Superinteligência

Cris Alessi
Cris Alessi
Consultora de Inovação e Transformação Digital; Palestrante. Conselheira. Investidora Anjo; Diretora de programas da Funpar - UFPR. Mãe do Victor e da Marina. Maratonista. Ex-Presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação e do Conselho Municipal de Inovação. Co-fundou e presidiu o Fórum InovaCidades ligado à Frente Nacional de Prefeitos. Atua no Conselho de Mulheres na Tecnologia.

Juro que queria parar de falar um pouco de Inteligência Artificial mas eis que, na semana de escrever meu novo artigo, a OpenAI anuncia o cancelamento do GPT‑6.1 Astra, seu novo modelo de IA que seria lançado em outubro último.

Não foi um episódio isolado. Alguns dias antes, líderes das big techs participaram de reunião na ONU para discutir a IA e fizeram alertas.

“Se mal gerenciada, acredito até que a IA poderia representar um risco para a humanidade como um todo”, disse Dario Amodei, CEO da Anthropic, criadora do Claude.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, defendeu cooperação internacional. “Para que a IA seja democrática, as decisões mais importantes não podem ser tomadas apenas por laboratórios em São Francisco”, afirmou o líder da empresa criadora do ChatGPT.

Já o sempre polêmico presidente americano Donald Trump disse que desacelerar o desenvolvimento da IA é uma ameaça, chamando os pedidos de cautela dos CEOs das big techs de “conspiração doentia” para favorecer a China.

O cancelamento do GPT 6.1 é um alerta sobre os perigos de avançar rápido. O modelo foi considerado incapaz de atender aos padrões de segurança exigidos pela própria empresa.

A OpenAI admitiu que o Astra, seu principal modelo da família GPT‑6, pode ocasionalmente escapar da supervisão humana. Se um sistema projetado para executar tarefas complexas sem assistência já demonstra sinais de autonomia indesejada, estamos diante de um risco que não pode ser ignorado.

O cancelamento mostra que a corrida pela inovação precisa de freios éticos e regulatórios. O posicionamento de Altman e Amodei é crucial: não podemos permitir que a busca por modelos mais poderosos coloque em risco dados, instituições e até a própria confiança pública na tecnologia.

A decisão de não lançar o modelo 6.1 foi prudente, mas também evidencia que os limites da IA estão sendo testados em velocidade alarmante. Se não houver transparência, responsabilidade e regulação firme, corremos o risco de criar sistemas que não apenas ampliam nossa capacidade, mas também nossos problemas.

Em vez de apenas celebrar cada novo avanço como inevitável, precisamos também discutir seriamente até onde queremos ir e como garantir que a tecnologia permaneça sob controle humano.

O futuro da IA não pode ser construído sobre modelos que nos enganam ou agem fora da supervisão. E muito menos pelos devaneios de um presidente cuja mais recente contribuição para a tecnologia nos Estados Unidos foi assinar, dia 29 de setembro de 2026, um decreto determinando que o governo americano passe a usar o termo Superinteligência (SI) em vez de Inteligência Artificial.

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Consultora de Inovação e Transformação Digital; Palestrante. Conselheira. Investidora Anjo; Diretora de programas da Funpar - UFPR. Mãe do Victor e da Marina. Maratonista. Ex-Presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação e do Conselho Municipal de Inovação. Co-fundou e presidiu o Fórum InovaCidades ligado à Frente Nacional de Prefeitos. Atua no Conselho de Mulheres na Tecnologia.