, as plataformas oferecem apostas convencionais, como palpites no artilheiro do campeonato e o vencedor do torneio, assim como as bets tradicionais. No entanto, há mercados mais personalizados, como um que permitia apostar se Neymar entraria ou não em campo.

Em possibilidades ainda mais alternativas, apostava se também nas chances de Cristiano Ronaldo chorar em público durante a competição. No começo do torneio, a casa de análises Bernstein previu uma movimentação de 10 bilhões de dólares em apostas nestes mercados ligadas à Copa.

Bets x predições

As diferenças no funcionamento das predições para as casas de apostas geram discussões regulatórias. Entusiastas do primeiro modelo frequentemente alegam que as características são mais próximas do mercado financeiro do que de uma bet. Uma das principais defesas é a de que a aposta ocorre contra outros usuários, e não contra a casa, como na outra modalidade.

Mercados preditivos funcionam com base na compra e venda de contratos futuros. Por exemplo, na Copa, a aposta no campeão será liquidada logo depois da final. O valor de um palpite varia de acordo com a oferta e a demanda. Quanto mais pessoas palpitarem sobre um aspecto, este contrato se valoriza. Neste modelo, o lucro da plataforma vem através de uma comissão a cada negociação.

Ou seja, o resultado final é indiferente para as receitas da operação. Maiores ganhos para a plataforma vêm através de um maior volume negociado. No caso do campeão da Copa, no começo de julho, apenas o Kalshi já tinha movimentado cerca de 850 milhões de dólares.

No caso das casas de apostas tradicionais, cada uma oferece um retorno de acordo com as probabilidades avaliadas de que um evento ocorra, as chamadas “odds”. Neste modelo, é calculado, normalmente usando algoritmos, quanto se pode pagar a cada usuário vencedor por um resultado de forma que a casa ainda obtenha lucro, normalmente de 5%.

Apesar das diferenças, estudos apontam que, assim como nas bets, a maioria dos usuários tende a ter perdas nos mercados de predição. Um estudo recente sobre o Polymarket mostrou que os ganhos são altamente concentrados, com 1% dos usuários detendo 76,5% dos lucros.

À DW, Charles Martineau, um dos autores da pesquisa e professor da Universidade de Toronto resumiu a lógica deste mercado para a grande maioria. ” É muito difícil de ganhar dinheiro apostando em esportes. É possível lucrar com algumas sequências de apostas, mas para a pessoa comum, apostar muitas vezes resultará em prejuízo.”

“Em plataformas como Kalshi e Polymarket, onde as apostas esportivas têm um alto volume de negociações, constatamos que os preços são tão eficientes que é praticamente impossível lucrar”, aponta Martineau. Além disso, ele acrescenta: “uma coisa é certa: a introdução dos mercados de previsão levará algumas pessoas a desenvolver uma crescente dependência de jogos de azar”.

Necessidade de regulamentação

Na visão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a oferta destas plataformas de apostas em eventos esportivos no país demandaria licenças específicas, assim como ocorre com as casas que vem operando de forma regular desde o último ano. Na ausência de uma regulamentação, o acesso a estes sites deve ser barrado no território nacional.

“Estava havendo ofertas inclusive de mercados ilegais, como eleições. O governo agiu rápido em excelente momento, antes que o tema escalasse”, avalia Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), ao comentar a decisão do governo de bloquear os sites.

Para Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw e consultor do Conselho Federal da OAB, o cenário atual foi uma “resposta rápida”, especialmente visando limitar as apostas em eleições, que são proibidas no caso das bets. Por sua vez, passado o período eleitoral e com a atual popularidade, a regulamentação destes mercados deve voltar à tona, projeta.

Bessa aponta que o uso de informações privilegiadas tende a ser uma dificuldade regulatória a mais, algo que é mais controlado no caso das bets. A legislação atual do setor aponta que potenciais envolvidos em partidas, como árbitros, jogadores e comissão técnica, não podem apostar.

No caso das predições, a atuação de agentes ligados aos eventos é menos controlada. “Quem tem informações, sai na frente”, resume.

Fonte: G1

P3C Regional Nordeste reúne especialistas, setor público e investidores em Fortaleza para impulsionar a agenda de infraestrutura da região

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P3C Regional Nordeste reúne especialistas, setor público e investidores em Fortaleza para impulsionar a agenda de infraestrutura da região
Foto: Divulgação

Com mais de 20 horas de conteúdo e 79 palestrantes, encontro fortaleceu o diálogo entre poder público, investidores e especialistas sobre o futuro da infraestrutura regional. 

Fortaleza recebeu a edição Nordeste do P3C Regional, consolidando-se como ponto de encontro para o debate sobre os principais desafios e oportunidades da infraestrutura, das concessões e das parcerias público-privadas na região. Ao longo de um dia intenso de programação, o evento reuniu 378 participantes presenciais, 79 palestrantes, 16 painéis distribuídos em quatro palcos simultâneos, somando mais de 20 horas de conteúdo especializado em um dia de atividades.

Com foco nas oportunidades estratégicas do Nordeste, o P3C Regional promoveu discussões voltadas ao desenvolvimento regional, considerando setores de infraestrutura e serviços com elevado potencial de transformação. Os debates abordaram temas fundamentais para o futuro da região, como descarbonização, energias renováveis, mobilidade e transporte, portos, infraestrutura de abastecimento de água e saneamento, desenvolvimento social, cidades inteligentes e iluminação pública.

Leia mais: Descarbonização do Nordeste ganha força com avanço das PPPs e estará no centro dos debates do P3C Nordeste

A programação reuniu representantes do setor público, investidores, especialistas, empresas e instituições para discutir soluções capazes de ampliar investimentos, fortalecer a gestão pública e acelerar projetos que impactam diretamente a qualidade de vida da população nordestina. A região concentra mais de 56,4 milhões de habitantes, o equivalente a 26,9% da população brasileira, reforçando a relevância de iniciativas que promovam infraestrutura mais eficiente, sustentável e inclusiva.

A realização do encontro contou com o apoio de um amplo ecossistema de parceiros, reunindo 12 patrocinadores e 13 apoiadores. Entre os patrocinadores esteve o Banco do Nordeste, banco com foco no desenvolvimento de ações para a região Nordeste. “O Banco do Nordeste tem a clareza de que o desenvolvimento da nossa região passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da infraestrutura, e as PPPs são o caminho mais célere e eficiente para viabilizarmos esses investimentos estruturantes”, afirma Paulo Câmara, presidente do Banco do Nordeste. O BNDES, instituição que atua no financiamento de projetos estruturantes para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira e que participou da construção de um ambiente de debate voltado à ampliação de investimentos e ao fortalecimento das parcerias entre os setores público e privado e a INFRA SA, estatal que promove o planejamento de longo prazo, ampliando eficiência da alocação dos recursos destinados à infraestrutura e aumentar a competitividade do país

Ao proporcionar um ambiente qualificado para troca de experiências, apresentação de cases e construção de conexões entre diferentes atores do mercado, o P3C Regional Nordeste reafirmou seu papel como uma das principais plataformas de discussão sobre concessões, PPPs e infraestrutura no Brasil.

Leia mais: De Encontros Regionais ao Cenário Nacional: Como a Plataforma P3C Conecta Investidores e Governos

O encerramento desta edição marca mais um importante capítulo na construção de uma agenda regional voltada à inovação, à sustentabilidade e à atração de investimentos.

Prepare-se para a próxima edição.

Para saber mais sobre a plataforma, clique aqui.

Quem planeja a cidade do futuro?

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Construção civil: Falta recursos para adaptação das cidades, diz Cbic
Foto: Rodinei Santo / Prefeitura de Pato Branco

Em um cenário cada vez mais orientado por dados e inteligência artificial, a tecnologia precisa servir às pessoas e fortalecer a gestão pública

Em meio à aceleração da transformação digital, é comum associarmos o conceito de cidades inteligentes a soluções como sensores, aplicativos, iluminação conectada e plataformas digitais de atendimento ao cidadão. Esses elementos, sem dúvida, fazem parte da evolução urbana, mas representam apenas a superfície de uma mudança muito mais profunda. O que está em curso é uma transformação estrutural na forma como planejamos, governamos e compreendemos o território. A cidade deixa de ser organizada apenas por ruas, edifícios e infraestrutura física para passar a ser estruturada por dados, algoritmos e inteligência analítica. Estamos vivendo uma nova etapa do urbanismo, em que a infraestrutura digital se torna tão estratégica quanto a infraestrutura de concreto.

Essa mudança redefine o próprio papel do Estado e da gestão pública. A capacidade de coletar, integrar e interpretar dados passa a ser um ativo fundamental para governos que desejam oferecer melhores serviços, atrair investimentos e planejar políticas públicas de forma mais eficiente. Em muitos países, especialmente no Sul Global, a digitalização tornou-se também uma demonstração de capacidade institucional. Governos investem em plataformas digitais, cadastros inteligentes e sistemas integrados não apenas para aumentar a eficiência administrativa, mas para demonstrar maturidade na gestão e ampliar sua competitividade em um cenário internacional cada vez mais orientado por dados.

Nesse contexto, talvez uma das mudanças mais significativas seja aquela que acontece silenciosamente sob nossos pés: a digitalização do solo urbano. O território deixa de ser apenas uma realidade física para tornar-se uma base de informação altamente qualificada. Cada lote, cada imóvel e cada parcela da cidade passam a ser representados por registros digitais permanentemente atualizados, formando uma camada informacional capaz de orientar decisões sobre mobilidade, habitação, infraestrutura, meio ambiente e desenvolvimento econômico.

Essa transformação rompe com um modelo histórico de gestão pública baseado em documentos físicos, cadastros fragmentados e informações isoladas em diferentes órgãos. Durante décadas, o acesso aos dados territoriais esteve concentrado em departamentos específicos, dificultando uma visão integrada da cidade. Hoje, ao contrário, o valor do dado está justamente em sua capacidade de circular entre diferentes áreas da administração pública. Quanto mais conectado, atualizado e compartilhado ele estiver, maior será sua utilidade para a tomada de decisão.

Essa nova lógica inaugura aquilo que muitos pesquisadores chamam de burocracia de “zero contato”. Não se trata da eliminação da presença humana na gestão pública, mas da digitalização dos processos administrativos. Em vez de depender exclusivamente da interação presencial no balcão, grande parte das análises passa a ocorrer por meio de sistemas digitais capazes de integrar informações em tempo real. Isso reduz burocracias, amplia a transparência, acelera licenciamentos e fortalece a capacidade de planejamento dos municípios.

Os benefícios desse processo são inegáveis. Cadastros digitais permitem identificar áreas de expansão urbana, mapear riscos ambientais, planejar redes de transporte, monitorar o uso do solo e direcionar investimentos públicos com maior precisão. Também fortalecem a segurança jurídica, um aspecto fundamental para estimular investimentos responsáveis e impulsionar projetos de infraestrutura que contribuam para o desenvolvimento das cidades.

Não por acaso, diversos países vêm estruturando programas nacionais voltados à digitalização territorial. A Índia, por exemplo, implementou iniciativas que atribuem um identificador único para cada parcela de terra, padronizam registros fundiários e utilizam drones e inteligência artificial para mapear territórios antes pouco documentados. O objetivo é criar bases de dados mais consistentes, reduzir conflitos sobre propriedade e tornar os processos administrativos mais eficientes. Ainda que cada país possua sua própria realidade institucional, essas experiências demonstram como a informação territorial tornou-se um elemento estratégico para o desenvolvimento econômico e para a gestão pública.

Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial amplia ainda mais as possibilidades desse novo urbanismo. As cidades produzem diariamente uma enorme quantidade de dados sobre mobilidade, energia, saneamento, segurança, saúde e meio ambiente. Quando utilizados de forma responsável, esses dados permitem antecipar demandas, otimizar serviços públicos e apoiar decisões baseadas em evidências. A inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica para tornar-se um instrumento de planejamento urbano.

Entretanto, seria um equívoco imaginar que a tecnologia, por si só, produz cidades melhores. Algoritmos não são neutros. Sistemas digitais refletem escolhas humanas, prioridades institucionais e valores sociais. Toda base de dados carrega limitações, toda modelagem estatística incorpora critérios de seleção e toda automação reproduz decisões previamente estabelecidas por pessoas.

Esse talvez seja um dos maiores desafios da transformação digital nas cidades. À medida que parte das decisões administrativas passa a ser mediada por sistemas inteligentes, desloca-se também parte da responsabilidade sobre essas escolhas. A discricionariedade antes exercida exclusivamente por agentes públicos passa a ser compartilhada com arquiteturas tecnológicas desenvolvidas por equipes multidisciplinares, empresas e especialistas em software. Isso exige novos mecanismos de governança capazes de garantir transparência, auditabilidade e controle social.

Da mesma forma, precisamos enfrentar o desafio da inclusão digital. Uma cidade verdadeiramente inteligente não pode ampliar desigualdades entre aqueles que conseguem acessar serviços digitais e aqueles que permanecem desconectados. Também não pode permitir que regiões historicamente invisibilizadas continuem ausentes das bases de dados que orientam os investimentos públicos. Dados incompletos geram diagnósticos incompletos, que, por sua vez, podem aprofundar assimetrias já existentes.

Outro aspecto fundamental é a capacidade técnica do próprio setor público. A incorporação crescente de inteligência artificial, análise preditiva e plataformas digitais exige equipes preparadas para compreender essas tecnologias, avaliá-las criticamente e estabelecer critérios claros para sua contratação e utilização. O fortalecimento da capacidade institucional será tão importante quanto a adoção das ferramentas tecnológicas em si.

Por isso, o futuro das cidades inteligentes não será definido apenas pelo avanço da inovação, mas pela qualidade da governança que conseguirmos construir ao redor dela. Precisaremos combinar tecnologia com ética, eficiência com transparência, automação com participação cidadã e inovação com responsabilidade pública.

No Connected Smart Cities, defendemos justamente essa visão ampliada da inteligência urbana. Uma cidade inteligente não é aquela que acumula mais tecnologia, mas aquela que utiliza a inovação para produzir desenvolvimento sustentável, melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer sua capacidade de enfrentar desafios sociais, econômicos e ambientais. A inteligência urbana nasce quando dados, pessoas, planejamento e políticas públicas caminham juntos.

A transformação do solo em informação representa uma das maiores revoluções do planejamento urbano das últimas décadas. Mas o verdadeiro valor dessa transformação não estará na quantidade de dados produzidos nem na sofisticação dos algoritmos utilizados. Estará na capacidade de utilizar esse conhecimento para construir cidades mais transparentes, inclusivas, resilientes e preparadas para o futuro. Afinal, por trás de cada dado existe um território, e por trás de cada território existem pessoas. São elas que devem permanecer no centro de toda inovação.