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Laboratório de Fabricação Digital do Instituto de Ciências e Engenharia transforma tecnologia em ferramenta de inclusão

Projeto de extensão desenvolvido em parceria com ONG de Itapeva cria materiais em braille, reproduções tridimensionais de obras de arte e jogos adaptados para ampliar a acessibilidade de pessoas com deficiência.

O Brasil celebra, no dia 21 de setembro, o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. Instituída pela Lei nº 11.133, de 14 de julho de 2005, a efeméride ressalta as mobilizações pela inclusão social de pessoas com deficiência, a conscientização sobre a luta anticapacitista e celebra os movimentos sociais que defendem os direitos humanos dessa parcela da população.

A data também é uma forma de mobilizar a sociedade e as entidades políticas em prol da inclusão das pessoas com deficiência. Dentro da Unesp, há uma série de projetos que utilizam o conhecimento e os equipamentos presentes na Universidade para promover, diariamente, ações de inclusão e acessibilidade. Uma dessas iniciativas é o projeto de extensão “Sentidos do Mundo: Inclusão e Acessibilidade com Impressão 3D e Braille”, desenvolvido no Laboratório de Fabricação Digital (FabLab) do Instituto de Ciências e Engenharia, câmpus de Itapeva.

O espaço possui uma série de equipamentos, como impressoras 3D, máquina computadorizada para corte e gravação a laser, máquinas de costura e bordado, entre outras estruturas. Esses equipamentos permitem que estudantes e professores possam projetar e executar uma variedade de projetos diferentes.

Washington Luis Reis Santos, docente do curso de Engenharia Mecânica e um dos coordenadores do FabLab, enxergou a possibilidade de usar os equipamentos do laboratório para auxiliar entidades voltadas a pessoas com deficiência na região. “Esse projeto ajudou a comunidade do câmpus a ter uma visão mais ampla em relação à extensão, ao ensino e à aplicação dessas tecnologias emergentes na nossa unidade”, explica.

Ferramentas para alfabetização em braille

Uma das parcerias de maior sucesso é com a instituição Luz da Visão, focada em promover os direitos sociais nas áreas de educação, saúde e assistência social para pessoas com deficiência visual. Por meio da parceria, o FabLab auxiliou no desenvolvimento de dispositivos de aprendizagem para o público da Luz da Visão.

“Para a alfabetização em braille, é preciso que os alunos tenham contato com uma representação maior para depois irmos para um abecedário menor”, diz Santos. Até o início da parceria, os materiais de que os alunos dispunham incluíam caixas de ovos como suporte e bolinhas de pingue-pongue para formar as letras e palavras.

“Esse sistema era bem rústico e apresentava dificuldades. Por exemplo, muitas pessoas tentavam mexer ao mesmo tempo em um mesmo sistema. Ou havia bolinhas que caíam da mesa e precisavam ser recuperadas por pessoas com deficiência visual. A partir dessa questão, decidimos desenvolver um produto que fosse mais acessível”, explica ele.

O projeto desenvolvido pelo FabLab consiste em uma placa de madeira maior, em que os pontos do braille podem ser facilmente removidos e remontados.

Outros recursos desenvolvidos por meio da parceria para servirem como ferramentas de alfabetização incluíram a impressão, em formato 3D, de um abecedário em braille e das letras do alfabeto tradicional, a fim de familiarizar os alunos com ambos os sistemas.

“Nossa equipe apresentava os protótipos. Os alunos davam um feedback e depois refazíamos o projeto, incorporando as alterações”, explica o docente do curo de engenharia.

FabLab também aposta em ações de cultura

Além das ações educativas, o FabLab organizou uma série de ações culturais e de lazer com as entidades locais. “Quando discutimos arte, é muito difícil apresentarmos as obras e fazer com que uma pessoa com deficiência visual consiga entender. Afinal, mesmo pessoas com boa visão podem experimentar dificuldades de compreensão. Daí começamos a pensar em uma exposição de arte inclusiva”, comenta.

Recorrendo ao auxílio da inteligência artificial e de técnicas de escaneamento, a equipe da Unesp conseguiu tridimensionalizar e texturizar obras que estão em domínio público, a fim de que as pessoas com deficiência visual pudessem sentir a arte. Entre as obras reproduzidas estão esculturas como O Pensador, de Auguste Rodin, e o busto de Nefertiti, e pinturas, como Abaporu, de Tarsila do Amaral. Junto de cada obra, havia uma pequena placa em braille que contextualizava a peça.

“A exposição aconteceu na Casa da Cultura de Itapeva e atraiu tanto o público com deficiência visual quanto a população geral do município, interessada em acompanhar uma exposição de arte”, relembra Santos.

A equipe de estudantes, liderada pelo docente, também tem se dedicado ao desenvolvimento de jogos de tabuleiro inclusivos. Um exemplo é um tabuleiro de xadrez texturizado, para que pessoas com deficiência visual possam interagir com mais facilidade. Outro projeto é a prototipagem de jogos educativos para crianças autistas atendidas pela APAE de Itapeva, que incorporam cores e elementos diferentes que facilitam o aprendizado de temas diversos.

Em 2025, o projeto de extensão recebeu a certificação do Selo ODS em reconhecimento às ações de combate às desigualdades, de promoção da equidade no acesso ao ensino e de aproximação entre a universidade pública e entidades da sociedade civil. A certificação é concedida anualmente a instituições e projetos que desenvolvem ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

“O FabLab dá visibilidade à nossa unidade [de Itapeva] por meio da extensão, e é gratificante ver as ações funcionando e a comunidade utilizando o espaço”, diz Santos.

Fonte: Jornal da UNESP | Nathan Sampaio

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