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A IA no coração da ciência

Cris Alessi
Cris Alessi
Consultora de Inovação e Transformação Digital; Palestrante. Conselheira. Investidora Anjo; Diretora de programas da Funpar - UFPR. Mãe do Victor e da Marina. Maratonista. Ex-Presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação e do Conselho Municipal de Inovação. Co-fundou e presidiu o Fórum InovaCidades ligado à Frente Nacional de Prefeitos. Atua no Conselho de Mulheres na Tecnologia.

Da física à biologia, a Inteligência Artificial inaugura uma nova era em que máquinas e cientistas ampliam juntos os limites do conhecimento.

No ano passado, eu escrevi aqui que a melhor notícia de 2025 foi sobre o Prêmio Nobel de Economia ter sido concedido a estudos sobre crescimento econômico impulsionado pela inovação. Foram laureados o holandês Joel Mokyr, o francês Philippe Aghion e o canadense Peter Howitt.

Até então, eu estava ainda absorvendo a ideia de prêmios dessa importância serem dados a trabalhos ligados à Inteligência Artificial, o que havia acontecido em 2024. Mas hoje já não dá para ignorar as mudanças que a IA traz também no mundo científico.

Há quase dois anos, e pela primeira vez, estudos diretamente ligados à IA foram reconhecidos pela Academia Sueca. No Nobel de Física, Geoffrey Hinton e John Hopfield foram laureados por suas contribuições às redes neurais artificiais. Hopfield, ainda nos anos 1980, apresentou um modelo inspirado na física estatística que permitia memória associativa, enquanto Hinton desenvolveu algoritmos que tornaram possível treinar redes complexas. Essas ideias, que à época pareciam quase especulativas, hoje sustentam sistemas de reconhecimento de voz, tradução automática e até as IAs generativas que transformam nossa relação com a informação.

Na Química, o prêmio foi concedido a Demis Hassabis, John Jumper e David Baker, criadores do AlphaFold, sistema capaz de prever a estrutura tridimensional de proteínas. Esse avanço solucionou um desafio científico que persistia havia mais de meio século e abriu caminho para descobertas em medicina personalizada, biotecnologia e desenvolvimento de novos fármacos.

Estes prêmios também marcam uma virada de paradigma no modo como entendemos a produção de conhecimento. Celebram não apenas conquistas individuais, mas simbolizam a entrada definitiva da Inteligência Artificial no coração da ciência. O Nobel de 2024 consagrou uma nova era em que humanos e máquinas colaboram para desvendar os mistérios da natureza e melhorar a vida na Terra. É um reconhecimento que inspira, valida e projeta a ciência para um futuro em que a inteligência artificial será cada vez mais protagonista.

E isso tudo está muito mais perto de nossas vidas do que imaginamos. Demis Hassabis é co-fundador do Google DeepMind, o laboratório de inteligência artificial da Alphabet. Fundado em Londres em 2010 e adquirido pelo Google em 2014, o DeepMind cria inteligência artificial geral, a AGI, com Hassabis no comando.

E tudo começou com a ideia de que a IA poderia ensinar a si mesma a jogar games. Os games exigem solução de problemas, assim como a ciência. Então quanto mais a IA aprendesse a jogar, mais a sua inteligência ficaria geral e aumentaria sua capacidade de enfrentar outros problemas. A IA dependente de instrução humana nunca ultrapassaria a ingenuidade humana. Mas as máquinas da DeepMind tiveram que definir suas próprias estratégias. Foi esse método que Hassabis e seus colegas aplicaram na descoberta da estrutura tridimensional de proteínas.

A mensagem é clara: a IA não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas um motor de descobertas fundamentais.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC 

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