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Descarbonização do Nordeste ganha força com avanço das PPPs e estará no centro dos debates do P3C Nordeste

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P3C Regional Nordeste impulsiona infraestrutura e atração de investimentos em Fortaleza
Foto: Divulgação

Com potencial para liderar a economia de baixo carbono, a região aposta em Parcerias Público-Privadas para ampliar investimentos em infraestrutura, energia limpa e serviços públicos. 

A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma estratégia de desenvolvimento regional. No Nordeste, onde o potencial para geração de energias renováveis está entre os maiores do país, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) vêm se consolidando como um importante instrumento para acelerar investimentos em infraestrutura, ampliar a eficiência da gestão pública e impulsionar a descarbonização. Esse cenário será um dos destaques do P3C Nordeste, que acontece no dia 3 de julho, em Fortaleza, reunindo representantes do setor público, investidores e especialistas para discutir soluções capazes de transformar os desafios da região em oportunidades de crescimento sustentável.

A edição Nordeste do P3C tem então em seus propósitos, colocar em evidência as potencialidades da região e promover o diálogo sobre projetos de infraestrutura e serviços públicos capazes de gerar desenvolvimento econômico e social. Com foco em setores estratégicos, como energia, saneamento, abastecimento de água, equipamentos públicos e infraestrutura urbana, o encontro busca fomentar iniciativas que beneficiem uma população superior a 57 milhões de pessoas, cerca de 26,8% dos brasileiros.

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Entre os principais ativos do Nordeste está sua abundante disponibilidade de recursos naturais para a geração de energia limpa. A elevada incidência solar transforma a região em um dos territórios mais promissores do país para a expansão da energia fotovoltaica, tornando possível reduzir emissões de gases de efeito estufa, diversificar a matriz energética e ampliar a segurança no fornecimento de energia. Nesse contexto, as PPPs têm desempenhado um papel decisivo ao permitir que governos acelerem a implantação de infraestrutura sem depender exclusivamente de investimentos públicos imediatos, compartilhando riscos e atraindo capital privado para projetos de longo prazo.

Experiências desenvolvidas na região demonstram como esse modelo pode produzir resultados concretos. A implantação de miniusinas solares para atendimento da rede pública de educação, por meio de uma PPP, mostrou que a combinação entre tecnologia, gestão e participação da iniciativa privada é capaz de gerar ganhos financeiros e ambientais simultaneamente. Apenas entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o projeto proporcionou uma economia superior a R$ 1,48 milhão em despesas com energia elétrica, com média mensal superior a R$ 123 mil, recursos que podem ser redirecionados para investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e melhoria dos serviços públicos.

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Além da redução de custos, iniciativas como essa evidenciam o papel da energia renovável na construção de uma gestão pública mais eficiente. A utilização de tecnologias como módulos bifaciais, sistemas de rastreamento solar (trackers) e redes inteligentes permite maximizar a geração de energia, aumentar a produtividade das usinas e garantir maior retorno financeiro para o poder público. Ao mesmo tempo, o modelo contratual das PPPs estabelece mecanismos de desempenho e compartilhamento de riscos que oferecem maior segurança para investidores e asseguram que o setor público remunere a concessionária de acordo com os resultados efetivamente entregues.

Os aprendizados obtidos ao longo desses projetos também reforçam a importância da governança e do planejamento para ampliar seus benefícios. Estudos apontam que uma gestão mais estratégica da distribuição dos créditos de energia pode aumentar ainda mais a eficiência econômica, priorizando unidades consumidoras com tarifas mais elevadas e potencializando o retorno financeiro de cada quilowatt-hora gerado. Esse tipo de aperfeiçoamento demonstra que a maturidade dos projetos de PPP vai além da implantação da infraestrutura, envolvendo monitoramento contínuo, inteligência operacional e capacidade de adaptação.

Leia mais: Brasil e Reino Unido avançam parceria em hidrogênio e descarbonização industrial

O avanço da descarbonização também dialoga diretamente com outros desafios históricos do Nordeste. Enquanto a região lidera o crescimento da geração renovável, ainda existem demandas significativas em áreas como saneamento, abastecimento de água e infraestrutura urbana. Nesse cenário, o modelo de parceria entre poder público e iniciativa privada desponta como um caminho capaz de acelerar investimentos, modernizar equipamentos públicos e ampliar a oferta de serviços essenciais.

As cidades nordestinas já vêm demonstrando esse movimento por meio de projetos voltados à construção e modernização de escolas, hospitais, clínicas, centros administrativos, parques urbanos e centros de eventos. São investimentos que não apenas melhoram a qualidade de vida da população, mas também incorporam critérios de sustentabilidade e eficiência energética desde sua concepção, contribuindo para reduzir emissões e fortalecer a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.

Mais do que uma tendência, a descarbonização passa a representar uma oportunidade econômica para toda a região. Ao combinar recursos naturais abundantes, inovação tecnológica e modelos modernos de concessão e PPP, o Nordeste reúne condições para consolidar uma nova agenda de desenvolvimento baseada em energia limpa, infraestrutura sustentável e segurança para investimentos.

É justamente essa convergência entre sustentabilidade, desenvolvimento regional e novos modelos de financiamento que fará parte da programação do P3C Nordeste. Ao reunir gestores públicos, investidores, operadores e especialistas, o evento pretende ampliar o debate sobre soluções capazes de transformar o potencial da região em projetos estruturantes, fortalecendo um ambiente favorável à inovação, à expansão das PPPs e à construção de um Nordeste cada vez mais competitivo na economia de baixo carbono.

O P3C Nordeste conta com o patrocínio da Caixa, do BNDES, do Banco do Nordeste (BNB) e do Governo do Brasil, reforçando o compromisso dessas instituições com a promoção de investimentos em infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento regional. Como destacam as campanhas institucionais: “Tem patrocínio do BNDES, tem Governo do Brasil” e “Onde tem patrocínio do Banco do Nordeste, tem Governo do Brasil”.

Para saber mais sobre o P3C Regional Nordeste, clique aqui

A IA no coração da ciência

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A IA NO CORAÇÃO DA CIÊNCIA
Foto: Enviada por Cris Alessi

Da física à biologia, a Inteligência Artificial inaugura uma nova era em que máquinas e cientistas ampliam juntos os limites do conhecimento.

No ano passado, eu escrevi aqui que a melhor notícia de 2025 foi sobre o Prêmio Nobel de Economia ter sido concedido a estudos sobre crescimento econômico impulsionado pela inovação. Foram laureados o holandês Joel Mokyr, o francês Philippe Aghion e o canadense Peter Howitt.

Até então, eu estava ainda absorvendo a ideia de prêmios dessa importância serem dados a trabalhos ligados à Inteligência Artificial, o que havia acontecido em 2024. Mas hoje já não dá para ignorar as mudanças que a IA traz também no mundo científico.

Há quase dois anos, e pela primeira vez, estudos diretamente ligados à IA foram reconhecidos pela Academia Sueca. No Nobel de Física, Geoffrey Hinton e John Hopfield foram laureados por suas contribuições às redes neurais artificiais. Hopfield, ainda nos anos 1980, apresentou um modelo inspirado na física estatística que permitia memória associativa, enquanto Hinton desenvolveu algoritmos que tornaram possível treinar redes complexas. Essas ideias, que à época pareciam quase especulativas, hoje sustentam sistemas de reconhecimento de voz, tradução automática e até as IAs generativas que transformam nossa relação com a informação.

Na Química, o prêmio foi concedido a Demis Hassabis, John Jumper e David Baker, criadores do AlphaFold, sistema capaz de prever a estrutura tridimensional de proteínas. Esse avanço solucionou um desafio científico que persistia havia mais de meio século e abriu caminho para descobertas em medicina personalizada, biotecnologia e desenvolvimento de novos fármacos.

Estes prêmios também marcam uma virada de paradigma no modo como entendemos a produção de conhecimento. Celebram não apenas conquistas individuais, mas simbolizam a entrada definitiva da Inteligência Artificial no coração da ciência. O Nobel de 2024 consagrou uma nova era em que humanos e máquinas colaboram para desvendar os mistérios da natureza e melhorar a vida na Terra. É um reconhecimento que inspira, valida e projeta a ciência para um futuro em que a inteligência artificial será cada vez mais protagonista.

E isso tudo está muito mais perto de nossas vidas do que imaginamos. Demis Hassabis é co-fundador do Google DeepMind, o laboratório de inteligência artificial da Alphabet. Fundado em Londres em 2010 e adquirido pelo Google em 2014, o DeepMind cria inteligência artificial geral, a AGI, com Hassabis no comando.

E tudo começou com a ideia de que a IA poderia ensinar a si mesma a jogar games. Os games exigem solução de problemas, assim como a ciência. Então quanto mais a IA aprendesse a jogar, mais a sua inteligência ficaria geral e aumentaria sua capacidade de enfrentar outros problemas. A IA dependente de instrução humana nunca ultrapassaria a ingenuidade humana. Mas as máquinas da DeepMind tiveram que definir suas próprias estratégias. Foi esse método que Hassabis e seus colegas aplicaram na descoberta da estrutura tridimensional de proteínas.

A mensagem é clara: a IA não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas um motor de descobertas fundamentais.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC 

Ministro das Cidades participa do lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, no Rio de Janeiro

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Ministro das Cidades participa do lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação/ Ministério das Cidades

Evento no BNDES apresentará estudo desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades para orientar investimentos em transporte público nas principais regiões metropolitanas do país

ministro das Cidades, Vladimir Lima, participa, na quarta-feira (1º), no Rio de Janeiro (RJ), da solenidade de lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU). O evento será realizado no BNDES e marca a entrega oficial do estudo, desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades e outras instituições.

O ENMU foi elaborado entre 2024 e 2026 com o objetivo de construir uma visão nacional sobre os desafios da mobilidade urbana no Brasil, com foco na qualificação e expansão do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país.

O estudo estruturou uma carteira de projetos de transporte público coletivo, avaliados com base em projeções populacionais e de demanda para um horizonte de 30 anos. A iniciativa também reúne boas práticas e insumos para a construção de uma Estratégia Nacional de Mobilidade Urbana.

A programação prevê, além da abertura com participação do ministro, apresentação dos resultados e propostas do estudo, debate sobre os próximos passos e discussão sobre o primeiro ciclo de projetos. O secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Marcos Daniel Souza dos Santos, também participa da programação como moderador de um dos blocos do evento.

Fonte: Ministério das Cidades

Goiânia recebe plano para reduzir custos e modernizar serviços públicos com projeto de cidade inteligente

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Cidade Mais Inteligente do Mundo e líder em qualidade de vida entre as capitais: a metrópole com quase 70 m² de área verde por morador
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Goiânia

O prefeito apontou para a necessidade de tornar Goiânia mais conectada e preparada para o futuro. “Goiânia precisa se tornar uma cidade cada vez mais inteligente e conectada

Uma rede de internet até 15 vezes mais rápida, serviços públicos digitalizados e redução de custos operacionais estão entre as propostas apresentadas para acelerar a transformação digital de Goiânia. O conjunto de projetos integra o relatório final do Programa Cidades Inteligentes, entregue nesta segunda-feira, 29, pelo Sebrae Goiás à gestão municipal. O documento reúne iniciativas voltadas à modernização da infraestrutura tecnológica da capital e à ampliação do acesso da população aos serviços públicos digitais.

O estudo foi desenvolvido em parceria com cinco municípios goianos: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Rio Verde, São Luís de Montes Belos e Silvânia. A entrega do relatório começou pela capital e servirá de base para a implementação de novas soluções tecnológicas na administração municipal.

Conectividade deve acelerar atendimento ao cidadão

O gestor do Programa Cidades Inteligentes e analista do Sebrae Goiás, Allan Máximo de Holanda, afirmou que o principal objetivo do trabalho foi estruturar um modelo de governança capaz de tornar a gestão pública mais eficiente, utilizando a tecnologia para melhorar os serviços prestados ao cidadão.

“Nós fizemos todo um trabalho metodológico da governança, organizando a discussão de uma gestão municipal mais eficiente. Através do Programa Cidades Inteligentes analisamos projetos que podem impactar decisivamente a vida do cidadão. O diagnóstico mostrou que a conectividade na gestão pública avançou de maneira efetiva e isso terá reflexos diretos no atendimento à população”, afirmou.

Segundo Allan, um dos principais avanços é a ampliação da capacidade de conectividade da administração municipal, que passa a ser até 15 vezes maior com a implantação da nova rede de fibra óptica.

“Antes a conectividade era praticamente inexistente. Agora o avanço é de 15 vezes, permitindo serviços prestados de forma muito mais eficiente. Cadastros realizados antes de consultas médicas, registros escolares e diversos outros serviços terão maior agilidade com essa nova estrutura”, explicou.

Projeto está em execução e deve ser concluído no aniversário de Goiânia

O secretário municipal de Inovação e Transformação Digital, Fábio Christino, destacou que a parceria com o Sebrae vai além do apoio financeiro e inclui planejamento técnico e acompanhamento dos projetos de inovação desenvolvidos pela prefeitura.

“O Sebrae contribui não apenas com recursos de investimento, mas também com conhecimento e experiência na condução de processos e projetos. Essa ação da GigaLan é apenas um dos projetos realizados em conjunto e ainda há muito a ser feito”, afirmou.

Segundo o secretário, a implantação da nova infraestrutura já está em andamento e a expectativa é concluir os trabalhos até o aniversário de Goiânia.

“O projeto revoluciona a experiência do servidor no atendimento ao cidadão. Antes tínhamos uma média de 20 megabits para fornecer conectividade. Hoje conseguimos ampliar essa capacidade em 15 vezes utilizando tecnologia de fibra óptica”, disse.

Meta é reduzir burocracia e ampliar serviços digitais

A vice-prefeita de Goiânia, coronel Cláudia Lira (Avante), afirmou que o relatório também orienta outras ações de modernização da administração pública, como a renovação do parque tecnológico das áreas de saúde e educação.

“Junto com a conectividade, estamos ampliando o parque tecnológico do município, com a entrega de computadores novos para unidades escolares e de saúde”, afirmou.

Ela também ressaltou que o objetivo é substituir processos presenciais por serviços digitais, reduzindo custos e facilitando o acesso da população.

“O Sebrae deixou de ser apenas um parceiro e se tornou um irmão no processo de gestão da cidade. O objetivo é reduzir custos e aumentar a efetividade, substituindo processos manuais por digitais. O usuário poderá acessar os serviços públicos de onde estiver, sem precisar se deslocar até uma unidade física, tendo tudo na palma da mão”, explicou.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), afirmou que a transformação digital faz parte da estratégia da administração municipal para tornar a capital mais eficiente e preparada para os próximos anos.

“Com essa parceria, buscamos modernizar os serviços públicos e acelerar a transformação digital da gestão.”

Segundo o prefeito, o objetivo é consolidar Goiânia como uma cidade cada vez mais conectada.

“Goiânia precisa se tornar uma cidade cada vez mais inteligente e conectada. Ficamos felizes em trabalhar com parceiros para conectar toda a cidade e avançar nesse processo de modernização”, concluiu.

Fonte: Jornal Opção

Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico que dura 30 anos

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Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico que dura 30 anos
Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Adversário do Brasil reúne liderança em inovação, baixo desemprego e indústria sofisticada, mas convive há décadas com a ‘Japanificação’: crescimento lento, envelhecimento da população e uma das maiores dívidas públicas do mundo.

Após derrotar a Escócia na fase de grupos, a seleção brasileira terá pela frente, nesta segunda-feira (29), um adversário que desperta interesse não apenas dentro de campo. O Japão chega à segunda fase da Copa do Mundo de 2026 levando consigo um dos casos mais estudados da economia mundial.

Quarta maior economia do planeta, o país permanece entre os líderes globais em inovação e na produção de bens de alta tecnologia. Ao mesmo tempo, convive há décadas com crescimento econômico modesto e desafios estruturais que limitam uma expansão mais acelerada.

Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do Peterson Institute for International Economics (PIIE), explica que esse cenário começou a tomar forma após o estouro das bolhas imobiliária e do mercado de ações, entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990.

A partir dali, o Japão entrou em um longo período de baixo crescimento e inflação muito baixa — em alguns momentos, até de queda generalizada dos preços, fenômeno conhecido como deflação.

Ao mesmo tempo, a baixa taxa de natalidade, a redução da população em idade ativa e o envelhecimento acelerado passaram a pressionar o mercado de trabalho e as contas públicas.

📉 Esse conjunto de fatores ficou conhecido entre economistas como “Japanificação”, termo usado para descrever economias que convivem por longos períodos com crescimento fraco, inflação persistentemente baixa e dificuldade para recuperar o dinamismo.

Mais de três décadas depois, porém, parte desse quadro começou a mudar. A inflação voltou a se aproximar da meta do Banco do Japão (BoJ), permitindo que a autoridade monetária abandonasse a política de juros negativos. Hoje, a taxa básica está em 1% ao ano.

“Pela primeira vez, desde que o envelhecimento populacional se acelerou no início dos anos 1990, o Japão pode ter um caminho plausível para desenvolver pressões sustentadas de salários e preços impulsionadas internamente”, afirma Kirkegaard.

Quebra-cabeça econômico

A melhora recente, no entanto, não eliminou as características que fazem da economia japonesa um caso singular.

O país mantém uma das menores taxas de desemprego do mundo — tendo alcançado 2,5% em abril —, e tem um PIB per capita estimado em cerca de US$ 35,7 mil pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também continua entre as economias mais inovadoras do planeta: de acordo com o Global Innovation Index 2025, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), ocupa a 12ª posição no ranking e lidera indicadores ligados à sofisticação industrial e à cooperação entre universidades e empresas.

Em 2023, destinou 3,44% do Produto Interno Bruto (PIB) — cerca de US$ 145 bilhões — à pesquisa e desenvolvimento. Ainda assim, sua economia cresce, em média, apenas 1% ao ano há cerca de três décadas.

É essa combinação que pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Internacional, da Universidade Harvard, definem como um “quebra-cabeça econômico”.

Apesar do crescimento modesto, o Japão lidera o Índice de Complexidade Econômica desde 1981, reflexo da capacidade de produzir bens de alto valor agregado.

“A história econômica do Japão não é apenas sobre estagnação. É também a história de uma economia que redirecionou seu conhecimento produtivo para além de suas fronteiras”, resumem os pesquisadores.

Demografia e o freio do crescimento

No entanto, parte desse “quebra-cabeça” passa pela transformação demográfica do país.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que, em 2026, quase 30% dos japoneses têm mais de 65 anos, enquanto a taxa de fertilidade permanece próxima de 1,2 filho por mulher.

Com menos pessoas em idade ativa para trabalhar, o potencial de crescimento da economia diminui e aumentam as pressões sobre os gastos públicos, especialmente com aposentadorias e saúde.

E talvez poucos indicadores traduzam melhor esse desafio do que a dívida pública japonesa. Mesmo em trajetória de queda gradual, o FMI projeta que ela permanecerá acima de 200% do PIB em 2026, uma das maiores proporções do mundo.

Parte dessa trajetória reflete as escolhas feitas pelo país para lidar com o envelhecimento da população.

Em vez de promover um ajuste fiscal mais intenso ou elevar significativamente a carga tributária, o governo passou a financiar uma parcela crescente das despesas com aposentadorias e saúde por meio da emissão de dívida.

O envelhecimento levou muitas empresas japonesas a mudar sua estratégia de crescimento: com um mercado doméstico cada vez menor e mais envelhecido, ampliaram investimentos no exterior e passaram a gerar receitas crescentes com propriedade intelectual, pesquisa e desenvolvimento e dividendos de subsidiárias internacionais.

Os efeitos da mudança demográfica também aparecem no mercado de trabalho.

Dados do FMI mostram que o setor de serviços responde por cerca de 70% do valor agregado da economia japonesa e concentra algumas das maiores dificuldades para contratar trabalhadores. Além disso, profissionais com mais de 60 anos estão cada vez mais presentes em atividades como serviços e construção.

Esse cenário ajuda a explicar por que os ganhos de produtividade variam entre os diferentes setores da economia.

Enquanto a indústria manufatureira avançou nas últimas décadas com inovação e melhorias na organização da produção, serviços voltados ao mercado doméstico — como saúde, comércio, hotéis e alimentação — registraram uma evolução mais lenta.

Apesar disso, o economista Kyoji Fukao, professor da Universidade Hitotsubashi, afirma que essa diferença não é recente.

Em um estudo sobre as causas estruturais das chamadas “duas décadas perdidas” do Japão, ele argumenta que os ganhos de produtividade obtidos pela indústria não foram reproduzidos em boa parte dos serviços, onde modelos de gestão mais eficientes demoraram a ser adotados.

“O crescimento da produtividade permaneceu lento no Japão, já que as grandes empresas mais produtivas não ampliaram sua participação de mercado. Além disso, a segurança no emprego tem prioridade no Japão e, como resultado, os custos de abrir e fechar estabelecimentos são elevados”, afirma.

Fonte: G1

Comissão aprova diretriz de mobilidade urbana para profissionais da educação básica e superior

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Comissão aprova diretriz de mobilidade urbana para profissionais da educação básica e superior
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasi

O projeto continua em análise na Câmara dos Deputados

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que altera a Política Nacional de Mobilidade Urbana para incluir a promoção da mobilidade dos profissionais da educação básica e superior como uma diretriz federal. O objetivo é reduzir os custos com transporte para a categoria.

O relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), apresentou uma nova versão (substitutivo) para o Projeto de Lei 5770/25, que foi acolhida pela comissão. O projeto inicial é do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ).

O texto aprovado transforma a gratuidade – que, pelo projeto original seria obrigatória em todo o país – em uma possibilidade a ser implementada por estados e municípios. O substitutivo permite que os governos locais decidam sobre a concessão de subsídios, descontos ou gratuidades de acordo com a realidade financeira de cada região.

“A imposição, por lei federal, de gratuidade no transporte público coletivo urbano e intermunicipal implica interferência na organização e na política tarifária de serviços públicos que competem aos municípios e aos estados”, explicou Ricardo Ayres. Ele disse ainda que a medida original, sem uma fonte de financiamento clara, poderia gerar pressão tarifária sobre os demais usuários.

Apesar dos ajustes, Ayres defendeu a intenção da proposta. “O projeto reconhece o impacto direto dos custos de deslocamento sobre a qualidade de vida e as condições de trabalho dos profissionais da educação básica e superior.”

O texto aprovado estabelece também que a União poderá oferecer apoio técnico e financeiro para auxiliar os entes federativos na execução das políticas de mobilidade para os professores.

Próximos passos
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pelas comissões de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Agência Câmara de Notícias

China lança plano de 5 anos para incorporar IA como competência de ensino em todas as escolas do país

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IA pode ameaçar sistema financeiro global ao facilitar ataques cibernéticos, alerta presidente do Banco da Inglaterra
Foto: Qilai Shen/Bloomberg

Estudantes de todos os níveis de educação precisarão ter habilidades em inteligência artificial

A China anunciou plano oficial para integrar a inteligência artificial em todos os níveis de ensino, alinhando seu sistema educacional à estratégia do presidente Xi Jinping de tornar o país líder em tecnologias avançadas.

O Conselho de Estado divulgou nesta segunda-feira um plano de cinco anos que prevê transformar a IA em uma competência essencial para todos os estudantes, reforçando um apelo anterior de Xi para formar talentos de alta tecnologia, enquanto a segunda maior economia do mundo busca novos motores de crescimento.

O plano determina que sejam adotadas medidas para “promover a educação em inteligência artificial em todas as etapas da formação, aprimorar a alfabetização em IA dos estudantes e fortalecer sua capacidade de identificar e resolver problemas”. O gabinete chinês também orienta as autoridades regionais a implementar a política.

O incentivo ao ensino de IA faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para conquistar vantagem em tecnologias de ponta. Pequim tem dado atenção especial ao desenvolvimento de empresas nacionais capazes de enfrentar o endurecimento das restrições impostas por países ocidentais à exportação de hardware avançado.

Ao mesmo tempo, as autoridades tentam equilibrar os ganhos de produtividade proporcionados pela adoção da IA com a estabilidade do mercado de trabalho, em um cenário de fragilidade econômica e elevado desemprego entre os jovens. Anteriormente, o Ministério da Educação havia orientado universidades a oferecer treinamento em inteligência artificial para aumentar as chances de empregabilidade dos estudantes.

Em diversos casos recentes, tribunais chineses decidiram que empresas não podem demitir funcionários apenas para substituí-los por sistemas de inteligência artificial, evidenciando o esforço de Pequim para proteger empregos enquanto busca competir com os Estados Unidos.

Fonte: O Globo

Não foi só a cidade que mudou: entre permanências e metamorfoses em São Paulo

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Não foi só a cidade que mudou: entre permanências e metamorfoses em São Paulo
Centro histórico de São Paulo. Foto: Getty Images

Ao NEV-USP e ao professor Sergio Adorno, pela construção de um espaço onde a reflexão crítica sobre a cidade e a violência permaneceu possível.

“A educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma auto-reflexão crítica.”— Theodor Adorno, Educação após Auschwitz

A ideia de que a vida é feita de ciclos tornou-se um lugar-comum. Mais raro, porém, é reconhecer os marcos que estruturam uma experiência e compreender aquilo que eles revelam.

Olhar para trás, nesse sentido, exige mais do que nostalgia. Mais do que idealizar retrospectivamente um período, ou reduzi-lo a algo meramente acadêmico, importa identificar continuidades e rupturas, atribuir sentido aos caminhos e às escolhas construídas no cotidiano.

É desse ponto que escrevo: da conclusão de um ciclo profissional no Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), no âmbito de seu Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID). Um percurso atravessado por desafios, mas também por experiências que ampliaram minhas possibilidades de compreensão.

Ao narrar essa trajetória, procuro compreender permanências e metamorfoses da cidade: seus ritmos, suas reconfigurações, mas também desigualdades, vulnerabilidades e arranjos sociais que persistem e se reorganizam. Não se trata apenas de um marco biográfico, mas de compreender como a experiência urbana é continuamente redefinida.

Sou filho da periferia. Cresci em uma cidade marcada por mudanças aceleradas e vulnerabilidades persistentes. Durante muito tempo, essas experiências não eram mediadas por análises ou indicadores — impunham-se diretamente nos trajetos cotidianos, nos medos e expectativas distribuídos de forma desigual.

Quando iniciei minha atuação no NEV-USP, a cidade deixou de ser apenas experiência vivida e passou a exigir novas formas de interpretação. São Paulo atravessava um período de intensa instabilidade. Rebeliões penitenciárias e ataques coordenados por organizações criminosas não eram acontecimentos isolados, mas expressões de contradições sociais mais amplas. Expunham fragilidades institucionais e evidenciavam os limites dos modelos explicativos disponíveis. Desde então, tornou-se impossível ignorar um princípio: problemas complexos resistem às generalizações.

Nesse contexto, comecei a trabalhar com dados, sistemas de informação e análise espacial. Tornou-se evidente que os recortes territoriais tradicionais eram incapazes de compreender a cidade sem reduzi-la a padrões artificiais de homogeneidade. Áreas intraurbanas apresentavam dinâmicas sociais e criminais que escapavam aos limites político-administrativos. Sob o aparente ordenamento da gestão urbana, acumulavam-se fragmentações que os modelos vigentes já não conseguiam apreender. Era preciso repensar a própria forma de análise.

A identificação de padrões surge dessa reorientação. Não como solução definitiva, mas como tentativa de reorganizar a maneira de perceber a cidade. A integração das dimensões territoriais da criminalidade tornou visíveis configurações urbanas que os recortes existentes tendiam a obscurecer. A cidade deixa de aparecer como totalidade contínua e passa a revelar escalas, rupturas e conexões.

Esse movimento altera a própria forma de compreender a cidade. Transformar a percepção do espaço urbano modifica não apenas sua interpretação, mas também as possibilidades concretas de intervenção.

Ao longo desse processo, a tecnologia deixou de ocupar uma posição meramente instrumental. Passou a reorganizar as formas pelas quais instituições e relações sociais se estruturam. A ampliação das capacidades de processamento e integração de dados tornou possível descrever fenômenos complexos e orientar decisões com níveis inéditos de precisão. Ainda assim, maior capacidade analítica nem sempre resultou em melhores respostas.

Foi preciso qualificar a informação, reconhecer limites e evitar a adesão automática a ferramentas cada vez mais sofisticadas. Sem qualidade, contexto e mediação crítica, os dados frequentemente produziam mais ruído do que esclarecimento. Nessas condições, a tecnologia favorecia interpretações frágeis, discriminações indevidas e formas renovadas de distorcer a própria experiência urbana.

Houve avanços e retrocessos. A redução dos homicídios dolosos constitui, sem dúvida, um dado histórico relevante. A cidade de São Paulo deixou de figurar entre as capitais mais violentas do país, e isso significou a preservação da vida de milhares de pessoas. Ainda assim, reduzir a compreensão da violência urbana a esse indicador ofusca mais do que esclarece aquilo que efetivamente se transformou. As mudanças observadas resultam de processos sociais e institucionais de corte essencialmente territorial, resistentes a explicações simplificadoras e causalidades lineares.

A agenda se expandiu. A cidade passou a concentrar problemas que já não podem ser compreendidos a partir de perspectivas isoladas. Estudar a questão criminal passou a exigir a articulação entre dinâmicas micro-locais e estruturas macrossociais, evidenciando ainda mais os limites das interpretações generalizantes.

A cidade havia se tornado mais complexa e contraditória. Não apenas pela disseminação de tecnologias, mas pela incorporação desigual de formas de produção de conhecimento, frequentemente dissociadas da integração institucional e do uso sistemático de evidências. Ainda assim, permanecia distante de qualquer horizonte idealizado de metrópole global.

Nesse contexto, a transferência de conhecimento deixou de constituir uma etapa posterior da pesquisa. Passou a integrar o próprio processo de produção do conhecimento. Trabalhar com gestores, dialogar com instituições e disputar publicamente a interpretação dos problemas urbanos tornou-se parte essencial da atividade científica. Não se trata de complemento, mas de método. Sem essa mediação, a pesquisa perde relevância pública e enfraquece sua responsabilidade social.

Encerrar esse ciclo no NEV-USP, à frente da coordenação de Transferência de Tecnologia, permite reconhecer que a cidade reúne hoje condições mais consistentes para compreender e enfrentar a complexidade de nossos próprios conflitos.

Reconhecer essas condições, no entanto, exige cuidado com a própria ideia de avanço. Tomada em seu sentido mais corrente, ela frequentemente se reduz a uma renovada simplificação. Em um plano mais exigente, avançar significa enfrentar as estruturas que organizam a cidade: qualificar informações, tornar visíveis desigualdades e questionar os mecanismos sociais e institucionais que continuamente as reproduzem. É justamente nessa exigência — e não na busca por soluções imediatas — que se abrem possibilidades reais de transformação. Nesse horizonte, a metrópole permanece como um dos espaços mais desafiadores e reveladores para quem insiste em compreendê-la. E esse esforço jamais é individual.

ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz. In: Educação e emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

Ministério das Cidades destaca papel dos governos locais na implementação da agenda climática durante cúpula internacional

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Construção civil: Falta recursos para adaptação das cidades, diz Cbic
Foto: Rodinei Santo / Prefeitura de Pato Branco

Cooperação entre governos nacional, estaduais e municipais é fundamental para a implementação da agenda climática.

Esta é a avaliação do chefe da assessoria Internacional do Ministério das Cidades, embaixador Antônio da Costa e Silva durante participação da Semana de Ação Climática de Londres (London Climate Action Week 2026). O evento é a principal plataforma voltada à discussão da agenda climática entre as conferências do Cllima organizada pela ONU.

“A cooperação entre governos nacional, estados e municípios deve ser a principal estratégia para implementar as políticas climáticas e trazer resultados concretos para a comunidade internacional”, afirmou.

A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, atualizada em 2023, estabelece a redução de 53% da emissão dos gases do efeito estufa até 2030, tomando 2005 como ano-base, e o compromisso de neutralidade climática até 2050.

Para alcançá-la, o Brasil defende a ampliação do financiamento climático para acelerar medidas de adaptação, mitigação e desenvolvimento urbano sustentável e a participação ativa dos governos-subnacionais na tomada de decisão internacional.

O país é um dos 77 signatários da iniciativa CHAMP (Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição para a Ação Climática), anunciada na COP28, pela qual os países se comprometem a incluir as cidades nas metas climáticas e o apoiar a ação local.

REFERÊNCIA – A atuação brasileira se tornou referência em incluir as cidades no centro da agenda climática. No ano passado, o Ministério das Cidades presidiu a 4ª Reunião Ministerial sobre Urbanização e Mudança do Clima, na COP30, articulando mais de 60 países na construção de uma declaração internacional que reafirma a urbanização sustentável e a governança multinível como pilares para o cumprimento da agenda climática. O processo consolidou o entendimento de que cidades, estados e municípios são atores centrais na adaptação e na mitigação climática e reforçou a necessidade de ampliar o financiamento climático voltado à ação local.

Fonte: Ministério das Cidades

Do talento à infraestrutura: os desafios da soberania digital – Parte 2

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Do talento à infraestrutura: os desafios da soberania digital - Parte 2
Foto: Enviada por Fabiano Carvalho

O fortalecimento da indústria, da inovação e da formação em STEM é essencial para que o Brasil avance na construção de sua autonomia tecnológica.

No nosso último artigo, discutimos como a atual conjuntura internacional colocou o tema da soberania digital no centro do debate. Em um cenário marcado pelo aprofundamento das disputas geopolíticas, pela reorganização das cadeias de valor e pelo avanço da inteligência artificial, reforçamos a importância do investimento na formação de mão-de-obra nas disciplinas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) para o desenvolvimento nacional.

Agora em junho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou o documento Construindo o Brasil 2050 aos pré-candidatos à Presidência da República. Nele, incluiu entre as prioridades a consolidação de políticas industriais e de formação em STEM, reconhecendo que a competitividade nacional depende do fortalecimento de uma agenda positiva e de longo prazo. 

Políticas públicas voltadas à industrialização permitem ao país criar e proteger ativos que sustentam a economia, os serviços essenciais e a segurança. Em meio a uma pauta fragmentada, esse desafio tornou-se prioridade nacional. 

Nesse contexto, a expressão soberania digital revela a importância da tecnologia para a economia. Em sua essência, é a propriedade sobre recursos tecnológicos. Quanto maior a dependência de plataformas externas, menor é a liberdade de um país para proteger os interesses de sua população, incluindo a defesa de seu território.

O Índice de Soberania Digital (ISD), apresentado em maio de 2026 pelo BRICS+ Tech Forum, comprova essa questão. Desenvolvido por um consórcio de pesquisadores brasileiros e instituições parceiras, o estudo avaliou 86 países e procurou medir como uma nação transforma conhecimento, infraestrutura e governança em poder tecnológico. O estudo analisa categorias como produtividade, políticas digitais e pesquisa científica.

Os resultados apontam que os países que ocupam posições de liderança são aqueles que conseguem influenciar os rumos do desenvolvimento tecnológico. No atual momento, esse grupo é formado por um número reduzido de nações:

  • China: nas últimas décadas, o país transformou tecnologia em política de Estado e articulou investimentos de longo prazo com uma estratégia consistente de estímulo à industrialização. O resultado é visível na expansão da infraestrutura digital, na liderança em redes 5G e na consolidação de empresas capazes de competir globalmente. Com mais de 1 bilhão de usuários conectados e a maior rede 5G do mundo, a China demonstra como escala e planejamento podem se reforçar mutuamente.
  • França: a segunda colocada no ISD tem 68 milhões de habitantes e consolidou uma política consistente de segurança cibernética e autonomia tecnológica. A participação francesa em iniciativas como o Gaia-X, voltado à soberania de nuvem, mostram que a governança também se tornou um ativo da competitividade tecnológica.
  • Rússia: a terceira colocada avançou em áreas essenciais de defesa nacional. Nos últimos anos, o país investiu em plataformas digitais nacionais e infraestrutura crítica, reduzindo a dependência de fornecedores externos. A combinação entre governança tecnológica e capacidade de resposta a restrições internacionais contribuiu para sua posição no índice.
  • Estados Unidos: o quarto colocado segue como uma potência digital por concentrar grande parte das empresas que moldam a economia baseada em dados. Os maiores provedores de computação em nuvem e muitos dos líderes mundiais em semicondutores estão sediados no país. A combinação entre universidades e empresas criou um ecossistema tecnológico que continua influenciando a transformação digital em grande escala.

O Brasil aparece na 48ª posição, revelando deficiências, mas também acertos. O país possui ativos importantes, incluindo um mercado consumidor de cerca de 183 milhões de usuários de internet (equivalente a mais de 86% da população), universidades de excelência, um sistema financeiro altamente digitalizado e crescente capacidade de inovação. Entretanto, ainda depende significativamente de tecnologias estrangeiras nos segmentos que hoje concentram maior valor estratégico.

Ao mesmo tempo, o Brasil iniciou movimentos relevantes para fortalecer a soberania digital. Iniciativas como o Gov.br, a Estratégia de Governo Digital, a Nuvem de Governo e a Infraestrutura Nacional de Dados demonstram a importância do tema. O Gov.br ultrapassou a marca de 176 milhões de usuários, reunindo mais de 13 mil serviços públicos (cerca de 4.600 federais e 8 mil estaduais e municipais). Soma-se a isso a criação do Comitê Interministerial para a Transformação Digital (CITDigital), responsável por coordenar ações voltadas à modernização do Estado e à integração das políticas digitais nacionais.

O desafio, entretanto, está em conectar esses esforços a uma estratégia industrial mais ampla e de longo prazo. Fortalecer a formação em STEM continua sendo essencial, assim como ampliar a conectividade e a integração entre governos, universidades e setores produtivos. Em outras palavras, a soberania digital depende tanto de pessoas qualificadas quanto de indústrias e infraestruturas robustas.

Também é importante compreender que esse processo não se resolve em um único ciclo de governo. Trata-se de uma agenda de Estado, que exige continuidade institucional e capacidade de coordenação. Os países que hoje lideram o índice chegaram a essa posição por transformar a tecnologia em prioridade ao longo dos anos. O Brasil reúne condições para avançar nessa direção.

Em um mundo cada vez mais orientado por dados, a independência digital é um fator que a sociedade, como um todo, deve estar apta a escolher e decidir. Mais do que acompanhar as transformações em curso, o desafio brasileiro é tornar-se protagonista deste desenvolvimento.