Da ousadia de Miguel Arraes à revolução digital de João Campos, a capital pernambucana constrói uma história pioneira na aplicação da tecnologia para melhorar a vida do cidadão.
Recife tem no seu DNA a marca da inovação tecnológica. Desde o início da década de 1960, quando poucos brasileiros sabiam o que era um computador, a cidade já se preparava para entrar na era digital.
No final de 1961, a Prefeitura do Recife e a Secretaria da Fazenda do Estado deram o primeiro passo para adquirir o que havia de mais moderno à época: o computador IBM 1401. A iniciativa na esfera municipal partiu do então prefeito Miguel Arraes, que visitou a matriz da IBM Brasil, no Rio de Janeiro, para conhecer a máquina. Na esfera estadual, a compra foi conduzida por Paulo Maciel, secretário da Fazenda do governo Cid Sampaio, preocupado com a eficiência da administração. As duas unidades chegaram em 1962, abrindo caminho para a informatização da gestão pública.
Décadas mais tarde, a tecnologia voltaria a desempenhar papel crucial, desta vez na segurança pública. O então governador Eduardo Campos, pai do atual prefeito João Campos, liderou a criação do Pacto pela Vida, considerado pela ONU e pelo Banco Mundial como o programa de segurança pública mais exitoso do Brasil. Em 2010, o governo lançou o disruptivo site “Procurados”, hospedado no portal da Secretaria de Defesa Social (SDS), com fotos e informações dos 100 acusados de homicídios e latrocínios mais procurados do estado. Sob o slogan “O crime tem muitas caras. E uma mesma solução: a denúncia”, a página integrava o Sistema de Contenção ao Crime – SCC, reforçando com pioneirismo o uso estratégico da tecnologia para reduzir a violência.
A chegada da pandemia da Covid-19, em 2021, marcou um novo capítulo. No Recife, a campanha de vacinação serviu como base para o desenvolvimento do Cadastro Cidadania, que unificou dados e agilizou serviços. Inspirado na “Jornada da Vida” da Estônia — referência mundial em governo digital — o prefeito João Campos iniciou a mais ampla transformação digital já implementada por uma capital brasileira.
O ápice dessa transformação é a Cidadania em Zero Clique, conceito em que os serviços públicos chegam ao cidadão de forma automática, sem a necessidade de solicitações formais. De benefícios sociais a informações sobre educação e saúde, o modelo elimina barreiras burocráticas e coloca Recife na vanguarda mundial do atendimento proativo ao cidadão. Ao completar 60 anos, por exemplo, o cidadão não precisa preencher papelada para pedir sua autorização a estacionamento especial. No dia do seu aniversário recebe um whatsapp lhe dando os parabéns e o PDF com sua credencial.
De 1962 a 2025, a capital pernambucana percorreu um caminho que conecta cartões perfurados à inteligência artificial. Uma jornada que prova que, quando a tecnologia é bem aplicada, ela não é apenas um avanço técnico, mas uma ferramenta poderosa para aproximar governo e população, salvar vidas e tornar a cidade mais humana.
As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

Formado em Economia (UFPE), é Auditor Tributário do Tesouro Estadual. No Governo de Pernambuco, foi Gerente Geral de Ações Governamentais do Pacto pela Vida, Secretário Executivo de Gestão por Resultados da SEPLAG, Secretário de Justiça e Direitos Humanos, CEO do Porto de Suape e Secretário Executivo da SEFAZ-PE. Em Recife, foi Secretário de Educação e Presidente da Emprel. Atualmente é Presidente da Associação Nacional das Cidades Inteligentes-ANCITI.





