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Inadimplência das empresas no Brasil bate recorde; veja série histórica

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Inadimplência das empresas no Brasil bate recorde; veja série histórica
Fonte: Freepik | Gerada por IA

Mais de 9,1 milhões de CNPJs registravam dívidas acumuladas de R$ 232,9 bilhões em junho de 2026

O número de empresas inadimplentes no Brasil bateu recorde da série histórica da Serasa Experian em junho de 2026.

Mais de 9,1 milhões de CNPJs registravam dívidas acumuladas de R$ 232,9 bilhões naquele mês.

O número é 16,67% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025 e recorde na série iniciada em 2016.

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a crescente inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas, pressionadas pela alta taxa de juros, que hoje está em 14%.

O fator ainda é limitante para a melhora consistente do mercado de crédito.

“Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirma.

No começo de agosto, o Banco Central voltou a cortar a taxa básica de juros do país. Contudo, a Selic segue em patamar elevado, encarecendo o crédito no país.

O atual ciclo de arrefecimento foi deflagrado em março deste ano, quando a Selic passou de 15% – patamar mantido desde junho de 2025 – para 14,75%.

Em meio a este cenário, no ano passado, houve recorde de registros de pedidos de recuperação judicial no país.

A pressão também recai sobre a maneira como os bancos lidam com o cenário.

Com o crédito mais caro, cresce o número de atrasos e calotes, obrigando os bancos a reforçarem as provisões para perdas com devedores duvidosos. Isso reduz a rentabilidade das instituições.

De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, o mercado tem sido cada vez mais seletivo na análise dos resultados do setor bancário.

“Os investidores e o mercado estão diferenciando os bancos que conseguem entregar bons resultados mesmo em um cenário de juros altos daqueles que enfrentam mais dificuldades para administrar esse aumento da inadimplência”, observa Marilia.

Segundo ela, a leitura dos investidores vai além dos números de um único trimestre e considera a capacidade de cada instituição de atravessar um período prolongado de crédito restritivo.

Fonte: CNN Brasil

Ministério das cidades apresenta publicação para mapeamento de riscos

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Ministério das cidades apresenta publicação para mapeamento de riscos
Foto: Divulgação

Reunião online reúne profissionais que atuam na gestão de riscos e desastres

Brasília (DF)  – O Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Periferias, promove reunião técnica para a apresentação do livro “Mapeamento de riscos: conceitos e métodos aplicados a processos geológicos e hidrológicos”.  O encontro, online, será realizado nesta terça-feira (18), às 10h30.

Publicado originalmente em 2007, o livro ganhou atualizações, incorporando avanços técnicos e metodológicos desenvolvidos ao longo das últimas décadas no campo da identificação, caracterização e mapeamento de riscos associados a processos geológicos e hidrológicos.

A apresentação da publicação é parte da estratégia do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco, em contribuir para a disseminação de conhecimentos e metodologias entre técnicos, pesquisadores, mapeadores e demais profissionais e instituições que atuam na área de gestão de riscos e desastres, fortalecendo as ações de prevenção, mitigação e redução de riscos no território nacional.

“Neste momento em que os impactos do El Niño se avizinham, esta publicação se apresenta como um potente instrumento para auxiliar na identificação dos riscos. Afinal, só conseguimos atuar de maneira preventiva quando conhecemos os riscos dos territórios. Caso contrário, acabamos lidando apenas com os desastres”, afirma Rodolfo Moura, diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco.

Veja o livro aqui.

Serviço:

Encontro online

Data: 18 de agosto de 2026

Horário:  10h30 às 12h00

Link de acesso: https://teams.microsoft.com/meet/271472441745289?p=mAu0uw1160L0Q5v5sA

Fonte: Ministério das Cidades

São Paulo recebe encontro nacional para discutir o futuro das estatais de infraestrutura

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São Paulo recebe encontro nacional para discutir o futuro das estatais de infraestrutura
Foto: Plataforma P3C/ Divulgação

Evento reunirá gestores públicos, dirigentes de estatais e investidores em novembro para debater governança, PPPs e concessões, em meio ao avanço das parcerias na infraestrutura social do país

São Paulo será palco, em 16 de novembro, do Encontro Nacional de Estatais de Projetos e Infraestrutura. O evento, organizado pela Necta por meio da plataforma P3C, reunirá gestores públicos, dirigentes de empresas estatais, investidores, financiadores, consultorias e escritórios de advocacia para debater os desafios e as oportunidades do setor no país. A programação acontece das 9h às 18h, na Rua Sumidouro, 580, em Pinheiros, e tem foco em governança, inovação, investimentos, parcerias público-privadas (PPPs) e concessões.

O encontro é voltado principalmente a dois públicos: lideranças de empresas estatais que atuam diretamente no setor de infraestrutura e decisores de estatais de investimento e desenvolvimento. A programação está organizada em mesas temáticas que passam por política remuneratória, governança de projetos, produtos e frentes de atuação, processos de contratação, além de segurança jurídica e o papel dos órgãos de controle. O acesso é restrito a convidados, mas quem tiver interesse pode se inscrever em lista de espera pelo site do evento.

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A iniciativa chega em um momento em que o país discute, com mais intensidade, o papel das parcerias entre o poder público e a iniciativa privada na construção de infraestrutura social, área que reúne educação, saúde e segurança pública. Levantamentos da Radar PPP, citados pela CNN Brasil, mostram que o ciclo 2023-2026 já soma seis contratos assinados nesse campo, contra apenas um no período anterior, entre 2019 e 2022, com expectativa de que o total ultrapasse 15 projetos. São Paulo lidera o número de assinaturas, seguido por Paraná e Minas Gerais.

Esse movimento reflete uma mudança de postura do poder público, que aos poucos deixa de concentrar esforços na execução direta de obras e serviços para assumir um papel de gestor de contratos de longo prazo. Na prática, isso significa que o Estado passa a fiscalizar resultados e indicadores de desempenho, enquanto empresas privadas ficam responsáveis por manter a infraestrutura em funcionamento, muitas vezes sob risco de multa quando o serviço falha.

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Na área da saúde, essa divisão de responsabilidades costuma ser explicada pela distinção entre o que é chamado de “bata branca”, relacionado ao atendimento clínico direto ao paciente, e “bata cinza”, ligado à manutenção, hotelaria hospitalar e infraestrutura. O Brasil já experimenta diferentes formatos: em modelos como o do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, a concessionária cuida apenas da estrutura; em cidades como Sorocaba e São José dos Campos, há contratos separados para infraestrutura e assistência médica; já no Hospital do Subúrbio, na Bahia, um único contrato reúne as duas frentes.

Na educação, a lógica é semelhante, mas com limites mais claros: os contratos costumam abranger construção, manutenção e apoio administrativo, preservando a atuação pedagógica com os professores da rede pública. Já na segurança pública, a legislação brasileira impede a delegação do poder de polícia, o que restringe a participação privada a funções como manutenção e ressocialização, mantendo a custódia sob responsabilidade do Estado.

Para especialistas do setor, o crescimento desses contratos exige também um novo perfil de servidor público, mais próximo da gestão financeira e jurídica de projetos complexos do que da execução direta de obras. É justamente esse tipo de debate, sobre como estruturar e fiscalizar parcerias que possam durar décadas, que deve orientar as discussões do encontro em novembro.

Com a ampliação dos investimentos em infraestrutura social, o desafio que se coloca para gestores públicos e privados não é apenas técnico, mas também de continuidade: garantir que os contratos firmados hoje sustentem, ao longo de décadas, serviços de qualidade para quem depende deles no dia a dia.

Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Do café à urna eletrônica: como uma cidade de 43 mil habitantes virou o Vale da Eletrônica do Brasil

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São José dos Campos recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC em 3 de dezembro
Foto: Divulgação

Em Santa Rita do Sapucaí, a escola veio antes da fábrica. O modelo que nasceu em 1959 hoje movimenta R$ 3,2 bilhões por ano e será tema de encontro da Plataforma CSC durante o HackTown 2026

Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, tem pouco mais de 43 mil habitantes e é hoje um dos principais polos tecnológicos do país. A cidade, conhecida como “Vale da Eletrônica”, concentra mais de 160 indústrias de base tecnológica, movimenta cerca de R$ 3,2 bilhões por ano e gera 17 mil empregos.

Em Santa Rita, a indústria veio depois da escola, não antes. Em 1959, Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira, fundou a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira Costa (ETE FMC), a primeira escola técnica de eletrônica da América Latina, numa cidade que até então vivia da agropecuária.

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Nos anos seguintes vieram o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em 1965, e a Faculdade de Administração e Informática (FAI), em 1971. Junto com unidades do SENAI, essas instituições sustentam até hoje a formação técnica da região. O empreendedorismo é estimulado desde o ensino básico, com feiras tecnológicas e programas de pré-incubação nas escolas.

Academia, indústria e governo trabalhando juntos

O polo funciona a partir da chamada “hélice tríplice”: escolas e universidades formam mão de obra e pesquisa; empresas, reunidas principalmente no Sindvel e na Associação Industrial (AISRS), transformam esse conhecimento em produto; e a prefeitura sustenta infraestrutura, incentivos fiscais e a incubadora municipal, criada em 1999 e eleita pela Anprotec, em 2003, a melhor incubadora de base tecnológica do país.

Em 2021, esse arranjo ganhou um novo formato com a criação do Parque Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí, que integra empresas, universidades e poder público diretamente à malha urbana da cidade, sem muros ou distritos isolados. O parque também tem sido usado para atrair parcerias internacionais, como as que vêm sendo discutidas com Dubai.

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Santa Rita produz 100% das urnas eletrônicas usadas nas eleições brasileiras e concentra empresas que respondem por mais de 70% do mercado nacional de eletrônicos de segurança. A cidade também sediou os primeiros testes do sinal 5G em Brasília e tem produção relevante em robótica, automação industrial e internet das coisas.

Ao lado da produção industrial, a cidade também virou point de eventos: o HackTown, inspirado no festival americano SXSW, ocupa praças, casarões e universidades com mais de mil atividades simultâneas, reúne executivos de grandes empresas e já projetou negócios acima de R$ 250 milhões.

O modelo também enfrenta limites. A distância dos grandes centros — 220 km de São Paulo, 380 km do Rio de Janeiro, 420 km de Belo Horizonte — encarece a logística de transporte de cargas. Reter profissionais de alta especialização é um desafio constante, e falta replicar clusters semelhantes em outras partes de Minas Gerais para reduzir as desigualdades regionais do estado.

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Mesmo assim, Santa Rita segue como referência de que dá para construir um polo tecnológico relevante fora das capitais, com uma combinação de educação, produção e gestão pública trabalhando na mesma direção.

Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC acontece dentro do HackTown

A Plataforma CSC realiza no dia 3 de setembro, das 13h30 às 18h, uma Reunião Estratégica Regional em Santa Rita do Sapucaí. O encontro será no Auditório Aureliano Chaves, no Inatel, um dos principais pontos da cidade durante o festival.

A reunião faz parte da programação do HackTown 2026 – Festival de Tecnologia, Inovação, Criatividade e Consciência e deve reunir gestores públicos, empresas e especialistas em cidades inteligentes para discutir, a partir da experiência de Santa Rita, caminhos para o desenvolvimento tecnológico de outros municípios brasileiros.

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Soft Skills e Cidades Inteligentes: O Desenvolvimento das Competências Socioemocionais na Gestão Pública Contemporânea

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As 4 regras de ouro do Japão para tornar suas cidades mais habitáveis
Foto: Giro 10

Como as competências socioemocionais podem fortalecer a gestão pública e contribuir para a construção de cidades inteligentes, inovadoras e mais conectadas às demandas da sociedade.

Por: Rosana Motta Gomes

As profundas transformações tecnológicas observadas nas últimas décadas têm alterado significativamente as relações de trabalho, os processos administrativos e a própria dinâmica das cidades. O avanço da inteligência artificial, da internet das coisas, da análise de dados e da transformação digital impõe novos desafios às organizações públicas e privadas. Entretanto, apesar da crescente automação de processos, as relações humanas continuam sendo elementos centrais para o desenvolvimento institucional e social.

Nesse contexto, emerge a relevância das soft skills, expressão utilizada para definir competências comportamentais e socioemocionais relacionadas à forma como os indivíduos interagem, comunicam-se, lideram equipes e solucionam problemas. Diferentemente das hard skills, associadas ao conhecimento técnico e operacional, as soft skills estão ligadas à inteligência emocional, à empatia, à criatividade e à capacidade de adaptação. 

No âmbito da administração pública, tais competências ganham ainda maior importância diante da necessidade de construir políticas públicas mais eficientes, transparentes e participativas. As cidades inteligentes demandam profissionais capazes de dialogar com múltiplos atores sociais, compreender diferentes realidades urbanas e atuar de maneira colaborativa em ambientes cada vez mais complexos. Assim, o desenvolvimento das habilidades socioemocionais torna-se um diferencial estratégico para gestores públicos, pesquisadores, planejadores urbanos e profissionais envolvidos na formulação e implementação de políticas públicas.

A Importância das Soft Skills na Gestão Pública

Durante muito tempo, o setor público priorizou predominantemente competências técnicas e burocráticas em seus modelos de gestão. Contudo, as novas exigências da sociedade contemporânea passaram a demandar profissionais mais preparados para lidar com cenários de incerteza, conflitos institucionais e processos colaborativos. A administração pública contemporânea exige capacidade de escuta, sensibilidade social e habilidade para construir consensos. Nesse sentido, as soft skills representam instrumentos fundamentais para melhorar a eficiência organizacional e fortalecer a relação entre Estado e sociedade. 

A valorização das competências socioemocionais ganhou maior projeção a partir dos estudos de Daniel Goleman (2012), que demonstraram a relevância da inteligência emocional para a liderança, a tomada de decisão e o desempenho profissional. Posteriormente, diversos estudos ampliaram essa abordagem para o contexto das organizações públicas e da gestão de equipes, evidenciando que habilidades como empatia, comunicação e cooperação exercem influência direta sobre a qualidade das políticas públicas.

Soft Skills e Cidades Inteligentes

As cidades inteligentes não se caracterizam apenas pelo uso intensivo de tecnologias digitais, mas pela capacidade de integrar inovação, governança e participação cidadã na solução dos desafios urbanos. Nesse contexto, as competências socioemocionais tornam-se elementos estratégicos para a gestão pública, pois complementam os recursos tecnológicos com habilidades humanas essenciais, como comunicação, liderança, empatia, criatividade e inteligência emocional. Questões relacionadas à mobilidade, sustentabilidade, inclusão digital, habitação e mudanças climáticas exigem articulação entre diferentes atores, mediação de interesses e construção coletiva de soluções, evidenciando que a transformação digital depende tanto da tecnologia quanto da capacidade das pessoas de promover cooperação, inovação e tomada de decisão.

A incorporação dessas competências à administração pública requer instrumentos que possibilitem seu desenvolvimento e acompanhamento de forma sistemática. Para isso, modelos analíticos baseados em evidências observáveis no ambiente institucional, relacionando competências socioemocionais a indicadores de desempenho organizacional, como qualidade da comunicação, clima organizacional, mediação de conflitos, integração entre órgãos, participação social, inovação e aprimoramento dos processos administrativos são fundamentais. A abordagem permite fortalecer a capacitação dos servidores e aperfeiçoar a governança pública, reconhecendo que a eficácia das políticas públicas resulta da combinação entre recursos tecnológicos, capacidade institucional e qualidade das relações humanas.

Desenvolvimento das Competências Socioemocionais na Administração Pública

A transformação digital da administração pública amplia as possibilidades de planejamento, gestão e prestação de serviços por meio de tecnologias como inteligência artificial, análise de dados e plataformas digitais. Contudo, sua efetividade depende da capacidade dos profissionais de implementar essas ferramentas em ambientes colaborativos, adaptáveis e orientados à inovação. Nesse contexto, competências socioemocionais como comunicação, liderança, empatia, inteligência emocional e trabalho em equipe tornam-se fundamentais para a articulação entre órgãos públicos, iniciativa privada, universidades e sociedade civil, especialmente em projetos de cidades inteligentes. Essa perspectiva encontra respaldo no Future of Jobs Report 2025, que identifica as competências mais relevantes para o futuro do trabalho. Entre elas, destacam-se o pensamento analítico, a resiliência e flexibilidade, a liderança e influência social, o pensamento criativo, a motivação e o autoconhecimento, a empatia, a escuta ativa e a aprendizagem contínua. Em conjunto, essas competências evidenciam que a transformação digital não depende exclusivamente da incorporação de novas tecnologias, mas também do fortalecimento das capacidades humanas necessárias para promover inovação, cooperação e respostas eficazes aos desafios contemporâneos da gestão pública.

Podemos observar na tabela abaixo as competências mais valorizadas para o futuro do trabalho segundo o Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial:

Competência Índice
Pensamento analítico 100
Resiliência e flexibilidade 96
Liderança e influência social 91
Pensamento criativo  89
Motivação e autoconhecimento 85
Empatia e escuta ativa 82
Curiosidade e aprendizagem contínua 80

O fortalecimento dessas competências exige processos permanentes de aprendizagem, educação corporativa e ambientes organizacionais que estimulem o diálogo, a cooperação e a inovação, integrando conhecimento técnico e habilidades humanas. Dessa forma, a modernização da gestão pública não resulta apenas da incorporação de novas tecnologias, mas também do desenvolvimento das pessoas responsáveis por conduzir os processos de transformação, tornando as organizações públicas mais eficientes, resilientes e preparadas para responder às demandas da sociedade.

Considerações Finais

A consolidação das cidades inteligentes depende de muito mais do que infraestrutura tecnológica ou sistemas digitais avançados. A inovação na gestão pública resulta da articulação entre recursos tecnológicos, capacidade institucional e qualificação das pessoas responsáveis pela formulação, implementação e avaliação das políticas públicas. Ao longo deste artigo, buscou-se demonstrar que as competências socioemocionais constituem elemento estratégico para a administração pública contemporânea. Comunicação eficaz, inteligência emocional, liderança colaborativa, empatia, escuta ativa e criatividade contribuem para fortalecer processos decisórios, ampliar a cooperação entre instituições e promover maior aproximação entre governo e sociedade.

Incentivar modelos analíticos capazes de orientar futuras pesquisas e iniciativas de gestão voltadas à identificação e ao desenvolvimento dessas competências, oferecendo um referencial que poderá ser adaptado às diferentes realidades institucionais poderá contribuir de forma significativa para elevar o nível de competências e evidências no desempenho institucional. Embora sua aplicação dependa de estudos empíricos específicos, a estrutura apresentada evidencia possibilidades concretas de integrar a dimensão humana aos mecanismos de avaliação da gestão pública.

Em um cenário marcado pela rápida evolução tecnológica, pela crescente complexidade das questões urbanas e pela ampliação das demandas sociais, investir no desenvolvimento das competências socioemocionais representa uma estratégia de fortalecimento da capacidade estatal. Nesse sentido, tecnologia e capital humano não devem ser compreendidos como elementos concorrentes, mas como componentes complementares de uma administração pública mais eficiente, inovadora, participativa e comprometida com a melhoria da qualidade da gestão pública.

Referências
BRASIL. Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Transformação do Estado para a Cidadania: Estratégia Federal de Governo Digital. Brasília: MGI, 2024.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

JANNUZZI, Paulo de Martino. Indicadores para diagnóstico, monitoramento e avaliação de programas sociais no Brasil. Campinas: Alínea, 2017.

OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. The OECD Public Governance Review. Paris: OECD Publishing, 2023.

ONU-HABITAT. World Cities Report 2022: Envisaging the Future of Cities. Nairobi: United Nations Human Settlements Programme, 2022.

SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016.

SENGE, Peter M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. Rio de Janeiro: BestSeller, 2018.

UNITED NATIONS. Transforming our World: the 2030 Agenda for Sustainable Development. New York: United Nations, 2015.

WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report 2025. Geneva: World Economic Forum, 2025. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2025/. Acesso em: 2 ago. 2026.

Os riscos do remédio para insônia mais consumido no Brasil

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Os riscos do remédio para insônia mais consumido no Brasil
Foto: Reprodução/TV Globo

Venda de zolpidem bateu recorde em 2020 e acendeu alerta das autoridades. Medicamento pode provocar várias reações adversas, principalmente, quando recomendações da bula são ignoradas.

Na manhã de 29 de junho de 2022, o médico Vitor Piva, de 34 anos, enfrentava dificuldades para dormir após voltar de um plantão em um hospital de São Paulo. “Tinha muito barulho, por causa da construção de uma linha de metrô”, conta.

Ele precisava descansar, porque trabalharia em mais um plantão naquela noite. Piva fez o que era rotina nos dias insones: tomou um comprimido de zolpidem. Ainda sem conseguir dormir, tomou mais um, depois outro, outro… e apagou. “Até onde me lembro, tomei quatro”, conta à DW.

O médico só acordou dias depois, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, em São Paulo. A sobrevivência dele foi considerada um milagre. Na cama do hospital, após diversas cirurgias, amputação da perna direita e sem conseguir enxergar, Piva descobriu o que havia acontecido: ele caiu da sacada do sétimo andar do apartamento em que morava.

A Polícia Civil de São Paulo investigou o caso, que a princípio foi tratado como suspeita de tentativa de suicídio. “Eu sabia que não tinha tentado me matar, mas não sabia o que tinha acontecido”, conta o médico. “Era uma sacada pequena e baixa, mas não sei exatamente como caí”, completa.

Três meses depois da queda, as autoridades policiais arquivaram o caso. Elas concluíram que não havia sido tentativa de suicídio, muito menos crime. No relatório final da polícia, a queda de Piva foi relacionada ao uso de zolpidem, medicamento que, como o inquérito policial cita, tem “efeitos colaterais como: alucinações e parassonias (sonambulismo).”

Popularizado na década de 1990

A família de Piva acredita que ele teve um episódio de sonambulismo, se desequilibrou perto da televisão da sala, que era próxima à sacada, e despencou. O caso dele ilustra um problema de saúde pública no país: o uso inadvertido do zolpidem, medicamento mais popular para insônia no Brasil.

Lançado no fim dos anos 1980 para quem tem dificuldades para dormir ou manter o sono, o zolpidem faz parte de drogas sedativas e hipnóticas para tratamento de insônia a curto prazo. A recomendação de uso é de, no máximo, quatro semanas. O remédio chegou ao Brasil em meados dos anos 1990, mas foi popularizado a partir de 2007, quando a patente expirou e foram lançadas versões genéricas.

Um estudo recente do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), publicado na revista Sleep Science, mostrou que a insônia, que atinge até um em cada três brasileiros, costuma ser tratada na maioria das vezes com remédios (60% dos entrevistados), seja por prescrição médica ou automedicação.

Segundo esse estudo, intitulado Uso de medicamentos para dormir e fatores associados entre adultos com sintomas de insônia, os remédios mais consumidos são os hipnóticos (44% dos participantes), classe que tem o zolpidem como o principal medicamento.

“O zolpidem é eficaz e tem lugar no tratamento da insônia quando há indicação correta, dose adequada, orientação e acompanhamento. O problema foi a progressiva banalização de seu uso, muitas vezes como se fosse um simples indutor do sono de baixo risco, sendo prescrito de forma não cuidadosa”, explica o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, do Programa de Transtornos do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (IPq-FMUSP).

Um problema de saúde pública

Em 2020, início da pandemia de covid-19, a comercialização do zolpidem explodiu no país. Naquele ano foram vendidas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 23,3 milhões de caixas. Foi a primeira vez que ultrapassou a marca de 20 milhões de caixas comercializadas.

Os profissionais da saúde acenderam um alerta e chegaram a classificar a situação como uma epidemia de zolpidem.

O medicamento pode provocar várias reações adversas, como dependência química, crises de abstinência, amnésia, sonambulismo e delírios. Esses efeitos são atípicos quando consumido no prazo e dosagem indicada. Mas especialistas dizem que se tornaram corriqueiros porque muitos pacientes fazem consumo inadequado.

Esses riscos aumentam quando o remédio é associado a álcool ou depressores do sistema nervoso central, que são medicações que podem causar sonolência ou lentidão. Por ser um remédio de curta duração, a tolerância ao zolpidem aumenta com facilidade. Isso faz com que muitos pacientes tomem cada vez mais comprimidos.

Quanto mais doses, mais riscos de efeitos adversos. “É muito comum um paciente que toma cinco, seis ou até oito vezes a dose máxima recomendada, que é um comprimido de 10 mg por dia”, diz o psiquiatra Sérgio Tamai, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

“Um dos principais efeitos adversos é a amnésia lacunar. A pessoa tem um ‘branco’ e não sabe o que fez durante um determinado período. Por exemplo, um paciente já ficou com o carro amassado e mal estacionado, pensou que alguém tinha pegado o veículo. Depois descobriu que havia sido ele mesmo”, completa Tamai.

As restrições da Anvisa

Diante do cenário de alto consumo do remédio, a Anvisa adotou medidas para restringir a venda do zolpidem no país. Desde agosto de 2024, o medicamento entrou na lista daqueles popularmente conhecidos como “tarja preta”.

Assim, a comercialização, que antes era liberada com a receita branca de controle especial, passou a ser feita somente por meio de receita azul, um documento da Anvisa para medicamentos que podem causar dependência. Desde então, ele só pode ser prescrito presencialmente.

Depois dessa medida, os números oficiais de comercialização caíram. No ano passado, as vendas reduziram para quase 13,5 milhões de caixas. Os dados, porém, escondem um problema que já existia antes dessa mudança: o mercado ilegal de venda desses medicamentos sem prescrição médica.

A Anvisa tenta combater esse problema por meio de apurações sobre as origens desse comércio irregular.

“No Brasil, esse mercado paralelo é muito grande, diferente de outros países. Então, aqueles que são dependentes dessa medicação, muitas vezes usam receitas falsificadas ou buscam farmácias irregulares. Por causa desse mercado paralelo, não dá para dizer que o problema de abuso do medicamento está resolvido”, explica a médica Sandra Doria Xavier, do Instituto do Sono de São Paulo.

Novas diretrizes

No ano passado, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) publicou uma nova diretriz clínica nacional na qual classificou o uso inadvertido do zolpidem como problema de saúde pública no Brasil. O documento cita os eventos adversos e o uso inadvertido por pacientes que se tornaram dependentes do remédio.

Nessa diretriz, assinada por especialistas de diferentes universidades brasileiras, o tratamento indicado para a insônia é a terapia cognitivo-comportamental, como a higiene do sono e a regulação de horários para dormir. Segundo os especialistas, essas medidas são importantes porque tratam as causas do problema.

No caso do consumo do zolpidem, a orientação é que o paciente saiba que o tratamento é temporário. Além disso, a retirada ou troca do remédio deve ser acompanhada por um médico, porque pode levar a crises graves.

“O zolpidem não é uma medicação que deve ser abominada, quando bem indicado e no prazo correto é um ótimo remédio”, afirma o neurologista Alan Eckeli, professor da USP de Ribeirão Preto e um dos responsáveis pela diretriz.

Eckeli afirma que o problema com o uso indevido é quase exclusivo do Brasil. “Talvez haja algo em outro país, mas nada como aqui. Um dos motivos disso é que a comunidade médica daqui recebe, muitas vezes, um treinamento muito aquém do ideal quando se fala de queixas do sono”, afirma o neurologista.

Os especialistas apontam que é fundamental que haja orientações mais detalhadas aos médicos brasileiros sobre o tratamento de insônia, além dos cuidados adequados quando recorrerem aos hipnóticos.

Pacientes mais atentos

Os pacientes ficaram mais conscientes sobre os riscos do zolpidem após a medida da Anvisa, avalia Eckeli. “Não foi uma mudança total, porque ainda é um problema importante e complexo. Mas serviu como orientação. Hoje, os pacientes que procuram os serviços especializados já têm receio dessa classe de medicamentos. A maioria quer parar de usar”, completa.

No caso do médico Vitor Piva, as consequências do uso inadvertido do remédio são sentidas diariamente, por causa das limitações causadas pela queda do sétimo andar. Ele não recuperou a visão, passou por cerca de 20 cirurgias e faz acompanhamento para reaprender a falar, pois teve inúmeras fraturas no rosto.

Para as atividades diárias, Piva precisa do apoio dos pais e do irmão. Recentemente, começou a trabalhar na área de assistência particular para perícias médicas. “Ainda tenho esperança de que vai existir, mais pra frente, algum tratamento que vai me ajudar a voltar a enxergar”, diz.

Piva admite que sabia dos riscos do zolpidem, mas ainda assim prescrevia os medicamentos para si. “É aquilo, dizem que os médicos são os piores pacientes. Eu acredito que é um pouco de culpa minha, por ter feito o uso errado da medicação.”

Piva nunca mais tomou o zolpidem e hoje alerta sobre os riscos do remédio. “Quando algum amigo diz que está tomando, já aconselho a parar”, diz.

Fonte: G1 | Vinícius Lemos

 

IGP-10 Cai 0,51% em agosto pressionado por queda nos preços da energia, diz FGV

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Com concessão em risco, Enel SP reduz em 60% tempo de resposta emergencial
Foto: REUTERS/Manon Cruz

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou queda de 0,51% em agosto, depois de ​recuar 1,13% no mês anterior, frustrando a ​expectativa de leve alta em meio à queda nos preços da energia.

SÃO PAULO, 17 Ago (Reuters)

Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses alta ​de 2,00%, de ⁠acordo com ​os dados divulgados nesta segunda-feira pela Fundação Getulio ⁠Vargas (FGV).

A expectativa em pesquisa da ​Reuters para a leitura mensal era de variação positiva de 0,09%.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), ‌que mede a variação dos preços ‌no atacado ​e responde por 60% do índice geral, caiu 0,69% em agosto, depois de recuar 1,76% no mês anterior.

“No IPA, ‌o principal impacto veio do grupo de derivados de petróleo e biocombustíveis, que registrou recuo de 10%. Também merece destaque a variação dos produtos químicos, com queda de 1,48%”, disse Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que responde por 30% do índice geral, registrou deflação de ‌0,47% no mês, ante alta de 0,23% em julho.

“Já nos preços ao consumidor, a principal contribuição para a ​desaceleração (partiu) de um mecanismo pontual: a aplicação do Bônus de Itaipu. O benefício, concedido ‌às residências com consumo de até 350kWh, contribuiu de forma significativa para a queda de 8% da energia elétrica ‌residencial no IPC”, completou Dias.

O ‌bônus de Itaipu é um valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e ⁠rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as faturas de energia ​elétrica em agosto ​no Brasil deverão contar com um alívio no valor de R$767,2 milhões relacionado ao bônu.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), por sua vez subiu 0,65% em agosto, repetindo a mesma taxa de julho.

O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os ⁠dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

Fonte: UOL | Por ​Camila Moreira; Edição de Eduardo Simões

SUS amplia atendimento para quem enfrenta problemas com bets e passa a oferecer até 100 mil consultas por mês

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Serviço gratuito é realizado por videochamada pelo Meu SUS Digital e também atende familiares; pacientes podem receber inicialmente até dez consultas com psicólogo

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o atendimento destinado a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. A capacidade do serviço passou de cerca de 600 teleconsultas mensais para até 100 mil atendimentos por mês.

As consultas são gratuitas e realizadas por videochamada. O acesso começa pelo aplicativo Meu SUS Digital, permitindo que o usuário busque acompanhamento de saúde mental sem precisar sair de casa. Familiares de pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas às bets também podem utilizar o serviço.

A iniciativa começou em março por meio de uma parceria entre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) e o Hospital Sírio-Libanês. Segundo o Ministério da Saúde, a procura superou as expectativas e levou à ampliação da capacidade.

A estratégia tenta enfrentar também uma das barreiras para que pessoas com problemas relacionados às apostas procurem tratamento: o constrangimento em falar sobre a situação.

“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o anúncio da expansão.

Como pedir atendimento pelo SUS?

O primeiro passo é ter o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular e entrar com uma conta Gov.br. Na página inicial, o usuário deve acessar a área “Miniapps”. Em seguida, precisa selecionar a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”.

Antes de chegar à consulta, a pessoa responde a um autoteste. A ferramenta ajuda a identificar possíveis sinais de comportamento de risco relacionados aos jogos e apostas.

Depois dessa etapa, o aplicativo direciona o usuário para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

É necessário aceitar os termos de uso, preencher um formulário e informar para quem será solicitado o atendimento. A consulta pode ser destinada tanto à própria pessoa que aposta quanto a um familiar.

Ao finalizar o cadastro, o sistema gera um protocolo para acompanhamento da solicitação. Quando o atendimento é agendado, o paciente recebe as orientações necessárias e um link para acessar a videochamada.

Consulta dura aproximadamente 50 minutos

O acompanhamento ocorre remotamente e cada consulta dura cerca de 50 minutos. A recomendação inicial é que as sessões sejam realizadas uma vez por semana. A frequência, entretanto, pode mudar conforme a avaliação do profissional responsável pelo acompanhamento.

Em um primeiro momento, o paciente poderá realizar até dez consultas com um psicólogo. Depois desse período, o caso passa por nova avaliação.

Dependendo das necessidades identificadas, o paciente poderá receber alta, continuar sendo acompanhado por teleconsulta ou ser encaminhado para atendimento presencial na rede pública.

Entre as possibilidades estão os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

A iniciativa não se limita às pessoas que apostam. Familiares também podem solicitar atendimento para receber orientações sobre como enfrentar a situação e lidar com os impactos provocados pelo comportamento relacionado aos jogos.

A equipe envolvida no serviço conta com psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados para acolher os usuários.

Caso seja identificada a necessidade de um acompanhamento diferente ou mais intensivo, o paciente poderá ser direcionado aos serviços presenciais disponíveis pelo SUS.

Quando apostar deixa de ser apenas diversão?

Nem toda pessoa que realiza uma aposta desenvolve um transtorno relacionado ao jogo. Alguns comportamentos, entretanto, podem indicar que a relação com as bets está provocando prejuízos.

Entre os sinais que merecem atenção estão a dificuldade para controlar a frequência ou o dinheiro gasto, tentativas repetidas e frustradas de parar, comprometimento das finanças e impactos sobre relações familiares, trabalho ou estudos.

Outro comportamento preocupante ocorre quando a pessoa continua apostando na tentativa de recuperar valores que já perdeu, entrando em um ciclo de prejuízos sucessivos.

É justamente nesse contexto que a avaliação profissional pode ajudar a identificar a dimensão do problema e estabelecer a estratégia de acompanhamento mais adequada.

É possível bloquear o próprio CPF nas bets

Além do atendimento em saúde mental, o governo federal mantém uma ferramenta voltada a quem deseja impedir o próprio acesso às plataformas de apostas autorizadas no Brasil.

Por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, o usuário pode solicitar voluntariamente o bloqueio do CPF nas casas de apostas regulamentadas.

A medida funciona como uma barreira adicional para pessoas que decidiram parar de apostar ou identificaram dificuldade para controlar o comportamento.

Segundo dados divulgados pelo governo, mais de 1 milhão de pessoas já utilizaram a ferramenta.

Entre os usuários, 35% apontaram a perda de controle sobre o jogo como motivo para solicitar a autoexclusão. Outros 15,26% afirmaram simplesmente ter decidido parar de apostar, enquanto 11,82% mencionaram dificuldades financeiras. Em 1,32% dos casos, a decisão ocorreu após recomendação de um profissional de saúde.

Copa do Mundo aumentou procura por bloqueio

O volume de pedidos de autoexclusão também apresentou crescimento durante a Copa do Mundo.

Entre 11 de junho e 19 de julho, 387.645 pessoas solicitaram o bloqueio do CPF nas plataformas.

O número corresponde a aproximadamente 38% de todas as solicitações registradas pela ferramenta, segundo os dados divulgados pelo governo.

A combinação entre a popularização das plataformas digitais, a facilidade para realizar apostas pelo celular e a intensa publicidade em torno dos jogos esportivos ampliou a preocupação das autoridades com os possíveis impactos sobre a saúde mental e financeira da população.

Atendimento pode começar dentro de casa

Com a expansão anunciada pelo Ministério da Saúde, o SUS aposta justamente na facilidade do acesso remoto para alcançar quem ainda não procurou uma unidade presencial.

A capacidade de até 100 mil teleatendimentos mensais representa um salto expressivo em relação às aproximadamente 600 consultas que podiam ser realizadas anteriormente.

Quem identificar que as apostas deixaram de ser apenas entretenimento pode iniciar o processo pelo próprio celular. Após o autoteste e o cadastro, o usuário poderá receber acompanhamento profissional e, quando necessário, ser encaminhado para continuidade do tratamento presencial na rede pública.

Fonte: Diário do Litoral

Reforma Tributária coloca tecnologia no centro da transição

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Reforma Tributária coloca tecnologia no centro da transição
Foto: EVOUTAX / DINO

A adaptação dos documentos fiscais e o adiamento das regras de validação mostram que a Reforma Tributária exige mais do que novos campos nas notas.

Sistemas, dados, parametrizações e processos precisam ser preparados para o novo modelo, desafio que a EVOUTAX, consultoria especializada em inovação empresarial e tributária, enfrenta com o desenvolvimento de tecnologias para apoiar empresas na aplicação concreta das novas exigências.

A adaptação das empresas à Reforma Tributária já alcança uma parcela significativa na frente documental. Segundo a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS), 88% dos documentos fiscais emitidos pelos contribuintes sujeitos à obrigatoriedade haviam sido transmitidos com informações de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços). O progresso, porém, ocorre em meio a ajustes no cronograma, com o adiamento das regras de validação desses novos campos para evitar entraves operacionais que pudessem afetar a emissão de documentos fiscais, o faturamento das empresas e a continuidade das atividades.

Esse cenário mostra que a implantação vai além de aspectos documentais, demandando que as novas exigências sejam traduzidas para informações que alimentam sistemas e processos empresariais. Para que as informações tenham consistência operacional, elas precisam estar sustentadas por cadastros estruturados, integradas aos sistemas de gestão (ERPs) e refletidas em regras capazes de orientar corretamente cada operação. Por isso, o enquadramento nas mudanças estabelecidas envolve não apenas a área fiscal, mas também tecnologia, financeiro, faturamento, compras, comercial e operações.

Da legislação à operação: o desafio dos dados

A adequação ao novo modelo tributário implica lidar com grandes volumes de dados, cadastros, classificações fiscais e registros nos ERPs, que precisam estar consistentes para sustentar as etapas seguintes. A experiência em projetos de consultoria para implantação da Reforma Tributária mostra que essa é uma das primeiras barreiras encontradas pelas empresas, segundo Natiene Bello, CEO da EVOUTAX. “Nos projetos, constatamos que não basta calcular os impactos do novo modelo. Antes, é preciso garantir que os dados utilizados estejam corretos e estruturados.”

Ainda de acordo com a executiva, situações como cadastros duplicados, códigos internos repetidos, NCMs incorretos ou inexistentes, classificações genéricas e divergências entre documentos fiscais e registros dos ERPs levaram à necessidade de colocar o saneamento dos dados no centro da metodologia adotada.

O desafio ganha dimensão porque uma inconsistência na origem pode se propagar por diferentes etapas da operação. Uma classificação incorreta, por exemplo, compromete a análise da tributação de uma aquisição e a apuração de créditos de IBS e CBS. Da mesma forma, a ausência de histórico de XMLs dificulta a conferência de informações e o cruzamento entre documentos fiscais e registros internos.

Tecnologia ganha protagonismo na adaptação à Reforma Tributária

É nesse contexto que a tecnologia se consolida como uma frente estratégica da implantação da Reforma Tributária. A EVOUTAX desenvolveu e vem aprimorando tecnologias próprias, em conjunto com a Oracle, para diferentes etapas desse processo, incluindo higienização e saneamento de cadastros, captura e leitura automatizada de XMLs, cruzamento de documentos fiscais com informações dos ERPs, classificação e parametrização das novas regras, análise de créditos, revisão de itens de uso e consumo e identificação automatizada do regime tributário de empresas envolvidas nas operações. As soluções são aplicadas de acordo com as características de cada negócio, seus sistemas e seu segmento.

“A tecnologia precisa considerar a realidade e as particularidades da empresa. Cada projeto traz situações específicas e esse aprendizado orienta o aprimoramento contínuo das ferramentas e da metodologia para a Reforma Tributária”, afirma Natiene Bello. “Na EVOUTAX, essa vivência acumulada se transforma em tecnologia. Construímos um ecossistema que evolui a partir dos desafios encontrados e amplia nossa capacidade de analisar, tratar e qualificar grandes volumes de informações com precisão”, complementa.

Consultoria tributária conecta orientação e prática

A complexidade da implantação também estreita a relação entre consultoria e clientes. A atuação deixa de se limitar à interpretação da legislação ou à entrega de uma parametrização e abrange também o acompanhamento da execução, validação dos ajustes e interação entre as diversas áreas influenciadas.

“A metodologia de implantação da EVOUTAX nos coloca dentro da rotina da empresa. Precisamos estar próximos das equipes, entender como os processos funcionam e construir os ajustes junto com quem vai utilizar esses sistemas no dia a dia”, conclui Natiene Bello. As atividades contemplam testes, avaliação dos resultados, ajustes de processos e treinamentos, combinando conhecimento tributário, tecnologia e operação.

A evolução da Reforma Tributária, portanto, desloca parte relevante da discussão para dentro da infraestrutura que sustenta as operações empresariais. A adequação dos documentos fiscais representa um movimento importante, mas a implantação depende de que informações, sistemas, regras e processos funcionem de maneira integrada e segura. Para as empresas, o avanço da transição significa traduzir a legislação em operações capazes de processar corretamente as novas exigências.

Fonte: Terra

Polícia desarticula esquema de anabolizantes falsificados com ramificações no Brasil e Paraguai

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Polícia desarticula esquema de anabolizantes falsificados com ramificações no Brasil e Paraguai
Foto: Reprodução/TV Globo

Investigação identificou laboratórios clandestinos, venda de produtos adulterados pela internet e bloqueio de R$ 32 milhões em bens de suspeitos.

A polícia do Paraguai prendeu, em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraya. Segundo as investigações, ele é apontado como um dos principais responsáveis por um esquema de produção e venda de anabolizantes falsificados que abastecia diferentes regiões do Brasil.

A operação identificou laboratórios clandestinos em Brasília, João Pessoa e São Paulo e aponta que os produtos eram vendidos pela internet, em lojas de suplementos e em clínicas de estética.

A matéria-prima entrava clandestinamente no país pela fronteira com o Paraguai, enquanto a divulgação nas redes sociais ajudava a ampliar as vendas.