HomeEIXOS TEMÁTICOSMeio AmbienteFumaça de incêndios no Canadá encobre nordeste dos EUA enquanto Europa registra...

Fumaça de incêndios no Canadá encobre nordeste dos EUA enquanto Europa registra mais de 12 mil mortes em meio a onda de calor

Poluição causada por queimadas em Ontário deteriorou a qualidade do ar em milhões de pessoas. Onda de calor de junho teve excesso de mortes em 12 países europeus

A fumaça dos incêndios florestais que assolam a província canadense de Ontário se espalhou para o nordeste dos Estados Unidos e Nova York nesta quinta-feira, expondo milhões de pessoas a uma qualidade do ar severamente degradada. Um dia após as imagens de um céu amarelo apocalíptico na cidade canadense de Toronto, os mais afetados agora são os estados americanos próximos à fronteira, incluindo Minnesota, Wisconsin, Michigan e Illinois. Enquanto isso, na Europa, ao menos 12 mil mortes adicionais foram registradas em uma dúzia de países durante a onda de calor de junho.

Na manhã de quinta-feira, o monitor IQAir classificou Detroit, Toronto, Minneapolis e Chicago como as cidades mais poluídas do mundo.

Uma densa névoa cobriu a cidade de Nova York, onde meteorologistas previram níveis de qualidade do ar considerados “perigosos à saúde” devido às finas partículas provenientes dos incêndios florestais. As autoridades estão aconselhando os moradores a passarem o mínimo de tempo possível ao ar livre.

As autoridades do estado de Michigan, nos EUA, localizado ao sul de Ontário, alertaram que essas condições podem persistir pelo menos até sexta-feira.

Segundo os dados mais recentes, existem mais de 130 incêndios ativos no noroeste de Ontário, dos quais pelo menos 60 estão fora de controle. As autoridades de Ontário solicitaram assistência adicional do governo federal, em particular apoio aéreo, para evacuar comunidades remotas.

Os incêndios florestais no Canadá queimaram 1,9 milhão de hectares este ano, um número ainda menor do que em 2023, um ano recorde, e em 2025, de acordo com as estatísticas oficiais mais recentes.

Europa

Já na Europa, pelo menos 12 mil mortes adicionais foram registradas em uma dúzia de países durante a onda de calor de junho, de acordo com uma compilação de dados oficiais da AFP, um levantamento preliminar que pode aumentar à medida que as estatísticas forem concluídas.

‘Europa fritando’: Terceira onda de calor leva temperaturas acima de 40°C e reacende temor de novas mortes
Entre 22 e 28 de junho, período em que a onda de calor atingiu o pico em vários países, os institutos nacionais da Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Holanda, Suíça e Luxemburgo registraram quase 10 mil mortes a mais do que o esperado.

Este número soma-se às 2.200 mortes relacionadas à onda de calor na Inglaterra e no País de Gales, segundo estimativas publicadas pelo serviço meteorológico britânico, o Met Office, que abrangem um período ligeiramente mais longo, de 18 a 28 de junho.

Dados preliminares da plataforma europeia de monitoramento do excesso de mortalidade EuroMOMO também indicam um aumento significativo durante a última semana de junho, com 14.260 mortes acima do esperado.

Este modelo estatístico baseia-se em dados oficiais de 24 países, representando aproximadamente 400 milhões de habitantes.

“O verão ainda não acabou”, alertou Hans Henri Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, na quinta-feira. “Temos as ferramentas para evitar essas mortes.” Atualmente, “muitos governos ainda consideram o calor um fenômeno meteorológico em vez de uma emergência de saúde pública”, acrescentou ele em um comunicado.

‘Dramático’

Até o momento, esta semana de junho registrou o maior excesso de mortalidade desde o início dos registros harmonizados do EuroMOMO em 2020. De todas as semanas do verão no Hemisfério Norte dos últimos sete anos, esta “semana 26” de 2026 só é superada por outra em julho de 2022, durante a pandemia de Covid-19.

— Até onde sabemos, não há outras causas para esse excesso de mortalidade além do calor, e isso é bastante dramático — explicou à AFP Lasse Vestergaard, epidemiologista do centro de pesquisa dinamarquês Statens Serum Institut e coordenador do EuroMOMO.

O especialista descreve essa tendência como “altamente incomum”, mas recomenda cautela na interpretação dos dados mais recentes. A EuroMOMO acredita que são necessárias quatro semanas para consolidar as estimativas.

De acordo com o grupo de cientistas World Weather Attribution, as ondas de calor de junho teriam sido praticamente impossíveis sem as mudanças climáticas.

Fonte: O Globo

Artigos relacionados
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img

Mais vistos