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Ministro das Cidades participa do lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, no Rio de Janeiro

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Ministro das Cidades participa do lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação/ Ministério das Cidades

Evento no BNDES apresentará estudo desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades para orientar investimentos em transporte público nas principais regiões metropolitanas do país

ministro das Cidades, Vladimir Lima, participa, na quarta-feira (1º), no Rio de Janeiro (RJ), da solenidade de lançamento do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU). O evento será realizado no BNDES e marca a entrega oficial do estudo, desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades e outras instituições.

O ENMU foi elaborado entre 2024 e 2026 com o objetivo de construir uma visão nacional sobre os desafios da mobilidade urbana no Brasil, com foco na qualificação e expansão do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país.

O estudo estruturou uma carteira de projetos de transporte público coletivo, avaliados com base em projeções populacionais e de demanda para um horizonte de 30 anos. A iniciativa também reúne boas práticas e insumos para a construção de uma Estratégia Nacional de Mobilidade Urbana.

A programação prevê, além da abertura com participação do ministro, apresentação dos resultados e propostas do estudo, debate sobre os próximos passos e discussão sobre o primeiro ciclo de projetos. O secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Marcos Daniel Souza dos Santos, também participa da programação como moderador de um dos blocos do evento.

Fonte: Ministério das Cidades

Goiânia recebe plano para reduzir custos e modernizar serviços públicos com projeto de cidade inteligente

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CIDADE DO FUTURO OU CIDADE À PROVA DE FUTURO?
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Goiânia

O prefeito apontou para a necessidade de tornar Goiânia mais conectada e preparada para o futuro. “Goiânia precisa se tornar uma cidade cada vez mais inteligente e conectada

Uma rede de internet até 15 vezes mais rápida, serviços públicos digitalizados e redução de custos operacionais estão entre as propostas apresentadas para acelerar a transformação digital de Goiânia. O conjunto de projetos integra o relatório final do Programa Cidades Inteligentes, entregue nesta segunda-feira, 29, pelo Sebrae Goiás à gestão municipal. O documento reúne iniciativas voltadas à modernização da infraestrutura tecnológica da capital e à ampliação do acesso da população aos serviços públicos digitais.

O estudo foi desenvolvido em parceria com cinco municípios goianos: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Rio Verde, São Luís de Montes Belos e Silvânia. A entrega do relatório começou pela capital e servirá de base para a implementação de novas soluções tecnológicas na administração municipal.

Conectividade deve acelerar atendimento ao cidadão

O gestor do Programa Cidades Inteligentes e analista do Sebrae Goiás, Allan Máximo de Holanda, afirmou que o principal objetivo do trabalho foi estruturar um modelo de governança capaz de tornar a gestão pública mais eficiente, utilizando a tecnologia para melhorar os serviços prestados ao cidadão.

“Nós fizemos todo um trabalho metodológico da governança, organizando a discussão de uma gestão municipal mais eficiente. Através do Programa Cidades Inteligentes analisamos projetos que podem impactar decisivamente a vida do cidadão. O diagnóstico mostrou que a conectividade na gestão pública avançou de maneira efetiva e isso terá reflexos diretos no atendimento à população”, afirmou.

Segundo Allan, um dos principais avanços é a ampliação da capacidade de conectividade da administração municipal, que passa a ser até 15 vezes maior com a implantação da nova rede de fibra óptica.

“Antes a conectividade era praticamente inexistente. Agora o avanço é de 15 vezes, permitindo serviços prestados de forma muito mais eficiente. Cadastros realizados antes de consultas médicas, registros escolares e diversos outros serviços terão maior agilidade com essa nova estrutura”, explicou.

Projeto está em execução e deve ser concluído no aniversário de Goiânia

O secretário municipal de Inovação e Transformação Digital, Fábio Christino, destacou que a parceria com o Sebrae vai além do apoio financeiro e inclui planejamento técnico e acompanhamento dos projetos de inovação desenvolvidos pela prefeitura.

“O Sebrae contribui não apenas com recursos de investimento, mas também com conhecimento e experiência na condução de processos e projetos. Essa ação da GigaLan é apenas um dos projetos realizados em conjunto e ainda há muito a ser feito”, afirmou.

Segundo o secretário, a implantação da nova infraestrutura já está em andamento e a expectativa é concluir os trabalhos até o aniversário de Goiânia.

“O projeto revoluciona a experiência do servidor no atendimento ao cidadão. Antes tínhamos uma média de 20 megabits para fornecer conectividade. Hoje conseguimos ampliar essa capacidade em 15 vezes utilizando tecnologia de fibra óptica”, disse.

Meta é reduzir burocracia e ampliar serviços digitais

A vice-prefeita de Goiânia, coronel Cláudia Lira (Avante), afirmou que o relatório também orienta outras ações de modernização da administração pública, como a renovação do parque tecnológico das áreas de saúde e educação.

“Junto com a conectividade, estamos ampliando o parque tecnológico do município, com a entrega de computadores novos para unidades escolares e de saúde”, afirmou.

Ela também ressaltou que o objetivo é substituir processos presenciais por serviços digitais, reduzindo custos e facilitando o acesso da população.

“O Sebrae deixou de ser apenas um parceiro e se tornou um irmão no processo de gestão da cidade. O objetivo é reduzir custos e aumentar a efetividade, substituindo processos manuais por digitais. O usuário poderá acessar os serviços públicos de onde estiver, sem precisar se deslocar até uma unidade física, tendo tudo na palma da mão”, explicou.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), afirmou que a transformação digital faz parte da estratégia da administração municipal para tornar a capital mais eficiente e preparada para os próximos anos.

“Com essa parceria, buscamos modernizar os serviços públicos e acelerar a transformação digital da gestão.”

Segundo o prefeito, o objetivo é consolidar Goiânia como uma cidade cada vez mais conectada.

“Goiânia precisa se tornar uma cidade cada vez mais inteligente e conectada. Ficamos felizes em trabalhar com parceiros para conectar toda a cidade e avançar nesse processo de modernização”, concluiu.

Fonte: Jornal Opção

Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico que dura 30 anos

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Adversário do Brasil, Japão tem um desafio fora de campo: um enigma econômico que dura 30 anos
Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Adversário do Brasil reúne liderança em inovação, baixo desemprego e indústria sofisticada, mas convive há décadas com a ‘Japanificação’: crescimento lento, envelhecimento da população e uma das maiores dívidas públicas do mundo.

Após derrotar a Escócia na fase de grupos, a seleção brasileira terá pela frente, nesta segunda-feira (29), um adversário que desperta interesse não apenas dentro de campo. O Japão chega à segunda fase da Copa do Mundo de 2026 levando consigo um dos casos mais estudados da economia mundial.

Quarta maior economia do planeta, o país permanece entre os líderes globais em inovação e na produção de bens de alta tecnologia. Ao mesmo tempo, convive há décadas com crescimento econômico modesto e desafios estruturais que limitam uma expansão mais acelerada.

Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do Peterson Institute for International Economics (PIIE), explica que esse cenário começou a tomar forma após o estouro das bolhas imobiliária e do mercado de ações, entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990.

A partir dali, o Japão entrou em um longo período de baixo crescimento e inflação muito baixa — em alguns momentos, até de queda generalizada dos preços, fenômeno conhecido como deflação.

Ao mesmo tempo, a baixa taxa de natalidade, a redução da população em idade ativa e o envelhecimento acelerado passaram a pressionar o mercado de trabalho e as contas públicas.

📉 Esse conjunto de fatores ficou conhecido entre economistas como “Japanificação”, termo usado para descrever economias que convivem por longos períodos com crescimento fraco, inflação persistentemente baixa e dificuldade para recuperar o dinamismo.

Mais de três décadas depois, porém, parte desse quadro começou a mudar. A inflação voltou a se aproximar da meta do Banco do Japão (BoJ), permitindo que a autoridade monetária abandonasse a política de juros negativos. Hoje, a taxa básica está em 1% ao ano.

“Pela primeira vez, desde que o envelhecimento populacional se acelerou no início dos anos 1990, o Japão pode ter um caminho plausível para desenvolver pressões sustentadas de salários e preços impulsionadas internamente”, afirma Kirkegaard.

Quebra-cabeça econômico

A melhora recente, no entanto, não eliminou as características que fazem da economia japonesa um caso singular.

O país mantém uma das menores taxas de desemprego do mundo — tendo alcançado 2,5% em abril —, e tem um PIB per capita estimado em cerca de US$ 35,7 mil pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também continua entre as economias mais inovadoras do planeta: de acordo com o Global Innovation Index 2025, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), ocupa a 12ª posição no ranking e lidera indicadores ligados à sofisticação industrial e à cooperação entre universidades e empresas.

Em 2023, destinou 3,44% do Produto Interno Bruto (PIB) — cerca de US$ 145 bilhões — à pesquisa e desenvolvimento. Ainda assim, sua economia cresce, em média, apenas 1% ao ano há cerca de três décadas.

É essa combinação que pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Internacional, da Universidade Harvard, definem como um “quebra-cabeça econômico”.

Apesar do crescimento modesto, o Japão lidera o Índice de Complexidade Econômica desde 1981, reflexo da capacidade de produzir bens de alto valor agregado.

“A história econômica do Japão não é apenas sobre estagnação. É também a história de uma economia que redirecionou seu conhecimento produtivo para além de suas fronteiras”, resumem os pesquisadores.

Demografia e o freio do crescimento

No entanto, parte desse “quebra-cabeça” passa pela transformação demográfica do país.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que, em 2026, quase 30% dos japoneses têm mais de 65 anos, enquanto a taxa de fertilidade permanece próxima de 1,2 filho por mulher.

Com menos pessoas em idade ativa para trabalhar, o potencial de crescimento da economia diminui e aumentam as pressões sobre os gastos públicos, especialmente com aposentadorias e saúde.

E talvez poucos indicadores traduzam melhor esse desafio do que a dívida pública japonesa. Mesmo em trajetória de queda gradual, o FMI projeta que ela permanecerá acima de 200% do PIB em 2026, uma das maiores proporções do mundo.

Parte dessa trajetória reflete as escolhas feitas pelo país para lidar com o envelhecimento da população.

Em vez de promover um ajuste fiscal mais intenso ou elevar significativamente a carga tributária, o governo passou a financiar uma parcela crescente das despesas com aposentadorias e saúde por meio da emissão de dívida.

O envelhecimento levou muitas empresas japonesas a mudar sua estratégia de crescimento: com um mercado doméstico cada vez menor e mais envelhecido, ampliaram investimentos no exterior e passaram a gerar receitas crescentes com propriedade intelectual, pesquisa e desenvolvimento e dividendos de subsidiárias internacionais.

Os efeitos da mudança demográfica também aparecem no mercado de trabalho.

Dados do FMI mostram que o setor de serviços responde por cerca de 70% do valor agregado da economia japonesa e concentra algumas das maiores dificuldades para contratar trabalhadores. Além disso, profissionais com mais de 60 anos estão cada vez mais presentes em atividades como serviços e construção.

Esse cenário ajuda a explicar por que os ganhos de produtividade variam entre os diferentes setores da economia.

Enquanto a indústria manufatureira avançou nas últimas décadas com inovação e melhorias na organização da produção, serviços voltados ao mercado doméstico — como saúde, comércio, hotéis e alimentação — registraram uma evolução mais lenta.

Apesar disso, o economista Kyoji Fukao, professor da Universidade Hitotsubashi, afirma que essa diferença não é recente.

Em um estudo sobre as causas estruturais das chamadas “duas décadas perdidas” do Japão, ele argumenta que os ganhos de produtividade obtidos pela indústria não foram reproduzidos em boa parte dos serviços, onde modelos de gestão mais eficientes demoraram a ser adotados.

“O crescimento da produtividade permaneceu lento no Japão, já que as grandes empresas mais produtivas não ampliaram sua participação de mercado. Além disso, a segurança no emprego tem prioridade no Japão e, como resultado, os custos de abrir e fechar estabelecimentos são elevados”, afirma.

Fonte: G1

Comissão aprova diretriz de mobilidade urbana para profissionais da educação básica e superior

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Comissão aprova diretriz de mobilidade urbana para profissionais da educação básica e superior
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasi

O projeto continua em análise na Câmara dos Deputados

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que altera a Política Nacional de Mobilidade Urbana para incluir a promoção da mobilidade dos profissionais da educação básica e superior como uma diretriz federal. O objetivo é reduzir os custos com transporte para a categoria.

O relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), apresentou uma nova versão (substitutivo) para o Projeto de Lei 5770/25, que foi acolhida pela comissão. O projeto inicial é do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ).

O texto aprovado transforma a gratuidade – que, pelo projeto original seria obrigatória em todo o país – em uma possibilidade a ser implementada por estados e municípios. O substitutivo permite que os governos locais decidam sobre a concessão de subsídios, descontos ou gratuidades de acordo com a realidade financeira de cada região.

“A imposição, por lei federal, de gratuidade no transporte público coletivo urbano e intermunicipal implica interferência na organização e na política tarifária de serviços públicos que competem aos municípios e aos estados”, explicou Ricardo Ayres. Ele disse ainda que a medida original, sem uma fonte de financiamento clara, poderia gerar pressão tarifária sobre os demais usuários.

Apesar dos ajustes, Ayres defendeu a intenção da proposta. “O projeto reconhece o impacto direto dos custos de deslocamento sobre a qualidade de vida e as condições de trabalho dos profissionais da educação básica e superior.”

O texto aprovado estabelece também que a União poderá oferecer apoio técnico e financeiro para auxiliar os entes federativos na execução das políticas de mobilidade para os professores.

Próximos passos
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pelas comissões de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Agência Câmara de Notícias

China lança plano de 5 anos para incorporar IA como competência de ensino em todas as escolas do país

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Ética em pesquisa e IA generativa: por uma abordagem crítica e soberana
Foto: Qilai Shen/Bloomberg

Estudantes de todos os níveis de educação precisarão ter habilidades em inteligência artificial

A China anunciou plano oficial para integrar a inteligência artificial em todos os níveis de ensino, alinhando seu sistema educacional à estratégia do presidente Xi Jinping de tornar o país líder em tecnologias avançadas.

O Conselho de Estado divulgou nesta segunda-feira um plano de cinco anos que prevê transformar a IA em uma competência essencial para todos os estudantes, reforçando um apelo anterior de Xi para formar talentos de alta tecnologia, enquanto a segunda maior economia do mundo busca novos motores de crescimento.

O plano determina que sejam adotadas medidas para “promover a educação em inteligência artificial em todas as etapas da formação, aprimorar a alfabetização em IA dos estudantes e fortalecer sua capacidade de identificar e resolver problemas”. O gabinete chinês também orienta as autoridades regionais a implementar a política.

O incentivo ao ensino de IA faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para conquistar vantagem em tecnologias de ponta. Pequim tem dado atenção especial ao desenvolvimento de empresas nacionais capazes de enfrentar o endurecimento das restrições impostas por países ocidentais à exportação de hardware avançado.

Ao mesmo tempo, as autoridades tentam equilibrar os ganhos de produtividade proporcionados pela adoção da IA com a estabilidade do mercado de trabalho, em um cenário de fragilidade econômica e elevado desemprego entre os jovens. Anteriormente, o Ministério da Educação havia orientado universidades a oferecer treinamento em inteligência artificial para aumentar as chances de empregabilidade dos estudantes.

Em diversos casos recentes, tribunais chineses decidiram que empresas não podem demitir funcionários apenas para substituí-los por sistemas de inteligência artificial, evidenciando o esforço de Pequim para proteger empregos enquanto busca competir com os Estados Unidos.

Fonte: O Globo

Não foi só a cidade que mudou: entre permanências e metamorfoses em São Paulo

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Não foi só a cidade que mudou: entre permanências e metamorfoses em São Paulo
Centro histórico de São Paulo. Foto: Getty Images

Ao NEV-USP e ao professor Sergio Adorno, pela construção de um espaço onde a reflexão crítica sobre a cidade e a violência permaneceu possível.

“A educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma auto-reflexão crítica.”— Theodor Adorno, Educação após Auschwitz

A ideia de que a vida é feita de ciclos tornou-se um lugar-comum. Mais raro, porém, é reconhecer os marcos que estruturam uma experiência e compreender aquilo que eles revelam.

Olhar para trás, nesse sentido, exige mais do que nostalgia. Mais do que idealizar retrospectivamente um período, ou reduzi-lo a algo meramente acadêmico, importa identificar continuidades e rupturas, atribuir sentido aos caminhos e às escolhas construídas no cotidiano.

É desse ponto que escrevo: da conclusão de um ciclo profissional no Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), no âmbito de seu Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID). Um percurso atravessado por desafios, mas também por experiências que ampliaram minhas possibilidades de compreensão.

Ao narrar essa trajetória, procuro compreender permanências e metamorfoses da cidade: seus ritmos, suas reconfigurações, mas também desigualdades, vulnerabilidades e arranjos sociais que persistem e se reorganizam. Não se trata apenas de um marco biográfico, mas de compreender como a experiência urbana é continuamente redefinida.

Sou filho da periferia. Cresci em uma cidade marcada por mudanças aceleradas e vulnerabilidades persistentes. Durante muito tempo, essas experiências não eram mediadas por análises ou indicadores — impunham-se diretamente nos trajetos cotidianos, nos medos e expectativas distribuídos de forma desigual.

Quando iniciei minha atuação no NEV-USP, a cidade deixou de ser apenas experiência vivida e passou a exigir novas formas de interpretação. São Paulo atravessava um período de intensa instabilidade. Rebeliões penitenciárias e ataques coordenados por organizações criminosas não eram acontecimentos isolados, mas expressões de contradições sociais mais amplas. Expunham fragilidades institucionais e evidenciavam os limites dos modelos explicativos disponíveis. Desde então, tornou-se impossível ignorar um princípio: problemas complexos resistem às generalizações.

Nesse contexto, comecei a trabalhar com dados, sistemas de informação e análise espacial. Tornou-se evidente que os recortes territoriais tradicionais eram incapazes de compreender a cidade sem reduzi-la a padrões artificiais de homogeneidade. Áreas intraurbanas apresentavam dinâmicas sociais e criminais que escapavam aos limites político-administrativos. Sob o aparente ordenamento da gestão urbana, acumulavam-se fragmentações que os modelos vigentes já não conseguiam apreender. Era preciso repensar a própria forma de análise.

A identificação de padrões surge dessa reorientação. Não como solução definitiva, mas como tentativa de reorganizar a maneira de perceber a cidade. A integração das dimensões territoriais da criminalidade tornou visíveis configurações urbanas que os recortes existentes tendiam a obscurecer. A cidade deixa de aparecer como totalidade contínua e passa a revelar escalas, rupturas e conexões.

Esse movimento altera a própria forma de compreender a cidade. Transformar a percepção do espaço urbano modifica não apenas sua interpretação, mas também as possibilidades concretas de intervenção.

Ao longo desse processo, a tecnologia deixou de ocupar uma posição meramente instrumental. Passou a reorganizar as formas pelas quais instituições e relações sociais se estruturam. A ampliação das capacidades de processamento e integração de dados tornou possível descrever fenômenos complexos e orientar decisões com níveis inéditos de precisão. Ainda assim, maior capacidade analítica nem sempre resultou em melhores respostas.

Foi preciso qualificar a informação, reconhecer limites e evitar a adesão automática a ferramentas cada vez mais sofisticadas. Sem qualidade, contexto e mediação crítica, os dados frequentemente produziam mais ruído do que esclarecimento. Nessas condições, a tecnologia favorecia interpretações frágeis, discriminações indevidas e formas renovadas de distorcer a própria experiência urbana.

Houve avanços e retrocessos. A redução dos homicídios dolosos constitui, sem dúvida, um dado histórico relevante. A cidade de São Paulo deixou de figurar entre as capitais mais violentas do país, e isso significou a preservação da vida de milhares de pessoas. Ainda assim, reduzir a compreensão da violência urbana a esse indicador ofusca mais do que esclarece aquilo que efetivamente se transformou. As mudanças observadas resultam de processos sociais e institucionais de corte essencialmente territorial, resistentes a explicações simplificadoras e causalidades lineares.

A agenda se expandiu. A cidade passou a concentrar problemas que já não podem ser compreendidos a partir de perspectivas isoladas. Estudar a questão criminal passou a exigir a articulação entre dinâmicas micro-locais e estruturas macrossociais, evidenciando ainda mais os limites das interpretações generalizantes.

A cidade havia se tornado mais complexa e contraditória. Não apenas pela disseminação de tecnologias, mas pela incorporação desigual de formas de produção de conhecimento, frequentemente dissociadas da integração institucional e do uso sistemático de evidências. Ainda assim, permanecia distante de qualquer horizonte idealizado de metrópole global.

Nesse contexto, a transferência de conhecimento deixou de constituir uma etapa posterior da pesquisa. Passou a integrar o próprio processo de produção do conhecimento. Trabalhar com gestores, dialogar com instituições e disputar publicamente a interpretação dos problemas urbanos tornou-se parte essencial da atividade científica. Não se trata de complemento, mas de método. Sem essa mediação, a pesquisa perde relevância pública e enfraquece sua responsabilidade social.

Encerrar esse ciclo no NEV-USP, à frente da coordenação de Transferência de Tecnologia, permite reconhecer que a cidade reúne hoje condições mais consistentes para compreender e enfrentar a complexidade de nossos próprios conflitos.

Reconhecer essas condições, no entanto, exige cuidado com a própria ideia de avanço. Tomada em seu sentido mais corrente, ela frequentemente se reduz a uma renovada simplificação. Em um plano mais exigente, avançar significa enfrentar as estruturas que organizam a cidade: qualificar informações, tornar visíveis desigualdades e questionar os mecanismos sociais e institucionais que continuamente as reproduzem. É justamente nessa exigência — e não na busca por soluções imediatas — que se abrem possibilidades reais de transformação. Nesse horizonte, a metrópole permanece como um dos espaços mais desafiadores e reveladores para quem insiste em compreendê-la. E esse esforço jamais é individual.

ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz. In: Educação e emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

Ministério das Cidades destaca papel dos governos locais na implementação da agenda climática durante cúpula internacional

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Construção civil: Falta recursos para adaptação das cidades, diz Cbic
Foto: Rodinei Santo / Prefeitura de Pato Branco

Cooperação entre governos nacional, estaduais e municipais é fundamental para a implementação da agenda climática.

Esta é a avaliação do chefe da assessoria Internacional do Ministério das Cidades, embaixador Antônio da Costa e Silva durante participação da Semana de Ação Climática de Londres (London Climate Action Week 2026). O evento é a principal plataforma voltada à discussão da agenda climática entre as conferências do Cllima organizada pela ONU.

“A cooperação entre governos nacional, estados e municípios deve ser a principal estratégia para implementar as políticas climáticas e trazer resultados concretos para a comunidade internacional”, afirmou.

A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, atualizada em 2023, estabelece a redução de 53% da emissão dos gases do efeito estufa até 2030, tomando 2005 como ano-base, e o compromisso de neutralidade climática até 2050.

Para alcançá-la, o Brasil defende a ampliação do financiamento climático para acelerar medidas de adaptação, mitigação e desenvolvimento urbano sustentável e a participação ativa dos governos-subnacionais na tomada de decisão internacional.

O país é um dos 77 signatários da iniciativa CHAMP (Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição para a Ação Climática), anunciada na COP28, pela qual os países se comprometem a incluir as cidades nas metas climáticas e o apoiar a ação local.

REFERÊNCIA – A atuação brasileira se tornou referência em incluir as cidades no centro da agenda climática. No ano passado, o Ministério das Cidades presidiu a 4ª Reunião Ministerial sobre Urbanização e Mudança do Clima, na COP30, articulando mais de 60 países na construção de uma declaração internacional que reafirma a urbanização sustentável e a governança multinível como pilares para o cumprimento da agenda climática. O processo consolidou o entendimento de que cidades, estados e municípios são atores centrais na adaptação e na mitigação climática e reforçou a necessidade de ampliar o financiamento climático voltado à ação local.

Fonte: Ministério das Cidades

Do talento à infraestrutura: os desafios da soberania digital – Parte 2

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Do talento à infraestrutura: os desafios da soberania digital - Parte 2
Foto: Enviada por Fabiano Carvalho

O fortalecimento da indústria, da inovação e da formação em STEM é essencial para que o Brasil avance na construção de sua autonomia tecnológica.

No nosso último artigo, discutimos como a atual conjuntura internacional colocou o tema da soberania digital no centro do debate. Em um cenário marcado pelo aprofundamento das disputas geopolíticas, pela reorganização das cadeias de valor e pelo avanço da inteligência artificial, reforçamos a importância do investimento na formação de mão-de-obra nas disciplinas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) para o desenvolvimento nacional.

Agora em junho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou o documento Construindo o Brasil 2050 aos pré-candidatos à Presidência da República. Nele, incluiu entre as prioridades a consolidação de políticas industriais e de formação em STEM, reconhecendo que a competitividade nacional depende do fortalecimento de uma agenda positiva e de longo prazo. 

Políticas públicas voltadas à industrialização permitem ao país criar e proteger ativos que sustentam a economia, os serviços essenciais e a segurança. Em meio a uma pauta fragmentada, esse desafio tornou-se prioridade nacional. 

Nesse contexto, a expressão soberania digital revela a importância da tecnologia para a economia. Em sua essência, é a propriedade sobre recursos tecnológicos. Quanto maior a dependência de plataformas externas, menor é a liberdade de um país para proteger os interesses de sua população, incluindo a defesa de seu território.

O Índice de Soberania Digital (ISD), apresentado em maio de 2026 pelo BRICS+ Tech Forum, comprova essa questão. Desenvolvido por um consórcio de pesquisadores brasileiros e instituições parceiras, o estudo avaliou 86 países e procurou medir como uma nação transforma conhecimento, infraestrutura e governança em poder tecnológico. O estudo analisa categorias como produtividade, políticas digitais e pesquisa científica.

Os resultados apontam que os países que ocupam posições de liderança são aqueles que conseguem influenciar os rumos do desenvolvimento tecnológico. No atual momento, esse grupo é formado por um número reduzido de nações:

  • China: nas últimas décadas, o país transformou tecnologia em política de Estado e articulou investimentos de longo prazo com uma estratégia consistente de estímulo à industrialização. O resultado é visível na expansão da infraestrutura digital, na liderança em redes 5G e na consolidação de empresas capazes de competir globalmente. Com mais de 1 bilhão de usuários conectados e a maior rede 5G do mundo, a China demonstra como escala e planejamento podem se reforçar mutuamente.
  • França: a segunda colocada no ISD tem 68 milhões de habitantes e consolidou uma política consistente de segurança cibernética e autonomia tecnológica. A participação francesa em iniciativas como o Gaia-X, voltado à soberania de nuvem, mostram que a governança também se tornou um ativo da competitividade tecnológica.
  • Rússia: a terceira colocada avançou em áreas essenciais de defesa nacional. Nos últimos anos, o país investiu em plataformas digitais nacionais e infraestrutura crítica, reduzindo a dependência de fornecedores externos. A combinação entre governança tecnológica e capacidade de resposta a restrições internacionais contribuiu para sua posição no índice.
  • Estados Unidos: o quarto colocado segue como uma potência digital por concentrar grande parte das empresas que moldam a economia baseada em dados. Os maiores provedores de computação em nuvem e muitos dos líderes mundiais em semicondutores estão sediados no país. A combinação entre universidades e empresas criou um ecossistema tecnológico que continua influenciando a transformação digital em grande escala.

O Brasil aparece na 48ª posição, revelando deficiências, mas também acertos. O país possui ativos importantes, incluindo um mercado consumidor de cerca de 183 milhões de usuários de internet (equivalente a mais de 86% da população), universidades de excelência, um sistema financeiro altamente digitalizado e crescente capacidade de inovação. Entretanto, ainda depende significativamente de tecnologias estrangeiras nos segmentos que hoje concentram maior valor estratégico.

Ao mesmo tempo, o Brasil iniciou movimentos relevantes para fortalecer a soberania digital. Iniciativas como o Gov.br, a Estratégia de Governo Digital, a Nuvem de Governo e a Infraestrutura Nacional de Dados demonstram a importância do tema. O Gov.br ultrapassou a marca de 176 milhões de usuários, reunindo mais de 13 mil serviços públicos (cerca de 4.600 federais e 8 mil estaduais e municipais). Soma-se a isso a criação do Comitê Interministerial para a Transformação Digital (CITDigital), responsável por coordenar ações voltadas à modernização do Estado e à integração das políticas digitais nacionais.

O desafio, entretanto, está em conectar esses esforços a uma estratégia industrial mais ampla e de longo prazo. Fortalecer a formação em STEM continua sendo essencial, assim como ampliar a conectividade e a integração entre governos, universidades e setores produtivos. Em outras palavras, a soberania digital depende tanto de pessoas qualificadas quanto de indústrias e infraestruturas robustas.

Também é importante compreender que esse processo não se resolve em um único ciclo de governo. Trata-se de uma agenda de Estado, que exige continuidade institucional e capacidade de coordenação. Os países que hoje lideram o índice chegaram a essa posição por transformar a tecnologia em prioridade ao longo dos anos. O Brasil reúne condições para avançar nessa direção.

Em um mundo cada vez mais orientado por dados, a independência digital é um fator que a sociedade, como um todo, deve estar apta a escolher e decidir. Mais do que acompanhar as transformações em curso, o desafio brasileiro é tornar-se protagonista deste desenvolvimento.

Análise: As pessoas não concordam mais sobre o que é real, e isso afeta a economia

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Análise: As pessoas não concordam mais sobre o que é real, e isso afeta a economia
Foto: Banco de imagens/istockphoto

A combinação de redes sociais, algoritmos e IA acelera a disseminação de deepfakes, corroendo a confiança em governos, empresas e mercados

Em uma noite iluminada pela lua, em abril de 1775, Paul Revere percorreu Massachusetts levando um aviso — “Os britânicos estão chegando” — enquanto tropas inglesas avançavam em direção a Lexington e Concord.

O episódio tornou-se uma das histórias mais emblemáticas da fundação dos Estados Unidos. No entanto, a cavalgada de Revere teve sucesso por um motivo mais profundo do que a coragem de um único mensageiro. As colônias compreendiam a ameaça britânica. O aviso de Revere forneceu urgência e sincronização, não persuasão. Os americanos agiram coletivamente porque, em grande medida, compartilhavam a mesma percepção da realidade.

Durante boa parte da história do país, as instituições americanas funcionaram com base em uma premissa simples: se um número suficiente de pessoas recebesse as mesmas informações, a maioria chegaria a uma compreensão semelhante dos acontecimentos.

Essa compreensão compartilhada da realidade tornou-se uma espécie de infraestrutura nacional. Os mercados dependiam dela para precificar riscos e alocar capital. As empresas dependiam dela para planejar e investir com confiança. As democracias dependiam dela para sustentar sua legitimidade e a confiança pública.

Os Estados Unidos sobreviveram ao jornalismo sensacionalista, à demagogia política, à propaganda e às teorias da conspiração. O que tornou o sistema resiliente não foi a ausência de mentiras, mas a existência de uma base factual amplamente compartilhada. Essa base agora está se fragmentando.

O perigo já não é a velocidade com que a informação circula. É que a desinformação agora se propaga mais rapidamente do que as instituições conseguem interpretar, verificar ou responder.

O resultado é uma incerteza crescente sobre o que é real — e essa incerteza vem produzindo consequências econômicas cada vez mais significativas.

Toda revolução nas comunicações da história americana remodelou a política, o comércio e a cultura. Jornais e panfletos coloniais alimentaram o debate revolucionário e ampliaram a participação política. Filadélfia e outras capitais coloniais abrigavam publicações concorrentes, expondo os cidadãos a argumentos políticos bastante distintos. Discursos e sermões circulavam amplamente, ajudando a criar uma identidade política nacional antes mesmo da existência formal da nação.

O telégrafo acelerou os mercados financeiros e reduziu as distâncias. O telefone transformou a coordenação dos negócios. O rádio sincronizou a atenção nacional. A televisão centralizou a cultura em torno de um pequeno grupo de grandes redes. A internet eliminou praticamente todo o atrito na publicação e na distribuição de conteúdo.

Cada revolução das comunicações ampliou o acesso à informação. Mas cada uma também concentrou influência — primeiro nos editores, depois nas emissoras e, por fim, nas plataformas digitais. Essas plataformas substituíram o julgamento editorial por algoritmos otimizados para gerar indignação e engajamento. Os benefícios foram enormes. Os riscos também.

O rádio talvez tenha representado o auge da experiência nacional compartilhada. Em 7 de dezembro de 1941, os americanos souberam do ataque a Pearl Harbor por meio de boletins que interromperam a programação regular. As famílias reuniram-se em torno dos aparelhos de rádio e receberam os mesmos fatos no mesmo instante.

Hoje, as plataformas digitais recompensam a indignação, a emoção e o imediatismo em detrimento da verificação. A inteligência artificial está acelerando esse problema ao tornar a fraude mais rápida, barata e escalável. A IA está mudando a economia da enganação.

Deepfakes, áudios sintéticos e vídeos manipulados já não são riscos teóricos. São realidades operacionais. As instituições já não enfrentam apenas o desafio de distribuir informações. Elas lutam para preservar sua credibilidade enquanto mercados, reguladores, consumidores e algoritmos reagem simultaneamente a versões concorrentes da realidade.

Isso deixou de ser apenas um problema de comunicação. Está se tornando um problema de governança, com implicações diretas para os mercados, o desempenho corporativo e a estabilidade democrática.

O Fórum Econômico Mundial já classifica a informação falsa e a desinformação entre os riscos de curto prazo mais significativos para a economia global. A própria confusão tornou-se uma força de mercado. A erosão da confiança não é apenas um fenômeno tecnológico. A cultura política passou a tratar os próprios fatos como instrumentos partidários.

Donald Trump popularizou a expressão “fake news” como uma arma política contra coberturas desfavoráveis. Mas a defesa feita por Kellyanne Conway dos “fatos alternativos”, em 2017, marcou algo ainda mais relevante: a normalização de realidades concorrentes construídas em torno de alegações comprovadamente falsas.

Desde então, os americanos testemunharam narrativas oficiais conflitantes sobre fiscalização da imigração, ameaças à segurança nacional, processos relacionados ao ataque de 6 de janeiro e os arquivos Epstein.

Autoridades públicas passaram a descartar informações prejudiciais como invenções, ao mesmo tempo em que apresentam alegações sem comprovação como se fossem fatos. O efeito cumulativo é a erosão institucional. Os americanos questionam cada vez mais se órgãos governamentais, organizações de mídia, empresas ou líderes políticos estão fornecendo informações verificáveis.

Essa erosão produz consequências econômicas diretas. Os mercados conseguem absorver más notícias. O que têm dificuldade em absorver é a incerteza sobre o que é verdadeiro.

O colapso do Silicon Valley Bank serviu como um alerta inicial. Os depositantes não esperaram o jornal do dia seguinte nem o relatório trimestral dos analistas. Reagiram instantaneamente a capturas de tela, especulações e comentários nas redes sociais. As informações — corretas ou não — circularam mais rapidamente do que a resposta institucional. Essa aceleração está remodelando a gestão de riscos das empresas.

A comunicação não resolve falhas operacionais. Mas decisões lentas e coordenação deficiente podem transformar rapidamente problemas operacionais em crises financeiras e de reputação. Um vídeo manipulado de um executivo, um falso anúncio de resultados financeiros ou um áudio sintético podem movimentar os mercados antes que os mecanismos de verificação consigam reagir.

A Deloitte alertou que as perdas decorrentes de fraudes habilitadas por IA podem alcançar dezenas de bilhões de dólares por ano nos próximos anos. A Gartner prevê um aumento dos casos de falsificação de identidade gerada por IA contra executivos, funcionários e investidores. O perigo não é apenas a desinformação. É o colapso da confiança na autenticidade das próprias evidências.

Quando as partes interessadas passam a presumir que qualquer imagem, vídeo ou declaração pode ser fabricado, a confiança institucional enfraquece em todos os níveis. Nesse ambiente, as organizações perdem velocidade justamente quando os mercados exigem clareza.

Para os CEOs, três prioridades estão se tornando inevitáveis.

Primeiro: tratar a confiança como infraestrutura operacional, e não como um aspecto secundário da reputação. Em um mundo de deepfakes e desinformação gerada por IA, as empresas competirão cada vez mais por sua capacidade de estabelecer o que é real antes que informações falsas movimentem os mercados ou prejudiquem sua credibilidade.

Durante dois séculos, a vantagem institucional frequentemente dependia do controle da distribuição da informação. Na era da IA, a vantagem competitiva pode depender cada vez mais da capacidade de verificação.

Segundo: reduzir drasticamente o tempo de tomada de decisões. As estruturas tradicionais de resposta — nas quais equipes jurídicas, de comunicação, de cibersegurança e de relações com investidores atuam em sequência — foram criadas para ciclos de mídia mais lentos.

Esse modelo está se tornando obsoleto. Hoje, mercados e plataformas sociais reagem em minutos, enquanto muitas instituições ainda levam horas ou dias para responder. Nas crises futuras, o próprio atraso poderá se transformar em um risco de mercado.

Terceiro: a credibilidade tornou-se uma arma competitiva. A informação circula globalmente em uma velocidade sem precedentes. Sem credibilidade, até mesmo informações corretas têm dificuldade para recuperar o controle quando narrativas falsas se consolidam.

Durante gerações, as instituições acreditaram que os fatos seriam capazes de estabilizar a incerteza. Cada vez mais, acontece o contrário. Narrativas concorrentes agora movimentam mercados, moldam resultados políticos e redefinem o valor das empresas em tempo real.

O que torna este momento diferente é a velocidade com que a tecnologia comprime a criação de mentiras, sua amplificação e suas nconsequências.

O desafio não é restaurar uma era idealizada de concordância perfeita que nunca existiu. Democracias são, por natureza, espaços de debate e divergência. Mas democracias funcionais e mercados estáveis ainda exigem um amplo consenso sobre o que constitui evidência, verdade e realidade. Sem esse alicerce, a confiança se deteriora, as instituições enfraquecem e a instabilidade se espalha.

Há mais de dois séculos, o Pai Fundador James Madison escreveu ao estadista de Kentucky W.T. Barry: “Um governo popular, sem informação popular, ou sem os meios de adquiri-la, não passa de um prólogo para uma farsa ou uma tragédia.”

Madison compreendia que um governo democrático não poderia sobreviver sem informações públicas confiáveis. Na era da inteligência artificial, esse alerta vai muito além da política. Quando as sociedades deixam de concordar sobre o que é real, os mercados se desestabilizam, as instituições enfraquecem e a confiança pública torna-se extraordinariamente difícil de restaurar.

As opiniões expressas nos artigos de opinião do Fortune.com refletem exclusivamente a visão de seus autores e não necessariamente representam as opiniões e convicções da Fortune.

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Fonte: InfoMoney

Aneel aprova alta de 9,4% nas tarifas de transmissão de energia

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Aneel aprova alta de 9,4% nas tarifas de transmissão de energia
Imagem mostra sede da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, em Brasília. Foto: CNN/Reprodução

Empresas transmissoras vão receber quase R$ 55 bilhões no ciclo 2026/2027

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou aumento das tarifas de transmissão de energia para o ciclo 2026/2027. Com a decisão, as empresas transmissoras vão receber R$ 54,95 bilhões, alta de 9,4% em relação ao ciclo anterior.

Apesar do aumento, a Aneel estima impacto médio de 1,1% para os consumidores finais atendidos pelas distribuidoras.

O cálculo considera as receitas das instalações de transmissão em operação comercial. Ao todo, foram analisados 356 contratos de concessão de 258 empresas transmissoras.

Segundo a agência, a alta é explicada principalmente pela atualização contratual das receitas, pela expansão da rede de transmissão e por componentes financeiros regulatórios.

Fonte: CNN Brasil