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Programa Nacional de Regionalização do Turismo: a união em prol do desenvolvimento turístico

Unidas, as cidades conseguem criar rotas turísticas mais atraentes, fazendo com que os visitantes fiquem mais dias, gerando mais empregos e impulsionando a economia local

O tema desta edição do Ciência e Turismo é o Programa Nacional de Regionalização do Turismo (PRT) e o papel que cumpre nos inúmeros municípios espalhados por todos os cantos do Brasil. Afinal, como pensar numa política pública que auxilie no desenvolvimento do turismo, levando em conta tantos “Brasis” dentro de um mesmo Brasil?

O PRT nasceu em 2004, mas sua ideia inicial veio em meados da década de 90, com outro programa que nasceu antes mesmo da criação do Ministério do Turismo, que era chamado Programa Nacional de Municipalização do Turismo. O PNMT tinha como tripé fundamental chamar os municípios e entregar a estes a responsabilidade do seu desenvolvimento do turismo, pois julgava-se importante a autonomia das cidades na criação de políticas e estratégias que desenvolvessem sua atividade turística. O PNMT atuou entre 1994 até o início dos anos 2000 e, dessa iniciativa  de descentralização nasceu, em 2004, o Programa Nacional de Regionalização do Turismo, uma estratégia do Ministério do Turismo para que as pequenas cidades, que não possuem grandes atrativos ou equipamentos turísticos, pudessem se unir e formar um grande produto ao invés de competirem entre si.

A ideia central é simples, segundo Gracimar Tavares, doutoranda em Turismo pela Universidade de São Paulo: unidas, as cidades conseguem criar rotas turísticas mais atraentes, fazendo com que os visitantes fiquem mais dias, gerando mais empregos e impulsionando a economia local.

“No Brasil, um dos maiores exemplos de regionalização ocorre com a Serra Gaúcha, composta de várias cidades da região Sul e que, ao longo dos anos, além das mais conhecidas Gramado e Canela, foram criando mais e mais atrações na região. Isso aumentou o tempo de estada dos turistas e levou ao desenvolvimento não somente de uma, mas de um conjunto de cidades próximas, que se unem para formar uma região turística.”

Municípios de Estados diferentes

Ela conta que a regionalização também pode acontecer envolvendo municípios de Estados diferentes, porém vizinhos e com características similares, como acontece na “Rota das Emoções”, composto pelos lençóis maranhenses (MA), Delta do Parnaíba (PI) e Jericoacara (CE). “Os três Estados juntos formaram um produto regional que ganhou competitividade internacional e que possibilitou uma relação de parceria e políticas interestaduais pensadas para os três Estados.”

Para o turista, prossegue Gracimar, a regionalização se torna uma oportunidade de conhecer mais sobre a região visitada, comprar produtos locais direto na fonte, como vinhos e queijos, além de permitir um contato maior com as comunidades de cada lugar, trocando experiências autênticas e vivenciando o cotidiano local.

Sob a tutela do Ministério do Turismo, o PRT atua nos Estados, via Secretarias de Turismo Estaduais, “que unem os municípios com vocações turísticas similares e as dividem em Instâncias de Governança Regionais (IGR’s). As IGR’s são organizações sem fins lucrativos compostas de participação ativa do poder público, do setor privado e da sociedade civil. Elas assumem a coordenação do programa em âmbito regional, identificando carências, capacitando profissionais locais e formatando produtos de maneira coletiva; mas, para que um município faça parte de uma IGR, ele precisa cumprir uma série de requisitos. O principal deles é entrar para o Mapa do Turismo Brasileiro, ferramenta fundamental para classificar o desenvolvimento dos municípios”, diz Gracimar.

Fonte: Jornal da USP | Gracimar Tavares 

 

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